sábado, 19 de dezembro de 2009

Há poder de vida e de morte em nossa língua?


O irmão Daniel Ferreira da Silva, de Catalão-GO, tem me perguntado, há algum tempo, e com insistência: “Se não há poder em nossas palavras, como explicar o versículo que diz: ‘A morte e a vida estão no poder da língua; o que bem a utiliza come do seu fruto’ (Pv 18.21)?” Como a resposta à sua pergunta deve interessar a outros irmãos que possuam a mesma dúvida, resolvi escrever este artigo.

Em primeiro lugar, é impressionante como alguns “mestres da fé” conseguem reduzir tudo o que está escrito na Palavra de Deus a alguns versículos isolados!
(Não me refiro aqui ao irmão Daniel, mas aos que induzem o povo de Deus a adotar certos posicionamentos a respeito da Bíblia.) Quer dizer, então, com base no versículo acima, que até o ímpio, se utilizar bem a sua língua, terá a vida e a morte em seu poder?

Ora, a Bíblia é análoga. E isso significa que devemos levar em conta os seus contextos geral, imediato, remoto, referencial, histórico-cultural e literário. Já pensou se um único versículo tivesse autoridade em si mesmo? Todos os cristãos fiéis que partiram para a eternidade estariam condenados! Por quê? Porque é isso que está escrito em 1 Coríntios 15.18: “E também os que dormiram em Cristo estão perdidos”. Mas, graças a Deus, o contexto revela que os mortos em Cristo estariam perdidos se Cristo não tivesse ressuscitado (vv.17-19). Mas Ele ressuscitou (v.20)!

O mesmo ocorre com Provérbios 18.21. Quem lê o capítulo todo, com atenção, percebe que não há nada aí que dê aval à falaciosa Confissão Positiva. É claro que não devemos ser negativistas, queixosos crônicos, murmuradores, melancólicos. Embora isso não seja determinante para o fracasso total de alguém — pois Deus é misericordioso e pode nos ajudar, mesmo quando passamos por momentos de fraqueza espiritual (cf. 1 Rs 19.1-8) —, devemos bendizer ao Senhor em todas as circunstâncias, haja o que houver (1 Ts 5.18; Jó 1.20-22).

Por que a Confissão Positiva é uma falácia? Primeiro, porque o termo “confissão”, nas páginas sagradas, nunca é empregado com o sentido de pronunciar “palavras mágicas” com poder de vida e de morte. Antes, na maioria das vezes, está atrelado às palavras que expressam arrependimento e desejo de se afastar do pecado (Pv 28.13; 1 Jo 1.9); ao reconhecimento de que Jesus é o Senhor (Rm 10.9); e à pregação do evangelho (Mt 10.32).

Muitos cristãos estão convencidos mesmo de que há poder de vida e de morte em suas palavras. Por isso, é comum, em pretensas marchas para Jesus, ouvirmos bordões como: “Esta cidade é do Senhor Jesus”. Contudo, se não houver compromisso com o verdadeiro evangelho, tais “confissões positivas” em nada mudarão a situação atual do nosso país. Infelizmente, os mesmos triunfalistas que induzem o povo a
“profetizar” vitória sobre a nação estão envolvidos com inúmeros pecados, como a idolátrica avareza (Ef 5.5; 2 Pe 2.3).

Ainda que, em certo sentido, as nações, o planeta Terra e todo o Universo sejam do Senhor Jesus (Sl 24.1; Hb 11.3), o mundo está precisando ouvir as boas novas de salvação (Mc 16.15; Mt 28.19), e não “palavras mágicas”. O Brasil precisa ser conquistado pelo evangelho, e não politicamente. O Reino de Cristo é espiritual (Jo 18.36; Rm 14.17). Precisamos orar pela nossa nação e pregar o verdadeiro evangelho
. Deus pode mudar a situação de países e governos por intercessão e influência do seu povo, e não mediante “confissões positivas” (1 Tm 2.1-3; 2 Cr 7.14,15). Mas os adeptos da Confissão Positiva têm preferido “profetizar” que bares e casas de show serão fechados, teatros apresentarão peças evangélicas...

Se
“confissões positivas” funcionassem mesmo, o mundo seria uma maravilha. Mas voltemos ao texto de Provérbios 18.21. Nos versículos anteriores vemos que o autor sagrado não estava se referindo ao suposto e determinante poder de vida ou morte das palavras humanas: “O irmão ofendido é mais difícil de conquistar do que uma cidade forte; e as contendas são como ferrolhos de um palácio. Do fruto da boca de cada um se fartará o seu ventre; dos renovos dos seus lábios se fartará” (Pv 18.19,20).

Outro texto usado pelos “mestres” da Confissão Positiva para corroborar a passagem em análise é Tiago 3.10. Podemos examiná-los conjuntamente porque ambos alertam quanto à maledicência, incentivando-nos a usar a língua para bendizer a Deus (Tg 3.1-9). Veja:
“Com ela [língua] bendizemos a Deus e Pai, e com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus” (v.9).

