segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

A prosperidade no Novo Testamento


Neste trimestre, as igrejas que utilizam as Lições Bíblicas da CPAD estão estudando a respeito da verdadeira prosperidade, em contraposição à falaciosa teologia da prosperidade. A lição do próximo domingo gira em torno do que a Bíblia diz a respeito desse assunto nas páginas neotestamentárias.

Prosperidade nos Evangelhos


No Novo Testamento vemos que ter uma vida abastada, a despeito de isso ser muito bom, não é o principal alvo do salvo. O Mestre deixou claro, em Mateus 6.19-21, que não devemos priorizar as riquezas deste mundo. Para os teólogos da prosperidade, a vida cristã resume-se em ter saúde, bens, dinheiro, dispensa cheia... Tudo gira em torno de prosperidade financeira. No entanto, Jesus ensinou: “Trabalhai não pela comida que perece, mas pela comida que permanece para a vida eterna” (Jo 6.27).


A comida para o corpo é insubstituível. Ninguém sobrevive sem alimento. Contudo, o Senhor Jesus falou de uma comida ainda mais importante e prioritária: “A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra” (Jo 4.34).


Prosperidade nas cartas paulinas


Paulo, imitador de Cristo (1 Co 11.1), asseverou: “o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo” (Rm 14.17). Ele ensinou os cristãos em Roma e a nós, por extensão, a não ambicionarmos as coisas altas (Rm 12.16). E, em 1 Coríntios 15.19, afirmou: “Se esperarmos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens”.


Em Romanos 4, Paulo apresenta Abraão como um paradigma para todos os crentes. Esse homem de fé, entretanto, não prosperou apenas materialmente. Em nenhum momento de sua biografia, sua prosperidade material é apresentada como uma prova de fidelidade ao Senhor. A Palavra de Deus enaltece a sua postura de esperança, convicção da chamada divina, humildade, obediência e comunhão com o Todo-Poderoso (vv.18-21; cf. Hb 11.8).


Uma das afirmações paulinas favoritas dos defensores da falsa prosperidade é Filipenses 4.13. Mas ela nada tem a ver com a reivindicação de bênçãos em decorrência de contribuição financeira. Que tal lermos os versículos 11 e 12? 
À luz desse contexto imediato, o que Paulo quis dizer com “Posso todas as coisas”?

Primeiro
: podemos, em Cristo, nos contentar com o que temos (1 Tm 6.8). Paulo não disse: “aprendi a conformar-me com o que tenho”, e sim “aprendi a contentar-me com o que tenho”. O nosso contentamento baseia-se na comunhão com Jesus, e não nos bens que possuímos. Nada é mais precioso que a salvação! Nossa alegria deve subsistir mesmo em meio às adversidades (Hc 3.17,18).


Segundo: podemos suportar, no Senhor, os momentos de abatimento ou humilhação. O crente que aprende isso nunca deixa de ser fiel nos períodos de angústia, mas permanece firme (Pv 24.10), alcançando vitórias em meio às tribulações e aflições (Jo 16.33; Rm 8.18).


Terceiro: podemos nos manter submissos ao Senhor e em paz com os irmãos, mesmo tendo abundância e fartura. Não pense que isso é fácil. Lembra-se de Abraão? A sua prosperidade quase lhe trouxe problemas de relacionamento com o seu sobrinho Ló (Gn 13.1-9). O servo do Senhor pode, em Cristo, ser vitorioso diante de tentações e perigos comuns a uma vida abastada.


Quarto: podemos enfrentar qualquer circunstância, inclusive a fome. Essa é a parte mais difícil do versículo em análise, pois ouvimos os pregadores da prosperidade dizendo o tempo todo que somos ricos, prósperos, etc. Ora, sabemos que, em regra geral, o crente não passa fome, nem padece necessidade: “Os filhos dos leões necessitam e sofrem fome, mas aqueles que buscam ao Senhor de nada têm falta” (Sl 34.10).


Entretanto, Deus pode permitir que passemos por privação e provação. E, se isso acontecer, devemos manter a nossa fé e continuar dando glória a Jesus. A Palavra do Senhor diz que nada — absolutamente nada — pode nos separar do amor de Cristo: nem a tribulação, nem a angústia, nem a perseguição, nem a fome, nem a nudez, nem o perigo, tampouco a espada (Rm 8.35-39).


