sábado, 31 de janeiro de 2009

Norte-americano preso afirma que erro bancário foi “presente de Deus”

Na Pensilvânia, Estados Unidos, um banco depositou dinheiro por engano na conta de um casal, o qual, irresponsavelmente, sacou a quantia e se mudou para a Flórida. Sabe o que aconteceu? Se fosse no Brasil, talvez eles tivessem êxito em seu engodo, mas na outra América...

O que me chamou a atenção é que o casal considerou o depósito de mais de US$ 175 mil um “presente divino”! Resultado: Randy Pratt, de 50 anos, e Melissa Pratt, de 36, foram ao tribunal em Columbia acusados de crime de furto e conspiração.
O problema ocorreu quando um depósito de US$ 1.772,50 apareceu como US$ 177.250 na conta que o casal possui no FNB Bank.

Segundo a polícia, em vez de avisar o banco, os dois sacaram o dinheiro, abandonaram seus empregos e mudaram para a Flórida. Eles já estavam comprando uma casa em Orlando quando o erro foi detectado...

Randy Pratt disse à imprensa que ele tentou perguntar ao banco o que havia acontecido, mas foi ignorado. Ele disse que considerou o dinheiro “um presente de Deus”.
Para piorar a sua situação, o casal diz já ter doado milhares de dólares. Randy permanece na prisão. E um juiz negou o pedido de reduzir sua fiança de US$ 100 mil. Melissa, que disse à corte que estava afastada do marido, foi liberada mediante pagamento de fiança.

O acontecimento em apreço deve levar-nos a uma reflexão. Como servos de Deus, devemos ser honestos, haja o que houver. Se aparecer qualquer quantia não esperada em nossa conta, temos de entrar em contato imediatamente com o banco. Se quisermos usar de engodo, prejudicaremos a nós mesmos, pois os enganadores irão de mal a pior, enganando e sendo enganados (2 Tm 3.13).

Mas o episódio em apreço também nos leva a refletir sobre um modismo que tem gerado grande confusão no meio do povo de Deus: a “bênção do depósito celestial”. Certos milagreiros prometem que as pessoas que tiverem fé encontrarão uma grande quantia em sua conta bancária. No entanto, como vimos acima, a suposta bênção divina traz ao “agraciado” um autêntico “presente de grego”!

O nosso Deus é o Senhor do impossível, mas não contraria a sua Palavra. Caso apareçam milhares de reais em nossa conta, como fica a nossa situação em relação à Receita Federal? Como declararemos isso no Imposto de Renda, haja vista não podermos dizer simplesmente: “Foi Deus quem me deu”?

Há muitos crentes que, diante de uma situação como essa, fariam como o casal norte-americano. Diriam: “É uma bênção divina!” Mas, será que o Senhor nos daria uma bênção pela qual Ele nos tornaria sonegadores de impostos, infratores da lei? A resposta a essa pergunta está em Provérbios 10.22:
“A bênção do SENHOR é que enriquece, e ele não acrescenta dores”.

Ciro Sanches Zibordi

Para saber mais, acesse:
Homem nos EUA diz que erro bancário de US$ 175 mil foi "presente de Deus"

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

“Alguma coisa divina tem aí”


Numa época em que os ateus estão “saindo do armário”, temos visto, a cada dia, acontecimentos que provam a existência de Deus. O Jornal Nacional, da Rede Globo, mostrou na noite de ontem o caso de um menino de Foz do Iguaçu (Paraná), de 3 anos, que ficou quase uma semana com uma bala na cabeça.

Veja se isso não é um milagre.
A família só descobriu que a criança estava com o projétil alojado no cérebro depois de ter consultado três médicos. O raio X pelo qual se constatou que havia uma bala na cabeça da criança continua desafiando os médicos. Ela passou por uma cirurgia, está no hospital se recuperando e não ficará com nenhuma sequela, mesmo tendo sido internada cinco dias depois de ter levado o tiro, sem que os médicos desconfiassem de que havia uma bala em seu cérebro.

O garoto, que estava brincando com um amigo na rua, entrou em casa reclamando de um machucado na cabeça. Seu amiguinho chegou a levar umas palmadas em razão de a sua família pensar que ele havia causado o tal ferimento.
Com a cabeça sangrando, o garoto foi levado ao hospital, para a primeira consulta. Atendido por uma médica, voltou para casa com uma receita de analgésico e antibiótico.

Quatro dias depois, ainda com dores e sem comer direito, o menino foi levado pelas tias a um posto de saúde. E outra médica fez o atendimento, não pedindo uma radiografia. Ela nem chegou a olhar. “Só falou que não podia dar ponto, porque tinha que ter dado ponto no primeiro dia” — disse uma das tias do menino.

Não havendo melhora, a família pagou por um exame de raio X, pelo qual se constatou que a criança havia sido baleada. Bem, o desfecho desse caso surpreende, pois o menino já saiu da UTI e, de acordo com o médico que o atendeu, não ficará com sequela nenhuma. Perplexo, o médito Aramis Pedro Teixeira, afirmou: “Essa criança está aí, lúcida, sem nada, assistindo televisão... realmente alguma coisa divina tem aí”.

Ciro Sanches Zibordi

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

O que um assembleiano como eu espera do presidente da CGADB (de A a Z)


Este não é mais um artigo especulativo sobre defeitos e virtudes dos candidatos à presidência da CGADB (Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil). Aliás, multiplica-se na grande rede esse tipo de abordagem deselegante e, às vezes, contenciosa, em geral assinadas por pessoas que, sem conhecimento de causa, confundem o pleito convencional com a eleição presidencial de um clube de futebol.

Como ministro assembleiano, eu acompanho as carreiras ministeriais dos amados pastores José Wellington Bezerra da Costa e Samuel Câmara — candidatos ao aludido cargo — desde o início da década de 1990. Conheço e respeito esses dois líderes. E, por isso, em vez de escrever sobre pontos positivos e negativos deles, resolvi preparar este texto, pelo qual revelo o que espero (e não espero) do presidente da CGADB.

De A a Z, espero que o presidente da CGADB...

... Aproveite-se da mídia prioritariamente para evangelizar, e não para outros fins, como: promoção pessoal, venda exagerada de produtos evangélicos, etc.
... Barre os maus e falsos obreiros, que se escondem atrás de seu carisma e usam a tribuna santa para difundir todo o tipo de heresias, sandices e invencionices no meio do povo de Deus.
... Combata a realização de shows “evangélicos”, a fim de que os nossos megaeventos sejam verdadeiramente cultos de adoração a Deus, e não desfiles de celebridades em que a exposição da Palavra é preterida.
... Dê um basta no nepotismo ministerial, pois a chamada é um ato soberano do Senhor (Mc 3.13,14; Hb 5.4). Filho de pastor só deve ser um ministro se verdadeiramente for chamado por Deus. É o Senhor Jesus quem escolhe (Jo 15.16). Nós apenas reconhecemos a escolha divina e invocamos as bênçãos de Deus sobre o ministro consagrado (At 13.1-4).
... Espelhe-se nos líderes da igreja de Atos dos Apóstolos, e não nos atos de líderes de igrejas que legislam em causa própria, legitimando práticas não avalizadas pela Bíblia (At 15).
... Faça bom uso de sua habilidade política, necessária para o cargo em apreço, mas jamais negocie o inegociável. Doutrinas fundamentais como a Trindade não podem ser negociadas em prol da convivência pacífica com o pentecostalismo da unicidade, movimento que pensa ter a voz da verdade, mas nega a triunidade de Deus.
... Gerencie a CPAD (Casa Publicadora das Assembleias de Deus) com temor de Deus, considerando-a, sobretudo, uma editora compromissada com a Palavra de Deus, e não com os interesses comerciais.
... Honre o compromisso com a sã doutrina, rejeitando as falsas doutrinas e os modismos, como: a confissão positiva, a maldição hereditária, a regressão interior, o falso culto aos anjos, o arrebatamento em grupo, o batismo em água somente “em nome de Jesus” (unicismo), os diálogos com demônios nas reuniões, a Ceia do Senhor ministrada de maneira indiscriminada, a cura interior (isto é, a falsa cura interior) e a teologia da prosperidade, que gera nos crentes um sentimento de que o melhor para nós está aqui nesta vida, e não no Céu (Fp 3.20,21; Rm 8.18), etc.
... Invista na Escola Bíblica Dominical, e não em pré-encontros, encontros, pós-encontros, encontros de líderes, etc.
... Jejue e ore antes de tomar decisões quanto a ministros, igrejas, projetos, etc., não seguindo aos seus impulsos. Afinal, Paulo não foi nem para a Ásia nem para a Bitínia, mas para a Macedônia. Por quê? Porque seguiu aos impulsos do Espírito, e não às suas aspirações (At 16.1-10).
... Lidere com autoridade, não sendo dado a destemperos autoritários. Sabemos que o autoritarismo é fruto da falta de autoridade.
... Mantenha os comentadores das Lições Bíblicas para adultos da CPAD e seja cuidadoso na escolha de novos comentadores, convidando para escrever a nossa doutrina homens piedosos, compromissados verdadeiramente com o Deus da Palavra.
... Não atenda os interesses dos desviados da verdade como fizeram Arão e Jeroboão, os quais pecaram e levaram o povo a pecar (Êx 32; 1 Rs 12).
... Ouça a voz do Espírito Santo, não se deixando enganar pelos “sonhos” (desejos, aspirações) que estão em seu coração, ainda que sejam bons (2 Sm 7). Afinal, do homem são as preparações do coração, mas do Senhor é a resposta da boca (Pv 16.1).
... Priorize a Grande Comissão (Mt 28.19; Mc 16.15; At 1.8), e não uma comissão grande.
... Queira, com todas as suas forças, ver o culto coletivo a Deus segundo o padrão neotestamentário, com decência e ordem (1 Co 14), não aceitando modismos como danças proféticas, adoração extravagante, danças de rua e estilos musicais incompatíveis com o louvor a Deus.
... Recupere o perfil assembleiano no que tange a doutrina, administração eclesiástica, bons costumes, práticas e usos, não abraçando modelos e costumes mundanos, práticas controversas e usos contrários à sã doutrina. É por meio de nosso porte que exteriorizamos a doutrina que professamos (Tt 2.10; 1 Ts 5.23).
... Seja conservador — conservador, e não extremista! — e combata os liberalismos teológico, eclesiástico e consuetudinário. Afinal, estamos no mundo (o planeta Terra), mas não devemos amar “o mundo”, dominado pelo deus deste século, Satanás (1 Jo 2.15-17; 2 Co 4.4), tampouco aceitar o modo de viver dos ímpios (Rm 12.1,2).
... Tenha a Bíblia como a sua fonte primacial de autoridade, e não a tradição, a lógica humana e as experiências pessoais (Gl 1.8; 1 Co 4.6; 15.1-4).
... Una as Assembleias de Deus do Brasil, deixando de lado o espírito vingativo. Às vésperas de seu centenário, é importante que o líder maior de nossa igreja seja um pacificador.
... Valorize a pregação biblicocêntrica, expositiva, cristocêntrica, não tolerando faladores, animadores de auditório, milagreiros, malabaristas, soberbos, que chamam todos os holofotes para si, desviando o povo de glorificar apenas e tão-somente o Senhor Jesus Cristo (Tt 1.10; Sl 138.6).

