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terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Bênção sacerdotal ou apostólica?


Ainda que os contextos históricos dessas duas bênçãos sejam diferentes, tanto a sacerdotal como a apostólica se aplicam ao culto neotestamentário, já que ambas são trinitárias, isto é, mencionam as três Pessoas da Trindade, o que lhes confere um status atemporal. Entretanto, a Igreja estabelecida pelo Senhor Jesus, no primeiro século (Mt 16.18), não é ritualista nem sacramental. Em outras palavras, embora o cristianismo bíblico observe duas ordenanças — o batismo em água (Mt 28.19,20) e a Ceia do Senhor (1 Co 11.23-34) —, as denominações têm liberdade no campo das questões eclesiásticas, como a administração do culto.

Grosso modo, cada igreja tem um perfil, que abarca os âmbitos bíblico-teológico e eclesiástico-litúrgico. No primeiro, há doutrinas, princípios e mandamentos, os quais devem ser obedecidos, já que são imutáveis. No segundo, hierarquia, cerimônias, práticas litúrgicas etc., todas administradas pela Bíblia, mas com certa flexibilidade. Títulos ministeriais, por exemplo, variam nas denominações e nem sempre correspondem aos dons prescritos na Bíblia (Ef 4.11; 1 Co 12.28). A bênção impetrada no fim dos cultos se relaciona com a esfera eclesiástico-litúrgica; não é regida por mandamento, e sim por uma tradição derivada de 2 Coríntios 13.13, passagem que deve ter sido escolhida, em algum momento da História da Igreja, em razão de dar destaque à triunidade de Deus.

Não se sabe se, de fato, as igrejas do primeiro século impetravam alguma bênção no fim dos cultos. O certo é que Paulo e outros autores neotestamentários concluíam suas cartas com uma saudação de bênção alusiva à graça de Deus (cf. Rm 16.24; 1 Co 16.23; Hb 13.25; 1 Pe 5.10). Ao que tudo indica, foram os reformadores que começaram a usar versículos bíblicos no fim dos cultos, e 2 Coríntios 13.13 foi o escolhido por causa da menção às três Pessoas da Trindade, o que também ocorre — mas de modo indireto — na bênção sacerdotal, visto que se repete o nome do SENHOR três vezes (Nm 6.24-26).

Como a impetração dessa bênção não se impõe por mandamento, e sim por tradição, faz-se necessário distinguir o teológico do litúrgico. Em 1 Coríntios 14.26, Paulo faz menção de três tipos de ministração: a do louvor (salmo), a da Palavra (doutrina) e a do Espírito (revelação, língua e interpretação). Se faltar uma destas ou se houver mau uso delas, o culto estará, bíblica e teologicamente, prejudicado. Mas há também avisos, recolhimento de dízimos e ofertas, oração pelos aniversariantes, bênção apostólica etc., elementos que podem ser administrados com sabedoria, equilíbrio e flexibilidade.

Portanto, pode-se, no fim dos cultos, não só usar 2 Coríntios 13.13 e Números 6.24-26, alternadamente, como também outros textos; ou, ainda, empregar palavras adicionais. Há igrejas em que o pastor diz: “A vitória é nossa!”, e o povo responde: “Pelo sangue de Jesus!” Outras apresentam as bênçãos apostólica ou sacerdotal de forma cantada. Entretanto, vale lembrar que as Assembleias de Deus preferem a chamada bênção apostólica, pois, além de esta constar do Novo Testamento, nela a Trindade é mencionada de modo explícito.

Ciro Sanches Zibordi
Artigo publicado no Mensageiro da Paz número 1.590 (novembro de 2017)

domingo, 10 de dezembro de 2017

Dezembro: tempo de celebrar o Natal, sim!


Com a chegada do mês dezembro, alguns cristãos — que ironia! —, na Internet e, em especial, nas redes sociais, começam uma campanha ferrenha contra o Natal. E o texto preferido deles é o famigerado 10 motivos para não celebrar o Natal, de autoria desconhecida, o qual apresenta argumentos refutáveis contrários à celebração do Natal em 25 de dezembro. Neste texto, pretendo mostrar por que tais motivos são falsos.

