quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Dízimo é coisa do passado? (2)


Nesta segunda parte de minha abordagem sobre a validade do dízimo para os dias de hoje, respondo ao comentário do amado irmão e professor Alex Esteves da Rocha Sousa, que, com as suas pertinentes observações, tem contribuído sobremodo para entendermos melhor as verdades bíblicas.

Alex Esteves disse:

"Estimado pastor Ciro,
Honra-me mais uma vez comentar uma inteligente redação do senhor. Sou dizimista há anos, e minha opinião a seguir nada tem que ver com uma suposta falta de vontade para contribuir, como pressupõe o irmão Carlos Roberto quanto aos que discordam da aplicação do dízimo aos tempos atuais. De fato, entendo que o dízimo é o mínimo, e não o máximo, como, aliás, muitos dos que se dizem fervorosos dizimistas talvez acabem pensando, ao ter no dízimo como que uma mensalidade, uma medida certa, nem mais, nem menos. Achariam eles que não sendo o dízimo obrigatório se perderia o sentido do contribuir?
Entendo que o fato de Mateus 23.23 estar no Novo Testamento não significa que essa prática tenha sido acolhida como norma no padrão neotestamentário de Igreja. Os fariseus, a quem Jesus se dirigiu, embora apareçam no Novo Testamento, são figuras próprias de um período pré-cristão, e viviam num espectro veterotestamentário.
Portanto, não creio que Mateus 23.23 seja texto suficiente para lastrear o uso normativo do dízimo pelas igrejas, pois a Igreja ainda não existia; Jesus falou a fariseus. Todavia, isso não quer dizer que eu seja contra a contribuição voluntária ou espontânea - sou divergente da opinião de que a regra dos 10% seja normativa para as igrejas, segundo o modelo do Novo Testamento. O que permanece, sem sombra de dúvida, é a necessidade de contribuirmos para a consecução das atividades eclesiásticas, e administração em favor dos santos, sem objetivo de barganha, mas sabendo que o SENHOR suprirá nossas necessidades (2 Co 9.6ss; Fp 4.10-19).
Lá no Antigo Testamento nem havia uma só espécie de dízimo, mas tipos variados, bem descritos na Lei. E se Abraão deu o dízimo a Melquisedeque, antes da Lei, foi porque esta, na verdade, recepcionou um costume antigo, da época de Abraão. O importante, repito, é a contribuição voluntária, generosa, altruísta, que sobe como aroma suave ao SENHOR em termos, não de sacrifício veterotestamentário, mas de demonstração cabal de devoção a Deus. Digo isso ciente de que há proeminentes pareceres contrários, e digo com intuito teológico, sem interesse em polemizar. De resto, o que precisamos mesmo é contribuir mais do que com o dízimo. Quem dera fôssemos além de meras porcentagens! Mas nem todos, pastor Ciro, estão prontos para isso."

Minha resposta:

Caro professor Alex Esteves,

Tudo o que temos, nesta vida, pertence ao Senhor (1 Co 4.7; Tg 1.17; Sl 24.1; Êx 13.2), inclusive o dinheiro (Ag 2.8,9). A Ele não pertence apenas 10% do que possuímos, e sim tudo (100%). Nesse caso, o Senhor permite que nós administremos o que nos tem dado, como bom dispenseiros (1 Co 4.1; 6.19,20), destinando uma parte de nossa renda à sua obra, na terra. Uns dão mais, outros menos, conforme se move, voluntariamente, seu coração.

O que está registrado em Mateus 23.23 é uma contundente mensagem do Senhor Jesus Cristo aos fariseus. Não obstante, tal mensagem contém uma importante verdade para todos nós que seguimos o modo de vida ensinado pelo Senhor e desejamos andar como Ele andou (1 Jo 2.6). Caso contrário, nada do que está escrito em Mateus 23.13-33 poderia ser aplicado hoje, uma vez que o Senhor dirigiu-se aos fariseus. Por exemplo, no versículo 28 está escrito:
“... exteriormente pareceis justos aos homens, mas interiormente estais cheios de hipocrisia e iniqüdade. Não temos aqui o ensinamento de que não devemos, hoje, ser hipócritas?

