sábado, 4 de junho de 2011

Tudo ficaria mais fácil se “déssemos o braço a torcer”


Em todos os segmentos, as coisas têm se complicado por falta de diálogo. As pessoas são incapazes de admitir os seus próprios erros e não conseguem reconhecer que seus oponentes podem ter razão, em alguns casos.

Quase sempre achamos que as pessoas do “outro lado” estão completamente erradas. E, por isso, não estamos dispostos a “dar o braço a torcer”. 
É claro que algumas questões são inegociáveis, não cabendo concessão alguma, como as que envolvem doutrinas bíblicas.

Há também situações em que todas as tentativas de conciliação entre as partes se esgotam. Isso ocorre, de modo geral, quando as pessoas envolvidas (ou pelos menos uma delas) têm como motivação o ódio, a inveja, o despeito, o sentimento de vingança, complexos de superioridade ou inferioridade, etc. Nesse caso, devemos atentar para o que está escrito em Romanos 12.18: “Se for possível, quanto estiver em vós, tende paz com todos os homens”.


Eu mesmo já tentei resolver alguns casos melindrosos. Fiz concessões, pedi perdão, reconsiderei... Tudo em vão. Esse negócio de “dar o braço a torcer” só funciona quando ambos os lados fazem a sua parte.


Por que o Estado palestino ainda não foi estabelecido? Isso não devia ter ocorrido em 1948, quando as Nações Unidas fizeram a partilha da Palestina? Por que o conflito israelo-palestino parece não ter fim? Ora, como haverá acordo de paz no Oriente Médio se Israel e Autoridade Nacional Palestina (ANP) não “derem o braço a torcer”?


Israel até concorda com a criação do Estado da Palestina e está disposto a ceder parte do seu território. Foi o que declarou, recentemente, o premiê israelense Benjamin Netanyahu, em Washington, D.C., Estados Unidos. Entretanto, os líderes da ANP, além de não abrirem mão de Jerusalém, querem a extinção do Estado de Israel.


No Brasil, o movimento LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis), através de seus representantes políticos, quer impor o PLC 122, projeto de lei abusivo, anticonstitucional, que, sob a égide do combate à homofobia, privilegia os homossexuais, em detrimento do cidadão comum, contrário à ideologia elegebetista. Por que os homossexuais e simpatizantes não “dão o braço a torcer” e reconhecem que criticar conduta, de quem quer que seja, não constitui discriminação e ódio?


Por outro lado, há evangélicos extremistas (poucos, graças a Deus) que, em vez de verberarem contra o homossexualismo e o pecado da homossexualidade, atacam a pessoa do homossexual. Isso é um grande erro! Até mesmo no Antigo Testamento a ênfase recai sobre o ato pecaminoso da pederastia, e não sobre o praticante desse ato: “Com varão te não deitarás, como se fosse mulher; abominação é” (Lv 18.22). O que é abominação? As pessoas dos homossexuais ou o pecado que elas praticam? O pecado. Os pecadores são criaturas de Deus e devem receber de nossa parte amor e compaixão, e não ódio e discriminação (Mt 9.36).


Tenho orgulho de pertencer à Assembleia de Deus (Assembleia de Deus, mesmo!), uma igreja vigorosa, formada por pessoas simples, amantes da Escola Bíblica Dominical, fervorosas e compromissadas com a oração e a evangelização. Mas ela tem sofrido na mão de alguns líderes que nunca “dão o braço a torcer”. No caso do centenário, que ocorre neste mês, uns dizem que só a igreja-mãe, em Belém do Pará, tem direito de comemorá-lo. Outros reagem e dizem que o centenário é de todo o povo assembleiano. Quem está com a razão?


Na verdade, a festa do centenário é da igreja-mãe, em Belém do Pará, e também de toda a Assembleia de Deus, que ali começou. Mas certos líderes não querem se entender. São incapazes de concordar com aqueles que estão “do outro lado”. Eles preferem discordar de tudo que os “adversários políticos” falam, mesmo que estejam certos. “Ah, ele falou isso? Ele pensa assim? Então, nós vamos fazer de outro jeito?” Como ninguém está disposto a “dar o braço a torcer”, as disputas inglórias, egoísticas e interesseiras, que a nada levam, vão continuar pipocando aqui e ali.


Em resumo, o que eu quis dizer, por meio deste artigo, é que o mundo seria muito melhor se o ser humano fosse capaz de fazer certas concessões que viessem a beneficiar todas as pessoas envolvidas em uma demanda. Mas, para isso acontecer, precisamos estar dispostos a negar a nossa própria natureza egoísta, a fim de agirmos com altruísmo e justiça, andando como Jesus andou (1 Jo 2.6).


Ciro Sanches Zibordi

13 comentários:

Newton Carpintero, pr. e servo disse...

Prezamigo e nosso pr. Ciro Zibordi,

A paz de Cristo, o nosso Senhor!

Dar o braço a torcer. Gostei!