1. “A Bíblia não manda celebrar o nascimento de Cristo”.De fato, na Bíblia não está escrito: “Celebrai com júbilo o Natal de Cristo, todos os moradores da terra”. Mas nem tudo, nas Escrituras, é tratado por meio de mandamentos. A Bíblia é, também, um Livro de princípios, doutrinas, tipos, símbolos, parábolas, metáforas, profecias, provérbios, exemplos etc. E um grande exemplo foi dado pelos anjos de Deus, que celebraram o Natal de Cristo, dizendo: “Glória a Deus nas alturas, paz na terra, boa vontade para com os homens!” (Lc 2.14). Se há cristãos fanáticos, a ponto de se apegarem à questiúncula de que não existe um mandamento específico para se celebrar o Natal, que parem também de comemorar o Dia do Pastor, o Dia da Bíblia, o Dia da Escola Dominical, o Dia de Missões, a Festa das Nações, o Ano de Gideão, o Ano de Davi, o Ano da Colheita, o Feriado da Visão, o Ano Apostólico, a Semana Profética etc. Ah, e também parem de receber presentes de aniversário, pois não há nenhum mandamento bíblico para celebrarmos o nosso aniversário!

2. “Jesus não nasceu em 25 de dezembro. Essa data foi designada por Roma numa aliança pagã no século IV. A primeira intenção era cristianizar o paganismo e paganizar o cristianismo; de acordo com o calendário judaico, Jesus nasceu em setembro ou outubro”.Ora, como se sabe, Jesus não nasceu em 25 de dezembro. Mas essa data foi escolhida pela Igreja Católica Romana (casada com o Estado, à época) a fim de induzir os pagãos — que adoravam o sol — a celebrarem o nascimento de Cristo. Em outras palavras, a intenção do imperador romano foi boa! Considerando que já havia uma grande comemoração pagã no mesmo dia, ele induziu a todos a se lembrarem do dia natalício de Cristo na data que eles estavam acostumados a adorar um deus falso! Bem, digamos que, um dia, ocorra um grande avivamento no Brasil, e conversões em massa aconteçam. O Brasil, então, se torna 100% evangélico, e o Estado brasileiro decide que 12 de outubro passará a ser um o Dia de Louvor a Jesus Cristo! O leitor se revoltaria contra essa data, sob a alegação de que ela fora outrora consagrada à Senhora Aparecida?

3. “A igreja do Senhor está vivendo a época profética da festa dos tabernáculos, que significa a preparação do caminho do Senhor; e, se você prepara o caminho para Ele nascer, não o prepara para Ele voltar”.Que contradição! Pessoas se arvoram contra o Natal porque não existe um mandamento específico sobre essa celebração, mas, ao mesmo tempo, apegam-se a uma simbologia “forçada”, com base na festa dos tabernáculos, para se oporem ao Natal de Cristo? Ora, uma das doutrinas fundamentais da Palavra de Deus é a encarnação do Verbo, isto é, o seu glorioso nascimento (Jo 1.14; 1 Tm 3.16). Aliás, a obra da redenção está em um tripé: nascimento do Senhor, sua morte e sua ressurreição (Gl 4.4; 1 Co 15.1-4). Ignorar o Natal de Cristo é deixar de valorizar uma parte de sua obra salvífica.

4. “O natal é uma festa que centraliza a visão no palpável e esquece do que é espiritual. Para Jesus o mais importante é o Reino de Deus, que não é comida nem bebida, mas justiça e paz no espírito”.O Natal de Cristo, em si, não é uma festa de comida e bebida. São as pessoas do mundo sem Deus que só priorizam isso, em detrimento de real sentido da celebração em apreço. Quanto ao cristão que se preza, deve ser diferente das pessoas do mundo, a despeito de estar no mundo. Ele não se conforma com o modus vivendi das pessoas do mundo sem Deus (Rm 12.1,2), nem abraça o modo cada vez mais sincrético e consumista de se celebrar o Natal (cf. 1 Co 10.23-32). A despeito de o Reino de Cristo ser preponderantemente espiritual, somos pessoas normais, que precisam comer, beber, dormir, trabalhar, participar de eventos festivos etc. Segue-se que se alegrar com a família, no fim de dezembro, com um grande almoço ou jantar, glorificando a Cristo por seu Natal e sua obra vicária, como um todo, é lícito e conveniente ao cristão equilibrado, não legalista.

