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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

João Batista: O pregador politicamente incorreto


João Batista: O pregador politicamente incorreto: Neste livro, o pastor, autor best-seller e articulista Ciro Sanches Zibordi discorre sobre o ministério daquele que veio preparar o caminho para Jesus Cristo: João Batista.

sábado, 22 de dezembro de 2018

Agradecimento a todos os nossos apoiadores



Ano-novo se aproxima. É momento de glorificar a Deus pelas vitórias alcançadas e agradecer a todos os nossos apoiadores. Neste ano, por graça de Deus, tivemos três livros da série Pregadores Da Bíblia publicados. E todos estão na lista dos mais vendidos da CPAD (fonte: Mensageiro da Paz, novembro/2018).

No ano que vem, se o Senhor quiser, tem mais. Agradeço a Deus, minha família, nossa editora, bem como a todos os leitores e amigos por esse ano abençoadíssimo! E desejo a todos os nossos apoiadores um feliz 2019!

Ciro Sanches Zibordi

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Dispensacionalismo, pré-tribulacionismo e pré-milenarismo


Em Teologia Sistemática, Escatologia é o estudo dos últimos eventos previstos na Palavra profética, os que ainda “hão de acontecer” (Ap 1.19; 4.1) conforme a soberana vontade de Deus (GILBERTO, p. 7-12). Neste artigo, procurarei demonstrar, mediante a comparação de algumas escolas escatológicas, que o pré-tribulacionismo — pré-milenarista e dispensacionalista — é a que melhor se coaduna com as Escrituras.

Para o pré-tribulacionismo, o primeiro evento escatológico é o Arrebatamento da Igreja (1 Ts 4.16,17), que não deve ser confundido com a Manifestação do Senhor (Mt 24.29-31). Esse rapto ocorrerá de modo secreto, antes da Grande Tribulação, que, segundo cálculos complexos, terá duração de sete anos (cf. Dn 9; Ap 11-16; Mt 14.15-21 etc.). Isso tem sido contestado por outras duas escolas. Segundo o mesotribulacionismo, a Igreja enfrentará a primeira metade da Grande Tribulação. E, para o pós-tribulacionismo, os salvos já estão passando por tribulações, que se intensificarão até que Cristo venha.

Principais escolas escatológicas

Há quatro modos de interpretar o livro de Apocalipse. O futurista, segundo o qual os textos apocalípticos apontam para o futuro. O historicista, que vê as profecias como simbólicas, relacionando-as com a História. O idealista, que considera tais textos como meras expressões idealizadas da luta entre o bem e o mal. E o preterista, que interpreta as profecias como já cumpridas, especialmente no primeiro século (JONES, p. 58-76).

Em Apocalipse 1.19, o Senhor Jesus aplica um duro golpe no preterismo, ao dizer a João: “Escreve as coisas que tens visto, e as que são, e as que depois destas hão de acontecer”. Mais que apresentar a divisão do livro, o Senhor deixa claro que a parte profética de Apocalipse alude ao futuro. De fato, a partir do capítulo 4, tudo é escatológico, com exceção das revelações parentéticas, isto é, os parênteses contendo profecias já cumpridas.

Uma dessas revelações parentéticas está em Apocalipse 12, que menciona uma “mulher vestida do sol” (v. 1) dando à luz a um Menino (Jesus) e sendo protegida por Deus contra a fúria do Dragão (Satanás). Quem é essa mulher? Essa pergunta nos instiga a “dialogar” com mais quatro escolas gerais de interpretação, além das três escatológicas citadas: a aliancista, a neoaliancista, a dispensacionalista clássica e a dispensacionalista progressiva.

Para o aliancismo, Deus só tem um plano: com a Igreja. A aliança com Israel vale para os cristãos. As promessas feitas aos israelitas, ou já se cumpriram durante o reinado de Salomão (cf. 1 Rs 4.21), ou se cumprirão por meio da Igreja, o “Israel de Deus”. Os neoaliancistas dizem o mesmo de outra forma, defendendo que a aliança com Israel é apenas uma figura da nova aliança. Nesse caso, para ambas as escolas, a mulher em Apocalipse 12 é a Igreja.

Precisamos agora abrir um parêntese para introduzir mais duas escolas escatológicas que estudam o Milênio, a amilenarista e a pós-milenarista, já que estas são regidas pelo aliancismo. Os amilenaristas afirmam que não haverá um Milênio literal; Jesus já está reinando, espiritualmente, pois prendeu Satanás, simbolicamente. Os pós-milenaristas creem de modo semelhante: o Diabo foi esmagado, de modo pactual, e já estamos num “milênio”, que durará até a Segunda Vinda. Para essas duas escolas, Cristo conquistará o mundo progressivamente pela vitória do evangelho (BOCK, 2001).

Dispensacionalistas clássicos, além de identificarem, nas Escrituras, várias dispensações (períodos em que Deus trata com seu povo por meio de pactos específicos), dizem que o Senhor tem um plano para Israel e outro para a Igreja (1 Co 10.32; Rm 11), uma vez que a aliança com Israel é perpétua (Gn 17.7,13). Não há motivo para forçar Apocalipse 12 a dizer que a mulher é a Igreja. Afinal, ela dá à luz ao Menino, Cristo, que afirmou: “estabelecerei a minha igreja” (Mt 16.18). Ora, se a Igreja foi fundada por Jesus, Ele não “saiu” dela, e sim o inverso. Nesse caso, a mulher só pode ser Israel.

