Anúncio

segunda-feira, 29 de abril de 2019

Estêvão: o Primeiro Apologista do Evangelho


RESENHA
Valdemir Pires Moreira
ZIBORDI, Ciro Sanches
Estevão: o primeiro apologista do Evangelho
Rio de Janeiro: CPAD, 2018, 176 pp.

O autor é Ciro Sanches Zibordi, pastor na Igreja Assembleia de Deus da Ilha da Conceição, em Niterói - RJ, formado em Teologia (Faculdade Evangélica de São Paulo - SP) e Relações Internacionais (Universidade La Salle-RJ). Membro da Academia Evangélica de Letras do Brasil e da Casa Emílio Conde; colunista do CPAD News; articulista do Jornal Mensageiro da Paz (CPAD). E autor de diversas obras.

Não são poucos, infelizmente, “os pregadores” que se esforçam ao máximo para deixar suas marcas na história. Uma boa parte deles usa de suas próprias forças, em busca do reconhecimento de seu público, negligenciando na maioria das vezes a mensagem integral do Evangelho, na busca de ser aceitos pelo povo e pela massa de “crentes” que buscam uma mensagem que agradem aos seus ouvidos. Não é isso que vemos, quando analisamos a vida do jovem Estevão, que uma vez escolhido para servir a Igreja, se destacou não por meio de suas próprias forças, mas por meio da dependência e direção do Espírito Santo, tornando-se o primeiro apologista do Evangelho.

Na introdução, Zibordi declara sentir-se desafiado, diante do momento que muitos escritores estão vivendo. Segundo o pesquisador Nicholas G. Carr, a Internet está alterando os padrões de percepção. Essa alteração tem levado à diminuição do interesse pela leitura de livros, acontecimento esse que, segundo o autor, já é percebido nas grandes cidades dos Estados Unidos e da Europa. A era da informação e da interatividade tem gerado uma falta de paciência para a leitura de bons livros. Sendo assim, para Zibordi, tem sido um grande desafio escrever a série Pregadores da Bíblia.

No primeiro capítulo, o título é Atos dos não Apóstolos, e o autor trata de vários nomes que poderiam ser dados ao livro de Atos do Apóstolos, nome esse que é usado desde o segundo século d.C. Para o autor, o livro poderia ser classificado como: 1) Atos do Espírito Santo; 2) Atos do Sumo Apóstolo; 3) Atos dos Anjos do Senhor; 4) Atos dos Doze Apóstolos; 5) Atos dos Dois Apóstolos; e 6) Atos dos não Apóstolos, aqui Zibordi imagina qual seria o tamanho do livro, caso todos os seus personagens e seus feitos fossem mencionados, e em seguida conclui fazendo menção aos primeiros problemas enfrentados pela Igreja Primitiva e a solução advinda diretamente de Deus.

O segundo capítulo tem como título Candidato Aprovado, e Zibordi traz-nos o significado do termo “candidato” na época da Roma Antiga; em seguida faz profundas observações acerca do que é a “boa reputação” e seu significado no âmbito do casamento. Esclarece o termo “irrepreensível” e seu real significado. Prossegue ainda no referido capítulo mencionando assuntos, tais como, o jeitinho brasileiro e xenofobia. Discorre sobre a expressão “apto para ensinar” (1 Tm 3.2 e 2 Tm 2.24), bebidas alcoólicas e seu uso entre os cristãos e finaliza o capítulo tratando acerca da boa reputação que o obreiro deve cultivar no seio da família.

O terceiro capítulo gira em torno do pregador cheio do Espírito; o autor inicia esse capítulo fazendo uma abordagem sobre o segredo de Estevão, e em seguida faz um acurado estudo sobre o “Paracleto”. Segue o capítulo tratando do que é ser cheio do Espírito; e, para fazer-nos entender melhor o que vem a ser a plenitude do Espírito Santo, Ciro declara que é necessário conhecermos o sentido de quatro termos bíblicos relacionados com a presença do Espírito dentro de nós: selo, penhor, testemunho e fruto do Espírito; e conclui o capítulo explicando como podemos ser cheio do Espírito Santo.

