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sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Teologia pentecostal: paulina ou lucana?


Perguntam-me com certa insistência se a teologia pentecostal se baseia na teologia paulina ou na lucana. Para início de conversa, as verdades defendidas pelos pentecostais derivam das Escrituras neotestamentárias como um todo, as quais têm Paulo (com as suas treze Epístolas e seus sete sermões registrados em Atos dos Apóstolos) como seu principal expoente — depois do Senhor Jesus, evidentemente —, além de outros, como: João Batista, apóstolos Pedro (o primeiro pregador pentecostal) e João, evangelistas Lucas, Mateus e Marcos, autor de Hebreus, Tiago e Judas (irmãos do Senhor), Estêvão etc.

Analisemos algumas passagens de Lucas-Atos para identificar a origem de algumas importantes verdades pentecostais:

1) Lucas 3.16. Aqui temos a profecia do batismo no Espírito Santo, cujo batizador é o Senhor Jesus: “ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo”. Quem fala, nessa passagem? João Batista, o precursor de Cristo. Quem registrou suas palavras? O evangelista Lucas. O que temos aqui, teologia lucana? Ou teologia mateana, já que Mateus também narra esse episódio (3.11)? Nenhuma das duas. Temos, na narrativa lucana — e também na mateana —, teologia pentecostal feita por João Batista; ou teologia joanino-batista, se alguém preferir.

2) Lucas 11.13. De acordo com a narrativa de Lucas, Jesus disse: “Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais o Pai celestial dará o Espirito Santo àqueles que lho pedirem”. O que temos aqui, teologia lucana? Quem disse tais palavras? Jesus. Quem as registrou? Lucas. Portanto, temos, nesse exemplo, a teologia pentecostal esposada pelo próprio Senhor Jesus, a qual está presente na narrativa lucana.

3) Atos 2.14-21. Aqui, o apóstolo Pedro, logo após o derramamento inaugural do poder do Espírito Santo, no dia de Pentecostes, explica o que estava acontecendo à luz da promessa de Joel 2.28,29. O que temos agora? Teologia pentecostal esposada por Pedro; ou, se alguém preferir, teologia petrina dentro da narrativa lucana.

4) Atos 19.1-7. O apóstolo Paulo, e não Lucas, perguntou aos novos convertidos, na cidade de Éfeso: “Recebestes, porventura, o Espírito Santo quando crestes?” Após a resposta deles, o principal personagem dentre os apóstolos que aparecem em Atos — segundo o próprio Lucas, que lhe dedicou mais de 50% de sua narrativa — explicou-lhes que o batismo de João Batista era para arrependimento e, “impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e tanto falavam em línguas como profetizavam”.

Quem deu explicações sobre as verdades pentecostais? O apóstolo Paulo. O que aconteceu? Batismo no Espírito Santo com a evidência inicial de falar em línguas. Quem registrou tudo isso? Lucas. O que temos agora? Teologia pentecostal esposada por Paulo; ou, se alguém preferir, teologia paulina dentro da narrativa lucana.

5) Atos 4.36,37. Lucas, o fiel companheiro de Paulo (cf. Cl 4.14; 2 Tm 4.11), não foi apenas um narrador, evidentemente, pois ele faz observações de ordem teológica enquanto narra. Veja o caso de Barnabé, no texto citado: esse apóstolo foi chamado de Barnabas, que, em aramaico, significa, literalmente, “filho da profecia”, mas o teólogo Lucas o chamou de huios parakléseos, uma designação muito mais ampla. Esse termo grego polissêmico se relaciona com a obra multifacetada do Paráclito, esposada por Jesus no Evangelho de João (caps. 14-16).

Diante do exposto, a teologia pentecostal é bíblica, neotestamentária, com diferentes enfoques (paulinos, joaninos, petrinos, lucanos, mateanos etc.), os quais se harmonizam perfeitamente. Aliás, não há perigo algum em estudar Atos dos Apóstolos à luz das Epístolas de Paulo, pois, como diríamos hoje, esse apóstolo era pentecostal até debaixo d'água! Risos.

Aproveito essa oportunidade para convidar o estimado leitor a conferir o próximo livro da série Pregadores da Bíblia, de minha modesta autoria, cujo protagonista será Paulo. Essa obra se baseia nos sete sermões desse apóstolo registrados em Atos dos Apóstolos.

Ciro Sanches Zibordi

3 comentários:

Paladiino disse...

Excelente explicação pastor Ciro. Com toda a seriedade e temor de sempre. Parabéns pelo artigo.

Rafael Calegaro disse...

Muito bom e coerente! Existe artigo, livro, vídeo e etc. Recomendado pelo senhor sobre a pessoa do Espírito Santo? Sou pentecostal, mas vejo que falta um ensino mais específico, focado na pessoa do Espírito Santo, com uma visão equilibrada e coerente... Acredito que o Espírito Santo ainda está atuando fortemente na igreja, mas existe um desconhecimento grande sobre ele, principalmente por parte nossa; os Pentecostais.(Por isso, acontecem muitos excessos...) Gostaria de encontrar um conteúdo que valorizasse a obra verdadeira do Espírito Santo com uma visão pentecostal clássica, baseada na Bíblia, não apenas em experiências pessoais. O que o senhor me recomenda? Quero Aprender mais para ensinar meus irmãos... Um Abraço! Paz de Jesus Cristo!

João Augustos- BUSK BÍBLIA disse...

Pr. Ciro, a paz.

Excelente este seu blog e as exegeses, principalmente esta. Suas postagens são as melhores que já vi quando o assunto é exegese bíblica ou esclarecimentos sobre passagens bíblicas. Eu visito e recomendo seu blog sempre que possível.

Vou comprar um livro de sua autoria sobre o Apóstolo Paulo.

Gostaria de saber qual a sua opinião, se for possível, sobre estas duas postagens no site BUSK BÍBLIA:

"A INCRÍVEL HISTÓRIA DE ANNABEL, A MENINA QUE VISITOU O PARAÍSO DE DEUS"

"AS DUAS FORMAS DE MILÊNIO: EM QUAL VOCÊ ACREDITA?"

Deus o continue abençoando com este dom de escritor das coisas Dele e que Jesus seja sempre o centro da sua vida. Amém.