Indubitavelmente, ao lermos Mateus 23.23, estamos diante de uma verdade para os dias hodiernos. Qual? A verdade de que devemos, ao contrário dos fariseus, ser justos, misericordiosos, bem como ter fé e contribuir para a obra de Deus, em retribuição a tudo que dEle temos recebido. Nesse caso, o dízimo, que é uma instituição para manutenção da obra de Deus, pode sim ser baseado na passagem em apreço e em outras correlatas (Hb 7.1-10 com Rm 4.11,12,16; Gl 3.9; Jo 8.39), inclusive as que não contenham, propriamente, a palavra “dízimo” (cf. At 4.32; 2 Co 8.1-9; 9.6ss; Fp 4.10-19).

O fato de o Senhor Jesus ter dito “... edificarei a minha igreja” (Mt 16.18) não significa, necessariamente, que a Igreja ainda não existia. A obra vicária, pela qual a Igreja passou a existir, foi consumada na cruz e confirmada com a sua ressurreição, porém ela teve início com a sua encarnação (Gl 4.4,5; 1 Tm 3.16; Jo 1.14,17). Os doze apóstolos e os primeiros seguidores de Cristo são, por conseguinte, a Igreja nascente, e tudo o que foi dito a eles aplica-se a nós, exceto as especificidades concernentes àqueles dias, as quais devem ser examinadas com muito cuidado.

Há muitos mandamentos da parte de nosso Senhor que foram transmitidos antes de a Igreja ser inaugurada no dia de Pentecostes. Ou será que devemos abrir mão das grandes verdades contidas em passagens como Mateus 5 a 9 e João 14 a 17?

Se não podemos receber como verdade neotestamentária o que o Senhor disse antes de a Igreja ter sido inaugurada (At 2), isto é, antes de sua morte e ressurreição, em quê a igreja de Atos dos Apóstolos baseava os seus ensinamentos? Ora, ela seguia as verdades transmitidas por Jesus no período em que Ele andou na terra, antes de morrer e ressuscitar, e as instruções dEle recebidas antes de sua ascensão (At 1.1-9).


Diante do exposto, concordo com o irmão que a contribuição deva ser voluntária, generosa, altruísta. E que devamos contribuir, em gratidão a Deus por tudo quanto dEle recebemos (Tg 1.16), com mais do que dez por cento. Por outro lado, reafirmo que a prática do dízimo é corroborada por passagens do Antigo e do Novo Testamentos, de modo direto e indireto (Ml 3.8-10; Hb 7.1-10; Mt 23.23, etc.).

Não há, portanto, nenhuma restrição bíblica à instituição do dízimo e à sua observância, a qual dá, inclusive, às igrejas segurança e boas condições de administrarem os seus patrimônios e recursos.


Sejamos, pois, generosos. Afinal, como disse o Senhor Jesus, em Atos 20.35 — e não nos Evangelhos, como alguém pensa —, “Mais bem-aventurada coisa é dar do que receber”.

Em Cristo,

Ciro Sanches Zibordi

17 comentários:

Alex Esteves da Rocha Sousa disse...

Estimado Pr. Ciro,

Mais uma vez fico imensamente feliz ao perceber quão dedicado é o senhor na abordagem de temas bíblicos, sempre com o ideal de edificar vidas, sem receio de enfrentar temas difíceis. Creio que, independentemente de qualquer coisa, é muitíssimo importante esse exercício teológico com fundamentação exclusivamente bíblica. Esteja certo de que o senhor tem me ajudado muito na construção de minhas concepções bíblico-teológicas.

claudio disse...

eita que beleza
vou acompanhar de perto

nao por discordia mas para aprender os argumentos dos amados irmaos
a interpretaçao dos dois
veremos claramente as diferenças de escola e interpretaçao dentro do respeito mutuo e etica crista

quero aprender com voces
agora fiquei com vergonha do texto que coloquei no outro cometario sobre o mesmo assunto

Ciro Sanches Zibordi disse...

