segunda-feira, 3 de março de 2008

Música no culto ou culto à música? (1)

Nesta série sobre a música no culto coletivo a Deus responderei de modo objetivo a várias perguntas. As primeiras são: “O que é a música?”, “Qual é a origem da música?” e “O que é a música sacra?”

1 - O que é a música?


O vocábulo latino musica vem do grego mousiké, “a arte das musas”. A música é uma ciência, haja vista obedecer normas, regras; e é também uma arte, em razão de sua aplicação ser flexível e requerer preparo para sua execução. Daí o salmista ter dito: “... tocai bem e com júbilo” (Sl 33.3). “Tocar bem” diz respeito à parte técnica, que de maneira nenhuma deve ser deixada de lado; e “tocar com júbilo” refere-se ao modo da aplicação.
Música é a arte e a técnica de combinar sons de maneira agradável ao ouvido. Agradável, não em relação ao gosto musical, mas aos bons efeitos que deve causar ao ouvido humano. E, para isso, precisa ser composta de emissões vibratórias com freqüências bem definidas, que podem ser captadas pelas limitações fisiológicas do ouvido.

Há mais de 430 menções à música e ao louvor na Bíblia Sagrada. O livro de Salmos, o maior das Escrituras, com 150 capítulos, é um grande hinário de louvor ao Senhor. A música, apesar de não ser a tarefa mais sublime da Igreja na Terra, haja vista o “ide” do Senhor Jesus (At 1.8; Mc 16.15; Mt 28.19), é o único ofício que continuará sendo exercido no Céu, pois “... o seu louvor permanece para sempre” (Sl 111.10).

2 - Qual é a origem da música?

A música, em sua essência, teve origem no Criador e é executada diante dEle desde antes da criação (Jó 38.7; Ap 14.2,3; 15.3; 19.1-7). Os seres angelicais ocupam-se da adoração a Deus por meio da música (Lc 2.13,14; Ap 5.7-14; Ne 9.6; Sl 103.20; 148.2; Ap 7.11,12). Na Terra, ela originou-se com Jubal, descendente de Caim (Gn 4.17-21).
De acordo com Salmos 19.1-3 e 150.6, toda a criação louva a Deus naturalmente, reconhecendo a sua soberania. Aos homens deu o Senhor o livre-arbítrio, a liberdade de escolha (Sl 51.15; 57.7), e alguns têm optado por não adorá-lo (Is 1.3; Rm 1.21). Mas, como diz o hino 124 da Harpa Cristã (editada pela CPAD), que todos juntos o louvemos (Sl 97; 95.6).

3 - O que é música sacra?

Há três elementos que formam a música sacra, rigorosamente nessa ordem:
• Melodia — sucessão ascendente e descendente de sons a intervalos e alturas variáveis, formando um fraseado. É adornada pela harmonia e acentuada pelo ritmo, embora possa ser compreendida isoladamente.
• Harmonia — combinação de sons simultâneos (emitidos no mesmo instante) tendo como base a tonalidade e como princípio gerador a estrutura do acorde.
• Ritmo — sucessão regular de tempos fortes e fracos cuja função é estruturar uma obra musical.
Esses três elementos, intrínsecos na música, se relacionam com o homem (1 Ts 5.23). Assim como o ser humano é formado por espírito, alma e corpo, a música é composta de melodia, harmonia e ritmo.
A melodia é a parte mais importante da música sacra, pois relaciona-se com o espírito, a parte mais relevante do tripartido ser humano (1 Ts 5.23). A harmonia e o ritmo não devem superar a melodia. Quando isso ocorre, abafa-se a essência da música sacra. Isto é dessacralização. Se a ordem for invertida, quem estará sofrendo influência com mais intensidade será o corpo, como acontece com alguns estilos musicais não apropriados para o louvor.

(continua...)

Ciro Sanches Zibordi

16 comentários:

Anchieta Campos disse...

