Anúncio

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Anjos podem possuir mulheres?


A expressão hebraica benê’elõhîm, que aparece em Gênesis 6.1-4, tem sido interpretada, muitas vezes, como uma menção a anjos, os quais teriam possuído mulheres, que teriam dado à luz gigantes. Entretanto, para defendermos essa posição — que agrada muito a roteiristas de filmes —, teríamos de ignorar o contexto imediato e outras passagens em que a mencionada expressão alude a seres de natureza completamente diferente da angelical.

Tem sido contestada — por alguns eruditos, mas principalmente pelos proponentes da seita Testemunhas de Jeová — a posição de que os filhos de Deus em Gênesis 6 seriam pessoas pertencentes à linhagem piedosa de Sete, filho de Adão. Para eles, a menção a homens tementes a Deus, em Gênesis 5, não indica, necessariamente, que os filhos de Deus do capítulo seguinte são piedosos servos do Senhor. Nesse caso, seria mais plausível acreditar que a passagem em apreço alude a seres angelicais que teriam se relacionado sexualmente com mulheres?

Quero reafirmar — uma vez que já escrevi sobre o assunto, inclusive em meus livros —, neste texto, que, após estudar detidamente Gênesis 6 por alguns anos, consultando os eruditos, continuo não vendo nenhuma plausibilidade na posição de que os filhos de Deus ali são anjos. Creio que eles são, sim, os servos do Senhor, pertencentes a um linhagem piedosa, por alguns motivos.

Primeiro: se os mencionados seres fossem mesmo anjos — e nesse caso anjos caídos, posto que os mensageiros do Senhor jamais cometeriam o pecado descrito em Gênesis 6.2 (cf. Sl 103.20), o de possuir mulheres —, seriam eles chamados de “filhos de Deus”, sem nenhuma observação ao fato de que eram seres angelicais que haviam se rebelado contra Deus?

Segundo: se não há indicação no contexto imediato — mas há! — de que os filhos de Deus não eram os descendentes de Sete, como dizem alguns teólogos, que indicação haveria nele de que os filhos de Deus, ali, eram seres angelicais?

Terceiro: alguns teólogos se apegam à suposição de que gigantes teriam surgido em decorrência do fato descrito em Gênesis 6.2. Mas observe que antes de os “filhos de Deus” tomarem para si mulheres dentre os “filhos dos homens” já havia gigantes na terra: “Havia, naqueles dias, gigantes na terra; e também depois, quando os filhos de Deus entraram às filhas dos homens e delas geraram filhos” (v. 4).

Quarto: em Mateus 22.30, vemos que no Céu os salvos serão como anjos, que nem se casam nem se dão em casamento. Entretanto, nos dias de Noé, era exatamente isso que acontecia (24.38)! As palavras de Jesus, por conseguinte, confirmariam o fato de que ocorreram diversos casamentos mistos entre os “filhos de Deus” (justos) e as “filhas dos homens” (ímpias). A terra se encheu, pois, de maldade por causa dessa mistura, e Deus então a destruiu por meio do dilúvio.

Quinto: os anjos são “espíritos ministradores” (Hb 1.14) e, conquanto possam aparecer sob a forma corpórea e interagir até certo ponto com os seres humanos (cf. Gn 12-19), não têm corpos físicos para manterem relações sexuais com mulheres. À luz das palavras de Jesus em Mateus 22.30, podemos afirmar que os anjos, repito, interagem com os seres humanos até certo ponto, mas não podem possuí-los sexualmente, já que o Senhor Jesus ensinou que eles não se casam, isto é, não podem se relacionar sexualmente com mulheres, muito menos depositar nelas a sua semente.

Sexto: Deus fez tudo com perfeição. Dois animais, macho e fêmea, de espécies completamente diferentes, por exemplo, não conseguem se relacionar a fim de gerar uma nova vida. O homem, por sua vez, pode até possuir sexualmente um animal, uma fêmea, mas não consegue efetivamente depositar nela a sua semente. O que dizer de uma relação entre anjos e humanos, cujas naturezas são completamente distintas?

Sétimo: alguns citam o caso de Jesus, gerado no ventre de Maria, já que a semente divina foi depositada em uma mulher. Entretanto, a encarnação de Jesus, o Deus-Homem, que é um mistério (1 Tm 3.16), foi excepcional, visto que Ele foi gerado por obra e graça do Espírito Santo. Não se tratou de algo que pode ser repetido. O próprio Anticristo não será gerado pelo próprio Satanás no ventre de alguma mulher, como alguns pensam. O preposto do Diabo será um homem qualquer, que nascerá como qualquer outro, assim como hoje muitos não nascem anticristos, mas “se têm feito anticristos” (1 Jo 2.18).

Oitavo: em Jó 1.6; 2.1, sem dúvida, filhos de Deus são anjos. Mas afirmar que todas as vezes em que se menciona esta expressão no Antigo Testamento é uma alusão a anjos não reflete boa exegese. Esse termo aparece em muitas outras passagens, referindo-se a anjos e a homens (Dt 14.1; 32.5; Sl 73.15; Os 1.10 etc.). No Novo Testamento, os que nascem de novo também são chamados de filhos de Deus (Jo 1.11,12; Gl 4.4,5). Como não se trata de uma designação exclusiva dos anjos, precisamos examinar com cuidado o contexto imediato e a analogia geral da Bíblia.

Diante do exposto, reafirmo que Gênesis 6.1-4 nos apresenta a primeira ocorrência de casamento misto entre crentes e incrédulos. Os filhos de Deus, isto é, os descendentes de Sete, jovens tementes ao Senhor, em vez de permanecerem fiéis e leais à sua herança espiritual, cederam à tentação e se uniram a belas jovens ímpias, seguidoras da tradição e do exemplo de Caim. E o resultado disso foi a depravação da natureza humana, no tocante às gerações mais jovens, até que os antediluvianos se afundaram nas profundezas da iniquidade (v. 5). Fica aqui o alerta para todos os filhos de Deus: o Senhor não aprova a mistura. “Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis” (2 Co 6.14).

Ciro Sanches Zibordi

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Você propaga "fake news" na Internet?


Há alguns anos, vários cristãos (cristãos?), por meio de blogs, sites e seus perfis em redes sociais, propagaram a notícia de que certo líder evangélico teria dito, em uma reunião: "Se não tiver espaço pra mim, eu racho a igreja no meio". Em razão de eu conhecer muito bem tal líder, surpreendi-me com essa suposta afirmação e resolvi averiguar com diligência os fatos.

Muitos divulgaram a frase mencionada com grande destaque. E vários internautas — evangélicos e não-evangélicos —, no espaço de comentários, não economizaram nos adjetivos e impropérios contra o autor da suposta frase. Entretanto, verifiquei que todos os textos sobre o assunto diziam que "a frase teria sido dita pelo próprio líder, segundo sites e blogs de pastores da Convenção".

Observe: "teria sido dita". Mas onde está a prova de que a frase fora, de fato, pronunciada? Veja o poder de propagação dos boatos pela grande rede! Alguns disseram que "fulano teria dito", e outros propagaram que "beltranos teriam dito que fulano teria dito". Em seguida, outros afirmaram que "sicranos teriam dito que beltranos teriam dito que fulano teria dito". Por fim, cheguei à conclusão de que tudo não passava de "fake news" (notícia falsa).

É impressionante como pessoas que se dizem cristãs têm a capacidade de propagar suposições e invencionices etc. como se fossem verdades absolutas! E, com isso, caluniam e difamam! Quando Jesus disse: "Não julgueis para que não sejais julgados" (Mt 7.1), referiu-se a este tipo de julgamento, calunioso ou difamatório, já que Ele mesmo afirmara que devemos julgar segundo a reta justiça (Jo 7.24).

Segue-se que devemos julgar todas as coisas com honestidade, retidão, justiça etc. Em contraposição, o julgar constante da primeira citação bíblica equivale a caluniar, difamar, julgar de maneira apressada, sem fundamento, propagar suposições como se fossem notícias verdadeiras.