Prezado Cláudio,

A participação do professor Alex Esteves muito nos tem ajudado na compreensão desse assunto tão debatido. Mas não se envergonhe de sua participação, que também tem sido muito boa. Fique à vontade para comentar.

Um abraço.

CSZ

Ciro Sanches Zibordi disse...

Irmão Alex Esteves,

A felicidade é minha em poder contar com pessoas tão abalizadas em meu modesto blog. Parabéns pelas argumentações; agradeço-lhe pela participação.

Em Cristo,

CSZ

Alex Esteves da Rocha Sousa disse...

Devo dizer que li o comentário do Ir. Cláudio quanto à postagem anterior e o que vi foi seriedade e conteúdo bíblico. Corroborando o que o Pr. Ciro escreveu, o amado irmão não tem do que se envergonhar. Sua humildade vem agora se associar à maturidade revelada nos comentários precedentes.

blog do Marcelo Oliveira disse...

Paz do Senhor ! Pr. Ciro!

Ótima abordagem sobre o dízimo. Sabemos que estamos apenas devolvendo 10% ao SENHOR que nos dá tudo e que quando fazemos não com interesse, mas como forma de agradecimento genuíno por tudo que o SENHOR nos concede somos abençoados verdadeiramente.(Ml 3.10; 1 Co 9.5-10)

Blog do Jordanny disse...

Distante de debates teológicos, creio no dízimo por fé. Não uma fé "intuitiva", mas uma fé fundamental (Hb. 11:1). O fundamento do dízimo é evidente na Palavra, e não só do dízimo, mas também das ofertas.

Não estamos mais sob o jugo da Lei, é claro. Mas não significa que a Lei foi anulada. Apenas significa que se dependermos da Lei estaremos destinados à condenação. Entretanto, em Cristo, a Lei se confirma e se cumpre. E por meio de Seu sangue somos agora justificados. E, no Espírito, a Lei, que é boa, passa a governar o querer, ainda que o efetuar tende para a divergência.

Desse modo, governados e fundamentados na Palavra, por meio da fé, é importante continuarmos com a entrega dos dízimos e ofertas. Não como sacrifício. Mas por obediência e com alegria (é melhor obedecer do que sacrificar). Também, tal como o pastor Ciro nos disse, não a título de barganha; mas mediante a dependência no Deus provedor, para que a nossa fé seja aperfeiçoada nas obras (ofertar/dizimar), que nos supre em todas as nossas necessidades.

Abraços a todos.
Agradeço a Deus pelos esclarecimentos aqui postados.

A paz do Senhor!

Jordanny Silva
Brasília - DF

Leonardo Araújo,Pela infinita misericórdia de Deus,pregador do evangelho disse...

Pr.Ciro,a paz do Senhor.
Ótimo post,gosto muito do vosso blog;também fiz um,porém não domino muito esse "mundo" de informações,se possível da uma olhadinho no meu blog,Blog vidas em Cristo,me diz o que achou,algumas dicas serão bem válidas,abraços fraternais.

http://livesincristministries.blogspot.com/

Edson Dorna disse...

A paz do Senhor...

Pastor... vejo que na Graça houve um acrescimo de perfeição que vem de dentro para fora, pois devemos contribuir com alegria e não com tristeza. Ao contrário do VT que era uma ordem em que muitos obedeciam exteriormente, mas no interior não havia alegria, pois encontramos passagens no VT do povo esquecendo desse mandamento e o Senhor ordenando eles dizimarem, como em Malaquias. Muitos dizem que no NT não existe respaldo biblico ignorando MT 23.23. Como esse artigo foi posto outras referencias gostaria de lançar mais uma que se encontra em 1CO 16 1-2 ORA, quanto à coleta que se faz para os santos, fazei vós também o mesmo que ordenei às igrejas da Galácia.
No primeiro dia da semana cada um de vós ponha de parte o que puder ajuntar, conforme a sua prosperidade, para que não se façam as coletas quando eu chegar.