Parabéns pela iniciativa Pr. Ciro, a qual é muito importante, principalmente para a Igreja dos nossos dias.

Já salvei a primeira parte do post, esperando apenas os demais para completar este crucial estudo.

Que Deus o abençoe e ilumine cada diz mais, para honra e glória do nome de Jesus!

Abraços fraternos!

Anchieta Campos

SDarlym disse...

Pr Ciro

Realmente é o estudo muito rico e e importante..
Pra mim particularmente será de grande valia.
Que Deus te abençoe e inspire..

Amém

Susie

Thais Barrinha disse...

Pr. Ciro...
Acho fundamental textos que equivalem quanto à música, pois hodiernamente temos equívoco "violentos" em nossas congregações quanto à mesma. sou o que chamam de levita (que absurdo...rs) e tento (muitas vezes sem êxito) corrigir os gravíssimos erros em nosso grupos!
como seria bom que nossos irmãos lessem a Bíblia (e livros de pedagogia cristã/secular tmbm!).
Fiq na Paz!

Anônimo disse...

Prezado irmão Ciro,

Não nos despedimos.. mas deixo um grande abraço e sucesso em sua nova caminhada.

Deixei um recado no Orkut, mas não houve resposta.

Anônimo disse...

Caro Pr. Ciro, muito bom seu artigo, porém devo lhe perguntar? O senhor toca algum instrumento musical?
Sobre o seguinte conceito: "Música é a arte e a técnica de combinar sons de maneira agradável ao ouvido. Agradável, não em relação ao gosto musical, mas aos bons efeitos que deve causar ao ouvido humano." Esse conceito já é tido como ultrapassado... assista o seguinte vídeo...

http://www.youtube.com/watch?v=FrU6yuER0Ug

isso não seria música segundo o conceito citado...abraços e a paz do Senhor...Jadson Maués

Pr. Devair Silva disse...

Pr. Ciro, parabens pela excelente abordagem deste assunto, em dias de tamanha apostasia, como os Pastores não se preocupam mais com a música na Igreja, os crentes entre aspas, estão fazendo verdadeiras festas mundanas com músicas profanas, alterando apenas a letra. Em tempo, a Igreja do brasil agradece pelo comentário.

Ciro Sanches Zibordi disse...

Jadson,

A paz do Senhor.

A definição que dei tem o apoio da musicologia. Leia, por exemplo, "Da Música - seus usos e recursos", de Maria de Lourdes Sekeff (Editora Unesp).

Em Cristo,

CSZ

Ciro Sanches Zibordi disse...

Caro pastor Devair,

Agradeço-lhe pelas palavras de incentivo. E peço-lhe que ore por minha vida, a fim de que o Senhor cumpra em mim a sua vontade.

A paz do Senhor!

CSZ

Anônimo disse...

A paz do Senhor Pr. Ciro, ainda sim quero lhe perguntar...o senhor toca algum instrumento musical?assistiu ao vídeo?...acredito que independente da autora esse conceito é um conceito reducionista, pois ao envolver o "agradável" seria necessário discorrer também sobre um ponto de vista estético...não estou querendo lhe confrontar, ou coisa parecida apenas acredito que música está muito além de um conceito "agradável". Logo partindo desse princípio eu não poderia considerar como música o que foi tocado no vídeo que lhe enviei...agradeço demais ter me respondido e aguardo sua resposta...a Paz do Senhor...Jadson Maués

Ciro Sanches Zibordi disse...

Jadson,

Sim, caro Jadson, eu aprendi tocar um pouquinho de violão...

Entretanto, pergunto-lhe: Eu preciso tocar algum instrumento para dar uma opinião baseada na Bíblia e na musicologia? É necessári alguém saber atirar com uma metralhadora para dar uma opinião sobre os males que ela pode causar, se usada para o mal?

Sim, meu caro, eu assisti ao vídeo e sou um grande apreciador da boa música. Mas o que estou aqui defendendo nada tem que ver com gosto musical.

