terça-feira, 30 de setembro de 2008

Dízimo é coisa do passado? (1)


Há algum tempo venho recebendo perguntas diversas sobre a validade do dízimo para os dias de hoje. E observo que o pensamento de que o dízimo é coisa do passado a cada dia ganha novos adeptos. Já respondi a uma pergunta em meu outro blog Pastor Ciro Responde, mas tenho outras considerações a fazer.

Ainda que ofertar e dar o dízimo sejam atos voluntários, e não meios de chantagem ou negociação com Deus (como algumas igrejas ditas evangélicas vêm fazendo, enganando os incautos), não há dúvidas de que ofertar e contribuir com o dízimo são práticas cristãs ligadas a mandamentos com promessas para hoje, haja vista 2 Coríntios 9.6-15.

Se não há muita ênfase direta ao dízimo no Novo Testamento, também não existe uma passagem sequer desaprovando essa forma de contribuição. E, nesse caso, os mandamentos e princípios veterotestamentários, conquanto boa parte deles tenha sido dirigida especificamente a Israel, muitos deles revestem-se de importância e aplicam-se a nós — alguns apenas espiritualmente, é claro —, como demonstra a Epístola aos Hebreus. Tudo foi escrito para o nosso ensino (Rm 15.4) e temos de estudar a Bíblia a fim de entender como certos mandamentos, princípios e exemplos do Antigo Testamento se aplicam a nós.

Quanto ao dízimo, não é apenas o Antigo Testamento, como muitos pensam, que o apresenta como uma obrigação do crente, conquanto não devamos contribuir por obrigação, e sim espontaneamente (Êx 25.2; Ml 3.8-10), como já disse. A evangelização, por exemplo, é uma obrigação dos cristãos (1 Co 9.16; Ez 33.8), porém não evangelizamos por obrigação, e sim por amor às almas perdidas (Rm 10.1; Jd v.23).

O Senhor Jesus referiu-se ao dízimo como sendo um dever, ao dizer aos fariseus: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois que dais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho e desprezais o mais importante da lei, o juízo, a misericórdia e a fé; deveis, porém, fazer essas coisas e não omitir aquelas” (Mt 23.23, grifo meu).

Um amado leitor — que, apesar de apreciar o meu trabalho, ficou um tanto decepcionado com a minha resposta — perguntou-me se a questão do dízimo no seu contexto bíblico não se refere especificamente a Israel, haja vista o sustento aos levitas, que serviam no Templo. Segundo ele, com a inauguração da Nova Aliança, depois do brado na cruz (Jo 19.30), o dízimo teria sido anulado juntamente com a Lei (Hb 9.16,17).

Bem, como eu disse ao amado leitor que fez a pergunta acima, costumamos ficar decepcionados quando queremos que a Bíblia se adapte à nossa maneira de pensar. Mas devemos ter cuidado também com descobertas novas no campo da interpretação bíblica, uma vez que não é de hoje que o dízimo é aceito pelas igrejas evangélicas como um meio de aquisição de recursos para a obra de Deus. Imagine como certas igrejas (que não apelam para a barganha) subsistiriam sem o dízimo!

Assim como no Templo, nos tempos do Antigo Testamento, os levitas precisavam do dízimo e das ofertas alçadas para manterem o lugar de culto a Deus, os templos de hoje (e a obra, de maneira geral), à exemplo daquele, precisam de recursos para a sua manutenção. Por que o dízimo não pode ser usado como um meio de arrecadação de dinheiro em prol da obra do Senhor?

É verdade que o Senhor Jesus inaugurou o tempo da graça (Jo 1.17), mas isso não significa que Ele "jogou fora" ou aboliu tudo o que foi dado a Moisés, nos tempos veterotestamentários. A obra vicária do Senhor serviu eficazmente para que não mais dependêssemos da Lei quanto à salvação de nossa alma, a qual se dá mediante a graça de Deus, pela fé (Ef 2.8-10; Tt 2.11).

