terça-feira, 31 de maio de 2011

O que a Bíblia diz sobre o tabaco?


Há no mundo uma tendência de se opor ao tabagismo e restringi-lo em lugares públicos. Em Nova York, entrou em vigor na semana passada uma lei que proíbe o fumo em 1.700 parques e praças, além de banir o consumo de cigarros ao longo de 22,5 km de praias da cidade. Ministérios da saúde de diversos países não têm medido esforços para alertar a população acerca dos riscos de ingerir as substâncias tóxicas contidas no tabaco.

Hoje é o Dia Mundial sem Tabaco. E aproveito para responder a uma pergunta que me fazem com frequência: “O que a Bíblia diz sobre o tabaco?” E minha resposta é simples: nada. “Então, não é pecado fumar, irmão Ciro?” Calma... Vamos devagar, lembrando sempre que a Bíblia também é um livro de princípios, e não apenas um manual de mandamentos do tipo pode/não pode (cf. Fp 4.8; 1 Ts 5.22).


Não existe nenhum mandamento bíblico específico a respeito do uso do tabaco, como “Não fumarás”. Também não há em Apocalipse — e em nenhuma outra parte das Escrituras! — o versículo que muitos citam para combater o vício: “Os viciados não herdarão o reino de Deus”. A despeito disso, é evidente que o servo do Senhor deve se afastar dos vícios (cf. Jó 11.11; Dn 6.4).


Conquanto não haja proibição expressa ao ato de fumar, nem todas as coisas lícitas (não proibidas expressamente) convêm ao salvo em Cristo (1 Co 6.12). Se o consumo de tabaco gera dependência e, como se sabe, é prejudicial à saúde; se o cristão é templo do Espírito Santo (1 Co 6.19,20); se a Bíblia diz que aquele que destrói esse templo, Deus o destruirá (1 Co 3.16,17), não temos base bíblica para concluir que o servo de Deus deve evitar o fumo?


Muitos cristãos defensores do tabaco se apegam ao fato de não haver na Bíblia mandamentos específicos a respeito do assunto. Mas não nos esqueçamos de que, na relação das obras da carne, mencionam-se a prostituição, a glutonaria, as bebedices, várias outras obras pecaminosas e “coisas semelhantes a estas” (Gl 5.19-21). Por que o ato de fumar não pode ser uma dessas “coisas” similares às que destroem o templo do Espírito Santo?


Penso que, se Paulo escrevesse a Epístola aos Gálatas hoje, incluiria o tabagismo entre as obras da carne. Por quê? Porque, naquela época, não se conhecia o fumo na Europa. Como se sabe, os primeiros carregamentos de tabaco para consumo entre os nobres europeus partiram do Brasil. É provável que a primeira plantação de tabaco para exportação do mundo tenha sido uma roça paulista de 1548, de acordo com o pesquisador Leandro Narloch (cf. Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil, São Paulo: Leya, 2009).


Se os europeus contribuíram decisivamente para tornar os índios alcoólatras, estes apresentaram àqueles o fumo. Até os navegadores descobrirem a América, não havia cigarros na Europa, tampouco o costume de tragar fumaça. Os índios americanos, de modo geral, não só fumavam, como também mascavam e cheiravam a folha de tabaco. A planta, para eles, tinha ligação com os espíritos e era fumada antes de guerras, bem como por prazer e para aliviar dores.


No século XVI, o fumo foi levado como amostra para o rei de Portugal. E a planta chamou muito a atenção de Jean Nicot, embaixador francês em terras lusitanas, o qual mandou, em 1560, uma remessa de fumo para a rainha Catarina de Médici. Como a erva caiu no gosto da corte francesa, Nicot acabou emprestando o sobrenome para a substância nicotina e para o seu nome científico: Nicotiana tabacum.


Padres e pastores do passado fizeram vista grossa para a chamada “chupeta do demônio”. Alguns até davam umas tragadas “para a glória de Deus”, acreditando — equivocadamente — que a “erva santa” fazia bem à saúde, eliminava o catarro, aliviava o estômago, etc. Com a industrialização do cigarro, o hábito de fumar tabaco tem resultado numa catástrofe, com milhões de mortes, a ponto de a Organização Mundial de Saúde (OMS) prever que o fumo matará um bilhão de pessoas no presente século.


Não faria sentido o apóstolo Paulo incluir o tabagismo entre as obras da carne, visto que o tabaco sequer existia na Europa, à época. Mas a Bíblia possui mandamentos e princípios gerais suficientes para nos convencer de que o ato de fumar, além de fazer mal à saúde, não é compatível com a vida cristã, não é mesmo?


Em Cristo,

Ciro Sanches Zibordi

6 comentários:

Jonnys Sales disse...