O pré-milenarismo (outra escola que estuda o Milênio) se baseia nos pressupostos do dispensacionalismo clássico para defender a ideia de que Jesus virá antes dos “mil anos” — que serão literais (Ap 20.1-7) — para cumprir a promessa de restaurar o reino a Israel (Mt 24.3; At 1.7). Já os dispensacionalistas progressivos, por outro lado, não fazem distinção entre Israel e Igreja e desgastam as características do próprio dispensacionalismo, a fim de dialogarem com o aliancismo. Ao fim e ao cabo, é uma espécie de semidispensacionalismo ou semialiancismo (LAHAYE; HINDSON, p. 139-153).

Arrebatamento secreto da Igreja

A doutrina do Arrebatamento secreto e pré-tribulacional, defendida pelos dispensacionalistas clássicos, tem sofrido muita oposição por parte dos proponentes de outras escolas citadas. Alega-se, por exemplo, que o termo “arrebatamento” sequer aparece na Bíblia. Mas essa contestação é frágil, já que o mencionado vocábulo deriva da frase “seremos arrebatados” (1 Ts 4.17). Aqui, o verbo “arrebatar” (gr. harpazō) tem o sentido de “raptar” (cf. Mt 13.19; Jo 6.15; 10.12,28,29), à semelhança do que aconteceu ao diácono-evangelista Filipe (At 8.39,40).

Críticos do pré-tribulacionismo dizem, também, que a ideia do Arrebatamento secreto é um contrassenso, pois “todo olho o verá” (Ap 1.7). No entanto, a quem o Senhor Jesus dirigiu as palavras contidas em João 14.3? A todo o mundo ou à Igreja? À Igreja, que começou com os doze apóstolos, à qual prometeu: “virei outra vez e vos levarei para mim mesmo, para que, onde eu estiver, estejais vós também”. Aqui, o verbo “levar” (gr. paralambanō) também denota “raptar” (cf. Mt 2.13,14; Mc 9.2; Mt 24.40,41).

O rapto dos salvos vivos é análogo à ressurreição dos mortos em Cristo, visto que esses dois grupos subirão juntos ao encontro do Senhor, nos ares (1 Co 15.51,52; 1 Ts 4.16,17). À luz de Lucas 20.35 e Filipenses 3.11, a ressurreição dos salvos, chamada, literalmente, de ressurreição “dentre todos os mortos” (gr. ek ton nekron), será secreta e seletiva. Por que a transformação e o arrebatamento dos salvos vivos seriam públicos? Portanto, assim como os mortos em Cristo ressuscitarão dentre todos os mortos, os salvos vivos também serão arrebatados dentre todos os vivos.

Quando examinamos Hebreus 9.28, nossa convicção de que a transformação, num abrir e fechar de olhos, e o rapto dos salvos ocorrerão de modo secreto se torna mais firme. O autor de Hebreus diz que Cristo “aparecerá segunda vez aos que o aguardam para a salvação”. O verbo “aparecer” (gr. horaō), aqui, denota “ser visto”. Nesse caso, por quem Jesus será visto, no Arrebatamento? Pelo mundo todo? Não! Somente pelos que “o aguardam para a salvação”, o que se coaduna com João 14.3.

Examinemos o uso do mesmo verbo em 1 Coríntios 15.5-8. Paulo afirma que o Cristo ressurreto, antes de sua ascensão, “foi visto” (gr. horaō) por todos os apóstolos, Tiago, irmão do Senhor, e mais de quinhentos irmãos. Todas essas reuniões com o Senhor ocorreram de modo secreto. Aliás, reuniões secretas de Jesus com os salvos não é nenhuma novidade (cf. At 1.3; Jo 12.28,29; At 22.9). Assim, por ocasião do Arrebatamento, somente os salvos o verão!

Outro texto significativo, nesse sentido, é Atos 1.9-11, no qual se menciona que Jesus há de descer do céu assim como subiu. Na sua ascensão, somente os seus discípulos o viram subindo até as nuvens. Por que, no Arrebatamento, todo o mundo haveria de vê-lo? Portanto, somente os salvos verão o Senhor descendo até as nuvens, pois Ele “há de vir assim como para o céu o vistes ir” (v. 11; cf. ZIBORDI, 2012).

Arrebatamento pré-tribulacional da Igreja

Pré-tribulacionistas creem que a Segunda Vinda terá duas etapas. Por isso, não se incomodam com a ênfase de que “todo o olho o verá” (Ap 1.7). Na primeira etapa, o Arrebatamento, os salvos irão ao encontro do Senhor nos ares, antes da Grande Tribulação (1 Ts 4.16,17; 5.3-8). Na segunda, no fim desse período de sete anos, Ele se manifestará diante de todos, para destruir o império do Anticristo, o que é corroborado pela linha do tempo de Apocalipse 19-22, trecho desse livro que está, rigorosamente, em ordem cronológica.

João avista a Igreja glorificada no Céu, nas Bodas do Cordeiro, durante a Grande Tribulação (Ap 19.1-10). Logo depois, vê Cristo descendo do céu com a Igreja (vv. 11-16). Em seguida, mencionam-se: a batalha do Armagedom (vv.17-19); a vitória de Cristo sobre o Anticristo e o Falso Profeta (vv. 20,21); a prisão de Satanás (20.1-3); a ressurreição dos mártires da Grande Tribulação e o Milênio (vv. 4-6); a liberação do Diabo, após os mil anos, e sua condenação (vv. 7-10); o Juízo Final (vv. 11-15); e a eternidade (caps. 21-22).

Para os amilenaristas, a discussão sobre a possibilidade de a Igreja passar pela Grande Tribulação é inócua, pois eles sequer acreditam que esse período ocorrerá. Preteristas, hermeneuticamente falando, dizem que esse grande evento — para os pré-milenaristas, que são futuristas — já aconteceu por ocasião da destruição de Jerusalém, em 70 d.C., e que o Anticristo foi o imperador Nero (37-68 d.C.).