Mas nem todos os mandamentos do tempo da Lei foram revogados ou desprezados pelo nosso Senhor. No caso de algumas ordenanças, o Mestre fez ajustes e acréscimos, como se vê principalmente em Mateus 5 a 7. Observe, por exemplo, que Ele não cancelou o mandamento “Não adulterarás”, mas modificou-o (Mt 5.27,28). Aliás, nesse caso, o mandamento ficou até mais abrangente, passando a considerar o aspecto psicológico.

O Senhor Jesus não revogou toda a Lei. É claro que, falando ainda a respeito do Decálogo (que é apenas um resumo da Lei), dos dez mandamentos, nove foram repetidos no Novo Testamento de maneira ampliada ou modificada, com exceção do relativo à guarda do sábado, que de fato não faz mais sentido nos tempos neotestamentários (Mc 2.24-28; Gl 4.8-11).

Por que defender a total anulação do dízimo no tempo da graça? Quais são as implicações de sua observância quanto à salvação pela graça de Deus? É isso pecaminoso? Implica crer que a salvação é pelas obras da Lei? É óbvio que não! Nesse caso, as palavras registradas em Mateus 23.23 são suficientes para crermos que a prática do dízimo subsista nos tempos neotestamentários.

Alguém argumentará: “De acordo com a Hermenêutica, um único versículo não pode servir de base para uma doutrina”. Bem, procura-se quem inventou essa falácia! Com certeza, não é um professor de Hermenêutica temente a Deus o autor dessa equivocada regra. Afinal, o que o Senhor disse é verdade. E ponto final. Se Ele disse que é dever valorizar o mais importante da lei, o juízo, a misericórdia, a fé e o dízimo, cabe a nós atentar para isso, e não para os que não querem andar segundo as Escrituras.

No entanto, como vários irmãos poderão ficar decepcionados comigo, tenho uma sugestão, principalmente aos assembleianos. Consultem os mestres da Assembléia de Deus, como Antonio Gilberto, Elienai Cabral, Esequias Soares, Claudionor de Andrade, Elinaldo Renovato de Lima, Wagner Gaby, Severino Pedro da Silva, Eliezer de Lira... Fazendo isso, os irmãos ficarão ainda mais decepcionados...

Amém?

Ciro Sanches Zibordi

26 comentários:

carlos roberto disse...

Pr. Ciro, a paz do Senhor!

Concordo com o Senhor.
Gostaria de dizer aos que não gostam ou não concordam em dizimar, seja por qual razão for, que não dizimem, ou saiam da igreja a qual adota essa doutrina. Se ficarem, dizimem. Se não, fiquem calados e procurem não contaminar aqueles que de boa fé e mente dizimam não á homens mas à Deus.
E acredito que Paulo, Pedro ou qualquer outro dos escritores do Novo Testamento, não faz menção do dizimo por ser uma doutrina já aceita pelas igrejas da época, então não havia necessidade de "chover no molhado".

Blog do Jordanny disse...

Pastor Ciro,

O senhor afirma que os dízimos e ofertas têm uma natureza vinculada a promessas. Que promessas seriam essas? Qual a finalidade espiritual e a conseqüência material da entrega dos dízimos e das ofertas?

Abraços pastor. Se puder responder...

A paz do Senhor!

Jordanny Silva
Brasília - DF

Robson Silva de Sousa disse...

A Paz do Senhor, meu caro!

Cara (me permita chamá-lo assim), eu tô quase morrendo de tanto rir com a conclusão belíssima desse seu artigo... Você matou a charada com uma sutiliza de mestre...

Noutros termos diríamos que "matou a cobra e mostrou o pau"...

Que o Senhor nos ajude no cumprimento e fidelidade para com os Seus mandamentos, incluindo a entrega do dízimo.

Um abraço!

Prossigo dizimando...

josiel disse...