No quarto capítulo, Ciro classifica Estevão como um pregador que tem conteúdo e analisa o jovem pregador como o primeiro apologista, que era cheio de sabedoria, cheio de fé, cheio de graça, cheio de poder, e que era um pregador em cuja vida e ministério os dons espirituais manifestavam-se de modo eficaz.

O quinto capítulo traz uma abordagem histórica e trata do termo “apologia” a partir de Platão; Ciro segue fazendo menção de apologistas contemporâneos, tais como: Lee Strobel, Rice Broocks e William Lane Craig. Em seguida, analisa esse termo no Novo Testamento e a ação dos apologistas no primeiro e segundo século; e finaliza o capítulo pontuando alguns dos maiores desafios do pregador cristão na pós-modernidade, além de traçar na história a chegada desse período.

No sexto capítulo, Zibordi acrescenta outros expoentes à lista de apologistas, tais como Razi Zacharias, David Jeremiah, William Lane Craig dentre outros. Em seguida, aponta as dificuldades enfrentadas por Estevão, o primeiro apologista do Evangelho. O autor comenta os vários textos contidos em Atos do Apóstolos em que se registra a ação apologética de Estevão e a defesa de sua fé diante de seus opositores.

No sétimo e último capítulo, que traz como título, Vencido Vence Vencedor, Zibordi finaliza descrevendo os últimos momentos da vida do jovem Estevão, e como venceu morrendo triunfantemente sem negar sua fé, mas vivendo-a intensamente no poder do Espírito até seu último suspiro.

Valdemir Pires Moreira é diácono da Igreja Evangélica Assembleia de Deus de Caucaia-CE. Bacharel em Teologia pelo INTA - Instituto Superior de Teologia Aplicada. Bacharel Eclesiástico pelo ICI BRASIL - Instituto Cristão Internacional, professor de Escola Bíblica. Autor do livro Teoria e Método Teológico no Pensamento de Jacó Armínio (Editora Reflexão). Casado com Elizangela Pires.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

João Batista: O pregador politicamente incorreto


João Batista: O pregador politicamente incorreto: Neste livro, o pastor, autor best-seller e articulista Ciro Sanches Zibordi discorre sobre o ministério daquele que veio preparar o caminho para Jesus Cristo: João Batista.

sábado, 22 de dezembro de 2018

Agradecimento a todos os nossos apoiadores



Ano-novo se aproxima. É momento de glorificar a Deus pelas vitórias alcançadas e agradecer a todos os nossos apoiadores. Neste ano, por graça de Deus, tivemos três livros da série Pregadores Da Bíblia publicados. E todos estão na lista dos mais vendidos da CPAD (fonte: Mensageiro da Paz, novembro/2018).

No ano que vem, se o Senhor quiser, tem mais. Agradeço a Deus, minha família, nossa editora, bem como a todos os leitores e amigos por esse ano abençoadíssimo! E desejo a todos os nossos apoiadores um feliz 2019!

Ciro Sanches Zibordi

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Dispensacionalismo, pré-tribulacionismo e pré-milenarismo


Em Teologia Sistemática, Escatologia é o estudo dos últimos eventos previstos na Palavra profética, os que ainda “hão de acontecer” (Ap 1.19; 4.1) conforme a soberana vontade de Deus (GILBERTO, p. 7-12). Neste artigo, procurarei demonstrar, mediante a comparação de algumas escolas escatológicas, que o pré-tribulacionismo — pré-milenarista e dispensacionalista — é a que melhor se coaduna com as Escrituras.

Para o pré-tribulacionismo, o primeiro evento escatológico é o Arrebatamento da Igreja (1 Ts 4.16,17), que não deve ser confundido com a Manifestação do Senhor (Mt 24.29-31). Esse rapto ocorrerá de modo secreto, antes da Grande Tribulação, que, segundo cálculos complexos, terá duração de sete anos (cf. Dn 9; Ap 11-16; Mt 14.15-21 etc.). Isso tem sido contestado por outras duas escolas. Segundo o mesotribulacionismo, a Igreja enfrentará a primeira metade da Grande Tribulação. E, para o pós-tribulacionismo, os salvos já estão passando por tribulações, que se intensificarão até que Cristo venha.

