quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Verdades mencionadas só uma vez na Bíblia não são verdades?


Pessoas mal-informadas têm dito que, de acordo com a hermenêutica, um único versículo não pode servir de base para se defender uma verdade ou considerá-la uma doutrina bíblica. Bem, procura-se quem inventou essa falácia! Com certeza, não foi um professor de hermenêutica temente a Deus o autor dessa equivocada regra. Afinal, o que a Palavra de Deus diz é verdade. E ponto final.

O Milênio só aparece na Bíblia, de modo direto e explícito, em uma única passagem: Apocalipse 20. Se bem que a expressão “mil anos”, nessa referência bíblica, ocorre seis vezes. Os teólogos amilenaristas e pós-milenaristas têm usado o argumento acima, de que seriam necessários vários textos para que houvesse fundamento para a doutrina do Milênio. E por isso interpretam os “mil anos” como um período simbólico. Não seria melhor aceitar que o texto é literal e que se relaciona com várias profecias veterotestamentárias sobre o Reino do Messias?

Quantas vezes está escrito na Bíblia que o batismo em águas deve ser ministrado em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo? Uma só, em Mateus 28.19. E foi o Senhor Jesus quem nos deixou essa fórmula. Quem somos nós para revogá-la? Infelizmente, os pentecostais da unicidade, no afã de fazer prevalecer a sua lógica antitrinitária, ignoram que a fé precede a razão em assuntos espirituais (1 Co 2.14,15) e insistem em desrespeitar a Palavra de Deus.

No caso do batismo em nome da Trindade, trata-se de uma ordenança do Senhor Jesus: “Portanto, ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mt 28.19). E observe o que o Senhor diz no versículo seguinte: “ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos. Amém!” (grifos meus).

Não é a quantidade de passagens bíblicas que determina se uma doutrina é bíblica ou não. Jesus só falou da fórmula do batismo uma vez, mas ordenou que isso deveria ser ensinado e guardado por todos os povos que recebessem a mensagem do evangelho, e que Ele estaria conosco (a sua Igreja) até à consumação dos séculos.

Portanto, não nos esqueçamos de que “... a palavra do Senhor permanece para sempre. E esta é a palavra que entre vós foi evangelizada” (1 Pe 1.25, grifo meu).

Ciro Sanches Zibordi

10 comentários:

Thyago Coimbra disse...

Pr. Ciro, graça e paz.
Sou leitor assíduo do seu blog já há algum tempo e louvo a Deus pelo seu trabalho.
Fiquei feliz em ver esclarecido pelo senhor essa questão que já se tornou lugar-comum em nosso meio, de que uma doutrina teria que se basear em pelo menos dois textos isolados... como o senhor disse, a Palavra de Deus é verdade. E ponto final.

Contudo, no exemplo específico citado, sem querer gerar uma longa discussão sobre escatologia (como outra que já aconteceu aqui nesse blog sobre eleição x livre-arbítrio), gostaria de expor o que penso.

O livro da Revelação escrito por João, assim como outras literaturas proféticas e apocalípticas, têm, a meu ver, um condão muito maior de estímulo à perseverança na fidelidade e ao abandono do pecado do que efetivamente de "previsão do futuro". Quando analisamos outras profecias na Bíblia, parece claro que a profecia só pode ser plenamente entendida após o seu cumprimento. Um exemplo claro disso é o sonho de Nabucodonosor, interpretado por Daniel, que hoje analisamos facilmente como os sucessivos impérios: babilônico, medo-persa, grego e romano. Creio que nenhum leitor da época seria capaz de afirmar isso com precisão, pois os reinos que viriam a se tornar poderosos ainda eram muito menos importantes. Mas olhando para trás, vemos que Deus já sabia de tudo.