Este deve ser o modelo que possibilita, não a união total plena e irrestrita, mas a força que tira alguns da inércia da vaidade e da infantilidade, para estarmos melhor diante de Deus, com a consciência ciente da responsabilidade que cabe a cada um, dentro do comportamento que deve ser expressivo e imparcial nos momentos definitivos, que transformam os nossos defeitos em virtudes, estes quando aferidos pelo Espírito Santo de Deus, ao encontrar um coração quebrantado e movido por um desejo óbvio de agradar a Deus - somente a Deus, como único e principal objetivo de nossas vidas.

Creio que para dar o braçõ a torcer, deve existir acima de tudo um coração torcido, expremido e com gemido diante de Deus.

Somente assim, veremos a Deus.

O Senhor seja contigo, nobre atalaia,

O menor de todos os menores.

tiagolinno disse...

É isso ai!

tiagolinno disse...

É isso ai!

Edmilson Santos disse...

Falou com muita propriedade Ciro, isso só demonstra que realmente estamos distante dos princípios do Reino de Deus.

Em Cristo,
Edmilson Santos
http://profedmilsonsantos.blogspot.com/

Marco Antonio disse...

A paz do Senhor, pr. Ciro!

Realmente, se todos déssem o braço a torcer, os conflitos diminuiriam.

Oh! Como é bom e agradável viverem unidos os irmãos!
Ali, ordena o SENHOR a sua benção e a vida para sempre (Sl 133.1,6).

Otoniel M. de Oliveira disse...

A Paz do Senhor Jesus Cristo seja contigo!

Oportuno, muito discreto e profundamente inteligente seu artigo Pr. Ciro.
É esperado sair de ti, comentários sobre esses temas tão aflitivos, quando vemos os homens que lideram, sejam religiosos ou não, estar mais interessados em si mesmos do que em de fato representar ambas as partes.Tanto no congresso, quanto nas convenções, vemos os líderes dando ouvidos aos conselheiros de Roboão. Não fazem concessões sobre assuntos que precisam de sensatez e espiritualidade para negociar, e acabam por azedar as relações de todo um grupo em nome das vaidades pessoais.
Que Deus continue te dando Graça!

Diogo CS disse...

Muito boa opinião. Concordo em gênero, número e grau. O que esta nos faltando muitas vezes é a boa e velha tolerância...

Paz de Cristo.

Tamar disse...

"Tudo ficaria mais fácil se déssemos o braço a torcer" é um paradoxo pois com o braço torcido e doendo tudo fica é mais difícil. :-)

No caso do centenário percebe-se o fracasso das instituições que foram criadas para facilitar o diálogo e fomentar uma POLÍTICA comum.

Ciro Sanches Zibordi disse...

Tamar,

Você teria razão se eu não tivesse usado aspas... ;-))

CSZ

Andreia =] disse...

Graça e paz, ir. Ciro!

Sua postagem, excelentíssima, deixa claro logo no 3º parágrafo a raiz de todo este problema.

Bem a Palavra fala que a boca fala daquilo que está cheio o coração [conforme Mt 12: 34].

Aí, dói não somente o braço - bem observado por Tamar - como todo o corpo - o físico e, especialmente, o de Cristo. :(

Que o Senhor Deus nos conceda a graça de seguir suas pisadas, e um coração disposto a sofrer por amor aos outros.

Fraterno abraço!

Rinaldo Santana disse...

Caro pastor Ciro, Apaz do Senhor
Sou Assembleiano da verdaeira Assembleia de Deus tbem, confesso que tenho orado e pedido a Deus que tire essa picunhinhas, porque Jesus é quem é o dono dela, eu diria que em vez de dar o braço a torcer, que abrissem mão de determinadas idotisse, tanto uma parte quanto a outra, e houvesse uma união.

Em Cristo
Rinaldo Santana

Izaldil Tavares de Castro disse...

Amado irmão, Pr. Ciro, que a Paz do Senhor Jesus esteja com você.
Inicio apontando a perspicácia de Otoniel M. de Oliveira, que notou a sua discrição na abordagem do assunto! Não há dúvida de que o irmão é discreto em todos os pontos de vista que expõe.
É bíblico "dar o braço a torcer" (tudo quanto é bíblico exige esforço do homem). Jesus recomendou pôr-se em risco a própria dignidade (a face); propor-se a entregar os bens (a própria roupa);caminhar-se o dobro do caminho que se nos impuseram. (Mt 5. 39-41).
Urge que cada um de nós seja alvo da misericórdia do Senhor, para que nos desvistamos do velho homem. Sem isso, é provavel que soframos restrições diante do Tribunal de Cristo.
Uma oração: "Senhor, apieda-te de nós, servos duros, inconstantes e quase sempre desapercebidos."
Um abraço.

Anônimo disse...

então quer dizer que a assembleia de deus agora é a mediadora entre deus e os homens!!!!!!
que dizer que se eu sou membro da batista não sou salvo, pq eu gosto de ir em um evento ou algo assim!!!???
onde vamos parar com essa divisão e placas de igrejas!!! eu não sou de paulo nem de apolo, sou de Jesus!!! ciro....