sábado, 28 de abril de 2012
Há um ano David Wilkerson partia para a glória
Há um ano, David Wilkerson, com quase 80 anos, entrou em seu automóvel e partiu para a glória, em um trágico acidente, nos Estados Unidos. Quem conhece a biografia desse fundador da Times Square Church sabe que ele podia ter sido assassinado ainda jovem, nas então violentas ruas de Nova York, por Nick Cruz e sua gang. Mas o Senhor o preservou soberanamente até o dia 27 de abril de 2011, quando permitiu que uma carreta atingisse o seu carro numa estrada do Texas.
Embora haja promessas de livramento para os crentes fiéis (2 Sm 22.49; Sl 18.48; 34.7), estamos sujeitos a morrer de forma trágica e violenta (Mt 14.1-12). O próprio Senhor Jesus afirmou: “E não temais os que matam o corpo, e não podem matar a alma; temei antes aquele que pode fazer perecer no inferno a alma e o corpo” (Mt 10.28). Para o salvo, o importante é morrer “em Cristo” (1 Ts 4.16).
A maneira de morrer para o cristão torna-se irrelevante quando consideramos 1 Coríntios 15.51-53 e 2 Coríntios 5.1-4, passagens que enfatizam a transformação do nosso corpo no dia do Arrebatamento da Igreja. Por isso, o apóstolo Paulo, que, segundo a tradição, teria sido decapitado, afirmou: “para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho” (Fp 1.21). O mais importante é que Wilkerson, assim como Paulo, deixou imitadores (1 Co 11.1).
David Wilkerson foi um dos escritores que mais me influenciaram, quando eu comecei a pregar o Evangelho. Lembro-me de uma terça-feira de 1989, na Assembleia de Deus da Vila Míriam, em São Paulo, em que um irmão idoso (já deve estar com o Senhor) assentou-se ao meu lado e, com lágrimas nos olhos, disse: “Jovem, você é pregador e precisa ler este livro”. Ele me presenteou com um livro surrado e todo marcado: Toca a Trombeta em Sião, da CPAD. À época, com 19 anos, descobri que Wilkerson não era teólogo, exegeta ou erudito, mas um profeta do Altíssimo. O Senhor no-lo deu, e Ele o tomou. Como disse Jó, “bendito seja o nome do Senhor” (Jó 1.21).
Assista à última pregação de Wilkerson, em um evento promovido por seu filho espiritual, Nick Cruz:
Ciro Sanches Zibordi
quarta-feira, 25 de abril de 2012
PÉRGAMO, A IGREJA CASADA COM O MUNDO (subsídios para as Lições Bíblicas da CPAD)
“PÉRGAMO, A IGREJA CASADA COM O MUNDO”
Pr. Ciro Sanches Zibordi
Leitura bíblica: Apocalipse 2.12-17
I. A igreja de Pérgamo
1. É possível que essa igreja tenha sido fundada pelo ministério do apóstolo Paulo:
a) Paulo esteve em atividade por três anos na província da Ásia (At 20.31).
b) Na sua terceira viagem missionária, num espaço de dois anos, “todos os que habitavam na [província da] Ásia ouviram a palavra do Senhor Jesus, tanto judeus como gregos” (At 19.10).
c) O ourives Demétrio declarou: “bem vedes e ouvis que não só em Éfeso, mas até quase em toda a Ásia, este Paulo tem convencido e afastado uma grande multidão, dizendo que não são deuses os que se fazem com as mãos” (At 19.26).
2. A cidade de Pérgamo começou a se destacar depois da morte de Alexandre Magno, em 333 a.C. Ela foi capital da província da Ásia por quase quatrocentos anos, e capital do reino da Selêucida até 133 a.C., quando foi anexada ao Império Romano.
3. Como centro cultural, Pérgamo sobrepujava Éfeso e Esmirna. A sua biblioteca, com duzentos mil pergaminhos, era a segunda maior do mundo, superada apenas pela de Alexandria. Há uma lenda de que o pergaminho deriva-se de Pérgamo, haja vista ter sido essa cidade um importante centro de manufatura do pergaminho.
4. Pérgamo era uma cidade muito idólatra. Nela havia um grande altar a Júpiter (Zeus), e templos dedicados ao imperador, a Atena, a Dionísio e a Esculápio, o deus da cura, identificado por uma serpente.
5. Se considerarmos a analogia, pela qual se compara as sete igrejas da Ásia com os períodos da História da Igreja, Pérgamo representa a igreja mundana dos anos 313 a 600.
II. Análise da carta à igreja de Pérgamo (Ap 2.12-17)
1. “E ao anjo da igreja que está em Pérgamo escreve” (v.12) — o líder é o responsável perante o Senhor. Ele só não fala com o líder se este estiver completamente desviado (1 Sm 3.11-14; 28.6).
2. “Isto diz aquele que tem a espada aguda de dois fios” (v.12):
a) O Senhor Jesus empregou criteriosamente os títulos com que designou a si mesmo, em harmonia com a situação reinante em cada igreja.
b) Pérgamo abraçara a doutrina de Balaão e a dos nicolaítas; deveria se arrepender. Jesus se revelou a essa igreja como “aquele que tem a espada aguda de dois fios”.
● A espada de dois fios é a Palavra de Deus (Ef 6.17; Hb 4.12).
● É com a Palavra que Deus corta pela raiz as heresias, os misticismos, os modismos, os maus costumes, etc.