Como no movimento da Confissão Positiva tudo gira em torno do limitado e frágil ser que se gaba de muitas coisas — o homem —, este é convencido de que pode resolver tudo mediante as suas palavras. Ele não deve chorar nem sofrer, pois, se souber usar o poder de vida e de morte que tem em seu pensamento e em sua língua, poderá dominar todas as coisas e tornar-se um deus andando na terra! Basta “determinar”, e será abençoado ou abençoará pessoas, famílias, nações e até times de futebol!

Juntamente com os textos isolados de Tiago 3.10 e Provérbios 18.21, os “mestres da fé” citam: a visão do vale de ossos secos, em que Ezequiel profetizou, e os ossos reviveram (Ez 37.1-10); e também o fato de o profeta Elias ter “determinado” que não choveria durante três anos e seis meses (1 Rs 17.1). Quanto a Ezequiel, ele profetizou conforme se lhe deu ordem e disse: “Ossos secos, ouvi a palavra do SENHOR” — o poder para vivificar os ossos não estava em sua palavra, e sim na viva e eficaz Palavra do Senhor (Ez 37.4-7; Hb 4.12).

No caso do profeta Elias, de fato não choveu durante três anos e seis meses segundo a sua palavra. Entretanto ele, que “era homem sujeito às mesmas paixões que nós e, orando, pediu que não chovesse” (Tg 5.17). Ou seja, ele só fez o que fez diante do rei Acabe porque Deus atendeu, de antemão, o seu pedido. Quem aprende com o Bom Pastor — e não com telemissionários, telebispos e tele-apóstolos — sabe que o crente fiel deve pedir, em vez de “determinar” (Mt 7.7,8; Jo 14.13,14).

Diante do exposto, não se deve tomar o texto de Provérbios 18.21 como uma verdade geral, aplicável para toda e qualquer circunstância. O autor falou do poder de vida e de morte da língua em relação a bendizer e maldizer o próximo. Essa passagem não abona a descabida e falaciosa Confissão Positiva, que leva o frágil ser humano a pensar que toda e qualquer palavra que sai de sua boca é uma profecia.

Amém?

Ciro Sanches Zibordi

7 comentários:

Daniel Ferreira da Silva disse...

Paz do Senhor, Pastor Ciro !!!

Em primeiro lugar, me perdoe pela minha insistência pelo senhor me responder.Sexta-Feira eu passei o dia pensando nesse versículo.Sabe o que aconteceu? À noite, o pastor da igreja onde congrego ( que é meu tio ), pregou justamente esse versículo de Provérbios 18:21, dizendo que há poder em nossas palavras. Em segundo lugar, Pastor Ciro, muito obrigado por esclarecer a minha dúvida, pois estava muito angustiado com essa questão.Quero ressaltar que sou um admirador do senhor e dos seus livros e desejo que Deus continue te abençoando nesse objetivo de pregar e ensinar a interpretação correta da Palavra de Deus. Infelizmente a Igreja do Evangelho Quadrangular aqui em Catalão já abraçou há muito tempo o G-12, e tem disseminado ensinamentos sobre visualização, confissão positiva, teologia da prosperidade, etc.Me casei há três meses na Assembléia de Deus de Medianeira-Paraná. Minha esposa era da Assembléia de Deus, de Medianeira-Paraná e hoje ela congrega comigo na Igreja do Evangelho Quadrangular, aqui em Catalão.Meu sogro é pastor da Assembléia de Deus-Paraná. E cá entre nós, pastor Ciro, tenho vontade de congregar na Assembléia de Deus, por ser esta a igreja que hoje mais preza pelo ensino correto da Palavra de Deus.O que devo fazer, Pastor Ciro? Devo mudar de igreja ou devo permanecer na Quadrangular, mas me posicionando contra esses falsos ensinos e defendendo o verdadeiro evangelho?

No amor de Cristo,

Daniel Ferreira da Silva

Catalão-Goiás

Ivan Clayton disse...

Olá a Paz do Senhor Jesus!

Ontem estive em um Congresso do Circulo de Oração e da Mocidade em Carlópolis-Pr, o Tema era : "Jesus a Solução para o Mundo" (Is 9.6).

Um tema muito sujestivo, e de suma importãncia para o Mundo de hoje, eu esperava ouvir uma Mensagem Cristocêntrica e por que nao dizer Muuuuuuuuuito Cristocêntrica!

POrém o "Preletor" Contrariou o Tema, e pregou sobre Jonas, Jonas? não na verdade ele pregou a auto-ajuda. ele literalmente perdeu o foco, e passou a dizer inúmeras vezes olhe pro teu irmão! pegue a mão do teu irmão! eu nunca gostei disso, inclusive recusei pegar na mão de um irmão e ele me disse " Você só da glória na hora que é você quem prega!" fazer o que eu sou IGNORANTE (palavras dele).

