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quarta-feira, 17 de julho de 2019

A pregação apologética na pós-modernidade


Escrita no quarto século a.C. por Arístocles de Atenas (Platão), a Apologia de Sócrates é o registro da defesa do filósofo Sócrates perante seus acusadores no Areópago, em Atenas. Nos tempos neotestamentários, o termo grego apologia era empregado com o sentido de salvaguardar-se (cf. At 22.1; 25.16; 1 Co 9.3; 2 Co 7.11; Fp 1.7; 2 Tm 4.16), mas também com o de defender o evangelho (Fp 1.16; 1 Pe 3.15). A despeito de a palavra apología, nessas passagens, ter sido traduzida por “defesa” ou “responder”, no sentido de apresentar uma defesa, veremos que o papel do pregador do evangelho (e também do ensinador da sã doutrina) é o de atacar as heresias.

É um equívoco pensar que o trabalho do apologista é o de ficar esperando o evangelho ser atacado para defendê-lo. Ele prega a Palavra de Deus e, ao fazer isso, ataca o erro. Não por acaso, na armadura do cristão descrita pelo apóstolo Paulo, há armas de defesa (escudo, capacete etc.) e a espada do Espírito, a única e suficiente arma de ataque (Ef 6.10-18). Em apologética, paradoxalmente, defender o evangelho é atacar o erro de fora (ateísmo, vãs filosofias, falsa ciência) e o de dentro (liberalismo teológico, Teologia da Prosperidade, evangelho marxista etc.).

Na pós-modernidade, um dos maiores desafios do pregador do evangelho, além de apresentar mensagens cativantes quanto a conteúdo e forma, é o de ser um apologista. O prefixo “pós” não indica somente substituição da era moderna ou sublevação contra ela. Além de antítese da modernidade, a pós-modernidade é uma era pós-cristã em que não apenas ocorre uma insurgência contra o Iluminismo, que deu origem à era moderna, mas principalmente uma ferrenha oposição ao cristianismo. Na Renascença, ainda na pré-modernidade, não houve a entronização da razão, porém solapou-se a autoridade da Igreja. E, bebendo da fonte renascentista, os iluministas elevaram o ser humano ao centro do mundo, substituindo Deus pela humanidade e colocando-a no palco da História.

O Iluminismo rompeu a cosmovisão teísta, apurada pela Reforma Protestante, de maneira permanente e radical, transformando a razão em fonte primária de autoridade, acima das “superstições” proclamadas pelos cristãos. Em meio à oposição às Escrituras, no fim da era pré-moderna, em 1780, surgiu em Gloucester, Inglaterra, a Escola Bíblica Dominical (EBD), fundada por Robert Raikes. Já na modernidade — que teve seu ápice na Revolução Industrial —, apologistas do evangelho tinham o desafio de se opor ao pensamento de John Locke, Voltaire, Rousseau, Montesquieu, Diderot, Hume, Kant etc., os quais associavam a verdade à racionalidade, fazendo da razão o único árbitro da crença correta. Em 1855, enquanto se propagava pelo mundo a cosmovisão deísta (religião natural, racional) dos iluministas, a EBD, na “contramão” (cf. Rm 12.1,2), apresentando a cosmovisão teísta dos reformadores, chegou a Petrópolis, Rio de Janeiro.

Com a publicação de Assim Falava Zaratustra, de Friedrich Nietzsche, em 1883, assinalou-se o começo do fim da era moderna e o início da gestação da pós-moderna, que traria novos desafios à pregação do evangelho e ao ensino da sã doutrina. Na década de 1970, o ataque da pós-modernidade às Escrituras começou a ter maior intensidade, com o surgimento do movimento pós-modernista, cujos ideólogos principais, além de Nietzsche, são: Foucault, Marx, Gramsci, Darwin etc. Estes substituem o otimismo e o positivismo do século XIX por um pessimismo corrosivo, visando a desconstruir dialeticamente o discurso filosófico ocidental. Embora rejeitem o Iluminismo, os pós-modernistas adotam o naturalismo como cosmovisão dominante, uma excrescência iluminista que abarca materialismo, ateísmo, antropocentrismo e evolucionismo.