Reflitamos, pois, sobre o nosso papel como cristãos formadores de opinião. E lembremos do que está escrito nas Escrituras, em Romanos 14.10 e 2 Coríntios 5.10, respectivamente: "Mas tu, por que julgas teu irmão? Ou tu, também, por que desprezas teu irmão? Pois todos havemos de comparecer ante o tribunal de Cristo"; "Porque todos devemos comparecer ante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o que tiver feito por meio do corpo, ou bem, ou mal".

Ciro Sanches Zibordi

domingo, 12 de fevereiro de 2017

O que é um culto com animação de plateia [e algumas heresias]?


Era um culto de domingo, em uma grande e tradicional igreja evangélica. O templo estava lotado, e tudo transcorria normalmente, após a oração de abertura, que terminou com o primeiro “amém” da noite.

Havia muitas pessoas não crentes para ouvir a exposição da Palavra de Deus. No púlpito, os obreiros folheavam a Bíblia, esperando ter uma oportunidade para falar. E isso poderia acontecer, uma vez que o pastor pregara no domingo anterior e não costumava avisar com antecedência o pregador do próximo culto.

Após o momento de cânticos, com todos os conjuntos musicais, e a leitura da Bíblia Sagrada, o pastor anunciou:
— Vamos fazer uma oração e, em seguida, ouviremos uma saudação pelo pastor José dos Clichês, que hoje deixou a sua congregação, e gostaríamos de ouvi-lo transmitir uma rápida palavra.

O dirigente do culto começou a orar, e José, assentado na galeria por ter chegado tarde à reunião, lembrou-se de uma pregação que ouvira sobre o texto de 1 Pedro 3.15, cujo tema foi: “Estai sempre preparados”.

Terminada a oração com mais um “amém”, José se levantou calmamente e dirigiu-se ao púlpito, sem saber o que falaria, pois, mesmo sendo um ministro, não tinha nenhuma mensagem preparada... A fim de ganhar tempo, fez questão de cumprimentar os vinte obreiros que ali estavam, um por um. Ajustou, então, lentamente, o pedestal do microfone e começou a falar:
— Saldo os irmãos com a paz do Senhor e os amigos com uma boa noite de salvação! Amém?

Como poucos irmãos responderam, ele reclamou:
— Parece que esse “amém” foi para mim. Saldo os irmãos com a paz do Senhor! Amééém?
— Amééééééééém! — o público respondeu.
— É motivo de grande alegria estar aqui neste lugar, pois anjos, arcanjos, querubins e serafins estão aqui, nesta noite. Amém, irmãos?

Ao som de um desconfiado “amém”, José continuou:
— O povo de Deus é um povo alegre! Olhe para o seu irmão e diga: “Eu profetizo unção de alegria sobre a sua vida!” — isso fez com que todos se movimentassem, se cumprimentassem e conversassem em voz alta durante alguns minutos.

Depois desse momento de — digamos — “descontração”, José continuou:
— Desejo, antes de proferir a poderosa e magnânima mensagem que já está em meu coração, cantar um hino para Jesus. Minha voz não está boa, mas vou cantar para Jesus!

Pedindo aos músicos uma nota, começou a cantar de forma desafinada a canção Jesus Tomou as Chaves do Diabo. Alguns irmãos sorriam, outros olhavam para o relógio, e a maioria cochichava:
— Que desafinado — todos, na verdade, sabiam que ele, por não conhecer música, pedira um tom muito alto. Pior que isso: estava cantando fora do tom pedido. Mesmo assim, não se intimidou e cantou o “hino” duas vezes!

Os obreiros do púlpito permaneciam de cabeça baixa, olhando para a Bíblia, enquanto o pastor da igreja — que parecia antever o que aconteceria — pronunciava em tom baixo um pejorativo “amém”. Quando ele pensava que nada pior poderia acontecer...
— Irmãos — disse José dos Clichês. — Esse hino é maravilhoso e me faz lembrar do tempo em que eu era um pecador, e a poderosa mão de Deus me alcançou... E quantas pessoas estão sofrendo, no pecado... Glória a Deus! Aleluia! Como disse o apóstolo Pedro, em Hebreus: “Horrenda coisa é cair na mão do Deus vivo”.

Não percebendo que havia aplicado o versículo de modo contraditório e citado a fonte erroneamente, ainda acrescentou:
— E essa mão vai tocá-lo nesta noite! Se você crê, levante a mão direita e comece a liberar a sua fé! Você é vencedor! Declare isso!

Apesar de gritar e pular, a ponto de suar e quase perder a voz, percebeu que não houve o “retorno” que esperava. O povo não estava tão impressionado com as suas palavras e atitudes. Assim, resolveu fazer uma oração:
— Fiquemos em pé! Vamos fazer uma oração de conquista! Vamos tomar tudo o que o Diabo nos roubou! Comece a liberar a sua fé! Determine agora a sua vitória! Exija que o Diabo deixe a sua vida!

Quando a estranha oração já durava vários minutos, e alguns irmãos já estavam sentados, ele concluiu:
— Em o nome de Jesus, eu determino que haja vitória para o seu povo e profetizo que todos recebam a bênção agoooooooooora! Diabo, eu exijo: Pegue tudo o que é seu e saia, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.

A essa altura, todos pensavam que ele terminaria a sua “rápida” saudação. Mas, folheando a Bíblia de um lado para o outro, prosseguiu:
— Bem, irmãos, para não ficar somente em minhas palavras, quero deixar um versículo para a meditação de todos. Desejo ler uma passagem conhecida, pois o salmista disse que a Palavra de Deus se renova a cada manhã...

Após alguns segundos de procura, voltou-se para os obreiros do púlpito e perguntou:
— Irmãos, quero deixar para a igreja aquele versículo que diz: “Quem não vem pelo amor, vem pela dor”. Onde está mesmo? Acredito que esteja em Eclesiástico...
— Irmão José, é Eclesiastes — manifestou-se um dos obreiros, em tom baixo.

Nesse instante, enquanto alguns irmãos riam de cabeça baixa, José continuava a procurar o versículo... Ele já havia consultado a concordância resumida que havia em sua Bíblia, mas... Faltavam apenas vinte minutos para o término do culto, e o horário da pregação já estava atrasado em quase meia hora. Para complicar mais a situação, o pastor havia convidado Antonio das Revelações, um famoso pregador da Igreja do Evangelho Antropocêntrico, que chegara poucos minutos depois do início da “saudação”.

Antes que o pastor, um homem muito paciente, puxasse o paletó do irmão José, ele tomou uma atitude: fechou a Bíblia de forma brusca e, um tanto trêmulo, abriu-a de novo, lentamente, mantendo os olhos fechados e um dedo sobre uma passagem.
— Irmãos, eu resolvi tirar uma palavra, e caiu aqui em Salmos 32.9. E o Senhor vai falar com você agora, pois o nome de Deus é Já! Quem achou, diga “amém”. Quem não achou, diga “misericórdia”.

Ao ouvir um fraco “amém”, ele firmemente procedeu a leitura:
— “Não sejais como o cavalo, nem como a mula, que não têm entendimento, cuja boca precisa de cabresto e freio, para que se não atirem a ti”.

Lido o texto, o dirigente do culto, que mantinha um olho na Bíblia e outro no relógio da parede, não suportando a sucessão de atitudes inconvenientes, disse em alto e bom tom:
— Amém, pastor José. Agora é a hora da Palavra! Vamos ouvir a pregação!

José olhou para o pastor e, entendendo que dissera aquelas palavras em sinal de aprovação, para que ele continuasse falando e iniciasse, de fato, a pregação, respondeu, com ar de soberba:
— Esse versículo é muito profundo, e eu poderia ficar aqui falando muito tempo. Só não vou fazer isso porque o pastor me deu a oportunidade para apenas uma saudação. E eu quero ser fiel ao meu pastor. No entanto, gostaria de fazer só mais uma coisa. Olhem para mim!