Principais escolas escatológicas

Há quatro modos de interpretar o livro de Apocalipse. O futurista, segundo o qual os textos apocalípticos apontam para o futuro. O historicista, que vê as profecias como simbólicas, relacionando-as com a História. O idealista, que considera tais textos como meras expressões idealizadas da luta entre o bem e o mal. E o preterista, que interpreta as profecias como já cumpridas, especialmente no primeiro século (JONES, p. 58-76).

Em Apocalipse 1.19, o Senhor Jesus aplica um duro golpe no preterismo, ao dizer a João: “Escreve as coisas que tens visto, e as que são, e as que depois destas hão de acontecer”. Mais que apresentar a divisão do livro, o Senhor deixa claro que a parte profética de Apocalipse alude ao futuro. De fato, a partir do capítulo 4, tudo é escatológico, com exceção das revelações parentéticas, isto é, os parênteses contendo profecias já cumpridas.

Uma dessas revelações parentéticas está em Apocalipse 12, que menciona uma “mulher vestida do sol” (v. 1) dando à luz a um Menino (Jesus) e sendo protegida por Deus contra a fúria do Dragão (Satanás). Quem é essa mulher? Essa pergunta nos instiga a “dialogar” com mais quatro escolas gerais de interpretação, além das três escatológicas citadas: a aliancista, a neoaliancista, a dispensacionalista clássica e a dispensacionalista progressiva.

Para o aliancismo, Deus só tem um plano: com a Igreja. A aliança com Israel vale para os cristãos. As promessas feitas aos israelitas, ou já se cumpriram durante o reinado de Salomão (cf. 1 Rs 4.21), ou se cumprirão por meio da Igreja, o “Israel de Deus”. Os neoaliancistas dizem o mesmo de outra forma, defendendo que a aliança com Israel é apenas uma figura da nova aliança. Nesse caso, para ambas as escolas, a mulher em Apocalipse 12 é a Igreja.

Precisamos agora abrir um parêntese para introduzir mais duas escolas escatológicas que estudam o Milênio, a amilenarista e a pós-milenarista, já que estas são regidas pelo aliancismo. Os amilenaristas afirmam que não haverá um Milênio literal; Jesus já está reinando, espiritualmente, pois prendeu Satanás, simbolicamente. Os pós-milenaristas creem de modo semelhante: o Diabo foi esmagado, de modo pactual, e já estamos num “milênio”, que durará até a Segunda Vinda. Para essas duas escolas, Cristo conquistará o mundo progressivamente pela vitória do evangelho (BOCK, 2001).

Dispensacionalistas clássicos, além de identificarem, nas Escrituras, várias dispensações (períodos em que Deus trata com seu povo por meio de pactos específicos), dizem que o Senhor tem um plano para Israel e outro para a Igreja (1 Co 10.32; Rm 11), uma vez que a aliança com Israel é perpétua (Gn 17.7,13). Não há motivo para forçar Apocalipse 12 a dizer que a mulher é a Igreja. Afinal, ela dá à luz ao Menino, Cristo, que afirmou: “estabelecerei a minha igreja” (Mt 16.18). Ora, se a Igreja foi fundada por Jesus, Ele não “saiu” dela, e sim o inverso. Nesse caso, a mulher só pode ser Israel.

O pré-milenarismo (outra escola que estuda o Milênio) se baseia nos pressupostos do dispensacionalismo clássico para defender a ideia de que Jesus virá antes dos “mil anos” — que serão literais (Ap 20.1-7) — para cumprir a promessa de restaurar o reino a Israel (Mt 24.3; At 1.7). Já os dispensacionalistas progressivos, por outro lado, não fazem distinção entre Israel e Igreja e desgastam as características do próprio dispensacionalismo, a fim de dialogarem com o aliancismo. Ao fim e ao cabo, é uma espécie de semidispensacionalismo ou semialiancismo (LAHAYE; HINDSON, p. 139-153).

Arrebatamento secreto da Igreja

A doutrina do Arrebatamento secreto e pré-tribulacional, defendida pelos dispensacionalistas clássicos, tem sofrido muita oposição por parte dos proponentes de outras escolas citadas. Alega-se, por exemplo, que o termo “arrebatamento” sequer aparece na Bíblia. Mas essa contestação é frágil, já que o mencionado vocábulo deriva da frase “seremos arrebatados” (1 Ts 4.17). Aqui, o verbo “arrebatar” (gr. harpazō) tem o sentido de “raptar” (cf. Mt 13.19; Jo 6.15; 10.12,28,29), à semelhança do que aconteceu ao diácono-evangelista Filipe (At 8.39,40).