Essa tese não se sustenta, visto que a maioria dos historiadores afirma que Apocalipse foi escrito no fim do século I, entre 90 e 95 d.C., nos últimos dias de Domiciano (51-96 d.C.). Por que Jesus, cerca de vinte anos depois da destruição de Jerusalém, diria a João: “Escreve as coisas que [...] depois destas hão de acontecer” (Ap 1.19)? Ademais, ao discorrer sobre a Grande Tribulação, Ele disse que esta será um evento sem precedentes e incomparável (Mt 24.21).

Pós-tribulacionistas afirmam que o Arrebatamento e a Manifestação do Senhor são o mesmo evento. Acreditam, portanto, que a Igreja continuará passando por tribulações, cada vez mais intensas, até a Segunda Vinda. Já para os mesotribulacionistas, Cristo livrará a Igreja em meio à Grande Tribulação, permitindo, inclusive, que ela sofra os vis ataques do Anticristo constantes de Apocalipse 13.

Essas duas escolas acusam o pré-tribulacionismo de se apegar exageradamente à simbologia profética, ao afirmar que a Igreja não passará pela Grande Tribulação. No entanto, além das conhecidas analogias (arrebatamento de Enoque, livramento da família de Noé etc.) pelas quais alguns pregadores defendem a ideia de que a Igreja escapará dos juízos tribulacionais (Lc 21.36, ARA), há passagens que confirmam tal livramento de modo eloquente.

Apocalipse 4 talvez seja o capítulo bíblico mais emblemático quanto ao rapto pré-tribulacional da Igreja, no qual o Senhor revela a João, de modo profético, através de símbolos, o futuro glorioso da Igreja. Esse apóstolo vê “uma porta aberta no céu” e 24 anciãos ao redor do trono de Deus (vv. 1-4), os quais não são anjos, pois, em nenhum lugar do Novo Testamento, seres angelicais são chamados de “anciãos” (gr. presbyteros).

Esses “presbíteros” estão assentados em tronos, o que é curioso, pois Jesus tinha acabado de prometer isso à Igreja (Ap 3.21; cf. Mt 19.28). Eles usam vestes brancas e coroas de ouro, o que o Senhor também acabara de prometer aos salvos (Ap 2.10; 3.4,5,11). Têm harpas e salvas de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos (5.8). E cantam um novo cântico, que dá ênfase à morte expiatória do Senhor (v. 9). Ora, se não são uma categoria angelical, como querubins e serafins, só podem ser um novo grupo no céu!

Quanto ao número 24, no próprio livro de Apocalipse explica-se, indiretamente, que alude às 12 tribos de Israel e aos 12 apóstolos do Cordeiro (cf. 21.12-14). Estas e todas as outras características citadas não deixam dúvida de que esses anciãos representam a Igreja, formada pelos salvos de todas as épocas. E, nesse caso, não resta mais nenhuma dúvida de que ela estará no céu antes da abertura dos sete selos, que aludem aos primeiros juízos, logo no início da Grande Tribulação (cf. caps. 4-6).

Se voltarmos ao capítulo anterior de Apocalipse, veremos o Senhor prometendo guardar a igreja de Filadélfia “da hora da tentação que há de vir sobre todo o mundo” (3.10). Aqui, o sentido é de “guardar da”, e não “guardar através da” (HORTON, 1995, p. 62). Jesus não prometeu àqueles crentes — e a nós, por extensão (cf. vv. 13,22) — que não morreriam, e sim que seriam guardados de algo que virá “sobre todo o mundo”, que só pode ser a Grande Tribulação, da qual todos os arrebatados serão guardados.

Apocalipse 4 se conecta perfeitamente ao capítulo 19 do mesmo livro, passagem que também não deixa dúvida quanto ao fato de que a Igreja estará nas Bodas Cordeiro durante a Grande Tribulação. João vê os salvos, que formam os exércitos do Senhor, vindo à terra com Ele (19.1-14). Aqui, a Nova Jerusalém é chamada de Noiva (vv. 9,10), o que é uma metonímia em referência aos moradores dessa gloriosa Cidade, “inscritos no livro da vida do Cordeiro” (v. 27; 22.3-5).

Escritos de Paulo mostram que ele era pré-tribulacionista (risos). Consideremos as suas afirmações em 1 Tessalonicenses 5.3-9, logo após mencionar o Arrebatamento: “sobrevirá repentina destruição” aos filhos das trevas, que “de modo nenhum escaparão”; quanto aos salvos, como filhos da luz, não serão surpreendidos por “aquele Dia”, que virá “como um ladrão”, pois “Deus não nos destinou para a ira” (cf. 1.10).

Pré-tribulacionistas interpretam a segunda carta de Paulo aos crentes de Tessalônica à luz da primeira e de tudo o que o Senhor Jesus ensinou, em Apocalipse e no seu sermão profético (Mt 24-25). Por isso, não supervalorizam a tese, baseada em 2 Tessalonicenses 2.3 (fora de contexto), de que não haverá Arrebatamento pré-tribulacional e secreto, visto que a volta de Jesus só acontecerá após a manifestação do Anticristo.

Em 2 Tessalonicenses 2, evidentemente, Paulo dá sequência ao assunto apresentado na primeira carta e alude à Manifestação do Senhor após a chegada do “homem do pecado”. Ao citar a “apostasia”, ele faz uma conexão com a “operação do erro” (v. 11), que já é uma realidade nos dias de hoje (cf. 1Jo 4.3), mesmo antes da manifestação pessoal e visível do Anticristo, o que se constitui, nesse caso, um sinal dos “últimos dias”, inclusive do Arrebatamento (cf. 1Tm 4.1-5).