5. “O natal se tornou um culto comercial que visa render muito dinheiro. Tirar dos pobres e engordar os ricos. É uma festa de ilusão em que muitos se desesperam porque não podem comprar um presentinho para os filhos”.Essa afirmação é reducionista, visto que não pondera que o Natal de Cristo subsiste sem o aludido “culto comercial”. A Páscoa, por exemplo, não deixa de ser legítima em razão de ser usada pelo mundo capitalista para explorar o consumismo. Se há uma celebração de Natal que prioriza o comércio, existe, também, uma celebração que prioriza Cristo. Segue-se que o motivo alegado para não celebrar o Natal de Cristo é, além de reducionista, generalizante e preconceituoso.

6. “O natal está baseado em culto a falsos deuses nascidos na Babilônia. Então, se recebemos o natal pela Igreja Católica Romana, e esta, por sua vez, a recebeu do paganismo, de onde a receberam os pagãos? Qual a origem verdadeira? O natal é a principal tradição do sistema corrupto, denunciado inteiramente nas profecias e instruções bíblicas sobre o nome de Babilônia. Seu início e origem surgiram na antiga Babilônia de Ninrode. Na verdade, suas raízes datam de épocas imediatamente posteriores ao dilúvio”.Esse argumento despreza o fato de o Natal de Cristo transcender o paganismo que se infiltrou na Igreja Católica Romana. O nascimento do Senhor Jesus foi celebrado até pelos anjos, que exclamaram: “Glória a Deus nas alturas, paz na terra, boa vontade para com os homens!” (Lc 2.14). E mais: os magos do Oriente adoraram o Menino, ofertando-lhe dádivas, em uma casa — e não na manjedoura —, cerca de dois anos após o seu nascimento, conforme análise cuidadosa de Mateus 2. Ou seja, o Natal de Cristo não é invenção dos pagãos, e sim uma celebração genuinamente cristã. Lembrarmo-nos do nascimento de Cristo, descrito na Bíblia, e glorificarmos a Deus por nos ter dado o seu Filho Unigênito é lícito, convém e edifica. E nada tem a ver, de fato, com Roma, Babilônia etc. Ademais, o fato de o Natal de Cristo ser celebrado também pela Igreja Católica Romana não o torna idolátrico ou pagão. Caso contrário, a missa, com a sua hóstia, tornaria a Ceia do Senhor igualmente idolátrica, não é mesmo?

7. “O natal não glorifica a Jesus, pois quem o inventou foi a Igreja Católica Romana, que celebra o natal diante dos ídolos (estátuas). Jesus é contra a idolatria e não recebe adoração dividida”.Esse argumento também é reducionista, posto que ignora o fato de a idolatria ser uma condição do coração. Ela não é um pecado praticado de modo subjetivo. Celebrar o Natal de Cristo não implica idolatria. Esta, à luz do Novo Testamento, é uma ação objetiva, e não subjetiva. A idolatria é praticada de modo consciente. Nesse caso, dizer que o crente que celebra o Natal é idólatra não reflete julgamento segundo a reta justiça (Jo 7.24), como já destaquei em meu texto anterior, também a respeito do Natal.

8. “Os adereços (enfeites) de natal são verdadeiros altares de deuses da mitologia antiga (que são demônios)”.De fato, muita coisa que há no mundo tem ligação com o paganismo e a idolatria: comidas, festas, nomes de cidades, costumes etc. O cristão não deve ser paranoico quanto a isso. A ele basta ser fiel ao seu Deus, não tomando parte, ativa e conscientemente, do culto aos deuses. Lembro o leitor, mais uma vez, de que a idolatria é praticada de modo objetivo, e não subjetivo. Opor-se ao Natal por causa dos enfeites cuja origem está ligada ao paganismo e praticar outras coisas de origem pagã é o mesmo que coar mosquitos engolir camelos (Mt 23). O cristianismo verdadeiro não é fanatizante, como as religiões e seitas pseudocristãs e extremistas, que proíbem doação de sangue, ingestão de determinados tipos de alimento, participação em festas, casamento no templo, trabalho em determinado dia da semana etc. Somos livres em Cristo (1 Co 10.23-32).

Reprovar e até proibir a celebração do Natal de Cristo por causa de Papai Noel, duendes, gnomos, decorações natalinas e outras coisas mundanas não é uma característica do cristianismo equilibrado (cf. Ec 7.16,17). Se quisermos abraçar o legalismo, não podemos falhar em nenhum ponto da lei. O crente que se opõe ao Natal de Cristo por causa dos elementos pagãos e consumistas, mencionados neste artigo, também deixa de consumir bolo de aniversário, em razão de sua origem pagã? O que ele pensa sobre o vestido de noiva, o terno e a gravata, as construções que ele visita e as ruas da cidade por onde ele anda?