Espero, ainda, que...

... Xingamentos e ofensas a partir do púlpito não sejam tolerados em sua gestão.
... Zele, a cada dia, por sua vida e pela doutrina, seguindo à recomendação constante de 1 Timóteo 4.16.

Desejando o melhor para a Assembleia de Deus brasileira,

Ciro Sanches Zibordi

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Os mais variados tipos de pregador e seus públicos-alvo


Há quase 20 anos, fui convidado pela primeira vez para participar de uma agência nacional de pregadores. Um companheiro de púlpito me ofereceu um cartão e disse: “Seria um prazer tê-lo em nossa agência”. Então, lhe perguntei: “Como funciona essa agência?” E a sua resposta me deixou estarrecido: “As igrejas ligam para nós, especificam que tipo de pregador desejam ter em seu evento, e nós cuidamos de tudo. Negociamos um bom cachê”.

É impressionante como o pregador, nos últimos anos, se transformou em um produto. Há alguns meses, depois de eu ter pregado em uma igreja (não me pergunte onde), certo pastor me disse: “Gostei da sua pregação, mas o irmão conhece algum pregador de vigília?” Achei curiosa essa pergunta, pois eu gosto de oração, já preguei várias vezes em vigílias, porém, segundo aquele irmão sugeriu, eu não serviria para pregar em uma vigília!

Em nossos dias — para tristeza do Espírito Santo — pertencer a uma agência de pregadores tornou-se comum e corriqueiro. E os convites para ingressar nessas agências chegam principalmente pela Internet. Nos sites de relacionamento encontramos comunidades pelas quais os internautas mencionam quem é o seu pregador preferido e por quê. Certa jovem, num tópico denominado “O melhor pregador”, declarou: “Não existe ninguém melhor que ninguém; cada um tem a sua maneira de pregar, e cada pessoa avalia segundo o seu gosto”.

Ela tem razão. Ser pregador, hoje em dia, não basta. Você tem de atender às preferências do povo. Já ouvi irmãos conversando e dizendo: “Fulano é um ótimo pregador, mas não é pregador de congresso” ou “Fulano tem muito conhecimento, mas não gosta do reteté”.

Conheçamos alguns tipos de pregador e seus públicos-alvo:

Pregador humorista. Diverte muito o seu público-alvo. Tem habilidade para contar fatos anedóticos (ou piadas mesmo) e fazer imitações. Ele é como o famoso humorista do gênero stand-up comedy Chris Rock (que aparece na imagem acima). De vez em quando cita versículos. Mas os seus admiradores não estão interessados em ouvir citações bíblicas. Isso, para eles, é secundário.

Pregador “de vigília”. Também é conhecido como pregador do reteté. Aparenta ter muita espiritualidade, mas em geral não gosta da Bíblia, principalmente por causa de 1 Coríntios 14, especialmente os versículos 37 e 40: “Se alguém cuida ser espiritual, reconheça que as coisas que vos escrevo são mandamentos do Senhor... faça-se tudo decentemente e com ordem”. Quando ele vê alguém manejando bem a Palavra da verdade (2 Tm 2.15), considera-o frio e sem unção. Ignora que o expoente que agrada a Deus precisa crescer na graça e no conhecimento (2 Pe 3.18; Jo 1.14; Mt 22.29). Seu público parece embriagado e é capaz de fazer tudo o que ele mandar.

Pregador
“de congresso”. Entre aspas porque existe o pregador de congresso que faz jus ao título. Mas o pregador “de congresso” (note: entre aspas) anda de mãos dadas com o pregador “de vigília”, mas é mais famoso. Segundo os admiradores dessa modalidade, trata-se do pregador que tem presença de palco e muita “unção”. Também conhecido como pregador malabarista ou animador de auditórios, fica o tempo todo mandando o seu público repetir isso e aquilo, apertar a mão do irmão ao lado, beliscá-lo... Se for preciso, gira o paletó sobre a cabeça, joga-o no chão, esgoela-se, sopra o microfone, emite sons de metralhadora, faz gestos que lembram golpes de artes marciais... Exposição bíblica que é bom... quase nada!

Pregador
“de congresso” agressivo. É aquele que tem as mesmas características do pregador acima, mas com uma “qualidade” a mais. Quando percebe que há no púlpito alguém que não repete os seus bordões, passa a atacá-lo indiretamente. Suas principais provocações são: “Tem obreiro com cara de delegado”, “Hoje a sua máscara vai cair, fariseu”, “Você tem cara amarrada, mas você é minoria”. Estas frases levam o seu fanático público ao delírio, e ele se satisfaz em humilhar as pessoas que não concordam com a sua postura espalhafatosa.

Pregador popstar. Seu pregador-modelo é o show-man Benny Hinn, e não o Senhor Jesus. É um tipo de pregador admirado por milhares de pessoas. Já superou o pregador de congresso. É um verdadeiro artista. Veste-se como um astro; sua roupa é reluzente. Ele, em si, chama mais a atenção que a sua pregação. É hábil em fazer o seu público a abrir a carteira. Seus admiradores, verdadeiros fãs, são capazes de dar a vida pelo seu pregador-ídolo. Eles não se importam com as heresias e modismos dele. Trata-se de um público que supervaloriza o carisma, em detrimento do caráter.

Pregador milagreiro. Também tem como paradigma Benny Hinn, mas consegue superar o seu ídolo. Sua exegese é sofrível. Baseia-se, por exemplo, em 1 Coríntios 1.25, para pregar sobre
“a unção da loucura de Deus”. Cativa e domina o seu público, que, aliás, não está interessado em ouvir uma exposição bíblica. O que mais deseja é ver sinais, como pessoas lançadas ao chão supostamente pelo poder de Deus e fenômenos controversos. Em geral, o pregador milagreiro, além de ilusionista e “poderoso” (Dt 13.1-4), é aético e sem educação. Mesmo assim, ainda que xingue ou ameace os que se opõem às suas sandices e invencionices, o seu público é fiel e sempre diz “aleluia”.

Pregador contador de histórias. Conta histórias como ninguém, mas não respeita as narrativas bíblicas, acrescentando-lhes pormenores que comprometem a sã doutrina. Costuma contextualizar o texto sagrado ao extremo. Ouvi certa vez um famoso pregador dizendo: “Absalão, com os seus longos cabelos, montou na sua motoca e vruuum...” Seu público — diferentemente dos bereanos, que examinavam “cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim” (At 17.11) — recebe de bom grado histórias extrabíblicas e antibíblicas.

Pregador cantante. Indeciso quanto à sua chamada. Costuma cantar dois ou três hinos (hinos?) antes da pregação e outro no meio dela. Ao final, canta mais um. Seu público gosta dessa
“versatilidade” e comemora: “Esse irmão é uma bênção! Prega e canta”. Na verdade, ele não faz nenhuma das duas coisas bem.

Pregador
“massagista”. É hábil em dizer palavras que massageiam os egos e agradam os ouvidos (2 Tm 4.1-5). Procura agradar a todos porque a sua principal motivação é o dinheiro. Ele não tem outra mensagem, a não ser “vitória”, principalmente a financeira. Talvez seja o tipo de pregador com maior público, ao lado dos pregadores humorista, popstar e milagreiro.

Pregador sem graça. É aquele que não tem a graça de Deus (At 4.33). Sua pregação tem bastante conteúdo, mas é como uma espada: comprida e chata (maçante, enfadonha). Mas até esse tipo de pregador tem o seu público, formado pelos irmãos que gostam de dormir ou conversar durante a pregação.

Pregador chamado por Deus (1 Tm 2.7). Prega a Palavra de Deus com verdade. Estuda a Bíblia diariamente. Ora. Jejua. É verdadeiramente espiritual. Tem compromisso com o Deus da Palavra e com a Palavra de Deus. Seu paradigma é o Senhor Jesus Cristo, o maior pregador que já andou na terra. Ele não prega para agradar ou agredir pessoas, e sim para cumprir o seu chamado.
Seu público que não é a maioria, posto que são poucos os fiéis (Sl 12.1; 101.6) sabe que ele é um profeta de Deus. Esse tipo de pregador está em falta em nossos dias, mas não chama muito a atenção das agências de pregadores. A bem da verdade, estas também sabem que nunca poderão contar com ele...

Qual é a sua modalidade preferida, prezado leitor? Você pertence a qual público? E você, pregador, qual dos perfis apresentados mais lhe agrada?

Ciro Sanches Zibordi

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Uma palavra sobre a tragédia na Igreja Apostólica Renascer em Cristo


Concordo com a blogueira Cristiane Carrilho que tem havido oportunismo de muitos ante a tragédia da Igreja Apostólica Renascer em Cristo. Ela, em seu espaço, afirma: “É incrível como em meio a tantas vítimas fatais e um sem-número de feridos, alguns em estado grave, no desabamento do teto da Igreja Renascer em São Paulo, a imprensa desvirtua o acidente para se dar lugar a criticas à Igreja e à sua liderança. Num resgate profundo de matérias que acusam ‘a’ ou ‘b’, eles se esquecem de que pessoas, gravemente feridas, precisam com urgência de socorro médico” (http://cristianecarrillo.blogspot.com, 21 de janeiro de 2009).

No entanto, com todo respeito às vítimas e aos membros da igreja que foram atingidos direta ou indiretamente pela tragédia, ela enseja uma oportunidade única de refletirmos sobre algumas coisas. O blogueiro Ivan Tadeu, por exemplo, aproveita o ocorrido para enfatizar que a boa parte dos templos localizados na cidade de São Paulo funciona em lugares adaptados, que não oferecem condições de segurança, citando um estudo do professor da PUC-SP Edin Abumanssur (http://ivantadeu.blogspot.com, 20 de janeiro de 2009).

Já o irmão Anchieta Campos, em seu blog, opina: “Olha, mesmo em meio às dores dos familiares que perderam seus entes queridos, não posso me negar de fazer uma pequena observação. A Renascer é uma igreja neopentecostal (a segunda maior deste segmento), e, como tal, dá muita ênfase aos dízimos e ofertas, sendo um fato inconteste que a mesma é uma igreja rica, frequentada majoritariamente por pessoas de consideráveis condições financeiras. Posto isto, não consigo compreender como os seus líderes deixaram tal fatalidade ocorrer. Uma estrutura como aquela que veio abaixo não cai do dia para a noite, mas em consequência de um considerável período de descaso para com a manutenção física” (http://anchietacampos.blogspot.com, 19 de janeiro de 2009).

