quinta-feira, 20 de março de 2008

Música no culto ou culto à música? (5)


Caros internautas, nesta quinta parte da série “Música no culto ou culto à música?”, abro um parêntese para responder a uma pergunta do irmão Filipe, que mora nos Estados Unidos, a qual, sem dúvidas, é do interesse da maioria. Trata-se, pois, da décima segunda pergunta respondida nesta série.

12 - “Pastor, eu tenho uma dúvida, pois sempre que, em minha igreja, estamos debatendo sobre ritmos musicais, é feita a pergunta: E se alguém se converte na África? Vamos forçá-los a ouvir o que nós consideramos cristão, ou deixaremos que ele louve a Deus com os seus tambores e tudo que nós consideramos consagrado a espíritos? Eles também falam sobre se uma pessoa que cresceu ouvindo sertanejo ou samba. Quando ela se converte, por que não deixá-la ouvir isso agora, mas em adoração a Deus? E, para matar dois coelhos com uma cajadada só, eu recebi seu e-mail de quando o senhor estará aqui em Boston. Se possível, eu gostaria de adquirir o livro com o senhor, pois moro há duas ou três horas de Boston”.

Caro amigo Filipe, a paz do Senhor Jesus!
Comecemos pelo segundo “coelho”... Se Deus quiser, em julho estarei em Massachusetts e Flórida. Até lá conversaremos para ver como podemos nos encontrar, ok? Peço a você e a todos os irmãos internautas que orem em meu favor quanto a esse propósito. Quanto ao segundo “coelho”, terei de usar vários “cajados”. Risos...
Reconheço que a sua pergunta é difícil, principalmente se a analisarmos pelo lado inverso. Como assim? Se procurarmos respondê-la à luz do raciocínio humano e das preferências e gostos pessoais, tudo fica mais difícil. Afinal, não é o evangelho que se adapta ou se amolda aos nossos desejos, vontades, sentimentos, e sim o ser humano que deve obedecer aos mandamentos e princípios da Palavra de Deus.
Por graça de Deus, uma das matérias que tenho ministrado é a missiologia, na qual estudamos as missões transculturais, considerando costume e cultura dos povos, e as estratégias para implantação de igrejas em outros países. E é claro que, até certo ponto, temos mesmo de respeitar os costumes e cultura de cada etnia, a fim de se implantar igrejas autóctones, isto é, que respeitem as tradições locais — até certo ponto! —, mas sem modificar a mensagem transformadora do evangelho.
Muitos hoje afirmam que Deus tem uma visão para cada povo e cultura. No entanto, quando estudamos a Bíblia sem preconceito, vemos que, ainda que alguma contextualização ou transculturação tornem-se necessárias, não é o evangelho que deve aculturar-se, e sim o inverso. Isto é, não somos nós que temos de levar para dentro da igreja as nossas preferências, e sim permitir que os nossos gostos sejam moldados segundo a vontade de Deus (Rm 12.1,2; Lc 9.23).
Você poderá dizer: “Ah, então ser cristão significa ter a própria vontade anulada?” Em certo sentido sim, mas isso não denota prejuízo algum, haja vista ser a vontade de Deus o melhor para as nossas vidas! O texto de Romanos 12.1,2 enfatiza que a vontade de Deus é boa, perfeita e agradável. Quanto mais nos aproximamos do Senhor, percebemos o quanto é maravilhoso andar segundo os seus mandamentos e princípios. Leia — mesmo! — os Salmos 1 e 119.
Falando em África, há lugares em que é normal, cultural, o homem possuir várias mulheres. Vamos adaptar o evangelho a isso? Claro que não! Devemos ser cuidadosos quanto à influência da cultura e da secularização sobre a simplicidade do evangelho (2 Co 11.3; 1 Jo 2.15-17; 2 Co 4.4; 2 Tm 4.10).
O brasileiro tem samba no pé, não é mesmo? Vamos implantar o samba dentro das igrejas por causa disso? Claro que não! Muitos líderes fazem isso porque só pensam em quantidade de pe$$oa$, e como agradá-las, ignorando o que está escrito em Mateus 7.13,14,21-23.
Quem se converte na África, no Brasil ou na Europa tem de se submeter ao Senhor Jesus e ao seu evangelho, e não o inverso. Estude Atos 15. Neste texto sagrado vemos como a igreja primitiva tratava dessa questão. Não temos de forçar ninguém a nada. O que todos devem fazer é respeitar a Palavra de Deus, e quanto à música no culto a Bíblia é clara (Cl 3.16; Ef 5.18,19).
Jesus não obriga ninguém a segui-lo, porém segui-lo envolve renúncia (Mt 16.24; 1 Pe 2.21; 1 Jo 2.6). A música não é neutra. E, se o barulho dos tambores tem uma finalidade no culto aos deuses, como poderemos agora naturalmente incorporar isso ao culto a Deus? Vamos agir como o imperador Constantino, que introduziu uma série de práticas pagãs no cristianismo, ignorando o evangelho de Cristo? Até hoje vemos as conseqüências desse seu erro na igreja romana.
Quanto à pessoa que cresceu ouvindo sertanejo ou samba, ela que se converta a Cristo de verdade e saiba que uma coisa é gosto musical, e outra, bem diferente, é o estilo musical apropriado para o louvor na casa de Deus.
Como se vê, a pergunta do irmão é bem difícil, e eu, em vez de matar dois "coelhos" com uma "cajadada" só, tive de dar várias "cajadadas" em um "coelho gigante"... E isso em plena época de páscoa, comemorada, segundo a cultura pagã que vigora no Brasil, com ovos e coelhos de chocolate...