Nesse instante, houve um momento de expectativa...
— Lemos um versículo que mostra o poder das palavras. Olhe para o seu irmão e diga: “Aprenda a usar o poder de suas palavras, pois com elas você pode produzir bênção e maldição”.

Boa parte do povo estava um tanto impaciente, haja vista a expectativa de ouvir o pregador convidado, e acabou não seguindo as ordens de José.
— Parece que os irmãos estão um tanto desanimados. Repreenda esse espírito de desânimo, irmão! Amém?

Sem ouvir sequer um irmão dizendo “amém”, José preferiu não insistir e, finalmente, concluiu:
— Eu agradeço a oportunidade, e que o Espírito Santo fale melhor em cada coração.

Como faltavam poucos minutos para terminar o culto, e o grupo de coreografia ainda pediria para se apresentar antes da mensagem — mais quinze minutos! —, a saudação, propriamente dita, ficaria a cargo do pregador convidado...

No entanto, este ainda falaria por mais cinquenta minutos, pedindo que o povo respondesse a mais alguns “améns”. Antes de pregar sobre os seus assuntos preferidos, a prosperidade, os direitos do crente e os demônios, pediu a todos que olhassem para o irmão ao lado e dissessem:
— Eu te abençoo agora! E profetizo prosperidade sobre a tua vida!

O público acabou se animando um pouco com essa sessão de “profecias”, mas cansou-se logo, pois, a cada frase de efeito que o pregador empregava, dizia:
— Diga isso para o seu irmão...

De fato, ele parecia ser um homem de fé, pois relatou inúmeros encontros que teve com Jesus e os apóstolos, no céu, e com o Diabo, no inferno. Ele aproveitou para oferecer o livro As Revelações do Céu e do Inferno que Paulo Não Teve Coragem de Escrever, lançado pela editora Fé na Fé.
— Irmãos, eu recebi este livro quando visitei o céu pela primeira vez e conversei com o apóstolo Paulo. Ele me disse que não teve coragem de escrever em suas epístolas tudo o que viu, mas que me autorizava a divulgar essa mensagem para a Igreja dos últimos dias. Neste livro, estão revelados muitos mistérios que não se encontram na Bíblia.

Após a longa e polêmica pregação, o pastor — cheio de dúvidas quanto a tudo o que ouviu — impetrou a bênção apostólica e encerrou a reunião com o último “amém”!

Há um versículo que parece definir bem o que foram as pregações do José dos Clichês e Antônio das Revelações: “O princípio das palavras de sua boca é a estultícia, e o fim da sua boca um desvario péssimo” (Ec 10.13).

Ciro Sanches Zibordi
Este texto ficcional foi publicado sob o título O último amém no livro (bestseller): Erros que os Pregadores Devem Evitar (CPAD, 2005)

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Novedad: El futuro glorioso de la Iglesia


¡Ha llegado la nueva edición de 'Estudios Bíblicos' del SETEIN: Seminario Teológico Internacional!

Tema: El futuro glorioso de la Iglesia.

Comentarista: Ciro Sanches Zibordi

¡Pídela ahora mismo!
WhatsApp: +55 43 999608886
Correo electrónico: setein@setein.com.br

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

O que significa "tocar nos ungidos"?


Maus obreiros, falsos profetas, celebridades gospel e até políticos “evangélicos” têm empregado a frase bíblica “Não toqueis nos meus ungidos” (Sl 105.15) para ameaçar seus críticos. E crentes mal-orientados também a aplicam para reforçar a ideia de que não cabe aos servos de Deus julgar ou criticar heresias e práticas antibíblicas.

Quando examinamos os contextos literário e histórico-cultural da frase acima, vemos o quanto ela tem sido usada fora de contexto. Uma leitura atenta do Salmo 105 não nos deixa em dúvida de que os ungidos mencionados são os patriarcas Abraão, Isaque, Jacó (Israel) e José (vv. 9-17). Ademais, o título “ungido do Senhor” refere-se tipicamente, no Antigo Testamento, aos reis de Israel (1 Rs 12.3-5; 24.6-10; 26.9-23; Sl 20.6; Lm 4.20) e aos patriarcas, em geral (1 Cr 16.15-22).

Embora a frase em apreço não encerre um princípio geral, podemos, por analogia, é claro, afirmar que Deus, na atualidade, protege os seus ungidos assim como cuidou dos seus servos do passado. Mesmo assim, não devemos presumir que todas as pessoas que se dizem ungidas de fato o sejam. Lembremo-nos do que o Senhor Jesus disse em Mateus 7.21: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! Entrará no Reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus”.

A Bíblia, evidentemente, apoia o pensamento de que o Senhor cuida dos seus servos e os protege (1 Pe 5.7; Sl 34.7). Mas isso se aplica aos que verdadeiramente são ungidos, e não aos que parecem, pensam ou dizem ter a unção de Deus (Mt 23.25-28; Ap 3.1; 2.20-22). “O Senhor conhece os que são seus, e qualquer que profere o nome de Cristo aparte-se da iniquidade” (2 Tm 2.19).

Quando Paulo andou na terra, havia muitos “ungidos” ou que aparentavam ter a unção de Deus (2 Co 11.1-15; Tt 1.1-16). O imitador de Cristo nunca se impressionou com a aparência deles (Cl 2.18,23), mas afirmou: “E, quanto àqueles que pareciam ser alguma coisa (quais tenham sido noutro tempo, não se me dá; Deus não aceita a aparência do homem), esses, digo, que pareciam ser alguma coisa, nada me comunicaram” (Gl 2.6). Aparência, popularidade, eloquência, títulos, status, anos de ministério, quantidade de votos obtidos... Nada disso denota que alguém esteja sob a unção de Deus e imune à contestação à luz da Palavra de Deus.

Muitos enganadores, ao serem questionados quanto às suas pregações e práticas antibíblicas, têm citado, além da frase em análise, o episódio em que Davi não quis tocar no desviado rei Saul, que fora ungido pelo Senhor (1 Sm 24.1-6). No entanto, a atitude de Davi não denota que ele tenha aprovado as más obras daquele monarca. Se alguém, à semelhança de Saul, foi um dia ungido por Deus, não cabe a nós matá-lo espiritualmente, condená-lo ao Inferno. Entretanto, isso não significa que devamos silenciar ou concordar com todos os seus desvios do Evangelho (Fp 1.16; Tt 1.10,11). O próprio Jônatas reconheceu que seu pai turbara a terra; e, por essa razão, descumpriu, acertadamente, as suas ordens (1 Sm 14.24-29).

O texto de Salmos 105.15, portanto, não proíbe o juízo de valor, o questionamento, o exame, a crítica, a análise bíblica de ensinamentos e práticas de líderes, pregadores, milagreiros, cantores, etc. Até porque o sentido de “toqueis” e “maltrateis” é exclusivamente quanto à inflição de dano físico. E é curioso como certos “ungidos”, ao mesmo tempo que citam o aludido bordão em sua defesa — quando as suas práticas e pregações são questionadas —, partem para o ataque, fazendo todo tipo de ameaças!

O showman, e não pregador, como muitos pensam, Benny Hinn, por exemplo, verberou: “Vocês estão me atacando no rádio todas as noites — vocês pagarão e suas crianças também. Ouçam isto dos lábios dum servo de Deus. Vocês estão em perigo. Arrependam-se! Ou o Deus Altíssimo moverá sua mão. Não toqueis nos meus ungidos” (citado em Cristianismo em Crise, CPAD, p.376). Quem são os verdadeiros ungidos, que, mesmo não se valendo da frase citada, têm de fato a proteção divina, até que cumpram a sua vontade? São os representantes de Deus que, tendo recebido a unção do Santo (1 Jo 2.20-27), preservam a pureza de caráter e a sã doutrina (Tt 1.7-9; 2.7,8; 2 Co 4.2; 1 Tm 6.3,4). Quem não passa no teste bíblico do caráter e da doutrina está, sim, sujeito a críticas e questionamentos (1 Tm 4.12,16).