Aliás, em 2 Tessalonicenses 2.6-8, Paulo assevera que “o iníquo” só se manifestará em pessoa depois que for tirado “o que o detém”. Este, segundo alguns dispensacionalistas, é o Paráclito, que sairá da terra junto com a Igreja. Mas essa tese não parece muito lógica, já que desconsidera a onipresença e a imensidade do Espírito Santo. O mais coerente seria afirmar que esse que impede a manifestação do Anticristo é o próprio povo de Deus, que será arrebatado antes da “ira futura” (1 Ts 1.10).

Maranata!

Ciro Sanches Zibordi

Referências
BOCK, Darrell L. O Milênio: 3 pontos de vista. São Paulo: Editora Vida, 2001.
GILBERTO, Antonio. O Calendário da Profecia. Rio de Janeiro: CPAD, 1989.
HORTON, Stanley M. A Vitória Final: uma investigação exegética do Apocalipse. CPAD, 1995, Rio de Janeiro-RJ.
JONES, Timothy Paul. Guia Profético para o Fim dos Tempos. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.
LAHAYE, Tim; HINDSON, Ed. Enciclopédia Popular de Profecia Bíblica. Rio de Janeiro: CPAD, 2008.
ZIBORDI, Ciro Sanches. Erros Escatológicos que os Pregadores Devem Evitar. Rio de Janeiro: CPAD, 2012.
___________________. Escatologia: a doutrina das últimas coisas. IN: GILBERTO. Antonio et al. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2008.

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Pedro: o Primeiro Pregador Pentecostal

Sumário de PEDRO: O PRIMEIRO PREGADOR PENTECOSTAL (240 páginas), novo livro de minha modesta autoria, #CPAD, terceiro da série #PregadoresDaBiblia:
Dedicatória
Agradecimentos
Prefácio
Introdução — Origem do Movimento Pentecostal
Capítulo 1 — Provado pela Água
Capítulo 2 — Pregador, Apóstolo... Papa Não!
Capítulo 3 — Treinamento de Pedro
Capítulo 4 — Assentado para Ver o Fim
Capítulo 5 — Em Pé para um Novo Começo
Capítulo 6 — Primeiro Pregador Pentecostal
Capítulo 7 — Linha de Chegada
Referências e Notas

Clique aqui para informar-se melhor:

Pedro: O primeiro pregador pentecostal 

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Estêvão: o Primeiro Apologista do Evangelho (novo livro)


Dando sequência à série Pregadores da Bíblia, em Estêvão: o Primeiro Apologista do Evangelho (176 páginas) enfatizo a defesa da fé cristã. O diácono Estêvão não foi somente o primeiro mártir da Igreja, mas também o primeiro grande apologeta, um pregador a quem Deus usou para mudar a História da Igreja.

Já disponível no site da CPAD e pelo telefone 0800-021-7373. Em breve estará em toda a rede de lojas da CPAD.

Ciro Sanches Zibordi

domingo, 12 de agosto de 2018

Saudades do alfaiate


Célia Sanches Zibordi é a serva do Senhor que me instruiu no caminho em que devo andar e foi fiel companheira do alfaiate Renato Zibordi até a sua partida, na semana do centenário da Assembleia de Deus (2011).

Uma imagem que, desde a infância, jamais saiu da minha memória é a de meu pai, muito exausto, trabalhando em casa, à noite. Às vezes, ele adentrava à madrugada assentado em frente a uma máquina de costura, com uma peça de roupa à mão, sob uma luminária.

Muitos anos depois, me vejo diante de uma máquina “costurando”, a exemplo de meu pai. Aliás, debaixo da iluminação do Espírito Santo, adentrando, muitas vezes, à madrugada, muitos são os “fios” (fontes) que uso para confeccionar meus livros. Não por acaso, a Palavra de Deus diz: “Instrui o menino no caminho em que deve andar, e, até quando envelhecer, não se desviará dele” (Provérbios 22.6).

Ciro Sanches Zibordi

terça-feira, 7 de agosto de 2018

Best-sellers da CPAD no último trimestre




Livros mais vendidos da #CPAD em maio, junho e julho de 2018. Fonte: Mensageiro da Paz. João Batista: o Pregador Politicamente Incorreto, que abre a série Pregadores da Bíblia, está em terceiro lugar na categoria obras teológicas, mas estava em segundo nos meses anteriores, nas duas categorias gerais. Louvado seja Deus!

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Cientista da NASA está no Céu


Presenciei, algumas vezes, pessoas rindo quando alguém afirmava que o mestre Antonio Gilberto (1927-2018) foi um cientista da NASA. Isso porque ele sempre empregou um palavreado muito simples; nunca fez questão de exibir-se. Entretanto, quis Deus que esse nordestino do Rio Grande do Norte se tornasse muito mais importante que um cientista da NASA!

Antonio Gilberto da Silva é um servo do Deus Altíssimo que passou, sim, pela NASA, mas notabilizou-se muito mais como um enviado de Deus, um mestre que o Senhor Jesus levantou no Brasil e no mundo para ser um referencial, um imitador de Cristo. Mais que um ícone das Assembleias de Deus, ele é um homem segundo o coração do Senhor.

A despeito de seu vasto cabedal, Gilberto é um homem humilde, que há décadas tem tido compromisso com a Palavra de Deus e com o Deus da Palavra. Emprego o verbo no presente porque esse servo do Deus Altíssimo está vivo! Lembremo-nos de que o nosso Deus, o Deus de Abraão, Isaque e Jacó, é Deus de vivos, e não de mortos (Mt 22.32).

Isso mesmo: Antonio Gilberto há uma semana mudou de residência. Mas, antes de partir, deixou-nos um legado. Imitemo-lo, certos de que ele é um imitador de Cristo (1 Co 11.1).