3. O trono de Satanás: “Eu sei as tuas obras, e onde habitas, que é onde está o trono de Satanás” (v.13).
a) A cidade de Pérgamo, em si, era a habitação do Diabo, pois vários deuses pagãos eram adorados ali: o imperador, Zeus, Atena, Esculápio, etc.
b) Os crentes infiéis, misturados com o mundo, haviam também entronizado Satanás na casa de Deus (1 Tm 4.1).
4. A igreja de Pérgamo tinha duas qualidades (v.13):
a) Conservadora: “e reténs [conservas] o meu nome” (2 Tm 1.13,14; 1 Tm 6.19,20).
b) Fiel: “e não negaste a minha fé” (Ap 2.10).
5. O testemunho a respeito de Antipas: “Ainda nos dias de Antipas, minha fiel testemunha, o qual foi morto entre vós, onde Satanás habita”.
a) Deus dá testemunho dos seus servos, mesmo depois de mortos (Jó 1.8; Mt 3.17; 11.11).
b) O nome Antipas significa “contra todos”. Ele era um apologista (Fp 1.16).
c) Não o confunda com Antipas, pai de Herodes, o Grande, nem com Herodes Antipas, que assassinou João Batista.
d) Segundo a tradição, Antipas foi colocado em um boi de bronze oco (semelhante àquele touro de Nova York), e esse foi levado ao fogo até ficar vermelho.
d) Quem combate a apostasia e a heresia é odiado e perseguido (Mt 5.10,11; At 9.15).
6. A igreja de Pérgamo tolerava obscuras seitas heréticas:
a) “Mas umas poucas coisas tenho contra ti” (v.14) — em Éfeso só tinha uma coisa; mas há pecados que pesam mais que outros. O problema de Pérgamo não era a apostasia aberta, e sim o ecumenismo.
b) “Tens lá os que seguem a doutrina de Balaão, o qual ensinava Balaque a lançar tropeços diante dos filhos de Israel para que comessem sacrifícios da idolatria e se prostituíssem”.
● Tal doutrina corrompia a graça de Deus; era uma teologia permissiva, tolerante e mercantilista (Jd vv.4,11; 2 Pe 2.15,16).
● Deus não se agrada de mistura (2 Co 6.14-18; Gn 6.2).
c) “Tens também os que seguem a doutrina dos nicolaítas, o que eu aborreço” (v.15).
● Vemos aqui um contraste com a igreja de Éfeso, à qual o Senhor falou: “aborreces as obras dos nicolaítas, as quais eu também aborreço” (Ap 2.6).
● Os nicolaítas eram cristãos, possivelmente discípulos de Nicolau, diácono que supostamente se desviou (At 6.5), os quais, apesar de convertidos, de alguma maneira praticavam as obras da carne. Eles supervalorizavam a graça, faziam o trabalho do Senhor relaxadamente, acreditando que não precisavam praticar boas obras (Tg 2.14-17; Ef 2.8-10; Hb 3.12,13).
● Eles ensinavam que o crente não precisa ser diferente do mundo (Ml 1.8; Rm 12.1,2; 1 Jo 2.15-17).
● Eles se consideravam donos da igreja — ainda hoje existem os que seguem a doutrina dos nicolaítas!
7. O aviso do Senhor a quem não se arrepende: “Arrepende-te, pois; quando não, em breve virei a ti e contra estes batalharei com a espada da minha boca”.
a) A espada é a Palavra de Deus (Ap 19.15,21).
b) Quem não se arrepende acaba tendo o próprio Deus como inimigo (Tg 4.4; Is 63.10).
8. Promessas aos vencedores de Pérgamo:
a) “Darei a comer do maná escondido” — é o banquete permanente no céu; Cristo partilhará sua própria natureza (Jo 6.35ss; Rm 8.18).
b) “Dar-lhe-ei uma pedra branca, e na pedra um novo nome escrito, o qual ninguém conhece senão aquele que o recebe” — no passado essa pedra branca era dada a:
● Um réu absolvido.
● Um escravo liberto.
● Um vencedor em corridas ou lutas.
● Um guerreiro que voltava vitorioso de uma batalha.
● A quem participaria de uma festa: entrada, ingresso, bilhete (1 Pe 1.18,19).
Ciro Sanches Zibordi
segunda-feira, 23 de abril de 2012
sexta-feira, 20 de abril de 2012
ESMIRNA, A IGREJA CONFESSANTE E MÁRTIR (subsídios para as Lições Bíblicas da CPAD)
“ESMIRNA, A IGREJA CONFESSANTE E MÁRTIR”
Pr. Ciro Sanches Zibordi
Leitura bíblica: Apocalipse 2.8-11
I. A igreja de Esmirna
1. Diferentemente da igreja de Éfeso, a igreja de Esmirna não é mencionada em nenhuma outra parte do Novo Testamento. Mas há indícios de que ela também tenha sido estabelecida por Paulo e seus companheiros.
a) Em Atos 19.10, está escrito que, num espaço de dois anos, “todos os que habitavam na [província da] Ásia ouviram a palavra do Senhor Jesus, tanto judeus como gregos”.
b) Nos tempos do Novo Testamento havia três Ásias: o continente; a região (Ásia Menor, atual Turquia); e a província.
c) Paulo apenas passou por Éfeso, capital da província da Ásia, em sua segunda viagem missionária (At 18.19-23).
d) Na sua terceira viagem, Paulo se estabeleceu na Ásia e a evangelizou (At 20.31), a ponto de o ourives Demétrio ter declarado: “bem vedes e ouvis que não só em Éfeso, mas até quase em toda a Ásia, este Paulo tem convencido e afastado uma grande multidão, dizendo que não são deuses os que se fazem com as mãos” (At 19.26).