Muitos líderes, pregadores, cantores e crentes em geral, infelizmente, considerando-se ungidos ou profetas, escondem-se atrás da frase “Não toqueis nos meus ungidos”, mentem e cometem todo tipo de pecado, além de torcerem a Palavra de Deus. Caso não se arrependam, serão réus naquele grande Dia! Os seus fabulosos currículos — “profetizamos”, “expulsamos”, “fizemos” — não os livrarão do juízo (Mt 7.21-23).

Portanto, que jamais aceitemos passivamente as heresias de perdição propagadas por pseudo-ungidos, que insistem em permanecer no erro (At 20.29; 2 Pe 2.1; 1 Tm 1.3,4; 4.16; 2 Tm 1.13,14; Tt 1.9; 2.1). Mas respeitemos os verdadeiros ungidos (Hb 13.17), que amam o Senhor e sua Santa Palavra, os quais são dádivas à sua Igreja (Ef 4.11-16). Quanto aos que, diante do exposto, preferirem continuar dizendo — presunçosamente e sem nenhuma reflexão — “Não toqueis nos meus ungidos”, dedico-lhes outro enunciado bíblico: “Não ultrapasseis o que está escrito” (1 Co 4.6, ARA). Caso queiram aplicar a si mesmos a primeira frase, que cumpram antes a segunda!

Ciro Sanches Zibordi

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Eu gosto de BBB!


Não entendo porque tantos crentes não gostam de BBB... Sinceramente, é triste ver pessoas que se consideram cristãs adotando uma posição tão contraditória e extremista! E, por isso, resolvi escrever este texto para dizer com todas as letras porque gosto de BBB!

Durmo pensando em BBB! Acordo com BBB na mente. BBB é tudo o que eu quero ver. Afinal, eu sou crente! BBB me alegra. BBB me fascina. BBB me encanta. BBB me ensina.

Com BBB, não vejo o tempo passar. É melhor do que estar com os amigos. BBB me ensina a amar. Afasta-me até perigos! BBB também é bom para você. Sabia que pode mudar a sua história? Mas cuidado com certo programa de TV. Não perca a sua vitória!

Domingo é um dia especial. Por que não faz a sua parte, irmão? Tem BBB na Escola Dominical. Seu esforço não será em vão. Portanto, não seja bobo! Deus quer abençoar a sua vida! Esqueça, pois, o BBB da Globo! E pense em Bíblia, Bíblia, Bíblia!

Ciro Sanches Zibordi

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

O "cair no Espírito" faz parte do culto pentecostal?


Muitos neopentecostais ou pentecostais mal-orientados têm atrelado erroneamente o “cair no Espírito” às verdades pentecostais. Além de citarem episódios da história do pentecostalismo, apegam-se a algumas passagens da Bíblia tidas como irrefutáveis. Posteriormente, pretendo fazer uma explicação sobre o “cair no Espírito” ao longo da história do Movimento Pentecostal. Neste texto, para não me estender muito, me aterei apenas aos principais textos bíblicos que supostamente embasariam o “cair no Espírito”.

Atos 2.1-16. O que ocorreu no dia de Pentecostes tem sido usado por aqueles que defendem o “cair no Espírito” como parte do culto genuinamente pentecostal. Eles afirmam que o “mover de Deus” ali foi tão grande, espantoso e sem limites, a ponto de uma parte da multidão reunida em Jerusalém ter pensado que os cristãos estavam embriagados (vv. 13,16).

De fato, os primeiros cristãos batizados com o Espírito Santo foram tidos como embriagados, mas o texto bíblico mostra que a zombaria dos judeus religiosos de todas as nações não se deu em razão de eles terem visto pessoas caídas ao chão ou tomadas por uma prolongada “unção do riso”. Na verdade, o servos de Deus pareceram estar embriagados porque, de modo sobrenatural, começaram a falar nas línguas de pessoas de diferentes nacionalidades que ali estavam (vv. 5-13).

1 Coríntios 1.25. Alguns defensores de manifestações não previstas em Marcos 16.15-18 citam 1 Coríntios 1.25 e argumentam: “Quem acha o cair no Espírito e a unção do riso estranhos não conhecem a unção da loucura de Deus. Ele pode fazer o que quiser. Não podemos colocar Deus numa caixinha”. Entretanto, estamos diante de um argumento que se autodestrói em cinco segundos!

O termo “loucura de Deus” não se refere à loucura proveniente de Deus. Trata-se de figuração de linguagem alusiva à superioridade da sabedoria do Senhor em relação à dos homens. Observe que o apóstolo Paulo também afirmou, no mesmo versículo, que “a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens” (1 Co 1.25). Ora, se existe a unção da loucura de Deus, por que não existiria também a unção da fraqueza de Deus?

Daniel 10.8-9 e Apocalipse 1.17. Os defensores do “cair no Espírito” gostam de dizer que Daniel e João caíram no poder de Deus. Examinemos com cuidado esses dois episódios. No primeiro caso, o profeta Daniel, sem forças para permanecer em pé, visto que havia jejuado por três semanas, caiu sobre o seu rosto, sendo imediatamente amparado por um enviado de Deus, que ordenou: “levanta-te sobre os teus pés” (Dn 10.11). Podemos comparar essa experiência com pessoas que caem para atrás após serem atingidas por um “paletó mágico”?

O caso de João é semelhante ao de Daniel (Ap 1.10-18). E fica claro que ele não foi derrubado por um sopro ou golpe de capa (naquela época não havia paletó). João também não deixou de usar o raciocínio. E ele, assim como Daniel, caiu prostrado sobre o seu rosto, diante da glória do Senhor. Com todo o respeito a quem pensa de modo diferente, não há como fazer um paralelo entre o cair aos pés do Senhor e o famigerado “cair no Espírito”.

João 14.12. Esta passagem tem sido muito citada na tentativa de avalizar o “cair no Espírito”, visto que o Senhor Jesus disse: “aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço e as fará maiores do que estas”. Entretanto, o termo “obras” (gr. ergon) não significa “novas unções” ou “manifestações exóticas”, e sim: “trabalho”, “ação”, “ato”.

Exegeticamente, “obras maiores” são as mesmas realizadas por Jesus, em maior quantidade e alcance, e não em qualidade. O Senhor não aludiu a novos “moveres”, e sim à pregação do Evangelho e à expansão do seu Reino na terra. No meu livro Mais Erros que os Pregadores Devem Evitar (CPAD, 2007) faço uma explicação bem detalhada de João 14.12 e outras passagens usadas de modo equivocado pelos defensores do “cair no Espírito” e a “unção do riso”.

1 Reis 8.10,11. Este, talvez, seja o texto mais citado pelos pregadores que ministram o “cair no Espírito”, os quais têm argumentado: “Ninguém suporta ficar de pé quando a unção do Espírito vem sobre nós”. Bem, vamos examinar com atenção o que aconteceu, começando com uma leitura atenta da passagem: “E sucedeu que, saindo os sacerdotes do santuário, uma nuvem encheu a Casa do SENHOR. E não podiam ter-se em pé os sacerdotes para ministrar, por causa da nuvem, porque a glória do SENHOR enchera a Casa do SENHOR”.

Como se percebe, essa passagem bíblica nada menciona a respeito do “cair no Espírito”. O que ela diz é que a nuvem da glória do SENHOR encheu a sua Casa e impediu os sacerdotes de ministrar. Quanto à frase “não podiam ter-se em pé”, a versão bíblica Almeida Revista e Atualizada (ARA) é ainda mais clara: “não puderam permanecer ali”; não tiveram como ministrar, por causa da nuvem que encheu a Casa.

Diante do exposto, o fogo é uma bênção, desde que esteja sob controle. A eletricidade, de igual modo, precisa ser controlada nas subestações. E um trem pode alcançar grande velocidade, mas sempre corre no trilho. Assim, o culto a Deus deve ser controlado pelo Espírito Santo, que age em perfeita harmonia com a Palavra do Senhor, para que tudo ocorra com decência e ordem (1 Co 14.20-40).

