sábado, 27 de setembro de 2008

O internauta opina (15)


Publico neste Internauta opina a opinião e uma inteligente indagação do professor Alex Esteves da Rocha Sousa. Espero, com esta publicação, que inclui as minhas considerações, responder a uma pergunta que vários internautas me têm feito, desde a criação deste blog, a respeito do saudoso pastor e pregador Valdir Nunes Bícego (foto).

Alex Esteves disse:

A resposta do Pr. Ciro foi adequada, necessária e bíblica (veja a postagem anterior). O irmão Kléber exerceu julgamento preconcebido, e seu texto mal redigido se coaduna com seu raciocínio pouco claro. Também recebi comentários dessa natureza em meu pequeno blog, e nessas ocasiões senti a necessidade de responder, pois são oportunidades de analisar, em caso concreto, pensamentos generalizados na Igreja brasileira. Todavia, há um aspecto em que eu mesmo gostaria de dialogar com o Pr. Ciro: em que acepção o senhor enxerga o dom de apóstolo no falecido Pr. Valdir Bícego? Ele era apóstolo em que sentido?

Minha resposta:

Prezado Alex Esteves,

Sou-lhe grato pelas palavras de apoio e incentivo. E agradeço-lhe pelas valiosas observações que tem feito quanto à nossa língua portuguesa.

Na Palavra de Deus mencionam-se os apóstolos escolhidos pelo Senhor Jesus quando Ele andou na terra (Mt 10.1; Mc 3; Lc 6.13; 9.10) e os apóstolos dados por Ele mesmo à sua Igreja, “com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço... até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo” (Ef 4.11-13, ARA). Estes dons ministeriais não se referem a obreiros que se consideram, por conta própria (em razão de sua liderança sobre pastores), apóstolos. São dados à Igreja pela soberana vontade de Deus. E cabe a nós reconhecer e valorizar os seus ministérios.

Em Efésios 4.11-15 vemos, com muita clareza, que o dom ministerial de apóstolo não ficou restrito aos chamados dias dos apóstolos ou aos tempos da igreja primitiva. Eles permanecerão enquanto a Igreja de Cristo estiver na Terra, posto que ainda nós não chegamos à estatura de varão perfeito (cf. Ef 4.13, ARC; 2 Tm 3.16,17), etc. A vereda do justo é como a luz da aurora, que vai brilhando até ser dia perfeito (Pv 4.18; Hb 6.9; 2 Pe 3.18, etc.).

O irmão já estudou sobre o dom de apóstolo e sua atualidade? Já pesquisou sobre o sentido original do vocábulo “apóstolo”? Em 1 Coríntios 12.28, vemos que o apostolado é o dom ministerial mais elevado concedido aos homens: “A uns estabeleceu Deus na igreja, primeiramente apóstolos”. Note: “primeiramente apóstolos”.

Um estudo bíblico do termo em apreço poderá ajudá-lo a entender por que considero apóstolo não só Valdir Bícego, mas também Daniel Berg, Gunnar Vingren, Eurico Bergstén, Cícero Canuto de Lima, Paulo Leivas Macalão, etc., bem como outros homens de Deus da atualidade, como o mestre Antonio Gilberto da Silva.

Nunca esses homens mencionados disseram que eram ou são apóstolos. Mas a maneira como Deus os usou (e usa) não deixa dúvidas quanto ao seu apostolado. Foram (e alguns ainda são) homens enviados por Deus ao mundo com uma missão específica, assim como o foi João Batista, que ninguém chama de apóstolo. O termo, no original, não deixa dúvidas quanto ao ministério apostólico do Batista: “Houve um homem enviado por Deus cujo nome era João” (Jo 1.6, ARA), a despeito de esse dom ministerial ter sido dado à Igreja somente após o Senhor ter subido ao alto, levando cativo o cativeiro (Ef 4.8-11).

