quarta-feira, 30 de maio de 2007

O que o papa veio fazer no Brasil?

Neste mês, o papa Bento XVI veio ao País para participar da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe, a qual deveria ser realizada em Quito, Equador. Foi mudada para o Brasil porque o cardeal em Roma, dom Cláudio Hummes — que era arcebispo de São Paulo — disse ao papa que a Igreja Católica perde um por cento de fiéis por ano, e que já perdeu vinte milhões.
Ele espera ver o sonho de seu antecessor, João Paulo II, realizado. Este presenciou a derrocada do comunismo e o fracasso das fileiras da teologia da libertação, mas não conseguiu parar o avanço numérico dos evangélicos no Brasil. A principal razão da visita do novo papa, sem dúvidas, é avivar o romanismo no País, combatendo o extraordinário progresso evangélico, especialmente do segmento neopentecostal.
Para alcançar esse objetivo, o romanismo vem adotando duas estratégias: a evangelização entre as comunidades pobres e a tentativa do estabelecimento de uma convivência ecumênica entre evangélicos, católicos e espíritas. Há uns dez anos, a revista Veja enfatizou a razão do crescimento dos evangélicos, destacando a alfabetização de adultos, o estímulo à leitura, a realização de trabalhos de recuperação de dependentes em drogas e a prestação de ajuda a necessitados. A reportagem foi, claramente, uma “alfinetada” na Igreja Católica, que desde então vem assumindo um papel semelhante ao dos segmentos evangélicos.
De acordo com as últimas estatísticas, o rebanho do catolicismo, no Brasil, atinge quase 140 milhões de adeptos, e apenas dezoito mil padres! As vocações têm diminuído, gerando uma crise profunda e aparentemente irreversível para a Igreja Romana. A grande maioria dos católicos é nominal, e uma boa parte tende para a prática do espiritismo.
A fidelidade dos católicos vem diminuindo em grande escala. Há alguns anos, a Igreja Católica exibia em cadeia nacional, na quarta-feira de cinzas, a fala do papa. Hoje, o pronunciamento é gravado, e as emissoras o exibem quando querem.
Para reverter essa situação, a CNBB já está adotando estratégias para atingir católicos não praticantes, evangélicos e espíritas, divulgando textos alegóricos em favor do ecumenismo. Em um deles, Jesus visita um centro espírita e, ao deparar-se com uma mãe-de-santo, afirma: “... o Reino de Deus já está aqui no meio de vocês”. E ela responde: “Muito obrigada, Jesus! Mas isso a gente já sabia... Você deve ter um orixá muito bom. Vamos dançar, para que ele venha nos ajudar”.
No século passado, o Vaticano abriu as portas para receber a visita de Nilson do Amaral Fanini, então pastor da Primeira Igreja Batista de Niterói, Rio de Janeiro. O objetivo da visita do respeitado líder evangélico, na época, foi traçar com o papa uma estratégia que visava a resolver antigos problemas entre católicos e evangélicos. Fanini chegou a dizer que a Igreja Batista, por ser anterior à Reforma Protestante, não deveria ser considerada uma seita evangélica pelo catolicismo.
Mas a tática de unir as vertentes protestante, espírita e católica, com o intuito de somar forças contra inimigos comuns, nunca dará certo. Esses três segmentos possuem objetivos, credos e motivações completamente diferentes. O evangélicos adoram ao Jesus da Bíblia, que é o verdadeiro Deus e a vida eterna (1 Jo 5.20), enquanto os católicos e os espíritas acreditam em um “outro Jesus” (2 Co 11.4).
Como se sabe, o “Jesus” do catolicismo não é o Todo-Poderoso, pois recebe menos honra do que Maria, que, segundo a Bíblia, é apenas uma crente fiel que precisou do Salvador (Lc 1.47). Um adesivo para colar em automóveis distribuído pelos católicos diz: “Tudo por Jesus. Nada sem Maria”, mostrando que, para a "igreja da maioria", Jesus é dependente de Maria. Já no espiritismo Jesus é apenas um ser “iluminado”, um espírito evoluído após diversas reencarnações, e não o Deus onipotente (Ap 1.8).
Todo esse esforço do romanismo para ganhar adeptos de outras religiões nos leva refletir sobre o que Jesus disse em Mateus 7.13,14. A porta para a salvação é estreita, e são poucos os que entram por ela. Nesse caso, o ecumenismo da Igreja Católica pode até envolver muitos crentes nominais, porém os poucos fiéis (Sl 12.1; 101.6) permanecerão firmes; jamais negarão a sua fé, haja o que houver (Ap 2.10; 3.11). Deus não prioriza quantidade (Jo 6.60-69), a não ser que esta decorra da pregação da verdade. O Senhor só tem compromisso com quem está disposto a segui-lo, andando como Ele andou (Lc 9.23; 1 Jo 2.6).