Amém!

claudio disse...

querido pastor ciro

muito esclarecedores os textos sobre o dizimo e sua explicaçao dos mesmos

geralmente escutamos os irmaos exigirem as bençaos do antigo testamento como as bençaos la do monte gerizim

entre outas benças e promessas espalhadas por todo o antigo testamento

particularmente sou dizimista ate de gorgetas que ganho nao para ser abençoado mas por que sou abençoado

mesmo tendo salario modesto nada tem me faltado

pois tenho aplicado os principios da mordomia crista em minha vida

e sei que mais bem aventurada coisa e dar do que receber

e tambem sei que biblicamente falando existe o principio da semeadura

proverbios tem varios versiculos falando sobre isso
pv 3;9,10 , 10.20

pv 19.17 Ao Senhor empresta o que se compadece do pobre, ele lhe pagará o seu benefício.

entre varios versiculos sobre a contribuiçao crista

nao sou contra dizimos e ofertas apesar de ALGUMAS DENOMINAÇOES como a congregaçao crista no brasil nao receberem dizimos e no sul serem uma grande denominaçao controem belos templos e enormes tambem

MAS NO ANTIGO TESTAMENTO E NO NOVO tem varios versiculos sobre ajuda aos nescessitados e pobres

no A.T parte dos dizimos nao eram aplicados para os pobres viuvas orfaos ?


pelo que entendi do antigo testamento os dizimos eram divididos da seguinte maneira

1/3 para o sacerdote e sua familia e claro inclsuive os levitas

1/3 para a manutençao do tabernaculo e mais tarde o templo

1/3 para os pobres e nescessitados ,viuvas orfaos


PERGUNTA? como a ass por exemplo da qual faço parte nao reparte parte dos dizimos com os nescessitados viuvas e orfaos desamparados ?

com relaçao ao novo testamento esta repleto de casos em que a igreja se reuniao para ajudar os outros cristaos inclusive na epoca da fome na judeia e regiao que o proprio paulo ajudou atraves das igrejas que fundou

estamos devendo de modo geral obedecermos esses principios dos nescessitados da igreja

Rom 15:26 - Porque pareceu bem à Macedônia e à Acaia fazerem uma coleta para os pobres dentre os santos que estão em Jerusalém.


1Co 16:1 - ORA, quanto à coleta que se faz para os santos, fazei vós também o mesmo que ordenei às igrejas da Galácia.



repito nao sou contra os dizimos creio que o cristao na epoca da graça nao e obrigado a nada
tudo pertence ao senhor
tudo e del
ele nao precisa de nada
mas o templo
a instuiçao crista precisa e claro
o sustento pastoral
etc

mas pecamos nesta questao
quando digo que pecamos e porque em muitas a maioria das ass de deus tira-se uma oferta extra para ajudar um nescessitado
coisa que acredito piamente que deveria ser dos dizimos e ofertas da igreja

e claro que isso nao impedi de tirar uma oferta extra

claudio disse...

querido pastor ciro

quero deixa claro que nao sou contra os dizimos e ofertas

sou dizimista e ofertante tanto em tempo ,como em vida como em dinheiro pela infinita graça de deus e nao me justifico nisso

por sem a santificaçao e a paz ninguem vera ao senhor

mas conforme esses versiculos abaixo que sei que o irmao conhece claro que em alguns contexto nao se refere a dinheiro mas vemos claramente no novo testamento os cristao mobilizados para ajudar os nescessitados coisa muito dificil por parte da liderança em nossas ass de Deus

Ato 9:36 - E havia em Jope uma discípula chamada Tabita, que traduzido se diz Dorcas. Esta estava cheia de boas obras e esmolas que fazia.





Efe 2:10 - Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas.


1Ti 2:10 - Mas (como convém a mulheres que fazem profissão de servir a Deus) com boas obras.


