quarta-feira, 17 de junho de 2015

Lavar pés ou pregar o Evangelho?

Li alhures que um certo pastor — não me pergunte o nome dele, por favor — “lavou os pés de gay, mãe-de-santo, ateu e outros que sofrem com o preconceito dos evangélicos”. O texto sugere que o tal ato foi exemplar, uma vez que muitos evangélicos têm sido preconceituosos. Ademais, o texto exalta a conduta do pastor, colocando-o, por assim dizer, em um pedestal, como se ele, sim, tivesse amor pelos pecadores e compromisso com o Evangelho. Menos, gente, menos...

É verdade que o Senhor Jesus, ao andar na terra, lavou os pés de algumas pessoas. E, quando fez isso, afirmou: “Ora, se eu, Senhor e Mestre, vos lavei os pés, vós deveis também lavar os pés uns aos outros. Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também” (Jo 13.14,15). Penso que Ele não teve como objetivo instituir a cerimônia do “lava-pés”. Mas, se alguém desejar tomar essa passagem como base para fazer isso, deve, antes, responder a duas perguntas: (1) O Mestre lavou os pés de quem? (2) Com qual propósito Ele fez isso?

A bem da verdade, o Senhor Jesus não saiu pelo mundo lavando os pés de todos os tipos de pecadores para demonstrar que os amava. Ele só lavou os pés de pessoas em uma única ocasião (Jo 13.1-15). No versículo 5 está escrito que Ele “pôs água numa bacia e começou a lavar os pés aos discípulos”. Nesse caso, se algum pastor quer lavar os pés de alguém com base no ato de Jesus, que lave os pés dos seus dis-cí-pu-los, e não dos pecadores, de modo geral (cf. também 1 Tm 5.10).

Fica claro, quando lemos a mencionada passagem neotestamentária, que o Senhor Jesus não quis instituir o “lava-pés”, e sim ensinar aos seus discípulos que eles devem ser humildes, respeitando uns aos outros. Afinal, se Ele, como Mestre e Senhor, lavou os pés de seus liderados, por que deveríamos nos ensoberbecer e pensar que somos melhores do que os que ouvem nossos ensinamentos e orientações?

No texto que li, alhures, sugere-se que os evangélicos são preconceituosos e não amam os pecadores quando pregam contra o pecado. Entretanto, agradar os pecadores, apresentando-lhes uma mensagem ecumênica, é mesmo uma demonstração de amor, à luz do que ensinou o Mestre dos mestres? Penso que não, pois os evangélicos que se prezam — à semelhança do Senhor Jesus — devem pregar os que os pecadores precisam ouvir, o autêntico Evangelho, e não um evangelho pragmático, isto é, o que os pecadores querem ouvir (cf. Mt 23; Jo 4).

Jesus Cristo não disse que devemos abrir mão da verdade para pregar uma mensagem suave, que agrade os pecadores. Na verdade, Ele disse que a porta para a salvação é estreita (Mt 7.13,14). Já o ato de lavar os pés de representantes de diversos segmentos — ao que me parece — é, na verdade, um ato ecumênico, que visa a agradar as pessoas, em vez de lhes apresentar o Evangelho como ele é. Segundo o Mestre, João Batista foi um pregador exemplar (Mt 11.11). Por quê? Ele lavou os pés dos pecadores? Não! Ele foi um amigão dos que zombam da verdade? Não! Mas “tudo quanto João disse deste [Jesus] era verdade” (Jo 10.41). E a pregação dele era bastante contundente: “Arrependei-vos” (Mt 3.2).

Paulo é um paradigma, um referencial para a Igreja, um imitador de Cristo (1 Co 11.1). Depois do Senhor Jesus, sem dúvida, esse apóstolo foi o maior exemplo de pregador, pastor e mestre que já andou na terra. E eu lhe pergunto, caro leitor: Quantas vezes Paulo lavou os pés dos pecadores e hereges? Lavou ele os pés dos filósofos epicureus e estóicos, em Atenas? Quantas vezes ele deu razão aos oponentes do Evangelho e lhes pediu perdão por causa de sua pregação 
ofensiva e "preconceituosa? Infelizmente, há muitos bispos e pastores por aí que abraçaram o evangelho ecumênico, pragmático e relativista da pós-modernidade. Ou, talvez, estão querendo aparecer e mostrar que são mais santos do que os outros...

