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segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Sobre a mostra 'Queermuseu' do Banco Santander


Se você quiser saber o que está por trás da polêmica — para dizer o mínimo — exposição "Queermuseu", cancelada pelo Banco Santander, depois de grande reação da população, leia a excelente obra Famílias em Perigo: o que todos devem saber sobre a Ideologia de Gênero, de Marisa Lobo.

Lobo é uma psicóloga cristã especialista em Ideologia de Gênero. Ela tem defendido a família tradicional nesses tempos tão difíceis, em programas de TV e rádio, na Internet, dando palestras nas igrejas etc. Não conheço, aliás, mesmo considerando obras em outros idiomas, um livro tão completo sobre esse assunto como a dessa serva do Senhor.

Como parte da perniciosa Ideologia de Gênero, a teoria Queer, baseada na filosofia de Michel Foucault, visa à desconstrução da família conforme o modelo estabelecido por Deus. Estejamos atentos. #FicaADica


Ciro Sanches Zibordi

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Tudo começou em 1993


Comecei a escrever — por graça de Deus — em 1993, quando era um jovem presbítero, em São Paulo, e dirigia um ponto de pregação da Assembleia de Deus da Vila Míriam. Eu também era professor de evangelismo e missiologia na Escola Teológica Pastor Cícero Canuto de Lima, hoje Faculdade Evangélica de São Paulo (FAESP). Numa fria noite do inverno daquele ano, perdi o sono e me senti impulsionado a escrever um texto sobre a evangelização, com base nos tópicos de uma apostila que eu preparara para o seminário teológico.

Até então não passava pela minha mente que aquele modesto texto poderia vir a ser publicado no Mensageiro da Paz (CPAD), pois isso, para mim, estava muito distante. Minha intenção era publicá-lo, talvez, no jornalzinho da igreja, mas tudo mudou em um culto, na Assembleia de Deus da Lapa (ligada ao Ministério de São Paulo, Belenzinho), pastoreada, então, pelo saudoso pregador e ensinador Valdir Nunes Bícego.

Numa segunda-feira, ao chegar à reunião setorial de obreiros (eu pertencia a uma das quase setenta congregações da Assembleia de Deus da Lapa, à época), o pastor Valdir Bícego já estava pregando. Havia ali cerca de oitocentas pessoas. E, ao discorrer sobre os dons que o Espírito Santo dá aos servos do Senhor, esse profeta de Deus apontou em direção da galeria, onde eu estava, e disse, com autoridade: “Você, irmão, que recebeu esse dom de Deus para escrever, mande logo o artigo para o Mensageiro da Paz”.

Inicialmente, mesmo sentindo a presença de Deus, pensei que o pastor Valdir falava de maneira geral, e não a mim, especificamente, apesar de o texto que escrevera estar dentro de minha pasta, naquele exato momento. No dia seguinte, comecei a me convencer de que se tratava de uma palavra profética, pela qual Deus me incentivara a enviar meu texto sobre evangelismo à CPAD. E, naquele mesmo dia, encaminhei-o à redação do Mensageiro da Paz.

O tempo passou, e acabei me esquecendo de tudo. E, depois de três meses, num sábado em que estava muito cansado, após seis aulas seguidas, no seminário, visitei a loja da CPAD, no Belenzinho, em São Paulo, para ver as novidades. Uma das primeiras coisas que faço, até hoje, quando entro em uma loja da CPAD, é folhear o Mensageiro da Paz. E, naquele dia — inesquecível —, tive uma agradável surpresa. Havia uma chamada, na capa, relacionada com um texto sobre a evangelização pessoal, a qual prendeu minha atenção. Não passava pela minha mente que poderia ser meu artigo, mas, quando fui conferir, na última página, meu coração disparou. Lá estava o meu nome!

Por graça de Deus, desde então tenho escrito artigos, livros, comentários de Escola Bíblica Dominical para juvenis e adolescentes. Mas a alegria que senti ao ver o meu nome pela primeira vez no Mensageiro da Paz, órgão oficial das Assembleias de Deus no Brasil, não pode ser comparada a nenhuma outra, em minha trajetória como escritor e articulista. Ali Deus confirmou a minha chamada para propagar a sua Palavra também por meio da escrita.

Ouço muitos dizendo: “Eu tenho um sonho de escrever um livro”... Não é pecado “sonhar”, ter projetos, aspirações, tampouco preparar-se, a cada dia, para oportunidades que mais cedo ou mais tarde hão de surgir. Mas, sabe de uma coisa? Eu nunca “sonhei” que um dia escreveria sequer um artigo pela CPAD! Eu jamais imaginei que seria tão honrado por Deus! Foi Ele quem me despertou para isso (Is 50.4). Todos os fatos acima confirmam, de modo inquestionável, a chamada e o dom que recebi do Senhor para escrever, apesar de minha pequenez. Como disse o salmista, “Foi o SENHOR que fez isto, e é coisa maravilhosa aos nossos olhos” (Sl 118.23).

Glória seja dada ao maravilhoso nome de Jesus!

Ciro Sanches Zibordi

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Evangelicalismo brasileiro e jugo desigual


Ainda que seja comum chamar de “jugo desigual” casamentos mistos ou namoros de cristãos com pessoas não salvas, o sentido desse termo neotestamentário é muito mais amplo e abarca todos e quaisquer tipos de comunhão com os incrédulos (2Co 6.14-18). Prender-se a um jugo desigual com infiéis é um ato que decorre de amar o mundo e conformar-se com ele (cf. 1Jo 2.15-17; Tg 4.4; Rm 12.1,2 e Jo 15.19), já que o contrário disso é ser santo, isto é, separar-se de prazeres carnais (Hb 11.24-26 e Jo 15.19), de companheiros mundanos (Hb 7.26 e Is 6.1-8) e também de alianças prejudiciais à comunhão com Deus (2Co 6.16-18 e Ez 22.26).

