quarta-feira, 15 de junho de 2011

O julgamento deve começar pela casa de Deus? Como assim?


Diante de contundentes análises a respeito de movimentos contrários às Escrituras ou ante críticas a comportamentos incompatíveis com a vida cristã, alguns cristãos costumam citar mecanicamente o que o Senhor Jesus disse em Mateus 7.1, como se fosse um clichê. E acrescentam: “Não cabe a nós o julgar”, “Quem é você para julgar?” ou, ainda, “Somos o único exército que mata os seus soldados”.

Em 1 Pedro 4.17, está escrito: “já é tempo que comece o julgamento pela casa de Deus”. E, em 1 Tessalonicenses 5.21 (ARA), lemos: “julgai todas as cousas, retende o que é bom”. Que tipo de julgamento de todas as cousas é esse, o qual começa pela casa de Deus, se não cabe a nós o julgar? Estaríamos diante de uma grande incongruência ou contradição?

De acordo com a Palavra de Deus, nunca devemos desprezar pregações, ensinamentos, profecias, hinos de louvor a Deus, bem como sinais e prodígios (At 17.11a; 2.13; 1 Ts 5.19,20). Mas, ao mesmo tempo, deve haver julgamento na casa de Deus. Como assim? Cabe a nós provar, examinar se tudo é aprovado pelo Senhor (At 17.11b; 1 Ts 5.21; Hb 13.9). “E falem dois ou três profetas, e os outros julguem” (1 Co 14.29). E ainda: “Amados, não creais em todo espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo” (1 Jo 4.1).


Segue-se que devemos julgar, mas esse julgamento deve ser de acordo com a reta justiça (Jo 7.24), e não pela aparência, por preconceito ou mágoa de alguém. Mas, por que o Senhor disse, em Mateus 7.1, “Não julgueis, para que não sejais julgados”, se o próprio Novo Testamento nos manda julgar? Não seria isso uma incongruência? Não! No aludido versículo, o Senhor referiu-se ao julgamento calunioso, e não ao julgamento no sentido de provar, examinar, discernir, etc. Aliás, no mesmo capítulo, Ele demonstra que devemos julgar (exercer discernimento), ao enfatizar a necessidade de cautela ante as profecias e os milagres dos falsos profetas (Mt 7.15-23).

Se podemos julgar profecias, pregações, milagres, etc., como fazer isso? Primeiro: nossa fonte precípua, primária, prioritária, para exame deve ser Palavra de Deus (At 17.11; Hb 5.12-14), pois ela está acima de tudo e de todos (Gl 1.8). Quando eu digo “acima de todos”, é porque o próprio Deus a elevou a esse patamar (1 Co 4.6; Sl 138.2). Ou seja, não podemos dissociar a Palavra de Deus do Deus da Palavra.

Segundo: o nosso julgamento deve ocorrer de acordo com a sintonia do Corpo com a Cabeça (Ef 4.14,15; 1 Co 2.16; 1 Jo 2.20,27; Nm 9.15-22). Afinal, a verdadeira Igreja de Cristo não é a denominação mais antiga, a da época da Reforma, ou a primeira que chegou ao Brasil, etc. A autêntica Igreja Cristã é a que segue a Jesus (Lc 9.23), a que anda como Ele andou (1 Jo 2.6; At 10.38).

Terceiro: o julgamento justo ocorre também segundo o dom de discernir os espíritos dado às igrejas de Cristo (1 Co 12.10,11; At 13.6-11; 16.1-18). A falta desse dom em algumas igrejas locais tem levado alguns crentes a se conformarem com o erro. São esses que se apegam ao falacioso bordão: “Quem sou eu para julgar?”, confundindo o discernir (1 Co 2.15) com o caluniar (Mt 7.1). Na Bíblia, um mesmo termo pode, em português, assumir significações diferentes de acordo com a construção frasal, no texto original, e os seus contextos imediato e remoto. É o caso do verbo “julgar”.

Usemos, finalmente, de bom senso (1 Co 14.33; At 9.10,11), ao julgarmos heresias, modismos, desvios, incongruências, erros, verificados no meio do povo de Deus. Alguns irmãos apegam-se ao simplismo e asseveram que devemos julgar a profecia, e não o profeta. Nunca leram esses desavisados os livros de Deuteronômio e Jeremias?