Em 1 Timóteo 6.8-10, encontramos as razões pelas quais alguém abandona o verdadeiro Evangelho para seguir a teologia da prosperidade:


1) Falta de contentamento. “Tendo, porém, sustento e com que nos cobrirmos, estejamos com isso contentes” (v.8). A falta de contentamento gera ganância, avareza e consumismo. O ser humano é descontente por natureza, porém o Espírito Santo comunica ao crente gozo (Gl 5.22), regozijo (Fp 4.4), isto é, a alegria que vem do Senhor, a qual é a nossa força diante das adversidades (Ne 8.10).


2) Priorização das riquezas. “Mas os que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína” (v.9). Há crentes interesseiros, que não priorizam a comunhão com Deus. São egoístas; só pensam em seu bem-estar (2 Tm 3.2).


3) Amor ao dinheiro. “Porque o amor do dinheiro é a raiz de toda espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé e se traspassaram a si mesmos com muitas dores” (v.10). Em Eclesiastes 5.10, também está escrito: “O que amar o dinheiro nunca se fartará de dinheiro; e quem amar a abundância nunca se fartará da renda; também isto é vaidade”.


Quem não se contenta com o que possui, priorizando a busca de riquezas e o amor ao dinheiro, é capaz de fazer qualquer coisa para ganhar mais e mais dinheiro, até mesmo mercadejar a Palavra de Deus (2 Co 2.17, ARA). A avareza é uma espécie de idolatria (Ef 5.5), e nenhum idólatra entrará no Reino de Deus (1 Co 5.11; Ap 21.8).


A prosperidade em outras epístolas


Pedro, por sua vez, ensina que líderes e ensinadores, por não priorizarem a verdadeira prosperidade, negam “o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição” (2 Pe 2.1). Ele mostra que esses falsos mestres têm como motivação o dinheiro, visto que, por avareza, fazem “negócio com palavras fingidas; sobre os quais já de largo tempo não será tardia a sentença, e a sua perdição não dormita” (v.3).


À luz do Novo Testamento, não é pecado ser pobre, nem rico. Somos livres para trabalhar e conquistar dignamente os nossos bens. Por isso, o texto de Tiago 2.1-5 apresenta algumas lições quanto à convivência em comunhão entre ricos e pobres na Casa de Deus:


1) Não deve haver acepção de pessoas (vv.1,4). Não podemos nos deixar influenciar por ideologias humanas, e sim pela Palavra de Deus, segundo a qual os ricos não devem menosprezar os pobres; nem estes, valendo-se do complexo de inferioridade, se indignar contra aqueles.


2) Não deve haver desprezo aos pobres (vv.2,3). É uma tendência humana julgar as pessoas pela aparência (1 Sm 16.7; Jo 7.24). No entanto, não devemos tratar melhor alguém só porque exibe um anel de ouro ou usa vestes preciosas. Ninguém é superior perante o Senhor. Todos devem se humilhar diante dEle (Lc 18.9-14).


3) Os pobres devem ser honrados. “Ouvi, meus amados irmãos. Porventura, não escolheu Deus aos pobres deste mundo para serem ricos na fé e herdeiros do Reino que prometeu aos que o amam?” (v.5). É claro que a salvação não é apenas para os pobres, porém esse versículo deixa claro que o Senhor prioriza a riqueza da fé, e não a prosperidade financeira.


Se os pobres são ricos na fé e devem ser honrados na Casa de Deus, não há fundamento na afirmação de que a pobreza é uma maldição, estando atrelada ao pecado ou a algum “encosto”. Isso é uma invencionice, e muitos crentes, por falta de conhecimento, estão sendo enganados por homens que mercadejam a Palavra de Deus.


Louvo a Deus por esse trimestre das Lições Bíblicas da CPAD!


Ciro Sanches Zibordi

22 comentários:

disse...

Glória Deus, que benção hein?? E que diferença do que estes pregadores da Teologia da Prosperidade pregam e tem levado muitos incautos a não conhecer o verdadeiro Evangelho. Muito bom, louvo a Deus também. Paz querido!

Pedro Lima disse...

Pastor Ciro,

Muito bom o estudo da Escola dominical este trimestre concordo com o senhor.

