quinta-feira, 19 de março de 2015

O Brasil pode se tornar uma Venezuela?

Conquanto Brasil e Venezuela sejam países bastante distintos, nos últimos doze anos diminuíram muito as suas diferenças por causa de um ideal comum, regido por uma mesma ideologia. Ambos os governos esquerdistas querem estabelecer na América Latina “La Patria Grande” de Fidel Castro. Não é por acaso que o Brasil está investindo em Cuba e mandando dinheiro para a ditadura cubana. Por que o programa Mais Médicos, adotado pelo governo federal, por exemplo, prioriza os médicos cubanos?

Falando em Cuba, alguns internacionalistas afirmam que a Venezuela ainda não é como a ditadura dos irmãos Castro. Ela estaria no meio do caminho: não seria nem uma democracia nem uma ditadura, e sim uma espécie de “democracia autoritária”, um regime híbrido, no qual prevalecem elementos autoritários, repressão aos opositores, bem como desprezo ao consenso, ao diálogo e aos direitos civis mais elementares. Sinceramente, não tenho dúvida de que a Venezuela já está debaixo de uma terrível ditadura, embora alguns professores de História esquerdistas insistam em dizer que esse país é um referencial de democracia na América Latina.

Na Venezuela não existe mais a separação de poderes. Ela é formalmente uma democracia por causa das eleições, mas, na prática, o déspota Nicolás Maduro — cujo partido tem pretensão hegemônica —, apoiado incondicionalmente pelo lulodilmismo, é quem controla o Judiciário. E este, por sua vez, já deu aval à cassação dos opositores, permitindo que o ditador tenha maioria absoluta na Assembleia Nacional. Não estamos muito longe disso, aqui no Brasil, pois o nosso Supremo Tribunal Federal (STF) já está, praticamente, sob o domínio do partido que há mais de doze anos governa o Brasil.

As Forças Armadas venezuelanas estão a serviço do esquerdismo bolivariano e, por isso, foram rebatizadas pelo chavismo, sendo renomeadas para "Força Armada Nacional Bolivariana". O exército está cem por cento alinhado com a ideologia chavista desde 2013, quando Hugo Chávez morreu. Além disso, o governo obriga pessoas a fazerem trabalho de polícia, devendo denunciar qualquer pessoa que sejam contrárias à “revolução”.

Há grande repressão aos opositores, na Venezuela, a ponto de eles serem acusados na Justiça de conspirar contra o Governo e estar alinhados com os Estados Unidos. Isso já está ocorrendo no Brasil, em pequena escala, por enquanto. Os opositores são chamados de golpistas, elite branca, burgueses, etc. E, há poucos dias, um parlamentar petista afirmou que a CIA está por trás dos protestos dos brasileiros contrários ao desgoverno lulodilmista, os quais levaram mais de um milhão de pessoas às ruas.

Maduro, também, fez um cerco legal e econômico à imprensa opositora. Ali, os poucos veículos críticos ao governo fazem isso com muitas restrições de acesso a divisas para comprar papel. A partir de 2014, a Venezuela entrou numa fase de aprofundamento das tendências autoritárias, especialmente no controle da mídia. E, no caso dos políticos de oposição que opinam, a perseguição a eles é muito violenta. Não é esse tipo de controle que os petistas desejam exercer no Brasil?

O que devemos fazer diante desse quadro? Como cidadãos do Céu, devemos orar pelo Brasil e pregar o Evangelho (1 Tm 2.1-3; Mc 16.15), mas também somos cidadãos brasileiros. E, como tais, devemos protestar contra as injustiças (cf. Sl 11.3).

Ciro Sanches Zibordi

terça-feira, 17 de março de 2015

Pronto: falei! E fica a dica...


Algumas pessoas têm me perguntado por que alguns articulistas gostam de empregar, na grande rede, hashtags como #ProntoFalei, #Reflita, etc. Como eu também me valho desse recurso, especialmente nas redes sociais, como Facebook e Twitter, gostaria de abordar aqui, brevemente, esse assunto e explicar por que uso hashtags.

Antes, porém, leia com atenção os próximos três parágrafos. Hoje, pela manhã, eu estava meditando na Palavra de Deus, em oração, e me veio um versículo ao coração: "Pode uma mulher esquecer-se tanto do filho que cria, que não se compadeça dele, do filho do seu ventre? Mas, ainda que esta se esquecesse, eu, todavia, me não esquecerei de ti" (Isaías 49.15). Haja o que houver, permaneçamos firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o trabalho que fazemos, de fato, para Ele, a fim de agradá-lo e honrá-lo, jamais será vão (1 Co 15.58). E nunca se esqueça: o Senhor jamais se esquecerá de você. ‪#‎ProntoFalei‬ — e me sinto bem melhor agora.

Você ficou sabendo que algum irmão (irmão?) está querendo prejudicá-lo? Alguém lhe disse que estão falando mal de você "pelas costas", tentando manchar a sua imagem? Acalme-se! Não "faça justiça com as próprias mãos". Ainda que fiquemos indignados quando tomamos conhecimento de que pretensos irmãos em Cristo estão procurando nos prejudicar, não devemos usar as "armas do Inimigo", e sim as "armas da nossa milícia", as quais "não são carnais, mas, sim, poderosas em Deus" (2 Co 10.4). Como servos do Senhor, jamais devemos nos esquecer do que Ele nos ensina, em Mateus 5.44: "Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem". Deus é justo e cuida dos que são seus. E nenhuma injustiça prevalecerá. ‪#‎FicaADica.

Quando você se sentir injustiçado e tiver a certeza de que está sendo prejudicado por pessoas que, além de fazer isso, ainda riem da sua situação, aguente firme. Um dia de fúria dará aos seus desafetos ainda mais munição para verberarem contra você. Embora Jesus tivesse todos os motivos para ter um momento de grande revolta diante de seus adversários, preferiu esperar o momento da exaltação. Humilhado e — sobretudo — humilhando-se, Ele sofreu até a morte de cruz. Entretanto, "Deus o exaltou soberanamente e lhe deu um nome que é sobre todo nome" (Fp 2.5-11). Tenhamos o mesmo sentimento do nosso Mestre ante as injustiças e jamais nos esqueçamos da pergunta retórica contida em Gênesis 18.25: "Não faria justiça o Juiz de toda a terra?" #PenseNisso.

Nos parágrafos acima empreguei algumas hashtags muito usadas nas redes sociais. Na linguagem da Internet, tags são palavras-chave, etiquetas, e hashtags são as tags antecedidas pelo seguinte símbolo: #. Há etiquetas gerais e específicas. As que eu citei acima são gerais, mas há outras, usadas em ocasiões especiais. #ChangeBrazil, por exemplo, foi muito empregada na época dos protestos nas ruas, em junho de 2013.