A minha sobrinha, Débora Zibordi, em seu blog, preferiu apresentar uma mensagem de conforto a todos os líderes da Igreja Renascer, mas relatou antes uma visão que acredita ter recebido do Senhor: “Ontem, em oração no templo, pude sentir a presença do Senhor ao meu lado. Clamando, o Espírito Santo deu-me a visão de uma grande foice. Muito me entristeci e pedi que Deus tivesse misericórdia de nós, livrando-nos da morte. Ao chegar a meu lar, soube da tragédia que abateu os irmãos da Igreja Apostólica Renascer em Cristo, aqui na cidade de São Paulo. Manifesto meus sinceros sentimentos pelos parentes e amigos daqueles que foram ter com Cristo” (http://deborazibordi.blogspot.com, 19 de janeiro de 2009).

Diante do exposto, desejo também propor algumas reflexões acerca da tragédia. Li, na grande rede, inúmeros artigos e comentários pelos quais se afirma, peremptoriamente, que o desabamento do teto da Igreja Apostólica Renascer em Cristo, em 18 de janeiro de 2009, foi um juízo divino, por conta dos pecados cometidos pelos seus líderes — julgados e condenados pela justiça norte-americana, depois de tentarem entrar com dinheiro não declarado nos Estados Unidos. De fato, eu não descarto essa possibilidade, uma vez que a Palavra do Senhor prevê julgamento de líderes de igrejas e seus membros, nos casos de rebeldia e apostasia (Ap 2.5,16,20-22; 3.3,16; Pv 28.13; 29.1).

Eu, que tenho parentes e amigos congregando na Renascer, observo que muitos membros dessa igreja estão percebendo que alguma coisa está errada. Outrora encantados com a ousadia, o carisma e a versatilidade dos seus líderes, agora estão decepcionados. Por quê? Primeiro, porque, depois que começaram as perseguições (desencadeadas por erros da própria liderança da igreja), um lado idolátrico da igreja tornou-se patente. Bispos e membros se tatuaram com inscrições do tipo “Sou Renascer até morrer”, não observando o que está escrito em Apocalipse 2.10.

Outro fator que tem levado alguns crentes da Renascer a se decepcionarem com a igreja é o fato de os líderes se considerarem acima do bem e do mal. Isso ficou evidente a partir do momento em que eles — depois de tentarem ludibriar as autoridades norte-americanas, entrando com dólares não declarados naquele país — não reconheceram o seu erro. Pelo contrário, preferiram dizer que estão sendo perseguidos pela causa do evangelho.

Mas não é só isso. Antes de toda essa avalanche, os líderes da Renascer haviam adotado um tríplice liberalismo. Primeiramente, o liberalismo teológico, ao distorcerem a Bíblia no que tange à correta tradução do seu texto original, bem como na interpretação da sua mensagem. Também abraçaram o liberalismo eclesiástico, adotando inovações descabidas, abusivas e antibíblicas na condução das igrejas e na sua liturgia. E também, desde o início da igreja, o liberalismo consuetudinário, que na prática é a abolição, violação, supressão dos bons costumes, da boa compostura, da boa postura segundo a ética, como reflexo da sã doutrina da Palavra de Deus.

Por ironia, digo isso com tristeza, a pregação triunfalista dos líderes da Renascer e a sua teologia da prosperidade agora depõem contra eles. Eu acredito que, para um membro dessa igreja — acostumado a ouvir clichês “proféticos”, como “2009 é o ano de muitas vitórias e prosperidade” ou “Este é o ano apostólico em que todas as bênçãos serão derramadas sobre a sua vida” —, é muito difícil aceitar essa terrível tragédia da noite de 18 de janeiro sem revoltar-se. Afinal, ela ocorreu logo no primeiro mês de “O Ano Apostólico de Davi”.

Outra reflexão. Ouço pregadores e cantores dizendo que o crente que tem promessa não morre. Pergunte aos crentes, em um culto, se eles têm promessas. Todos levantarão as mãos. E aqueles irmãos da Renascer que partiram para eternidade certamente acreditavam ter promessas... Também ouço expoentes triunfalistas afirmando que o crente não morre de forma violenta. Que engano! Embora os anjos do Senhor estejam acampados ao nosso redor para nos proteger (Sl 34.7), isso não significa que sejamos imortais ou que possamos escolher a maneira como partiremos para a glória.

Não cabe a nós dizer que as vítimas fatais da tragédia em apreço estavam em pecado contra Deus, em razão do tipo de morte que experimentaram. Isso é incorrer em erro, cometendo o julgamento calunioso constante de Mateus 7.1,2. Ademais, Deus não estabelece a maneira como os seus servos morrerão; e nós, conquanto salvos, não somos à prova de bala e imunes a tragédias. De acordo com Hebreus 11, os santos do Antigo Testamento, pela fé, venceram reinos, fecharam bocas de leões, apagaram a força do fogo, escaparam do fio da espada, etc. Mas, por outro, também, pela mesma fé, foram torturados, mortos ao fio da espada, andaram vestidos de peles de ovelhas e de cabras, desamparados, aflitos e maltratados (vv.33-37).

O que nos torna diferentes das pessoas do mundo, nesse caso? A nossa certeza de que pertencemos ao Senhor, quer nesta vida, quer na eternidade (Fp 3.20,21; 1 Jo 3.1-3). Sabemos que Ele está no controle de todas as coisas. Não podia Deus ter livrado da morte o santo Estêvão e os milhares de cristãos, martirizados no período das perseguições imperiais? Na verdade, enquanto Ele contar conosco nesta passageira vida, teremos oportunidade de evangelizar, desempenhar o ministério que Ele nos outorgou, cuidar da nossa família, da nossa profissão... Mas nunca nos esqueçamos de que somos peregrinos e forasteiros (1 Pe 2.11). Estamos hospedados nesta Terra (Hb 11.13).

Finalmente, deixo a minha palavra de condolência às famílias que perderam entes queridos no desabamento da Igreja Apostólica Renascer em Cristo. Não se esqueçam, amados irmãos, do que está escrito em 1 Tessalonicenses 4.16-18: “... os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro; depois, nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor. Portanto, consolai-vos uns aos outros com estas palavras”.

Tragédias envolvendo evangélicos às vezes acontecem. Afinal, a despeito de o Senhor Jesus ter todo o poder para nos proteger do mal (Sl 91), Ele também nos avisou de que no mundo teríamos aflições (Jo 16.33). Não somos derrotados, em definitivo, com a morte; sempre somos vitoriosos, em Cristo (Rm 8.37-39; 1 Co 15.51-58). E as aflições deste tempo não se comparam com a glória que em nós há de ser revelada (Rm 8.18). Aleluia!

Ciro Sanches Zibordi

domingo, 18 de janeiro de 2009

Agendamento


Caros irmãos, o Senhor Jesus, por sua graça, me chamou para um ministério de pregação e ensino da sua Palavra em escolas bíblicas, congressos e outros eventos para os quais tenho sido convidado.

Não vivo da itinerância. Não sou pregador/ensinador profissional. Mas, por graça de Deus, atendo, desde 1991, a convites por causa do ministério que desempenho para o Senhor como ensinador, pregador, escritor e articulista. Ou seja, o Senhor outorgou-me um trabalho abrangente, multifacetado, o qual envolve itinerância, no sentido de que atendo a convites relativos à obra do Senhor.

Muitas igrejas, de várias localidades, bondosamente têm me procurado, através de seus representantes, e eu não tenho conseguido atender a todos, por algumas razões que enumero abaixo. Peço aos amados irmãos que desejarem me convidar para ministrar a Palavra do Senhor em suas igrejas que atentem para as seguintes condições:


1.
O convite precisa ser feito com antecedência. Às vezes, é possível fazer agendamentos em cima da hora, mas isso é exceção, e não regra.

2. Para que eu esteja em algum evento fora do Estado ou do país onde resido são imprescindíveis as passagens aéreas. Quanto aos convites para cidades do Rio de Janeiro, faz-se necessário o custeio das passagens de ônibus ou a disponibilização de transporte por parte da igreja.

3. Em caso de permanência na cidade por mais de um dia, peço que a direção da igreja providencie hospedagem em hotel, haja vista eu precisar de um lugar reservado, tranquilo, funcional, a fim de que possa buscar a Deus, meditar em sua Palavra, repousar, etc. Isso não é exigência, mas necessidade de quem é convidado para ministrar a Palavra do Senhor.

4. Não trabalho com o sistema de cachê, mas aceito uma oferta, haja vista os custos com deslocamento, o tempo empreendido, o distanciamento da família (na maioria dos casos, os convites não são extensivos à família), a ausência na igreja local, desgastes outros, etc. E, como o termo oferta sugere, não existe valor estabelecido. Fica a critério da igreja, que deve contribuir com liberalidade, valorizando o ministério da Palavra sem que haja a necessidade de estabalecimento de cachê por parte do expoente (1 Co 9.9-14).

5. Para obter maiores informações, favor enviar um e-mail para ciro.zibordi@uol.com.br ou ligar para (21) 2717-6427. Consulte também a minha agenda, clicando no ícone Agenda, localizado na barra lateral deste blog.

Em Cristo,

Ciro Sanches Zibordi

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Ao "pastor" que me xingou de canalha, com amor


Prezado pastor (pastor?), a paz do Senhor.

Não é de hoje que ouço falar que o senhor, em suas cruzadas de milagres, verbera contra a minha pessoa, valendo-se de adjetivos fortes e pejorativos. Soube também que o senhor tem demonstrado destempero e desequilíbrio perante o povo de Deus, ao rasgar os meus livros diante de multidões, em várias partes do Brasil. É claro que isso, para mim, não é de todo ruim, pois são muitas as pessoas que passaram a conhecer os meus livros depois de o senhor os ter dilacerado em público. Ou seja, a sua atitude intempestiva, além de demonstrar insegurança quanto à sua chamada, aguça a curiosidade de muitos...

Mesmo antes de tomar conhecimento de sua indignação, eu vinha tratando de assuntos diversos relacionados a doutrinas falsas e modismos no meio do povo de Deus de maneira imparcial, à luz da Bíblia e sem a menção de nomes. Não considero edificante referir-me a alguém negativamente por nome. E evito fazer isso. Neste artigo divulgo vídeos pelos quais o senhor mesmo menciona o seu próprio nome.