Ciro Sanches Zibordi

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Inesquecível Antonio Gilberto


Na última segunda-feira (30 de julho de 2018), o Senhor Jesus chamou para si o mestre Antonio Gilberto, maior erudito que conheci, a despeito de ele mesmo nunca ter feito questão de revelar-se como tal. Dizer que o irmão Gilberto é meu pai, meu mestre, meu pastor e meu amigo, como eu fiz nas redes sociais, pode soar como uma tentativa de “capitalizar”, de querer mostrar que éramos amigos íntimos, confidentes etc. Por isso, para ser bem sincero, eu nunca me considerei muito íntimo desse ícone da Assembleia de Deus. Sinto-me até distante dele, em certo sentido.

Tive o privilégio, na verdade, de trabalhar com ele na CPAD, onde almoçávamos juntos e caminhávamos, às vezes, após o almoço. Além disso, me congregava na mesma igreja dele (Assembleia de Deus de Cordovil, no Rio de Janeiro-RJ), onde ouvia seus ensinamentos, e também viajei com ele algumas vezes, conversei várias vezes por telefone, visitei sua casa (poucas vezes) e o recebi em minha casa (apenas uma vez) etc. Mas sempre achei muita pretensão de minha parte querer ser alguém próximo dele. Deus o sabe.

Quase sempre era ele quem me ligava. Minha esposa dizia: “Ligue para o pastor Gilberto”. Mas eu tinha um bloqueio autoimposto. Deus o sabe. Ligava pouquíssimas vezes para o irmão Gilberto, sempre com muita dificuldade, talvez porque não me considerasse digno de sua amizade ou por temer importuná-lo. Quase todos os nossos contatos pessoais tiveram iniciativa dele. Ele é quem me ligava, se importava comigo, queria saber o que estava acontecendo... O que Antonio Gilberto, então, representa (verbo no presente) para mim? Independentemente do contato pessoal que tivemos — que não foi tão grande, como muitos pensam —, o que sou hoje devo em grande parte a esse mestre pentecostal. E isso porque Deus o quis!

Sem dúvida, quem uniu nossas almas foi o Senhor Jesus. Não foi nada além disso. Não foi amizade construída ao longo do tempo, tampouco interesses outros. Foi o Senhor quem tudo preparou! Deus nos uniu antes mesmo de nos conhecermos pessoalmente, quando eu, ainda um adolescente, em São Paulo, lia um de seus clássicos: A Bíblia Através dos Séculos. Ali começou tudo. E, desde então, esse servo de Deus passou a me influenciar e continuaria fazendo isso, houvesse o que houvesse.

Entretanto, quis Deus que nos conhecêssemos pessoalmente. Quis Ele fazer com que eu me sentisse como Timóteo aos pés de Paulo. O que, então, determinava e determina o meu profundo amor por ele? Não foi o fato de vê-lo ou de conversar com ele diariamente. Não é o fato de ele estar vivo ou morto. Aliás, nosso Deus é Deus de vivos, e não de mortos (Mt 22.32). Para mim, assim como Abraão, Isaque e Jacó, Antonio Gilberto está vivo! Ele apenas mudou de residência! O que determina — e sempre determinará — o meu amor por ele é o fato de saber que somos e sempre seremos um, em Cristo.

Hoje, o irmão Gilberto não está entre nós, porém continua me influenciando, em tudo. Ele nunca deixou de me influenciar, aliás. Penso nele diariamente. Lembro-me dos momentos que tivemos juntos e dos que poderíamos ter tido, se Deus o quisesse. Converso com seus textos, especialmente os das apostilas que ele me deu de presente.

Sabe de uma coisa? Embora seja pecado acrescentar palavras à Bíblia, em certo sentido — quem lê entenda — eu inseri dois nomes à galeria dos heróis da fé de Hebreus 11: o evangelista Valdir Bícego (1939-1998) e o mestre Antonio Gilberto (1927-2018). E, da mesma forma que leio os feitos de Enoque, Noé, Abraão, Davi, Samuel etc. com alegria, me lembro dos atos desses dois pastores com muita satisfação!

Somente a eternidade revelará a importância desses dois ícones da Assembleia de Deus, "homens dos quais o mundo não era digno" (Hb 11.38), para o ministério que Deus me outorgou. Ambos estão com o Senhor Jesus, mas deixaram um grande legado! E, por isso mesmo, tenho a missão de continuar reverberando o que aprendi com eles.

À parte desse meu sentimento particular — que ninguém pode tirar de mim —, aproveito mais uma vez para transmitir à querida irmã Iolanda e a toda família do irmão Gilberto as minhas condolências. Que o Senhor Jesus os conforte e os fortaleça mais e mais, derramando sobre todos toda sorte de bênçãos. Consolemo-nos uns aos outros com o que está escrito em 1 Tessalonicenses 4.16-18. “Ver-nos-emos, ver-nos-emos, ver-nos-emos na terra divinal; ver-nos-emos, ver-nos-emos, ver-nos-emos junto ao rio sem igual” (hino 215 da Harpa Cristã).

Ciro Sanches Zibordi

Pastor Antonio Gilberto está com o Senhor


Meu pai, meu mestre, meu pastor, meu amigo, um homem do qual o mundo não era digno (Hebreus 11.38). Antonio Gilberto, o maior erudito que conheci, a despeito de ele nunca se dar a conhecer como tal.

Já está com o Senhor Jesus o inesquecível irmão Gilberto, um ícone da Assembleia de Deus. Deixou um grande legado! “Ver-nos-emos, ver-nos-emos, ver-nos-emos na terra divinal; ver-nos-emos, ver-nos-emos, ver-nos-emos junto ao rio sem igual” (Paulo Leivas Macalão, hino 215 da Harpa Cristã).