Estou falando de maus efeitos, pois a música não é neutra. E, se nos despirmos de nossos gostos pessoais, perceberemos facilmente que um estilo exageradamente ritmado não serve para o louvor na casa de Deus.

Se o irmão afirma que, independentemente da autora que mencionei, meu conceito é reducionista, vejo que já tem opinião formada sobre o assunto. E o meu objetivo é ajudar pessoas que precisam de esclarecimento. Aqui não é um fórum de debate, conquanto às vezes haja alguns pontos e contrapontos.

Como o seu caso não é o de quem necessita de ajuda, posto que já tem conhecimento de causa, o que posso fazer é apenas agradecer-lhe pela opinião.

Todavia, reitero que o conceito de agradável que defendo é o de que a boa música deve agradar, mesmo! Não me refiro a "curtição", e sim a agradar, fazer bem, de fato. Quem usa droga, mesmo que você lhe diga que se trata de um mal, ela dirá o contrário. Nesse caso, quem pode dizer se alguma música é agradável não é o apreciador, com os seus gostos específicos, e sim os especialistas, musicólogos, psicanalistas, cientistas que sabem muito bem quais são os efeitos no cótex cerebral e os danos que podem ser causados no tímpano, além das alterações comportamentais, propensão a aceitar facilmente a imoralidade, etc.

Você pensa que eu estou jogando conversa fora? Pensa que eu faço acusações infundadas? Com todo o respeito, caro Jadson, já estudei dezenas de livros sobre a música e seus efeitos, em português e outros idiomas. Tenho amigos versados em música, como o maestro Nilton Didini Coelho, de São Paulo. Mas reitero que respeito a sua opinião.

Não precisa ficar preocupado em estar ou não me confrontando. A questão é que não escrevo para que concordem comigo mesmo. Porém, não quero que pense que estou fazendo críticas sem conhecimento de causa. Sei muito bem do que estou falando. E, se o irmão também o sabe, não há necessidade de nos prolongarmos num interminável debate.

Indico ainda, se o irmão puder ler e tiver o desejo de fazer isso, "Rock in Igreja?!", de John Blanchard, Editora Fiel.

Agradeço-lhe mais uma vez pela participação.

Em Cristo,

CSZ

Anônimo disse...

A Paz do Senhor Pr. Ciro, agradeço de coração a sua resposta...tem sido muito proveitoso...confesso que me senti um pouco chateado com essa essa sua afirmação: "Você pensa que eu estou jogando conversa fora? Pensa que eu faço acusações infundadas? Com todo o respeito, caro Jadson, já estudei dezenas de livros sobre a música e seus efeitos, em português e outros idiomas. Tenho amigos versados em música, como o maestro Nilton Didini Coelho, de São Paulo. Mas reitero que respeito a sua opinião.", pois como disse não quero lhe confrontor ou duvidar de seu conhecimento, minha única preocupção foi com o conceito utilizado, também não sou a favor de uso de qualquer tipo de música no culto...até porque assim como defendo meu conceito e tive que refletir bastante para chegar a minha conclusão, também acredito na questão funcional da música que é algo esquecido e fundamentado na retórica, pois como o senhor deve compactuar comigo a música além de ser uma arte e uma ciencia é também uma forma de comunicação, uma linguagem, daí não ser necessário a utilização de gestos e coreografias para explicá-la, mas isso é uma outra história...eu gostaria demais de poder conversar mais com o senhor, mas como foi pedido não farei "um debate interminável"...só lamento quando vejo sua agenda que não há uma viagem sua para cá para Belém do Pará, mas quem sabe um dia...a Paz do Senhor...e com desculpas... Jadson Maués

Ciro Sanches Zibordi disse...

Caro Jadson,

A paz do Senhor.

Considero-o muito, mesmo sem conhecê-lo pessoalmente, e sei que não é de hoje que o irmão freqüenta o meu blog. Sempre escrevi de maneira direta, franca. Peço-lhe perdão por isso, mas em momento algum me posicionei contra a sua pessoa. O texto é frio; é diferente de um contato pessoal. Tenho, inclusive, em minhas viagens, conversado com muitos leitores, os quais me acham mais simpático pessoalmente... Risos...