Por que estou fazendo isso? Porque, desde a divulgação de uma
pregação sua na Internet, em março de 2008 — em que o senhor me chama algumas vezes de canalha e diz, esbravejando, que deseja encontrar-se comigo no aeroporto —, eu venho orando a Deus, a fim de tomar uma posição definitiva quanto ao lamentável acontecimento. E, em razão disso, resolvi agora, neste início de 2009, escrever-lhe esta carta e torná-la pública por meio deste blog, a fim de fazer alguns esclarecimentos.

Quando eu escrevi o livro Evangelhos que Paulo Jamais Pregaria, em 2006, inseri o seu famoso testemunho do galo e da galinha porque ele estava sendo motivo de zombaria na Internet, denegrindo a imagem do povo de Deus e depondo contra o evangelho. Eu creio que o senhor já conhece o depreciativo vídeo abaixo, em que o autor divulga parte do seu testemunho. Ele aproveita o próprio áudio de uma de suas pregações, mas acrescenta imagens pelas quais zomba de certos procedimentos evangélicos (se bem que o versículo citado ao final indica que o autor do vídeo também é evangélico).



Há muito tempo, ouvi pessoas falarem, de maneira zombeteira, que uma galinha havia falado em línguas angelicais com um pregador da Assembleia de Deus, tendo um galo como intérprete. Vi também alguns pastores rindo dessa história. Mas nunca passou pela minha cabeça que isso fosse verídico e estivesse relacionado com um pastor assembleiano. Quando eu me inteirei de que não se tratava de um simples conto anedótico, achei por bem analisar o fato à luz da Palavra de Deus. Fiz isso, entretanto, respeitosamente e sem citar nomes.

Diante do exposto, gostaria de fazer também alguns comentários quanto a um trecho da mencionada
pregação, publicada no YouTube, em que o senhor me xinga de canalha duas vezes e diz algumas inverdades. O vídeo é o seguinte:



1) Entendo que o senhor estava sobremodo irritado, mas nada justifica esta frase:
Eu queria encontrar aquele canalha daquele Ciro Sanches e mandar ele tomar vergonha na cara, não era pela Internet, era olho a olho”. O interessante é que eu cheguei a pensar em conversar com o senhor... Mas, o que se pode esperar de um encontro entre nós dois, ante a ofensa e a ameaça de sua parte?

2) No vídeo acima, o senhor, ainda, depois de me xingar novamente de canalha, faz uma acusação completamente infundada: “Vocês viram o livro que aquele canalha escreveu agora... tirando sarro do Grande Templo, dizendo que o Grande Templo é templo de paz e amor?”. O senhor não entendeu o que eu quis dizer quando, na narrativa fictícia que abre o livro, fiz menção do Templo Ecumênico Paz e Amor. Isso nada tem que ver com o Grande Tempo da Assembleia de Deus em Cuiabá-MT. Trata-se de uma alusão ao falso evangelho ecumênico, que vem sendo propagado principalmente pelo Catolicismo Romano.

3) O senhor também afirma, no mesmo vídeo: “... dizendo que o testemunho de que a galinha e o galo que curaram... é feitiçaria”. De fato, eu analisei o seu testemunho à luz da Palavra de Deus, mas com todo respeito. Por outro lado, vejo que o senhor mesmo se contradiz, ao afirmar que foi curado por uma galinha e um galo. Eu não duvido de que o Senhor Jesus possa tê-lo curado. E eu creio que Deus faz animais falarem, pois Ele já fez isso. Mas o senhor afirmou que o galinheiro foi batizado com o Espírito Santo, o que é uma blasfêmia. E também disse que a galinha falou em línguas, sendo interpretada por um galo, o que também não resiste a uma análise bíblica, com todo o respeito.

4) Em outro vídeo, disponível no YouTube, mas durante a mesma “pregação” em análise, o senhor afirmou, de maneira caluniosa, que eu publiquei um artigo neste blog pelo qual zombava de seu testemunho e fazia menção à “sua galinha. De fato, eu inseri, em um artigo (que ainda está disponível neste blog), a figura de uma galinha, de maneira ilustrativa. Em momento algum eu disse que se tratava da sua galinha, como o senhor afirmou, numa tentativa de incitar a multidão contra a minha pessoa.

5) O senhor, ainda, de maneira irresponsável, verberou: “Eu queria, Ciro, te ver no aeroporto numa hora dessa pra mandar você se arrepender para não ir pro inferno”. É lamentável que o povo de Deus (ou parte dele) tenha dito “aleluia” e “glória a Deus”, ao ouvir mais essa ameaça. Eu não tenho medo de me encontrar com o senhor, a despeito de sua demonstração pública de ira e sentimento de vingança, e isso pode acontecer a qualquer momento, em qualquer lugar, haja vista viajarmos bastante. Depois de suas ameaças, já o vi em aeroportos (e creio que o irmão já me viu também). Numa das ocasiões, eu estava com o pastor e mestre Antonio Gilberto, mas preferi não conversar com o senhor. Aliás, que tipo de conversa eu teria com uma pessoa que demonstra ser tão violenta, a ponto de mandar pessoas para os "quintos dos infernos"?

6) Há ainda outros vídeos mais extensos, com melhor qualidade e nitidez, no YouTube. Mas resolvi não inseri-los nesta carta, a fim de não expor os irmãos presentes no evento. Afinal, os leitores desta carta poderiam fazer mau juízo deles, haja vista os tais participantes terem pronunciado “glórias a Deus” e “aleluias” depois de terem ouvido impropérios, ameaças, mentiras, calúnias, xingamentos impublicáveis e palavras no mínimo incongruentes.

Portanto, desejo que o senhor saiba que nada tenho contra a sua pessoa, tampouco contra outros pregadores que o admiram. Por outro lado, continuarei cumprindo o meu dúplice chamado: expor com verdade a Palavra de Deus e defender, com ousadia, o evangelho de Cristo. Não prego ou escrevo para agradar ou ofender pessoas. Apenas prego. Apenas escrevo. Mas tenho confiança, da parte de Deus, de que estou (não eu, mas a graça de Deus em mim) cumprindo a sua vontade.

Que Deus o abençoe em tudo!

Ciro Sanches Zibordi


p.s. Os irmãos que desejarem saber mais sobre o que está escrito em meus livros acerca do assunto contido nesta carta, acessem os links abaixo:

1) Uma resposta aos pregadores irados e ameaçadores: http://cirozibordi.blogspot.com/2008/04/uma-resposta-aos-pregadores-irados.html
2) Mais uma resposta aos pregadores (pregadores?) irados e ameaçadores: http://cirozibordi.blogspot.com/2008/04/uma-resposta-aos-pregadores-irados-e.html

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Por que a Assembleia de Deus nasceu e deve continuar sendo conservadora?

Muitos crentes assembleianos da nova geração têm aversão ao adjetivo “conservador”, associando-o a farisaísmo, legalismo, fanatismo e posturas extremistas quanto a usos e costumes. Pensam que o conservador é aquele crente estereotipado, inimigo de tudo o que é novo, que parece viver em seu “mundinho”, como se pertencesse a uma religião ascética (cf. Cl 2.23, ARA).

Mas, à luz da Palavra de Deus (e para espanto de muitos), todo salvo deve ser conservador. E a Assembleia de Deus que se preza também deve ser conservadora. Por quê? Porque conservar, do ponto de vista bíblico, não significa ter uma falsa santidade, estereotipada, que faz dos usos e costumes a causa, e não o efeito. E implica observância à sã doutrina, a qual nos leva a ter santidade interna e externa.

Em 2 Timóteo 1.13 está escrito: “Conserva o modelo das sãs palavras que de mim tens ouvido, na fé e na caridade que há em Cristo Jesus”. A Bíblia nos manda guardar, conservar, o que temos recebido do Senhor (1 Tm 6.20; 2 Tm 1.14). E, para as igrejas da Ásia que estavam agradando ao Senhor Jesus, Ele transmitiu mensagens que implicavam manutenção, conservação (Ap 2.25; 3.11). Mas, por que muitos não querem ser conservadores?

Ser conservador não é apenas ter aparência de piedade (Cl 2.20-22), tampouco se isolar da sociedade. Jesus, o Homem mais santo que andou na terra, não se afastava dos pecadores (Lc 5.32; Jo 2.1-11). Ele ensinou que a nossa luz deve brilhar em meio às trevas (Mt 5.16). Ser conservador também denota reter o bem, manter o que é bom, verdadeiro (1 Ts 5.21). E sabemos que as verdades da Palavra de Deus são inegociáveis, mas isso não significa que devamos abrir mão das estratégias lícitas de evangelização (1 Co 6.12; 9.22).

O verdadeiro conservador não é legalista ou coisa parecida. Ele não é um fanático, um estereótipo de crente, tampouco se opõe a tudo o que é novo (Ec 7.16,17; 1 Ts 5.21). Por outro lado, o conservador também não é como alguns crentes da atualidade, os quais desprezam o fato de o Senhor atentar para a globalidade do ser humano, pensando que Ele não se preocupa com o nosso exterior. O Senhor olha para a nossa totalidade: espírito, alma e corpo, nessa ordem (1 Ts 5.23).

Mas, a bem da verdade, enquanto alguns “assembleianos” afirmam que têm liberdade para fazerem o que bem entendem, deixando de observar a santificação plena, existem aqueles que consideram tudo pecaminoso. Estes também estão enganados, posto que ignoram o fato de os mandamentos de Deus não serem pesados (1 Jo 5.3), sendo a sua vontade agradável (Rm 12.2) e o seu fardo leve (Mt 11.30).

Reconheço que há líderes extremistas que pregam o falso conservadorismo farisaico. Fujamos disso! A Palavra do Senhor condena o extremismo (Ec 7.16,17). Por isso, a Assembleia de Deus que se preza conserva a verdade; guarda e cumpre a Palavra de Deus (Jo 14.23; Ap 3.8,10). Não é legalista, exigindo dos seus membros uma santificação inatingível, posto que Deus respeita as nossas limitações, como disse o salmista, inspirado pelo Espírito: “... ele conhece a nossa estrutura; lembra-se de que somos pó” (Sl 103.14).

O Deus da Assembleia deseja que a Assembleia de Deus conserve o modelo das sãs palavras (Jo 14.23; Ap 1.3; 3.8; Sl 119.11), a santidade e a pureza (Ap 3.4), a boa consciência (1 Tm 1.19; 3.9), a fé (2 Tm 4.7,8) e, sobretudo, o poder do Espírito Santo (1 Ts 5.19, ARA). Mas há uma nova geração, formada por obreiros não-chamados ou desviados da verdade que querem um evangelho fácil, sem mudança exterior, “sem religiosidade”, como dizem. E esses buscam mudanças (Pv 24.21) e consideram os obreiros conservadores ultrapassados, retrógrados ou legalistas.