Falando em protesto, para o DataFoice e o site LULOL, um milhão de pessoas pode transformar-se em cinco milhões ou em duzentos mil. Se o ajuntamento estiver relacionado com a Parada Gay, qualquer cem mil transforma-se em um milhão. E, se esse evento chegar a um milhão, de fato, o número quintuplica! Por outro lado, quando se trata de um protesto contra o partido marxista-leninista que está no poder do Brasil há mais de doze anos, um milhão dificilmente chega a trezentos mil! O LULOL também está noticiando hoje que, segundo o DataFoice, a maioria dos brasileiros que foi às ruas, no domingo passado, protestou apenas contra a corrupção, e não contra o desgoverno da "presidenta". Como diz o carioca, "Fala sério!" ‪#‎ProntoIronizei‬.

Finalmente, por que este articulista e outros empregam hashtags? Porque elas são hiperlinks nas redes sociais e ativam o mecanismo de busca. Ou seja, se alguém clicar na etiqueta #Fato, por exemplo, terá acesso a todas as publicações contendo essa marcação. #ProntoExpliquei.

Ciro Sanches Zibordi

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Direitos Humanos, mas não para os humanos cristãos

— Presidenta, os terroristas do Estado Islâmico, que já tinham decapitado 21 cristãos na Líbia, sequestraram 220 cristãos na Síria. Há mulheres e crianças entre os sequestrados. A senhora pretende emitir alguma nota sobre isso, já que o Brasil é um dos maiores países cristãos do mundo?

— De jeito nenhum! Não devemos contribuir para o aumento da islamofobia. Ah, e eles não são terroristas, e sim militantes.

— Desculpe, presidenta, mas eu disse que 220 cristãos...

— Eu entendi. Prossiga.

— Os militantes do Estado Islâmico destruíram obras milenares da civilização assíria, no Iraque...

— Agora eles foram longe demais! Mas não vamos dizer nada, pois os Estados Unidos, quando invadiram o Iraque, também destruíram a estátua do Saddam Hussein. Mais alguma coisa?

— Presidenta, o governo da Indonésia está irredutível e disse que a condenação à morte de mais um traficante brasileiro está mantida.

— O quê? Que absurdo! Precisamos fazer uma nota de repúdio e tomar medidas enérgicas quanto a essa atitude contra a vida humana! Convoque o embaixador para esclarecimentos e chame a ministra da Secretaria de Direitos Humanos imediatamente!

O diálogo acima é ficcional, mas dá uma ideia de como o governo petista — que é fiel à ideologia marxista-leninista — tem sido “justo” e “humano” em relação aos direitos humanos...

Ciro Sanches Zibordi

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Carta de Campina Grande 2015: "Fazei tudo para a glória de Deus"


No encerramento do XVII Encontro para a Consciência Cristã (dia 17 de fevereiro), em Campina Grande-PB, a VINACC (Visão Nacional para Consciência Cristã) divulgou a “Carta de Campina Grande 2015”, elaborada por uma comissão de expoentes da fé cristã e lida pelo pastor Renato Vargens, um dos preletores do evento. Por meio dela, reafirmou-se o compromisso da mencionada entidade com o genuíno Evangelho, sua defesa e sua pregação por todo o Brasil e até os confins do mundo, para a glória do Senhor Jesus.

Ei-la:

Nossos dias têm sido marcados por momentos críticos. Lamentavelmente, o Brasil tem experimentado, nos últimos anos, uma curva ascendente de escândalos, que nos fazem ruborizar de vergonha. Para nossa tristeza, as primeiras páginas dos jornais têm estampado — quase que diariamente — escândalos políticos de primeira linha. Como se não bastasse isso, a corrupção dos e nos poderes da República nos mostram que a nação encontra-se em avançado estado de 'metástase'.

Junta-se a tudo isso o problema da violência, que no Brasil tornou-se endêmica. Segundo a ONU, nosso país possui onze das trinta cidades mais violentas do mundo, isso sem falar no consumo de drogas, no descaso do poder público com a saúde da população, educação, transporte e bem estar social. E, para piorar essa situação, a igreja brasileira não tem cumprido o seu papel como sal da terra e luz do mundo. Pelo contrário, de norte a sul e de leste a oeste multiplicam-se os desvios teológicos e heresias hediondas de um lado, como a esterilidade de um saber teológico desvinculado da santificação e da prática de outro, coisas que, de forma acintosa, causam incontáveis males ao povo de Deus.

Ademais, nos últimos anos, ferozes 'lobos' têm tido livre tráfego em nossos arraiais, promovendo dissenções mediante ensinamentos falsos que afrontam a Palavra de Deus e induzem uma parte do povo de Deus ao erro, haja vista as práticas e comportamentos sincréticos que ora são verificados em muitas igrejas, nas quais pastores desprovidos de piedade, amor e misericórdia comercializam o Evangelho, assim como alertaram os apóstolos Paulo e Pedro (cf. 2 Co 2.17; 2 Pe 2.1-3).

Diante do exposto nós, da Visão Nacional para a Consciência Cristã (VINACC), entidade organizadora do 17º Encontro para a Consciência Cristã, decide:

Lutar pela unidade da igreja brasileira através da absoluta lealdade às verdades transformadoras do evangelho, para a glória de Deus

Cremos na santa Igreja, na existência de um só Corpo, um só Espírito, um só Senhor, uma só fé, um só batismo, um só Deus. Cremos na unidade da Igreja, como também na comunhão dos santos. Cremos que essa unidade é obra exclusiva de Deus, e que nós, pelos nossos próprios esforços, não podemos produzi-la. Cremos que a unidade só é possível em torno da verdade, e que uma igreja que relativiza as Escrituras, negando as verdades fundamentais da fé cristã, não pode ser considerada parte do Corpo de Cristo. Cremos que a unidade da Igreja é bíblica e deve ser desejada e vivida pelos salvos.

Cremos que somos chamados por Jesus Cristo a preservar a unidade do Corpo, não tratando como prioridade aquilo que as Escrituras consideram secundário. Pelo contrário, somos chamados por nosso Senhor para andarmos em amor, em humildade e em verdade, obedecendo à Palavra de Deus e glorificando ao Senhor através da nossa união.

Pregar exclusivamente o Evangelho, nada além do Evangelho

Reconhecemos que a Igreja foi chamada para proclamar o Evangelho em sua inteireza. Por isso, nos recusamos a vinculá-lo a ideologias políticas ou a agendas de ambições pessoais. Cremos que o Evangelho deve ser proclamado nos termos e ênfases do Evangelho, segundo a Palavra de Deus, e não de acordo com as circunstâncias mutáveis da sociedade. Proclamamos o Evangelho em sua totalidade, sem omitir seus aspectos essenciais, como a justiça e a santidade de Deus, a culpa do ser humano, a salvação somente pela fé, a ressurreição dos mortos, o julgamento final, o céu e o inferno. Proclamamos o Evangelho a todas as pessoas, independentemente de raça, nacionalidade, sexo, religião ou condição social.