Permitindo Deus, estarei em Tucuruí, Pará, ainda neste mês. Estarei em Belém, mas só de passagem. Creio que Deus preparará um dia para nos encontrarmos.

Quanto ao "debate interminável", eu disse isso porque, quando duas pessoas defendem uma tese da qual têm convicção, percebe-se que nenhum dos dois abrirá mão de seus conceitos. Não chegaríamos a lugar algum. Então, nós dois podemos fazer um trabalho mais útil para Deus em vez ficarmos mostrando que estamos certos.

Não sou de todo contrário ao seu posicionamento. Sou contra o crescente secularismo desses últimos dias. A igreja não "vai com a cabeça do homem". O que é do mundo não serve na casa de Deus. Não falo de recursos tecnológicos. E reitero: não devemos pensar na música que nos agrada, que nos satisfaz, e sim numa música que nos aproxima, de fato, de Deus.

Quem quiser ouvir uma música mais ritmada, que ouça. Nada tenho contra o que as pessoas fazem em particular. O que sei é que tudo o que fazemos deve glorificar a Deus (1 Co 11.31).

Caro Jadson, agradeço-lhe muito pelas suas palavras e por sua participação neste espaço.

Em Cristo,

CSZ

Anônimo disse...

Agradeço do fundo do coração a atenção que tem me dado..."Quanto ao "debate interminável", eu disse isso porque, quando duas pessoas defendem uma tese da qual têm convicção, percebe-se que nenhum dos dois abrirá mão de seus conceitos. Não chegaríamos a lugar algum. Então, nós dois podemos fazer um trabalho mais útil para Deus em vez ficarmos mostrando que estamos certos.".Devo concordar com o senhor quando se expressa dessa forma, pois a questão maior não uma discussão artística...isso eu devo admitir...admiro sua postura contra a vulgarização das coisas de Deus...quanto a isso sou totalmente contra a vulgarização tanto nas músicas, como nas expressões e como nos comportamentos...se o senhor passar por Belém do Pará pode me deixar um email que com certeza iria ao seu encontro, para conhecer os atenciosos Ciro, Sanchez & Zibordi....rsrsrsrsrs...
agradeço novamente sua atenção...Deus o abençoe...
meu email é jadsonmaues@bol.com.br

ICHTUS disse...

Paz do Senhor Pr. Ciro!

Louvo a Deus pela sua vida e dedicação em escrever estes artigos sobre a música no culto.
Está sendo valioso poder estudar o assunto, a fim de subsidiar a Lição 8 da E. B. D. - "O louvor que chega ao Trono da Graça".

Que Deus o abençoe ricamente e tu possas continuar a nos abençoar com estes artigos autenticados pelas Sagradas Escrituras.

W. Schneider - IEADC - Parque Industrial

Anônimo disse...

pastor ciro,a paz do Senhor jesus. gostaria de compartilha uma noticia maravilhosa com o senhor. quando o senhor esteve conosco na ebo da ad de caucaia, no final de uma das suas palestras o senhor nos explicou acerca do conjunto "voz da verdade" (a questaõ deles serem unicistas),e um jovem que era fanatico pelo o conjunto se retratou e caio na realidade. que Deus continue dando graça ao senhor em suas palestras até mas.

Anônimo disse...

A Paz do Senhor Pr. Ciro.

eu gostaria de tirar uma dúvida e acho que o senhor pode me ajudar.

eu sei que aqui não tem nada a ver sobre o que eu vou perguntar, mais vai aqui mesmo...


eu queria saber se quem nao entrega o dizímo na casa do Senhor, se o espiríto devorador entra na casa e não consiguimos prosperá. Enfim o senhor pode me explicar alguma coisa sobre isso?


Silvânia.