Com relação ao Apocalipse, creio que a interpretação simbólica é mais honesta e de acordo com a intenção de Deus de nos deixar essa revelação.
Outras partes desse livro têm necessariamente que ser interpretadas como metáforas, como por exemplo as citações ao "dragão" e à "besta". Como o senhor mesmo disse, "não seria melhor aceitar" todo o livro como simbólico, extraindo dele seu objetivo principal, que é nos chamar a perseverar até o fim?

Grande abraço.
Em Cristo.

Thyago Coimbra

Ciro Sanches Zibordi disse...

Prezado Thyago,

A paz do Senhor.

Agradeço-lhe pelas palavras de incentivo.

Os textos bíblicos devem sempre ser tomados literalmente, a menos que o próprio contexto indique que as passagens em análise devam ser tomadas como simbólicas.

Tomar o livro de Apocalipse como um livro totalmente simbólico não reflete boa exegese. O livro trata de assuntos referentes ao passado e ao futuro. Jesus ordenou a João que escrevesse as coisas (1) "que tens visto", (2) "as que são" e (3) "as que brevemente devem acontecer" (1.19).

Sendo que:

- "as coisas que tens visto" referem-se ao capítulo 1.
- "as que são" referem-se aos capítulos 2 e 3.
- "as que brevemente devem acontecer" referem-se aos capítulos 4 a 22, exceto algumas passagens parentéticas, como o capítulo 12, que trata de passado e futuro.

Inegavelmente, há inúmeras profecias em Apocalipse. E as citações ao "dragão" e à "besta" são simbólicas, mas aludem a duas pessoas reais: o Diabo e o Anticristo.

A descrição simbólica em Apocalipse é para enfatizar as características de personagens reais, como Cristo, mencionado como Cordeiro, Leão, etc. O simbolismo não anula a realidade dos acontecimentos futuros. E, no caso do Milênio, não há nenhuma indicação contextual de que deva ser tomado como simbólico.

Diante do exposto, não é recomendável aceitar o Apocalipse como um livro simbólico. O melhor é respeitar a Palavra de Deus, ainda que, em razão de nossas limitações, não consigamos aceitar logicamente o que ela diz textualmente. A fé deve preceder a razão.

Em Cristo,

CSZ

Mari Fernandes disse...

Paz do Senhor Pastor!
Tudo bem?

Já tenho um carinho pelo senhor, pela ajuda que sua vida tem trazido para meus estudos bíblicos.

Tenho duas perguntinhas pequeninas que têm me intrigado,e me deixado sem resposta para as pessoas:

- Como posso diferenciar, pela Palavra, entre uma manifestação do Espírito Santo e uma da carne?
- A Bíblia nos dá respaldo para as campanhas?

São perguntas que têm me deixado até impaciente rs

Obrigada pela paciência com a aluna aqui rs

Fique na Paz!

Ciro Sanches Zibordi disse...

Prezada Mari,

A paz do Senhor!

Agradeço-lhe pelo carinho e pelas palavras de incentivo.

Quanto às suas perguntas, como elas não dizem respeito ao assunto tratado neste artigo, vou respondê-las no outro blog: http://pastorciroresponde.blogspot.com. Fique atenta.

Um grande abraço!

CSZ

Blog do Jordanny disse...

Pastor Ciro,

Mais uma vez, para a glória de Deus, este blog tem se revelado uma bênção em nossas vidas. Que Deus continue te usando grandemente!

Se o Sr. tiver um tempinho, nos dê uma breve aula de escatologia em seu novo blog! Acredito que vai ser de grande valia para nossa vida espiritual.

Tenho lido alguns textos, acerca dos últimos dias, no sítio "www.espada.eti.com.br", entretanto, fico preocupado em, devido a minha limitação de conhecimento, ser levado a uma interpretação equivocada a respeito do estudo dos últimos dias.

A paz do Senhor e louvo a Deus pela sua vida!

Jordanny Silva
Brasília

Ciro Sanches Zibordi disse...

Caro Jordanny,

Glória a Deus! Agradeço-lhe pelas palavras de incentivo.