2. A cidade de Esmirna, fundada por Alexandre Magno, era bonita, rica e rival de Éfeso. No ano 26 d.C. várias cidades da Ásia Menor competiram pelo privilégio de construir um templo ao imperador Tibério. Esmirna ganhou de Éfeso esse privilégio. Era uma cidade famosa por seu porto e pela mirra que produzia. Apesar de inferior a Éfeso e de não possuir os atrativos de Laodiceia, se ufanava de ser a mais importante da província. Hoje, chama-se Izmir e é a principal cidade da Turquia.
II. Análise da carta à igreja de Esmirna (Ap 2.8-11)
1. “E ao anjo da igreja que está em Esmirna escreve” (v.8).
a) Um dos pastores da igreja de Esmirna foi Policarpo (69-155), discípulo de João que se tornou um dos mais notáveis pais da igreja. Ele foi queimado sobre o monte Pagus, no ano 155 d.C., por não ter negado a fé em Cristo perante o carrasco romano. Seus algozes queriam que ele dissesse: Kaiser Kurios (“César é Senhor”), mas ele reafirmou que Jesus é Senhor (Iesous Kurios).
b) Por que a carta foi endereçada ao pastor da igreja?
● Deus prioriza o líder. Quem o despreza, despreza o Senhor (1 Sm 8.7).
● O pastor é o responsável perante o Senhor. Deus só não fala com o líder se ele estiver completamente desviado (1 Sm 3.11-14; 28.6).
2. “Isto diz o Primeiro e o Último, que foi morto e reviveu” (v.8) — o Senhor Jesus empregou criteriosamente os títulos com que designou a si mesmo, em harmonia com a situação reinante em cada igreja.
a) Éfeso — tinha muitas qualidades, mas faltou-lhe a principal: a manutenção do primeiro amor. Jesus se revelou a essa igreja como “aquele que tem na sua destra as sete estrelas, que anda no meio dos sete castiçais de ouro” (Ap 2.1).
b) Esmirna — uma igreja que foi provada e venceu; deveria ser fiel até a morte. Jesus se revelou a essa igreja como “o Primeiro e o Último, que foi morto e reviveu” (Ap 2.8).
c) Pérgamo — abraçara a doutrina de Balaão e dos nicolaítas; deveria se arrepender. Jesus se revelou a essa igreja como “aquele que tem a espada aguda de dois fios” (Ap 2.12).
d) Tiatira — suas últimas obras eram melhores que as primeiras, ao contrário de Éfeso. Jesus se revelou a essa igreja como “o Filho de Deus, que tem os olhos como chama de fogo e os pés semelhantes ao latão reluzente” (Ap 2.18).
e) Sardo — seu pastor estava morto; poucos, ali, agradavam a Jesus. Ele se revelou a essa igreja como “o que tem os sete Espíritos de Deus e as sete estrelas” (Ap 3.1).
f) Filadélfia — uma igreja fiel, a melhor de todas, que deveria guardar o que tinha, a fim de não perder a sua coroa. Jesus se revelou a essa igreja como “o que é santo, o que é verdadeiro, o que tem a chave de Davi, o que abre, e ninguém fecha, e fecha, e ninguém abre” (Ap 3.7).
g) Laodiceia — uma igreja infiel, cujo pastor, espiritualmente, era desgraçado, miserável, pobre, cego e nu. Jesus se revelou a essa igreja como “o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus” (Ap 3.14).
3. “Eu sei as tuas obras, e tribulação” (v.9):
a) Jesus sabe qual é a nossa motivação; por isso, no Tribunal de Cristo, seremos julgados segundo a qualidade das nossas obras (Ap 22.12; 2 Co 5.10; 1 Co 3.11-15).
b) A tribulação revela quem é fiel e quem é conveniente (Mt 13.21; 2 Co 1.3-6).
4. “Eu sei a tua pobreza (mas tu és rico)”:
a) Contrastes entre Esmirna e Laodiceia:
● Laodiceia era rica, financeiramente, mas pobre, espiritualmente (Ap 3.17,18). Esmirna era o inverso disso.
● Laodiceia é a cara do mundo. Esmirna é o rosto de Cristo, humilhado e ferido.
b) As razões da pobreza de Esmirna:
● Seu testemunho de Jesus (Mt 5.10-12).
● Crentes procediam, em geral, das classes pobres; muitos deles eram escravos.
● Crentes eram saqueados, e seus bens eram tomados pelos perseguidores (Hb 10.34).
● Crentes rejeitavam os métodos suspeitos, por sua fidelidade a Cristo. E, por isso, perdiam lucros fáceis, que iam para as mãos de pessoas inescrupulosas. Naquela grande cidade comercial, os cristãos podiam ter conseguido uma boa existência, mas aceitaram voluntariamente as desvantagens sociais (Hb 11.23-26).
c) Os que priorizam riquezas materiais tornam-se pobres, espiritualmente (Mt 6.19-21; 2 Co 6.10; Tg 2.5; Mt 19.24; Jo 12.25).
5. “Eu sei a blasfêmia dos que se dizem judeus e não o são, mas são a sinagoga de Satanás” (v.9).
a) Em quase todas as igrejas da Ásia havia os que diziam ser alguma coisa: Éfeso (Ap 2.2); Esmirna (v.9); Tiatira (v.20); Filadélfia (3.9); Laodiceia (v.17). Uma coisa é pensar, parecer e dizer que é isto ou aquilo; outra é ser, de fato (Gl 2.6; 6.3; Mt 7.21-23).
b) Os crentes de Esmirna eram blasfemados, isto é, sofriam acusações levianas dos falsos judeus, que estavam a serviço do Diabo.
c) Os cristãos daquele tempo eram blasfemados (1 Co 4.13) e chamados de:
● Canibais — por celebrarem a Ceia do Senhor (Jo 6.56; 1 Co 11.);
● Imorais — por celebrarem a festa do Agape (cf. 1 Co 11.17-21);
● Ateus — por não se dobrarem ante as imagens de escultura (At 19.26);
● Desleais ao imperador — por chamarem Jesus de único e suficiente Senhor e Salvador (Iesous Kurios). A adoração ao imperador era compulsória.