Neste início de milênio, pelo menos quatro acontecimentos nos têm feito refletir sobre alianças com quem propaga heresias. Primeiro, a realização de cultos em igrejas evangélicas com a presença de conhecidos hereges, como o “reverendo” Moon, que dizia ter nascido para concluir a obra que Jesus não conseguiu consumar! Segundo, a participação de famosos cantores evangélicos em megaeventos da Igreja Católica Apostólica Romana. Terceiro, os constantes convites de programas televisivos mundanos a astros do mundo gospel, os quais, por sua vez, exercem influência sobre cristãos incautos. Quarto, o apoio de líderes, pregadores e cantores pretensamente ortodoxos a grupos unicistas — que negam abertamente a doutrina da Trindade —, bem como a milagreiros, propagadores de heresias e modismos pseudopentecostais.

Podemos chamar de jugo desigual com os infiéis toda e qualquer reunião entre evangélicos e não evangélicos, entre ortodoxos e propagadores de heresias? Qual é a resposta bíblica ao culto ecumênico, que se torna cada vez mais comum, nesses tempos pós-modernos, a ponto de celebridades gospel e padres galãs serem convidados para “louvarem” juntos em programas de televisão? Quem defende o “casamento” entre ortodoxos (até que se prove o contrário) e adeptos de heresias se vale da seguinte desculpa, associada a um motivo aparentemente nobre: “A convivência ecumênica é importante para promover a paz e não deve ser confundida com o sincretismo religioso”.

Um texto bíblico que lança luz sobre essas questões é Atos 17.15-34. Se o apóstolo Paulo pregou o Evangelho no Areópago, em Atenas, diante de religiosos e filósofos, por que um líder, pregador ou cantor deveriam desprezar a oportunidade de anunciar — na “presença dos deuses” — que Jesus Cristo é o Mediador, o Senhor e o Redentor, o único que pode dar à humanidade a verdadeira paz? Abordando o assunto sob essa ótica, não se vê, aparentemente, problema algum no fato de um salvo participar de eventos com quem propaga heresias. Entretanto, faz-se necessário problematizar um pouco mais o assunto em questão, perguntando: Quando participam de eventos ecumênicos ou em programas televisivos, devem os cristãos omitir o objeto de sua fé para não parecer desamorosos?

Jesus não veio ao mundo para pregar a convivência ecumênica entre as religiões, por mais intolerante e “politicamente incorreto” que isso possa parecer. Ele apresentou-se como a única porta para a salvação da humanidade (Jo 10.9 e 1Tm 2.5). Aliás, houve um tempo em que o ecumenismo religioso era considerado um grande perigo para as igrejas. E qualquer comunhão ecumênica entre evangélicos, católicos e espíritas era inimaginável, em razão de os líderes eclesiásticos, à época, estarem atentos às estratégias do Inimigo que visam a enfraquecer a contundente mensagem de arrependimento. Mas há incautos felizes pelo fato de cantores e youtubers gospel aparecerem na TV, ignorando que existe um plano manipulador da grande mídia que visa a enfraquecer a “preconceituosa e fundamentalista” pregação de que Jesus é o único Senhor e Salvador.

Quando participam de tais eventos, os evangélicos não têm a coragem de confrontar o pecado. E apresentam um evangelho light, agradável, apaziguador, simpático, suave, aberto ao ecumenismo, além de criticarem o padrão ortodoxo, pelo qual se defende o Evangelho, os valores morais deixados por Jesus e a cosmovisão judaico-cristã. Dizem os incautos: “O que nos une é muito maior do que o que nos divide”. Para eles, o sincretismo religioso é aceitável, pois o importante é “o evangélico ocupar espaços que outrora eram exclusivamente dos ímpios”. Que engano! Paulo, no Areópago, em Atenas, fez o quê, em meio a tantos propagadores de heresias? Adotou ele uma conduta “politicamente correta”? Apresentou aos atenienses a mensagem que queriam ouvir? Ele disse o que todos precisavam ouvir, visto que “o seu espírito se comovia em si mesmo, vendo a cidade tão entregue à idolatria” (At 17.16).

Embora o Senhor tenha afirmado: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida” (Jo 14.6), está crescendo no evangelicalismo mundial a simpatia pelo movimento ecumênico. Pastores renomados deixaram de falar de Jesus com clareza, a fim de pregar sobre Deus de maneira geral, sem ofender católicos, muçulmanos etc. O ecumenismo, com sua pregação “politicamente correta”, vem sendo apontado como um importante recurso para promover a paz. Apesar disso, o terrorismo islâmico se fortalece cada vez mais, já que muçulmanos jamais abrirão mão de sua “verdade”. Ademais, como se sabe, o catolicismo romano se vale do ecumenismo principalmente para frear o progresso da comunidade evangélica, sobretudo a pentecostal. Por que, então, os cristãos, que verdadeiramente pregam a paz, teriam de renunciar à Verdade?