João Batista, o precursor de Cristo, que também foi o último dos profetas, nos moldes veterotestamentários (Mt 11.13), pode sim ser chamado de apóstolo, conquanto não tenha sido um dos doze. Ele teve uma chamada divina tão especial, que uniu o ministério profético do Antigo Testamento com o ministério apostólico do Novo Testamento. Além dele, há outros homens de Deus que não pertenceram aos doze, mas foram chamados de apóstolos, como Paulo (1 Co 9.1; 15.8), Barnabé (At 14.4,14) e outros (Rm 16.7; 2 Co 8.23; Fp 2.25; 1 Ts 2.6). Um outro Apóstolo que consta das páginas sagradas é o próprio Senhor Jesus (Hb 3.1).

Lembre-se de que, em algumas pessoas, os dons ministeriais são intercambiáveis. Em geral, um apóstolo, como enviado de Deus, pode ser um mestre, um pastor, um profeta, um evangelista (como o foram o apóstolo Paulo e o próprio Senhor Jesus), como se depreende do estudo do Novo Testamento. Mas são poucos os servos de Deus que dEle recebem essa multifacetada capacitação.

Diante do exposto, eu reafirmo que o pastor Valdir Nunes Bícego foi um apóstolo do Senhor em razão das características do seu ministério. Mas, para o irmão ter a mesma convicção que eu, deve: em primeiro lugar, conhecer a fundo (se é que já não conhece) as características bíblicas do ministério apostólico; segundo, confrontar as tais características com as qualidades percebidas no ministério de Valdir Bícego. E foi isso que eu fiz, ao longo de quinze anos.

Em Cristo,

Ciro Sanches Zibordi

11 comentários:

Alex Esteves da Rocha Sousa disse...

Prezado Pr. Ciro Zibordi,

Quanto me honra ver minha pergunta respondida pelo senhor com tamanho zelo e gentileza, a ponto de me chamar de "professor". Não mereço. Mas desde já agradeço não só pela deferência, mas principalmente pelo caráter substancial da análise do caso.
Embora o senhor tenha tratado o tema com bastante profundidade e critério, passando pelos principais textos bíblicos pertinentes, gostaria, se me permite, anotar que essa questão de semântica precisa hoje ser ensinada ao povo, pois há alguns que se declaram apóstolos, e não o são (Ap 2.2), o que nem de longe seria o caso do Pr. Valdir Bícego, o qual estaria, certamente, ladeado por ninguém menos que os denominados "Apóstolos do Movimento Pentecostal" (Daniel Berg e Gunnar Vingren), do "Apóstolo da Amazônia" (Eurico Nelson, um batista), e do "Apóstolo dos Pés Sangrentos" (um hindu que se converteu e saiu pregando o Evangelho). Em todos esses exemplos houve um reconheicmento posterior, quiçá post-mortem, como esse que o senhor atribui ao saudoso Ir. Bícego. Entendo, salvo melhor juízo, que apóstolo não é título, mas dom, o que o senhor deixou claro. É como um enviado com missão especial, coisa que o senhor também destacou. Estaria esse dom como o de pastor, que, infelizmente, tem sido tratado por muitos como título - entendo que os dois ofícios bíblicos para a Igreja são "presbítero" e "diácono". No demais, há dons. Quanto a um outro sentido semântico para apóstolo, vejo que a referência de Lucas à doutrina dos apóstolos (At 2.42) e a alusão de João à cidade cujo muro era edificado sobre 12 fundamentos, com os nomes "dos doze apóstolos do Cordeiro" (Ap 21.14), repito, entendo que essas passagens mostram que houve um apostolado especial, "sui generis". Sei que o senhor pensa assim, mas foi muito bom estabelecer esse diálogo num momento em que outros grupos têm erigido seus "apóstolos" com novas doutrinas e novos fundamentos, supostas revelações. Na verdade, esse diálogo só pode ser construído com pessoas como o senhor, cujo raciocínio é muito claro, claríssimo. Não digo isso para nenhum outro objetivo senão o de motivá-lo a prosseguir com esse importante ministério. A propósito, poderia eu transcrever esse "post" do senhor em meu blog, com a devida citação da fonte? Seria para enriquecer o blog. Que Deus continue abençoando o senhor.

claudio disse...

parabens pastor ciro

como diz a biblia ao insensato vara

geralmente muita gente entra para constestar ou comentar de forma agressiva

certamente nao conheceram o apostolo valdir

Elizeu Rodrigues dos Santos disse...