● Desagregadores da família — por levarem pessoas a mudarem de religião (cf. Mt 10.34-36).
6. Mensagem de encorajamento (v.10):
a) “Nada temas das coisas que hás de padecer” — o Senhor nos livra de todos os temores (Sl 34.4; 1 Jo 4.18; 2 Tm 1.7).
b) “Eis que o diabo lançará alguns de vós na prisão, para que sejais tentados [postos à prova]” — Deus prova; a tentação está contida na provação (Tg 1.12-14; Dt 13.1-4);
c) “e tereis uma tribulação de dez dias” — o Senhor não deixa exceder a medida; nossa tribulação é passageira e suportável (2 Co 4.17,18; 1 Co 10.13; 1 Pe 1.6,7).
d) “Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida”:
● As igrejas da Ásia que estavam agradando a Jesus foram estimuladas a conservarem a sua posição: Esmirna (2.10); Tiatira (v.25); Filadélfia (3.11). As outras deveriam se arrepender: Éfeso (2.5); Pérgamo (v.16); Sardo (3.3); Laodiceia (v.19).
● Jesus, nosso paradigma, foi obediente até a morte (Fp 2.5-11; Hb 5.8,9).
● A coroa será entregue aos vencedores logo após o Arrebatamento (2 Tm 4.7,8; 1 Pe 5.4; Tg 1.12; Ap 2.10).
7. “Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas” (v.11) — palavras transmitidas a todas as igrejas:
a) Mensagem de encorajamento: “Eu sei as tuas obras” ou “Eu conheço as tuas obras” (Ap 2.2,9,13,19; 3.1,8,15).
b) Advertência: “Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas” (Ap 2.7,11,17,29; 3.6,13,22).
c) Promessa: “Ao que vencer”, “O que vencer” ou “A quem vencer” (Ap 2.7,11,17,26; 3.5,12,21).
8. “O que vencer não receberá o dano da segunda morte” (v.11).
a) Morte, na Bíblia, sempre denota separação.
b) Há dois tipos de morte:
● Morte física — é a separação entre o “homem interior” e “homem exterior” (Tg 2.26; Gn 35.18; At 20.10; 1 Rs 17.22; Jó 27.8; Lc 8.55; At 7.59).
● Morte espiritual:
1) Morte para o pecado (regeneração) — é a separação do pecado, ilustrada pelo batismo em águas (Rm 6.11).
2) Morte em pecados — é a separação de Deus por causa do pecado (Is 59.1,2; Ef 2.1; Lc 15.24).
3) Segunda morte — é a separação eterna de Deus por causa da permanência no pecado (Ap 20.6,14; 21.8).
c) Por que segunda morte? Porque a morte física é a primeira. Nesse caso, quem nasce apenas uma vez, morrerá duas vezes; e quem nasce duas vezes morrerá apenas uma vez (Jo 3.1-7).
Ciro Sanches Zibordi
sexta-feira, 13 de abril de 2012
ÉFESO, A IGREJA DO AMOR ESQUECIDO (subsídios para as Lições Bíblicas da CPAD)
“ÉFESO, A IGREJA DO AMOR ESQUECIDO”
Pr. Ciro Sanches Zibordi
Leitura bíblica: Apocalipse 2.1-7
I. A igreja de Éfeso
1. A cidade de Éfeso era a capital da Ásia. Nos tempos bíblicos havia três Ásias:
a) O grande continente asiático — que vai do Japão, passando pela China e Índia, até a Turquia.
b) A região conhecida como Ásia Menor — que compreende a maior parte da Turquia moderna, do mar Egeu às montanhas da fronteira com a Armênia, a leste, e o mar Negro e as montanhas Taurus, no eixo norte-sul — era formada por províncias romanas, como Cilícia, Galácia, Capadócia, Panfília, Bitínia e a própria Ásia.
c) A província da Ásia, cuja capital era Éfeso. Na sua segunda viagem missionária, Paulo estava na Galácia (na Ásia Menor), quando quis ir à província da Ásia (At 16.6). Ele avançou para Mísia e Trôade, onde recebeu direção divina para ir à Macedônia (vv.7ss).
2. Na sua terceira viagem missionária, Paulo foi a Éfeso, na província da Ásia, cidade que contava com meio milhão de habitantes, à época, e era o centro do culto à deusa Diana (At 18-20). João, que teria morrido nessa cidade, supervisionava dali as igrejas da Ásia.
3. A primeira carta do Apocalipse foi dirigida à congregação que se reunia no porto de Éfeso (At 18.18; 19.41). Essa igreja, estabelecida por obreiros como Paulo e Apolo, contou com cristãos ilustres como Priscila e Áquila (At 18.27). Seus primeiros anos foram caracterizados por milagres e um grande crescimento (At 19.11-20).
II. Análise da carta à igreja de Éfeso (Ap 2.1-7)
1. A carta foi endereçada ao anjo da igreja (v.1); ou seja, ao seu pastor. Isso mostra que o líder é o responsável perante o Senhor, que estabeleceu uma hierarquia ministerial para a sua Igreja (1 Co 12.28; At 15.6,22; Ne 8.5).