Por outro lado, defensores do Evangelho que se prezam não devem apoiar “apóstolos” que pregam heresias e modismos pseudopentecostais, mesmo com a desculpa de que o Evangelho precisa ser pregado inclusive “com fingimento” (Fp 1.18). Ora, nesta passagem, o apóstolo Paulo, preso na cidade de Filipos, se referiu a opositores judeus que o acusavam perante tribunais de Roma. Ao verberarem contra ele, tais inimigos do Evangelho eram obrigados a dizer que Paulo estava pregando sobre a morte e a ressurreição do Senhor Jesus. Eles tinham de afirmar que, para esse apóstolo, Jesus estava acima de César, visto que o título de Senhor, à época, não implicava apenas senhorio. O imperador romano, como senhor de Roma, recebia adoração. E, nesse caso, Jesus, como Senhor, era adorado pelos cristãos, tomando, por assim dizer, o lugar de César.

Com isso, os judeus que acusavam Paulo estavam — indiretamente — pregando o Evangelho! E o apóstolo se regozijava com esse resultado, a despeito de sofrer por amor a Cristo. A frase “Contanto que Cristo seja anunciado de toda a maneira” (Fp 1.18) não deve ser empregada de modo generalizante, a fim de afirmar que os crentes, hoje, podem usar todos e quaisquer meios para propagar o Evangelho. A Palavra de Deus diz que devemos fugir da aparência do mal (1 Ts 5.22). Lembremo-nos, finalmente, de que o Senhor Jesus asseverou que não existe unidade motivada pelo amor divorciada da verdade da Palavra: “Se me amardes, guardareis os meus mandamentos. [...] Se alguém me ama, guardará a minha palavra” (Jo 14.15-24).

Ciro Sanches Zibordi
Artigo publicado no Mensageiro da Paz de julho de 2017

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Eu tenho um sonho


Há exatos 54 anos, em 28 de agosto de 1963, o pastor estadunidense Martin Luther King Jr. (1929-68) organizou uma marcha pacífica nas proximidades do Memorial Lincoln, em Washington D.C., o qual contou com a presença de cerca de duzentas mil pessoas. Ali, ele pronunciou seu mais famoso discurso: I have a dream ("Eu tenho um sonho"). E, no ano seguinte, ganhou — merecidamente — o Prêmio Nobel da Paz.

Sinceramente, mesmo sabendo que ele não foi perfeito, pois cometeu vários deslizes, não vejo com bons olhos a tentativa por parte de alguns formadores de opinião evangélicos de querer manchar a biografia de Luther King Jr. Afinal, seu legado é importante, pois mobilizou uma multidão contra a segregação racial nos Estados Unidos e morreu por essa legítima causa.

Ativista do movimento pelos direitos civis, King Jr. foi um pastor batista no Alabama e na Geórgia que ganhou renome internacional ao liderar, na década de 1950, um boicote da população negra às linhas de ônibus segregacionistas, em Montgomery, Alabama. Líder eloquente, organizou a Conferência da Liderança dos Cristãos do Sul e comandou, também, uma grande campanha pelos direitos civis.

A despeito de ter sido um pacificador e sempre pontificar que a reforma deveria acontecer sem violência, King Jr. foi preso diversas vezes. E, quando estava prestes a organizar a Marcha dos Pobres para Washington, foi assassinato na sacada de um hotel em Memphis, Tennessee, em 4 de abril de 1968.

Na conclusão de sua última pregação, um dia antes de morrer, Martin Luther King Jr. afirmou: "Dias difíceis virão, mas isso não me importa, pois eu tenho estado no alto, na montanha. Não me importa; [...] eu gostaria de viver uma longa vida, porém isso não me preocupa, agora. Eu só quero fazer a vontade de Deus! Ele tem me permitido subir a montanha [...] e tenho visto a terra prometida [...]. Quero que saibam, nesta noite, que nós chegaremos à terra prometida! Estou feliz nesta noite e nada mais me preocupa. Não temo homem nenhum! Meus olhos têm visto a glória da Vinda do Senhor!" (Fonte: YouTube).

Ciro Sanches Zibordi

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Antonio Gilberto: cientista da NASA?


Cientista da NASA? Muito mais que isso! Um servo do Deus Altíssimo! Um enviado de Deus cujo nome é Antonio Gilberto da Silva. Um mestre que o Senhor Jesus levantou no Brasil e no mundo para ser um referencial, um paradigma, para os mestres e pregadores pentecostais. Um ícone das Assembleias de Deus. Alguém que, a despeito de seu vasto cabedal, é um homem humilde que há décadas tem tido compromisso com a Palavra de Deus e com o Deus da Palavra.

Ciro Sanches Zibordi

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Conselhos aos youtubers evangélicos


Como tem aumentado o número de youtubers evangélicos, especialmente na área do humor — alguns deles, inclusive, foram entrevistados, recentemente, por Pedro Bial, da Rede Globo (foto) —, resolvi republicar aqui uma entrevista que concedi à revista Geração JC (ano XIII, número 106; CPAD, 2015) a respeito dos limites do humor cristão.