9. “O natal de Jesus não tem mais nenhum sentido profético, pois todas as profecias que apontavam para sua primeira vinda à terra já se cumpriram. Agora nossa atenção de se voltar para sua Segunda vinda”.Nesse caso, a Bíblia é apenas um tratado de escatologia, que se ocupa exclusivamente de assuntos relativos ao futuro? Ora, as Escrituras apresentam muitas doutrinas escatológicas, porém a Palavra de Deus também contém teologia, cristologia, pneumatologia, antropologia, hamartiologia, soteriologia, eclesiologia e angelologia. Sabemos que o Natal de Cristo está ligado diretamente à cristologia e à soteriologia. Entretanto, como todas as doutrinas bíblicas são intercambiáveis, em Apocalipse 12 há uma menção ao Menino Jesus! Será que os inimigos do Natal sabem disso?

10. “A festa de natal traz em seu bojo um clima de angústia e tristeza, o que muitos dizem ser saudades de Jesus, mas na verdade é um espírito de opressão que está camuflado, escondido atrás da tradição romana que se infiltrou na igreja evangélica, e que precisamos expulsar em nome de Jesus”.Desde a minha infância aprendi a celebrar o Natal de Cristo. Lembro-me com muita alegria das peças, poesias e cantatas natalinas, além das maravilhosas mensagens de Natal, ministradas por homens de Deus. A lembrança da encarnação do Senhor propicia alegria na alma, e não tristeza! Prova disso é que vários hinos da Harpa Cristã, hinário oficial das Assembleias de Deus, nos estimulam a celebrar o Natal de Cristo. Vejamos especialmente os hinos 21, 120, 366, 481 e 489.

Diante do exposto, apresento algumas sugestões (ou conselhos) aos cristãos inimigos do Natal de Cristo. Não se deixem influenciar pelo espírito do Anticristo (1 Jo 4.3). Observem que o Diabo deseja, a todo custo, fazer com que o nome de Jesus desapareça da face da terra. E uma de suas estratégias é apresentar “outro evangelho”, fanatizante, farisaico, legalista, que procura desviar os salvos da verdade, carregando-os de ordenanças, como: “não toques, não proves, não manuseies” (Cl 2.20-22). Em vez de apresentarem inúmeras razões para não celebrarmos o Natal de Cristo, falem da gloriosa encarnação do Verbo (1 Tm 3.16; Jo 1.14; Gl 4.4,5), da sua morte vicária (2 Co 5.17-21) e da sua maravilhosa ressurreição (1 Co 15.17-20)!

Ciro Sanches Zibordi

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Onde estão os finados?


Dia de finados é um termo mais suave para dia dos mortos. O que a Bíblia, a Palavra de Deus, diz a respeito dos mortos, que também chamarei de finados, neste artigo? Um texto claro e objetivo sobre eles é Hebreus 9.27,28: “E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo, assim também Cristo, oferecendo-se uma vez para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para salvação”. Segundo essa passagem do Novo Testamento, está ordenado que os seres humanos morram uma vez e compareçam ante o Justo Juiz. Mas isso não quer dizer que, imediatamente após a morte, as pessoas são levadas a um julgamento.

O que acontece com os finados entre a morte e o Juízo Final? Embora a vida após a morte ainda seja um mistério, a Palavra de Deus nos apresenta detalhes importantes a respeito desse estado intermediário. Todas as pessoas, ao morrerem — sejam as salvas em Cristo, sejam as perdidas por rejeitarem ao Salvador (cf. Jo 3.16) —, ficam sob o controle de Deus (Ec 12.7; Mt 10.28; Lc 23.46). Os salvos em Cristo são levados ao Paraíso, no Céu (Fp 1.23; 2 Co 5.8; 1 Pe 3.22). E os perdidos, ímpios, vão para o Hades (hb. sheol), que não é a sepultura, e sim um lugar de tormentos (Sl 139.8; Pv 15.24; Lc 16.23).