Em Atos dos Apóstolos não há nenhum abono ao “cair no Espírito”. Em 1 Coríntios 12.28, vemos que Deus hierarquiza dons e ministérios. E, ao fazer isso, Ele prioriza os três ministérios ligados à pregação e ao ensino da Palavra: “pôs Deus na igreja, primeiramente, apóstolos, em segundo lugar, profetas, em terceiro, doutores”. E o que tenho percebido em minhas pesquisas é que, nas igrejas em que ocorre o “cair no Espírito”, a exposição da Palavra do Senhor se torna secundária ou até desnecessária. E mais: à luz de Marcos 9.17-27 e Lucas 4.35, são os demônios quem lançam pessoas ao chão!

O Senhor Jesus jamais derrubou alguém mediante sopros, golpes de capa ou imposição de mãos. Em seu ministério terreno, Ele ensinava, pregava e curava os enfermos (Mt 4.23; At 10.38). Que tal seguirmos o conselho da Palavra de Deus em 1 João 2.6? “Aquele que diz que está nele também deve andar como ele andou”.

Ciro Sanches Zibordi

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Namoro: isto ainda existe?


Quando eu era jovem, tive a felicidade de ter sido instruído por meus pais e pastores acerca do namoro cristão. Aprendi que, para ser abençoado no casamento, é preciso começar certo, tendo um namoro de acordo com a vontade do Senhor (Rm 12.1,2), já que “aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre” (1 Jo 2.17).

Como meu namoro foi grandemente abençoado por Deus, sinto-me no dever de ajudar a outros, apesar de saber que o que vou dizer aqui parecerá ultrapassado, arcaico e rígido demais para o mundo pós-moderno, em que prevalecem o relativismo, o hedonismo, o egoísmo, o imediatismo e o narcisismo. Mas espero ajudar pelos menos os jovens cristãos realmente interessados em glorificar a Deus em tudo (1 Co 10.31).

Há três fases muito importantes num relacionamento afetivo: namoro, noivado e casamento. O namoro é a fase em que o futuro casal deve se conhecer e, por isso, precisa conversar, conversar, conversar... O noivado é o período de preparação para o casamento, isto é, a união do casal propriamente dita.

O que é o namoro?

Confunde-se, hoje em dia, namoro com flerte, aventura e relacionamento sem compromisso. O chamado “ficar” parece ter chegado para ficar, mesmo. E é comum ouvir jovens dizendo: “Eu só fiquei com ele naquele dia; não foi nada sério”. Entre as pessoas que não temem a Deus prevalece a ideia de que os namorados podem se relacionar intimamente, sem nenhuma restrição. E vemos psicólogos e a própria mídia incentivando isso.

O namoro — namoro, mesmo! — é uma fase de conhecimento recíproco, que precede o período de preparação para o casamento: o noivado. Na palavra “namoro” está contido o termo “amor”, evidenciando que não se trata de um período sem importância. O namoro verdadeiro é para pessoas que se amam, e não para aquelas que apenas têm uma atração passageira ou simplesmente não querem ficar sozinhas.

Quando começar um namoro?

Para se começar um namoro, é preciso ter alcançado a maturidade, período que só vem após a adolescência, uma fase de transição entre a infância e a juventude. Como não se trata de passatempo, e sim de uma importante etapa, só deve pensar em namoro quem realmente está determinado a casar. Quem namora por namorar começa errado e sofrerá as consequências (Gl 6.7). Mas quem pensa em namoro sério precisa, necessariamente, se preocupar com as condições mínimas para um futuro casamento.

Certo rapaz que havia pedido uma jovem em namoro ouviu dela o seguinte: “Eu gostei de você, mas quero que converse com o meu pai”. O rapaz concordou em pedir permissão ao pai da jovem para namorá-la (prática que, hoje em dia, é tida como retrógrada, infelizmente) e, então, chegou o dia do interrogatório:

— Você trabalha? — perguntou o pai da jovem.
— Não, mas Deus vai me ajudar — respondeu o rapaz.
— Estuda? — Não; precisei parar. Mas Deus vai me ajudar.
— Tem ideia de como sustentará a minha filha quando casarem?
— Não, mas tenho certeza de que Deus me ajudará...

Após ouvir tantas resposta repetitivas, o pai disse a sua filha: “Descobri que sou Deus...”

Sabemos que Deus ajuda a quem se esforça, tem vontade de estudar, trabalhar etc. (Jó 5.7; Pv 31.27). Nesse caso, quem namora — namora, mesmo! — deve ter um alvo: o casamento. E deve trabalhar em prol de tal realização, por mais estranhos que isso possa parecer nesses tempos pós-modernos.

Como encontrar a pessoa ideal para namorar?

Quem pensa em namorar de verdade, tendo como objetivo o casamento, precisa atentar para o seguinte:

Ore com fé
, esperando no Senhor (Sl 40.1). Ele é poderoso para ajudar o jovem cristão a encontrar a pessoa certa (Pv 19.14). Ao mesmo tempo, é necessário procurar (Pv 18.22), pois em tudo, na vida, existe a parte de Deus e a do homem (cf. Pv 16.1,2; Tg 4.8).

Tenha cuidado com os profetizadores casamenteiros
(Ez 13.2,3; Ap 2.20). A profecia, como dom do Espírito Santo que se manifesta, comumente, num culto coletivo a Deus, não serve, em regra geral, para ajudar os jovens crentes a encontrarem a “pessoa preparada”. Suas finalidades são edificação, exortação e consolação do povo de Deus (1 Co 14.3). Muitos hoje são infelizes em sua vida conjugal porque deram ouvidos a falsos profetas. Namoro é coisa séria! Não se deve permitir que a escolha tenha a interferência de terceiros, exceto a dos pais, que devem sim aconselhar e ajudar os filhos nessa tomada de decisão.

Procure uma pessoa segundo os critérios contidos na Palavra de Deus
. Nessa busca, é necessário identificar qualidades, como a espiritualidade (1 Co 2.14-16; 5.11), que é uma beleza interior (Pv 15.13). Muitos se preocupam demasiadamente com a beleza física, que é enganosa (Pv 31.30). Esquecem-se de que a beleza do coração é a mais importante (1 Sm 16.17) e permanece mesmo com o passar dos anos, enquanto a exterior é ilusória, passageira e morrerá tal como uma flor (Pv 11.22; 1 Pe 1.24,25).

Preocupe-se com a incompatibilidade
(Am 3.3). Muitos hoje dizem que isso não é importante e pensam que podem namorar uma pessoa descrente para ganhá-la para Jesus. Fazer isso, no entanto, é o mesmo que se jogar em um poço para tentar salvar alguém que lá caiu. E ninguém faria isso. Deve-se jogar a “corda” do Evangelho para o não crente se salvar, mas sem nenhum envolvimento sentimental. Antes de começar um namoro, é preciso verificar se não há incompatibilidades espiritual, social, etária, cultural etc. A mais perigosa é a espiritual (2 Jo vv. 10,11).

Considerando que a Bíblia chama os incrédulos de filhos do diabo (1 Jo 3.10), não havendo, pois, meio-termo, relacionar-se com um significa ter o Diabo como sogro. Não pense que um filho do Diabo terá Deus como sogro, em razão de se relacionar com uma filha de Deus, equilibrando, assim, o relacionamento. Nos casos de mistura, sempre é o crente o prejudicado (Gn 6.1-4; 1 Co 10). Por quê? Porque está pecando conscientemente, ignorando o que a Palavra de Deus ensina quanto ao jugo desigual com os infiéis (2 Co 6.14-18). Não há, portanto, nenhum consenso entre a luz e as trevas, entre Cristo e Satanás.

Que cuidados se deve tomar em um namoro?