GJC: O senhor é um apologista que já usou bastante do humor em algumas de suas obras e artigos, hoje até bem menos. Atualmente, talvez por influência da nova geração de humoristas no Brasil, que usam muito vídeos na internet como trampolim, muitos jovens evangélicos estão se dedicando ao humor na internet, chamando a atenção até dos não evangélicos. Muitos destes jovens começam bem, com um humor sadio, mas acabam depois decepcionando, partindo para um humor mais escrachado, mundano. Até a GeraçãoJC já passou por essa experiência, de divulgar jovens que usam canais do YouTube para fazer humor e evangelismo, e depois se decepcionar com alguns casos. Por que muitos desses jovens acabam tomando esse caminho?
CSZ: A palavra grega apología aparece pela primeira vez, no Novo Testamento, em Atos 22.1, em alusão à autodefesa de Paulo perante seus acusadores. Esse apóstolo — que foi um grande apologista, isto é, um defensor do Evangelho (Fp 1.16) — valeu-se muito da comicidade em suas cartas. Em 2Coríntios 11.5, por exemplo, ele ironiza os falsos pregadores chamando-os de “excelentes apóstolos”. Mas Paulo usava o humor apenas como um meio de pregar e defender o Evangelho, e não como um fim. Ou seja, ele não era um humorista cristão! O problema do chamado humor evangélico é que o seu objetivo, claramente, é a autopromoção. Muitos jovens estão fazendo vídeos de humor, prioritariamente, para serem vistos, e não para glorificarem a Deus. E aí está o grande desvio do alvo, visto que a Palavra de Deus ensina: “fazei tudo para a glória de Deus” (1Co 10.31).

GJC:
Quais os limites para o humor cristão? O que a Bíblia fala sobre isso?
CSZ: A Bíblia é um Livro de princípios. Um deles já foi citado: tudo o que fazemos deve glorificar a Deus. Outro, muito importante, é: “Abstende-vos de toda aparência do mal” (1Ts 5.22:). A Palavra de Deus também afirma que todas as coisas são lícitas, mas algumas são inconvenientes, dominadoras e não edificantes (1Co 6.12 e 10.23). Caso um jovem me pergunte: “Posso fazer um vídeo de humor para satirizar o culto pentecostal?”, minha resposta será: “Pode”. E, em seguida, lhe farei outra indagação: “Como servo de Deus, você deve fazer tal vídeo?” Embora não haja proibição expressa na Bíblia ao humor, quando o empregamos devemos perguntar a nós mesmos: Isso glorifica a Deus, convém aos cristãos e os edifica? #FicaADica (risos).

GJC:
Que orientações o senhor dá ao jovem para que ele perceba pessoalmente que está passando dos limites nessa área?
CSZ: Os princípios da Palavra de Deus citados nos conduzem a uma reflexão sobre o que podemos e o que devemos fazer. Isso também se aplica aos pregadores que se valem da comicidade. Ao escrever aos crentes de Corinto, o apologista Paulo afirmou: “nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado. [...] A minha palavra e a minha pregação não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração do Espirito e de poder” (1Co 2.2-4). Em outras palavras, o legítimo pregador do Evangelho não deve aparecer mais que Jesus Cristo. Seu alvo é apresentar o Evangelho. Quando alguém prioriza o humorismo e o utiliza como o fim, e não como um meio, quem fica em evidência? A Pessoa central do Evangelho, ou o humorista?

GJC:
O YouTube está cheio de vídeos que tentam evangelizar através de sátiras. Até que ponto isto é uma estratégia de evangelismo? E esta forma de evangelização, contribui para o Reino de Deus?
CSZ: Como eu já disse, à luz da Bíblia, os meios de evangelização devem ser usados para atingir o fim: apresentar Cristo ao mundo. Nesse caso, “evangelizar através de sátiras” seria um meio de evangelização ou um fim em si mesmo? De que maneira vídeos que satirizam a fé cristã ou o culto evangélico de modo ultrajante estão aproximando os pecadores de Jesus Cristo? Quando há bom senso, pregar o Evangelho usando o humorismo pode ser um meio válido. Mas valer-se da comicidade para autopromoção na Internet, tendo a evangelização como álibi, é um grande engano. #PenseNisso.

GJC:
Como a igreja pode orientar os jovens que estão dentro deste perfil?
CSZ: Nunca houve tanta necessidade de as igrejas promoverem eventos para orientar a juventude cristã, uma vez que o mundo tem mudado rapidamente, e as novidades não param de surgir. Alguns líderes evangélicos já têm investido na instrução dos jovens e adolescentes, mas há muitos que ainda não perceberam o quanto isso é importante. O ideal é que os pastores de grandes igrejas — os líderes de líderes — sigam o exemplo de Paulo, que reunia os presbíteros para transmitir-lhes orientações, recomendando que eles as retransmitissem a seus liderados (At 20.17 e 2Tm 2.2). Algumas igrejas têm a figura do pastor ou líder geral de jovens, o qual, além de promover eventos para a juventude, reúne-se regularmente com os líderes juvenis das congregações a fim de lhes transmitir orientações. Ademais, nesses tempos cibernéticos, se os pastores querem atingir um maior número de jovens com a instrução necessária, devem também usar as ferramentas da Internet: vídeos, blogs, redes sociais etc.

GJC:
Finalmente, como pastor e aconselhador de jovens, que conselho o senhor dá aos jovens para que eles saibam selecionar o tipo de conteúdo que assistem na internet?
CSZ: Meu conselho final se baseia em Filipenses 4.8: “Quanto ao mais, irmãos, tudo é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai”. Todo jovem cristão pode usar a grande rede de modo passivo, assistindo a vídeos, ouvindo podcasts, lendo textos etc., bem como ativamente, propagando o que pensa por meio de aplicativos e sites como YouTube, SoundCloud, Facebook, Twitter, Google+, Instagram, Blogger etc. Em outras palavras, ele pode fazer tudo o que pensa na Internet, desde que pense somente no que é verdadeiro, honesto, justo, puro, amável, de boa fama, virtuoso e louvável. #ProntoFalei.