Tenho visto, com tristeza, que muitos assembleianos, com ojeriza do legalismo farisaico, estão partindo para o liberalismo — total ou parcial. De um lado, líderes, pregadores e crentes em geral, seguidores do legalismo, condenam pessoas sem misericórdia. De outro, estão aqueles que desprezam a sã doutrina; que “vivem e deixam viver”.

Será que os obreiros dessa nova geração sabem que a Assembleia de Deus nasceu conservadora? Ah, eles ouviram falar... Mas não querem saber de passado. Eles querem uma igreja moderna, sem limites! Para eles, por que não usar a dança de rua e o funk dentro das igrejas, já que são grandes atrativos para a juventude? E isso já está acontecendo em algumas Pseudo-assembleias de Deus. Uso esse termo contundente porque tenho convicção de que a Assembleia de Deus que se preza não aceita esses injustificáveis modismos.

Essa nova geração de obreiros “assembleianos” não quer ser conservadora. Prefere pregar mensagens de auto-ajuda, que agradam os ouvidos (2 Tm 4.1-5), e não a mensagem da cruz (1 Co 1.18-22). Os tais obreiros, em geral muito jovens — mas também neófitos (pois há jovens de valor) —, são insubmissos. Não respeitam os seus líderes. Entram no ministério, mas o ministério não entra neles. Consideram-se donos da verdade. Alguns sequer têm chamada de Deus. E há também aqueles que verberam contra os seus próprios pastores!

Os proponentes “assembleianos” da nova geração gostam da falaciosa teologia da prosperidade; na verdade, eles gostam é do dinheiro e da popularidade que essa teologia lhes traz (2 Pe 2.3,15,16; 1 Tm 6.19,20; 2 Co 11). Eles ridicularizam os conservadores do passado, homens dos quais o mundo não era digno, e os que desejam andar como aqueles andaram. Mas os neo-assembleianos são mercantilistas. Sente em uma mesa para conversar com um deles e você saberá qual é o seu deus: o dinheiro (2 Co 2.17).

Perguntemos pelas “veredas antigas”, a fim de encontrarmos descanso para as nossas almas (Jr 6.16). Avivamento não é buscar inovações — ainda que haja boas inovações. Mas, sim, renovação; implica recuperar o que foi perdido, (Lm 5.21; 2 Cr 29.20-36). Se a Assembleia de Deus quiser continuar sendo uma igreja que faz a diferença neste mundo tenebroso, precisa continuar sendo conservadora, equilibrada, biblicocêntrica (Pv 4.26,27). Afinal, embora a Palavra de Deus não exija nada além do que possamos fazer, também não ensina as pessoas a viverem uma vida libertina, sem regras. “Faze-me andar na verdade dos teus mandamentos...”, disse o salmista (Sl 119.35).

Ciro Sanches Zibordi

O que penso do GMUH, Congresso dos Gideões Missionários da Última Hora?

Amados internautas, neste início de ano estou escrevendo vários artigos acerca da Assembleia de Deus e resolvi responder a uma pergunta que me fazem com frequencia: “Pastor Ciro, o que o irmão pensa acerca do GMUH?”

Há irmãos que fazem
essa pergunta com sinceridade, porque querem mesmo ter um posicionamento acerca do congresso em apreço. Mas há outros que desejam ver o “circo pegando fogo”. E é por causa destes que eu demorei a responder à pergunta em apreço. Afinal, uma resposta minha quanto ao GMUH vale ouro para os geradores de polêmica na Internet, não é mesmo?

Escrevi, segundo a direção que recebi do Senhor, alguns livros acerca das aberrações que certos “pregadores” propagam: Erros que os Pregadores Devem Evitar (dois volumes) e Evangelhos que Paulo Jamais Pregaria. E, por causa disso, os animadores de auditório, que mercadejam a
Palavra (2 Co 2.17, ARA), não me veem com bons olhos. Alguns até conversam comigo, quando nos encontramos em congressos ou nos aeroportos. Mas outros...

Certos animadores de platéia têm feito questão de verberar contra mim, até mesmo em público. E alguns, quando têm a “valiosa
” oportunidade de “pregar” sabendo que este expoente estará assentado na tribuna, valem-se da oportunidade para dizerem tudo o que, segundo eles, “preciso ouvir”. Houve um famoso “pregador” que chegou a perguntar ao organizador de um congresso se eu estaria presente no dia em que ele fosse “pregar”, pois ele gostaria de me dizer “algumas verdades”, em público. Lamentável.

Há pouco tempo, ainda, um “pregador” relativamente famoso, que se oferece para “pregar” no GMUH (mas ainda não pregou), aproveitou que eu estava em sua retaguarda para proferir, indiretamente, todo o tipo de provocações, como: “Você é frio”, “Só você está de cara amarrada”, “Você não repete o que mando dizer nem pega na mão do seu irmão, mas você é minoria”, etc. Ele sequer notou que a maioria não estava fazendo o que ele mandava. E todos perceberam que o alvo dele não era pregar a Palavra de Deus, e sim verberar contra este articulista.

Bem, creio que, ante esta exposição, fica claro que as minhas críticas, em meus livros, não se dirigem ao GMUH e sua liderança, mas aos erros que alguns “pregadores” (ou boa parte deles) ali têm cometido. A bem da verdade, considero o GMUH um congresso que, se for bem conduzido, pode dar frutos, como salvação de almas, edificação do povo de Deus, curas genuínas, arrecadação de recursos para a obra missionária, etc. Imagine o que aconteceria se boa parte daquele povo se conscientizasse da urgência da evangelização e da obra missionária? Afinal, estamos falando do mais numeroso congresso pentecostal brasileiro!

Sei que esta resposta pode decepcionar aqueles que desejam ver o “circo pegando fogo”, mas eu reitero que nada tenho contra o GMUH. Respeito o pastor Cesino Bernardino, da Assembleia de Deus em Camboriú, Santa Catarina, e acompanho o seu trabalho há muito tempo. Além disso, eu mesmo já participei de eventos do GMUH aqui na cidade do Rio de Janeiro. No ano passado, por exemplo, ministrei numa conferência organizada pela extensão Rio, a convite do meu amigo, pastor Melquisedeque Lima (foto).

Diante do exposto, é bom esclarecer também que o livro MAIS Erros que os Pregadores Devem Evitar, lançado pela CPAD em dezembro de 2007, contém uma narrativa fictícia intitulada “Que congresso!”, pela qual combato erros de animadores de auditório, de cantores-astros e de maus dirigentes de cultos e congressos. Mas ali, de modo algum, me referi especificamente ao GMUH. Reuni, na tal narrativa, diversos desvios do pentecostalismo bíblico e montei uma história fictícia.

Como eu sempre enfatizei neste blog — e muitos ainda não perceberam —, não tenho a intenção de expor pessoas ou de persegui-las. Por isso, evito ao máximo a citação de nomes negativamente. Não combato contra “a carne e o sangue” (Ef 6.12). Aliás, se eu fosse responder à altura a certo “pregador” que, em um grande congresso, me xingou, ao som de “glórias” e “aleluias” (que péssimo exemplo!), deixaria muitos irmãos chocados.

Os que desejam ver o “circo pegando fogo” agem como Tiago e João, que desejaram ver os samaritanos consumidos pelo fogo em razão de não receberem Jesus e seus discípulos (Lc 9.51-54). Mas, o que o Senhor lhes respondeu? “Vós não sabeis de que espírito sois. Porque o Filho do Homem não veio para destruir as almas dos homens, mas para salvá-las” (vv.55,56).

Portanto, há pessoas sérias que frequentam o GMUH. Não podemos generalizar. E eu nada tenho contra os organizadores do evento. No entanto, não apoio certas bizarrices promovidas por “pregadores” que não querem andar segundo a Palavra. Alguém dirá: “Cite nomes, pastor Ciro”. Eu preciso mesmo fazer isso? O apóstolo Paulo precisou mencionar os nomes dos falsos apóstolos, que propalavam heresias e modismos em Corinto, aos quais chamou, ironicamente, de “os mais excelentes apóstolos”? Não, mas foi contundente ao denunciar os erros deles (2 Co 11).

A minha intenção, com este artigo, é demonstrar que o meu desejo não é que o GMUH acabe ou que seja um fracasso. Não! O meu sincero desejo é que os organizadores do evento tenham compromisso com a Palavra de Deus, e não com as preferências do povo, e atentem para o modelo de culto pentecostal da Bíblia, com decência e ordem (1 Co 14). É claro que, com isso, o número de participantes será reduzido, num primeiro momento, haja vista muitos interesseiros gostarem de certas “novidades”.

Não nos esqueçamos do grande exemplo constante de João 6.60-69. Vendo o Senhor Jesus que muitos o seguiam apenas por interesse — Ele curava enfermos, multiplicava pães e fazia milagres —, resolveu ser mais contundente na pregação do evangelho. E o que aconteceu? A maioria foi embora... No entanto, os poucos que ficaram, tendo Pedro como seu representante, disseram: “Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna, e nós temos crido e conhecido que tu és o Cristo, o Filho de Deus” (vv.68,69).

Ciro Sanches Zibordi

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Eleições CGADB: é tempo de unidade, e não de partidarismo


Velejando pela grande rede, li diversos artigos, comentários e debates acerca das eleições para a Mesa Diretora e o Conselho Fiscal da CGADB. O assunto está gerando muita discussão, e observo que pessoas mal-informadas (ou apressadas em suas conclusões) estão dizendo inverdades, positiva ou negativamente, acerca de certos candidatos. Noto, ainda, que as tais eleições ganham, a cada dia, características meramente seculares, haja vista a grande ênfase a pontos fracos e fortes de cada candidato.

Sinceramente, não vejo com bom olhos a atitude de apontar supostos defeitos de pastores de maneira nominal, exceto em casos extremos. Afinal, é importante que haja respeito e obediência de nossa parte àqueles que exercem liderança sobre nós (Hb 13.7,17). E o que tenho visto, ultimamente, são verberações diretas contra um ou outro candidato, como se eles estivessem disputando cargos para o exercício da política secular.
É mesmo válida a tentativa de macular a trajetória de pastores, referindo-se a eles como meros políticos?

Li, em alguns artigos inseridos na chamada blogosfera cristã, que o atual pastor-presidente da CGADB tem sido omisso quanto ao legalismo, fazendo com que os assembleianos sejam cada vez mais ignorantes. É isso mesmo verdade? Citou-se como exemplo o fato de ele se posicionar contra certo tipo de vestimenta para mulheres. Ora, todas as igrejas têm a sua tradição, o seu perfil, o seu padrão de usos, costumes e práticas. E a Assembleia de Deus não é diferente. O que é melhor: seguir aos costumes assembleianos ou aos costumes mundanos? Tenho visto líderes “antilegalistas” abraçando o mundanismo, infelizmente.