Ciro Sanches Zibordi

10 comentários:

Anônimo disse...

Pr. Ciro,
Por incrível que pareça o motivo que traz o papa Bento XVI ao nosso país - a preocupação com o "êxodo" do catolicismo - é também preoupante para nós.
Enquanto ele está empenhado em conter a evasão em massa; (isso, claro, para manter a hegemonia religiosa do romanismo), nós, cristãos, devemos nos preocupar com o inchaço do neopentecostalismo e, até mesmo dos arraiais pentecostais.
Enquanto sua preocupação é numérica e quantitativa, a nossa é individual e qualitativa.
Temos algo em comum com o papa: a preocupação com os religiosos nominais - ele, em mantê-los assim mesmo, nós, em orarmos para que haja conversão e não simplesmente "adesão".

Boa discussão
César Moisés

Ciro Sanches Zibordi disse...

Caro pastor César,

Brilhante o seu comentário. É isso mesmo que está acontecendo. E a estratégia do Inimigo, a qual muito contribuirá para a chegada do Anticristo, é a "união" de religiões, filosofias, denominações... Tudo em prol da "unidade em amor", mas sem compromisso com a Palavra de Deus, contrariando o que a Bíblia diz em João 14.23 e Efésios 4.

Com a falsa argumentação de que "o mais importante é o amor", religiões se unem; grupos tidos como evangélicos também se unem... O importante é "somar, e não dividir". E a doutrina, segundo tais grupos, divide. E divide mesmo! Mas ela também separa e une os que são de Cristo e da verdade!

De fato, Bento XVI, em razão de ser conservador, tem dificuldades para levar adiante o ideal ecumênico, conquanto o ecumenismo, paradoxalmente, esteja incorporado à estratégia romanista de multiplicação de fiéis desde os tempos do imperador Constantino.

Não podemos abrir mão da Palavra de Deus, a fim de que haja uma "acomodação" das coisas. Nos dias de Neemias, os inimigos Sambalate, Tobias e Gesem, depois de ameaçarem, guerrearem, zombarem, etc., vendo que nada parava a obra, propuseram uma "união". Ao que Neemias respondeu: "ESTOU FAZENDO UMA GRANDE OBRA... NÃO PODEREI DESCER" (Ne 6.3).

Permaneçamos em Cristo e em sua Palavra, pregando o único e verdadeiro evangelho transformador!

Valmir Nascimento disse...

Pr. Ciro,

O debate levantado por vc em seu artigo é de extrema validade. Obviamente que o Papa Bento XVI, valendo-se da oportunidade da santificação de Frei Galvão, tentará por todos os meios resgatar católicos para o seu rebanho, aliás, uma de suas metas no Brasil é o dialogo com jovens católicos com vistas a motivá-los a participar do clero. Como dito, uma das suas artimanhas (por sinal diabólica)é a junção de outras religiões em torno do ecumenismo, para quem o "amor" é o principal elo. Entanto, quero aqui suscitar outra vertente da fala do Papa: a sua profunda defesa dos valores familiares, inclusive manifestando-se tachativamente contra a legalização do aborto. Pergunto: O Papa tem dado um exemplo para muitos cristão que têm medo de se manifestar sobre o assunto?