Ciro Sanches Zibordi

terça-feira, 27 de junho de 2017

Sete conselhos para as pregadoras


Já tenho escrito, de modo geral, sobre o ministério feminino, no portal CPAD News (ZIBORDI, 2015) e também em meu livro Mais Erros que os Pregadores Devem Evitar (CPAD, 2007). Neste texto, tendo em vista o crescimento do número de pregadoras, nos últimos anos (e com ele o surgimento de alguns perceptíveis desvios da sã doutrina), apresento-lhes, sem nenhuma presunção, estes sete conselhos. A rigor, são os mesmos que tenho apresentado aos pregadores, desde 2005 — quando a CPAD publicou Erros que os Pregadores Devem Evitar, primeiro de uma série para pregadores —, mas com alguns destaques específicos alusivos ao que tenho presenciado em ministrações femininas, in loco, e também assistindo a vídeos na Internet. Vamos aos conselhos.

1. Sejam femininas, e não imitadoras de homens. Gosto de ouvir pregadoras. Mas é desagradável ver mulheres abrindo mão de sua feminilidade para imitar os pregadores performáticos. Pense na situação inversa: um homem imitando uma mulher. Isto não causa estranheza? Há alguns anos, quando uma pregadora atualmente ex-ex-lésbica (isto mesmo: ex-ex-lésbica) fazia sucesso na Assembleia de Deus, me presentearam com uma de suas mensagens em VHS. Que decepção! Postura masculinizada, voz de machão, trejeitos e bordões de animadores de auditório etc. As mulheres deveriam falar como mulheres, pois têm um modo especial de comunicar as verdades de Deus. Por isso, no âmbito familiar, Deus deseja que pai e mãe participem da educação dos filhos: “Filho meu, ouve a instrução de teu pai e não deixes a doutrina da tua mãe” (Pv 1.8). Ou seja, a sã doutrina é a mesma, porém a maneira de comunicá-la, por parte de homem e mulher, é diferente.

2. Preguem a Palavra de Deus. Repito: os conselhos que eu tenho dado aos pregadores são extensivos às pregadoras. Se Paulo disse a Timóteo: “Prega a palavra” (2 Tm 4.2, ARA), isso vale para todas e todos que desejam pregar o Evangelho. O apóstolo não disse: “Anime auditório”, “Pregue o feminismo” ou “Desafie seus desafetos em público”. Mas, na atualidade, para tristeza do Espírito Santo, muitos pregadores — e pregadoras — embarcaram na canoa furada da pregação performática, ofensiva e desafiadora. Berram ao microfone. Ofendem seus pares, ainda que de modo indireto. Valem-se de bordões. Movimentam-se, coreograficamente, como se estivessem liberando algum tipo de raio destruidor etc.

Parem com isso, por favor! Honrem a chamada que receberam do Senhor. Muitos dizem que cada um tem o seu estilo. Quer saber qual é o estilo de pregação que agrada a Deus? Leia 1 Coríntios 2.1-5, em oração. O que vemos quando olhamos para o pregador Paulo, um imitador de Cristo? Um showman? Um pregador malabarista? Um coreógrado de púlpito? Não! Aprendemos com ele que não é preciso animar auditório nem chamar todos os holofotes para si. Preguemos, pois, a Palavra de Deus! Com graça e ousadia, como fez Estêvão diante daqueles que o acusavam. Ele foi apedrejado, é verdade; taparam os ouvidos, também é verdade. No entanto, quando Estêvão, cheio do Espírito, olhou para o céu, viu Jesus em pé, em sinal de aprovação, à direita de Deus (At 7).

3. Sejam um exemplo em tudo. Como arautos de Cristo, não pregamos apenas com o microfone à mão, pois devemos pregar o que vivemos e viver o que pregamos. Algumas irmãs, infelizmente, parecem ter a “unção do microfone”, já que fora do púlpito têm uma conduta completamente diferente da que ostentam nas igrejas. Não existem supercrentes, mas, com exceção de alguns recursos de oratória que usamos durante a pregação, nossa vida nos bastidores não deve ser muito diferente da que ostentamos no púlpito. Observe o que o apóstolo Paulo disse aos presbíteros de Éfeso: “Vós bem sabeis, desde o primeiro dia em que entrei na Ásia, como em todo esse tempo me portei no meio de vós” (At 20.18).

Cuidado com o porte, amada irmã! Este abarca conduta e postura, o que você de fato é e o que aparenta ser. Se você aparenta ser santa no púlpito, por que não ser santa nas redes sociais e no trato com as pessoas? Lembre-se de que a pregação neotestamentária não consiste apenas em palavras. Ela abarca três termos gregos que aparecem em 1 Tessalonicenses 1.5, uma das passagens que definem a pregação, no Novo Testamento: logos, pathos e ethos. Em outras palavras, abrange a pregação propriamente dita (logos), a forma como a mensagem é apresentada, com unção do Espírito Santo e uso de recursos homiléticos (pathos) e porte: conduta e postura éticas (ethos).

4. Não busquem títulos e posições. Pregadora é pregadora. Pregador é pregador. Não precisam de um título pomposo para pregar o Evangelho, a menos que queiram prevalecer pelo “braço de carne”, e não pelo Espírito Santo (cf. 2 Cr 32.8; Zc 4.6). Filipe era pregador do Evangelho, apesar de ter sido escolhido para cuidar do trabalho material da igreja em Jerusalém (At 6.1-5; cap. 8). Só no fim da terceira viagem missionária de Paulo, em Cesareia, Filipe foi chamado de evangelista (21.8). Mas, antes de receber esse título, ele já pregava, pois não é o título que faz a pessoa; é a pessoa quem faz o título.