Aos que já namoram dou também alguns conselhos. É preciso ter a preocupação de não exceder nas intimidades (2 Tm 2.22). Não é preciso se sentar a um metro de distância nem pedir para alguém ficar entre os dois. Todavia, não se deve confundir carinho com carícias, que devem ser guardadas para o casamento (cf. Pv 6.27,28; 20.21). Para isso, é preciso vencer as concupiscências, cobiças (Tg 1.14,15; 1 Jo 2.15-17), seja a dos olhos (Gn 3.6; Js 7.21; Mt 6.22,23), seja a da carne (1 Co 6.19,20). Peço ao leitores interessados no assunto que confiram todas as referências bíblicas, pois elas são muito mais relevantes do que as próprias palavras deste consulente.

Quanto tempo deve durar o namoro?

Nem muito nem pouco tempo. Geralmente, quem prolonga o período do namoro é porque não tem vontade de casar. Alguns, após longos anos, casam, mas não são felizes. O motivo? É possível que o casamento tenha sido ocasionado por pressão, e não por amor verdadeiro. Por outro lado, quem namora pouco tempo, não se prepara suficientemente para o casamento e poderá ter problemas sérios de ajustamento conjugal.

Como conduzir o namoro de acordo com a vontade de Deus?
Leia sempre a Palavra de Deus (Sl 119.105); ore todos os dias (1 Ts 5.17; Jr 33.3); cultive o amor (1 Co 16.14; 13.4-8), pois, sem ele, não há razão para existir namoro; aprenda a renunciar; não seja sempre o “dono da verdade” (Fp 2.4); saiba viver em harmonia (Pv 17.1), aprendendo a “dar o braço a torcer” (Pv 15.1); seja fiel, pois, quem não é fiel no namoro, não o será no casamento. Quem ama de verdade se mantém fiel até o fim (Pv 5.15-20; Ml 2.14,15).

Ciro Sanches Zibordi

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Benny Hinn é um profeta de Deus?


Não há no mundo todo um conferencista (conferencista?) tão famoso quanto Benny Hinn. É ele um profeta de Deus, um pregador da Palavra? Ou um falso profeta, um animador e manipulador de auditórios? Suas pregações costumam ter conteúdo evangelístico? Enfocam o nome de Jesus? Como se sabe, o ponto alto de suas ministrações são algumas manifestações estranhas, que ocorrem, segundo ele, devido à “nova unção” que está sobre a sua vida.

As opiniões sobre a “nova unção” propagada por Hinn são divergentes. Alguns, afirmando que não se pode limitar o poder de Deus, a defendem com veemência. Outros consideram a cena de uma pessoa caída ao chão ou rolando pelo piso de um templo, no mínimo, grotesca. O assunto é polêmico e, por isso, deve ser abordado de maneira franca, objetiva e à luz da Palavra de Deus.

Benny Hinn e o 
“cair no Espírito”

As argumentações “bíblicas” para se defender o “cair no Espírito” são as seguintes, resumidamente: “Em Gênesis 2.21, Deus fez Adão dormir. Por que ele não faria, hoje, o crente dormir, ao ser cheio do poder? Da mesma forma, Abraão ouviu Deus falar quando estava em profundo sono (Gn 15.12). Finalmente, Daniel, Saulo e João caíram pelo poder do Senhor (Dn 10.8,9; At 9.4-8; Ap 1.17)”.

No primeiro exemplo, Deus fez Adão dormir para formar a mulher (Gn 2.22). No caso de Abraão, o sono não foi proveniente de Deus. Ele estava cansado, depois de ficar em pé aguardando uma resposta do Senhor, que veio por meio de uma tocha de fogo (Gn 15.13-21). Nenhum dos episódios, pois, fornece base para o “cair no Espírito”. Aliás, há também exemplos negativos, como o do dorminhoco Êutico (At 20.9), que inclusive estava em um culto...

As experiências de Daniel, Saulo e João também não proporcionam bons argumentos aos defensores da “nova unção”. Daniel contemplou uma grande visão, depois de jejuar durante três semanas (Dn 10.1-3). Paulo viu uma forte luz, que cegou os seus olhos (At 9.8,9). E João viu Jesus em sua glória (Ap 1.10-18). Nessas circunstâncias, seria mesmo impossível permanecer de pé. Mas eles não perderam a consciência, tampouco foram derrubados.

Eles caíram por não suportarem a glória do Senhor. Mas as suas quedas foram casos específicos, e não exemplares. Segue-se que os argumentos, baseados nos textos empregados para defender o “cair no Espírito”, são inconsistentes. E, por isso, é importante ver o outro lado da moeda.

Segundo a Bíblia, Deus nos quer de pé (Ez 2.1; 11.1; Mc 10.49; Ef 5.14). Em contraposição, quem gosta de lançar as pessoas ao chão é o Diabo (Mc 9.17-27; Lc 4.35). Jesus e seus apóstolos nunca impuseram as mãos sobre pessoas para levá-las ao chão.


A prática da “queda espiritual” já está ocorrendo em muitas igrejas. Curiosamente, alguns “ministradores” de tal prática, como este articulista já presenciou, seguram as pessoas com uma das mãos na testa e a outra na parte inferior das costas, tornando a queda inevitável. Ora, se a pessoa cai de poder, por que forçar a sua queda? E sempre há obreiros para ampará-las...

Em seu livro Evangélicos em Crise, Paulo Romeiro combate essa novidade: “O programa Fantástico, da Rede Globo, levou ao ar uma reportagem no dia 16 de abril de 1995 em que mostrou o desenrolar de um culto na igreja Vineyard, de Toronto. As cenas foram grotescas. As pessoas riam histérica e descontroladamente enquanto rolavam no carpete. Um homem se arrastava pelo chão, urrando como um leão” (Mundo Cristão, p. 80).

Quanto ao “urro do leão” e à “unção do riso”, Romeiro esclarece: “Alguns citam Isaías 5.29 para defender o urro (...) Mas aqui é uma metáfora (...) As pessoas que usam Isaías 5.29 para defender o urro do leão usariam também Isaías 40.31, ‘sobem com asas como águias’, literalmente para tentar sair voando? (...) Para justificar a ‘unção do riso sagrado’, seus defensores citam Gênesis 18.12, em que Sara riu (...) Entretanto, esta passagem nada tem a ver com gargalhada santa. Além disso, Sara riu de incredulidade, uma atitude nada recomendável para o cristão” (idem, pp. 80,81).

Na verdade, tanto o “cair no Espírito” quanto a “unção do riso” são práticas importadas da América do Norte, especialmente dos EUA. Elas foram propagandeadas no Brasil por pregadores show-men (o plural de man é men) como Benny Hinn, recordista em vendagem de livros, que já esteve em terras brasileiras algumas vezes, “ministrando milagres” através de “sopros santos”. Hinn, pastor do Centro Cristão de Orlando, na Flórida (EUA), leva inúmeras pessoas a caírem ao chão supostamente pelo poder de Deus.

Conheça Benny Hinn

Muitos crentes, por não conhecerem toda a verdade acerca de Benny Hinn, consideram-no um verdadeiro deus. Os fatos descritos abaixo são duras realidades, mas devem ser levados em consideração por aqueles que, cegamente, têm seguido aos ensinamentos de Benny Hinn:

1) Ele declarou que Jesus “... assumiu a natureza de Satanás, para que todos quantos tinham a natureza de Satanás pudessem participar da natureza de Deus”. Esta declaração blasfema é citada no excelente trabalho crítico de Hank Hanegraaff,
Cristianismo em Crise, editado pela CPAD (p. 166).

2) Afirmou que o Espírito Santo lhe revelou que as mulheres foram originalmente criadas para dar à luz pelo lado. Todavia, por causa do pecado, passaram a dar à luz pela parte mais baixa de seu corpo (
idem, p. 373).

3) Ensina que o homem é um pequeno deus. E afirmou: “Eu sou ‘um pequeno messias’ caminhando sobre a Terra” (
idem, p. 119).