2. Jesus tem na sua destra (mão direita) as sete estrelas (v.1).
a) Os pastores e os crentes, de modo geral, são comparados a estrelas (Ap 1.20; 1 Co 15.41).
b) Todos nós estamos nas mãos do Senhor Jesus (Jo 10.27,28).
3. Jesus anda no meio dos sete castiçais de ouro (v.1).
a) Os castiçais aludem às igrejas (Ap 1.20). O castiçal, como símbolo da Igreja, salienta o dever de todos os seus membros brilharem em conjunto. Isso fala de unidade.
b) Jesus anda no meio da Igreja (Mt 18.20; 2 Co 6.14-18).
4. Jesus conhece a sua Igreja (v.2).
a) “Eu sei as tuas obras” — é Jesus quem aprova a nossa obra (1 Co 3.11-15; 2 Co 10.18);
b) “o teu trabalho” — nosso trabalho não é vão no Senhor (1 Co 15.58);
c) “a tua paciência” — necessitamos de paciência para vencer (Hb 10.36);
d) “que não podes sofrer os maus” — muitos toleram os enganadores e falsos profetas, alegando que não podemos julgar (Mt 7.1 com Jo 7.24; 1 Co 6.1-6; Ap 2.20-22);
e) “puseste à prova os que dizem ser apóstolos e o não são e tu os achaste mentirosos” — não é de hoje que obreiros fraudulentos se passam por apóstolos (Mt 7.21-23). É preciso tapar a boca dos faladores (Tt 1.10-14).
5. Virtudes da igreja de Éfeso (vv.3,6).
a) “Sofreste” — vida cristã sem sofrimento não é vida cristã (Jo 16.33; At 14.22; Rm 5.1-5; 8.18; 1 Pe 2.20,21);
b) “tens paciência” (Sl 40.1-3; Hb 6.13-15);
c) “trabalhaste pelo meu nome” — muitos trabalham pelo seu próprio nome; quem trabalha pelo nome do Senhor é perseguido, mas também é bem-aventurado (Mt 5.11,12);
d) “não te cansaste” — os que esperam no Senhor têm as forças renovadas (Is 40.28-31; Js 14.7-13);
e) “aborreces as obras dos nicolaítas, as quais eu também aborreço” — os nicolaítas eram cristãos, possivelmente discípulos de Nicolau, diácono que supostamente se desviou (At 6.5), os quais, apesar de convertidos, de alguma maneira praticavam as obras da carne. Os nicolaítas supervalorizavam a graça, faziam o trabalho do Senhor relaxadamente, acreditando que não precisavam praticar boas obras (Tg 2.14-17; Ef 2.8-10; Hb 3.12,13).
6. O grande erro da igreja de Éfeso (v.4).
a) Jesus não ignora erros por causa de acertos; Ele não “põe panos quentes” (Hb 4.13; Jo 21.15-17).
b) O grande erro dos efésios não foi um pecado moral, e sim o abandono do primeiro amor.
c) O amor é a essência da vida cristã (Mt 24.12; 1 Co 13).
d) Paulo concluiu a carta aos efésios dizendo: “A graça seja com todos os que amam a nosso Senhor Jesus Cristo em sinceridade. Amém!” (Ef 6.24).
7. Jesus tem o remédio para a perda do primeiro amor (v.5).
a) “Lembra-te de onde caíste” — o filho pródigo também refletiu sobre sua vida e se lembrou da casa do pai (Lc 15.17);
b) “arrepende-te” — arrependimento verdadeiro envolve intelecto, sentimento e vontade; o arrependimento de Judas foi apenas emocional (Mt 27.3-5);
c) “pratica as primeiras obras” — muitos pensam em estratégias de crescimento inovadoras, mas o avivamento começa com a reconquista do que foi perdido (Lm 5.21; 2 Cr 29.25-30; Jr 6.16; Pv 24.21);
d) “quando não, brevemente a ti virei e tirarei do seu lugar o teu castiçal, se não te arrependeres” — se permanecermos na condição de desobedientes a Deus, isso resultará na perda da nossa posição em Cristo.
8. Promessa aos vencedores: “Ao que vencer dar-lhe-ei a comer da árvore da vida que está no meio do paraíso de Deus” (v.7). A nossa glorificação e o nosso galardão estão condicionados à perseverança em servir ao Senhor (Mt 24.13; 1 Co 15.1,2; Hb 3.14; Ap 2.10; 3.11; Rm 8.18).
Ciro Sanches Zibordi
quarta-feira, 11 de abril de 2012
Ecumenismo religioso: uma armadilha de Satanás
Assistiu ao vídeo acima? Agora, leia o artigo que escrevi para o jornal Mensageiro da Paz de março de 2012.
Ecumenismo religioso: uma armadilha do Diabo
Houve um tempo em que o ecumenismo religioso era considerado um grande perigo para as igrejas cristãs. Pastores verberavam contra ele. E qualquer comunhão ecumênica entre evangélicos, católicos romanos e espíritas era inimaginável. Mas os tempos mudaram. Hoje, o relacionamento entre padres galãs e celebridades gospel é tão bom que estas até fornecem suas composições àqueles. Certa cantora gospel, inclusive, fez uma canção dedicada a Maria. Juntos, romanistas e evangélicos participam de shows ecumênicos e programas de auditório. “O que nos une é muito maior do que o que nos divide”, argumentam.
