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domingo, 12 de agosto de 2018

Saudades do alfaiate


Célia Sanches Zibordi é a serva do Senhor que me instruiu no caminho em que devo andar e foi fiel companheira do alfaiate Renato Zibordi até a sua partida, na semana do centenário da Assembleia de Deus (2011).

Uma imagem que, desde a infância, jamais saiu da minha memória é a de meu pai, muito exausto, trabalhando em casa, à noite. Às vezes, ele adentrava à madrugada assentado em frente a uma máquina de costura, com uma peça de roupa à mão, sob uma luminária.

Muitos anos depois, me vejo diante de uma máquina “costurando”, a exemplo de meu pai. Aliás, debaixo da iluminação do Espírito Santo, adentrando, muitas vezes, à madrugada, muitos são os “fios” (fontes) que uso para confeccionar meus livros. Não por acaso, a Palavra de Deus diz: “Instrui o menino no caminho em que deve andar, e, até quando envelhecer, não se desviará dele” (Provérbios 22.6).

Ciro Sanches Zibordi

terça-feira, 7 de agosto de 2018

Best-sellers da CPAD no último trimestre




Livros mais vendidos da #CPAD em maio, junho e julho de 2018. Fonte: Mensageiro da Paz. João Batista: o Pregador Politicamente Incorreto, que abre a série Pregadores da Bíblia, está em terceiro lugar na categoria obras teológicas, mas estava em segundo nos meses anteriores, nas duas categorias gerais. Louvado seja Deus!

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Cientista da NASA está no Céu


Presenciei, algumas vezes, pessoas rindo quando alguém afirmava que o mestre Antonio Gilberto (1927-2018) foi um cientista da NASA. Isso porque ele sempre empregou um palavreado muito simples; nunca fez questão de exibir-se. Entretanto, quis Deus que esse nordestino do Rio Grande do Norte se tornasse muito mais importante que um cientista da NASA!

Antonio Gilberto da Silva é um servo do Deus Altíssimo que passou, sim, pela NASA, mas notabilizou-se muito mais como um enviado de Deus, um mestre que o Senhor Jesus levantou no Brasil e no mundo para ser um referencial, um imitador de Cristo. Mais que um ícone das Assembleias de Deus, ele é um homem segundo o coração do Senhor.

A despeito de seu vasto cabedal, Gilberto é um homem humilde, que há décadas tem tido compromisso com a Palavra de Deus e com o Deus da Palavra. Emprego o verbo no presente porque esse servo do Deus Altíssimo está vivo! Lembremo-nos de que o nosso Deus, o Deus de Abraão, Isaque e Jacó, é Deus de vivos, e não de mortos (Mt 22.32).

Isso mesmo: Antonio Gilberto há uma semana mudou de residência. Mas, antes de partir, deixou-nos um legado. Imitemo-lo, certos de que ele é um imitador de Cristo (1 Co 11.1).

Ciro Sanches Zibordi

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Inesquecível Antonio Gilberto


Na última segunda-feira (30 de julho de 2018), o Senhor Jesus chamou para si o mestre Antonio Gilberto, maior erudito que conheci, a despeito de ele mesmo nunca ter feito questão de revelar-se como tal. Dizer que o irmão Gilberto é meu pai, meu mestre, meu pastor e meu amigo, como eu fiz nas redes sociais, pode soar como uma tentativa de “capitalizar”, de querer mostrar que éramos amigos íntimos, confidentes etc. Por isso, para ser bem sincero, eu nunca me considerei muito íntimo desse ícone da Assembleia de Deus. Sinto-me até distante dele, em certo sentido.

Tive o privilégio, na verdade, de trabalhar com ele na CPAD, onde almoçávamos juntos e caminhávamos, às vezes, após o almoço. Além disso, me congregava na mesma igreja dele (Assembleia de Deus de Cordovil, no Rio de Janeiro-RJ), onde ouvia seus ensinamentos, e também viajei com ele algumas vezes, conversei várias vezes por telefone, visitei sua casa (poucas vezes) e o recebi em minha casa (apenas uma vez) etc. Mas sempre achei muita pretensão de minha parte querer ser alguém próximo dele. Deus o sabe.

