terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Como reagir quando um amigo se torna inimigo

Temos dois tipos de inimigos: os invisíveis e os visíveis. Os primeiros são as hostes do mal, às quais devemos nos opor (Ef 6.10-18). Os outros são pessoas que nos odeiam ou nos traem por algum motivo. E estas, por mais contraditório que isso possa parecer, devemos amar (Mt 5.44).

Se quisermos andar como Jesus andou (1 Jo 2.6), não devemos nos fazer inimigos de ninguém, mesmo dos falsos ou ex-amigos que nos traem. Afinal, segundo a Bíblia, os nossos reais inimigos são os invisíveis: principados, potestades, hostes espirituais da maldade, príncipes das trevas deste século, e não as pessoas (Ef 6.10-12).

Lamentavelmente, há cristãos (cristãos?) elegendo, equivocadamente, seus vizinhos, colegas de trabalhos e até irmãos como inimigos. E alegam ter motivos “nobres” para alimentarem sentimento de vingança e se regozijarem com o aparente fracasso dos tais. Que tipo de vida cristã é essa? Obadias profetizou numa época em que a cidade de Jerusalém estava sob o ataque violento da Babilônia. E os vizinhos de Jerusalém, os edomitas, estavam torcendo para que os exércitos inimigos os matassem e os destruíssem, como lemos em Salmos 137.7: “Lembra-te, SENHOR, dos filhos de Edom no dia de Jerusalém, porque diziam: Arrasai-a, arrasai-a, até aos seus alicerces”.

As seguintes palavras de escárnio e desprezo, constantes de Obadias v.12, foram pronunciadas por parentes consanguíneos dos judeus: “Mas tu não devias olhar para o dia de teu irmão, no dia do seu desterro; nem alegrar-te sobre os filhos de Judá, no dia da sua ruína; nem alargar a tua boca, no dia da angústia”. Descendentes de Esaú, irmão de Jacó, os edomitas foram condenados por Obadias em razão de se regozijarem com o sofrimento dos judeus. Conclusão: os filhos de Edom, que pensavam estar comemorando uma vitória com sabor de mel, experimentaram, na verdade, uma derrota com sabor de fel: “Ah! Filha de Babilônia, que vais ser assolada! Feliz aquele que te retribuir consoante nos fizeste a nós! Feliz aquele que pegar em teus filhos e der com eles nas pedras!” (Sl 137.8,9).

Se alguém que nos tem traído ou prejudicado, de alguma maneira, está sofrendo ou vier a sofrer, não devemos, como servos do Senhor, ter o prazer da vingança. As Escrituras nos ensinam: “Quando cair o teu inimigo, não te alegres, e não se regozije o teu coração quando ele tropeçar” (Pv 24.17). Em vez de zombarmos do suposto fracasso de alguém, devemos manter uma atitude de compaixão e perdão, pois “Horrenda coisa é cair na mão do Deus vivo” (Hb 10.31). O que estão buscando os crentes que cantam “Tem sabor de mel, tem sabor de mel” ao verem sofrendo o seu irmão (que eles consideram inimigo)?

Por outro lado, é impossível não ter inimigos. O Senhor Jesus, o Homem perfeito, também os tinha, e a maioria deles o odiava por inveja. O Mestre nunca foi inimigo de ninguém, a ponto de chamar até o traidor Judas de amigo (Mt 26.50)! Ele não impediu que o Iscariotes se fizesse seu inimigo. Mas, paradoxalmente, nunca desejou ser seu inimigo, objetivamente.

Judas é o mais emblemático exemplo bíblico de traição, mas não é o único. A traição de Demas também foi bastante sentida pelo apóstolo Paulo (2 Tm 4.10). As Escrituras e a escola da vida nos ensinam que, em muitos casos, os traidores se travestem de “melhores amigos” até conseguirem o que desejam. O caso de Judas, em específico, mostra que o falso amigo é ingrato e prioriza o dinheiro, em detrimento da amizade. Entretanto, não nos cansemos de fazer o bem, mesmo correndo o risco de estarmos ajudando inimigos que se fingem de amigos.

Ciro Sanches Zibordi

9 comentários:

Clara Evangelish disse...