Nos tempos do Antigo Testamento, Paraíso — por assim dizer — e Hades ficavam numa mesma região. E eram separados por um abismo separador, intransponível (Lc 16.19-31). Ao morrer na cruz, Jesus desceu em espírito a essa região e transportou de lá os salvos para o terceiro Céu (cf. Mt 16.18, Lc 23.43, Ef 4.8,9; 2 Co 12.1-4). Quanto aos ímpios, permanecem no Hades (uma espécie de antessala do Inferno), o qual não deixa de ser “um inferno”, um lugar de tormentos para a alma (Lc 16.23).

Conquanto, em algumas passagens da Bíblia, o vocábulo grego hades tenha sido traduzido por “inferno”, o Hades e o Inferno final não são o mesmo lugar. O Inferno final é chamado de Lago de Fogo (Ap 20.14,15 [gr. limnem ton puros]); de “fogo eterno” (Mt 25.41 [gr. pur to aiõnion]); de “tormento eterno” (v. 46 [gr. kolasin aiõnion]); e de Geena (5.22; 10.28; Lc 12.5).

Diferentemente do Hades, o Inferno final está vazio. Ele começará a ser povoado quando Cristo voltar em poder e grande glória e lançar o Anticristo e o Falso Profeta no Geena, inaugurando-o (Zc 14.4; Ap 19.20). Em seguida, os condenados do Julgamento das Nações irão para “o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos”, “o tormento eterno” (Mt 25.41,46). Mais tarde, será a vez do Diabo e seus anjos conhecerem o lugar para eles preparado (Ap 20.10). E, finalmente, após o Juízo Final, todos os ímpios estarão reunidos no Inferno final (Ap 20.15; 21.8).

Em Apocalipse 20.13 está escrito que o mar dará os mortos que nele há. E Jesus também afirmou que “vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz” (Jo 5.28). Onde quer que estiverem, os pecadores ressuscitarão para comparecer diante do Trono Branco. Segundo a Palavra de Deus, a morte (gr. thanatos) e o inferno (gr. hades) darão os seus mortos, os quais, após o Juízo Final, serão lançados no Lago de Fogo.

O vocábulo “morte”, em Apocalipse 20.13,14, tem sentido figurado. Trata-se de uma metonímia — figura de linguagem expressa pelo emprego da causa pelo efeito ou do símbolo pela realidade —, numa alusão a todos os corpos de ímpios, oriundos de todas as partes da Terra, seja qual for a condição deles. Há pessoas cujos corpos foram cremados; outras morreram em decorrência de grandes explosões, etc. Todas terão os seus corpos reconstituídos para que, em seu estado tríplice (pleno), espírito + alma + corpo (cf. 1 Ts 5.23), compareçam perante o Juiz.

Entretanto, para que os ímpios compareçam ao Juízo Final em seu estado pleno, acontecerá a reunião de espírito, alma e corpo, os quais se separam na morte. Daí a menção de que “a morte” e também “o inferno” darão os seus mortos (Ap 20.13). Aqui, “inferno” é hades, também empregado de forma metonímica. A “morte” dará o corpo. E o “Hades”, a parte que não está neste mundo físico, isto é, a alma (na verdade, alma + espírito).

Com base no que foi dito acima, podemos entender melhor a frase “a morte e o inferno foram lançados no lago de fogo” (Ap 20.14). Isso denota que os corpos e as almas dos perdidos — que saíram do lugar onde estavam e foram reunidos na “segunda ressurreição”, a da condenação (Jo 5.29b) —, depois de ouvirem a sentença do Justo Juiz, serão lançados no Inferno propriamente dito, o Lago de Fogo.

Segue-se que a frase “a morte e o inferno foram lançados no lago de fogo” tem uma correlação com o que Jesus disse em Mateus 10.28: “Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei, antes, aquele que pode fazer perecer no inferno [geena] tanto a alma como o corpo” (ARA). Ou seja, as almas (“o Hades”) e os corpos (“a morte”) serão lançados no Geena.

E quanto aos que têm morrido salvos, em Cristo? Graças a Deus, nenhuma condenação há para eles (Rm 8.1). Serão julgados também, é evidente, logo após o Arrebatamento da Igreja, mas apenas para efeito de galardão (Rm 14.10; Ap 22.12). Depois da ressurreição dos que morreram em Cristo, nunca mais haverá morte, o último inimigo a ser vencido (1 Co 15.26).