Sinceramente, fico preocupado quando vejo pregadoras procurando ostentar títulos para terem maior credibilidade. Ao que me parece, elas não acreditam que Deus está com elas, caso não tenham um título pomposo. Precisam ostentar o título de “bispa”, uma invencionice, já que, a rigor, além de esse ofício não constar das páginas sagradas, o feminino de bispo seria episcopisa; ou o título de “pastora”, outra extravagância, uma vez que a única mulher chamada de pastora — de ovelhas — na Bíblia foi Raquel (Gn 29.9). Não nos esqueçamos de que Paulo, constituído por Deus pregador, apóstolo e doutor dos gentios (1 Tm 2.7), fazia questão de se apresentar, prioritariamente, como “servo de Jesus Cristo” (Rm 1.1), a quem servia em seu espírito (v. 9).

5. Sejam humildes. Paulo honrou várias mulheres, mencionando-as em Romanos 16 — como Priscila, citada primeiro que seu próprio marido (v. 3) —, porque elas certamente eram humildes. Priscila, inclusive, foi quem contribuiu para o aprendizado de Apolo, um homem que já era “poderoso nas Escrituras” (At 18.24-28). Ainda que o Senhor é excelso, atenta para quem é humilde (Sl 138.6; 1 Pe 5.5,6), mas é triste ver pregadoras agindo com soberba no púlpito e dizendo frases impróprias, como: “Se eu, sem ter uma gravata, faço o que faço, imagine o que eu faria se tivesse uma”; “Mesmo com os homens atrapalhando, eu continuo vencendo” ou “Como os homens são frouxos, Deus tem levantado as mulheres, que são corajosas”. Lembremo-nos, sempre, de que a “soberba precede a ruína, e a altivez do espírito precede a queda” (Pv 16.18).

6. Respeitem os pastores. Há uma tendência, pelo que tenho notado, de as pregadoras famosas serem tentadas a verberar contra os pastores, sugerindo que eles as invejam, se opõem ao seu ministério e são machistas etc. Essa rebeldia, que tem levado muitas irmãs a promover a inglória guerra de gêneros, a nada leva. Já pensou o que aconteceria, se os pastores resolvessem responder a cada provocação feminista? Onde isso vai parar? Homens e mulheres devem ser submissos a Deus e ao ministério estabelecido pelo Senhor (1 Co 12.28; Ef 4.11). Qualquer crente deve obedecer ao claríssimo mandamento de Hebreus 13.17: “Obedecei a vossos pastores e sujeitai-vos a eles; porque velam por vossa alma, como aqueles que hão de dar conta delas”.

7. Sejam femininas, e não feministas. Muitas pregadoras não abrem mão da feminilidade (o que é bom, como já vimos), mas têm um outro defeito: adotam um discurso bastante hostil em relação aos homens. Apesar de elas estarem pregando em grandes congressos e sendo tratadas com todo o respeito, inclusive pelos homens, elas agem como se estivessem sendo oprimidas pelo patriarcado! Sempre quando têm oportunidade, numa entrevista ou mesmo durante suas prédicas, dizem que nas igrejas ainda prevalece o machismo. Alegam que isso é herança do judaísmo, da conduta machista de Paulo etc. E verberam contra os homens, pregando o questionável igualitarismo feminista, que, embora esteja na moda, não se coaduna com o ensinamento neotestamentário.

Em relação ao Antigo Testamento, quem deu a lei a Moisés? O próprio Deus! Não há que se falar de patriarcado opressor. Isso é linguagem de movimentos feministas de esquerda, e não de servas do Senhor que se prezam! Se defendermos que havia machismo na lei dada a Moisés, chegaremos à conclusão de que o próprio Deus era machista! Quanto a Paulo, nenhum machista mandaria os homens amar a sua própria mulher (Ef 5.25) nem faria questão de mencionar nominalmente as mulheres que o ajudaram (Rm 16 etc.). Em relação a Jesus — já que para as “feministas cristãs”, Ele não valorizou mais as mulheres por causa da prevalência do machismo na sociedade patriarcal —, sabemos que o Mestre veio para quebrar paradigmas. E, se quisesse, teria escolhido seis casais, e não doze homens, visto que “chamou para si os que ele quis” (Mc 3.13).

Infelizmente, algumas pregadoras já foram cooptadas pelo pernicioso movimento feminista, que, em geral, é abortista, se opõe à cosmovisão judaico-cristã e às Escrituras, além de demonizar o homem (SCRUTON, 2014; ZIBORDI, 2016). Sei que há vários tipos de feminismo, alguns mais extremistas e outros mais moderados. Reconheço os direitos femininos pelos quais homens e mulheres cristãos devem lutar. Mas o discurso belicoso, oriundo do feminismo anticristão, que produz frases como “Mexeu com uma, mexeu com todas”; “Machistas não passarão” etc., não deve ser adotado pelas pregadoras que se prezam. Machismo e feminismo devem ser rechaçados por todos os cristãos, indistintamente, pois são filosofias contrárias à Palavra de Deus. Preguemos, pois, o Evangelho, e não ideologias polarizantes (Rm 1.1,16; 1 Co 9.16).