Em Cristo
Edson Dorna
www.santodosantos.blogspot.com

Anônimo disse...

que a paz do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo esteje em seu coração, pr Ciro.

moacir, rio claro, sp

achei muito boa a abortagem do assunto, mas acho que o que vou comentar é chover no molhado.
não sou contra contribuir mas dizer que a porcentagem não importa desde que seje de 10% pra cima é facil e conveniente , não acham???
sem falar da maneira de como é pregada a mensagem em relação a devolver os dízimos, se você não contribuir o inimigo vai te assolar até virares pó, meu Deus de que valeu eu ter recebido em meu coração, corpo e alma a salvação de Jesus na cruz???
mas se eu contribuir aí sim as janelas do céu serão abertas e chuvas de sei la o que mais vai vir sobre mim...aí não me acontece nada e me decepciono com quem???com o "abençoado" que me falou isso???
não!!! é obvio que a culpa é de Deus,pô eu fiz o que me disseram e o Senhor não faz nada???
acho eu no meu humilde intelecto que se deveria sim é mudar a forma de se pregar, parar de ficar ameaçando o povo com maldições e bençãos...
em relação a malaquias se vermos o contesto do livro esta sendo profetizado contra os "sacerdotes" que estavam sendo negligentes com as coisas do Senhor, fazendo tudo qualquer jeito....deixando assim o povo de contribuir pois estavam vendo o desleixo dos dirigentes se servindo nos manjares e deixando de lado a obra de Deus.

Ariel disse...

Affff....

Falar de dízimo nos dias atuais é bem dificil, pois existem muitas "iNgrejas", por que não são igrejas verdadeiramente, que só pedem mai$$ e mai$$.

Como já foi citado, Abraão deu dízimo de tudo quanto tinha. E isso foi antes da lei, deixando claro que o dízimo mesmo sendo incorporado a lei, pela ordenança divina, já era prática de pessoas que realmente queriam servir a Deus muito antes da lei.
Mas se foi incorporado a lei, e a lei foi abolida por Cristo, o dizimo também não foi juntamente?
Não. Assim como o dízimo existia antes da lei, existe também depois dela, e deve ser prática de homens que querem realmente servir a Deus.

Anônimo disse...

Muito bom.
Para resumir:
Disse-lhes então: Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.Lc 20.25

Obrigado. A paz do Senhor

Anônimo disse...

que a paz de Jesus esteje em ti, pr Ciro.

moacir, rio claro, sp

nem todos , mas a grande maioria dos "crentes" que devolvem o dizimo ,e diga se de passagem por obrigação, acham que Deus tem obrigação de dar-lhes tudo o que desejam , não sei se por falta de conhecimento da palavra ou por que foram guiados por "cegos", porque não é que esse ou aquele falou isso ou aquilo que devo aceitar antes de por à prova com a palavra de Deus.
quando as pessoas começarem a entender que o devolver a Deus não significa em porcentagens e sim em amor, que devolver a Deus significa ajudar e não ser ajudado, que devolver a Deus é se entregar sem ficar esperando algo em troca, elas vão ver, sentir e aproveitar o mover das mãos de Deus em suas vidas. não nescessariamente com rios de dinheiro ou bens materiais de luxo, não que Ele não possa fazer isso com quem Ele quiser, mas a própria palavra nos diz que se Ele não deixa que falte nada aos mais pequeninos passaros ,quanto mais Ele poderá fazer por cada um que estiver ajudando a Sua obra com verdadeiro sentimento de amor.
pense amados pois Deus se alegra com quem dá com alegria, caso contrario você estará perdendo tempo pois Deus sonda os nossos corações , lembre se do que Jesus disse quando viu os "dizimistas" ofertarem no templo , a pobre viuva veio e ofertou não só o valor monetario mas ela entregou com amor no coração o que ela tinha, e quem agradou o mestre? e reparem no contesto que por ser pouca a sua oferta não quis dizer que era uma esmola, mas aquilo que ela poderia ofertar no momento e ela o fez de coração.

Marcia disse...