Apesar de já se encontrarem na presença de Deus, os salvos mortos em Cristo ainda não estão desfrutando do gozo pleno preparado para eles. Isso só acontecerá depois da ressurreição (1 Co 15.51). Seu estado agora é similar ao daqueles mártires que morrerão na Grande Tribulação (Ap 6.9-11). Esta passagem e a de Lucas 16.25 indicam que, no Paraíso, os salvos são consolados, repousam, estão conscientes e se lembram do que aconteceu na Terra (Ap 14.13). Contudo, após o Arrebatamento, estarão — no sentido pleno — “sempre com o Senhor” (1 Ts 4.17).

Em 1 Tessalonicenses 3.13 está escrito: “que sejais irrepreensíveis em santidade diante de nosso Deus e Pai, na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, com todos os seus santos”. Isso significa que os santos, de todas as épocas, que estão com o Senhor, no Paraíso, virão com Ele, no Arrebatamento da Igreja. Em outras palavras, o espírito e a alma (ou espírito + alma) deles se juntarão aos seus corpos, na Terra, para a ressurreição, num abrir e fechar de olhos (1 Co 15.50-52).

Consolemo-nos com essas palavras (1 Ts 4.18). Aleluia! “Ora, vem, Senhor Jesus” (Ap 22.20).

Ciro Sanches Zibordi

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Brincar de Halloween no Dia da Reforma?


Para muitos, Halloween é apenas uma grande brincadeira inofensiva, da qual os cristãos, especialmente os jovens, podem participar sem peso na consciência. Há, inclusive, denominações evangélicas que, para não terem problema com a consciência, substituem festas pagãs por festas gospel, mantendo as características originais das celebrações. Por exemplo, a festa "jesuína" substitui a junina, e o "Jesusween" ou o "Elohin" são colocados no lugar do Halloween. Mas, e a relação dessa festa com o ocultismo e o satanismo?

É lamentável que, no fim do mês de outubro, pastores se lembrem do Dia das Bruxas e se esquecem da Reforma Protestante! Ignoram eles o que fez Martinho Lutero, na manhã de 31 de outubro de 1517, véspera do Dia de Todos os Santos? Aquele sacerdote, professor de teologia e filho de um minerador bem-sucedido, questionou a autoridade papal, as indulgências e outros desvios da Igreja Católica Romana. Não sabem eles que, depois do Pentecostes, a Reforma Protestante foi o maior movimento da Igreja?

Naquela manhã, Lutero afixou na porta da Catedral de Wittenberg (pronuncia-se "vitemberk") um pergaminho que continha 95 declarações. Estas, conhecidas como teses, eram quase todas relacionadas com a venda de indulgências, pacotes caros pagos pelo perdão, inclusive das pessoas que já haviam partido para a eternidade.

Em junho de 1520, Lutero foi excomungado por uma bula — decreto do papa que continha o seu selo oficial —, mas em dezembro, com ousadia, ele queimou esse documento em reunião pública, à porta de Wittenberg, diante de uma assembleia de professores, estudantes e o povo. Em 1521, Lutero foi intimado a comparecer ante as autoridades romanistas, em Worms. E declarou: "Irei, ainda que me cerquem tantos demônios quantas são as telhas dos telhados".

E, naquele ano, no dia 17 de abril, ele se apresentou à Dieta do Concílio Supremo, presidida pelo imperador Carlos V. Para escapar da morte, teria de se retratar. Mas ele não faria isso, a menos que fosse desaprovado pelas próprias Escrituras. E asseverou perante todos: "Aqui estou. Não posso fazer outra coisa. Que Deus me ajude. Amém". Considerado herege, ao regressar à sua cidade Lutero foi cercado e levado por soldados ao castelo de Wartzburg, na Turíngia, onde ficaria "guardado".

Ali, ele traduziu o Novo Testamento para o alemão, obra que, por si só, o teria imortalizado. Quando voltou a Wittenberg, reassumiu a direção do movimento a favor da Igreja Reformada, e a partir daí os princípios da Reforma Protestante se espalharam por toda a Europa, com ajuda de homens de valor, como Zuínglio, Calvino, João Knox etc. E, ao longo dos séculos, continuaram sendo difundidos por todo o mundo através de Armínio, Wesley, Spurgeon, Moody e tantos outros.