O principal argumento pós-moderno contrário ao cristianismo é o de que não existe verdade absoluta nem lugar para conceitos absolutos de dignidade, moral, ética e fé em Deus. Nietzsche notabilizou-se por atacar a moralidade e dizer que ela é simplesmente um costume local ou uma expressão de sentimentos duvidosos. Foucault, por sua vez, afirma que a verdade é uma fabricação ou ficção. Um filme (em três partes) que mostra a importância de nos opormos a essas influências filosóficas anticristãs é Deus não Está Morto, especialmente a segunda película, que conta com a participação de apologistas renomados, como Lee Strobel e Rice Broocks.

Uma das influências filosóficas da pós-modernidade é o pluralismo, que se manifesta principalmente como a diversidade que há numa sociedade multicultural e relativista. Cada grupo tem a “sua verdade”; a mentalidade pós-moderna é eclética e compreende mais do que simplesmente a tolerância a outros pontos de vista. Como todas as culturas são consideradas moralmente equivalentes, e como são muitas as comunidades humanas, são inúmeras também as diferentes “verdades”, que podem existir umas ao lado das outras. A verdade tem sido desconstruída e substituída pela imparcialidade; passou-se a priorizar “a minha opinião”, não havendo, pois, espaço para o primado das Escrituras.

As famílias nunca mais foram as mesmas depois da Revolução Industrial, que alienou a maioria das suas funções. Mas, na pós-modernidade, em razão do aumento desenfreado do consumismo, do hedonismo e das mutações e convulsões sociais (cf. Rm 1.18-32), têm surgido novos estilos de “família”. O conceito bíblico de união familiar tem sido substituído pela diversidade, e a “família” pode ser nuclear, expandida, multigeracional, formada por recasados, por pessoas do mesmo sexo e até poligâmica. Questões de gênero têm sido usadas contra o evangelho, e já há setores do evangelicalismo cedendo à pressão de perniciosos movimentos, como o feminismo e o elegebetismo, formado por ativistas lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros. Cabe ao pregador do evangelho, ao discorrer sobre o papel de homem e mulher na família, atacar o pecado da homossexualidade, e não a pessoa do homossexual (Rm 1.27; 1 Co 6.10). Ele deve ensinar sem medo “que, no princípio, o Criador os fez macho e fêmea” (Mt 19.4).

Vigora na pós-modernidade a ideia pragmática de que tudo o que é cultural pode fazer parte do culto evangélico. Os pregadores do evangelho devem ser firmes na defesa da proeminência do Reino de Deus sobre a cultura humana. Lembremo-nos de que a porta e o caminho para a salvação são estreitos (Mt 7.13,14) e de que a Igreja foi estabelecida por Jesus para pregar o evangelho, e não contextualizá-lo a fim de agradar o ser humano. Atentemos para as palavras do nosso Mestre, em Mateus 28.19,20: “ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado”.

Outras verdades que o pregador do evangelho deve defender são: a encarnação sobrenatural do Verbo e sua morte como nosso substituto penal, a realidade do Inferno e o reconhecimento de que Satanás e os demônios são reais e estão ativos no mundo. O pregador e também o ensinador devem reafirmar que “o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1.14; 1 Tm 3.16). E que, graças a isto, o Deus-Homem provou a morte por todos os homens, a fim de nos livrar da condenação e das garras do Inimigo (2 Co 5.14; Cl 2.14,15). Evocando o pensamento dos reformadores, devemos afirmar a ideia da substituição penal, a fim de declarar que o Senhor suportou em lugar da humanidade a penalidade que ela deveria pagar (Hb 2.9-15).

As filosofias pós-modernas contrárias à Palavra de Deus são muitas e têm influenciado o evangelicalismo de tal modo, que a cada dia cresce o número de “cristãos não salvos” em busca de autoajuda, ignorando que, por causa de sua natureza pecadora (Rm 3.23; 5.12), todos precisam ser envolvidos pela graça de Deus e entrar pelo único caminho para a salvação (Tt 2.11; Jo 10.9; 14.6). Que sejamos firmes no ensino da sã doutrina, na defesa de que toda a Escritura é inspirada por Deus (2 Tm 3.16), verberando contra as heresias “entre nós” (cf. At 20.29; 2 Pe 2.1), sempre preparados para responder a todos “com mansidão e temor” (1 Pe 3.15).