1Ti 5:10 - Tendo testemunho de boas obras: Se criou os filhos, se exercitou hospitalidade, se lavou os pés aos santos, se socorreu os aflitos, se praticou toda a boa obra.


1Ti 5:25 - Assim mesmo também as boas obras são manifestas, e as que são de outra maneira não podem ocultar-se.


1Ti 6:18 - Que façam bem, enriqueçam em boas obras, repartam de boa mente, e sejam comunicáveis;


Tit 2:7 - Em tudo te dá por exemplo de boas obras; na doutrina mostra incorrupção, gravidade, sinceridade,


Tit 2:14 - O qual se deu a si mesmo por nós para nos remir de toda a iniqüidade, e purificar para si um povo seu especial, zeloso de boas obras.


Tit 3:8 - Fiel é a palavra, e isto quero que deveras afirmes, para que os que crêem em Deus procurem aplicar-se às boas obras; estas coisas são boas e proveitosas aos homens.


Tit 3:14 - E os nossos aprendam também a aplicar-se às boas obras, nas coisas necessárias, para que não sejam infrutuosos.


Heb 10:24 - E consideremo-nos uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras,


1Pe 2:12 - Tendo o vosso viver honesto entre os gentios; para que, naquilo em que falam mal de vós, como de malfeitores, glorifiquem a Deus no dia da visitação, pelas boas obras que em vós observem.



NAO QUE ISSO JUSTIFIQUE deixar de dar dizimos e ofertas

mas e lamentavel os dizimos e ofertas deveria ser tambem gastos nao tudo e claro mas uma parte na ajuda aos menos favorecidos da igreja

nao so para as viuvas de pastores

mas por exemplo dos irmaos que algum tempo sao da igreja de bom testemunho que esteja desempregados por exemplo
totalmente desamparados

deveriamos ter um fundo ou reserva dos dizimos e ofertas para pagarmos uma conta de luz agua gas ou uma sexta asica para os totalmente desamparados


E O QUE ENTENDO MAS ESTOU ABERTO A CONTESTAÇOES POIS SEI QUE SAO PARA O NOSSO CRESCIMENTO

Anônimo disse...

Meu nome é Susana e tb concordo com o Pst,quanto ao ato de dizimar, vc só está devolvendo o que o Senhor lhe der, se alguém entrar no mérito, q o dízimo é pra sustentar luxo de pastor,eu acredito q nós devemos dar o dízimo,o fim a que ele é responsável, ñ me interessa, se ele é usado para o sustento de pastor A ou B, quem vai dar conta disso é ele mesmo com o Senhor, sei q minha parte estou fazendo e que tudo, Deus Seja Glorificado.

ALTAIR GERMANO, disse...

Nobre companheiro e amigo Ciro, sou também favorável a atualidade da prática do dízimo, sem aprovar contudo as chantagens e barganhas em torno do mesmo. Tratei do assunto no post abaixo:

http://altairgermano.blogspot.com/2008/05/por-quais-razes-malaquias-cap-3-vers-10.html

Um abraço e a paz do Senhor!

Ciro Sanches Zibordi disse...

Caro pastor Carlos Roberto,

O irmão, como pastor, sabe muito bem da necessidade do dízimo, sobretudo para as igrejas que não se valem de estratégias vergonhosas para "arrancar" dinheiro do povo.

Escrevi um novo artigo sobre o assunto, aproveitando questões levantadas pelo irmão Alex Esteves, que tem contribuído, e muito, para o nosso crescimento em conhecimento, neste blogue.

Um abraço.

CSZ

Ciro Sanches Zibordi disse...

Caro Jordanny,

A Palavra de Deus afirma que dízimos e ofertas estão vinculados a promessas (Ml 3.8-10; 2 Co 9). Mas confiar nas promessas atreladas à contribuição material não denota barganhar. Infelizmente, televangelistas têm se valido dessa prática para "arrancar" dinheiro do povo.

CSZ

Ciro Sanches Zibordi disse...