Quase sempre era ele quem me ligava. Minha esposa dizia: “Ligue para o pastor Gilberto”. Mas eu tinha um bloqueio autoimposto. Deus o sabe. Ligava pouquíssimas vezes para o irmão Gilberto, sempre com muita dificuldade, talvez porque não me considerasse digno de sua amizade ou por temer importuná-lo. Quase todos os nossos contatos pessoais tiveram iniciativa dele. Ele é quem me ligava, se importava comigo, queria saber o que estava acontecendo... O que Antonio Gilberto, então, representa (verbo no presente) para mim? Independentemente do contato pessoal que tivemos — que não foi tão grande, como muitos pensam —, o que sou hoje devo em grande parte a esse mestre pentecostal. E isso porque Deus o quis!

Sem dúvida, quem uniu nossas almas foi o Senhor Jesus. Não foi nada além disso. Não foi amizade construída ao longo do tempo, tampouco interesses outros. Foi o Senhor quem tudo preparou! Deus nos uniu antes mesmo de nos conhecermos pessoalmente, quando eu, ainda um adolescente, em São Paulo, lia um de seus clássicos: A Bíblia Através dos Séculos. Ali começou tudo. E, desde então, esse servo de Deus passou a me influenciar e continuaria fazendo isso, houvesse o que houvesse.

Entretanto, quis Deus que nos conhecêssemos pessoalmente. Quis Ele fazer com que eu me sentisse como Timóteo aos pés de Paulo. O que, então, determinava e determina o meu profundo amor por ele? Não foi o fato de vê-lo ou de conversar com ele diariamente. Não é o fato de ele estar vivo ou morto. Aliás, nosso Deus é Deus de vivos, e não de mortos (Mt 22.32). Para mim, assim como Abraão, Isaque e Jacó, Antonio Gilberto está vivo! Ele apenas mudou de residência! O que determina — e sempre determinará — o meu amor por ele é o fato de saber que somos e sempre seremos um, em Cristo.

Hoje, o irmão Gilberto não está entre nós, porém continua me influenciando, em tudo. Ele nunca deixou de me influenciar, aliás. Penso nele diariamente. Lembro-me dos momentos que tivemos juntos e dos que poderíamos ter tido, se Deus o quisesse. Converso com seus textos, especialmente os das apostilas que ele me deu de presente.

Sabe de uma coisa? Embora seja pecado acrescentar palavras à Bíblia, em certo sentido — quem lê entenda — eu inseri dois nomes à galeria dos heróis da fé de Hebreus 11: o evangelista Valdir Bícego (1939-1998) e o mestre Antonio Gilberto (1927-2018). E, da mesma forma que leio os feitos de Enoque, Noé, Abraão, Davi, Samuel etc. com alegria, me lembro dos atos desses dois pastores com muita satisfação!

Somente a eternidade revelará a importância desses dois ícones da Assembleia de Deus, "homens dos quais o mundo não era digno" (Hb 11.38), para o ministério que Deus me outorgou. Ambos estão com o Senhor Jesus, mas deixaram um grande legado! E, por isso mesmo, tenho a missão de continuar reverberando o que aprendi com eles.

À parte desse meu sentimento particular — que ninguém pode tirar de mim —, aproveito mais uma vez para transmitir à querida irmã Iolanda e a toda família do irmão Gilberto as minhas condolências. Que o Senhor Jesus os conforte e os fortaleça mais e mais, derramando sobre todos toda sorte de bênçãos. Consolemo-nos uns aos outros com o que está escrito em 1 Tessalonicenses 4.16-18. “Ver-nos-emos, ver-nos-emos, ver-nos-emos na terra divinal; ver-nos-emos, ver-nos-emos, ver-nos-emos junto ao rio sem igual” (hino 215 da Harpa Cristã).

Ciro Sanches Zibordi

Pastor Antonio Gilberto está com o Senhor


Meu pai, meu mestre, meu pastor, meu amigo, um homem do qual o mundo não era digno (Hebreus 11.38). Antonio Gilberto, o maior erudito que conheci, a despeito de ele nunca se dar a conhecer como tal.

Já está com o Senhor Jesus o inesquecível irmão Gilberto, um ícone da Assembleia de Deus. Deixou um grande legado! “Ver-nos-emos, ver-nos-emos, ver-nos-emos na terra divinal; ver-nos-emos, ver-nos-emos, ver-nos-emos junto ao rio sem igual” (Paulo Leivas Macalão, hino 215 da Harpa Cristã).