Como não tenho palavras neste momento para dizer o que ele sempre representará para mim, vou deixar que as imagens falem por si mesmas.














terça-feira, 10 de julho de 2018

Palestra sobre liderança em São Paulo-SP


No próximo sábado, se Deus quiser, estarei na Assembleia de Deus em São Paulo-SP — pastor José Wellington Bezerra da Costa — para falar no grande encontro da #UMADEB sobre “liderança neste mundo corrompido” (Rm 12.2). Você, que mora ou estiver em SP, é nosso convidado. Inscreva-se e participe!

segunda-feira, 9 de julho de 2018

Bestsellers da CPAD em maio e junho de 2018



Livros mais vendidos da #CPAD em maio e junho de 2018. Fonte: Mensageiro da Paz, Editora CPAD. João Batista: o Pregador Politicamente Incorreto, que abre a série Pregadores da Bíblia, está em segundo lugar em duas categorias. Louvado seja Deus!

Sobre o músico cristão tocar em eventos mundanos


Deve o músico cristão tocar em eventos não cristãos? Com Jesus aprendemos que nem todas as perguntas merecem respostas objetivas. Às vezes, é importante fazer com que o interlocutor reflita e tome a decisão correta. Certa vez, seus oponentes perguntaram ao Mestre se era lícito pagar tributo a César (Mt 22.17). Ele podia ter dito simplesmente “sim”, mas preferiu, antes, apresentar-lhes duas perguntas para reflexão. E, ao ouvir deles a resposta de que a moeda do tributo fazia referência a César, lhes disse: “Dai, pois, a César o que é de César e a Deus, o que é de Deus” (vv. 18-21). Neste artigo, seguirei esse exemplo do Mestre, haja vista a complexidade da pergunta proposta.

Se partirmos do pressuposto de que os hinos de louvor a Deus são “música cristã”, e as composições seculares fazem parte do que chamamos de “música mundana”, a resposta à questão em apreço parecerá simples. Mas, o que define a música cristã e a música mundana? Se dissermos que toda música produzida por não crentes é mundana, teremos de admitir que não podemos aceitar nada que venha do mundo! Nesse caso, por uma questão de coerência, não poderíamos usufruir de nada produzido por pessoas não salvas.

Estamos no mundo e o que devemos fazer é não se contaminar com ele. Assim, a música que chamamos de mundana é aquela que nos põe efetivamente em contato direto com o pecado. E isso não se dá somente por meio do seu conteúdo; o estilo musical também, independentemente da letra, pode conduzir o salvo ao pecado, como eu explico em meu livro Erros que os Adoradores Devem Evitar (CPAD, 2010).

Por outro lado, nem sempre a música produzida por cristãos é, verdadeiramente, cristã. Pense nas composições antropocêntricas, as que glorificam o ser humano. Considere também as canções que até são bíblicas, mas em ritmo de funk, um estilo que está claramente, desde a sua origem, atrelado ao que se opõe à vontade de Deus. O funk dos morros cariocas e das comunidades paulistas, por exemplo, está relacionado com a promiscuidade. As danças, explicitamente, são simulações sexuais. Como pensar que isso pode ser purificado por letras cristãs e oferecido ao Senhor?

Ainda antes de responder à questão principal, faz-se necessário propor outras perguntas. Na igreja há inúmeros profissionais, de vários segmentos, como advogados, médicos, professores de História etc., e todos eles devem pautar suas condutas pela ética cristã. Um advogado cristão pode defender um pedófilo ou traficante de drogas? Um médico cristão pode fazer abortos? Um professor cristão pode doutrinar seus alunos, opondo-se às Escrituras, ao discorrer sobre a biografia de Karl Marx?

A resposta a todas as perguntas acima pode ser “sim”. No entanto, e se nós substituirmos o verbo “poder” por “dever”? Deve um cristão defender pedófilos ou traficantes? Deve ele fazer abortos? Deve doutrinar seus alunos, em vez de apenas apresentar-lhes lições de História à luz das melhores fontes? A resposta a essas questões deve ser “não”, já que ao servo do Senhor todas as coisas são lícitas, mas nem todas convêm, edificam ou enaltecem a Deus (1Co 10.22-33).

Bem, concentremo-nos na pergunta inicial: “Deve um músico cristão tocar em eventos não cristãos?” Há que se distinguir dois tipos de músico cristão. O primeiro é aquele que toca seu instrumento na igreja apenas e tão-somente para o louvor do Senhor, não dependendo da música para manter-se. O segundo é o músico profissional convertido a Cristo ou o que aprendeu a tocar na igreja e agora exerce essa profissão.

Pense em um cristão músico que trabalhe para uma agência de publicidade. Como empregado, ele deve atender às ordens de seu empregador. Estaria ele livre para compor todo e qualquer tipo de música? Digamos que seu patrão lhe incumba de fazer um jingle que incentive os foliões, por ocasião do carnaval, a participar de todo tipo de orgia, desde que usem preservativos!

Qualquer profissional que paute a sua vida pelas Escrituras e pela ética cristã entenderá que limites lhe são impostos. Ele chegará à conclusão, inclusive, de que perderá oportunidades, caso queira agradar ao Senhor. Lembremos do profeta Daniel. Embora ele trabalhasse no palácio babilônio, “assentou no seu coração não se contaminar com a porção do manjar do rei, nem com o vinho que ele bebia; portanto, pediu ao chefe dos eunucos que lhe concedesse não se contaminar” (Dn 1.8).

Vale a pena, para manter-se financeiramente, um músico cristão contaminar-se, tocando em casas de shows ou bares? Deve ele tocar para cantores mundanos ou fazer parte de suas bandas? A alegação de que se trata de um trabalho profissional, nesse caso, não é suficiente, pois algumas pessoas, por exemplo, veem a prostituição como uma profissão. Isso dá o direito a alguém de alegar que não peca contra o corpo, quando se relaciona sexualmente com alguém de modo “profissional”?

