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segunda-feira, 9 de julho de 2018

O modismo de pregar com fundo musical


Por graça de Deus, tenho pregado o Evangelho e ensinado a Palavra de Deus desde 1988. Por favor, não me pergunte qual é a minha idade! Mas tive o privilégio de aprender aos pés de Valdir Nunes Bícego (in memoriam), na Assembleia de Deus da Lapa, em São Paulo.

Tenho conhecido, graças ao ministério que o Senhor me outorgou, famosos expoentes das Escrituras. E observo que, ao longo dos anos, muitos deles passaram a valorizar mais a forma do que o conteúdo. Optaram por priorizar, infelizmente, o malabarismo, a animação de auditório e outras práticas mecanicistas, inclusive a adoção de fundos musicais melodramáticos, visando a uma suposta “colheita imediata”, muitas vezes, financeira, e não ao “plantio da boa semente”: a Palavra de Deus.

Conquanto este seja um “duro discurso”, não posso deixar de dizê-lo. Além das falações intermináveis dos levitas (levitas?), que muitos chamam de ministrações, durante o momento de louvor (louvor?), os aludidos fundos musicais durante a explanação da Palavra — a qual se torna cada vez mais sucinta, para não cansar os ouvintes — e outras inovações têm sido um prenúncio de que, em breve, caso os líderes não se despertem, a exposição simples das Escrituras não será mais bem-vinda no culto a Deus. A bem da verdade, o erro maior não é dos “levitas”, pois muitos pregadores fazem questão do fundo musical.

Alguns pregadores, inclusive, prevendo a possibilidade de não haver músicos hábeis para produzir fundos musicais que “toquem a alma”, eles mesmos já têm à mão um CD com melodias que “preparam o coração dos ouvintes”. Não teriam eles aprendido isso com o showman Benny Hinn, que usa o fundo musical para sugestionar pessoas, a fim de derrubá-las?

Será mesmo que a exposição da poderosa Palavra de Deus precisa desse tipo de “muleta”? Digo isso, não porque seja inimigo da música. Pelo contrário, a música é uma bênção, mas ao ser executada no momento certo! Segundo a Palavra de Deus, no culto feito com ordem e decência, há o momento apropriado para todas as coisas (1 Co 14.26-40).

Graças a Deus, ainda há ensinadores e pregadores que não aderiram ao modismo do fundo musical e continuam priorizando a exposição das Escrituras com autoridade e simplicidade. Mas, sabe o que mais os irrita, além dos famigerados fundos musicais não solicitados? Músicos ou “levitas” tocando guitarra — mesmo desligada — durante a explanação das Escrituras!

Tocar guitarra ou contrabaixo durante a pregação, aliás, além de falta de reverência, é uma deselegância sem tamanho e evidencia a falta de interesse pela exposição das Escrituras. Nesses tempos pós-modernos, alguns “levitas” não conseguem deixar de tocar seus instrumentos nem no momento da pregação!

Eles abrem o culto tocando, tocam enquanto cantores e grupos louvam e, na hora da pregação, em vez de prestarem atenção à exposição da Palavra, preferem “ajudar” o pregador fazendo um fundo musical ou desligam suas guitarras ou contrabaixos, mas continuam batendo nas cordas, alheios à pregação. Pensam eles que aquele barulhinho irritante não atrapalha o pregador? “Aviva, ó Senhor, a tua obra” (Hc 3.2).

Ciro Sanches Zibordi

3 comentários:

Ruy Bergsten disse...

Pastor Ciro, gosto muito dos seus escritos, inclusive o último, sobre João Batista. Mas quanto ao caso do fundo musical, embora ache que muitas vezes é mal utilizado, tem seu lugar, sim. O profeta Eliseu, na presença do ímpio Jorão, pediu a presença de um músico, para, com a música, sentir inspiração e dar a mensagem de que eles encontrariam água no dia seguinte. Este foi um caso, onde a mensagem veio acompanhada de música para trazer inspiração. Quanto ao mais, quando puder estar em Vicente de Carvalho, me avise, que terei um grande prazer de vê-lo novamente. A Paz, amado irmão.

Ciro Sanches Zibordi disse...

Caro amigo Ruy, a paz do Senhor!

Você sabe o quanto gosto de você (de verdade) e recebo com alegria suas críticas e palavras de incentivo. Começo pelas últimas e aproveito para agradecer-lhe quanto ao que falou sobre o livro de João Batista, o qual abre a série #PregadoresDaBiblia. Muito grato, mesmo, pelas palavras de incentivo. Vou lhe enviar um e-mail para nos encontrarmos em Vicente de Carvalho, para, pelo menos, tomarmos um café.

Quanto à sua defesa da pregação com fundo musical baseada em 2 Reis 3, mais precisamente no episódio em que o profeta Eliseu chamou o tangedor, precisamos falar disso considerando o contexto. Apresentar-lhe-ei algumas considerações numeradas, até à conclusão?

(1) Será que, à época, o músico ou tangedor ficava tocando seu instrumento durante a fala de Eliseu, completamente alheio ao que estava acontecendo, como que desprezando quem tinha a palavra? É isso que acontece quando um guitarrista bate em sua guitarra desligada durante a pregação! Nesse caso, a passagem em apreço seria tão aplicável aos dias de hoje com a dança de Davi, que muitos utilizam para defender o funk dentro das igrejas! Penso que o irmão não concorda com esse tipo de intervenção musical durante a pregação, isto é, quando alguém "tange" seu instrumento aleatoriamente durante a pregação.

(2) O que o irmão defende é o fundo musical, especialmente quando solicitado pelo pregador. De fato, há pregador que gosta do que chamei do texto de "muleta". Mas observo que muitos gostam desse recurso especialmente quando desejam mexer com os ouvintes, fazê-los reagir. Haja vista Benny Hinn e seus discípulos. Tenho visto alguns pregadores dizendo ao povo: "Vocês acabaram de perder a oportunidade de dizer 'Glória a Deus'. Em seguida, pedem para o tecladista ajuda-lo com um fundo musical.

(3) Com base no episódio bíblico citado (2 Rs 3), pergunto: Há como provar que o músico continuou "tangendo" durante a profecia? Ou o músico tão-somente tocou antes, como se fora parte de uma oração ou invocação a Deus, uma preparação antes da profecia, para que se abrisse ao profeta "a porta da Palavra"?

(4) Portanto, a música é muito importante, mas não ao mesmo tempo em que a Palavra é ministrada. E vejo em 2 Reis 3 simplesmente a confirmação de que o culto a Deus há três ministrações, a do louvor, a da Palavra e a do Espírito (1 Co 14.23). E estas se harmonizam. O louvor (salmo) é apresentado antes da pregação ou ensino (doutrina), como uma preparação. E a Palavra, ao ser exposta, é aplicada pelo Espírito (cf. At 2.14-36), que gera grandes resultados (revelação, língua e interpretação).

Que Deus o abençoe mais e mais, em tudo!

CSZ

FRANCISCO IZIDIO disse...

O que eu vejo nisso tudo, é que, muitos não apreciam a Palavra de Deus como ela de fato é, quando cada crente ser ouvidos a Palavra de Deus essas coisas como fundo musical perderão o sentido.