O ecumenismo — gr. oikoumenikós, “aberto para o mundo inteiro” — prega a tolerância à diversidade religiosa e a oposição a quem defende uma verdade exclusiva. Trata-se de uma armadilha de Satanás, com o objetivo de calar os pregadores da Palavra de Deus. Ele se baseia no princípio “democrático” de que cada pessoa possui a sua verdade. Mas o Senhor asseverou que não existe unidade motivada pelo amor divorciada da verdade da Palavra: “Se me amardes, guardareis os meus mandamentos. [...] Se alguém me ama, guardará a minha palavra” (Jo 14.15-24).
Causa estranheza o fato de uma parte do evangelicalismo moderno considerar o ecumenismo religioso biblicamente aceitável. Já ouço pastores dizendo: “A doutrina bíblica divide. É o amor que nos une. A igreja deve ser inclusiva”. A despeito de o Senhor Jesus ter afirmado: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida” (Jo 14.6), está crescendo no meio evangélico a simpatia pelo movimento ecumênico. Nos Estados Unidos, pastores renomados deixaram de falar de Jesus com clareza. Pregam sobre Deus de maneira generalizante, a fim de não ofenderem romanistas, muçulmanos, budistas etc. E, no Brasil, alguns acontecimentos têm preocupado aqueles que ainda preservam a sã doutrina.
Recentemente, um conhecido pastor realizou — dentro de um templo evangélico! — um culto ecumênico juntamente com a liderança da Igreja da Unificação, do “reverendo” coreano Sun Myung Moon. “Qual é o problema de um pastor de renome ter amizade com o líder de uma seita? Afinal, todos devem se unir pela paz mundial”, alguém poderá dizer. Não devemos, de fato, odiar o “reverendo” Moon. Mas, como ter comunhão com alguém que, de modo blasfemo, desdenha do sangue derramado pelo Cordeiro de Deus, considerando-o insuficiente para nos purificar de todo o pecado? Moon também se considera um novo Messias que precisou vir ao mundo para concluir a obra que o Senhor não conseguiu realizar. Que blasfêmia! A Palavra de Deus não aprova esse tipo de aliança (2Co 6.14-18).
Outro exemplo de ecumenismo religioso é o envolvimento de pastores com o unicismo, uma seita que diz ter a “voz da verdade” e vem tendo livre acesso, através de suas celebridades, às igrejas evangélicas. O pentecostalismo da unicidade é herético, visto que se opõe à doutrina da Trindade, a base das principais doutrinas cristãs. Quem se opõe à tripessoalidade divina (confundindo-a com o triteísmo) nega não apenas a teologia, mas também a própria Bíblia (Gn 1.26 e Jo 14.23), o cristianismo (Mt 28.19 e 2Co 13.13), a deidade do Espírito Santo (Jo 14.16-17 e 16.7-10), a clara distinção entre o Pai e o Filho (Jo 5.19-47 e 14.1-16) e o plano da redenção da humanidade (Jo 3.16 e 17.4-5). Atentemos para a verdadeira voz da verdade, a do Bom Pastor: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz” (Jo 10.17).
Pastores e cantores, por falta de vigilância ou movidos por interesses pessoais, estão se prendendo a jugos desiguais com os infiéis, deixando-se enganar pelo ecumenismo religioso. A maior emissora de televisão do Brasil — que sempre estereotipou e ridicularizou os evangélicos — descobriu que nem todos os cristãos são “extremistas” e “fanáticos”. Há um grupo de celebridades gospel que não tem coragem de dizer clara e objetivamente que o Senhor Jesus é o único Mediador entre Deus e os homens (1Tm 2.5 e At 4.12).
Em um programa dominical, certa “pastora” resolveu tripudiar sobre os seus “inimigos”, rodopiando com baianas e cantando com sambistas no ritmo das religiões afro-brasileiras. Enquanto ela dançava, a apresentadora, seus convidados e a plateia riam sem parar, numa grande celebração. Que tipo de evangelho “agradável” e “inclusivo” é esse? Lembrei-me imediatamente do que o Senhor Jesus disse, em Mateus 5.11-12: “Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem, e mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas por minha causa”.
Há poucos dias, uma conhecida cantora gospel admitiu, de modo tácito, que o sincretismo religioso é aceitável. Ao concordar com a seguinte frase, dita por um famoso apresentador: “O Caldeirão é uma mistura de religiões”, ela respondeu: “Tem espaço pra todo mundo”. E o pior: depois, escreveu nas redes sociais que se sentiu como Paulo no Areópago... Ora, esse apóstolo não pregou a convivência ecumênica nem apresentou uma mensagem que os atenienses queriam ouvir. Ele disse o que todos precisavam ouvir. Ao chegar a Atenas, “o seu espírito se comovia em si mesmo, vendo a cidade tão entregue à idolatria” (At 17.16). Já a aludida celebridade, deslumbrada, estava sorridente e saltitante.
Tenho visto muitos incautos felizes pelo fato de celebridades gospel estarem aparecendo na televisão. Mas não nos iludamos, pois a porta não foi aberta para o Evangelho. O que existe, na verdade, é um projeto ecumênico em andamento, o qual visa a enfraquecer a pregação de que o Senhor Jesus é o único Salvador. Tais celebridades — certamente, orientadas a não falar claramente da salvação em Cristo — têm empregado bordões antropocêntricos, que massageiam o ego das pessoas. Elas não têm a coragem de confrontar o pecado. E apresentam um evangelho light, agradável, apaziguador, simpático, suave, aberto ao ecumenismo.