Prezado Robson,

Cara (risos), suas palavras muito me incentivam! E mais, cara (risos), sua escolha em continuar a servir a Deus com o seu dízimo é muito acertada.

Leia a segunda parte da abordagem sobre o dízimo.

Um abraço.

CSZ

Ciro Sanches Zibordi disse...

Prezado Cláudio,

Realmente, há muita confusão e distorções na área da contribuição financeira. Mas sugiro que o irmão continue acompanhando esta série sobre o dízimo.

Um abraço.

CSZ

Ciro Sanches Zibordi disse...

Susana,

Sua observação foi muito boa. Cabe a nós entregar à "casa do tesouro" a nossa contribuição para a obra do Senhor. Se alguém, à semelhança de Judas, meter a mão na "bolsa" e dela tirar alguma coisa, terá de tratar com o Justo Juiz.

Em Cristo,

CSZ

carloshenrique disse...

Bom, A Paz Pastor Ciro.
Um ótimo Post.
Só vou fazer um comentário acerca do seguinte que o Senhor escreveu:
"Se Ele disse que é dever valorizar o mais importante da lei, o juízo, a misericórdia, a fé e o dízimo, cabe a nós atentar para isso, e não para os que não querem andar segundo as Escrituras."
Bom, Pastor Ciro, em Mateus 23 verso 23, diz o seguinte:
" Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! porque dais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho, e tendes omitido o que há de mais importante na lei, a saber, a justiça, a misericórdia e a fé; estas coisas, porém, devíeis fazer, sem omitir aquelas."
Portanto, o que se vê em tal texto é o seguinte: que o mais importante da lei é a justiça, a misericórdia e a fé, e que se deve praticar a justiça, a misericórdia e a fé que é o mais importante da lei, sem omitir os dízimos.
No amor de Cristo, Carlos Henrique Xavier.

Joabe disse...

Concordo com as colocações do Pr Claudio. Tambem acho sem necessidade ter que tirar duas ofertas em um culto.Se for para ajudar um irmão carente da igreja, que realmente esteja precisando de ajuda, por que não tirar da renda da igreja ?

claudio pimenta disse...

OBRIGADO JOABE

por concordar com meus comentarios
mas tambem fique a vontade para discordar para crescermos juntos no conhecimento

Anônimo disse...

Pr. Ciro,

Qto. a questão de Hermenêutica não posso concordar que um versículo apenas sirva de base para uma doutrina... inclusive do que Jesus disse... pois corremos o risco de interpretar um dito Seu erroneamente... é apenas uma das regras de interpretação... e no caso Jesus não está ensinando sobre a obrigatoriedade dos dízimos... a prática neotestamentária nos ensina a dizimar e ofertar voluntariamente por amor... o dízimo faz parte da Lei... Caim e Abel ofertaram a Deus... qdo. Abraão deu o dízimo o fez uma única vez do espólio de Guerra... e Jacó fez o voto de dizimar por si só e não por ordenança divina... por fim quero salientar que sou dizimista e ofertante e não compactuo com a Teologia da Prosperidade...

Deus abençoe!

Ir. Anderson

Ciro Sanches Zibordi disse...

Caro irmnão Anderson,

Reitero que um único versículo (ou parte dele) é suficiente para se fundamentar uma verdade bíblica. Só há um versículo, por exemplo, acerca da fórmula do batismo em águas, em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo: Mateus 28.19. O irmão ousa dizer que o que o Senhor Jesus disse não é verdadeiro pelo fato de só aparecer uma vez na Bíblia? Reflita melhor.

A questão do dízimo é atemporal. Basta estudar o assunto sem preconceito. Quem gosta de fazer distinção, nesse caso, entre Lei e Graça, convenientemente, não observa que a contribuição financeira, na Lei e na Graça, são voluntárias (e.g. Êxodo e Neemias). Eu não defendo a prática do dízimo por imposição, mas o crente deve sim sentir-se obrigado a contribui, assim como deve se sentir obrigado a evangelizar, a orar, etc. (1 Co 9.16; Lc 18.1).