Críticos do pré-tribulacionismo dizem, também, que a ideia do Arrebatamento secreto é um contrassenso, pois “todo olho o verá” (Ap 1.7). No entanto, a quem o Senhor Jesus dirigiu as palavras contidas em João 14.3? A todo o mundo ou à Igreja? À Igreja, que começou com os doze apóstolos, à qual prometeu: “virei outra vez e vos levarei para mim mesmo, para que, onde eu estiver, estejais vós também”. Aqui, o verbo “levar” (gr. paralambanō) também denota “raptar” (cf. Mt 2.13,14; Mc 9.2; Mt 24.40,41).

O rapto dos salvos vivos é análogo à ressurreição dos mortos em Cristo, visto que esses dois grupos subirão juntos ao encontro do Senhor, nos ares (1 Co 15.51,52; 1 Ts 4.16,17). À luz de Lucas 20.35 e Filipenses 3.11, a ressurreição dos salvos, chamada, literalmente, de ressurreição “dentre todos os mortos” (gr. ek ton nekron), será secreta e seletiva. Por que a transformação e o arrebatamento dos salvos vivos seriam públicos? Portanto, assim como os mortos em Cristo ressuscitarão dentre todos os mortos, os salvos vivos também serão arrebatados dentre todos os vivos.

Quando examinamos Hebreus 9.28, nossa convicção de que a transformação, num abrir e fechar de olhos, e o rapto dos salvos ocorrerão de modo secreto se torna mais firme. O autor de Hebreus diz que Cristo “aparecerá segunda vez aos que o aguardam para a salvação”. O verbo “aparecer” (gr. horaō), aqui, denota “ser visto”. Nesse caso, por quem Jesus será visto, no Arrebatamento? Pelo mundo todo? Não! Somente pelos que “o aguardam para a salvação”, o que se coaduna com João 14.3.

Examinemos o uso do mesmo verbo em 1 Coríntios 15.5-8. Paulo afirma que o Cristo ressurreto, antes de sua ascensão, “foi visto” (gr. horaō) por todos os apóstolos, Tiago, irmão do Senhor, e mais de quinhentos irmãos. Todas essas reuniões com o Senhor ocorreram de modo secreto. Aliás, reuniões secretas de Jesus com os salvos não é nenhuma novidade (cf. At 1.3; Jo 12.28,29; At 22.9). Assim, por ocasião do Arrebatamento, somente os salvos o verão!

Outro texto significativo, nesse sentido, é Atos 1.9-11, no qual se menciona que Jesus há de descer do céu assim como subiu. Na sua ascensão, somente os seus discípulos o viram subindo até as nuvens. Por que, no Arrebatamento, todo o mundo haveria de vê-lo? Portanto, somente os salvos verão o Senhor descendo até as nuvens, pois Ele “há de vir assim como para o céu o vistes ir” (v. 11; cf. ZIBORDI, 2012).

Arrebatamento pré-tribulacional da Igreja

Pré-tribulacionistas creem que a Segunda Vinda terá duas etapas. Por isso, não se incomodam com a ênfase de que “todo o olho o verá” (Ap 1.7). Na primeira etapa, o Arrebatamento, os salvos irão ao encontro do Senhor nos ares, antes da Grande Tribulação (1 Ts 4.16,17; 5.3-8). Na segunda, no fim desse período de sete anos, Ele se manifestará diante de todos, para destruir o império do Anticristo, o que é corroborado pela linha do tempo de Apocalipse 19-22, trecho desse livro que está, rigorosamente, em ordem cronológica.

João avista a Igreja glorificada no Céu, nas Bodas do Cordeiro, durante a Grande Tribulação (Ap 19.1-10). Logo depois, vê Cristo descendo do céu com a Igreja (vv. 11-16). Em seguida, mencionam-se: a batalha do Armagedom (vv.17-19); a vitória de Cristo sobre o Anticristo e o Falso Profeta (vv. 20,21); a prisão de Satanás (20.1-3); a ressurreição dos mártires da Grande Tribulação e o Milênio (vv. 4-6); a liberação do Diabo, após os mil anos, e sua condenação (vv. 7-10); o Juízo Final (vv. 11-15); e a eternidade (caps. 21-22).