4) Afirmou que o homem, em princípio, voava da mesma forma que os pássaros. Segundo ele, Adão podia voar até à lua pela sua própria vontade: “Adão era um superser (...) costumava voar. Naturalmente, como poderia ter domínio sobre as aves, sem ser capaz de fazer o que elas fazem?” (
idem, p. 128).

5) Hinn costuma visitar os túmulos de duas santas mulheres, Kathry Kuhlman e Aimee S. McPherson, para receber a “unção” que flui de seus ossos (
idem, p. 373).

6) Em seu livro
Good Morning, Holy Spirit (p. 56), Hinn afirma que, em uma de suas supostas conversas com o Espírito Santo, o Consolador teria implorado para que ele ficasse em sua presença: “Hinn, por favor, mais cinco minutos; apenas mais cinco minutos”.

7) Ele ensina que a Trindade é composta de nove pessoas, pois o Pai, o Filho e o Espírito Santo possuem, cada um, espírito, alma e corpo (
Cristianismo em Crise, p. 375).

8) Ao ser criticado, disse que gostaria de ter “uma arma do Espírito” para explodir a cabeça de seus críticos. Além disso, profere palavras funestas contra aqueles que refutam suas heresias. As ameaças abaixo, extraídas do livro supracitado (p. 376), foram dirigidas ao Instituto Cristão de Pesquisas dos EUA:


“Agora eu estou apontando meu dedo para vocês com o tremendo poder de Deus sobre mim... Ouçam isto! Existem homens e mulheres no sul da Califórnia me atacando. É sob a unção que lhes falo agora. Vocês colherão o que estão semeando em suas próprias crianças se não pararem... E seus filhos e filhas sofrerão” (...)

“Vocês estão me atacando no rádio todas as noites — vocês pagarão e suas crianças também. Ouçam isto dos lábios dum servo de Deus. Vocês estão em perigo. Arrependam-se! Ou o Deus Altíssimo moverá a sua mão. Não toqueis nos meus ungidos...”

9) Hinn concordou em tirar alguns erros do livro
Good Morning, Holy Spirit (Bom Dia, Espírito Santo), depois de uma conversa com Hank Hanegraaff (presidente do ICP dos EUA), em 1990. No ano seguinte, admitiu seus erros e prometeu fazer alterações em seus escritos. Entretanto, depois de algumas semanas, retornou às suas velhas práticas (idem, p. 375).

10) Defendendo a teologia da prosperidade, a qual ensina que a pobreza é uma maldição, afirmou que Jó era carnal e mau (
idem, p. 103), ignorando o enfático testemunho de Deus acerca de seu servo: “Observaste tu a meu servo Jó? Porque ninguém há na terra semelhante a ele, homem sincero e reto, temente a Deus, e desviando-se do mal”, Jó 1.8.

11) Defensor da falaciosa confissão positiva, declarou: “Nunca, jamais, em tempo algum, vão ao Senhor e digam: ‘Se for da tua vontade...’ Não permitam que essas palavras destruidoras da fé saiam da boca de vocês”. (idem, p. 295). Hinn ignora o fato de o próprio Cristo ter ensinado e empregado tal forma de oração (Mt 6.10; 26.39).


Diante do exposto, é Benny Hinn um profeta de Deus? Antes de responder a essa pergunta, leia Mateus 7.15-23. Bem, agora é com você: reflita e responda, com toda sinceridade e imparcialidade, à pergunta em apreço.

Ciro Sanches Zibordi
Texto publicado neste blog em 30 de março de 2008

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

O que significa honrar a Deus com as nossas primícias?


O termo “primícias”, que aparece 41 vezes nas Escrituras, significa “primeiras coisas de uma série”, como: primeiros frutos colhidos (Êx 23.19); primeiros animais nascidos (Gn 4.4, ARA); primeiros lucros (Pv 3.9) etc. Há 33 ocorrências no Antigo Testamento, sendo: vinte, no Pentateuco; seis, nos livros Históricos; três, nos Poéticos; e quatro, nos Profetas. Esse vocábulo aparece também oito vezes no Novo Testamento, mas com sentidos diferentes do empregado no texto veterotestamentário, sendo: sete, nas Epístolas (Rm 8.23; 11.16; 16.5; 1 Co 15.20,23; 16.15; Tg 1.18); e uma, em Apocalipse (14.4).

O que são as primícias para nós, hoje?

Em Êxodo 23.19 está escrito: “As primícias dos frutos da tua terra trarás à Casa do SENHOR, teu Deus” (ARA). Esta e outras passagens veterotestamentárias correlatas (cf. Êx 34.22; Lv 2.12,14; 2 Cr 31.5; Ne 13.31; Sl 78.51; Os 9.10 etc.), à luz do ensinamento sobre as contribuições financeiras contido no Novo Testamento — já que a Bíblia é análoga —, mostram que “primícias” aludem aos nossos dízimos e ofertas.

De acordo com Provérbios 3.9, fazendo-se uma aplicação baseada no ensino neotestamentário, a maneira como vemos nossas posses ou finanças revela se confiamos em Deus ou em nós mesmos. Fazendo-se uma aplicação para hoje, se, na antiga sociedade agrária, as primícias eram consideradas a parte mais importante da colheita, devemos dar a Deus as primícias do nosso salário, e não o que sobrar depois de todas as contas pagas.

Entregar ao Senhor as primícias da nossa renda é uma obrigação?

Por um lado, devemos contribuir para a obra de Deus sobretudo por amor, voluntariamente. Ou seja, deve-se ter em mente que quaisquer ofertas, dízimos ou outro tipo de contribuição devem ter como motivação o amor, e não a barganha (fr. ant. bargaignier, “fazer troca de mercadorias”).

Ofertar livremente ou contribuir com o dízimo (10% dos rendimentos) são práticas cristãs históricas, derivadas das Escrituras (Ml 3.8-10; Mt 23.23; 2 Co 9.6-15). Deus, como Supremo Arquiteto, por exemplo, criou o Tabernáculo, mas a obra-prima para as suas formação e feitura estava com o povo. Moisés, então, não precisou propor “desafios de semeadura”, pois “veio todo homem, a quem o seu coração moveu, e todo aquele cujo espírito voluntariamente o impeliu, e trouxeram a oferta alçada ao SENHOR” (Êx 35.21).

Tudo o que temos, nesta vida, pertence ao Senhor (1 Co 4.7; Tg 1.17; Sl 24.1; Êx 13.2), inclusive o dinheiro (Ag 2.8,9). A Ele pertence não apenas 10% do que possuímos, e sim tudo (100%). O Senhor tem permitido que nós administremos o que nos tem dado, como bons despenseiros ou mordomos (1 Co 4.1; 6.19,20). E devemos ser-lhe gratos, destinando uma parte de nossa renda, as "primícias", à sua obra. No que tange às ofertas alçadas, uns dão mais, outros menos, conforme cada um se move, voluntariamente, “segundo propôs no seu coração” (2 Co 9.7).

Por outro lado, também é nossa obrigação contribuir financeiramente para a obra de Deus. Conquanto não devamos contribuir prioritariamente por obrigação, e sim espontaneamente (Êx 25.2), isso não quer dizer que tenhamos o direito de não contribuir com dízimos e ofertas para a obra do Senhor (Ml 3.8-10). O cristão que se preza sabe que "Mais bem-aventurada coisa é dar do que receber" (At 20.35).

Considerando que a contribuição financeira é análoga à evangelização, qual é a maior motivação para o servo de Deus evangelizar e contribuir para a obra de Deus? O amor a Cristo e às almas perdidas (Rm 10.1; Jd v. 23). Nesse caso, ao mesmo tempo, todos sabemos que evangelizar e contribuir financeiramente para a obra de Deus também é nossa obrigação (1 Co 9.16; Ez 33.8). Quanto ao dízimo, especificamente, ainda que deva ser entregue, a priori, por amor, em retribuição a tudo que temos recebido do Senhor, temos a obrigação, o dever, de entregá-lo: “deveis” (Mt 23.23).