Diante do exposto, a doutrina do dízimo está baseada na Palavra de Deus, que possui promessas, mandamentos e PRINCÍPIOS.

Em Cristo,

CSZ

Anônimo disse...

Pr. Ciro,

Eu não afirmei que uma única citação de um dito de Jesus na Bíblia é uma inverdade ou implica em uma inverdade... a Palavra de Deus é verdadeira em tudo... o que eu disse é que uma interpretação nossa de um dito de Jesus (citado uma ou mais vezes) pode incorrer em erro na formulação de uma doutrina se não o fizermos de acordo com toda a Escritura...

"Verdades mencionadas só uma vez na Bíblia não são verdades?"

Respondo: A Bíblia é a Palavra de Deus e expressa somente a verdade (absoluta)... então verdades mencionadas só uma vez na Bíblia são verdades... agora podemos interpretar erroneamente ou manipular o texto (como se diz "fora do contexto"... outra regra de hermenêutica)... por isso temos visto tantas heresias e práticas esquisitas no meio evangélico...

Aliás é com base em um único versículo bíblico em Jo 21.25 que a Igreja Católica Romana baseia-se para justificar muitas de suas crenças e tradições...("Há, porém, ainda muitas outras coisas que Jesus fez; e se cada uma das quais fosse escrita, cuido que nem ainda o mundo todo poderia conter os livros que se escrevessem. Amém.")... por isso devemos ser bons bereanos...

Sem dúvida o Dízimo é atemporal... e que a Graça exige de nós muito mais que a Lei...

Qto. ao versículo de Mt 28.19, muitos já questionaram sua autenticidade... assim como 1Jo 5.7 e a parte final de Marcos que não aparecem em alguns manuscritos mais antigos... mas isso é outra discussão!

Graça e Paz!

Ir. Anderson

Maris disse...

Caro Pastor Ciro, gostaria muito que o senhor fizesse um texto mais explicativo sobre o dízimo, como por exemplo, quando era dado o dízimo, para quem e porquê era dado o dízimo, etc,etc,etc. Agradeço a atenção e fique na Paz do Senhor.

Isaías disse...

Pastor:

Admiro muito o senhor, acho que é um referência na igreja hoje, mas infelizmente nese caso tenho que discordar. Acredito que pelo menos nesse artigo o senhor adaptou a Bíblia ao ensino corrente, até entendo porque, não discuto isso. Pelo meno me alegra o senhor ter rejeitado a interpretação mitológica que alguns líderes fazem, isso é muito positivo.

Sobre Mateus 23:23:
Você acredita ainda na validade da LEI de Moisés para nossos dias, isto é, você acha que todos aqueles aspéctos cerimoniais são válidos para os dias de hoje?

Então compare Mateus 23:23 com esse versículo:

Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, Para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos. Gl 4:4-5

Leia de novo Mt 23:23:

Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que dizimais a hortelã, o endro e o cominho, e desprezais o mais importante da lei, o juízo, a misericórdia e a fé; deveis, porém, fazer estas coisas, e não omitir aquelas.

Pense que nesse texto ainda estamos em plena vigência da lei mosaica, ou seja, o sacríficio que, em tese, nos desobrigaria da lei ainda não havia sido executado, Jesus, como bom judeu que era, guardava a lei. Além do mais aquelas coisas necessárias ao dízimo ainda existiam: O povo de Israel na terra de Israel, o TEMPLO, Os sacerdotes e levitas. O que Jesus está dizendo aos "hipócritas"? Que eles guardavam os aspectos cerimoniais da lei até as mínimas coisas, mas que ignoravam aqueles elementos morais mais elevados.