A vida do profeta, do pregador, do cantor, teólogo, filósofo, etc., deve ser levada em consideração, sim. Ele tem uma vida de oração e devoção a Deus? Honra a Cristo em tudo, não recebendo glória dos homens? Demonstra amar e seguir a Palavra do Senhor? Ama os pecadores e deseja vê-los salvos? Detesta o mal e ama a justiça? Prega contra o pecado, defende o Evangelho (cf. Fp 1.16), bem como estimula os cristãos seguirem a paz com todos e a santificação? Repudia ele a avareza, ou ama sordidamente o dinheiro?

Portanto, julguemos tudo e retenhamos o que é bom.

Ciro Sanches Zibordi

6 comentários:

Ev.Wanderlei Domingues da Silva Lopes disse...

Excelente esclarecimento sobre o termo, Pr Ciro. Há muita gente dentro e fora dos arraiais cristãos que, por pura ignorância, utiliza textos fora de seus contextos, para defender opiniões,pontos de vista e até comportamentos pecaminosos. A Palavra de Deus merece mais respeito!! Parabéns! Um abraço

disse...

Então meu querido. Gostei muito do artigo.
Infelizmente no mundo atual qualquer repúdio ao erro é considerado preconceito e no meio cristão é considerado julgamento, só que essa linha de pensamento demonstra que a pessoa não quer mudar e não aceita ser criticada pela sua má conduta. Elas esquecem que opinião preconcebida ocorre quando não há erro, basta não gostar da pessoa para julgá-la e se no meio evangélico isso também ocorrer de igual modo é preconceito. Quem julga com base na lei é duro na sua avaliação, mas quem julga pela verdade da palavra, julga com amor e equidade.
Até porque nem todo juízo é errado. Pode-se julgar mal ou julgar bem. Por exemplo:"Toda mãe recomenda aos seus filhos para terem juízo. Devemos julgar retamente, para poder ajudar os outros. Paz.

Newton Carpintero, pr. e servo disse...

Prezamigo e nosso pr. Ciro Zibordi,

A paz de Cristo, o nosso Senhor!

Permita-me dizer AMÉM, para esta matéria que desmonta os curiosos da Bíblia, e desengana os que julgam, aos que julgam (risos).

Virou uma brincadeira, as invencionices e os novos versículos, "CRIADOS PELOS BONDOSOS DO EVANGÉLICOS".

Virou mania decorar a estes versículos bonzinhos e sem consistência bíblica.

Por causa destes NOVOS VERSÍCULOS, devemos continuar com a mania de orientar e ATALAIAR diante do povo de Deus, para que alguns se salvem desta confusão, hedionda e promotora de facilidades, pelo inimigo e príncipe deste mundo.

O Senhor seja contigo, e por favor, continue com esta mania de falar e ensinar somente a VERDADE, segundo a inspiração e a responsabilidade, entregue em suas mãos.

Clama em alta voz, não te detenhas, levanta a tua voz como a trombeta e anuncia ao meu povo a sua transgressão, e à casa de Jacó os seus pecados.(Isaias 58:01)

Em frente!

O Senhor seja contigo, nobre pastor!

O menor de todos os menores.

Rinaldo Santana disse...

Caro pastor Ciro Graça e paz, Maravilha de post. Quando Jesus disse: Não julgueis, para que não sejais julgados, se refere ao julgamento que muitas vezes alguem faz, mas ele, o mesmo que julga está falta?. Ainda gostaria de saber se Podemos associar Mt. 7.1, com Gl. 6.1?
Em Cristo
Rinaldo Santana

Pb. Ranilson disse...

Excelente matéria Pr Ciro, na verdade vivemos em um mundo muito dificil nestes dias, pois tudo se aceita dentro da igreja hoje, o que importa é que está saindo dos lideres ou de alguem que pregue e, o povao aceita de bom grado. Acredito que como servos de Deus nao podemos aceitar estas aberraçoes que muitos tem falo ou até mesmo ensinado na igreja e os crentes preguiçosos nao se preocupa em examinar as escrituras corretamente. Como diz o autor aos Hebreus "Como escaparesmos nós?", pois é temos um bando de palahaço vestindo palitó e usando gravata, estão fazendo da casa de Deus um Circo, onde está aqueles que GRITA pela vida da Igreja ainda?

Att.
Pb. Ranilson Ferreira

Samuel da Silva disse...

Pastor Ciro Apaz do Senhor, gostei deste poste e copiei no meu blog.
parabéns e Deus continue te abençoando, sei que o senhor é muito ocupado, mais se for possível, gostaria de ter o seu perfil junto aos dos membros no blog
para abrilhantar-lo com o voto de tão distinto homem de Deus.