Portanto, de que adianta lavar os pés de gays, ateus e representantes de religiões, se não lhes apresentarmos a verdade da Palavra de Deus? Preguemos, pois, o Evangelho como ele é. Esta, sim, é a maior demonstração de amor ao pecador. ‪#‎FicaADica‬.

Ciro Sanches Zibordi

20 comentários:

Cris Oliveira disse...

Lastimável.

Anônimo disse...

Na última sexta-feira (12/6) recebemos em nossa igreja uma equipe jornalística da Rede Globo de Televisão. Seu objetivo era o de fazer um documentário sobre intolerância religiosa. Tão logo fui contatado pelo diretor de jornalismo, topei o desafio de recebê-los. Segundo ele, o que teria chamado a atenção para a Reina era sua proposta de coexistência harmoniosa com qualquer religião ou segmento social.

Esse é o inicio do texto aonde o sr. Hermes explica os motivos que levaram a imprensa até o local de encontro dos membros da reina. Uma luz de alerta se acende e essa tal "coexistência harmoniosa" não teria faltado aí uma melhor explicação para esse convívio, algo do tipo apesar de não concordar com o credo nós amamos e respeitamos essas pessoas e queremos que elas conheçam através de nossa conduta o evangelho que pregamos nos nossos atos?
Posso está errado, mas essa luz que se acendeu ilumina algo como uma atitude ecumênica, mas é desse jeito que parece e ainda torce o ensino das Escrituras.

Luís

Josenildo.ferreira.Souza Ferreira disse...

A paz do senhor PR.Ciro e verdade, pastor o que tem na verdade e homens que inventam de tudo para não pregar o verdadeiro evangelho, aí ficam pegando texto isolados para falar o que o povo gosta , mistura o santo com impuro .

Anônimo disse...

Prezado Ciro, gosto dos seus livros mas vi que você vai lançar outro livro sobre Paulo. Não vai ser esse mais um igual ao evangelho que Paulo jamais pregaria ? Não vai ficar muito parecido um livro com o outro abordando de novo os mesmos assuntos já abordados nos seus outros livros ? Afinal, não tem mais o que falar de Paulo, pois você já falou tudo no seu primeiro livro.
O que diferencia esse livro do outro ?
Obrigado... ( Humberto Giacomin )

Anônimo disse...

Ótima análise. Fiquei inquieto desde que li o referido texto mas a posição adotada aqui foi a mesma que me surgiu na mente. Obrigado

Jéssica Gabryela disse...

Irmão Ciro, parabéns pelo seu texto. Que você continue a ser essa pessoa corajosa que se posiciona de forma coerente e defende as escrituras em uma época tão difícil como a que vivemos.seu blog com certeza tem edificado e orientado a muitos.
Jéssica Gabryela. Pernambuco.

WESLEI ROCHA disse...

Tenho notado que alguns líderes possuem uma gana enorme para aparecer. Tais líderes descobriram que a "polêmica" é uma fonte aparentemente inesgotável de "sucesso". Estão, e sempre estarão, envolvidos com questões que os levam aos holofotes. Políticos, como Marco Feliciano e Magno Malta, descobriram que ao "defenderem" certas causas, garantirão suas reeleições com facilidade. Pastores como Silas Malafaia, Caio Fábio e Hermes Fernandes, sabem muito bem que suas abordagens polêmicas os manterão na mídia. Posso estar equivocado mas, para mim, tudo se resume na frase: ânsia pelo poder!

Fabiano disse...

Gente de Deus, isto não foi um ato ecumênico, foi um um ato de respeito e tolerância, de reconciliação! Ecumenismo é outra coisa!
Ele não disse que eles estavam errados em suas práticas, mas é óbvio que eles sabem que somos contrários a elas, em nenhum momento li que o referido pastor aprovou suas atitudes e crenças. O momento era de pedir perdão pelos excessos que temos cometido contra eles, não era de repetir o que já ouvem todos os dias de nós, seria chover no molhado e só geraria mais repulsa. Tem hora certa pra pregar também, ninguém aguenta aqueles crentes chatos que só sabem ficar acusando pecado o tempo todo, vamos ter sabedoria povo de Deus!

Só porque uma pessoa não professa nossa fé que não podemos conviver harmoniosamente com elas? Engraçado que Paulo falava que a gente tinha que evitar até comer junto mas não de ímpios e pecadores, e sim com quem se dizia irmão na fé e pelas atitudes mostravam que não eram coisa nenhuma.