Pastor ontem conversei com uma moça no msn que afirma ter ido 7 vezes ao céu e 15 vezes ao inferno e lendo o blog dela(http://pryonarasanto.blogspot.com/2011/11/corpo-e-vales-do-inferno.html) parece tão real seus relatos e fico confuso quanto a isso, tenho em mãos o seu livro "Evangelhos que Paulo jamais pregaria" e no capítulo 1 o senhor fala sobre o evangelho empirista que é baseado em experiências próprias, soube que essa moça pretende fazer um evento em minha cidade(Manaus) com mais de 15 mil pessoas, na sua opinião seria errado participar desses eventos?

Por favor Pastor me esclareça, sou um humilde servo de Deus e não quero testar o senhor eu realmente quero saber se é errado ou não.

Fique na Paz do SENHOR.

Palavra e Vida disse...

Que pena que meu pastor já deixou de usar as revistas da EBD da CPAD, e passou a usar de uma outra editora, cujo seu líder já aderiu para a outra prosperidade.

Alexandro Arruda

Marcos Rodrigues disse...

Escola Dominical, lugar de grandes aprendizados. Se todos os membros pudessem estar na ED, com certeza teríamos crentes mais esclarecidos e consequentemente mais preparados para a vida cristã. Minha opinião. Abraço, Deus abençoe seu ministério.

Zilton Alencar disse...

Este assunto, abordado com equilíbrio e totalmente baseado na Bíblia (e não nos lunáticos profetas da "prosperidade") deve ser ASSUNTO OBRIGATÓRIO de todos os novos convertidos, para que aprendam prioritariamente a se defenderem desta praga que cresce e se espalha nas Igrejas -- a meu ver, um dos piores perigos para o cristão nestes últimos dias.

Luciano de Paula Lourenço disse...

Muito bom, pr. Ciro! Essa é a autêntica prosperidade neotestamentária. Essa é a visão que Deus tem para a sua Igreja. Logo, essa deve ser a visão do autêntico líder cristão. Infelizmente, o nosso meio está encharcado com o lodo da falaciosa teologia da prosperidade. Essa erva daninha tem proliferado as mentes dos incautos e trazido prejuízos espirituais irreparáveis. Que Deus guarde o seu povo.
Um abraço!
Luciano Lourenço

Anônimo disse...

O que vemos no atual "mundo evangélico" são homens que entitulam-se pastores ou até mesmo pastores conhecidos, pregando o que lhes enteressam, extraindo da bíblia versículos isolados para darem base a suas eresias e intereses particulares. Seria interessante se cada vez que pregassem sobre a properidade informassem aos ouvintes sobre o restante do capítulo citado.
Ass: Elisangela Matheus.

Gilmar Valverde disse...

Caro Pr. Ciro,

Quanto a esse assunto, gostaria de entender um ponto dela.

Li num livro, da CPAD e que será um dos títulos sugeridos pela editora como subsídio para as Lições Bíblicas deste trimestre, que ensina que o cristão deve ofertar esperando sempre receber algo em troca. E o autor usa Hebreus 11.1 para defender essa idéia, afirmando que o cristão deve ser movido por fé e fé pressupõe recebimento de algo (o texto fala de coisas que se esperam).

Portanto, ele chegou a conclusão que, no ato da oferta, você deve fazer isso esperando receber algo em troca. Já ouvi isso, também, em mensagens de um famoso telepregador assembleiano e um dos seus gurus norte-americanos (o que mais freqüenta o seu programa). Mas isso não destoa do princípio da generosidade? Eu devo ofertar por amor e isso pressupõe dar sem esperar nada em troca, certo?

Pergunto isso, porque as duas últimas pessoas citadas chegaram a afirmar que quem oferta sem esperar nada em troca é um idiota.

Em Cristo,

Gilmar

Carlinhos disse...

Prezado pastor,
Concordo com a sua argumentação. Ressalto, todavia, que o evangelho da miséria é tão pernicioso quanto o da prosperidade nos moldes apresentados ultimamente. Somos cidadãos dos céus, mas também da terra. Diante do exposto, devemos fazer a nossa parte para vivermos dignamente e alcançarmos nossos objetivos. O erro de alguns é alienar-se da realidade, conformando-se a uma situação desfavorável, atribuindo isso “à vontade de Deus”. As promessas do Senhor no tocante a uma vida bem sucedida dependem para sua concretização, além da atuação divina, das atitudes que tomamos nesse sentido.

Anônimo disse...