Assim como muitos teólogos estão fazendo hoje, os católicos romanos haviam substituído a autoridade da Bíblia pela autoridade da igreja. Eles ensinavam que a igreja era infalível e que a autoridade da Bíblia procedia da tradição. Os reformadores afirmavam que as Escrituras eram a sua regra de fé, de prática e de viver, e que não se devia aceitar nenhuma doutrina que não fosse ensinada por elas.

Portanto, a Reforma Protestante, ao combater as heresias romanistas, devolveu a Bíblia ao povo, que estava sem rumo. Nos dias de hoje, nesses tempos tão difíceis e trabalhosos, em que muitos estão brincando com o pecado e até com festas satânicas, quantos cristãos sérios estão dispostos a protestar contra as heresias verificadas entre nós (2 Pe 2.1; At 20.28), à semelhança de Lutero? Não é tempo de brincadeira. É tempo de pregar os cinco lemas da Reforma: Somente as Escrituras; somente a fé; somente a graça; somente Cristo; e a Deus toda a glória.

Ciro Sanches Zibordi

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

O que uma cantora evangélica foi fazer na #GloboLixo?


Por que uma famosa cantora evangélica aceitou participar de um #Encontro nitidamente contrário ao Evangelho, em uma emissora inimiga da família, além de propagadora da hedionda Ideologia de Gênero e outras aberrações? Aliás, a indignação contra essa emissora, por boa parte da população, é tão grande por causa de sua programação ultraprogressista (para usar um adjetivo mais suave), que ora ela vem sendo chamada de #GloboLixo.

Diante do exposto, que suportem agora, a cantora e os seus fãs, os comentários evangelicofóbicos nas redes sociais, que não são poucos. Penso que, depois de tantos ataques à nossa fé e aos valores bíblicos que tanto prezamos, o mínimo que deveríamos fazer é rejeitar totalmente a programação dessa emissora. Entretanto, vai saber o que passa na cabeça de certos astros do mundo gospel...

Aceitemos de uma vez por todas: a programação — e não as pessoas — dessa emissora, quase em sua totalidade, agride a fé evangélica e merece nosso total desprezo. Nenhum programa ali é digno da nossa visita, nem mesmo os seus badalados festivais de música gospel. Basta!

Ciro Sanches Zibordi

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Para sempre sem Globo


Excelente essa campanha do dia sem Globo, no próximo dia da criança: #Dia12SemGlobo! Depois, na semana que vem, podemos fazer ‘a semana sem Globo’. Em novembro, ‘o mês sem Globo’. E, em 2018, ‘o ano sem Globo’. Finalmente, em 2019, celebraremos o ‘para sempre sem Globo’.

Essa emissora — não só ela, mas é a principal — sempre foi inimiga da família. Ultimamente, porém, passou de todos os limites. Não por acaso, a hashtag #GloboLixo ficou o dia inteiro de segunda-feira nos trending topics do Twitter, figurando entre os primeiros lugares do tt mundial.

Antes, a tag #SomosTodosDonaRegina, em alusão a uma senhora que ousou enfrentar artistas ‘globais’ no programa da jornalista Fátima Bernardes, também esteve nos primeiros lugares. Muita gente, não somente os 'fundamentalistas' evangélicos, está revoltada e protestando contra a programação dessa, ainda, maior emissora brasileira.

Entretanto, pelo que tenho lido, a Globo vai ampliar o seu ataque à família e à inocência das crianças, com mais novelas, programas, reportagens especiais e participação de 'formadores de opinião' em prol da perniciosa Ideologia de Gênero.

Oremos e orientemos nossos parentes e amigos, mas também boicotemos essa emissora e outras que apoiam a chamada Pedofil’Arte. Não precisamos assistir à Globo para refutá-la, pois na Internet ficamos informados de tudo.

Ciro Sanches Zibordi

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Sobre a mostra 'Queermuseu' do Banco Santander


Se você quiser saber o que está por trás da polêmica — para dizer o mínimo — exposição "Queermuseu", cancelada pelo Banco Santander, depois de grande reação da população, leia a excelente obra Famílias em Perigo: o que todos devem saber sobre a Ideologia de Gênero, de Marisa Lobo.

Lobo é uma psicóloga cristã especialista em Ideologia de Gênero. Ela tem defendido a família tradicional nesses tempos tão difíceis, em programas de TV e rádio, na Internet, dando palestras nas igrejas etc. Não conheço, aliás, mesmo considerando obras em outros idiomas, um livro tão completo sobre esse assunto como a dessa serva do Senhor.