Cremos que todas as pessoas precisam ouvir o Evangelho — em sua própria língua e cultura, de forma contextualizada — e ter a oportunidade de ser discipuladas, a fim de que também estejam aptas para fazer discípulos, formando igrejas locais autóctones, comprometidas com o pleno ensino do Reino de Deus, fazendo da proclamação do Evangelho um estilo de vida.

Denunciar o pecado, proclamar a justiça, lutando pela transformação de vidas, a fim de que Deus seja glorificado

Reconhecemos que somos chamados por Cristo para defender a vida, a verdade, a equidade, a família e a justiça. Acreditamos que a Igreja glorifica a Deus quando se posiciona contra o pecado — em suas mais variadas vertentes —, denunciando de forma profética as arbitrariedades cometidas por políticos, os quais, através de leis anticristãs, promovem a morte, a desconstrução da família, a miséria e relativizam o pecado.

Entendemos que é a missão bíblica da Igreja pregar o Evangelho a toda criatura, para que, no arrependimento e fé de muitos, haja inclusive um impacto social. Desse modo, a Igreja deve ser a voz da consciência da sociedade, a fim de apresentar aos que nos governam os princípios e verdades contidos nas Escrituras. Afirmamos, ainda, o nosso compromisso com a ética, com a decência.

E, por amor a Cristo, repudiamos todo e qualquer tipo manipulação religiosa e política feita em nome de Deus. Cremos ainda que é nosso dever, diante de Deus e da sociedade, exercer a nossa cidadania com responsabilidade e compromisso, convergindo a vocação que temos recebido do Senhor para colocar ordem no caos. Assim, 'tudo quanto fizerdes, fazei de coração, como se fizésseis ao Senhor e não aos homens' (Cl 3.23).

Edificar e fortalecer nossas igrejas locais para que sejam exemplos vivos e concretos das verdades do evangelho do Reino em todas as suas dimensões

Deus será glorificado quando Seus atributos forem visualizados, claramente, na vida de discípulos de Cristo que vivenciam a transformação do evangelho no meio de uma geração degradada e corrompida.

Glorificar a Deus em todas as áreas da vida

Com sincero arrependimento afirmamos, como corpo de Cristo, que rejeitamos todo tipo de idolatria, seja de práticas, pessoas ou instituições, reconhecendo que a honra pertence exclusivamente a Deus e a ninguém mais. Como discípulos de Cristo, assumimos o compromisso de honrar o nome de Deus nas esferas da ética pessoal, da família, da igreja, do trabalho, da cultura e da cidadania, refletindo a glória de Deus em tudo o que fazemos, em todo o tempo e em todos os lugares.

Portanto, confiantes na graça de Deus, assumimos este compromisso diante do Todo-poderoso e de Seu povo, a fim de vermos em nossa nação um poderoso progresso do Evangelho. Façamos, pois, a nossa parte, convictos de que, no fim, o Senhor Jesus Cristo será glorificado em nossa nação.


Pr. Euder Faber Guedes Ferreira

Presidente da VINACC

Comissão relatora
Pr. Aurivan Marinho
Pr. Elias Medeiros
Pr. Renato Vargens
Pr. Russell Shedd
Pr. Ciro Sanches Zibordi
Prof. Adauto Lourenço
Pr. José Bernardo
Pr. Jorge Noda

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Eu apoio o evento para a Consciência Cristã, em Campina Grande-PB


Eu apoio o evento em prol da Consciência Cristã, realizado em Campina Grande, na Paraíba, desde 1999, pela VINACC. Trata-se de um precioso encontro cristão em que o povo de Deus aprende a Palavra do Senhor e apreende a sã doutrina em seu coração. Ali, tudo é feito para exaltar a Palavra de Deus e glorificar o Deus da Palavra. Assista, pois, ao vídeo anexo e ouça o que alguns líderes e expoentes do Evangelho pensam sobre o evento em apreço.

Ciro Sanches Zibordi

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Paulo e a pregação itinerante

por Ciro Sanches Zibordi *
Artigo publicado na revista Obreiro Aprovado (CPAD), ano 36, número 67

Características do pregador itinerante, sua vida e pregação com ênfase na vida do apóstolo Paulo

Paulo foi um pregador itinerante muito diferente de qualquer um que já andou na terra. As cartas que ele escreveu à igreja de Corinto, especialmente — as de maior cunho pessoal —, revelam como era a sua vida diária e o seu procedimento como pregador e apóstolo. Mas, na sua pregação aos presbíteros (anciãos) de Éfeso, em Mileto, no retorno de sua terceira viagem missionária, identificamos algumas marcas de um verdadeiro pregador do Evangelho na vida de Paulo, as quais foram enumeradas pelo próprio apóstolo (At 20.18-19).

Servo de Jesus Cristo e humilde

Chama a atenção, em Atos dos Apóstolos e nas epístolas paulinas, o frequente emprego do termo “Senhor Jesus Cristo”, o qual é usado pelo apóstolo Paulo por mais de setenta vezes. Esse título, de modo sintético, revela que Jesus é o Senhor (Lc 2.11), o Salvador — pois este o significado do nome Jesus (Mt 1.21) — e o Cristo, o ungido de Deus (Lc 4.18). Em outras palavras, esse título contempla três tipos de relacionamento de Jesus: o Dele para com o Pai, como o Cristo; o Dele para conosco, como o Salvador; e o nosso relacionamento para com Ele, como servos, haja vista ser Ele o Senhor.

Na pregação aos presbíteros de Éfeso, Paulo asseverou que, durante o tempo em que esteve na província da Ásia, testificou “tanto aos judeus como aos gregos, a conversão a Deus, e a fé em nosso Senhor Jesus Cristo” (At 20.21). Ele quis dizer que não pregava um Evangelho incompleto, parcial, dizendo que Jesus era apenas o Salvador, por exemplo. Ele fazia questão de enfatizar que Jesus é o Senhor, o Salvador e o Cristo! Nos dias atuais, poucos são os pregadores que falam do Senhor Jesus Cristo. Muitos sequer enfatizam que Jesus é o Salvador, visto que só pregam sobre prosperidade financeira.