Para os amilenaristas, a discussão sobre a possibilidade de a Igreja passar pela Grande Tribulação é inócua, pois eles sequer acreditam que esse período ocorrerá. Preteristas, hermeneuticamente falando, dizem que esse grande evento — para os pré-milenaristas, que são futuristas — já aconteceu por ocasião da destruição de Jerusalém, em 70 d.C., e que o Anticristo foi o imperador Nero (37-68 d.C.).

Essa tese não se sustenta, visto que a maioria dos historiadores afirma que Apocalipse foi escrito no fim do século I, entre 90 e 95 d.C., nos últimos dias de Domiciano (51-96 d.C.). Por que Jesus, cerca de vinte anos depois da destruição de Jerusalém, diria a João: “Escreve as coisas que [...] depois destas hão de acontecer” (Ap 1.19)? Ademais, ao discorrer sobre a Grande Tribulação, Ele disse que esta será um evento sem precedentes e incomparável (Mt 24.21).

Pós-tribulacionistas afirmam que o Arrebatamento e a Manifestação do Senhor são o mesmo evento. Acreditam, portanto, que a Igreja continuará passando por tribulações, cada vez mais intensas, até a Segunda Vinda. Já para os mesotribulacionistas, Cristo livrará a Igreja em meio à Grande Tribulação, permitindo, inclusive, que ela sofra os vis ataques do Anticristo constantes de Apocalipse 13.

Essas duas escolas acusam o pré-tribulacionismo de se apegar exageradamente à simbologia profética, ao afirmar que a Igreja não passará pela Grande Tribulação. No entanto, além das conhecidas analogias (arrebatamento de Enoque, livramento da família de Noé etc.) pelas quais alguns pregadores defendem a ideia de que a Igreja escapará dos juízos tribulacionais (Lc 21.36, ARA), há passagens que confirmam tal livramento de modo eloquente.

Apocalipse 4 talvez seja o capítulo bíblico mais emblemático quanto ao rapto pré-tribulacional da Igreja, no qual o Senhor revela a João, de modo profético, através de símbolos, o futuro glorioso da Igreja. Esse apóstolo vê “uma porta aberta no céu” e 24 anciãos ao redor do trono de Deus (vv. 1-4), os quais não são anjos, pois, em nenhum lugar do Novo Testamento, seres angelicais são chamados de “anciãos” (gr. presbyteros).

Esses “presbíteros” estão assentados em tronos, o que é curioso, pois Jesus tinha acabado de prometer isso à Igreja (Ap 3.21; cf. Mt 19.28). Eles usam vestes brancas e coroas de ouro, o que o Senhor também acabara de prometer aos salvos (Ap 2.10; 3.4,5,11). Têm harpas e salvas de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos (5.8). E cantam um novo cântico, que dá ênfase à morte expiatória do Senhor (v. 9). Ora, se não são uma categoria angelical, como querubins e serafins, só podem ser um novo grupo no céu!

Quanto ao número 24, no próprio livro de Apocalipse explica-se, indiretamente, que alude às 12 tribos de Israel e aos 12 apóstolos do Cordeiro (cf. 21.12-14). Estas e todas as outras características citadas não deixam dúvida de que esses anciãos representam a Igreja, formada pelos salvos de todas as épocas. E, nesse caso, não resta mais nenhuma dúvida de que ela estará no céu antes da abertura dos sete selos, que aludem aos primeiros juízos, logo no início da Grande Tribulação (cf. caps. 4-6).

Se voltarmos ao capítulo anterior de Apocalipse, veremos o Senhor prometendo guardar a igreja de Filadélfia “da hora da tentação que há de vir sobre todo o mundo” (3.10). Aqui, o sentido é de “guardar da”, e não “guardar através da” (HORTON, 1995, p. 62). Jesus não prometeu àqueles crentes — e a nós, por extensão (cf. vv. 13,22) — que não morreriam, e sim que seriam guardados de algo que virá “sobre todo o mundo”, que só pode ser a Grande Tribulação, da qual todos os arrebatados serão guardados.