Ciro Sanches Zibordi

Referências


SCRUTON, Roger. Como Ser um Conservador. Rio de Janeiro: Record, 2014.
ZIBORDI, Ciro Sanches. Por que as mulheres não podem ser pastoras? CPAD News. 24 mar. 2015. Disponível em: http://www.cpadnews.com.br/blog/cirozibordi/apologetica-crista/134/por-que-mulheres-nao-podem-ser-pastoras.html. Acesso em: 8 mai. 2017.
ZIBORDI, Ciro Sanches. Existe mesmo a cultura do estupro? Blog do Ciro. 2 jun. 2016. Disponível em: https://cirozibordi.blogspot.com.br/2016/06/o-feminismo-e-suposta-cultura-do-estupro.html. Acesso em: 8 mai. 2017.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Em defesa da Assembleia de Deus


Sou pastor da Assembleia de Deus, mas estou longe de ser assembleiólatra. Jamais ignorei os problemas ligados à minha denominação e, há algum tempo, por exemplo, posicionei-me contra o envolvimento da liderança de uma das importantes convenções assembleianas com o saudoso (ops!) "reverendo" Moon. Outra prova de que não me apego de modo idolátrico à denominação à qual pertenço é o fato de reconhecer o lado bom de outras igrejas, como fiz, há pouco tempo, ao elogiar a Igreja Presbiteriana do Brasil por sua posição contrária às "seitas neopentecostais".

Entretanto, não é pelo fato de eu ser cristão, pentecostal e assembleiano que não apoio a conduta dos evangélicos (evangélicos?) antipentecostais e antiassembleianos. Não concordo com eles porque, em João 7.24, o Senhor Jesus asseverou: "Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça". E muitos oponentes da denominação pentecostal Assembleia de Deus estão sendo injustos em sua criticidade extremada.

Julgar segundo a reta justiça não é: generalizar, tomando a parte pelo todo; julgar sem conhecer a estrutura de uma denominação; confundir fatos com boatos, principalmente quando se trata de denúncias ligadas a candidatos A e B; basear-se em factoides para acusar denominações de envolvimento com sociedades secretas; ignorar a história; não reconhecer o lado bom de uma instituição, principalmente quando este é muito superior a fatos negativos isolados.

Vejo na Internet blogs e vídeos no YouTube antiassembleianos, bem como recebo e-mails contendo acusações à Assembleia de Deus, de modo genérico. Mas pergunto: A culpada pelos despropósitos mencionados pelos acusadores é a denominação histórica em apreço, ou os pretensos pastores que não fazem jus ao título ministerial que receberam, visto que apresentam condutas e posturas antiassembleianas e até anticristãs?

Ora, Assembleia de Deus é uma denominação que tem sofrido na mão de muitos enganadores, assim como
Igreja Batista, Igreja Presbiteriana etc. Um dia desses, por exemplo, eu deparei com uma igreja exótica chamada Igreja Batista Ministério Deus É Pentecostal. Seria justo que eu verberasse contra a Igreja Batista, de modo geral, por causa do que vi? Claro que não! Além de generalizar, eu estaria mostrando que desconheço o fato de essa histórica denominação ter se dividido e se subdividido, ao longo dos anos.

Há várias igrejas locais espalhadas pelo mundo que não fazem jus ao perfil de suas denominações históricas. E, assim como a Igreja Batista, a Igreja Presbiteriana, a Igreja Metodista, a Igreja Quadrangular etc. devem ser respeitadas como denominações históricas, a Assembleia de Deus, que está às vésperas de completar 105 anos, também merece todo o respeito. Por isso, faz-se necessário priorizar-se, nas críticas, somente a parte envolvida, e não o todo.

Quem conhece a complexa estrutura da Assembleia de Deus, em sua totalidade, sabe, por exemplo, que as suas duas maiores convenções nacionais, a CGADB e a CONAMAD, são instituições com lideranças e projetos distintos, a despeito de ostentarem a mesma denominação. Outro exemplo: a maioria dos Estados brasileiros possui pelo menos uma convenção de ministros local ligada à CGADB, e cada uma dessas convenções estaduais são, em certo sentido, independentes, assim como os ministérios associados a elas. Como responsabilizar a instituição Assembleia de Deus, de modo geral, por causa de acontecimentos isolados?


Em suma, o que desejo dizer é que a Igreja Evangélica Assembleia de Deus é muito maior que pastores (ou grupos de pastores) que têm se desviado da verdade por amor ao dinheiro (2 Pe 2.1-3; 2 Co 2.17) e outros interesses. Ela é muito maior que disputas políticas e desavenças pessoais. 
Por isso, não considero justo denegrir denominações históricas, reconhecidamente compromissadas com o Evangelho, por causa de acontecimentos isolados recentes.

Se a criticidade generalizante fosse justa perante Deus, nenhuma denominação histórica escaparia. Todas elas, sem exceção, em algum momento, tiveram em suas fileiras pessoas mal-intencionadas que promoveram escândalos. Penso que a crítica relevante e proveitosa é feita segundo a reta justiça, levando-se em consideração todas as exceções possíveis.


Por graça de Deus, viajo bastante para ministrar a Palavra do Senhor e tenho conhecido a Assembleia de Deus de modo abrangente, em todo o Brasil e fora dele. E posso afirmar, de modo peremptório, que essa denominação tem em suas fileiras valorosos homens de Deus em todas as convenções (como as já citadas CGADB e CONAMAD) e ministérios. 
Sou até capaz de citar de memória, nomes de alguns referenciais da Assembleia de Deus, mas não farei isso para não correr o risco de não mencionar eminentes pastores que fazem parte dessa igreja centenária.