Paz do Senhor

Sou cristã há muitos anos e não tenho o hábito de devolver o dízimo à igreja, por considerar, segundo as Escrituras, uma ordenança do Antigo Testamento e mesmo assim não fui acometida com as maldições descritas em Malaquias 3:8-10, pelo contrário, fui bem abençoada materialmente, sabendo que tudo vai ficar aqui, pois não posso buscar as riquezas, mas me acomodar às coisas humildes e estar contente com o que tenho. Se a Bíblia ordenasse a obrigação da devolução do dízimo na Nova Aliança, também devo guardar o Sábado, fazer a festa do Tabernáculo, do Pentecostes e outros rituais mosaicos, pois o dízimo não era dinheiro, mas dos frutos da terra para o sustento dos Levitas do Templo. Hoje não existe mais templo e muito menos Levitas.
Em Atos começou a descrever o ato voluntário dos irmãos "segundo propôs em seus corações" (Paulo de Tarso, Apóstolo e imitador de Cristo). Algumas pessoas contribuíram não com 10%, mas 20% ou até 100% sem barganha com Deus.
Infelizmente algumas igrejas usam essa prática do Antigo Testamento para "receberem as bençãos de Deus" de forma material e se esquecem que a maior benção é ser filho de Deus e salvo da vida vindoura.
Portanto, acredito no ato voluntário de 10% ou mais, porém sem o nome de dízimo, prática da Lei Mosaica e não na Nova Aliança, que agora é voluntário.

Ciro Sanches Zibordi disse...

Irmã Márcia,

A paz do Senhor!

Ainda bem que nem todos os crentes têm o hábito de não contribuir com o dízimo! Caso contrário, algumas igrejas já teriam fechado as portas, haja vista ser o dízimo necessário para a manutenção.

Não podemos confundir a contribuição desinteressada e liberal com a barganha.

A irmã disse que, segundo as Escrituras, o dízimo é uma ordenança do Antigo Testamento. Mas no Novo Testamento vemos que o princípio veterotestamentário de que o trabalhador é digno de seu alimento (ou salário) é aplicado aos servos do Senhor (Mt 10.10; Lc 10.7; 1 Co 9.7-14; 1 Tm 5.17,18). Por quê? Porque o tempo da graça não anula princípios divinos atemporais.

O dízimo pode ser considerado atemporal, pois antecede o período da Lei e foi mencionado no Novo Testamento, nos Evangelhos e em Hebreus, diretamente.

Ser dizimista não implica, portanto, guardar a Lei, como se a salvação dependesse da observância desse princípio. É claro que o caso do sábado é diferente, pois as seitas que o guardam atrelam isso à sua salvação.

Em Cristo,

CSZ

Anônimo disse...

Prezados Irmãos...
Muitos ensinadores do dízimo tentam provar que o dízimo foi requerido por Deus muito tempo antes de Ele ter dado a Lei a Moisés. Consideraremos a seguir as passagens favoritas das Escrituras:

" E Melquisedeque, rei de Salém, trouxe pão e vinho; e era este sacerdote do Deus Altíssimo. E abençoou-o, e disse: Bendito seja Abrão pelo Deus Altíssimo, o Possuidor dos céus e da terra; e bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou os teus inimigos nas tuas mãos. E Abrão deu-lhe o dízimo de tudo" (Génesis 14:18-20)

"Notai," dizem eles, "O dízimo era uma prática necessária mesmo nos dias de Abraão”.

Porém leiamos o contexto, que neste caso é o capítulo todo.

A primeira coisa que vemos é que o «tudo» em questão não pertencia a Abrão. Era propriedade de outras pessoas., incluindo Ló, sobrinho de Abrão, que tinha sido capturado aos exércitos de vários reis.

Abrão e um pequeno grupo de seus servos envolveu-se numa batalha contra estes grandes exércitos e – contrariamente a todas as expectações mais otimistas – e venceu. Melquisedeque reconheceu que foi Deus que concedeu esta vitória miraculosa (versículo 20).

Notemos as declarações de Abrão nos versículos 22-24. Ele não possuía nada dos bens em questão antes da batalha e, embora tendo direito aos despojos como vencedor, recusou tomar o que quer que fosse: "... näo tomarei coisa alguma de tudo o que é teu . . ." (versículo 23).

Abrão deu 10% das coisas das outras pessoas num ato representativo de gratidão a gratidão a Deus em nome das pessoas que tinham sido miraculosamente libertadas de uma vida de escravidão.