Apocalipse 4 se conecta perfeitamente ao capítulo 19 do mesmo livro, passagem que também não deixa dúvida quanto ao fato de que a Igreja estará nas Bodas Cordeiro durante a Grande Tribulação. João vê os salvos, que formam os exércitos do Senhor, vindo à terra com Ele (19.1-14). Aqui, a Nova Jerusalém é chamada de Noiva (vv. 9,10), o que é uma metonímia em referência aos moradores dessa gloriosa Cidade, “inscritos no livro da vida do Cordeiro” (v. 27; 22.3-5).

Escritos de Paulo mostram que ele era pré-tribulacionista (risos). Consideremos as suas afirmações em 1 Tessalonicenses 5.3-9, logo após mencionar o Arrebatamento: “sobrevirá repentina destruição” aos filhos das trevas, que “de modo nenhum escaparão”; quanto aos salvos, como filhos da luz, não serão surpreendidos por “aquele Dia”, que virá “como um ladrão”, pois “Deus não nos destinou para a ira” (cf. 1.10).

Pré-tribulacionistas interpretam a segunda carta de Paulo aos crentes de Tessalônica à luz da primeira e de tudo o que o Senhor Jesus ensinou, em Apocalipse e no seu sermão profético (Mt 24-25). Por isso, não supervalorizam a tese, baseada em 2 Tessalonicenses 2.3 (fora de contexto), de que não haverá Arrebatamento pré-tribulacional e secreto, visto que a volta de Jesus só acontecerá após a manifestação do Anticristo.

Em 2 Tessalonicenses 2, evidentemente, Paulo dá sequência ao assunto apresentado na primeira carta e alude à Manifestação do Senhor após a chegada do “homem do pecado”. Ao citar a “apostasia”, ele faz uma conexão com a “operação do erro” (v. 11), que já é uma realidade nos dias de hoje (cf. 1Jo 4.3), mesmo antes da manifestação pessoal e visível do Anticristo, o que se constitui, nesse caso, um sinal dos “últimos dias”, inclusive do Arrebatamento (cf. 1Tm 4.1-5).

Aliás, em 2 Tessalonicenses 2.6-8, Paulo assevera que “o iníquo” só se manifestará em pessoa depois que for tirado “o que o detém”. Este, segundo alguns dispensacionalistas, é o Paráclito, que sairá da terra junto com a Igreja. Mas essa tese não parece muito lógica, já que desconsidera a onipresença e a imensidade do Espírito Santo. O mais coerente seria afirmar que esse que impede a manifestação do Anticristo é o próprio povo de Deus, que será arrebatado antes da “ira futura” (1 Ts 1.10).

Maranata!

Ciro Sanches Zibordi

Referências
BOCK, Darrell L. O Milênio: 3 pontos de vista. São Paulo: Editora Vida, 2001.
GILBERTO, Antonio. O Calendário da Profecia. Rio de Janeiro: CPAD, 1989.
HORTON, Stanley M. A Vitória Final: uma investigação exegética do Apocalipse. CPAD, 1995, Rio de Janeiro-RJ.
JONES, Timothy Paul. Guia Profético para o Fim dos Tempos. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.
LAHAYE, Tim; HINDSON, Ed. Enciclopédia Popular de Profecia Bíblica. Rio de Janeiro: CPAD, 2008.
ZIBORDI, Ciro Sanches. Erros Escatológicos que os Pregadores Devem Evitar. Rio de Janeiro: CPAD, 2012.
___________________. Escatologia: a doutrina das últimas coisas. IN: GILBERTO. Antonio et al. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2008.

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Pedro: o Primeiro Pregador Pentecostal

Sumário de PEDRO: O PRIMEIRO PREGADOR PENTECOSTAL (240 páginas), novo livro de minha modesta autoria, #CPAD, terceiro da série #PregadoresDaBiblia:
Dedicatória
Agradecimentos
Prefácio
Introdução — Origem do Movimento Pentecostal
Capítulo 1 — Provado pela Água
Capítulo 2 — Pregador, Apóstolo... Papa Não!
Capítulo 3 — Treinamento de Pedro
Capítulo 4 — Assentado para Ver o Fim
Capítulo 5 — Em Pé para um Novo Começo
Capítulo 6 — Primeiro Pregador Pentecostal
Capítulo 7 — Linha de Chegada
Referências e Notas

Clique aqui para informar-se melhor:

Pedro: O primeiro pregador pentecostal