Maravilhosa essa palavra, ela realmente nos leva a refletir quanto a nossa vida cristã, que nada mais é, do que um reflexo de quem somos.

Clara Evangelish disse...

Maravilhosa essa palavra, ela realmente nos leva a refletir quanto a nossa vida cristã, que nada mais é, do que um reflexo de quem somos.

Cleusa Elisete disse...

Realmente, posição difícil essa de lidar com pessoas que aparentemente são suas amigas, mas que na verdade formulam coisas contra nós. Mas o sr, disse bem, o próprio Senhor Jesus passou muitas vezes por isso, e nos deixou a bela lição do amor e do perdão. Parabéns pelo blog, gosto muito de ler seus textos.

Viver a palavra disse...

Como sempre, excelente exposição. Biblicamente fundamentada, sem nuances, a palavra do Senhor como deve ser pregada. Força e Honra!

Tadeu de Araújo disse...

Pastor Ciro, graça e paz!

É fato incontestável: nossos piores inimigos são os espirituais.
Por isso, temos que viver vigiando e orando, em todo o tempo ( Marcos 14.38; 1 Tessalonicenses 5.17).
Assim agindo, certamente estaremos imunizados às suas investidas.
Do contrário, infelizmente, poderemos morder às iscas que surgirão em nosso caminho.
No tocante à convivência com os mortais, seja no mundo secular ou religioso, por mais cuidado que venhamos ter, sempre haverá aqueles que, mesmo sem motivos, se constituirão inimigos nosso.
Se ainda não fomos contaminados por esse veneno infernal, é a misericórdia de Deus que tem guardado o nosso coração.
Assim sendo, o mérito nunca foi nem será do pobre homem imperfeito.

Em Cristo,

Tadeu de Araújo



Newton Carpintero, pr. e servo. disse...

Caro atalaia e pr. Ciro Ziborid,

Paz amado!

Quisera eu saber, ao menos, para contar nos dedos, diante da sua face, o que, certamente, levaria alguns dias, o número de irmãos libertos por conhecerem o seu blog, pelos seus livros inspirados e escritos, bem como, os momentos de ensino da palavra em várias cidades do Brasil e do exterior.

O faria desta forma, para como amigo, gritar bem alto: Vá em frente pastor, por favor, vá em frente meu amigo, por favor, vá em frente atalaia de Deus.

Muitos criticam, os que farejam somente dinheiro ou valores, e vivem sufocados pelo ensino de um evangelho falso, recheado por sentimentos de prosperidade, e fortalecidos pela pregação maldita de uma prosperidade inócua.

Muitos, por vezes, esquecem de valorizar o verdadeiro servo de Deus, em suas posições que explícitamente, produzem a verdade e orientam sobre as armadilhas que engolem a muitos como uma areia movediça.

Vivemos o momento pegajoso do engano. Vivemos o momento e a necessidade de se proclamar aos quatro ventos, somente a verdade com simplicidade e de maneira eficiente.

O Senhor seja contigo, nobre pastor,

O menor dos teus irmãos, com orgulho especial, por ser, seu amigo e motivado a produzir o meu blog, ao ter conhecido o seu blog, como uma verdadeira vitamina espiritual, e por vê-lo, principalmente, como um dos que decidiram não dobrar-se diante de mamom.

Fabio Silva disse...

Pr Ciro, a paz do Senhor.
Muito bem explicado, só não aprande quem não quer.

Paulo Muhongo disse...

A paz pr Ciro
Tenho lido os seus artigos e tem me ajudado bastante. contudo gostaria que o pastor me esclarecesse sobre o uso do preservativo por parte do cristao

Lucy Araújo disse...

Já convivi com várias situações onde a inveja permeava no meio da igreja onde congregava. Eu e meu esposo éramos vítimas desses "irmãos do paraguai" que em vez de buscar a Deus, deixavam ser usados pelo inimigo de nossas almas.
Nós simplesmente procurávamos olhar somente para o Senhor Jesus e orar por aqueles que nos perseguiam.
Mas é assim mesmo, amigos e inimigos temos em toda parte!

Em Cristo,
***Lucy***