Abraão deu o dízimo:

Eu não queria dizer isso, mas acho que esse argumento com relação a Abraão está errado, pense bem:

E estabelecerei o meu concerto entre mim e ti, e a tua semente depois de ti, nas suas gerações, por concerto perpétuo, para te ser a ti por Deus, e à tua semente, depois de ti. Gn 17:7

Este é o meu concerto, que guardareis entre mim e vós, e a tua semente depois de ti: Que todo o macho será circuncidado. E circuncidareis a carne do vosso prepúcio; e isto será por sinal do concerto entre mim e vós. Gn 17:10-11.

Repito e digo, a CIRCUNCISÃO não foi instituída por Moisés para que seja revista e cancelada pela GRAÇA! POrtanto, que todo varão cristão que tem fé seja circuncidado se espera herdar o céu!

E temos ainda outras doutrinas anteriores a Moisés como o levirato, o sacrifício de animais, anuimais puroe e impuros, sábado, etc.

A antiguidade de um ensino nada quer dizer, afinal, a adoração aos santos é bem antiga.

O que importa aqui é que a interpretação oficial tem problemas, e graves, é necessário abordar essas questões de frente e não com a argumentação gasta e superficial. tanto é que os argumetos são sempre os mesmos. Claro que sei que pastor nenhum, ou quase nenhum, vai abordar a questão de frente, afinal sem os dízimos muitos trabalhos faliriam, sei disso.

Shalom.

Leonor disse...

Pr.Ciro,
para mim sua explicação foi esclarecedora. Obrigada. E, quanto àqueles que querem se eximir do dízimo, à luz do novo testamento, digo que os cristãos da nova aliança davam "tudo" o que tinham e repartiam entre si. Não chegaremos a tanto desprendimento, mas procuremos cumprir a palavra de Deus, porque só temos bênçãos vindas dela.

Paulo César disse...

Toda essa discussão seria completamente inútil se vivêssemos apenas "dez por cento" do que a igreja primitiva vivia. O dízimo voltou com "força de lei" porque não praticamos o princípio neotestamentário relativo às finanças. Além das barganhas, muitas igrejas hoje vivem o "terrorismo do dízimo": "Irmão, se você não der (entregar, devolver...) o dízimo, você está roubando a Deus (ou seja, um ladrão)! Você não é abençoado porque não dá (entrega, devolve...) o dízimo. Faça prova de Deus..." e dá-lhe Malaquias 3.8-10. E assim o dízimo torna-se como uma "espada de Dâmocles": se eu der, ufa, estou livre; se não der, corro o risco de ver minha cabeça rolar.
E aí paramos nos 10%. "Já dei meu dízimo, cumpri com minha obrigação"; "Já fiz minha parte, agora Deus faz a dele". Ofertar? Aí o pastor já tá querendo demais! E depois ainda tome campanha disso, daquilo para complementar "a arrecadação" (essa é a maneira que muitos se referem àquilo que é "santo ao Senhor"). Não é à toa que o valor per capita ofertado a missões anualmente não chega ao valor de um refrigerante!
Hoje, infelizmente, muitos entregam o dízimo mais por culpa e obrigação do que por entendimento, por causa um contrassenso: paramos na questão do dízimo, ficamos no Antigo Testamento, não vamos além, aquilo que é a Nova Aliança. Somos ensinados a entregar o dízimo, não a ser generosos; a cumprir com a lei, não a dar liberalmente. Então ficamos nos achismos e nas interpretações - aboliu, não aboliu - apenas para justificarmos nossa teologia.
Os escritores do NT não fizeream menção ao dízimo não porque não queriam "chover no molhado", mas porque estavam muito além disso: sua entrega era total. Eles não pararam nos "dez por cento", mas foram além. É isso que precisamos hoje: ir além do nosso raso cristianismo. Compreenderemos não só as necessidades prediais (água, luz...), já que a igreja somos nós, mas as dos órfãos, das viúvas e dos necessitados.
Quando nosso coração estiver verdadeiramente convertido, quando tomarmos a nossa cruz, renunciarmos a nós mesmos, ultrapasseremos essa miserável condição de ter de ficar discutindo se é lei, se não é, se foi abolido ou não.
Vamos dar boa medida, sacudida, recalcada e transbordante sem esperar nada em troca e sem ter de ficar colocando o Senhor à prova.
Se estivermos firmados em Atos 2.42-47, com certeza não ficaremos preocupados com teologia da prosperidade ou com dízimos. Iremos muito além disso.
No amor de Cristo

Paulo César

São Paulo - SP

Anônimo disse...