Calvino declarou que o “apostolado de Paulo era algo para o louvor de Deus, porquanto ele foi transformado de inimigo em servo” (COSTA, p. 65). Paulo fazia jus ao título de “servo de Jesus Cristo” (Rm 1.1), uma vez que servia a Deus em seu espírito (v9), sendo, portanto, um verdadeiro adorador (Jo 4.23,24). Paulo sempre se portou como servo do Senhor, com toda a humildade, dando toda a gloria a Jesus (1Co 9.16 e Gl 2.20), o que é muito difícil, pois o ser humano tem uma tendência à egolatria e à antropolatria. Houve uma tentativa de idolatrar Paulo e Barnabé, em sua primeira viagem missionária, mas eles lutaram bravamente contra isso e deram toda a glória a Jesus (At 14.11-18). Eles disseram aos que queriam lhes prestar culto: “Nós também somos homens como vós, sujeitos às mesmas paixões” (v15). Como têm se portado os pregadores itinerantes da atualidade? Dão eles toda a glória ao Senhor (Is 42.8), ou não se importam que as pessoas tacitamente os idolatrem?

Às vezes, Paulo gostava de apresentar seu curriculum vitae. Mas o que ele mais valorizava não era a sua fama no judaísmo. Ele preferia fazer menção das aflições, privações e angústias, além dos açoites, prisões, tumultos, vigílias e jejuns em prol da obra do Senhor (2Co 6.4-10). No seu currículo constavam também os 39 açoites recebidos dos judeus pelo menos cinco vezes! E não somente isso. Ele lembrava os seus discípulos de que fora fustigado com varas três vezes, sofrera três naufrágios, apedrejamentos, perigos de salteadores e assassinos, etc. (11.29).

Quando necessário, o pregador Paulo até mostrava suas credenciais de apóstolo, apontava para as multidões convertidas pelo Evangelho que pregava com simplicidade e no poder do Espírito, mas não fazia isso por soberba (2Co 3.1-4). Ele sempre lembrava seus discípulos de que ele era um mero servo de Jesus Cristo, assim com todos os outros, que fora chamado para exercer o ministério de apóstolo, pregador e mestre. Ele enfatizava que o seu sucesso em ganhar pessoas para Cristo se devia à graça de Deus, e não à sua capacidade (1Co 3.5-9). Ele pontificava que Deus requeria de todos obreiros que fossem fiéis e deixassem de lado a competição, a rivalidade, resistindo à tentação de uns quererem ser mais bem-sucedidos que outros (4.1-3).

Ao contrário dos animadores de auditório, pregadores malabaristas e milagreiros, ele era avesso à ideia de ter um fã-clube. E, por isso, evitava a ostentação e o emprego de linguagem rebuscada em suas ministrações, pregando somente a Cristo crucificado e evitando batizar muitas pessoas (1Co 1.14-23 e 2.1-5). Ele não queria que as pessoas se agregassem à igreja por causa de seus talentos e erudição, e sim pelo poder do Evangelho (1Ts 1.5).

Os pregadores da atualidade que querem viver como celebridades realmente não devem apreciar a vida de Paulo, que vivia sob constante ameaça de morte, sendo considerado um espetáculo para o mundo, um louco, desprezível e fraco (1Co 4.9-10). Paulo não era um superpregador. Em diversas ocasiões, foi esbofeteado e não tinha moradia certa ou casa própria; e também passou fome, sede e nudez (v11 e Fp 4.10-13). Ele trabalhava de dia e de noite, até cansar, a fim de garantir seu sustento (1Co 4.12). E, em vez de ser aplaudido — como certos pregadores que são convidados para programas de entrevistas para fazer a plateia rir —, ele era injuriado, caluniado e considerado o pior tipo de pessoa do mundo. O que fazia ele diante disso? Ele não revidava, mas dizia: “somos blasfemados e rogamos; até ao presente, temos chegado a ser como o lixo deste mundo e com a escória de todos” (v13).

Homem de lágrimas e corajoso

Paulo disse aos presbíteros efésios que servia ao Senhor, também, “com muitas lágrimas e tentações que, pelas ciladas dos judeus, me sobrevieram” (At 20.19). Quando ele mencionou “lágrimas”, referiu-se ao seu sofrimento e também aos seus momentos de oração, em que ele prostrado diante do Senhor derramava lágrimas na presença do Senhor, intercedendo pelos crentes da Ásia. Muitos questionam o costume de orarmos de joelhos, querendo saber de onde ele veio. A oração de joelhos era comum nos tempos da igreja primitiva (21.5), mas esse costume já existia desde os tempos veterotestamentários (Ed 9.5; Sl 109.24 e Dn 6.10). Chama a atenção, no Novo Testamento, as menções textuais a quatro pregadores que se puseram de joelhos: Jesus Cristo (Lc 22.41); Estêvão (At 7.60); Pedro (9.40); e Paulo. Este, depois de pregar aos presbíteros de Éfeso, em Mileto, “pôs-se de joelhos, e orou com todos eles” (20.36). E, ao escrever aos crentes de Éfeso, afirmou: “me ponho de joelhos” (Ef 3.14).

Paulo era um homem que sempre orou e jejuou (At 13.2,3). Essas duas coisas, aliás, estão “casadas” (Mc 9.29 e At 14.23). O jejum deve fazer parte da vida do pregador itinerante, mas ao lado da oração. Tanto que o Senhor Jesus, no Sermão da Montanha, ao ensinar-nos a orar, menciona, logo em seguida, o jejum, mostrando que este só é eficaz quando em conexão com aquele: “tu, quando orares, entra no teu aposento e, fechando a tu porta, ora a teu Pai, que vê o que está oculto; e teu Pai, que vê o que está oculto, te recompensará. [...] E, quando jejuardes, não vos mostreis contristados como os hipócritas, [...] para não pareceres aos homens que jejuas, mas sim a teu Pai, que está oculto” (Mt 6.6-18).

O pregador Paulo também tinha ousadia para superar as ciladas dos judeus incrédulos. Ele era corajoso e falava “ousadamente acerca do Senhor” (At 14.3), não temendo as perseguições. Um pregador itinerante sem ousadia, coragem, não pode fazer a obra do Senhor; ele precisa dessa qualidade sobretudo nos momentos mais difíceis (4.31). A ousadia atua em conjunto com a nossa confiança de que o Senhor é o nosso Ajudador (Hb 13.5,6). E Paulo era um pregador itinerante tão ousado, a ponto de não se intimidar com os perigos e ameaças. No retorno de sua terceira viagem missionária, sabendo do ódio que havia em Jerusalém contra ele, declarou: “eu estou pronto, não só a ser ligado, mas ainda a morrer em Jerusalém pelo nome do Senhor Jesus” (At 21.13).