Certos pastores, sob a égide de que em suas igrejas não há espaço para o que chamam de legalismo, têm dito que Deus não se preocupa com o vestuário. No entanto, como o padrão de beleza do mundo é a sensualidade, algumas irmãs, por falta de bom senso ou ausência de temor a Deus mesmo, aproveitam essa abertura e se vestem de modo indecente, sensual, usando calças compridas que marcam o corpo, minissaias, decotes para lá de exagerados, etc. Ser cuidadoso nessa área não é, de modo algum, ser legalista.

É preciso equilíbrio no tratamento da questão relativa ao vestuário, deixando de lado o farisaísmo e o liberalismo. Um prioriza o exterior, e o outro afirma que o Senhor não se preocupa nem um pouco com a nossa aparência. A despeito de haver — reconheço — muito legalismo farisaico em nosso meio, preservar o perfil assembleiano quanto à vestimenta tem apoio da Palavra de Deus, a qual trata da questão, mencionando inclusive a necessidade de o traje ser honesto, com pudor e modéstia (1 Tm 2.9). Deus não prioriza a aparência, mas a valoriza (1 Ts 5.23). E isso vale para homem e mulher.

Outro aspecto considerado negativo em relação ao atual pastor-presidente da CGADB é o fato de ele ter, em uma entrevista (publicada no YouTube), supostamente avalizado as atitudes contraditórias de certo milagreiro assembleiano. A bem da verdade, o presidente da CGADB foi educado ao conceder a mencionada entrevista, a despeito de o tal “pregador” verberar contra pastores e instituições assembleianas publicamente. Cabe aos Conselhos de Ética e de Doutrina, bem como ao pastor do mencionado obreiro — os quais estão devidamente informados quanto às suas verberações e atitudes — uma tomada de posição, a qual, sem dúvidas, será respaldada pela Mesa Diretora da CGADB.

Vi, ainda, na grande rede, uma desaprovação ao fato de o presidente da CGADB ter visitado, no ano passado, o Congresso dos Gideões Missionários da Última Hora (GMUH), em Camboriú, Santa Catarina, o qual é, sem dúvidas, o maior evento pentecostal brasileiro. É evidente que eu não estou de acordo com os desvarios de certos “pregadores” que já participaram do aludido congresso, os quais se tornaram públicos mediante vídeos do YouTube. Entretanto, se o evento é realizado pela Assembleia de Deus, por qual motivo o pastor-presidente da CGADB deveria ausentar-se, haja vista ter sido convidado pela direção do congresso?

Se há em tal conclave desvios do pentecostalismo bíblico, é preciso que a Mesa Diretora da CGADB esteja devidamente inteirada, a fim de orientar os seus organizadores. Mas apenas opor-se ao evento e verberar contra ele não é uma atitude louvável. Eu mesmo faço questão de, neste espaço, combater o erro, mas sempre procurei preservar pessoas e instituições, salvo exceções. Afinal, a nossa luta não é contra “carne e sangue” (Ef 6.12), não é mesmo?

Amados irmãos assembleianos, precisamos orar por essa grande Assembleia Geral Ordinária que ocorrerá em Vitória, Espírito Santo, no mês de abril. Vejo que os ânimos estão exaltados, e muitos estão em clima de guerra. Mas o Senhor não espera isso de nós. O presidente da CGADB foi o homem que o Senhor permitiu que estivesse todo esse tempo à frente dessa importante convenção. Se é o momento de uma mudança, às vésperas do centenário das Assembleias Deus, ela precisa ocorrer de forma pacífica, em oração e unidade, e não com ofensas de parte a parte.

Em tempo, na segunda capa, na parte interna das Lições Bíblicas da CPAD, há um anúncio da Semana Nacional de Oração e Jejum, de 9 a 15 de março de 2009. E o tema deste ano diz respeito à atitude que os obreiros do Senhor devem ter na próxima Assembleia Geral Ordinária: “É momento de a igreja no Brasil clamar por renovação e unidade no Espírito”, baseado em Daniel 9.3 e Lamentações 3.29.

Ciro Sanches Zibordi

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

O internauta opina (17)

Neste O internauta opina número 17 publico a opinião do irmão Rômulo A. Pereira quanto ao artigo Uma palavra aos que, ingenuamente, pensam que podemos louvar a Deus com todos os estilos musicais, acompanhada de minha resposta.

Rômulo A. Pereira disse:


Olá, Ciro. Gosto muito dos seus livros, possuindo três deles. Todos com excelente argumentação e de importância crucial para os tempos em que vivemos. Sobre a matéria em questão, gostaria de expressar alguns comentários. Aprendi nos seus livros que não devemos ultrapassar o que está escrito. Fazê-lo pode nos levar a extremos, como libertinagem e legalismo.

A Bíblia Sagrada nunca fez pronunciamento quanto a ritmos musicais. E ritmos foi certamente algo com que o povo de Israel e a igreja primitiva conviveram. Passaram por culturas as mais diversas, idólatras e profanas: egípcia, filistéia, assíria, babilônica, persa, grega, romana. E mesmo assim a Palavra não menciona restrições a ritmos. Isso, claro, poderia ter sido feito. Bastava uma citação do tipo: "a música consagrada deve ser lenta/rápida e aguda/grave", etc.

Artigos científicos, como bem sabemos, não têm validade como as infalíveis Escrituras. Ora, existem diversos artigos científicos que apontam músicas tradicionais como sonolentas para os jovens, mas agradável para os adultos, enquanto que músicas rápidas são estimulantes para os jovens e incômodas para os adultos. Enfim, os tais "efeitos" da música são relativos. A quem faz mal, não ouça.

Ah, e citar abusos e mau uso não invalida alguma teoria. Afinal, existem abusos por parte pastores, por parte de profetas, por parte de educadores, e isso não invalida esses imprescindíveis ministérios. Novamente, lembro que não devemos ultrapassar o que está escrito. Se um assunto tão patente, cotidiano e pertencente a todas as eras fosse passível de normatização, Deus teria se pronunciado. Parabenizo o amado irmão pelo blog e pelos livros.

A graça e a paz do Senhor!


Minha resposta:

Olá, Rômulo. Agradeço-lhe por fazer menção honrosa a minhas obras literárias. Glória a Jesus!

Quanto ao artigo em questão e ao seu entendimento acerca dele, o irmão, com certeza, não leu com atenção os meus livros, pois neles eu deixo claro que a Bíblia é um Livro de promessas, mandamentos e princípios. E, por meio destes, sabemos que nem todos os estilos musicais servem para o louvor do Senhor.

Se não levarmos em conta os tais princípios, achando que a Bíblia só condena pecados e embaraços de maneira explícita e direta, não acharemos nela também argumentos contra cigarro, baile funk, filmes eróticos, etc. Não há reprovação específica a pecados atuais nas páginas sagradas, como: "Não assistirá a filmes eróticos" ou "Não fumarás".

Por conseguinte, o irmão pode ter aprendido pelos meus livros que não devemos ultrapassar o que está escrito (se bem que isso é, antes de tudo, um princípio bíblico), mas não entendeu ainda o que realmente significa isso. Não ir além do que está escrito é saber que a Bíblia é um Livro de promessas, mandamentos e princípios e, por isso, deve controlar todo o nosso viver. Leia com atenção o livro MAIS Erros que os Pregadores Devem Evitar, e o irmão entenderá melhor o que eu quis dizer. Mas estude, principalmente, as referências bíblicas citadas na mencionada obra, pois elas são muito mais importantes e convincentes que o meu texto.

A Bíblia Sagrada não faz menção direta a estilos musicais, como também não alude diretamente a vários pecados. Não há especificidades quanto aos estilos musicais, porém há princípios pelos quais identificamos quais são os estilos que não servem para o louvor a Deus.

Outrossim, o irmão está muito equivocado se pensa que o evangelho de Cristo deve se submeter às culturas dos povos! Estude melhor esse assunto, pois o irmão está, repito, enganado, com todo o respeito. São as culturas que devem se submeter ao evangelho. O fato, por exemplo, de o brasileiro ter samba no pé não denota que, necessariamente, haja aval tácito na Bíblia para introduzirmos esse estilo musical nos templos.

Artigos científicos têm validade sim, principalmente se amparados por princípios da Palavra de Deus. Desculpe-me se estou sendo insistente, ao repisar (e também reprisar) o termo princípios, bem como enfatizar a necessidade de o irmão entender que a Palavra de Deus possui promessas, mandamentos e princípios. Mas, por causa disto, o irmão também está equivocado quanto aos efeitos causados pelo música. Eles não são, de modo algum, relativos. Os tais efeitos são comprovados pela ciência.

Sugiro que o irmão estude o assunto com cuidado, antes de abraçar o simplismo. Há obras meritórias lançadas por editoras evangélicas. No entanto, se quiser estudar o assunto cientificamente, de modo imparcial, procure obras seculares de pessoas versadas em musicologia, musicoterapia e matérias afins.

Finalmente, lembro-lhe mais uma vez de que não deve ignorar este princípio: não ultrapassar o que está escrito na Palavra de Deus (1 Co 4.6). Nunca se esqueça de que a Palavra de Deus é a nossa regra de fé, de prática e de vida, bem como um livro de promessas, mandamentos e princípios. Sugiro que o irmão estude (e não apenas leia) textos como 1 Coríntios 6.12; 10.23,31; 1 Tessalonicenses 5.22; Hebreus 12.1,2; Galátas 5.19-22; Filipenses 4.8; Romanos 12.1,2.

Deus o abençoe! Feliz 2009!

Ciro Sanches Zibordi

sábado, 10 de janeiro de 2009

Homem sobrevive a atentado à bala porque portava a Bíblia

Quando eu era adolescente, ouvi o testemunho de um irmão sobre um soldado cristão que, numa guerra, teve a vida salva por levar consigo um exemplar da Bíblia Sagrada. Ao ser atingido por um tiro na região do tórax, a bala acertou o Santo Livro, parando exatamente no Salmo 91!

Lembro-me de que muitos irmãos, ao ouvirem o mencionado testemunho, consideraram-no fantasioso. Mas, se Deus protegeu mesmo aquele soldado mediante um exemplar da Bíblia, a história se repetiu neste começo de ano, no Espírito Santo.

De acordo com uma reportagem de hoje à tarde do Globo News, a Bíblia salvou a vida de um cabeleireiro atingido por dois tiros quando chegava à sua casa. O Livro estava no bolso da camisa da vítima. U
ma das balas perfurou a capa e várias páginas do Antigo Testamento. E a outra teve a trajetória desviada na capa do Livro e atingiu a testa do homem de raspão. Ele não quis se identificar, mas disse que sempre carrega a Bíblia consigo. Homem de fé, acredita que foi salvo pela Palavra de Deus.