Como parte da perniciosa Ideologia de Gênero, a teoria Queer, baseada na filosofia de Michel Foucault, visa à desconstrução da família conforme o modelo estabelecido por Deus. Estejamos atentos. #FicaADica


Ciro Sanches Zibordi

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Tudo começou em 1993


Comecei a escrever — por graça de Deus — em 1993, quando era um jovem presbítero, em São Paulo, e dirigia um ponto de pregação da Assembleia de Deus da Vila Míriam. Eu também era professor de evangelismo e missiologia na Escola Teológica Pastor Cícero Canuto de Lima, hoje Faculdade Evangélica de São Paulo (FAESP). Numa fria noite do inverno daquele ano, perdi o sono e me senti impulsionado a escrever um texto sobre a evangelização, com base nos tópicos de uma apostila que eu preparara para o seminário teológico.

Até então não passava pela minha mente que aquele modesto texto poderia vir a ser publicado no Mensageiro da Paz (CPAD), pois isso, para mim, estava muito distante. Minha intenção era publicá-lo, talvez, no jornalzinho da igreja, mas tudo mudou em um culto, na Assembleia de Deus da Lapa (ligada ao Ministério de São Paulo, Belenzinho), pastoreada, então, pelo saudoso pregador e ensinador Valdir Nunes Bícego.

Numa segunda-feira, ao chegar à reunião setorial de obreiros (eu pertencia a uma das quase setenta congregações da Assembleia de Deus da Lapa, à época), o pastor Valdir Bícego já estava pregando. Havia ali cerca de oitocentas pessoas. E, ao discorrer sobre os dons que o Espírito Santo dá aos servos do Senhor, esse profeta de Deus apontou em direção da galeria, onde eu estava, e disse, com autoridade: “Você, irmão, que recebeu esse dom de Deus para escrever, mande logo o artigo para o Mensageiro da Paz”.

Inicialmente, mesmo sentindo a presença de Deus, pensei que o pastor Valdir falava de maneira geral, e não a mim, especificamente, apesar de o texto que escrevera estar dentro de minha pasta, naquele exato momento. No dia seguinte, comecei a me convencer de que se tratava de uma palavra profética, pela qual Deus me incentivara a enviar meu texto sobre evangelismo à CPAD. E, naquele mesmo dia, encaminhei-o à redação do Mensageiro da Paz.

O tempo passou, e acabei me esquecendo de tudo. E, depois de três meses, num sábado em que estava muito cansado, após seis aulas seguidas, no seminário, visitei a loja da CPAD, no Belenzinho, em São Paulo, para ver as novidades. Uma das primeiras coisas que faço, até hoje, quando entro em uma loja da CPAD, é folhear o Mensageiro da Paz. E, naquele dia — inesquecível —, tive uma agradável surpresa. Havia uma chamada, na capa, relacionada com um texto sobre a evangelização pessoal, a qual prendeu minha atenção. Não passava pela minha mente que poderia ser meu artigo, mas, quando fui conferir, na última página, meu coração disparou. Lá estava o meu nome!

Por graça de Deus, desde então tenho escrito artigos, livros, comentários de Escola Bíblica Dominical para juvenis e adolescentes. Mas a alegria que senti ao ver o meu nome pela primeira vez no Mensageiro da Paz, órgão oficial das Assembleias de Deus no Brasil, não pode ser comparada a nenhuma outra, em minha trajetória como escritor e articulista. Ali Deus confirmou a minha chamada para propagar a sua Palavra também por meio da escrita.

Ouço muitos dizendo: “Eu tenho um sonho de escrever um livro”... Não é pecado “sonhar”, ter projetos, aspirações, tampouco preparar-se, a cada dia, para oportunidades que mais cedo ou mais tarde hão de surgir. Mas, sabe de uma coisa? Eu nunca “sonhei” que um dia escreveria sequer um artigo pela CPAD! Eu jamais imaginei que seria tão honrado por Deus! Foi Ele quem me despertou para isso (Is 50.4). Todos os fatos acima confirmam, de modo inquestionável, a chamada e o dom que recebi do Senhor para escrever, apesar de minha pequenez. Como disse o salmista, “Foi o SENHOR que fez isto, e é coisa maravilhosa aos nossos olhos” (Sl 118.23).

Glória seja dada ao maravilhoso nome de Jesus!

Ciro Sanches Zibordi