Uma resposta a quem se opõe ao dízimo

Alguns oponentes do dízimo alegam que ele se refere exclusivamente a Israel, haja vista o sustento dos levitas que serviam no Templo. Segundo os tais, com a inauguração da Nova Aliança, depois do brado de Jesus na cruz (Jo 19.30), o dízimo teria sido anulado juntamente com a lei mosaica (cf. Hb 9.16,17). As igrejas de hoje precisam de manutenção, e a obra de Deus de expansão. Assim como no Templo, na Antiga Aliança, os levitas precisavam do dízimo e das ofertas alçadas para manterem o lugar de culto ao Senhor, os templos de hoje (e a obra de Deus, de maneira geral) precisam de recursos para suas manutenção e expansão.

O culto neotestamentário é análogo ao dos tempos do Antigo Testamento. Como a natureza e os fundamentos do culto não mudaram, o fato de o dízimo então ser levítico e pertencer à ordem de Arão, que era transitória, não anula a sua utilização nos dias de hoje. O dízimo cristão pertence à ordem de Melquisedeque (cf. Hb 7.1-10), mas Paulo fez referência ao dízimo levítico a fim de extrair dele o princípio de que o obreiro é digno do seu salário (1 Co 9.9-14; cf. Lv 6.16,26; Dt 18.1).

Se o Novo Testamento não reconhecesse a legitimidade da prática do dízimo levítico nos dias de hoje, Paulo jamais teria empregado textos da “lei de Moisés” para tratar da contribuição financeira. O Senhor Jesus jamais anulou o dízimo. Ele inaugurou o tempo da graça (Jo 1.17), mas isso não significa que Ele “jogou fora” ou aboliu tudo o que foi dado a Moisés, nos tempos veterotestamentários.

A obra vicária do Senhor foi eficaz no que tange a não mais dependermos da lei mosaica quanto à salvação, que se dá exclusivamente pela graça de Deus, por meio da fé (Ef 2.8,9; Tt 2.11). Entretanto, há obras que comprovam nossa salvação pela fé (Tg 2.17,18), como a contribuição financeira, relacionada com as “boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas” (Ef 2.10). Boa parte dos mandamentos dados a Moisés são atemporais e aplicam-se à Igreja do Senhor (cf. Mt 5-7). O Senhor Jesus não revogou toda a Lei. Quanto ao Decálogo, que é apenas um resumo da Lei, nove dos dez mandamentos foram repetidos no Novo Testamento de maneira ampliada ou modificada, com exceção do relativo à guarda do sábado (cf. Mc 2.24-28; Gl 4.8-11).

Sabemos, ainda, que a inauguração do tempo da graça não anulou todos os princípios e mandamentos divinos contidos no Antigo Testamento. Muitos deles são atemporais, como “Não adulterarás”, por exemplo, o qual Jesus não anulou, e sim o ampliou, acrescentando-lhe o aspecto psicológico (Mt 5.28). Muitos defendem a total anulação do dízimo no tempo da graça alegando que estamos libertos da lei mosaica. Ora, quais são as implicações de sua observância quanto à salvação pela graça de Deus? É pecaminoso contribuir com 10% dos rendimentos para a obra do Senhor? O ato de entregar o dízimo na igreja local é posterior à salvação pela graça e, portanto, nada tem que ver com a salvação pelas obras.

Alegam, também, os oponentes do dízimo que o Novo Testamento diz muito pouco — quase nada — acerca dele. De fato, não há muita ênfase direta ao dízimo na segunda parte da Bíblia. Por outro lado, além das poucas passagens neotestamentárias em prol do dízimo, há algumas que o mencionam de modo indireto (cf. At 4.32; 2 Co 8.1-9; 9.6ss; Fp 4.10-19). O texto de Mateus 23.23, por exemplo, é direto e claro. O que o Senhor Jesus disse já seria suficiente para nos fazer crer que a prática do dízimo é sim neotestamentária, apesar de os seus destinatários originais terem sido os fariseus. E o mais importante: não existe uma sequer que o condene!

Tomando-se uma porção maior de texto, Mateus 23.13-33, vemos que o Senhor apresentou princípios e mandamentos universais, aplicáveis à igreja hodierna. Por exemplo, no versículo 28 está escrito: “exteriormente pareceis justos aos homens, mas interiormente estais cheios de hipocrisia e iniquidade”. Não temos aqui o ensinamento de que não devemos ser hipócritas, o que se aplica a todos, e não somente aos fariseus? Indubitavelmente, ao lermos o versículo 23, estamos diante de um grande mandamento para os dias atuais. Qual? O de que devemos, ao contrário dos fariseus, ser justos, misericordiosos, bem como ter fé e contribuir para a obra de Deus, em retribuição a tudo que dEle temos recebido.

O ensino de Hebreus 7.1-10, à luz de Romanos 4.11,12,16, Gálatas 3.9 e João 8.39, também é muito claro. Como já vimos, a graça não anula todos os princípios e mandamentos divinos contidos na lei mosaica. Além disso, à luz das passagens agora citadas, o dízimo pode, perfeitamente, ser visto como uma prática atemporal, que antecede à lei dada a Moisés (cf. Gn 14.20; Lc 11.42).

Argumentam os inimigos do dízimo, ainda, que Jesus falou deste antes da inauguração da Igreja e que os apóstolos nada falaram acerca disso. Ora, há muitos mandamentos da parte de nosso Senhor que foram transmitidos antes de a Igreja ter sido inaugurada no dia de Pentecostes. São todos eles nulos? O ensinamento de Jesus em Mateus 5-9 é para a Igreja, a despeito de anteceder a sua morte expiatória. Abriremos mão das grandes verdades contidas aqui, em razão de o Senhor as ter apresentado antes da cruz? João 14-17 também é para a Igreja. Se não podemos receber como verdade neotestamentária o que o Senhor disse antes de a Igreja ter sido inaugurada (At 2), isto é, antes de sua morte e ressurreição, em quê a igreja de Atos dos Apóstolos baseava os seus ensinamentos?

Dizem, finalmente, que o dízimo hoje faz parte da Teologia da Prosperidade. Como já vimos, o fato de um crente ser dizimista, em gratidão a Deus e pensando no bem da sua obra, não deve, de modo algum, ser confundido com a prática da barganha para obter a salvação (cf. Ef 2.8-10). Não entregamos o dízimo para ser salvos, e sim porque somos salvos. Não contribuímos para a obra do Senhor querendo ser ricos (cf. 1 Tm 6.9,10). Mas o Senhor, sem dúvida, abençoa a quem contribui generosamente para a sua obra (2 Co 9.6-15; Ml 3.8-10).

A confiança de que Deus nos abençoa quando lhe somos fiéis nos dízimos e ofertas nada tem que ver com a barganha idolátrica da Teologia da Prosperidade (Ef 5.5; 2 Pe 2.3; 2 Co 2.17). Não é vedado ao obreiro do Senhor viver da obra. No Novo Testamento, vemos que o princípio veterotestamentário de que o trabalhador é digno de seu alimento (ou salário) é aplicado aos servos do Senhor (Mt 10.10; Lc 10.7; 1 Co 9.7-14; 1 Tm 5.17,18).

Portanto, como tudo foi escrito para o nosso ensino (Rm 15.4), temos de estudar a Bíblia a fim de entender como certos mandamentos, princípios e exemplos do Antigo Testamento se aplicam a nós, hoje. Graças a Deus, nem todos os crentes foram influenciados pela perigosa conduta de demonizar o dízimo, atrelando-o à tentativa de salvar-se pelas obras da lei. Caso contrário, algumas igrejas já teriam fechado as portas, haja vista o dízimo ser necessário para a manutenção e expansão da obra do Senhor na terra, assim como o era nos tempos do Antigo Testamento. Continuemos, pois, trazendo nossas primícias à Casa do Senhor (Êx 23.19).

Ciro Sanches Zibordi