Em uma escola dominical onde alguns irmãos comentaram sobre a IMPD, em questão o "APOSTOLO" que a lidera, o professor disse que ele não era apóstolo. Só Jesus pode fazer apóstolos, a igreja não.

Mas os doze escolheram outro em lugar de Judas, e, segundo ensina o professor Caramuru, foi um erro da parte deles, em especial de Pedro, pois ninguém poderia escolher ou fazer apóstolos, senão o Senhor Jesus.

Aos nossos olhos, Paulo se fez apóstolo, pois ninguém viu ou ouviu Jesus lhe concedendo o cargo eclesiástico. Com certeza ele sofreu por isso. Assim como o Pr Ciro acaba de ser arguido por quê considera alguém apóstolo.

Se somos chamados ao discipulado de Cristo, todos queremos, assim como aconteceu aos doze, ser escolhido por ele ao apostolado.

Será uma consequência natural daquele que opta pela renúncia.

Ciro Sanches Zibordi disse...

Prezado Elizeu Rodrigues,

De fato, somente o Senhor, o Todo-Poderoso, é quem pode fazer apóstolos, pois isso depende de chamada e capacitação da parte dEle (Jo 15.16). Os apóstolos são dados à Igreja pelo Senhor (Ef 4.11; 1 Co 12.28,29). Muitos, hoje, enganosamente, se fazem apóstolos, como no caso do exemplo citado na sua Escola Dominical.

Quem lê com atenção o texto de Atos 1.15-16 sabe que a escolha do apóstolo Matias não foi um erro. Os onze oraram ao Senhor, pois havia a necessidade de se escolher mais um para compor os doze apóstolos, que, na ocasião, formavam o ministério da igreja nascente.

Jesus escolheu doze apóstolos (Mc 3.13ss), e Judas o traiu. Daí a necessidade de mais um. Não foi uma substituição humana; os apóstolos oraram, e Deus confirmou: "E, orando, disseram: Tu, Senhor, que conheces o coração de todos, revela-nos qual destes dois tens escolhido para preencher a vaga neste ministério e apostolado, do qual Judas se transviou..." (At 1.24,25, ARA).

Outrossim, em hipótese alguma Paulo se fez apóstolo, por conta própria! Ele foi chamado por Deus (At 9; Gl 1.15-24). A Palavra de Deus é clara no Novo Testamento quanto à incontestabilidade do apostolado de Paulo (At 14; 1 Co 9; 2 Co 11, etc.). Ele viu ao Senhor (1 Co 9.1), foi chamado por Ele (Rm 1.1) e feito apóstolo pela vontade de Deus (2 Co 1.1; 1 Tm 2.7).

Em Cristo,

CSZ

Ciro Sanches Zibordi disse...

Caro professor Alex,

A honra é minha em poder contar com a sua valiosa participação neste modesto blogue.

De fato, "apóstolo" é, antes de tudo, um dom, uma chamada divina (Ef 4.11; 1 Co 12.28,29). O título de apóstolo é apenas um reconhecimento do que alguém é, verdadeiramente, pela vontade do Senhor.

Não obstante, existem os lamentáveis casos de falsos obreiros que se autodenominam apóstolos (Ap 2.2; 2 Co 11), com a intenção clara de se vangloriarem, ignorando que não é o título que faz a pessoa; é a pessoa quem faz o titulo.

As suas palavras de incentivo muito me animam! Pois procedem de uma boa fonte. O irmão pode usar o texto em apreço à vontade.

Que Deus o abençoe, meu amado irmão!

CSZ

Elizeu Rodrigues dos Santos disse...

Pr, minha convicção é esta com relação à escolha de Matias, cfe o sr ensina. Mas nossos mestres ensinam o contrário, e ficamos em encruzilhadas. Veja o comentário na lição de Pedro do 3° Trimestre de 2007. O professor Caramuru Afonso ensinou:

"O quinto contra-exemplo que Pedro nos deixa é o que denominaremos de “indevido vicariato”. Se houve uma vez em que Pedro se portou como “vigário de Cristo” (i.e., substituto de Jesus, que é o falso ensino romanista que procura justificar o Papado), isto se deu na escolha de Matias como o “décimo segundo apóstolo”. Pedro aqui quis se substituir a Jesus, levando os apóstolos a escolher alguém para o lugar que havia sido deixado vago por Judas Iscariotes". Há um comentário meu no blog da EBD, na época, mas com certeza justificativas virão.