Como pregador itinerante, Paulo enfrentou a morte várias vezes. Em alguns momentos, ele chegou a pensar que a sua hora de partir havia realmente chegado (2Co 1.8-9). Ele passou por constantes sofrimentos e angústias por causa das igrejas e seus membros, individualmente, com os quais se preocupava muito, a ponto de lhes dizer: “em muita tribulação e angústia do coração, vos escrevi, com muitas lágrimas, não para que vos entristecêsseis, mas para que conhecêsseis o amor que abundantemente vos tenho” (2.4). Ele era perdoador e pacificador, não querendo que os irmãos vivessem em contenda ou alimentando mágoa ou ódio em seu coração (v7-8).

Pregador cristocêntrico e cheio do Espírito Santo

“Pregar o evangelho significa anunciar toda a verdade acerca de Cristo contida nas Santas Escrituras. E, quando isso acontece, o Senhor coopera, confirmando a pregação com sinais (Mc 16.15-20 e Ef 6.17). O poder do evangelho reside, pois, na apresentação de toda a verdade da Palavra de Deus, e não em argumentações humanas, ainda que sejam coerentes e satisfaçam as exigências do limitado raciocínio humano. [...] O evangelho que Paulo proclamava não se resumia em palavras. Ele expunha a Palavra de Deus, e o Espírito Santo fazia a sua parte” (ZIBORDI, 2006, p. 170-171).

A pregação de Paulo aos presbíteros de Éfeso revela que ele era cheio do Espírito Santo e pregava uma mensagem cristocêntrica (At 20.20-23). Paulo testificava tanto a judeus como a gentios “o arrependimento para com Deus e a fé em nosso Senhor Jesus” (v21 - ARA). Quando ele aconselhou Timóteo a pregar a Palavra (2Tm 4.2), tinha autoridade para fazer isso, pois jamais pregou o que as pessoas desejavam ouvir, e sim o que recebera do Senhor, o que convinha à sã doutrina, o que o povo precisava ouvir (1Co 11.23 e Tt 2.1). Segue-se que é imprescindível para o pregador itinerante manejar bem a Palavra da verdade (2Tm 2.15), assim como Paulo a manejava (At 13.13-45).

Paulo disse aos presbíteros de Éfeso que iria a Jerusalém sem saber o que lhe aconteceria ali, “senão o que o Espírito Santo, de cidade em cidade, me revela” (At 20.22-23). Ele era cheio do Espírito. E todo pregador que se preza também deve sê-lo. Aliás, o maior evangelista do século XX, em sua obra O Espírito Santo, afirmou que “é apropriado dizer que todo cristão não cheio do Espírito é incompleto. A ordem de Paulo aos cristãos de Éfeso, ‘enchei-vos do Espírito’, é válida para todos os cristãos, em qualquer época, em qualquer lugar. Não há exceções” (GRAHAM, 1988, p. 95).

Billy Graham, em outra obra — um opúsculo de grandes e repetidas tiragens na década de 1960 —, conta que estava “pregando numa igreja do Sul, há algum tempo. Um diácono compareceu embriagado. A igreja se reuniu em assembleia e o cortou da comunhão. [...] Perguntei ao pastor: ‘Todos os diáconos vêm cheios do Espírito Santo, aos domingos?’ Ele respondeu que não; eu continuei: ‘Alguma vez o senhor os expulsou por isso?’ ‘Não!’ — Eu disse então: ‘O senhor sabia que o mesmo versículo que diz ‘não vos embriagueis com vinho’ diz também ‘enchei-vos do Espírito?’ Isto não é apenas um conselho, [...] Deus disse: ‘Enchei-vos do Espírito’” (GRAHAM, 1968, p. 8).

Ser cheio do Espírito Santo é muito mais que ser batizado com o Espírito ou ter dons espirituais. Ser cheio do Espírito significa ter a vida inteiramente controlada pelo Consolador (Ef 5.18). Assim como uma pessoa embriagada, cheia de bebida alcoólica, por assim dizer, está sob a influência do álcool, o pregador cheio do Espírito está sob a influência Dele e tem a sua vida dirigida por Ele, à semelhança de Filipe. E o que se destaca na biografia desse diácono-evangelista da igreja primitiva é a sua obediência. Ele pregava a multidões em Samaria, quando foi chamado a partir para a estrada de Gaza, que estava deserta, e, sem questionar, dirigiu-se para lá e pregou o Evangelho a um importante funcionário da rainha Candace, da Etiópia (At 8.5-27).

Como prova de que Paulo era cheio do Espírito e tinha profunda comunhão com Ele, este lhe revelava muitas coisas que aconteceriam em sua vida. Isso aconteceu também na vida de Samuel (1Sm 9.15) e de Simeão (Lc 2.26). Deus, que conhece todas as coisas e “revela os segredos” (Dn 2.28), disse através do profeta ao Amós que não faria coisa alguma “sem ter revelado o seu segredo aos seus servos, os profetas” (Am 3.7). Daí a necessidade se termos a vida dirigida inteiramente por Ele! O espírito de Paulo, sob o controle do Espírito Santo, sentia-se compelido, no momento em que discursava em Mileto, a ir a Jerusalém. Ele, de fato, era guiado pelo Espírito de Deus (At 16.1-10) e tinha discernimento espiritual e autoridade (13.10-46), virtudes que não podem faltar a nenhum pregador itinerante (Lc 10.19, ARA e 1Rs 22.28-37).

Convicto da chamada e compromissado com a Palavra

Uma das partes mais fortes da pregação de Paulo em Mileto foi esta: “em nada tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho da graça de Deus. [...] porque nunca deixei de vos anunciar todo o conselho de Deus” (At 20.24-27). O pregador itinerante Paulo tomava muito cuidado para não torcer a mensagem do Evangelho (Gl 1.6-8). Ele não andava com astúcia, nem procurava enganar seus ouvintes para tirar proveito financeiro deles (2Co 4.1-2). Ele jamais pregou mensagens de autoajuda, pensando em massagear os egos dos crentes e descrentes.

O seu compromisso era com a Palavra de Deus e com o Deus da Palavra. Ele vivia como um condenado à morte, levando em seu corpo as marcas do Senhor Jesus (Gl 6.17), bem como suportando calúnias e injúrias, sofrimentos e provações, privações e perseguições (2Co 4.7-15). Seus pés estavam na terra, mas sua cabeça já estava no céu. Ele não priorizava riquezas, propriedades e bens. Seu alvo era a glória celestial, as coisas invisíveis e eternas reservadas aos santos e fiéis (v16-18).