O que está escrito em 1Coríntios 16.9? “Porque uma porta grande e eficaz se me abriu, e há muitos adversários”. Quando Deus verdadeiramente abre-nos a porta da pregação do Evangelho, como a abriu para o apóstolo Paulo, os adversários — Satanás, os demônios e todos os seus emissários — se voltam contra nós. Mas a mídia está aplaudindo de pé esse “outro evangelho” aberto à convivência ecumênica. Preguemos, pois, como Paulo, nesse mundo, que é um grande caldeirão religioso: “Deus, não tendo em conta os tempos da ignorância, anuncia agora a todos os homens, em todo lugar, que se arrependam” (At 17.30).
Ciro Sanches Zibordi
quarta-feira, 4 de abril de 2012
Quem foi Kenneth Hagin?
Muitos irmãos, de várias partes do mundo, têm me pedido maiores informações sobre a teologia de Kenneth Hagin. Creio que este artigo ajudará os leitores a conhecerem melhor o pensamento do maior propagador do triunfalismo evangélico.
Quem foi Kenneth Hagin? Fiel discípulo de Essek William Kenyon (verdadeiro pai da confissão positiva), pregou inúmeros sermões sobre a fé e escreveu muitos livros e artigos, inspirando outros autores a publicarem obras sobre o poder da fé e a prosperidade do crente.
No seu último livro publicado, O Toque de Midas, Hagin condenou práticas que muitos propagadores da teologia da prosperidade dizem ter aprendido dele. Mas tomarei como base, neste artigo, as suas duas obras mais famosas, O Nome de Jesus e Zoe, a Própria Vida de Deus.
O NOME DE JESUS
Segundo Hagin, “Jesus se tornou como nós éramos: separado de Deus. Porque provou a morte espiritual por todos os homens. Seu espírito, seu homem interior, foi para o inferno em nosso lugar... A morte física não removeria os nossos pecados. Provou a morte por todo homem — a morte espiritual” (O Nome de Jesus, Graça Editorial, p.25).
Há um desvio sutil na citada afirmação de Hagin, quase imperceptível, pois Jesus não se tornou como nós éramos, exatamente. Ele não se fez pecador. Antes, fez-se pecado, semelhante aos homens (2 Co 5; Fp 2.6-8; Rm 8.3).
Kenneth Hagin também afirmou que o Senhor Jesus foi ao Hades para sofrer em nosso lugar, declaração que não resiste a uma exegese bíblica. Segundo a Palavra de Deus, o Senhor sofreu e triunfou na cruz, dando ali no Gólgota o brado da vitória (Jo 19.30; Cl 2.14,15). Ele foi ao Hades, sim, mas como vencedor (pois havia vencido na cruz), e não para sofrer em nosso lugar (1 Pe 3.19).
No mesmo livro mencionado, Hagin asseverou: “Jesus é a primeira pessoa que já nasceu de novo. Por que o seu espírito precisava nascer de novo? Porque ficou alienado de Deus. Lembra-se como ele exclamou na cruz: ‘Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?’” (idem, p.25).
Por mais lógica que aparente ser a declaração acima, é errônea. O Senhor Jesus não nasceu de novo. Sabemos que o novo nascimento é para os pecadores que se arrependem de seus pecados (Jo 3.1-5; Tt 3.5), e o Senhor nunca pecou, sequer por pensamentos — porque nunca deixou de ser Deus (Hb 4.15). Daí as Escrituras dizerem que Ele é o Cordeiro imaculado e incontaminado (1 Pe 1.18,19).
Prosseguindo em sua argumentação, Hagin declarou: “O pecado separa de Deus. A morte espiritual significa a separação de Deus. No momento em que Adão pecou, ficou separado de Deus... A morte espiritual significa mais do que a separação de Deus. A morte espiritual significa ter a natureza de Satanás” (idem, p.26).
Hagin ressaltou que Jesus não teria morrido apenas fisicamente, mas provado também a morte espiritual. E é nisso que fundamentou a sua teoria de que o Senhor foi torturado no Hades, onde, mediante uma confissão positiva, venceu Satanás e seus agentes.
De fato, o pecado separa o homem de Deus (Is 59.1,2), deixando-o à mercê do Inimigo (Hb 2.14). No entanto, Hagin, ao fazer a assertiva acima, a fez, como veremos, para fundamentar — inevitavelmente, de maneira blasfema — que o Senhor Jesus, ao morrer duas vezes (física e espiritualmente), teria assumido na cruz a natureza de Satanás!
Um leitor desatento poderá não perceber esse desvio, pois Hagin “fundamentou” na Bíblia cada passo de sua argumentação. Mas, ao final, afirmou: “Quando a pessoa nasce de novo, toma sobre si a natureza de Deus — que é vida e paz. A natureza do diabo é ódio e mentiras... Jesus provou a morte — a morte espiritual — por todos os homens... Jesus se fez pecado. Seu espírito foi separado de Deus, e ele desceu para o inferno em nosso lugar” (idem, p.27). Vemos que Hagin, com todas as letras, declara que Jesus assumiu a natureza do Diabo, que é ódio e mentiras.
Hagin diz, ainda, que “Lá embaixo na masmorra do sofrimento — lá nos fundos do próprio inferno — Jesus satisfez as reivindicações da Justiça para todos nós, individualmente, porque ele morreu como nosso substituto” (idem, p.28). Creio que foi a partir dessa falaciosa interpretação que pregadores e compositores receberam a “inspiração” para afirmarem que lá no Inferno Jesus abriu nossas cadeias e nos resgatou!
Segundo as Escrituras, Jesus não provou a morte espiritual. Em razão de ter levado os nossos pecados sobre o madeiro (1 Pe 2.24), sofreu sim a rejeição do Pai, mas os textos sagrados que já citamos são claros: Ele morreu como Cordeiro imaculado e incontaminado. E, ao morrer — repito —, não foi ao Hades para sofrer em nosso lugar, e sim para proclamar a sua gloriosa vitória (1 Pe 3.19).