Bom! O "preletor" nao disse sequer uma só vez o NOME JESUS aliás! disse uma vez pronunciando João 4 (a Mulher Samaritana), segundo ele Jesus revelou a aquela mulher que ela tinha tido 5 maridos e o que estava com ela agora não era seu marido. VERDADE!!! , porém ele disse que a mulher saiu PROFETIZANDO EM SAMARIA que Jesus a chamou pra ser profeta e Ele tava-nos chamando para sermos PROFETAS também, MENTIRAA ..A Mulher Samaritana Pregou o EVANGELHO!(QUE ELE[Jesus]ERA O MESSIAS PROMETIDOOO) (Jo 4.39-42).

Sobre Comfissão Positiva creio que o Pr. Ciro já deve ter lido esse livro que estou lendo agora "SUPER CRENTES" de Paulo Romeiro Otimo livro! que ecoa muito bem a voz desse homems que utilizam de falacias pra enganar o povo e dizer que o Crente tem Autoridade na sua Voz.

Antes que eu me esqueça, eu não consegui terminar de ouvir a "MENSAGEM" ontem e sai de perto , pois ele disse algo que transforma Crentes em SUPER CRENTES com atributos que só encontramos em DEUS qual? Eternidade , ele disse: Crente que tem Promessa é Eterno! Nao Morre! dá até pra escrever linguas estranhas @#$%¨&$#@*&...

fiquem na Paz.

teus livros tem me Ajudado muito Pastor, eu Até consegui ficar mais chato " ser o do Contra" haha.

só uma coisa gostaria que o senhor me ajudasse a resolver um probleminha quanto ao dízimo, tenho algumas duvidas, nao sei o por que, mais tenho tentando enviar e-mail para o senhor mais nao tenho recebido retorno.

fiquem todos na Paz.

Ivan Clayton - Servo de Cristo

sousa disse...

SOU LEITOR ASSÍDUO DO SEU BLOG(CIRO)E PRA MIM TEM SIDO MUINTO EDIFICANTE,POR ISSO AGRADEÇO MUINTO
A DEUS POR EXISTIR PESSOAS Q Ñ TEM
MEDO DE DIZER A VERDADE,QUEIRAM Q GOSTA OU DEIXE D GOSTAR.
"HÁ PODER D VIDA E D MORTE EM NOSSA
LÍNGUA?JÁ OUVIR UM PREGADOR FALANDO
SOBRE O ASSUNTO Q É COMPLETAMENTE
COTRADITORIO D TUDO AQUILO Q ESTÁ
NO ARTIGO,UMA VERDADEIRA HERESIA.
QUE DEUS TEM MISERICORDIA D NÓS.
AINDA BEM Q TEM PASTOR Q TEM COMPROMISSO COM A VERDADE.

Lucas Marin disse...

Amém!

"A morte e a vida estão no poder da língua; o que bem a utiliza come do seu fruto" (Pv 18.21)

Na verdade esse versículo nada mais diz que a língua é uma "sementeria" com grande capacidade de "semeadura", segundo o que diz o versículo abaixo:

Gálatas 6:7 Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará.

A língua tem sim seu poder de influência, assim como as idéias que podemos difundir, conforme a semeadura, não que haja poder nela mesma. Mas tenha certeza, se você for além da Palavra de Deus ou contradizer a Palavra de Deus, você irá também colher as consequências de ter pelejado contra o Senhor!

Então, antes de achar que tem "poderes especiais", busque aquele que tem TODO O PODER, e espere Ele falar contigo!

Tiago 1:19 Sabeis isto, meus amados irmãos; mas todo o homem seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar.

1 Pedro 4:11 Se alguém falar, fale segundo as palavras de Deus; se alguém administrar, administre segundo o poder que Deus dá, para que em tudo Deus seja glorificado por Jesus Cristo, a quem pertence a glória e o poder para todo o sempre. Amém!

Que o Senhor continue lhe abençoando!Grande Abraço!

Samuel (Campina Grande - PB) disse...

A Paz do Senhor!
Parabéns Pr. Ciro por tão fiel exposição da Palavra de Deus como ela é. Tenho amadurecido mais um pouco.

A Deus seja toda a glória. Amém.

Sandro Felipe-Vitória-ES disse...

Graça e paz a todos.
Vou fazer uma pequena contribuição ao que o Pr. Ciro abordou sobre o tema acima.
Em Mateus 12:36,37- está escrito que por nossas palavras seremos justificados ou condenados, no mesmo sentido de ter vida ou morte. No entanto, esta palavra quer dizer que se nós tivermos Cristo em nossa vida, sempre teremos boas palavras saindo de nossa boca. Palavras de bênçãos, bendizentes, agradáveis, e que agradam a Deus. E dessa forma teremos a vida eterna.
Já no outro caso, se a pessoa escolhe uma vida sem Cristo, de sua boca não sairá palavras boas, que edificam, que trará proveito. Nesse caso o tal trará sobre si a morte.
Então veremos o poder para vida e para morte em nossas palavras. Amém!!!!!!!

Anônimo disse...

Pastor, quero tirar uma dúvida sobre este artigo, como eu faço, pelo comentário mesmo?