Quando ouço “itinerantes” fazendo apelos emocionais por causa do seu amor ao dinheiro (1Tm 6.10), lembro-me do que Paulo disse aos crentes de Corinto: “não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus, o Senhor; e nós mesmos somos vossos servos, por amor de Jesus” (2Co 4.5). Se eles fossem como o pregador itinerante Paulo, não amariam o dinheiro (1 Tm 3.3 e Ef 5.5). Mas, infelizmente, pelo vil metal estão eles dispostos a fazer tudo (Nm 22.10-22; 2Pd 2.15,16 e Is 56.11). Esquecem-se de que o compromisso do pregador não é com as suas próprias necessidades ou com as preferências do povo, e sim com o Deus da Palavra e com a Palavra de Deus (Ez 2 e At 7).

Zeloso e desapegado dos bens materiais

Paulo não apenas expunha o Evangelho; ele se opunha aos erros que vinham de fora e os que surgiam entre os irmãos (At 20.28-31). Ele afirmou que Deus o pusera “para defesa do Evangelho” (Fp 1.16). E, por isso, opôs-se aos falsos apóstolos de Corinto, aos quais chamou, ironicamente, de “mais excelentes apóstolos” (2Co 11), e aos judaizantes da Galácia (Gl 1.18). Essa conduta apologética, de defensor do Evangelho e também do rebanho, também ficou evidente em Filipenses 3.18 e Tito 1.10-11 e em outras partes de suas epístolas. De acordo com Atos 20.28, Paulo foi um legítimo defensor da Assembleia de Deus (gr. ekkesian tou theou), isto é da Igreja Universal, formada pelos salvos de todas as épocas, de todas as denominações, a qual o Senhor “resgatou com seu próprio sangue”.

Causa-me estranheza quando ouço de um pregador itinerante dizendo que deseja muito pastorear uma igreja, pois assim terá o seu sustento garantido e não precisará mais viajar. O pregador itinerante verdadeiramente chamado por Deus não viaja, sobretudo, porque quer ou goste de viajar, ou ainda porque precisa manter sua família. A pregação itinerante não é uma profissão como qualquer outra. Quem recebeu de Deus um ministério itinerante tem como motivação principal o chamamento divino. E todas as outras coisas, inclusive, o sustendo financeiro vêm como consequência, pois o Senhor se encarrega de tudo.

O pregador Paulo disse: “De ninguém cobicei a prata, nem o ouro, nem a veste. [...] Tenho-vos mostrado em tudo que, trabalhando assim, é necessário auxiliar os enfermos e recordar as palavras do Senhor Jesus, que disse: Mais bem-aventurada coisa é dar do que receber” (At 20.33-35). Alguns “itinerantes”, mal-orientados ou mal-intencionados, dizem que não exigem cachês para pregar, mas empregam técnicas reprováveis para “arrancar” tudo o que for possível dos incautos, como dinheiro, relógios, alianças, cheques, etc. E alguns ainda acham que isso é um dom especial que receberam do Senhor. Façam-me o favor!

Paulo passou muitas privações e teve de trabalhar arduamente para não ser pesado às igrejas; e a responsabilidade de cuidar delas pesava constantemente sobre seus ombros. Mesmo assim, não queria receber oferta para não dar motivo para o acusarem de mercenário (2Co 11.7-9). O pregador Paulo não vivia da “itinerância”, ao contrário de muitos, hoje, que reivindicam isso e até afirmam que a pregação itinerante é uma profissão como qualquer outra. Ele trabalhava para se sustentar, visto que muitos criticavam os pregadores que viviam do Evangelho e diziam erroneamente que eles não tinham o direito de receber sustento da igreja (1Co 9.1-12).

Ao se despedir dos presbíteros de Éfeso, em Mileto, Paulo foi abraçado afetuosamente por todos (At 20.36-38). Ele deixou saudades (cf. 2Cr 21.20). A Grande Comissão consiste em pregar o Evangelho e ensinar a sã doutrina, fazendo discípulos de todos os povos e batizando-os em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo (Mc 16.15,16 e Mt 28.19). E o pregador itinerante não prega apenas com as palavras; ele prega com a sua vida. Seu comportamento é observado pela igreja. E, se a sua conduta e a sua postura forem condizentes com a Palavra de Deus que ele prega, isso contribuirá para a formação de discípulos (At 13.46-52 e 14.19-28). Essa é mais uma missão do pregador itinerante: deixar discípulos de Jesus Cristo em vários lugares (1Co 11.1).

* Ciro Sanches Zibordi é pastor na Assembleia de Deus em Niterói-RJ, articulista e autor dos livros: Erros que os Pregadores Devem Evitar, Evangelhos que Paulo Jamais Pregaria e Erros Escatológicos que os Pregadores Devem Evitar, publicados pela CPAD.

REFERÊNCIAS
COSTA, Hermisten. Calvino de A a Z. 1. ed. São Paulo: Editora Vida, 2006.
GRAHAM, Billy. A Plenitude do Espírito e como Obtê-la. 3. ed. São Paulo: Edições Enéas Tognini, 1968.
________. O Espírito Santo. 1. ed. São Paulo: Edições Vida Nova, 1988.
ZIBORDI, Ciro Sanches. Evangelhos que Paulo Jamais Pregaria. 1. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.

sábado, 31 de janeiro de 2015

Um apelo à moderação

Acalmem-se, teólogos! O principal defensor das verdades bíblicas pregadas por aqueles que se consideram arminianos — na atualidade — se declara calvinista moderado! Risos.

"Os calvinistas moderados como eu estão dispostos a afirmar que Deus pode ser tão persuasivo quanto deseja ser, mas sem coação" (GEISLER, Norman. Eleitos, mas Livres. São Paulo: Editora Vida, 2001. P. 109).

Na obra mencionada, o renomado Norman Geisler assevera
: "A Bíblia é um livro equilibrado. Ela afirma tanto a soberania de Deus como a livre-escolha do ser humano. Ela ensina tanto que Deus está no controle completo quanto que os seres humanos podem escolher receber a salvação ou rejeitá-la. Infelizmente, contudo, parece haver uma propensão humana incurável para um extremo ou outro. O calvinismo extremado e o arminianismo extremado são os casos em questão. [...] Podemos estar certos de que: 1) Deus está no controle, e que 2) recebemos a capacidade de escolher" (p. 163).

Portanto, seria muito bom que todos os fomentadores de embates inglórios entre calvinistas e arminianos na grande rede lessem a mencionada obra de Geisler, especialmente o capítulo 7, denominado: "Um apelo à moderação". ‪#‎FicaADica‬.

Ciro Sanches Zibordi

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Em defesa do Evangelho

Em Filipenses 1.17, o apóstolo Paulo afirmou que foi “posto para defesa do evangelho”. Mas hoje, no meio evangélico, vemos defesa de tudo; menos do Evangelho! Muitos pregadores, escritores e articulistas, por exemplo, fazem uma enérgica apologia do calvinismo, como se este fosse sinônimo de Evangelho. E outros, de modo deselegante e, às vezes, fanático, defendem o arminianismo.