Bem, diante de toda a problematização que apresentei, quero responder, finalmente, à questão proposta inicialmente por meio de três assertivas:

1) Nada justifica a prática do pecado. O fato de precisarmos de dinheiro para nosso sustento e de nossa família não nos dá o direito de ignorar os princípios e mandamentos da Palavra de Deus. Não é vedado ao cristão ser um músico profissional, mas isso não significa que ele deva valer-se disso para ganhar dinheiro a qualquer custo. Um músico cristão pode, perfeitamente, compor para cantores cristãos ou ser ele próprio um intérprete da música, cantando e tocando louvores a Deus nas igrejas e tendo seu trabalho reconhecido pelo povo de Deus.

2) A comunhão com Deus está acima de tudo. Um crente que toca na casa do Senhor e, depois, em bailes ou no carnaval, está se prendendo a um jugo desigual com os infiéis; e, portanto, peca contra Deus (2Co 6.14-18). Jesus ensinou, de modo figurado, que, se qualquer parte do nosso corpo prejudicasse a nossa comunhão com Deus, trazendo escândalo, deveria ser arrancada e jogada longe (Mt 5.29-30).

3) O crente não deve ser extremista. O princípio da razoabilidade leva-nos a considerar que o trabalho do músico cristão profissional não precisa ficar circunscrito à esfera eclesiástica. Se usarmos o bom senso, chegaremos à conclusão de que existem algumas atividades que não são incompatíveis com a vida cristã. Tocar em shows, em bares ou durante carnaval é, como vimos, uma conduta imprópria. Ainda que alguém alegue não estar pecando, objetivamente, é preciso considerar o fato de que devemos fugir do pecado e da aparência do pecado, examinando-se tudo, a fim de que somente o bem seja praticado (1Ts 5.21-22 e Hb 12.1,2).

Por outro lado, que tipo de pecado comete um músico cristão que faz parte de uma orquestra sinfônica ou toca em uma cerimônia de casamento? Pelo princípio da razoabilidade, nem toda música composta no meio secular é prejudicial à nossa comunhão com Deus, assim como nem toda música composta por cristãos é, de fato, cristocêntrica ou condizente com a Palavra de Deus. Nem todo ambiente é prejudicial à nossa comunhão com Deus. Há que se considerar o abismo enorme existente entre um concerto de música erudita e um baile carnavalesco!

Portanto, deve um músico cristão tocar em festas mundanas? A resposta, ante o exposto, é negativa. E, no caso dos músicos profissionais que se convertem a Cristo, devem eles deixar a sua profissão? A rigor, não. No entanto, devem se conduzir de acordo com a ética cristã e observar o que a Palavra de Deus diz em Filipenses 4.8: “Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai”.

Ciro Sanches Zibordi
Texto publicado no Mensageiro da Paz de maio de 2018

O modismo de pregar com fundo musical


Por graça de Deus, tenho pregado o Evangelho e ensinado a Palavra de Deus desde 1988. Por favor, não me pergunte qual é a minha idade! Mas tive o privilégio de aprender aos pés de Valdir Nunes Bícego (in memoriam), na Assembleia de Deus da Lapa, em São Paulo.

Tenho conhecido, graças ao ministério que o Senhor me outorgou, famosos expoentes das Escrituras. E observo que, ao longo dos anos, muitos deles passaram a valorizar mais a forma do que o conteúdo. Optaram por priorizar, infelizmente, o malabarismo, a animação de auditório e outras práticas mecanicistas, inclusive a adoção de fundos musicais melodramáticos, visando a uma suposta “colheita imediata”, muitas vezes, financeira, e não ao “plantio da boa semente”: a Palavra de Deus.

Conquanto este seja um “duro discurso”, não posso deixar de dizê-lo. Além das falações intermináveis dos levitas (levitas?), que muitos chamam de ministrações, durante o momento de louvor (louvor?), os aludidos fundos musicais durante a explanação da Palavra — a qual se torna cada vez mais sucinta, para não cansar os ouvintes — e outras inovações têm sido um prenúncio de que, em breve, caso os líderes não se despertem, a exposição simples das Escrituras não será mais bem-vinda no culto a Deus. A bem da verdade, o erro maior não é dos “levitas”, pois muitos pregadores fazem questão do fundo musical.

Alguns pregadores, inclusive, prevendo a possibilidade de não haver músicos hábeis para produzir fundos musicais que “toquem a alma”, eles mesmos já têm à mão um CD com melodias que “preparam o coração dos ouvintes”. Não teriam eles aprendido isso com o showman Benny Hinn, que usa o fundo musical para sugestionar pessoas, a fim de derrubá-las?

Será mesmo que a exposição da poderosa Palavra de Deus precisa desse tipo de “muleta”? Digo isso, não porque seja inimigo da música. Pelo contrário, a música é uma bênção, mas ao ser executada no momento certo! Segundo a Palavra de Deus, no culto feito com ordem e decência, há o momento apropriado para todas as coisas (1 Co 14.26-40).

Graças a Deus, ainda há ensinadores e pregadores que não aderiram ao modismo do fundo musical e continuam priorizando a exposição das Escrituras com autoridade e simplicidade. Mas, sabe o que mais os irrita, além dos famigerados fundos musicais não solicitados? Músicos ou “levitas” tocando guitarra — mesmo desligada — durante a explanação das Escrituras!

Tocar guitarra ou contrabaixo durante a pregação, aliás, além de falta de reverência, é uma deselegância sem tamanho e evidencia a falta de interesse pela exposição das Escrituras. Nesses tempos pós-modernos, alguns “levitas” não conseguem deixar de tocar seus instrumentos nem no momento da pregação!