Em Cristo,

Ciro Sanches Zibordi

8 comentários:

josiel disse...

Gostei da expressão- ´´Ela que se converta de verdade´´!

Ciro Sanches Zibordi disse...

Que bom que gostou, irmão Josiel! A paz do Senhor!

CSZ

jeffinho sarmento disse...

A Paz do Senhor Pr Ciro,
sou leitor assíduo deste blog excelente que muito enriquece nossos conhecimentos. Concordo em número, gênero e grau com a postagem acima, pois somos nós que devemos nos adqequar ao Evangelho de Cristo e não ele a nós. Continue nesta tua força e que Deus te abençõe cada vez mais!

Em Cristo,
Jefferson S. jeffinhooSarmento.

Everton disse...

Pastor Ciro,
Sem querer ser inconveniente, acho meio complicado definir qual o estilo apropriado para o louvor na casa de Deus. Sei, por exemplo, de pastor que doutrinou jovem por gostar de rock, mas que aceita forró estilo "rasta pé" no culto. O que prevalece então, não é o estilo que agrada a Deus, mas ao pastor. Aproveito a ocasião para fazer outra pergunta: crente pode ouvir música secular? Gosto de ouvir mpb e música clássica, mas às vezes me incomodo com algumas letras que fazem apologia à coisas anti-bíblicas.

A paz do Senhor.

Ciro Sanches Zibordi disse...

Everton,

O irmão não tem uma conta Google (Orkut, Blogger, etc.)? É preferível assinar, pois recebo muitas mensagens anônimas ou de pessoas que se passam por outras. Se não for esse o seu caso, assine ou, por gentileza, identifique-se de outra forma, a fim de que sejamos transparentes, como irmãos em Cristo. Por outro lado, se o irmão prefirir não se identificar, eu respeito.

A questão de definir o estilo apropriado para o louvor a Deus é simples. O rock, o forró, o samba, o funk, o reggae e outros estilos afins não servem para louvar a Deus. Quem quiser apreciar esses estilos como um gosto pessoal, eu respeito, pois cada dará conta de si mesmo a Deus.