Prezado Pastor realmente o ensino que a biblia apresenta sobre a prosperidade do crente esta em coformidade que nos foi apresentado , só que não nos esqueçamos que estamos vivendo hoje de faz de conta e nisto ate no nosso meio exitem as grande megas templos todo construido em cima misera do menos favorecido , é ´´ o chegar na cupula, que a linguagem muda .bem Morris Cerullos na decada de 80 pastores tiremos a mascara em vivamos como exemplo dos fieis.quanto a riqueza é dom de Deus e ele dá quem quer independente da forma que ele quiser.

Osires, te amo Jesus! disse...

Muito bom hein, benção. Sou professor da Ebd, ensino aos meus amados adolescentes, pena que ninguém comenta as lições Juvenis :(, mas quem sabe alguém se interesse né...

Osires, te amo Jesus! disse...

Muito bom hein, benção. Sou professor da Ebd, ensino aos meus amados adolescentes, pena que ninguém comenta as lições Juvenis :(, mas quem sabe alguém se interesse né...

Luis Souza disse...

ja estou ate vendo... Nosso "amigo" que ama o Rev moon não vai comprar essa revista da EBD... Pq e dificil não pregar o que se nao pode viver...

Luis Souza disse...

ja estou ate vendo... Nosso "amigo" que ama o Rev moon não vai comprar essa revista da EBD... Pq e dificil não pregar o que se nao pode viver...

Anônimo disse...

Ótimo texto Pr Ciro!
O que vemos na TV é isso mesmo, um "outro evangelho" antropocêntrico! As palavras do SENHOR JESUS do Ap. Paulo (o verdadeiro)são irrefutáveis, mas eles as mascaram para o povo leigo aceitar passivamente como verdades.

SDL-Guarulhos

Anônimo disse...

Meu nome á Gerusa Campos
Pastor a Paz do Senhor, nós estamos estudando esta maravilhosa revista que verdadeiramente nos mostra a realidade de que somente Jesus é a nossa infinita prosperidade e,como disse minha professora de EBD que nós aqui na Terra somos apenas servos,não reis ou rainhas como muitos pregam e propagam por aí.

Joezer Barros disse...

Eles usam também 2Co 9, para justificar esse Evangelho espúrio. Uma sugestão para o próximo post: uma análise deste capítulo, quando paulo fala sobre a coleta para os crentes da judéia.os pregadores citam bastante: " quem muito planta muito colhe"; mas acabam incitando uma troca com Deus.

zilda disse...

A Paz do Senhor Pastor! Glórias a Deus que faço parte do Ministério Canaã De Fortaleza, por estarmos estudando as Lições Bíblicas da CPAD com esse tema,"prosperidade", por ter tido o prazer de estar presente no culto do dia 06/01, em que o senhor ministrou a Palavra e por assistir as aulas da Escola Bíblica muito mais esclarecida sobre o assunto através do seu blog. Muito obrigada

zilda disse...

A Paz do Senhor Pastor! Glórias a Deus que faço parte do Ministério Canaã De Fortaleza, por estarmos estudando as Lições Bíblicas da CPAD com esse tema,"prosperidade", por ter tido o prazer de estar presente no culto do dia 06/01, em que o senhor ministrou a Palavra e por assistir as aulas da Escola Bíblica muito mais esclarecida sobre o assunto através do seu blog. Muito obrigada

zilda disse...

A Paz do Senhor Pastor! Glórias a Deus que faço parte do Ministério Canaã De Fortaleza, por estarmos estudando as Lições Bíblicas da CPAD com esse tema,"prosperidade", por ter tido o prazer de estar presente no culto do dia 06/01, em que o senhor ministrou a Palavra e por assistir as aulas da Escola Bíblica muito mais esclarecida sobre o assunto através do seu blog. Muito obrigada

gislaine christina disse...

Pr...Na sua opinião,a Bíblia consente com o divórcio no caso de agressão física?

VALDIR MANENTE disse...

PAZ PASTOR, FUI 'EXCLUIDO' DA DENOMINAÇÃO AO QUAL EU ESTAVA POR QUE 'OUSEI' ENSINAR ESSA LIÇÃO....FUI IMPEDIDO....A ESCOLA DOMINICAL SUSPENSA E TROCADA POR CAMPANHAS DE PROSPERIDADE..SÓ ESTOU COMENTANDO ISSO PARA DEIXAR REGISTRADO O QUANTO ESSA PSEUDO-TEOLOGIA ESTÁ ENRAIZADA NA IGREJA EVANGÉLICA BRASILEIRA.....PAZ.