Carlos Roberto Silva, Pr. disse...

Pastor Ciro!
Brilhante o seu artigo!
No caso do catolicismo romano,no meu entender, tudo conspira contra. Cumpre-se o velho dito popular: "se ficar o bicho come, se correr o bicho pega". O ecumenismo não se concretiza porque não tem como acontecer de fato. Se arrocharem nas doutrinas católicas, os fiéis não estão acostumados a isto. É uma faca de dois gumes para o papa. Se ficarmos no nosso lugar e continuarmos a pregar a Palavra de Deus genuinamente, não haverá inchaço, a tendência é o crecimento natural até a vinda do Senhor Jesus. Eles estão com um problema na mão que, pra resolver somente desfazendo muita coisa e começando tudo de novo.
Pastor Carlos Roberto - Cubatão- SP

Tamar Souza disse...

Excelente post. Deu uma perspectiva diferente da que eu tinha. Concordo com o Valmir sobre o fato dos evangélicos brasileiros não demonstrarem uma postura pública firme (sem perder a ternura tá) em questões morais.
Mas a verdade é que a teologia de Bento XVI é mesmo como desenhou o caricaturista Angeli na Folha. Um padre com um martelão. É a teologia da martelação. Sempre o mesmo tema. Sem a alegria da salvação e sem a presença do Espírito Santo.
Só religiosidade baseada em obras mortas e imagem. Tudo que posso desejar é que a Graça Salvadora alcance estes católicos e eles sejam iluminados em toda a verdade.

Eliseu Antonio Gomes disse...

Pastor Ciro e participantes desse blog

Não é nada científico, mas pela pesquisa que tenho conhecimento, grande parte dos católicos são religiosos que não conhecem o nome do padre da própria paróquia que fazem parte e desconhecem também o endereço exato do templo.

Talvez, por causa disso haja todo essa movimentação tentando mudar o quadro em que estão metidos.

André Reis, ShD disse...

Saudações Pr. Ciro,
Tenho acompanhado sua msg´s bem como seus livros e tenho gostado bastante e aprendido muito contigo. Escrevo este post pois me assustou a sua afirmativa sobre "a CNBB já está adotando estratégias para atingir católicos não praticantes, evangélicos e espíritas, divulgando textos alegóricos" com Jesus frequentando centros de umbanda
Pois para mim isso é quase um "tiro no pé". esse fato é verídico ou é um comentário irônico? tem algum lugar onde eu possa ter acesso a isto?
agradeço a sua atenção e que Deus continue te colocando no caminho dEle.

Ciro Sanches Zibordi disse...

Irmão André Reis, ShD (risos), Deus o abençoe pela mensagem! Sou-lhe grato pelas palavras de incentivo.

Quanto à minha afirmação de que o catolicismo já está adotando estratégias para atingir católi-cos não praticantes, evangélicos e espíritas, isso não é ironia, pois já ocorre há muito tempo.

Há dez anos, a CNBB divulgou o tal texto alegórico no qual Jesus visita um centro espírita. O trecho que citei (que é uma aberração), é de autoria de um influente “biblista” católico, o holandês Carlos Mestres, segundo matéria publicada na Folha de S. Paulo, em 16/7/1997.

Ciro Sanches, ShD, ShJ, ShES

Anônimo disse...

Rídiculo este post. Falar que o Jesus dos católicos e diferente do Cristo cultuado, por nós, protestantes é, no mínimo, falta de conhecimento teológico.

Mas o que esperar de fundamentalistas ?

ass: Presbiteriano Ecumênico

Ciro Sanches Zibordi disse...

Pois é, Anônimo...

Você mesmo respondeu a pergunta, ao assinar o comentário:

O que esperar de um presbiteriano ecumênico?

Um comentário antibíblico, uma postura antibíblica, um comportamento antibíblico... Enfim, seja coerente com você mesmo e da próxima vez identifique-se.

CSZ