Entretanto, para louvar a Deus os tais estilos não servem. Eu não vou dizer aqui por que não servem para o louvor em razão de ser isso mesmo que eu afirmo nessa série de artigos. Peço-lhe, pois, por gentileza, que leia toda a série, lembrando que ela ainda não terminou.

O fato de a maioria gostar de rock ou de forró não é nosso parâmetro. O nosso parâmetro é o que Deus aceita como louvor, além de o estilo e a forma de culto que o agrada. E isso à luz das Escrituras, que são, aceitemos ou não, a Palavra infalível de Deus.

Esse pastor que aplicou tal disciplina, por conseguinte, não agiu de maneira coerente. Porém, não é isso que deve fazer com que tenhamos uma opinião definitiva sobre o assunto. A Bíblia é a Palavra de Deus, e nela temos princípios e mandamentos que devem reger todas as nossas práticas e o nosso viver.

Crente pode ouvir música secular? Pode, claro! Mas a pergunta não devia ser essa, e sim: "Crente DEVE ouvir música secular?" Que tal examinar agora 1 Co 6.12; 11.23,31; 1 Ts 5.22; Hb 12.1,2; Gl 5.21; e Fp 4.8?

Que Deus o abençoe!

CSZ

Linpo disse...

Estimado pastor Ciro,

paz do SENHOR!

Leio diariamente seus posts e sempre sou edificado com eles. Não só faço isso como também divulgo, na medida do possível, seu blog e suas obras que já li. Dou graças a Deus por poder fazer isso e pela sua vida, pastor.

Quanto a esse artigo e aos demais sobre o mesmo assunto, não tenho o que acrescentar; só posso dizer que concordo absolutamente.

Mas, além disso, paira em mim uma dúvida quanto ao uso de música secular. Creio que o prezadíssimo pastor e irmão pode me ajudar a resolvê-la, e peço que faça isso, pois posso contar apenas com o senhor, devido à sua experiência.

Convém usar músicas seculares em escolas seculares no meu caso que leciono língua portuguesa, a fim de tornar a aula mais atrativa?

Pastor, ajude-me a resolver essa questão.

Obrigado e até logo.

Um abraço.

Fique com Deus!

Artur

Anderson Torres disse...

Ciro, que Deus abençoe sua vida tremendamente a cada dia, guiando-te e dando-te dicernimento.

Quanto ao artigo sobre a música no culto, quero contrastá-lo com o salmo 150. haverá alguma contradição? Principalmente em relação ao versíulos 2 e 5.

"louvai-o conforme a excelência da sua grandeza"

"louvai-o com címbalos altissonantes"

Shalom.

Aelson Júnior disse...

A paz do Senhor, pr. ciro!

Eu estou em uma situação complicada em minha igreja. Sou o vice-lider do ministério de louvor e há TANTOS erros acontecendo(desde falta de conhecimento da palavra até "levita" ouvindo Lady Gaga), eu ainda não me posicionei nem dei minha opnião, pois, estou me preparando e estudando muito a palavra de Deus para não me equivocar quando chegar o momento de dizer...

Mas, pr. o que o sr. acha que eu deveria fazer, observe minha situação: Eu toco guitarra e sou eu quem cifro as músicas e as levo para a igreja(os levitas pedem a música e eu cifro), e há algumas músicas que são cantadas na igreja(sabor de mel, faz um miagre em mim, a vitória da cruz, etc) e eu me sinto MUITO mal por tocar elas na igreja, mas, se eu não tocar, quem vai?

Ontem, minha namorada me convidou para ir em outra igreja evangélica para cantar uma música para amiga dela e participar de um "culto-aniversário" de uma amiga dela, e eu me posicionei contra por não concordar com esse tipo de coisa na Casa de Deus e quando disse para essa amiga dela, hoje, ela saiu e nem falou comigo...

O que o sr. acha que eu deveria fazer diante dessas situações?

Em Cristo,

Aelson Junior