É verdade Pastor, mas sabemos que muitos usam essa desculpa de que "não está escrito na Bíblia" para justificar o pecado, sabemos que se fossem cheios do Espírito Santo de Deus iriam estar convencidos do pecado e abandonariam as velhas práticas. Muito bom o post, Deus continue abençoando o senhor.

Tiago Rosas disse...

Ilustre Pr. Ciro,

"Alguns até davam umas tragadas 'para a glória de Deus'" (risos e mais risos)

Embora não seja uma proibição explícita, pelas razões nesse artigo já apresentadas, mas podemos concluir que o Deus que é santo, cuja santidade está expressa em toda Bíblia, seja na Lei (com seus cerimoniais), seja no Evagenlho (com sua Graça transformadora), Ele jamais admitiria que um servo seu viciasse, e ainda mais em algo expressamente destruidor para o corpo, templo e morada do Espírito Santo.

Porque Deus proibiu ingerir carne de porco, carne sufocada e sangue? E essa proibição é tanto vetero quanto neotestamentária. Ora, o princípio é o mesmo! Imagine se a Bíblia fosse fazer uma lista exaustiva de tudo que foi, é e será proibido... Decerto, nenhuma biblioteca suportaria tantos escritos. Mas o princípio é o que vale, e este basta para categoricamente afirmarmos: as leis podem liberar, mas Deus não libera o tabaco!

Saúde a todos que amam a Deus!

Tamar disse...

O grande problema é a propaganda maciça e a industrialização.
No Brasil a geração que cresceu assistindo propaganda de cigarro na tv e aprendeu a fumar no banheiro da escola está chegando aos 40 anos e morrendo de câncer.
Só na minha rua foram 3 pessoas nessa situação nos últimos dois anos.
Mais 10 anos teremos uma leva de doentes vítimas das drogas ilícitas.
Hoje já temos uma geração de alcoolátras produzidos pela intensa campanha das cervejas na tv.

Impressionante como os falsos profetas que se disfarçam de pastores apoiam esse tipo de coisa.

paulo disse...

QUE ME PERDOE O CARO PASTOR, MAS DESDE A ANTIGUIDADE O FUMO, TABACO,JA EXISTIA E NAO FOI DO BRASIL QUE SAIU O FUMO O TABACO PARA A EUROPA E SIM DE LA PARA CÁ!!!!O QUE FOI LEVADO AO REI DE PORTUGAL FOI UM TIPO MELHORADO DO TABACO QUE OS PORTUGUESES PLANTARAM NA TERRA DO PAU BRASIL!!!!!!QUANDO AQUI APORTARAM EM 1500

Ciro Sanches Zibordi disse...

Paulo,

Sua piada de português em letras garrafais não foi nada engraçada. Mas vou rir para você não ficar sem graça. Ha.

CSZ
P.S. Se você tiver falando sério, é preciso comprovar que o jornalista Leandro Narloch está enganado. Apresente as suas provas.

João Emiliano Neto disse...

Caro Pastor Ciro, graça e paz!

Se me permite um breve testemunho anti-anti-tabagista, note que, caro irmão, sou fumante há cerca de 1 ano e meio e procuro ser metodicamente, eu diria, cristão em meu hábito regular do fumo. Veja só e confira:

1) não sou viciado ou não caio no pecado de incontinência que é onde identifico Deus se opondo a que viciados herdem o Reino dos Céus;

2) não fumo para escandalizar irmãos fracos na fé já que o próprio Apóstolo (Paulo) se dispôs a parar de comer carne (imagine amenidades como o tabaco) para não escandalizar o irmão fraco na fé;

3) também não ponho muita fé, diria assim, na chamada Ciência humana atual a respeito de qualquer assunto dito científico e muito mais no caso da fofoca maciça anti-tabagista de nossos dias, pois identifico de que o mesmo Paulo, Apóstolo dos Pagãos em carta aos Colossensses quando escreveu a respeito de tradições humanas e rudimentos que o cristão não deve se deixar escravizar, identifico a própria Ciência humana atual a qual naturalmente possui suas próprias tradições, costumes, legalismos, manias, vícios e/ou rudimentos;

4) por fim, eu fumo, pois sei que é fofoca, mesmo, os tais supostos males do tabagismo já que sei de exemplos em minha própria família e conhecidos ilustres, como o professor Olavo de Carvalho que fumaram por décadas ou uma vida inteira e nunca haverem tido qualquer sintoma patológico causados pelos mitológicos males do cigarro.

É isso, caro Pastor, eis meu testemunho anti-anti-tabagista de quem fuma, sim, por que não somente para a glória de Deus?


Soli Deo gloria! Ecclesia reformata et semper reformanda est!