Pasme! Já há um grupo de teólogos da Assembleia de Deus dizendo que esta igreja errou ao não assumir, em sua confissão de fé, que é arminiana! E, por isso, está crescendo o número de adeptos de Calvino no meio assembleiano! Quer saber o que eu penso sobre isso? Repetirei o que escrevi em 2006: "se você está se firmando na teologia desses homens falíveis, receio que esteja em um terreno movediço. Se você tem travado longos debates para defender o pensamento deles, esqueceu-se de que 'toda carne é como erva, e toda a glória do homem, como flor da erva. Secou-se a erva, e caiu a sua flor; mas a palavra do Senhor permanece para sempre. E esta é a palavra que entre vós foi evangelizada' (1 Pe 1.24,25)" (Evangelhos que Paulo Jamais Pregaria, CPAD).

Receio que muitos expoentes perderam o foco e estão colocando teólogos e suas escolas no centro, esquecendo-se de que o Evangelho genuíno é cristocêntrico! Sinceramente, estou cansado de ouvir falar de Calvino e Armínio. Fale-me, por favor, de Jesus Cristo e de sua gloriosa obra redentora! Defenda o Evangelho! Sei que Calvino foi um grande teólogo. Sei também que Armínio teve muitas qualidades. Mas, pelo amor de Deus, quem são esses homens falíveis e outros ante o Senhor Jesus Cristo e sua inerrante Palavra? #ProntoFalei.

Ciro Sanches Zibordi

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Questões loucas? Estou fora!

Por duas vezes, nas cartas paulinas pastorais, a Palavra de Deus ordena que fujamos de questões loucas. Em 2 Timóteo 2.23 está escrito: “rejeita as questões loucas, e sem instrução, sabendo que produzem contendas”. E, em Tito 3.9, lemos: “não entres em questões loucas, genealogias e contendas, e nos debates acerca da lei; porque são coisas inúteis e vãs”.

Gosto muito de dizer o que penso de modo sincero e contundente, e isso, às vezes, irrita alguns pensadores cristãos. Mas tenho evitado debater com eles. Por quê? Porque a minha intenção, com os meus modestos escritos e pregações, é ajudar pessoas que desejam crescer na graça e no conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo (2 Pe 3.18).

Reconheço, humildemente, que tenho segurança quanto ao que tenho exposto e não vou mudar minha opinião para agradar teólogos, escritores e articulistas. E já deixei claro, por exemplo, o meu posicionamento pessoal a respeito de calvinismo e arminianismo. Mas há alguns expoentes, aqui e ali, que fazem questão de me criticar abertamente ou alfinetar. Eles supervalorizam questiúnculas, como o fato de eu ter dito que não sou 100% arminiano nem 0% calvinista...

Há alguns anos, por graça de Deus, decidi que não aceitaria mais desafios para debates na Internet nem responderia a provocações gratuitas. Na verdade, se dependesse da minha natureza — tenho sangue italiano correndo em minhas veias (risos) —, eu pagaria para participar de um debate! Mas fui convencido pelo Espírito Santo a não mais medir forças de modo inglório com ninguém. Portanto, quem quiser discordar, que discorde.

Louvo a Deus por ter aprendido a não me envolver mais em questões loucas. E, se alguém pensa que vou aceitar provocações e desperdiçar o meu precioso tempo em debates inúteis e inglórios, desista. Sou capaz de fazer hora-extra para responder a perguntas de pessoas sinceras que desejam aprender a sã doutrina. Quanto aos desafiadores e promotores de discussões inúteis, que gostam de “cutucar onça com vara curta”, podem “tirar o cavalo da chuva”.

Ciro Sanches Zibordi

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Agenda e agendamento


Pr. Ciro Sanches Zibordi
Niterói, RJ, Brasil


Para convites, envie um e-mail para: ciro.zibordi@me.com.

E, p
ara obter maiores informações sobre agendamento, clique AQUI.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

NoBBBre deputado ataca outra vez

Há poucos dias, o noBBBre deputado federal que tem nome francês e sobrenome que nos faz lembrar de um carro antigo — não me pergunte o nome dele — atacou de novo a liberdade religiosa, ao denunciar uma igreja evangélica de Brasília-DF que supostamente promovia a discriminação aos homossexuais e a “cura gay”. Na verdade, tratava-se de um curso interno que visava a discutir o homossexualismo (como comportamento) e a homossexualidade (como relacionamento, em si) à luz da Bíblia.

Indignado, o BBBondoso parlamentar publicou no Facebook o cartaz do evento evangélico e fez questão de assumir a autoria dos “atentados” contra a liberdade religiosa. “Apresentarei uma representação criminal perante o Ministério Público do Distrito Federal, mas o próprio Ministério, além do Ministério da Saúde e a Secretaria de Secretaria De Direitos Humanos Da Presidência Da República precisam se posicionar (e logo!) sobre essas práticas que não só representam um perigo para a saúde pública, como também uma grave violação dos direitos humanos e da laicidade garantida pela Constituição Brasileira”, disse ele.

Entretanto, de acordo com uma reportagem do Correio Brasiliense de hoje, o promotor Thiago Pierobon, ao examinar a denúncia contra a igreja, não a aceitou, decepcionando os intolerantes ativistas do movimento LGBT. Segundo o promotor, “não é possível proibir as pessoas de, no âmbito de sua liberdade de religião, discutirem temas ligados a sua concepção de correção dos comportamentos sexuais e nem proibi-las de conversarem com pessoas sobre tais temas. Se a abordagem a uma pessoa ocorrer com constrangimento ou exposição ao ridículo, certamente haverá a discriminação, ato ilícito não tolerado pelo Estado”.

O curioso é que o mesmo deputado BBBrasileiro já promoveu encontros nas dependências do Congresso Nacional em que se declarou ódio à fé evangélica. Um dos seus convidados, inclusive, chegou a afirmar que estava disposto a “pegar em armas” para enfrentar “esses desgraçados”, referindo-se a pastores, chamados, ali, de fundamentalistas e charlatões. Bem, como se vê, falta ao BBBrilhante parlamentar, pelo menos, duas coisas: tolerância e conhecimento do que realmente significa Estado laico e liberdade religiosa. ‪#‎ProntoFalei‬.

Ciro Sanches Zibordi

sábado, 24 de janeiro de 2015

Defensores da fé... E do plágio

Navegando pela Internet, vejo que alguns pretensos sites e blogs de defesa da fé confundem fonte com autoria. E creio que alguns têm feito isso de modo intencional. “Copiam e colam” textos do autor na íntegra — valendo-se do famoso “Control C + Control V” — e, no fim, inserem a fonte, sem nenhum destaque à autoria. Fica a impressão errônea de que o texto é de outro autor, que apenas consultou uma fonte, mencionada no rodapé do artigo. Nesse caso, o autor passa a ser fonte; e a fonte torna-se autor. Isso não é um tipo de desonestidade?

