sábado, 16 de agosto de 2008

A Trindade é uma doutrina biblicocêntrica e irrefutável


O irmão Moacir, de Rio Claro, São Paulo, fez um comentário sobre o artigo Verdades mencionadas só uma vez na Bíblia não são verdades?, e eu achei interessante publicá-lo aqui, acompanhado de minha resposta, a fim de que mais irmãos entendam melhor a doutrina da Trindade.

Moacir disse:

Que a paz do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ou seja, de Jesus esteja em seu coração, pastor Ciro. Quanto a achar que batizar em nome de Jesus é negar a Trindade, está havendo um equivoco, pois o próprio Jesus disse que Ele e o Pai são um só, e que Ele estaria conosco até à consumação dos séculos. Se Ele disse que estaria conosco até o fim, quem foi enviado como Consolador? O Espírito Santo.
Ligando uma coisa à outra, concluímos que Ele também é o Espírito Santo. E, qual seria o nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo? Se o nome do Pai não é conhecido, mas o do Filho sim, e o Filho é o Pai, logo o nome em comum seria o nome de Jesus. Acho que os apóstolos, na igreja primitiva, entenderam bem isso, e eles nunca negaram o Espírito Santo, nem o Pai.
Um exemplo: se você e sua família precisam entrar num lugar que precise de identificação, você diz: “Em meu nome e no nome da minha família, vou entrar”. Será que vão exigir sua identificação, um nome, para ver se consta da lista, a fim de que seja aprovada a sua entrada? A Trindade está sobre nossas vidas; eu não tenho dúvida do agir diferente do Pai, do Filho e do Espírito Santo sobre nós, mas limitar Deus a somente a três indivíduos...
A Santíssima Trindade está relacionada com os ministérios de Deus sobre as nossas vidas. O Pai: amor, perdão, misericórdia. O Filho: salvação, libertação, resgate. O Espírito Santo: unção, convicção, discernimento. Um sem o outro certamente não teria valor; seria incompleto.


Minha resposta:

Reitero que a negação do batismo em nome da Trindade é uma das tentativas unicistas de refutar essa irrefutável doutrina, que é confirmada pelas próprias palavras do Senhor Jesus não só em Mateus 28.19, mas também nos quatro Evangelhos, sobretudo em João, além das diversas menções à doutrina trinitária nas páginas neotestamentárias.


Os pentecostais da unicidade (ou unicistas) gostam de enfatizar apenas a Pessoa de Jesus. Fica a impressão de que, com isso, querem parecer mais cristãos do que os que crêem na Trindade. Eu tenho conhecimento, inclusive, de grupos unicistas que consideram os que crêem na Trindade como hereges. Soube que, em certa reunião, um recém-convertido ao unicismo teria declarado: “Antes eu era da Assembléia de Deus, mas agora eu piso na cabeça da Trindade”. Isso não é uma blasfêmia? Sim, além de um grande engano.

Quem nega a Trindade — como já escrevi no artigo A voz do Bom Pastor e a
voz da verdade” — demonstra não respeitar a ordenança clara do Senhor Jesus em Mateus 28.19, texto que, comparado com Atos 7.55, 1 Coríntios 12.4-11, 2 Coríntios 13.13, Romanos 5.1-5, Apocalipse 1.4-6, etc., não deixa dúvidas quanto à tripessoalidade divina. Mas não confunda tripessoalidade com triteísmo. A Trindade é formada por três Pessoas divinas (tripessoalidade), e não por três Deuses (triteísmo).

Não há como negar, à luz da Bíblia, que o Pai é uma Pessoa, o Filho é uma Pessoa, e o Espírito é uma Pessoa. E também não há como negar que as três Pessoas formam um único Deus. Jesus disse que Ele e o Pai são um (Jo 10.30). E, segundo Deuteronômio 6.4, que apresenta a palavra hebraica echad (único), compreende-se o que o Senhor quis dizer. O aludido vocábulo é o mesmo usado para marido e mulher formando “uma só carne” (Gn 2.24). Ou seja, Pai, Filho e Espírito Santo formam uma só Divindade, mas Eles são três Pessoas.

Quanto ao fato de o Senhor Jesus ter dito que Ele estaria conosco até à consumação dos séculos, trata-se de uma alusão ao Espírito Santo representando-o na terra, posto que o Senhor foi assunto ao Céu (At 1.8-11). Jesus na terra representava o Pai (Jo 14), e o Espírito, o “outro” (gr. allos) Consolador representa o Consolador Jesus Cristo. O estudo sem preconceito do Evangelho de João leva-nos a um entendimento melhor da relação Pai-Filho-Espírito Santo, livrando-nos da tentação de fazer prevalecer a nossa lógica.