No blog http://pastorciroresponde.blogspot.com já há uma seção destinadas às perguntas sobre escatologia. Aos poucos, inserirei lá as respostas dos leitores.

Um grande abraço.

CSZ

Blog do Jordanny disse...

Pastor Ciro,

Agradeço pela prestatividade. Estou lendo várias das respostas em seu novo blog e gostaria de asseverar:
Notei que as respostas têm inequívoco respaldo bíblico... Dessa feita, (rss) acho que seu novo blog deveria chamar-se: A Palavra responde. Digo isto por perceber a consistência das respostas dentro da Verdade Bíblica.

Pastor, falo isso por brincadeira em elogio ao fantástico trabalho que o Sr. tem realizado pela graça de Deus. Percebemos, evidentemente, o apreço pela Palavra.

Aliás, gostaria de pedir a sua permissão para colocarmos uma frase que vi em seu blog na placa da igreja que faço parte: "Compromisso com o Deus da Palavra e com a Palavra de Deus". Sugeri aos meus pastores e eles gostaram muito.

Abraços Pr. Ciro!
Mesmo não o conhecendo pessoalmente, tenho grande estima e amor por você!
A paz do Senhor!

Jordanny Silva
Brasília

Anônimo disse...

Pr.Ciro, Graça e Paz. Freqüënto em Belo Horizonte uma Igreja, que como muitas outras, ensina a : profetizar sobre a vida dos irmãos, que palavras trazem benção ou maldição, ensina a abençoar os irmãos e prega que Jesus passou por todas as tentações apenas como um homem cheio do Espírito Santo e ao meu modo de entender, nega a dupla natureza de Cristo, com a justificativa : "já que Ele abriu mão de ser como Deus, ou não usurpou ser como Deus". O detalhe é que se Cristo fez toda a Sua obra como homem, nós somos homes cheios do Espírito Santo, logo, temos poder e autoridade para fazer a mesma coisa e ainda mais. Até se canta: Não vou fechar meus lábios, vou profetizar, sobre tua vida eu vou profetizar, nenhuma maldição te alcançará! " Vejo a cada domingo, tudo o que você descreve nos seus livros "Erros e Mais Erros que um pregador deve evitar" e a cada repetição de algo que foi considerado um erro a não cometer, ouço muitos : Glória a Deus! Tem sido difícil permanecer nesses cultos e a vontade é sair dessa igreja. Mas, a maioria das igrejas prega um evangelho a "la Kenneth Hagin" e o antropocentrismo está tomando conta dos púlpitos. O que fazer? Obrigado. Pr. Caio

Elizeu Rodrigues dos Santos disse...

"Examinais as escrituras porque vós pensais ter nelas a vida eterna...", foi uma frase dura de Cristo àqueles homens que viviam exatamente fazendo o que nós fazemos hoje, estudando a palavra e julgando os outros segundo nossa interpretação, exegese, hermenêutica. Jesus também cita Isaías, e diz que eles confiavam mais no que os homens ensinavam. Jesus ressaltou que não deviam atentar se ele iria os acusar frente ao Pai, pois o servo Moisés se encarregaria disso.

Eu sou trinitariano de criação, mas não entendo porque Jesus diz que não sabe daquele dia e hora, e nós dizemos que Ele sabe hoje, não sabia como homem, mas como Deus sabe. Por que nós, homens, sabemos o que o homem Jesus não sabia?

Estou dois anos atrás desta resposta, simples e de fácil assimilação.

Lisnei disse...

EU entendo as regras de hermeneutica desta forma.Assim aprendi no curso de teologia, porem eu prefiro aceitar uma doutrina pela fé, do que pelas lógicas academicas. Caso contrário o materialismo dialéitco é o mais correto de todos. Quanto a escatologia, penso ser menos importante do que a soteriologia. No entanto a falta de conhecimento desta doutrina tem levado, muita gente a fazer bobagens como ignorar ou marcar data da volta de Jesus.