PAz PAstor!
Sou leitora diária do seu blog, gostaria que o pastor respondesse uma dúvida....
O dízimo só tem valor se eu entrega-lo no envelope para a igreja, ou se eu der os 10% de minha renda em algum departamento na igreja ou ajudar em benfeitorias na igreja, terá o mesmo valor diante de Deus?

Francisco disse...

Caro Pr. Ciro:

O senhor diz: “Mas nem todos os mandamentos do tempo da Lei foram revogados ou desprezados pelo nosso Senhor...O Senhor Jesus não revogou toda a Lei”, ao passo que o próprio Cristo afirma
“Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas: não vim abrogar, mas cumprir. Porque, em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til se omitirá da lei, sem que tudo seja cumprido. Qualquer, pois, que violar um destes mais pequenos mandamentos, e assim ensinar aos homens, será chamado o menor no reino dos céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar, será chamado grande no reino dos céus” (Mt.. 5.17-19)
Desculpe, mas em nenhum lugar das Escrituras diz que Cristo aboliu a Lei, ou parte dela, ou coisa parecida. Não sei de onde muitos cristãos, ou pior, muitos líderes cristãos de notoriedade como o senhor tiraram isso. Pelo contrário, Cristo a confirma com muita propriedade. Portanto, como vimos nos versículos acima, Cristo não aboliu a lei, apenas a aperfeiçoou. Por exemplo, a Lei proibia o adultério, Jesus condenou o que levava o homem à prática do adultério. Assim Cristo deu uma aplicação mais perfeita à Lei.
Na verdade o que acontece é que muitos aspectos da Lei apontavam para Cristo, tendo nEle o seu cabal cumprimento, não tendo mais razão de ser depois dEle. Assim os mandamentos que ordenavam o sacrifício de animais tiveram o seu perfeito cumprimento na perfeito sacrifício de Cristo, o “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”, como diz Paulo: “Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós” (I Co 5.7).
Especificamente à questão do dízimo, sabemos que Cristo é o cumprimento do sacerdócio levítico, pois Ele é o Sacerdote Eterno segundo a ordem de Melquisedeque. Não vejo razão para essa ênfase exagerada ao dízimo, uma vez que se ele foi instituído em função desse sacerdócio levítico e este teve seu comprimento e seu fim no sacerdócio de Cristo, da mesma forma o dízimo se cumpre em Cristo e perde seu sentido de continuar na Nova e Eterna Aliança.
Obviamente isso não nos desobriga do compromisso de contribuir financeiramente para a Obra de Deus que, como qualquer instituição na terra, precisa de recursos para se manter.
Não há nenhum problema em cristãos voluntariamente destinarem 10% de suas rendas para a Igreja, nem está errado a Igreja ensinar isso. O que não pode é igrejas e pastores ficaram fazendo terrorismo espiritual dizendo que quem não dá é ladrão, rouba a Deus, não será salvo, etc, pois isso é desvirtuar a salvação em Cristo, que é unicamente pela Fé.

Pb Fernando disse...

A meu ver o que está acontecendo nos dias hodiernos é que, muitos líderes inclusive assembleianos tem utilizado os dízimos para seu bem estar e de sua família. Dizia o saudoso Pr. Francisco Raimundo da AD Macau/RN que o cristão tem prazer em contribuir mas, ele quer ver onde esse dinheiro está sendo aplicado.