Eles abrem o culto tocando, tocam enquanto cantores e grupos louvam e, na hora da pregação, em vez de prestarem atenção à exposição da Palavra, preferem “ajudar” o pregador fazendo um fundo musical ou desligam suas guitarras ou contrabaixos, mas continuam batendo nas cordas, alheios à pregação. Pensam eles que aquele barulhinho irritante não atrapalha o pregador? “Aviva, ó Senhor, a tua obra” (Hc 3.2).

Ciro Sanches Zibordi

quarta-feira, 4 de julho de 2018

RESENHA: João Batista: o Pregador Politicamente Incorreto


Autor da resenha: Valdemir Pires Moreira (1)
Obra: João Batista: o pregador politicamente incorreto (ZIBORDI, Ciro Sanches. Rio de Janeiro: CPAD, 2018, 112 p.)

O ministério eclesiástico enfrenta atualmente uma crise de identidade, pois não são poucos aqueles que almejam tal posição em busca de promoção pessoal. Quando observamos alguns personagens bíblicos, somos confrontados com o comportamento ético com que viviam diante de Deus, contrariando assim, muitos dos que em nossos dias, usam o santo ministério para promoção pessoal em prol de benefícios outros. João, também chamado de João Batista, é um desses personagens, que ao ser convocado por Deus, cumpre cabalmente seu ministério, não procurando o engrandecimento de sua própria pessoa.

Na introdução, Zibordi faz uma rápida análise sobre o número sete nas Escrituras, observando que: “Nas Escrituras, o número sete raramente aparece sem um propósito definido e pode denotar perfeição, plenitude ou totalidade”. Em seguida o autor discorre sobre sete pregadores (João Batista, Jesus Cristo, Pedro, Estevão, Felipe, Barnabé e Paulo) para dar ênfase as qualidades e marcas que os faz serem pregadores aprovados por Deus.

No primeiro capítulo, o autor narra uma história em parte ficcional (Jo 1.19-36; Lc 3.15-20 e Jo 3.23-30), porém carregada de verdades bíblicas, que é bem próprio de seu estilo de escrita. A história narra uma entrevista feita pelos sacerdotes a João Batista. Em seguida, lança-se luz sobre o João Batista histórico e as fontes bíblicas e históricas que confirmam sua existência.

O segundo capítulo traz o título The Voice, onde o autor faz comentários acerca de João Batista, como embaixador de Deus, seu chamado confirmado no deserto, sua vida de oração e jejum, e sobre a discussão envolvendo João Batista, se ele era ou não um essênio? O autor traça ainda o ambiente desértico vivido por João Batista, sua origem e seu ministério profético em meio ao deserto.

No terceiro capítulo, o assunto é a pregação politicamente incorreta, em que será tratado sobre a ditadura do politicamente correto (como uma das marcas da sociedade pós-cristã), seguida de uma análise de um mundo politicamente correto, de um papa politicamente correto e, ainda, sobre um evangelho politicamente correto. Finaliza-se o referente capítulo contrapondo ambos os pontos analisados a partir de João Batista, o pregador politicamente incorreto.

O quarto capítulo gira em torno da mensagem cristocêntrica de João Batista, um simples pregador que obteve grande resultado como precursor do Salvador. O autor ainda fala sobre a vestimenta de João Batista, bem como sua alimentação de mel e gafanhotos que são motivos de curiosidade de muitos. Um dos destaques deste capítulo é uma atual discussão no cenário teológico brasileiro: o autor descreve os cinco pontos (FACTS) do arminianismo e seu relacionamento com um evangelho cristocêntrico. Como observa o autor, para os pentecostais os teólogos Jacó Armínio e John Wesley foram os que melhor interpretaram a soteriologia bíblica.

No quinto capítulo, Zibordi fala-nos acerca de dois batistas mencionados no NT. Um que batizava em água (João Batista) e outro que batiza com o Espírito Santo e com Fogo (Jesus Cristo). Em seguida o autor discorre sobre pontos fundamentais da teologia pentecostal e fala-nos sobre o que é ser cheio do Espírito. Jesus batiza com Fogo? Afinal, o que é batismo com o Espírito Santo e com Fogo? O que são as Línguas como que de Fogo? Após essa última interrogação, o autor explica o que são línguas como evidência do batismo no Espírito, línguas como dom e línguas como edificação do crente.

No penúltimo capítulo, observa-se a postura de João Batista como pregador, contrastando-a com a dos pregadores stand-up e coach de nossos dias.

No último capítulo, que traz o título Acabou a Carreira, Perdeu a Cabeça, Guardou a Fé, o autor descreve sete passos necessários que nos levam a “perder a cabeça” diante da sociedade politicamente correta em que vivemos. São eles: obedeça fielmente ao chamado de Deus; pregue o arrependimento e seja politicamente incorreto; preocupe-se menos com a aparência e consagre-se a Deus; não abra mão da mensagem cristocêntrica; seja cheio do Espírito Santo e creia no pentecostes; não queira aparecer, mas dê toda a glória a Jesus; e priorize a Palavra de Deus, e não os sinais.

A obra é necessária e urgente no contexto atual que estamos vivendo, em que falsos pregadores exaltam-se a si mesmos e pregam um evangelho antropocêntrico, desprovido dos princípios do verdadeiro Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo. Tomemos aqui esses conselhos deixados pelo pastor Ciro Sanches Zibordi e cumpramos fielmente o chamado de Deus em nossas vidas.

(1) Valdemir Pires Moreira é diácono da Igreja Evangélica Assembleia de Deus de Caucaia (CE), casado com Elizangela Pires Oliveira Moreira, bacharel eclesiástico pelo ICI BRASIL – Instituto Cristão Internacional e administrador do Canal Teologia Pentecostal Assembleiana (Youtube)