Como não tenho palavras neste momento para dizer o que ele sempre representará para mim, vou deixar que as imagens falem por si mesmas.














terça-feira, 10 de julho de 2018

Palestra sobre liderança em São Paulo-SP


No próximo sábado, se Deus quiser, estarei na Assembleia de Deus em São Paulo-SP — pastor José Wellington Bezerra da Costa — para falar no grande encontro da #UMADEB sobre “liderança neste mundo corrompido” (Rm 12.2). Você, que mora ou estiver em SP, é nosso convidado. Inscreva-se e participe!

segunda-feira, 9 de julho de 2018

Bestsellers da CPAD em maio e junho de 2018



Livros mais vendidos da #CPAD em maio e junho de 2018. Fonte: Mensageiro da Paz, Editora CPAD. João Batista: o Pregador Politicamente Incorreto, que abre a série Pregadores da Bíblia, está em segundo lugar em duas categorias. Louvado seja Deus!

Sobre o músico cristão tocar em eventos mundanos


Deve o músico cristão tocar em eventos não cristãos? Com Jesus aprendemos que nem todas as perguntas merecem respostas objetivas. Às vezes, é importante fazer com que o interlocutor reflita e tome a decisão correta. Certa vez, seus oponentes perguntaram ao Mestre se era lícito pagar tributo a César (Mt 22.17). Ele podia ter dito simplesmente “sim”, mas preferiu, antes, apresentar-lhes duas perguntas para reflexão. E, ao ouvir deles a resposta de que a moeda do tributo fazia referência a César, lhes disse: “Dai, pois, a César o que é de César e a Deus, o que é de Deus” (vv. 18-21). Neste artigo, seguirei esse exemplo do Mestre, haja vista a complexidade da pergunta proposta.

Se partirmos do pressuposto de que os hinos de louvor a Deus são “música cristã”, e as composições seculares fazem parte do que chamamos de “música mundana”, a resposta à questão em apreço parecerá simples. Mas, o que define a música cristã e a música mundana? Se dissermos que toda música produzida por não crentes é mundana, teremos de admitir que não podemos aceitar nada que venha do mundo! Nesse caso, por uma questão de coerência, não poderíamos usufruir de nada produzido por pessoas não salvas.

Estamos no mundo e o que devemos fazer é não se contaminar com ele. Assim, a música que chamamos de mundana é aquela que nos põe efetivamente em contato direto com o pecado. E isso não se dá somente por meio do seu conteúdo; o estilo musical também, independentemente da letra, pode conduzir o salvo ao pecado, como eu explico em meu livro Erros que os Adoradores Devem Evitar (CPAD, 2010).

Por outro lado, nem sempre a música produzida por cristãos é, verdadeiramente, cristã. Pense nas composições antropocêntricas, as que glorificam o ser humano. Considere também as canções que até são bíblicas, mas em ritmo de funk, um estilo que está claramente, desde a sua origem, atrelado ao que se opõe à vontade de Deus. O funk dos morros cariocas e das comunidades paulistas, por exemplo, está relacionado com a promiscuidade. As danças, explicitamente, são simulações sexuais. Como pensar que isso pode ser purificado por letras cristãs e oferecido ao Senhor?

Ainda antes de responder à questão principal, faz-se necessário propor outras perguntas. Na igreja há inúmeros profissionais, de vários segmentos, como advogados, médicos, professores de História etc., e todos eles devem pautar suas condutas pela ética cristã. Um advogado cristão pode defender um pedófilo ou traficante de drogas? Um médico cristão pode fazer abortos? Um professor cristão pode doutrinar seus alunos, opondo-se às Escrituras, ao discorrer sobre a biografia de Karl Marx?

A resposta a todas as perguntas acima pode ser “sim”. No entanto, e se nós substituirmos o verbo “poder” por “dever”? Deve um cristão defender pedófilos ou traficantes? Deve ele fazer abortos? Deve doutrinar seus alunos, em vez de apenas apresentar-lhes lições de História à luz das melhores fontes? A resposta a essas questões deve ser “não”, já que ao servo do Senhor todas as coisas são lícitas, mas nem todas convêm, edificam ou enaltecem a Deus (1Co 10.22-33).