Quem tem razão?

Ciro Sanches Zibordi disse...

Prezado Elizeu,

O texto de Atos 1 é suficientemente claro e não deixa dúvidas de que a escolha de Matias não foi de Pedro, e sim de todos os apóstolos. E a escolha foi feita em oração, pedindo-se a Deus que revelasse quem seria o substituto de Judas, que traíra o Senhor. Não vemos em nenhuma parte do livro de Atos dos Apóstolos Pedro querendo agir como substituto de Jesus.

Não foi Pedro quem induziu os apóstolos a escolherem alguém para o lugar de Judas Iscariotes. Havia uma assembléia de 120 pessoas, aproximadamente (At 1.15). Houve consenso; Pedro apenas conduziu a reunião, expondo os fatos que ocorreram (vv.16-22). Observe o que diz o versículo 23: “Então, propuseram dois: José, chamado Barsabás, cognominado Justo, e Matias”. Note: “propuseram”. Em seguida, todos oraram, a fim de que o Senhor revelasse quem seria o novo integrante dos doze (vv.24-26).

A Palavra de Deus é clara.

Um abraço.

CSZ

Elizeu Rodrigues dos Santos disse...

Amém, também observo desta forma.

Por que não somos coesos na didática dominical? Veja aí:

"Pedro aqui quis se substituir a Jesus, levando os apóstolos a escolher alguém para o lugar que havia sido deixado vago por Judas Iscariotes.
- Em momento algum, Jesus havia dito aos discípulos que deveria ser escolhido um substituto para Judas Iscariotes, apesar de ter dito que este era o que o havia de trair. A iniciativa de Pedro, portanto, mostrou-se desarrazoada, tanto que a forma de escolha se deu de modo estranho, mediante lançamento de sortes, sem qualquer atuação do Espírito Santo. Pedro estava muito mais preocupado que o Senhor no fato de haver um “lugar vago”, esquecendo-se que a Igreja era de Cristo e que cabia a Ele tal iniciativa" - Prof Dr Caramuru

http://ensinodominical.com.br/2007/08/27/pedro-um-discipulo-dinamico-e-sincero-1/


E quem aprende e vive desta forma? E ensina, é claro?

Ir. Brasil disse...

A paz do Senhor,

Atos 15, mostra uma das caracteristicas de um apostolo, que é de governo da igreja.
Se reuniram apostolos e anciões para descidir algo, como fazem nas convenções hoje em dia.

Logo, não cabe a nós afirmarmos que "Fulano" não é apostolo, visto que quem ainda nomeia é o Senhor. Alguns são reconhecidos outros não.

As Cartas de Paulo, Pedro Tiago, mostra essa autoridade de governar e doutrinar a igreja.

David Marroque Teixeira disse...

Caro Pr. Ciro, Graça e paz! Gostei bastante do comentário sobre a doutrina dos apóstolos na atualidade. Na nossa denominação, "Igreja de Cristo no Brasil", tivemos entre nós homens que foram verdadeiros apóstolos: Pr. João Queiróz, Pr. Manoel Higino de Souza, Pr. Eutáquio Lopes, Pr. Ramiro Martins de Oliveira, entre outros. Como em nossos dias temos verdadeiros apóstolos que vivem no anonimato como os do passado. É lamentável a falta de conhecimento escriturístico acerca do assunto.

amado de Deus disse...

Pr ciro goste muito do seu livro erros que os pregadores devem evtar vejo que o irmao é um homem muito prudente e rico em literatura estou estudando teologia mas fique despreocupado o seminario nao tem ninguem subindo pelas parades e gritando pensando que esta chamando a atençao de Deus és um seminario tradicional meu mailroger.ba10@bol.com.br manda para mm material de pregaçao palestras é essa area que quero atuar em favor de Deus para gabhar almas para o reino na ual almejo ir morar reino celestial