Ciro Sanches Zibordi

Referências
COLSON, Charles; PEARCEY, Nancy. O Cristão na Cultura de Hoje. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.
______________________________. E Agora como Viveremos? Rio de Janeiro: CPAD, 2000.
GANGEL, Kenneth O.; HENDRICKS, Howard G. Manual de Ensino para o Educador Cristão. Rio de Janeiro: CPAD, 2000.
GRENZ, Stanley J. Pós-modernismo: um guia para entender a filosofia do nosso tempo. São Paulo: Vida Nova, 1997.
PALMER, Michael D. Panorama do Pensamento Cristão. Rio de Janeiro: CPAD, 2001.
PIPER, John; TAYLOR, Justin. A Supremacia de Cristo em um Mundo Pós-moderno. Rio de Janeiro: CPAD, 2007.
RADMACHER, Earl; ALLEN, Ron; HOUSE, H. Wayne. Compact Bible Commentary. Nashville, TN: Thomas Nelson, 2004.
TOFFLER, Alvin e Heidi. Criando uma Nova Civilização. Rio de Janeiro: Record, 1995.
ZACHARIAS, Ravi; GEISLER, Norman. Sua Igreja Está Preparada? Rio de Janeiro: CPAD, 2007.

segunda-feira, 8 de julho de 2019

Barnabé: o Pregador de Fé e Obras


Em breve: Barnabé, o Pregador de Fé e Obras, quinto livro da série Pregadores da Bíblia, de minha autoria (CPAD). Clique na imagem ao lado para conhecer todos os livros dessa série.

Ciro Sanches Zibordi

segunda-feira, 29 de abril de 2019

Estêvão: o Primeiro Apologista do Evangelho


RESENHA
Valdemir Pires Moreira
ZIBORDI, Ciro Sanches
Estevão: o primeiro apologista do Evangelho
Rio de Janeiro: CPAD, 2018, 176 pp.

O autor é Ciro Sanches Zibordi, pastor na Igreja Assembleia de Deus da Ilha da Conceição, em Niterói - RJ, formado em Teologia (Faculdade Evangélica de São Paulo - SP) e Relações Internacionais (Universidade La Salle-RJ). Membro da Academia Evangélica de Letras do Brasil e da Casa Emílio Conde; colunista do CPAD News; articulista do Jornal Mensageiro da Paz (CPAD). E autor de diversas obras.

Não são poucos, infelizmente, “os pregadores” que se esforçam ao máximo para deixar suas marcas na história. Uma boa parte deles usa de suas próprias forças, em busca do reconhecimento de seu público, negligenciando na maioria das vezes a mensagem integral do Evangelho, na busca de ser aceitos pelo povo e pela massa de “crentes” que buscam uma mensagem que agradem aos seus ouvidos. Não é isso que vemos, quando analisamos a vida do jovem Estevão, que uma vez escolhido para servir a Igreja, se destacou não por meio de suas próprias forças, mas por meio da dependência e direção do Espírito Santo, tornando-se o primeiro apologista do Evangelho.

Na introdução, Zibordi declara sentir-se desafiado, diante do momento que muitos escritores estão vivendo. Segundo o pesquisador Nicholas G. Carr, a Internet está alterando os padrões de percepção. Essa alteração tem levado à diminuição do interesse pela leitura de livros, acontecimento esse que, segundo o autor, já é percebido nas grandes cidades dos Estados Unidos e da Europa. A era da informação e da interatividade tem gerado uma falta de paciência para a leitura de bons livros. Sendo assim, para Zibordi, tem sido um grande desafio escrever a série Pregadores da Bíblia.

No primeiro capítulo, o título é Atos dos não Apóstolos, e o autor trata de vários nomes que poderiam ser dados ao livro de Atos do Apóstolos, nome esse que é usado desde o segundo século d.C. Para o autor, o livro poderia ser classificado como: 1) Atos do Espírito Santo; 2) Atos do Sumo Apóstolo; 3) Atos dos Anjos do Senhor; 4) Atos dos Doze Apóstolos; 5) Atos dos Dois Apóstolos; e 6) Atos dos não Apóstolos, aqui Zibordi imagina qual seria o tamanho do livro, caso todos os seus personagens e seus feitos fossem mencionados, e em seguida conclui fazendo menção aos primeiros problemas enfrentados pela Igreja Primitiva e a solução advinda diretamente de Deus.