Bem, concentremo-nos na pergunta inicial: “Deve um músico cristão tocar em eventos não cristãos?” Há que se distinguir dois tipos de músico cristão. O primeiro é aquele que toca seu instrumento na igreja apenas e tão-somente para o louvor do Senhor, não dependendo da música para manter-se. O segundo é o músico profissional convertido a Cristo ou o que aprendeu a tocar na igreja e agora exerce essa profissão.

Pense em um cristão músico que trabalhe para uma agência de publicidade. Como empregado, ele deve atender às ordens de seu empregador. Estaria ele livre para compor todo e qualquer tipo de música? Digamos que seu patrão lhe incumba de fazer um jingle que incentive os foliões, por ocasião do carnaval, a participar de todo tipo de orgia, desde que usem preservativos!

Qualquer profissional que paute a sua vida pelas Escrituras e pela ética cristã entenderá que limites lhe são impostos. Ele chegará à conclusão, inclusive, de que perderá oportunidades, caso queira agradar ao Senhor. Lembremos do profeta Daniel. Embora ele trabalhasse no palácio babilônio, “assentou no seu coração não se contaminar com a porção do manjar do rei, nem com o vinho que ele bebia; portanto, pediu ao chefe dos eunucos que lhe concedesse não se contaminar” (Dn 1.8).

Vale a pena, para manter-se financeiramente, um músico cristão contaminar-se, tocando em casas de shows ou bares? Deve ele tocar para cantores mundanos ou fazer parte de suas bandas? A alegação de que se trata de um trabalho profissional, nesse caso, não é suficiente, pois algumas pessoas, por exemplo, veem a prostituição como uma profissão. Isso dá o direito a alguém de alegar que não peca contra o corpo, quando se relaciona sexualmente com alguém de modo “profissional”?

Bem, diante de toda a problematização que apresentei, quero responder, finalmente, à questão proposta inicialmente por meio de três assertivas:

1) Nada justifica a prática do pecado. O fato de precisarmos de dinheiro para nosso sustento e de nossa família não nos dá o direito de ignorar os princípios e mandamentos da Palavra de Deus. Não é vedado ao cristão ser um músico profissional, mas isso não significa que ele deva valer-se disso para ganhar dinheiro a qualquer custo. Um músico cristão pode, perfeitamente, compor para cantores cristãos ou ser ele próprio um intérprete da música, cantando e tocando louvores a Deus nas igrejas e tendo seu trabalho reconhecido pelo povo de Deus.

2) A comunhão com Deus está acima de tudo. Um crente que toca na casa do Senhor e, depois, em bailes ou no carnaval, está se prendendo a um jugo desigual com os infiéis; e, portanto, peca contra Deus (2Co 6.14-18). Jesus ensinou, de modo figurado, que, se qualquer parte do nosso corpo prejudicasse a nossa comunhão com Deus, trazendo escândalo, deveria ser arrancada e jogada longe (Mt 5.29-30).

3) O crente não deve ser extremista. O princípio da razoabilidade leva-nos a considerar que o trabalho do músico cristão profissional não precisa ficar circunscrito à esfera eclesiástica. Se usarmos o bom senso, chegaremos à conclusão de que existem algumas atividades que não são incompatíveis com a vida cristã. Tocar em shows, em bares ou durante carnaval é, como vimos, uma conduta imprópria. Ainda que alguém alegue não estar pecando, objetivamente, é preciso considerar o fato de que devemos fugir do pecado e da aparência do pecado, examinando-se tudo, a fim de que somente o bem seja praticado (1Ts 5.21-22 e Hb 12.1,2).

Por outro lado, que tipo de pecado comete um músico cristão que faz parte de uma orquestra sinfônica ou toca em uma cerimônia de casamento? Pelo princípio da razoabilidade, nem toda música composta no meio secular é prejudicial à nossa comunhão com Deus, assim como nem toda música composta por cristãos é, de fato, cristocêntrica ou condizente com a Palavra de Deus. Nem todo ambiente é prejudicial à nossa comunhão com Deus. Há que se considerar o abismo enorme existente entre um concerto de música erudita e um baile carnavalesco!

Portanto, deve um músico cristão tocar em festas mundanas? A resposta, ante o exposto, é negativa. E, no caso dos músicos profissionais que se convertem a Cristo, devem eles deixar a sua profissão? A rigor, não. No entanto, devem se conduzir de acordo com a ética cristã e observar o que a Palavra de Deus diz em Filipenses 4.8: “Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai”.