Ciro Sanches Zibordi

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

O internauta opina (16)

O internauta — e meu amigo — Valter Miranda, obreiro do Senhor na Assembleia de Deus do Ipiranga, em São Paulo, ao ler artigos neste blog, fez dois importantes comentários sobre o futuro da Assembleia de Deus brasileira, os quais publico, de modo resumido e levemente alterado, neste O internauta opina número 16.

Parece que o Brasil vai chegar mais uma vez atrasado à “festa”. O que quero dizer é que tudo o que não presta na Europa e na América do Norte deságua no Brasil e na América Latina. Primeiro, desmantelam suas estruturas, aniquilam toda e qualquer forma de sociedade e, porque não dizer, destroem tudo o que tiver um relacionamento com os bons costumes.

Se viver em família é bom, eles dizem que o filho deve deixar seus pais e viver uma vida independente. Assim, logo cedo esse filho irá se desenvolver! Que falácia. Hoje, de cada dez filhos de 12 anos, dez acham seus pais caretas, fora de seu tempo. E, o que tudo isso tem a ver com a próxima Assembleia Geral?

Bem, prezados irmãos, essa nova geração de pastores, contagiados que estão pelo modo de viver da Europa e dos Estados Unidos, querem dar nova roupagem para a Igreja de Jesus Cristo. É novamente o Brasil chegando tarde para a festa... “aquele que é sujo, suje-se ainda”, diz a Palavra de Deus. Mas sei que existem — e sempre existirão — aqueles que não comerão do manjar oferecido pelo rei. Deus também tem seus servos nos Estados Unidos, Europa e todos os lugares da terra. Glória a Deus por esses!

Não sei quanto tempo isso durará. A Bíblia fala sobre a tendência para as coisas da carne, nesses últimos dias.Hoje, a estética é mais importante do que o conteúdo e a simplicidade. Já vi pastores pedindo ao diácono para levar para o púlpito todo o qualquer obreiro que chegasse para a festividade da igreja, sem qualquer critério...

Pastor Ciro, eu estava pensando sobre o grande crescimento numérico que tanto contagia alguns líderes. Na verdade, estes querem se autopromover e usam para isso o dinheiro da igreja. A Igreja Assembleia de Deus durante muito tempo pregou sobre o caminho estreito. E espero que continue pregando... Agora, alguns querem tornar esse caminho um pouco mais largo aqui em baixo, esquecendo-se de que ele continua estreito no Céu.

Então, o que fizeram os neopentecostais que saíram na “frente”? Compraram meios de comunicação para, como isso, atingir massivamente mais pessoas com as suas facilidades (caminho largo). Qual foi o pensamento de certos líderes adeptos desse caminho? Viram uma grande massa de pessoas fora da igreja, as quais — dizendo-se cristãs — não queriam andar pelo caminho estreito, e aqueles líderes (mediante programas de televisão) ofereceram a essas pessoas o que elas queriam... E, por isso, temos visto um povo interesseiro, que vai a Deus através do que Ele pode oferecer tão-somente aqui na terra, e não pelo que o Senhor Jesus já fez por todos na cruz.

Existe uma “sedução do cristianismo” no ar, que concorre o tempo todo com a Igreja contra a qual, conforme disse Jesus, as portas do Hades não prevalecerão (Mt 16.18). A cada dia, esse movimento tende a crescer. E, caso esse nosso tempo não fosse abreviado (será, segundo a Palavra de Deus), até os escolhidos se perderiam.

Muitas coisas têm seduzido o ser humano, mas destaco o poder. O poder de liderar. O poder do dinheiro. A Palavra de Deus diz que homens amantes de si mesmos apareceriam, nos últimos dias, e eles seriam traidores. Jesus disse que até a natureza iria se manifestar antes da sua volta. Terremotos, pestes, doenças, etc. Creio que não estamos longe disso acontecer.

Prezados irmãos em Cristo, fiquemos firmes sobre a Pedra de Esquina, esperando o toque da trombeta mencionada em 1 Coríntios 15.52.

Valter Miranda

Coisas para se fazer em 2009 (1)



Em minha adolescência, lembro-me de que eu ficava com dó do gato do desenho Tom & Jerry. Ele sempre termiva mal; se bem que o malvado felino recebia sempre o que procurava, ainda que de maneira desproporcional... Bem, quero contar-lhe uma historinha em que o gato, finalmente, conseguiu rir por último.
Certo gatinho, cansado de perseguir um esperto camundongo, sem conseguir transformá-lo em almoço, resolveu inovar. Vendo que o ratinho nunca se arriscava a sair da toca, teve uma brilhante idéia. Pensou, pensou, pensou... e resolveu latir!
Um gato latindo? Isso mesmo. E, sabe que deu certo? Ao ouvir o latido, o pobre ratinho saiu da casinha e...
Não teve jeito: caiu nas garras do faminto gato, que, antes de saboreá-lo, fez questão de explicar como conseguiu a difícil façanha.
– Em tempos de globalização – disse ele –, quem não fala dois idiomas passa fome!

Moral da história: procure aprender outro idioma – principalmente o inglês –, pois isso lhe abrirá portas na área profissional, além de propiciar-lhe outras oportunidades. Estudar outro idioma é uma boa sugestão para 2009!

Ciro Sanches Zibordi

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

O que será tratado na Assembleia Geral da CGADB, em Vitória, Espírito Santo?


A revista Manual do Obreiro número 44, editada pela CPAD, entrevistou o pastor José Wellington Bezerra da Costa, atual presidente da CGADB (Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil) e que presidirá, em abril, a próxima Assembleia Geral, em Vitória, Espírito Santo. Ele falou sobre os assuntos que deverão ser discutidos nesse tão esperado conclave. Ao ser perguntado sobre o tema principal a ser discutido no megaevento, respondeu:
“Todos os assuntos do temário são importantes, mas, dentro do contexto da nossa agenda, destaco uma proposta: a discussão sobre a liturgia da Assembleia de Deus no Brasil. Acho este um tema que deve ser bastante frisado, repisado, porque nós não podemos perder, de maneira nenhuma, a nossa origem, não podemos deixar que alguém venha mutilar a nossa identidade”.
De fato, é importante e oportuna essa preocupação com a liturgia, pois, em muitos lugares, realmente, os cultos têm se transformado em shows. Para se ter uma ideia, recebi há poucos minutos um comentário de um jovem assembleiano, nortista (e não nordestino), de 25 anos, que muito me entristeceu. Ao discorrer sobre sua igreja e seu pastor, ele revelou:
“... a igreja... perdeu a sua identidade, em pouco ou nada faz lembrar a igreja criada por Daniel Berg e Gunnar Vingren. Não sei o que diriam esses apóstolos ao verem os shows que acontecem (...), como muita coreografia estranha, dança de rua, capoeira, louvores a perder vista e pouco espaço para a Palavra, irmãs que se pintam e se trajam igualmente às mulheres do mundo, templos cheios de pessoas, mas vazias do Espírito Santo, isso sem falar da relação do pastor com a Convenção Estadual, um ‘exemplo’ de união”.
Voltando à entrevista, o pastor José Wellington também afirmou:
“Tivemos dos nossos pais uma fôrma dada por Deus e não podemos, de maneira nenhuma, deixar que alguns venham mutilar essa identidade, porque aceitar as inovações que estão querendo trazer para a Assembleia de Deus vai resultar em, dentro de cinco ou dez anos, nos tornarmos um grupo evangélico igual aos demais no Brasil, sem qualquer diferença em relação aos que já existem”.
Ao final, depois de afirmar que a igreja não deve se descuidar da evangelização, o presidente da CGADB falou sobre a importância da obra Teologia Sistemática Pentecostal (lançada recentemente pela CPAD), discorreu sobre o perigo da comercialização do evangelho e verberou:
“Não só como pastor em São Paulo, mas como presidente da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil, tenho procurado preservar a nossa denominação distante desses grupos heréticos, não se misturando com determinados ‘grupos evangélicos’ que não têm a mesma formação doutrinária, espiritual e o mesmo comportamento social”.
Que Deus abençoe a próxima Assembleia Geral Ordinária (AGO) da CGADB. E que, por meio dela, obreiros assembleianos de todo o Brasil se conscientizem de que:
1) Culto não show.
2) A evangelização é a tarefa precípua da igreja.
3) O evangelho não deve ser comercializado.
4) As heresias e os modismos devem ser combatidos pelas igrejas que andam segundo a Palavra de Deus.

Em Cristo,

Ciro Sanches Zibordi

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Em 2009, terei de abandonar a “Assembléia”


Amados irmãos, estou numa situação muito difícil... Com a inauguração da Reforma Ortográfica (leiam neste blog a seção Nova Ortografia), terei de escrever a palavra “Assembléia” sem acento! Vocês sabem o que significa isso para um assembleiano? Estou inconformado.

Bem, para quem não sabe, no âmbito das regras especiais de acentuação gráfica, existem os chamados ditongos abertos: “éu”, “éi” e “ói”. Dói ouvir certa música (música?) chamada Créu, não é mesmo? É por isso que eu tiro o chapéu para os hinos da Harpa Cristã (CPAD), o hinário oficial da Assembléia de Deus. São composições inspiradas que mencionam o Céu, onde receberemos o nosso troféu! Bem, houve uma mudança na regra dos “éu”, “éi” e “ói”. Nós antes acentuávamos todas as palavras que apresentavam ditongos abertos, mas a partir deste ano...

É bom enfatizar que o ditongo aberto ocorre quando o som é aberto, diferentemente do que acontece com as palavras “eu”, “ateu”, “judeu”, “lei”, “boi” e “apoio”. A título de comparação, “judeu” e “apoio” não levam acento, mas “Judéia” e “apóio” (do verbo “apoiar”), sim.

A partir da implantação da Reforma Ortográfica, que já começou em 1 de janeiro deste ano, todas as palavras paroxítonas em que ocorre o tal ditongo aberto perderão o acento. Gostou da idéia, ou melhor, ideia? Você é da Assembléia — ops! —, Assembleia de Deus? É, meu amigo, até as Assembleias de Deus vão ter de se adaptar à nova ortografia! Lembro-me de que fui a uma igreja em que na placa estava escrito: “Assemblea de Deus”. E eu logo pensei: Faltaram o acento e a letra “i”. A partir de agora, não faltará mais o acento; apenas a letra “i”.

Por outro lado, não estou tão triste com a Reforma Ortográfica. Afinal, ainda que eu tenha de abrir mão da “Assembléia”, o “Céu” está garantido. Vou poder continuar escrevendo “Céu”, com acento, pois a regra só vale para as paroxítonas! Pelo menos isso...

Ciro Sanches Zibordi

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

A Assembléia* de Deus será outra a partir de 2009, depois da eleição — ou reeleição — do presidente de sua convenção geral?