Que o Espírito Santo foi enviado para estar conosco, representando a Pessoa bendita de Jesus Cristo, fica evidente na palavra grega allos (outro), contida em João 14.16 e passagens correlatas. O termo é usado em alusão a outra Pessoa mesmo, mas uma Pessoa com a mesma natureza divina da primeira, isto é, Cristo Jesus. O estudo comparativo das palavras allos e heteros (cf. 1 Tm 6.3,4; Gl 1.6) é bom para nos ajudar a entender o que, de fato, significa “outro Consolador”.

Assim como o Senhor Jesus, o Deus Filho, como Advogado e Conselheiro (1 Jo 2.1; Is 9.6), é o “o Consolador”, o Espírito Santo é o “outro Consolador”, que convence o mundo da justiça porque Jesus foi para o Céu: “... vou para o meu Pai, e não me vereis mais” (Jo 16.10).


Não podemos nem devemos manipular a Palavra de Deus como bem entendemos, como se ela confirmasse o nosso raciocínio e as nossas concepções. Permitamos que a Palavra de Deus guie a sua vida (Sl 119.105). Mas vejo que alguns irmãos, em nossos dias, estão se deixando influenciar pelo falacioso pentecostalismo da unicidade (ou unicismo). E agora interpretam as passagens bíblicas sob essa ótica.

Tomemos cuidado com as argumentações baseadas na lógica humana, e não no que está escrito (1 Co 2.14,15; 4.6; 15.1-4). Observe o que o Senhor Jesus, em João 5.31,32, disse: “Se eu testifico de mim mesmo, o meu testemunho não é verdadeiro. Há outro que testifica de mim, e sei que o testemunho que ele dá de mim é verdadeiro” (grifo meu). Como negar o fato de que o Pai e o Filho são duas Pessoas distintas ante essa declaração do próprio Senhor de que outro, isto é, o Deus Pai dá testemunho dEle?


O irmão Moacir disse acima que o Pai é amor, perdão, misericórdia; e que o Filho e o Espírito são isso e aquilo. De fato, Deus Pai amou o mundo (Jo 3.16; Rm 5.8). Mas, diante do túmulo de Lázaro, o Senhor Jesus, em pessoa, “moveu-se muito em espírito”, levando os judeus a dizerem: “Vede como o amava” (Jo 11.33,36). Em seguida, Ele, que acabara de demonstrar o seu amor por Lázaro, dirigiu-se ao amoroso Deus Pai, com as seguintes palavras: “Pai, graças te dou por me haveres ouvido. Eu bem sei que sempre me ouves...” (Jo 11.41,42). A quem o Senhor Jesus orou?

Finalmente, sugiro a todos que têm procurado negar a inquestionável doutrina da Trindade que estudem pelo menos o Evangelho de João. No capítulo 1, vemos que o Senhor Jesus, no princípio, não era o Pai, pois estava com o Pai, e ambos eram Deus (v.1). No capítulo 2, Jesus refere-se a Deus como “meu Pai” (v.16). No 3, menciona-se o Filho unigênito do Pai (v.16). Mais adiante, no 8, está escrito: “... o testemunho de dois homens é verdadeiro. Eu sou o que testifico de mim mesmo, e de mim testifica também o Pai, que me enviou” (Jo 8.17,18, grifo meu). Bem, em todos os capítulos de João vemos a doutrina da Trindade, mas é preciso estudar esse Evangelho sem preconceito.

Leia também:
A voz do Bom Pastor e a “voz da verdade”

Em Cristo Jesus,

Ciro Sanches Zibordi

3 comentários:

Mari Fernandes disse...

Paz do Senhor, Pastor!

A resposta de Dt 5.4 foi ótima e bem esclarecedora,obrigada ;)

Mando as outras duas por email,ou não precisa?

Acredito que eu seja a aluna que mais questiona rs

Mas,muito obrigada pela atenção!

Abraço!

Mari

Lucas Marin disse...

A Paz do Senhor Jesus!

Eu interpreto da seguinte forma o pensamento do irmão Moacir: O batismo em nome de Jesus não é o correto, mas não causa a negação da Trindade;

Bem, é apenas meu entendimento, que também concordo...

Mas se há o caminho certo a seguir, e o caminho prudente, porque ficar arriscando o que não temos por concreto ? É melhor batizar como Jesus mandou, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, mas aos que não tem ciência de tal caminho não por isso estão condenados...

É um pensamento meu, não sei se estou errado...

Lucas Marin

Anchieta Campos disse...

A Trindade é uma das doutrinas fundamentais da fé cristã. Quem a nega nega a fé cristã, portanto não deve ser aceito como membro da comunhão do Corpo de Cristo; claro que deve ser respeitado e amado, mas reconhecido como cristão não.

Tenho dito e não recuo um centímetro de minhas palavras.

Que o Senhor Deus o mantenha sempre este atalaia em defesa da Palavra de Deus, amado pastor Ciro. Amém.

Anchieta Campos