Ciro Sanches Zibordi
Texto publicado no Mensageiro da Paz de maio de 2018

O modismo de pregar com fundo musical


Por graça de Deus, tenho pregado o Evangelho e ensinado a Palavra de Deus desde 1988. Por favor, não me pergunte qual é a minha idade! Mas tive o privilégio de aprender aos pés de Valdir Nunes Bícego (in memoriam), na Assembleia de Deus da Lapa, em São Paulo.

Tenho conhecido, graças ao ministério que o Senhor me outorgou, famosos expoentes das Escrituras. E observo que, ao longo dos anos, muitos deles passaram a valorizar mais a forma do que o conteúdo. Optaram por priorizar, infelizmente, o malabarismo, a animação de auditório e outras práticas mecanicistas, inclusive a adoção de fundos musicais melodramáticos, visando a uma suposta “colheita imediata”, muitas vezes, financeira, e não ao “plantio da boa semente”: a Palavra de Deus.

Conquanto este seja um “duro discurso”, não posso deixar de dizê-lo. Além das falações intermináveis dos levitas (levitas?), que muitos chamam de ministrações, durante o momento de louvor (louvor?), os aludidos fundos musicais durante a explanação da Palavra — a qual se torna cada vez mais sucinta, para não cansar os ouvintes — e outras inovações têm sido um prenúncio de que, em breve, caso os líderes não se despertem, a exposição simples das Escrituras não será mais bem-vinda no culto a Deus. A bem da verdade, o erro maior não é dos “levitas”, pois muitos pregadores fazem questão do fundo musical.

Alguns pregadores, inclusive, prevendo a possibilidade de não haver músicos hábeis para produzir fundos musicais que “toquem a alma”, eles mesmos já têm à mão um CD com melodias que “preparam o coração dos ouvintes”. Não teriam eles aprendido isso com o showman Benny Hinn, que usa o fundo musical para sugestionar pessoas, a fim de derrubá-las?

Será mesmo que a exposição da poderosa Palavra de Deus precisa desse tipo de “muleta”? Digo isso, não porque seja inimigo da música. Pelo contrário, a música é uma bênção, mas ao ser executada no momento certo! Segundo a Palavra de Deus, no culto feito com ordem e decência, há o momento apropriado para todas as coisas (1 Co 14.26-40).

Graças a Deus, ainda há ensinadores e pregadores que não aderiram ao modismo do fundo musical e continuam priorizando a exposição das Escrituras com autoridade e simplicidade. Mas, sabe o que mais os irrita, além dos famigerados fundos musicais não solicitados? Músicos ou “levitas” tocando guitarra — mesmo desligada — durante a explanação das Escrituras!

Tocar guitarra ou contrabaixo durante a pregação, aliás, além de falta de reverência, é uma deselegância sem tamanho e evidencia a falta de interesse pela exposição das Escrituras. Nesses tempos pós-modernos, alguns “levitas” não conseguem deixar de tocar seus instrumentos nem no momento da pregação!

Eles abrem o culto tocando, tocam enquanto cantores e grupos louvam e, na hora da pregação, em vez de prestarem atenção à exposição da Palavra, preferem “ajudar” o pregador fazendo um fundo musical ou desligam suas guitarras ou contrabaixos, mas continuam batendo nas cordas, alheios à pregação. Pensam eles que aquele barulhinho irritante não atrapalha o pregador? “Aviva, ó Senhor, a tua obra” (Hc 3.2).

Ciro Sanches Zibordi

quarta-feira, 4 de julho de 2018

RESENHA: João Batista: o Pregador Politicamente Incorreto


Autor da resenha: Valdemir Pires Moreira (1)
Obra: João Batista: o pregador politicamente incorreto (ZIBORDI, Ciro Sanches. Rio de Janeiro: CPAD, 2018, 112 p.)

O ministério eclesiástico enfrenta atualmente uma crise de identidade, pois não são poucos aqueles que almejam tal posição em busca de promoção pessoal. Quando observamos alguns personagens bíblicos, somos confrontados com o comportamento ético com que viviam diante de Deus, contrariando assim, muitos dos que em nossos dias, usam o santo ministério para promoção pessoal em prol de benefícios outros. João, também chamado de João Batista, é um desses personagens, que ao ser convocado por Deus, cumpre cabalmente seu ministério, não procurando o engrandecimento de sua própria pessoa.