Às vésperas de seu centenário, a Igreja Evangélica Assembléia* de Deus, pioneira do Movimento Pentecostal no Brasil, elegerá neste ano — se o Senhor Jesus não voltar antes de abril — o presidente de sua convenção geral para um mandato de quatro anos. Teremos também as eleições de outros cargos que compõem a Mesa Diretora, como os cinco vice-presidentes, um por região.
Tenho orado pela nossa igreja e pensado seriamente em seu futuro. E estou esperançoso com a realização da próxima Assembléia* Geral Ordinária, em Vitória-ES, em abril deste ano, a qual — além de ser a maior de todos os tempos — poderá nos propiciar um recomeço, não por causa dos nomes escolhidos para formarem a Mesa Diretora da convenção, e sim por eu acreditar que as lideranças assembleianas aproveitarão essa valiosa oportunidade para fazerem um pacto em prol do cumprimento da quase-esquecida Grande Comissão.

O QUE PODERÁ MUDAR DEPOIS DA AGO?

Anseio por um novo começo, que resulte em recuperação do que perdemos nos últimos anos, pois avivamento, à luz da Palavra de Deus, não é, essencialmente, introdução no culto a Deus de novidades, e sim reconquista do que foi perdido (Lm 5.21; Jr 6.16). Não foi isso que aconteceu nos dias dos reis Ezequias e Josias? Sim, houve uma verdadeira renovação (2 Cr 29-30; 2 Rs 22-23).
Temos tido muitas perdas, sobretudo no que tange ao compromisso com a Palavra de Deus. Até quando os nossos cultos serão shows, e as nossas pregações, palestras motivacionais, que apenas entretêm os crentes? Até quando a quantidade de evangélicos reunidos, em mega-eventos, será mais importante do que as almas salvas? Até quando o “grande reboliço” será mais importante que o culto racional, em espírito e em verdade, com decência e ordem?
A despeito de certos líderes sem chamada de Deus ou desviados da verdade desejarem que a Assembléia* de Deus seja cada vez mais liberal e secularizada, a nossa igreja não pode ter como parâmetro de sucesso apenas o crescimento numérico. Este tipo de crescimento Deus até valoriza, mas não o prioriza (Jo 6.60-69; Mt 7.13,14,21-23).
É lamentável o fato de líderes de nossa igreja abrirem mão da verdade em prol das multidões. A única explicação para isso é a priorização do aumento da receita, tendo em vista vantagens e o enriquecimento ilícito. Por isso, temos visto certas Assembléias* de Deus se igualando a igrejas pseudo-cristãs, cujas bandeiras são a falaciosa teologia da prosperidade e o evangelho-show, não tendo nenhum compromisso com os mandamentos e princípios das Escrituras.

ALGUÉM SE LEMBRA DA GRANDE COMISSÃO?

Neste longo artigo de início de ano, desejo enfatizar a necessidade de a Assembléia* de Deus retomar os antigos ideais da Grande Comissão. Sim, o Senhor Jesus comissionou a sua Igreja, chamando-a para uma tríplice tarefa: pregar o evangelho em todo o mundo, fazer discípulos de todos os povos e batizá-los em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo (Mc 16.15; Mt 28.29, gr.). E eu pergunto: O que temos feito em prol desses ideais?
Até quando os nossos principais congressos serão ajuntamentos para, apenas e tão-somente, gritar, pular, marchar, ao som de gritos ensurdecedores de animadores de auditório? Até quando valorizaremos mais as mensagens e cânticos voltados exclusivamente ao bem-estar dos crentes? Até quando iremos aos cultos apenas para receber bênçãos, em vez de adorarmos a Deus, crescermos na graça e no conhecimento do Senhor Jesus, sendo cada vez mais cheios do Espírito Santo?
Tenho esperança de que o presidente eleito — ou reeleito —, a partir de agora, se preocupará um pouco mais com a Grande Comissão. E creio que a Mesa Diretora escolhida o apoiará na realização de grandes projetos em prol de evangelização, missões e ensino sistemático da Palavra de Deus, pois o que prevalece hoje é a preocupação com os aumentos de membros (e não de discípulos) e de receita das igrejas.
Não podemos ignorar a primacial tarefa da Igreja de Cristo. Negligenciá-la implica desprezarmos as nossas origens. Para que recebemos o poder dinâmico do Espírito Santo? Para nos gloriarmos, dizendo que somos o povo que grita, pula e sapateia? Infelizmente, muitos pensam que ser pentecostal é isso... Mas o revestimento de poder existe, sobretudo, para nos impulsionar à pregação do evangelho às almas perdidas (At 1.8; Mc 16.15-20).
Quando os apóstolos Daniel Berg e Gunnar Vingren foram batizados com o Espírito Santo, nos Estados Unidos, o que mais se evidenciou na vida deles não foi o falar línguas estranhas (ainda que isso seja uma das evidências desse dom do Espírito), tampouco pulos e gesticulação espalhafatosa. Eles se sentiram impulsionados pelo Espírito a ganhar almas e vieram ao Brasil a fim de propagarem o evangelho no poder do Espírito de Deus.

PRECISAMOS MESMO DE UMA REDE DE TELEVISÃO?

Oro para que o pastor-presidente da nossa convenção não seja alguém ávido por atender, primordialmente, aos interesses dos assembleianos. Afinal, Deus não nos chamou para fazer a vontade do povo, e sim a sua vontade (Mt 7.21; 2 Co 1.1). Eu sei que precisamos de mais espaço na mídia. Mas que não sigamos o exemplo de igrejas (ou empresas?) e televangelistas (ou telenganadores?) cujos programas giram em torno de autopromoção, vendagem de produtos, consecução de recursos para manter impérios pessoais, etcétera e tal.
Quem hoje prega, verdadeiramente, o evangelho a fim de alcançar os pecadores com a mensagem cristocêntrica? Paradoxalmente, não há nenhum programa evangélico voltado especificamente à pregação do evangelho, ainda que alguns dediquem um pequeno espaço do tempo a isso. Tenho visto muita propaganda e venda de produtos (o que é lícito, se feito com moderação), pregação de vitória (exclusivamente para crente), verberação contra desafetos, divulgação de igrejas e campanha tácita visando ao aludido pleito de abril/2009.
Muito se fala acerca de uma rede de televisão, e alguns pastores dizem que a nossa igreja ficou para trás. Os candidatos à presidência da nossa convenção estão sendo pressionados a imitarem líderes de igrejas ditas evangélicas que promovem shows para crente ou apresentam todo tipo de programa para competir com a concorrência. Como manter um canal assembleiano com boa audiência sem rechear a programação de entretenimentos mundanos? Não é melhor a Assembléia* de Deus comprar horários nobres e pregar o evangelho de Cristo aos pecadores?
Temos mesmo de seguir ao exemplo de telebispos, telemissionários e tele-apóstolos, cujos programas têm como finalidade arrecadar dinheiro e mais dinheiro? Veja o caso da maior emissora dita evangélica do País: propaga tudo o que não presta (é inclusive declaradamente favorável ao aborto) e assim consegue competir com a Rede Globo em alguns horários. Esse é um bom exemplo para nós?
Precisamos mesmo de uma rede de televisão? Não! Pois essa não é a nossa vocação. Não fomos chamados para ter impérios de telecomunicações, ao contrário do que muitos pensam. Podemos, sim, nos valer de todos os recursos à nossa disposição (televisão, rádio, Internet, etc.), mas não é missão da igreja competir com emissoras mundanas, como fazem os canais “evangélicos” da atualidade.

ALGUÉM SE LEMBRA DA DÉCADA DA COLHEITA?

Devemos — repito — usar todos os recursos disponíveis para a pregação do evangelho. E os dízimos e ofertas, se forem bem empregados, podem servir não apenas para a construção de catedrais, mas para o custeio de programas verdadeiramente evangelísticos. Estamos dispostos a deixar a vaidade de lado e pregar o evangelho? Para isso, os nossos programas terão de fazer menos propaganda de nossos líderes e igrejas. Queremos isso? Ou preferiremos mostrar para todos que a Assembléia* de Deus também pode ser como as igrejas-empresas?
Alguém se lembra da Década da Colheita? Que projeto nobre era aquele! Por que não houve os resultados esperados? Alguns dizem que foi por causa da morte repentina do inesquecível pastor Valdir Nunes Bícego, relator e principal propagador do projeto. Mas não foi apenas isso que fez o arrojado plano sofrer solução de continuidade, ainda que a competência do saudoso evangelista e mestre Valdir Bícego seja até hoje lembrada. Tem faltado visão mesmo a nossos líderes.
Não estou criticando a ninguém em específico. Respeito profundamente os antigos e atuais membros da Mesa Diretora da nossa convenção. Mas escrevo isso com o intuito de refletirmos juntos acerca do que já fomos, temos sido e poderemos ser. Quando falo de um “novo começo”, não quero dizer que precisamos, necessariamente, de um novo presidente, e sim de uma nova mentalidade.
Temos pregado o evangelho aos perdidos? Sinceramente, muito pouco. Temos feito discípulos? Francamente, muito pouco. Temos batizado em águas? Na verdade, são poucas as pessoas que chegam ao batismo; e mesmo assim elas não passam por uma formação adequada. Prova disso é a facilidade com que o povo assembleiano — sobretudo a juventude — se deixa levar por ventos de falsas doutrinas, modismos e ondas de misticismo.
A verdadeira Assembléia* de Deus é a igreja da Palavra, que evangeliza, faz discípulos, batiza-os em água. É a igreja movida pelo poder dinâmico do Espírito (At 1.8; Rm 1.16). Seus cultos têm cânticos, exposição da doutrina e manifestação multímoda, multiforme, do Espírito Santo (1 Co 14.26). Não é uma igreja igual ou similar a igrejas pseudo-cristãs, que só falam de prosperidade material, curas e milagres. A legítima Assembléia* de Deus, fiel à sua origem, adora ao Senhor Jesus, prega a sua doutrina e crê em curas e milagres, mas sem priorizá-los, posto que eles são apenas os efeitos do evangelho, e não o evangelho (1 Co 1.22,23; 12.28; Jo 10.41; Dt 13.1-4).
Sei que este extenso artigo, publicado no primeiro dia de 2009, não é nada simpático. Mas é necessário. Uma igreja vigorosa evangeliza, faz discípulos e batiza-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. E muito me admira o fato de pastores estarem cobrando dos candidatos à presidência de nossa convenção geral que tenhamos um canal de televisão, como se isso fosse a principal missão da Assembléia* de Deus ou a solução para todos os seus problemas! Por que não nos unimos e levantamos a bandeira da Grande Comissão, deixando de lado os nossos projetos pessoais?

Ciro Sanches Zibordi
* Não empreguei neste artigo a nova grafia da língua portuguesa, que entra em vigor hoje (veja a seção Nova Ortografia neste blog), pela qual seremos obrigados, a partir de 2012, a escrever Assembleia (sem acento).