O segundo capítulo tem como título Candidato Aprovado, e Zibordi traz-nos o significado do termo “candidato” na época da Roma Antiga; em seguida faz profundas observações acerca do que é a “boa reputação” e seu significado no âmbito do casamento. Esclarece o termo “irrepreensível” e seu real significado. Prossegue ainda no referido capítulo mencionando assuntos, tais como, o jeitinho brasileiro e xenofobia. Discorre sobre a expressão “apto para ensinar” (1 Tm 3.2 e 2 Tm 2.24), bebidas alcoólicas e seu uso entre os cristãos e finaliza o capítulo tratando acerca da boa reputação que o obreiro deve cultivar no seio da família.

O terceiro capítulo gira em torno do pregador cheio do Espírito; o autor inicia esse capítulo fazendo uma abordagem sobre o segredo de Estevão, e em seguida faz um acurado estudo sobre o “Paracleto”. Segue o capítulo tratando do que é ser cheio do Espírito; e, para fazer-nos entender melhor o que vem a ser a plenitude do Espírito Santo, Ciro declara que é necessário conhecermos o sentido de quatro termos bíblicos relacionados com a presença do Espírito dentro de nós: selo, penhor, testemunho e fruto do Espírito; e conclui o capítulo explicando como podemos ser cheio do Espírito Santo.

No quarto capítulo, Ciro classifica Estevão como um pregador que tem conteúdo e analisa o jovem pregador como o primeiro apologista, que era cheio de sabedoria, cheio de fé, cheio de graça, cheio de poder, e que era um pregador em cuja vida e ministério os dons espirituais manifestavam-se de modo eficaz.

O quinto capítulo traz uma abordagem histórica e trata do termo “apologia” a partir de Platão; Ciro segue fazendo menção de apologistas contemporâneos, tais como: Lee Strobel, Rice Broocks e William Lane Craig. Em seguida, analisa esse termo no Novo Testamento e a ação dos apologistas no primeiro e segundo século; e finaliza o capítulo pontuando alguns dos maiores desafios do pregador cristão na pós-modernidade, além de traçar na história a chegada desse período.

No sexto capítulo, Zibordi acrescenta outros expoentes à lista de apologistas, tais como Razi Zacharias, David Jeremiah, William Lane Craig dentre outros. Em seguida, aponta as dificuldades enfrentadas por Estevão, o primeiro apologista do Evangelho. O autor comenta os vários textos contidos em Atos do Apóstolos em que se registra a ação apologética de Estevão e a defesa de sua fé diante de seus opositores.

No sétimo e último capítulo, que traz como título, Vencido Vence Vencedor, Zibordi finaliza descrevendo os últimos momentos da vida do jovem Estevão, e como venceu morrendo triunfantemente sem negar sua fé, mas vivendo-a intensamente no poder do Espírito até seu último suspiro.

Valdemir Pires Moreira é diácono da Igreja Evangélica Assembleia de Deus de Caucaia-CE. Bacharel em Teologia pelo INTA - Instituto Superior de Teologia Aplicada. Bacharel Eclesiástico pelo ICI BRASIL - Instituto Cristão Internacional, professor de Escola Bíblica. Autor do livro Teoria e Método Teológico no Pensamento de Jacó Armínio (Editora Reflexão). Casado com Elizangela Pires.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

João Batista: o Pregador Politicamente Incorreto


João Batista: O pregador politicamente incorreto: Neste livro, o pastor, autor best-seller e articulista Ciro Sanches Zibordi discorre sobre o ministério daquele que veio preparar o caminho para Jesus Cristo: João Batista.

sábado, 22 de dezembro de 2018

Agradecimento a todos os nossos apoiadores



Ano-novo se aproxima. É momento de glorificar a Deus pelas vitórias alcançadas e agradecer a todos os nossos apoiadores. Neste ano, por graça de Deus, tivemos três livros da série Pregadores Da Bíblia publicados. E todos estão na lista dos mais vendidos da CPAD (fonte: Mensageiro da Paz, novembro/2018).

No ano que vem, se o Senhor quiser, tem mais. Agradeço a Deus, minha família, nossa editora, bem como a todos os leitores e amigos por esse ano abençoadíssimo! E desejo a todos os nossos apoiadores um feliz 2019!

Ciro Sanches Zibordi