De um assembleiano que ama a Assembleia de Deus, mas adora o Deus da Assembleia,

Ciro Sanches Zibordi

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Aos crentes que não gostam de hierarquia nas igrejas


Aumenta a cada dia o número de crentes que não se sujeitam aos líderes e pensam que estão certos. Não respeitam pastores, verberam contra a liderança e afirmam que só devem obediência a Deus. “Igreja não é quartel general”, argumentam. E, generalizando, chamam qualquer liderança firme, segura, de coronelista.

Entretanto, vemos na Bíblia que o próprio Deus prioriza e hierarquiza. Ele — que podia ter feito todas as coisas com uma única palavra — fez questão de formar tudo a seu tempo, dia a dia (Gn 1). O Senhor também agrupou de modo ordenado as tribos de Israel (Nm 2), já que é um Deus de ordem (1 Co 14.40). E, por isso, de acordo com 1 Coríntios 12.28, Ele mesmo faz uma hierarquização dos dons e ministérios.

Por que Deus hierarquiza dons e ministérios? Ele faz isso, não para que um portador de certo dom e ministério se considere superior aos outros, e sim para que haja ordem na casa do Senhor. Deus pôs na igreja “primeiramente apóstolos” (1 Co 12.28; Ef 4.11). Mas existem apóstolos hoje? Sim! Como também há pseudoapóstolos, que propagam muitas “apostolices”. Quem são os apóstolos do Senhor, então? São homens de Deus, enviados por Ele, com grande autoridade, e não autoritarismo. Eles formam a liderança maior da igreja, independentemente dos títulos empregados pelas denominações (pastores-presidentes, bispos, reverendos, pastores, presbíteros etc.).

É importante não confundir títulos com ministérios e dons. Estes vêm do Espírito Santo, enquanto os títulos são dados pelos homens. Na Assembleia de Deus, por exemplo, não existe o título de apóstolo, mas isso não significa que não exista o ministério apostólico. Este, segundo a Bíblia, perdurará “até que todos cheguemos à unidade da fé e ao conhecimento do Filho de Deus, a varão perfeito, à medida da estatura completa de Cristo” (Ef 4.13).

O texto de 1 Coríntios 12.28 afirma, ainda, que Deus pôs na igreja “em segundo lugar, profetas”, mencionados — na mesma posição, depois dos apóstolos — em Efésios 4.11. Não confunda esses profetas com os crentes que falam em profecia nos cultos, também chamados de profetas em 1 Coríntios 14.29. O ministério profético neotestamentário é formado por pregadores (pregadores, mesmo!) da Palavra de Deus, portadores de mensagens proféticas.

Em 1 Coríntios 12.28, a Palavra do Senhor também assevera: “em terceiro, doutores”. Veja como essa hierarquização ocorria na igreja de Antioquia da Síria: “havia alguns profetas e doutores, a saber: Barnabé, e Simeão, chamado Níger, e Lúcio, cireneu, e Manaém, que fora criado com Herodes, o tetrarca, e Saulo” (At 13.1). Nesse caso, os doutores, que atuam juntamente com os profetas, são ensinadores da Palavra de Deus.

Há casos, como o de Paulo, em que três ou dois dos ministérios mencionados (apóstolo, profeta e doutor) se intercambiam ou se inter-relacionam (1 Tm 2.7). Os ministérios de pastor e evangelista certamente fazem parte dos três escalões mencionados em 1 Coríntios 12.28, já que são títulos relacionados com a liderança maior da igreja.

Ainda em 1 Coríntios 12.28, está escrito: “depois, milagres, depois, dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas”. Milagres só vêm depois de apóstolos, profetas e doutores? Isso mesmo. Na hierarquização feita por Deus, o ministério da Palavra é mais prioritário que os milagres, haja vista serem estes o efeito da pregação do Evangelho (Mc 16.17). Observe que João Batista foi considerado por Jesus o maior profeta dentre os nascidos de mulher, mesmo sem ter realizado sinal algum (Jo 10.41).

Se não houver essa hierarquização (dada por Deus) nas igrejas, para que servirão os cargos e funções? Qualquer pessoa, dizendo-se usada pelo Espírito Santo, poderá mandar no pastor. Aliás, isso estava acontecendo em Tiatira, e o próprio Senhor Jesus repreendeu o obreiro frouxo daquela igreja, que não estava exercendo a liderança que recebera do Senhor (Ap 2.20). Vemos em 1 Coríntios 14.26-40 que, no culto coletivo, deve haver ordem e decência. Deus é Deus de ordem!

O princípio divino da prioridade aparece em várias outras passagens neotestamentárias. Quanto à ressurreição, está escrito: “cada um por sua ordem: Cristo, as primícias; depois, os que são de Cristo, na sua vinda” (1 Co 15.23). E, no Arrebatamento, tal princípio também será aplicado: “os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro; depois, nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens” (1 Ts 4.17).

Deus também prioriza o espírito, na santificação. Muitos pregadores têm dito: “Deus nos quer por inteiro: corpo, alma e espírito”. Mas a Bíblia afirma: “e todo o vosso espírito, e alma, e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Ts 5.23). Essa ordem mostra que a obra santificadora do Espírito Santo ocorre de dentro para fora, e não de fora para dentro.

Finalmente, o apóstolo Paulo parabenizou os crentes da cidade de Colossos porque naquela igreja havia ordem (Cl 2.5). E ordem, aqui, também significa respeitar a hierarquia! Afinal, os ministérios não são invenção humana. Eles foram dados por Deus para edificação do Corpo de Cristo (Ef 4.11-15). Obedeçamos, pois, aos nossos pastores (Hb 13.7,17).

Ciro Sanches Zibordi