Atitudes como a dele deixam as pessoas mais abertas a ouvir o evangelho. Infelizmente a visão que a sociedade tem de evangélico é PÉSSIMA!!! E não é porque somos zelosos com os mandamentos de Deus, é porque somos hipócritas, arrogantes, sem senso crítico e acusadores. Devemos sim denunciar o pecado, mas com sabedoria e respeito, e sempre lembrando que também somos pecadores. Alguém já disse pregar o evangelho é "um mendigo mostrar outro mendigo aonde encontrar pão".

Ciro Sanches Zibordi disse...

Caro Humberto Giacomin,

No livro Evangelhos que Paulo Jamais Pregaria (CPAD, 2006), a ênfase recai sobre a PREGAÇÃO. No livro Procuram-se Pregadores como Paulo (CPAD, 2015), a ênfase recai sobre o PREGADOR. Há, pois, uma enorme diferença entre as obras. Abraços.

CSZ

Ciro Sanches Zibordi disse...

Caro "Fabiano", leia meu novo artigo sobre o lava-pés.

CSZ

Josenildo.ferreira.Souza Ferreira disse...

A paz do senhor PR.Ciro . muito bom aprender mas e mas da palavra de Deus com o Senhor, sempre estou olhando os artigos do senhor, sempre bíblia o assunto.

Josenildo.ferreira.Souza Ferreira disse...

A paz do senhor pastor Ciro , como e bom está aprendendo com o Senhor da palavra de Deus.

Josenildo.ferreira.Souza Ferreira disse...

Estou esperando o novo livro do senhor sair .
Pastor Ciro essa passagem ele e para ser exemplo de humildade né pastor Ciro não para tomar como ritual né? Quando Jesus lava os pés de Pedro ali , Jesus estava ensinando os discípulos servi uns aos outros estou corretor?

Gilson Pereira Barbosa disse...

Amado irmão: Boas intenções não representam necessariamente evangelho. Apesar de respeitarmos as outras crenças não significa que temos de ser subserviente. Abraço

jorge melo disse...

Bela interpretação Pr. Ciro. Não precisa nem da hermeneutica biblica para entender este ato de JESUS, que mostrava como os discipulos deviam ser e viverem uns aos outros c/ = Humildade. Lamentavelménte, outros interpretam diferentes, ou se fazem de ingênuos, ou são atos propositais, para angariarem a simpatia de muitos.

Levi Matheus disse...

"Não será assim entre vós; mas todo aquele que quiser entre vós fazer-se grande seja vosso serviçal" (Mateus 20:26)
O pastor David Wilkerson disse em uma de suas pregações, que a Palavra de Deus quando pregada (genuinamente) faz uma de duas coisas: "endurece o coração do ouvinte, ou quebranta-o. O sucesso de um ministério não está no número de membros numa instituição religiosa, mas nas almas salvas que o Espírito Santo agregará à Igreja de Cristo e isto só se dará mediante a um compromisso do pregador com a verdade do Evangelho puro, sem misturas, sem invencionices humanas, pois quem tem ouvidos ouve o que o Espírito diz.
"As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as, e elas me seguem" (João 10:27).
L. M. S.

Unknown disse...

parabens pastor Ciro, apesar de discordar de algumas teorias suas, nesse ponto em questão vc esta absolutamente certo. a pior desgarça para o evangelho sao esses pseudo pastores politcamente corretos, medrosos, covardes, mais preocupados em agradar ao mundo do que a Deus, na verdade Deus nao precisa de lideres desse porte.

André Senna disse...

Gostei muito. Concordo com tudo. Vi um pastor fazer isso para agradecer ao outro, e soube de alguns que tem feito isso no dia da ceia. Se é para mostrar humildade, deveriam fazer sem que ninguém visse não é? Assim, ficamos ouvindo: "que humildade!" Vira show.

Carla Oliveira disse...

Pastor Ciro,sempre aprendo com o senhor , aqui na cidade de Rio das Ostras,existe um grupo que está colocando seus seguidores a lavar pés de mendigos e servir Santa Ceia a prostitutas e viciados. Lamentável. Qdo li esse texto,refleti sobre tudo.

Carla Oliveira disse...

Pastor Ciro,sempre aprendo com o senhor , aqui na cidade de Rio das Ostras,existe um grupo que está colocando seus seguidores a lavar pés de mendigos e servir Santa Ceia a prostitutas e viciados. Lamentável. Qdo li esse texto,refleti sobre tudo.