terça-feira, 26 de outubro de 2010

Carta aberta aos eruditos que escrevem para girafas


Nunca me considerei um escritor acima da média, graças a Deus. Se hoje tenho alguns livros, vários artigos — o primeiro foi escrito em 1993! —, blogs, colunas em portais, etc., tudo isso é um verdadeiro milagre. Eu sei de onde vim. Mas, na democrática blogosfera, há espaço para todos os tipos de escritor, desde os “medíocres” até os que escrevem para girafas! Quem são estes? São os discípulos do professor Girafales, que se consideram eruditos e escrevem tão bem, mas tão bem, mas tão bem, mas tão bem... que o texto deles é quase incompreensível.

Tais eruditos (eruditos?) adotam uma linguagem tão refinada, tão rebuscada, tão elevada, tão escorreita, tão... Faltam-me até palavras para descrevê-la. Eles possuem um estilo sui generis, um linguajar elevadíssimo, polido, tão alto, que acabam tendo como público principal as girafas. É claro que, além destas — justiça seja feita —, eles têm um grupo seleto de admiradores e seguidores, formado por alguns ingênuos (que os elogiam sem conhecer a sua latente soberba) e outros coniventes, cuja especialidade é dúplice: massagear egos e fazer o que o Senhor condenou em Mateus 7.1,2 (caluniar).

Os discípulos do professor Girafales, como já disse, possuem uma sapiência incomum e uma formação tão rara, que se torna impossível para eles escrever de modo sucinto e objetivo. Eles se dão ao luxo de utilizar vários parágrafos para dizer o que podia ser dito em uma única frase (sem contar as notas de rodapé). Afinal, o que vale para eles não é apenas comunicar um pensamento; é preciso destilar erudição e sapiência. Eu, particularmente, acho uma maldade chamá-los de exibicionistas, pois alguém precisa falar às girafas, não é mesmo?

Mas uma coisa me intriga: Por que os tais eruditos, discípulos de Girafales, ficam incomodados com os pobres escritores, que não possuem sequer um décimo do cabedal ostentado por eles? E, ao que me parece (posso estar enganado), o menoscabo deles torna-se maior ainda para com os editores de blog “medíocres” que possuem muitos seguidores e agenda cheia...

“Como esse escritorzinho polêmico, que sequer possui as ferramentas epistemológicas, consegue atrair a atenção de tanta gente?”, resmungam. E muitos, insatisfeitos, acabam por exteriorizar o mau sentimento de seus corações ridicularizando os pobres escritores e expoentes que não fazem parte do seu seleto grupo. Quanta humildade!

Num dia desses, um sapientíssimo teólogo, filólogo, pedagogo e outros “ogos” (não me pergunte quais mais) pediu-me — polida e gentilmente — que eu retirasse o seu blog da minha lista de indicações. E olha que eu, na melhor das intenções, indicava o blog do tal paladino da Hermenêutica (sem nenhuma ironia) para atender aos eruditos que visitam o meu espaço... Bem, isso é um direito que lhe assiste.

Mas vejam que curioso: o mesmo exegeta, tempos depois, me mandou um “elegante” e-mail para me alertar de que eu havia cometido uma heresia, ou melhor, um deslize, ao abordar certa doutrina... Francamente, por que um hermeneuta de tamanha nobreza (sem ironia), o qual outrora me pedira que retirasse o seu blog da minha lista de indicações, estaria preocupado com as minhas “medíocres” divagações?

Há alguns dias, três ou quatro discípulos de Girafales, cheios de títulos, resolveram se reunir para atacar este pobre escritor de modo “indireto” (risos). Falaram de um editor de blog que leva a vida “vagabundamente às custas do dinheiro dos outros”. Interessante... Por que tal escritor os incomoda tanto? Seria por causa das grandes portas que Deus lhe tem aberto? Seria porque o tal possui vários seguidores em seu polêmico blog? Seria porque os seus livros têm uma boa vendagem, por graça do Senhor? Ou seria porque o pobre escritor em apreço, mesmo escrevendo textos abaixo da linha da mediocridade, foi convidado (e não apadrinhado) para ser membro da Academia Evangélica de Letras do Brasil?!

Caros “eruditos”, que fazem questão de exibir títulos pomposos e zombar dos que não os possuem (ou talvez não tenham a mesma necessidade egolátrica de exibi-los); que julgam ser os únicos que detêm as “ferramentas epistemológicas” para “fazer teologia”; que desdenham deste pobre escritor; e que desprezam, zombeteiramente, o chamado itinerante que ele recebeu do Senhor: tenho uma palavra a lhes dizer, diante daquEle que me chamou: “Eu sei em quem tenho crido”.

Gostaria de lhes dizer, também, que este pobre escritor já esgotou todas as tentativas de viver em paz com certos pedagogos — e também demagogos. (Ih, acabei revelando um dos “ogos” que me veio à mente no início desta carta...) Não tenho, portanto, nenhum interesse que me procurem, ou me telefonem, ou me enviem e-mails, ou comentários, ou recados, etc. Afinal, a Bíblia diz: “Se for possível... tende paz com todos os homens” (Rm 12.18). E eu confesso, diante de Deus, que tentei ser amigo ou pelo menos irmão dos senhores. É claro que, havendo necessidade de conversarmos profissionalmente (e isso ocorrerá), valorizarei a máxima: “Amigos, amigos, negócios à parte” (às avessas, é claro). E também não deixarei de perdoá-los, futuramente, caso Deus abra uma porta para isso.

Diante do exposto, valorizem-se, senhores! Aproveitem melhor o tempo! Por que se preocupam tanto com este escritor “medíocre”, que não possui “ferramentas epistemológicas” e “vive vagabundamente” através deste blog polêmico? Por outro lado, se desejarem, há material de sobra nesta postagem para que, em um momento de elucubração, possam verberar à vontade contra este pobre escritor... Parafraseando Paulo, o que os senhores elucubram a meu respeito em oculto até dizê-lo é torpe, não é mesmo?

Ah, sim, mais um detalhe de que não posso me olvidar: como este artigo se dirige exclusivamente aos senhores, e não a meu estimadíssimo público ledor — e considerando que não desejo receber nenhuma mensagem assinada ou sob anonimato da parte dos senhores —, informo-lhes que os comentários para esta postagem estão desabilitados. Essa medida visa também a impedir que os simpatizantes deste pobre escritor resolvam defendê-lo e verberar contra os senhores. Isso é muito feio, e o que não desejo para mim também não desejo para o meu inimigo. Digo “inimigo”, não porque eu o seja, mas sim porque tenho sido tratado como tal pelos senhores. E não é de hoje...

Digo-lhes todas essas palavras diante do Senhor, sabendo que “toda palavra ociosa que os homens disserem hão de dar conta no Dia do Juízo. Porque por tuas palavras serás justificado e por tuas palavras serás condenado” (Mt 12.36,37).

Em Cristo,

Ciro Sanches Zibordi