O triunfalismo de Hagin fica evidente principalmente em sua obra, também editada no Brasil pela Graça Editorial, Zoe, a Própria Vida de Deus: “Na realidade, eis o que é a vida eterna: Deus comunicando toda a sua natureza, substância e ser aos nossos espíritos... Louvado seja Deus! Tenho a vida e a natureza de Deus. Tenho dez vezes mais sabedoria e entendimento do que o restante da classe” (pp.10,29).
É claro que a Palavra de Deus não afirma que o Senhor comunica toda a sua natureza a nós! Se isso fosse verdade, seríamos onipresentes, oniscientes, onipotentes, onicompetentes... Participamos, sim, da natureza de Deus quanto a seus atributos comunicáveis: amor, bondade, fidelidade, etc. Hagin apegava-se ao texto de 2 Pedro 1.4, porém os versículos 5 a 9 deixam claro que somos participantes da natureza de Deus quanto a seus atributos comunicáveis, relacionados com o seu caráter amoroso, santo e justo.
Entretanto, Hagin não parou por aí. “Deus nos fez tão semelhantes a si mesmo quanto lhe foi possível. Fez-nos para pertencer à sua própria categoria... O Senhor fez o homem como o seu substituto aqui na terra. Ele constituiu-o como rei para governar tudo o que tinha vida. Vivia em termos de igualdade como Criador” (idem, pp.50,51).
Ora, o homem nunca viveu em termos de igualdade com o Criador! Hagin parece tentar convencer os seus leitores de que o crente é um pequeno deus andando na Terra. E, infelizmente, essa teologia falsificada é altamente contagiante — ou contagiosa? —, levando pregadores e compositores da atualidade a declararem, determinarem, decretarem...
No mesmo livro citado, Hagin declarou: “O Senhor é um Deus de fé. Tudo o que tinha a fazer, fê-lo pela Sua Palavra” (idem, p.51)., com a intenção clara de convencer aos seus leitores de que, se Deus, por meio da fé, criou o mundo, todos os crentes podem também fazerem qualquer coisa. Afinal, há poder em suas declarações de fé.
Se Deus precisou de fé para criar todas as coisas, ela é direcionada a quem? Ele não é o Todo-Poderoso? Hagin torce o texto de Hebreus 11.3 para afirmar que Deus tem fé, ignorando que a Palavra de Deus diz: “Pela fé, entendemos que os mundos pela Palavra de Deus foram criados...” Observe que a fé é nossa, para crer, enquanto o Senhor criou o Universo pela sua Palavra, como vemos em Gênesis 1.
Um dos desvios mais graves de Hagin, ao defender o triunfalismo, é a deificação do ser humano e a conseqüente diminuição do Senhor Jesus. “Nem o próprio Senhor Jesus tem uma posição melhor diante de Deus do que você e eu temos. Talvez alguém suponha que eu esteja usurpando algo de Cristo. Não! Ele continua a desfrutar da mesma glória junto ao Pai. Estou apenas falando dos direitos que nós temos” (idem, p.79).
Que direitos temos nós? Se não fosse a graça de Deus, nada teríamos (Rm 6.23; Ef 2.8-10). A declaração — antropocêntrica e infeliz — de que nem Jesus tem uma posição melhor do que nós vemos por que Hagin contraria as Escrituras. Elas asseveram que o Senhor Jesus é o Alfa e o Ômega, o Todo-poderoso (Ap 1.8). Está acima de todos e tem a preeminência (Jo 1.1-5). Ele é o prõtotokos (Cl 1.15-20).
Observa-se que o objetivo maior da teologia de Hagin sempre foi mostrar que, por meio de nossas declarações de fé, podemos abrir e fechar portas. Foi a partir dessa teologia que pastores, cantores e crentes em geral, abandonando a evangelização e a intercessão, passaram a declarar (“decretar”, “profetizar”, “determinar”) que tal cidade é do Senhor Jesus; que bares e casas de shows serão fechados; que cinemas e teatros só apresentarão filmes e peças evangélicos, etc.
Hagin e seus discípulos difundiram a ideia de que há poder profético em cada declaração de fé, o que não resiste a uma exegese. Aliás, fiz até um gracejo nas redes sociais: Apple lançará tablet para adeptos da confissão positiva: o equipamento se chamará iDetermine, iExige ou iDecrete, pois o nome iPad não agrada o aludido segmento.
Além dos desvios teológicos mencionados, Hagin também exagerou no campo das manifestações exóticas, à semelhança do que aconteceu na Igreja Aeroporto de Toronto (Canadá), não atentando para o que a Palavra de Deus diz em 1 Coríntios 14. Vídeos disponíveis na Internet mostram um Hagin nada equilibrado. Ele dá gargalhadas sem parar, cai sobre pessoas, derrubando-as, põe a língua para fora, como se fosse um lagarto, uiva, etc., num “culto” em que predominou a histeria coletiva.
É por todos esses motivos que não recomendo Kenneth Hagin e sua teologia. É claro que o livre exame é bíblico (1 Ts 5.21), porém o crente que é espiritual discerne bem tudo (1 Co 2.15). Provemos, pois, se os espíritos são de Deus (1 Jo 4.1) e abandonemos o erro, atentando para o que o Senhor Jesus ensinou em Mateus 7.13-27.
Na defesa do Evangelho (Fp 1.16),
Ciro Sanches Zibordi
segunda-feira, 2 de abril de 2012
Subsídios para as Lições Bíblicas da CPAD sobre as igrejas do Apocalipse
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Ciro Sanches Zibordi
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