Este evento foi único. Não tem nada a ver com o ensino agora comum ,em que utilizam esta ação de Abrão para lastrear a doutrina do dízimo atualmente...

E Jacó prometeu dar o dízimo...

«E Jacó fez um voto, dizendo: ‘Se Deus for comigo, e me guardar nesta viagem que faço, e me der pão para comer, e vestes para vestir; e eu em paz tornar à casa de meu pai, o SENHOR me será por Deus; e esta pedra que tenho posto por coluna será casa de Deus; e de tudo quanto me deres, certamente te darei o dízimo" (Génesis 28:20-22).

"Notem," dizem eles, "que o Dízimo era uma prática em vigor nos dias de Jacó, muito antes da Lei ter sido dada.

Mas leiamos exatamente o que Jacó disse em Génesis 28:20-22

Ele fez um voto – uma promessa (e notai que não há nenhum registo bíblico de que ele tenha cumprido alguma vez essa promessa!).

Era uma promessa condicional. Notemos as cinco condições:

SE Deus for comigo,
SE Deus me guardar,
SE Deus me der comida para comer,
SE Deus me der vestuário para vestir, e
SE eu voltar à casa de meu pai em segurança (que não aconteceu senão 20 anos mais tarde),
ENTÃO, e somente então, Deus pode ter 10% de tudo o que me dá.
Se isto é o “dízimo”, sintam-se à vontade para fazerem uma lista de tudo o que queiram de Deus, e – quando tiverem recebido tudo – começai a dar os vossos dízimos de 20 em 20 anos, portanto, com base nesta passagem, o Cristão não tem nenhuma obrigação de dizimar...

Se o dízimo de fato era uma ordenança de Deus anterior a Lei, teríamos que adotar a circuncisão nos dias atuais, pois Deus ordenou isso a Abraão em Gênesis 17:10, em Gênesis 17:14 seria extirpado quem não fosse circuncidado, em Gênesis 17:24 Abraão com a idade de 99 foi circuncidado para a manutenção da aliança com Deus. Notem que Deus não condicionou o dízimo a aliança feita com abraão, e sim a circuncisão...
Dessa forma, se o dízimo era de fato uma ordem Deus, imaginem a circuncisão, que era vital para a mantenção da aliaça entre Deus e Abraão... Se usarmos as regras vigentes anterior a lei temos que adotar todas as práticas de Abraão...

Finalizando, não sou de forma alguma contra a contribuição, (sou dizimista), mas sim da forma que elas são respaldadas, pois há Igrejas em que os crentes são chamados de ladrões, infiéis, e ainda ameaçados pelo devorador e outras pragas espirtuais ... Isso tem que mudar pois o povo de Deus na maioria das vezes acata tudo o que é dito sem estudar e analisar se a interpretação do texto Bíblico está correta. O povo Cristão precisa estudar mais a Bíblia, para ver que, que a contribuição não deve ser feita por constragimento, mas de forma generosa, pois Deus ama que contribui com ALEGRIA...

Abs á todos.

semear. disse...

amado pastor ciro,gosto muito do seu estilo,teologia e ponto de vista,creio que o sr é uma grande benção de Deus no meio evangelico,e principalmente no meio pentecostal.

achei muito boa sua abordagem sobre o dizimo,mais gostaria de deixar algumas observações,na minha humilde concepção.
1°se o dizimo é antes da lei e por isso ele deve permanecer depois dela,porque tambem não permaneceu a circuncisão,aja vista que ela tambem foi dada a abraão antes da lei?

2°o Sr citou alguns textos do novo testamento defendendo a pratica do dizimo,mais se o Apostolo Paulo pregase sobre ele aos gentios porque ele não fez nenhuma REFERENCIA DIRETA a isso,mais nestes mesmos textos fica transparecido que ele pede ofertas VOLUNTARIAS sem valores ESTIPULADOS,como na arrecadação para os crentes de jerusalem.

bom no mais agradeço a Deus que existem pessoas que se preucupam em pregar a biblia a palavra da verdade.

cordialmente,Roberval josé.