É inadmissível que pessoas que se dizem servas do Senhor e defensoras da verdade não tenham a dignidade de respeitar os direitos do autor. Sinceramente, estou cansado de ver “homens de Deus” se apropriando de meus singelos textos e de outros expoentes, na grande rede! Plagiam o texto, na íntegra, na maior “cara de pau”! E, na melhor das hipóteses, apenas citam a fonte, deixando o leitor em dúvida quanto à autoria.

Que tipo de defensores da fé cristã são esses, que se apropriam da obra de outrem, desprezando ou relativizando a autoria? Tenho prazer em ver minhas obras compartilhadas e publicadas em outros blogs e sites! Não me oponho a isso. Eu escrevo para isso, mesmo. Mas, se combatemos a desonestidade, precisamos ser honestos (1 Pe 2.12). E, se combatemos o erro, temos de ser verdadeiros (Fp 4.8). ‪#‎ProntoFalei‬.

Ciro Sanches Zibordi

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Por que a grande mídia ignora a cristofobia?

Digitei, por curiosidade, a palavra “islamofobia” no campo de busca do portal de notícias da Rede Globo — o famoso Globo.com — e descobri que há trezentos links para matérias, reportagens e artigos, todos condenando a suposta onda de discriminação aos muçulmanos no Ocidente. Resolvi, então, digitar no mesmo campo de pesquisa do site o vocábulo “cristofobia”. Resultado: apenas dez links.

Dos dez links sobre cristofobia, no Globo.com, apenas um artigo, do jornal O Globo (de 2014), aborda a cristofobia; e somente uma matéria, da revista Época (de 2012), denuncia a cristofobia no mundo islâmico. Além disso, quatro links aludem a declarações dos presidenciáveis evangélicos Marina Silva e Pastor Everaldo sobre a cristofobia; dois se referem a um artigo em que um colunista ironiza a perseguição aos cristãos; e outros dois contêm links para a reportagem da revista Época (citada acima).

No único artigo a respeito da cristofobia, João Ricardo Moderno, em O Globo de 21 de julho de 2014, critica o cineasta José Padilha em razão de este ter menosprezado a estátua do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, em seu filme Inútil Paisagem. Moderno afirma: “As ofensas à Igreja Católica são parte da sacrofobia, e da cristofobia em particular, e muito comuns em artistas que se valem do escândalo como marketing pessoal”.

Somente uma matéria da revista Época, de 2 de junho de 2012, assinada por Ayaan Hirsi Ali — uma pesquisadora do American Enterprise Institute —, denuncia a cristofobia. Segundo Ali, “A cristofobia gera muita violência, mas é menos discutida do que a islamofobia”. Por que a grande mídia menciona tanto a islamofobia, se, na verdade, são os cristãos que estão sendo assassinados aos milhares, na maioria das vezes pelos próprios muçulmanos?

Veja como a explicação da autora da reportagem é reveladora: “A reticência da mídia em relação ao assunto tem várias origens. Uma pode ser o medo de provocar mais violência. Outra é, provavelmente, a influência de grupos de lobby, como a Organização da Cooperação Islâmica — uma espécie de Nações Unidas do islamismo, com sede na Arábia Saudita — e o Conselho para Relações Americano-Islâmicas. Na última década, essas e outras entidades similares foram consideravelmente bem-sucedidas em persuadir importantes figuras públicas e jornalistas do Ocidente a achar que todo e qualquer exemplo entendido como discriminação anti-islâmica é expressão de um transtorno chamado ‘islamofobia’ — um termo cujo objetivo é extrair a mesma reprovação moral da xenofobia ou da homofobia”.

Ali acrescenta: “Uma avaliação imparcial de eventos recentes leva à conclusão de que a dimensão e a gravidade da islamofobia não são nada em comparação com a cristofobia sangrenta que atravessa atualmente países de maioria muçulmana de uma ponta do globo à outra. A conspiração silenciosa que cerca essa violenta expressão de intolerância religiosa precisa parar. Nada menos que o destino do cristianismo no mundo islâmico — e, em última instância, de todas as minorias religiosas nessa região — está em jogo”.

No Brasil, a grande mídia, de modo geral, ao mesmo tempo que ignora a cristofobia islamofascista no mundo muçulmano — a qual mata cem mil cristãos por ano, como pontificou recentemente o jornalista Reinaldo Azevedo —, tem dado grande destaque à pretensa onda de islamofobia no Ocidente. O jornalismo brasileiro, se, de fato, fosse imparcial, deveria seguir a orientação de Ayaan Hirsi Ali, que, na conclusão de sua matéria, asseverou: “Em vez de acreditar em histórias exageradas de islamofobia ocidental, é hora de tomar uma posição real contra a cristofobia que contamina o mundo muçulmano. A tolerância é para todos — exceto para os intolerantes”.

Ciro Sanches Zibordi

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Hoje, o Blog do Ciro completa 8 anos!


O Blog do Ciro iniciou as suas atividades no dia 13 de janeiro de 2007. Seu editor não tinha grandes ambições; queria apenas partilhar com os amigos algumas mensagens e notícias. Seu primeiro post noticiou o falecimento da querida irmã Iolanda, esposa do pastor Maurilo Gonçalves, da Assembleia de Deus da Lapa, em São Paulo-SP. Ela era como uma mãe para o editor do blog.

Depois de quatro meses, o blog chegou à marca de 1.000 acessos! O editor ficou muito feliz, mas, depois de um mês, esse número quadruplicou. Não demoraria muito para o Blog do Ciro chegar à marca de 1.000.000 de acessos, no ano de 2008.

À época da criação do Blog do Ciro, havia pouquíssimos blogs evangélicos na grande rede. Com o passar do tempo, foram surgindo muitos outros blogs, o que deu origem ao que chamamos de blogosfera cristã.

Hoje, os blogs já não são tão visitados como antes, pois eles têm a concorrência das redes sociais. O editor do Blog do Ciro, inclusive, não escreve textos apenas para este weblog. Além de publicar artigos para a sua coluna no site CPAD News, também escreve diretamente no Facebook.

A equipe do Blog do Ciro — formada por três pessoas: um escritor (Ciro), um revisor (Sanches) e um editor (Zibordi) — agradece a Deus por esses oito anos de muitas vitórias! Louvamos ao Senhor Jesus pelos 1.378 posts, 4 milhões de acessos e 5.652 seguidores!

Feliz 2015!

Ciro Sanches Zibordi