Na introdução, Zibordi faz uma rápida análise sobre o número sete nas Escrituras, observando que: “Nas Escrituras, o número sete raramente aparece sem um propósito definido e pode denotar perfeição, plenitude ou totalidade”. Em seguida o autor discorre sobre sete pregadores (João Batista, Jesus Cristo, Pedro, Estevão, Felipe, Barnabé e Paulo) para dar ênfase as qualidades e marcas que os faz serem pregadores aprovados por Deus.

No primeiro capítulo, o autor narra uma história em parte ficcional (Jo 1.19-36; Lc 3.15-20 e Jo 3.23-30), porém carregada de verdades bíblicas, que é bem próprio de seu estilo de escrita. A história narra uma entrevista feita pelos sacerdotes a João Batista. Em seguida, lança-se luz sobre o João Batista histórico e as fontes bíblicas e históricas que confirmam sua existência.

O segundo capítulo traz o título The Voice, onde o autor faz comentários acerca de João Batista, como embaixador de Deus, seu chamado confirmado no deserto, sua vida de oração e jejum, e sobre a discussão envolvendo João Batista, se ele era ou não um essênio? O autor traça ainda o ambiente desértico vivido por João Batista, sua origem e seu ministério profético em meio ao deserto.

No terceiro capítulo, o assunto é a pregação politicamente incorreta, em que será tratado sobre a ditadura do politicamente correto (como uma das marcas da sociedade pós-cristã), seguida de uma análise de um mundo politicamente correto, de um papa politicamente correto e, ainda, sobre um evangelho politicamente correto. Finaliza-se o referente capítulo contrapondo ambos os pontos analisados a partir de João Batista, o pregador politicamente incorreto.

O quarto capítulo gira em torno da mensagem cristocêntrica de João Batista, um simples pregador que obteve grande resultado como precursor do Salvador. O autor ainda fala sobre a vestimenta de João Batista, bem como sua alimentação de mel e gafanhotos que são motivos de curiosidade de muitos. Um dos destaques deste capítulo é uma atual discussão no cenário teológico brasileiro: o autor descreve os cinco pontos (FACTS) do arminianismo e seu relacionamento com um evangelho cristocêntrico. Como observa o autor, para os pentecostais os teólogos Jacó Armínio e John Wesley foram os que melhor interpretaram a soteriologia bíblica.

No quinto capítulo, Zibordi fala-nos acerca de dois batistas mencionados no NT. Um que batizava em água (João Batista) e outro que batiza com o Espírito Santo e com Fogo (Jesus Cristo). Em seguida o autor discorre sobre pontos fundamentais da teologia pentecostal e fala-nos sobre o que é ser cheio do Espírito. Jesus batiza com Fogo? Afinal, o que é batismo com o Espírito Santo e com Fogo? O que são as Línguas como que de Fogo? Após essa última interrogação, o autor explica o que são línguas como evidência do batismo no Espírito, línguas como dom e línguas como edificação do crente.

No penúltimo capítulo, observa-se a postura de João Batista como pregador, contrastando-a com a dos pregadores stand-up e coach de nossos dias.

No último capítulo, que traz o título Acabou a Carreira, Perdeu a Cabeça, Guardou a Fé, o autor descreve sete passos necessários que nos levam a “perder a cabeça” diante da sociedade politicamente correta em que vivemos. São eles: obedeça fielmente ao chamado de Deus; pregue o arrependimento e seja politicamente incorreto; preocupe-se menos com a aparência e consagre-se a Deus; não abra mão da mensagem cristocêntrica; seja cheio do Espírito Santo e creia no pentecostes; não queira aparecer, mas dê toda a glória a Jesus; e priorize a Palavra de Deus, e não os sinais.

A obra é necessária e urgente no contexto atual que estamos vivendo, em que falsos pregadores exaltam-se a si mesmos e pregam um evangelho antropocêntrico, desprovido dos princípios do verdadeiro Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo. Tomemos aqui esses conselhos deixados pelo pastor Ciro Sanches Zibordi e cumpramos fielmente o chamado de Deus em nossas vidas.

(1) Valdemir Pires Moreira é diácono da Igreja Evangélica Assembleia de Deus de Caucaia (CE), casado com Elizangela Pires Oliveira Moreira, bacharel eclesiástico pelo ICI BRASIL – Instituto Cristão Internacional e administrador do Canal Teologia Pentecostal Assembleiana (Youtube)