segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Brasil 3 x 0 Portugal


Calma, calma... O placar acima não é o de um jogo de futebol. Mas demonstra que o Brasil está na frente de Portugal em relação ao Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, que está completando um ano.

Muitos por aqui pensavam que a implantação do Acordo seria traumática, houve resistência, críticas... Mas os principais veículos de comunicação brasileiros se adequaram sem maiores dificuldades. Até este blog se adaptou à reforma ortográfica!

Usando a linguagem futebolística, Portugal ainda não saiu do zero. A princípio, os linguistas portugueses alegaram que não se submeteriam à ex-colônia. Curiosamente, essa tentativa de reforma para uniformização da língua portuguesa nos oito países lusófonos se dá, a priori, a partir do português de Portugal! Como exemplo, a palavra “linguista” (citada neste parágrafo), que perdeu o trema por aqui, com a implantação do Acordo, não precisou ser alterada nos textos lusitanos. Em outras palavras, a adoção das novas regras é muito mais difícil para o Brasil do que para Portugal.

Sob protestos de linguistas, o Acordo Ortográfico foi aprovado pela Assembleia Portuguesa em 16 de maio de 2008. E, desde então — ao contrário do Brasil, que a partir de 1º. de janeiro de 2009 vem se adaptando às novas regras —, nas universidades cogita-se que Portugal voltará atrás e não adotará a nova grafia. O máximo que se fez ali foi editar dicionários atualizados e adotar o Acordo em apenas três jornais, sendo apenas um de circulação nacional.

O Brasil realmente saiu na frente e pretende estar totalmente adaptado ao Acordo em 2012. Já Portugal estendeu o prazo para adequação à nova grafia até 2014. Aqui, tem havido uma grande mobilização. Ali, quase ninguém toca no assunto. Estaria o nacionalismo falando mais alto? Afinal, aceitar as novas regras, para muitos portugueses, seria como dobrar-se às imposições de uma ex-colônia!

Bem, enquanto os portugueses resistem, no Brasil há motivos para comemoração pelo primeiro ano de adoção do Acordo. O MEC providenciou livros didáticos adaptados à reforma ortográfica para distribuição já na volta às aulas de 2010, e os meios de comunicação (por exemplo, as revistas Veja e Época, os jornais Folha de São Paulo, O Globo, O Estado de São Paulo e Jornal do Brasil, os portais Globo.com e UOL, bem como o Blog do Ciro [risos]) já adotaram em massa a nova escrita.

As principais editoras, inclusive as evangélicas, também estão imprimindo seus livros com a nova grafia. Até o meu novo livro, Erros que os Adoradores Devem Evitar, já foi impresso de acordo com as novas regras! Isso mostra que a CPAD não é uma editora preocupada apenas com o crescimento espiritual e teológico de seus leitores, mas também com o seu desenvolvimento vernacular.

Tomara que a resistência portuguesa à reforma ortográfica não gere um novo Acordo. Afinal, já me esqueci do trema (que eu tanto prezava); já aboli o acento em Assembleia de Deus; já me acostumei com antirreligioso, antissocial, biorritmo, contrassenso, etc.; e estou lutando bravamente contra a nova “hinfernização”. Por favor, não me venham com essa história de que precisam reformar de novo a nossa língua portuguesa!

Ciro Sanches Zibordi

4 comentários:

Newton Carpintero, pr. e servo disse...

Nosso Prezamado pr. Ciro Zibordi,

A paz do Senhor!

Esta matéria estire a me deixaire mais traumatizado.

Se os portugueses não aceitarem a mudança, me voire para Portugal.

Estou traumatizado por uma irmã muito capaz, que me alertou para o que eu mesmo, já havia alertado em meu blog, bem do lado esquerdo. E não é segredo: Sou péssimo em português e muito menos professor de Português. Escrevo apenas por coragem ou medo de menos.

A maioria dos brasileiros, como eu, não conseguiram aprender o idioma pátrio, como estarão aprendendo o novo, que parece mais uma fórmula MATEMÁTICA?

Me voire para portugal!

Estoire com um problema sério:

Resido nos EUA há quase 16 anos, não aprendi direito o Inglês e o Espanhol, e estou esquecendo o Português!

O Senhor seja contigo e me ajude!

O menor de todos.

Daniel Seixas disse...

Amado Pastor Ciro!

A paz do Senhor Jesus!

Sou leitor assíduo de seu blog e fiquei muito feliz em vê-lo tratar deste assunto polêmico.

Sobre este "acordo", sinto que nosso país o enfiou guela abaixo não permitindo que as pessoas se expressassem devidamente sobre ele (barrou-se qualquer intenção de se derrubar este acordo).

Diferente do povo brasileiro, adorei ver o povo português querendo manter sua tradição idiomática.

De "facto", este acordo é quase tão ridículo quanto uma possível idéia de querer unificar a pronúncia do Inglês Britânico, Americano, Indiano e Autraliano... Já imaginou que bagunça seria?

Pois é, pastor! Sinto muito que nosso povo não tenha orgulho de nossa história, de nossa literatura, música e outras coisas mais (só sobra tempo pro "circo" habilmente mantido pela mídia - o futebol e o carnaval - que os mantém longe das questões que realmente importam).

É apenas a opinião de um jovem que ama o seu país e desejaria ver o nosso português e a memória do nosso povo de volta!

Um abraço!

Clóvis disse...

Prezados irmãos e amigos,

Reconstruir o Haiti custará 10 mil milhões de dólares, segundo estimativas. Porém, mais do que reconstruir o país fisicamente, precisamos ajudar as vítimas do terremoto, que precisam de atendimento médico, remédios, comida, água, roupas, etc. E precisam urgentemente.

Há várias organizações sérias trabalhando no Haiti agora. Elas estão precisando de apoio humano, além de recursos para realizarem o atendimento emergencial e continuado aos haitianos.

No blog Cinco Solas há uma relação dessas organizações religiosas e/ou humanitárias, com links para donativos. Essa postagem é constantemente atualizada.

Se você desejar reproduzir o artigo em seu blog, pode obter uma cópia do código html aqui. Fique a vontade para editar o texto como preferir, mas é importante divulgar, pois muitos podem estar querendo contribuir mas sem saber como proceder.

Que o Senhor o abençoe.

Em Cristo,

Clóvis
Editor do Cinco Solas

Ciro Sanches Zibordi disse...

Caro Daniel,

Tudo depende do ponto de vista. Eu mesmo, a princípio, me incomodei com o Acordo. Mas, sinceramente, não vejo grandes consequências para a comunicação em língua portuguesa. Estou escrevendo há um ano respeitando as novas regras e estou até gostando das mudanças.

Agradeço-lhe pela participação.

CSZ