quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

“Cair no Espírito” tem respaldo bíblico?


Muitos propagadores do “cair no Espírito” afirmam que, no dia de Pentecostes, o “mover de Deus” foi tão grande e espantoso que uma parte da multidão reunida em Jerusalém pensou que os cristãos estavam embriagados (At 2.13,16). Mas o contexto mostra que a zombaria dos incrédulos se deu em razão de os servos do Senhor terem falado nas línguas das pessoas de diferentes nacionalidades que ali estavam (vv.5-11). O culto a Deus deve ser controlado pelo Espírito Santo, que age em perfeita harmonia com a Palavra, para que tudo ocorra com decência e ordem (1 Co 14.20-40).

Na hierarquização feita pelo Senhor quanto a dons ministeriais, Ele priorizou os ministérios ligados à pregação e ao ensino (1 Co 12.28). Nas igrejas em que ocorre o “mover” em apreço, a exposição da Palavra torna-se secundária ou até “desnecessária”. Alguns defensores de manifestações não previstas em Marcos 16.15-18 citam 1 Coríntios 1.25 e afirmam: “Você acha esse mover estranho? Isso é a unção da loucura de Deus”. Entretanto, este termo não se refere à loucura proveniente de Deus. Trata-se de uma alusão eufêmica à superioridade da sabedoria do Senhor em relação à dos homens.


Daniel 10.8-9 e Apocalipse 1.17, em razão de mencionarem as quedas de Daniel e João, são passagens usadas em prol do “cair no Espírito”. O primeiro, sem forças para permanecer em pé, após ter jejuado por três semanas, caiu sobre o seu rosto, sendo imediatamente amparado por um enviado de Deus, que ordenou: “levanta-te sobre os teus pés” (v.11). O caso de João é semelhante (Ap 1.10-18). Nota-se que nenhum dos dois foi derrubado por sopros ou golpes de capas, tampouco perdeu a consciência. Ambos caíram prostrados sobre os seus rostos, diante da glória do Senhor.


Outra passagem muito citada na tentativa de avalizar o “cair no Espírito” é João 14.12: “aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço e as fará maiores do que estas”. Aqui, o termo “obras” (gr. ergon) significa: “trabalho”, “ação”, “ato”. Exegeticamente, “obras maiores” são as mesmas realizadas por Jesus, mas em maior quantidade e alcance, e não em qualidade. O Senhor não aludiu a novos “moveres”, mas à pregação do Evangelho e à expansão do seu Reino na terra.


Finalmente, o texto mais citado pelos pregadores que ministram o “cair no Espírito” é 1 Reis 8.10-11. Mas esta passagem nada fala sobre essa manifestação. Ela relata que a nuvem da glória do SENHOR encheu a sua Casa e impediu os sacerdotes de ministrar: “não podiam ter-se em pé os sacerdotes para ministrar, por causa da nuvem”. Eles se retiraram do local, pois “não puderam permanecer ali” (ARA). Em Atos dos Apóstolos não há referência que abone o “mover” em questão. À luz do Novo Testamento, são os demônios que lançam pessoas ao chão (Mc 9.17-27; Lc 4.35). Jesus jamais derrubou alguém mediante sopros, golpes de capa ou imposição de mãos. Em seu ministério terreno, Ele ensinava, pregava e curava os enfermos (Mt 4.23; At 10.38).


Ciro Sanches Zibordi

Artigo publicado no jornal Mensageiro da Paz de fevereiro de 2012

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Dízimo é uma obrigação, um ato de amor ou ambas as coisas?


Antes de qualquer consideração sobre a contribuição financeira para a obra de Deus, é importante ter em mente que quaisquer ofertas, dízimos ou outro tipo de contribuição devem ter como motivação o amor, e não a barganha. Muitos, geralmente com más intenções, têm coagido o povo de Deus a dar o que têm e o que não têm, mediante chantagem emocional.

Ofertar livremente ou contribuir com o dízimo (10% dos rendimentos) são práticas cristãs históricas, ligadas a mandamentos e a princípios contidos nos dois Testamentos (Ml 3.8-10; Mt 23.23; 2 Co 9.6-15). Mas elas são também voluntárias, e não compulsórias. Deus, como Supremo Arquiteto, criou o Tabernáculo, mas a obra-prima para as suas formação e feitura estava com o povo. Moisés não precisou propor desafios de semeadura, pois “veio todo homem, a quem o seu coração moveu, e todo aquele cujo espírito voluntariamente o impeliu, e trouxeram a oferta alçada ao SENHOR” (Êx 35.21).


Tudo o que temos, nesta vida, pertence ao Senhor (1 Co 4.7; Tg 1.17; Sl 24.1; Êx 13.2), inclusive o dinheiro (Ag 2.8,9). A Ele pertence não apenas 10% do que possuímos, e sim tudo (100%). Nesse caso, o Senhor permite que nós administremos o que nos tem dado, como bons despenseiros ou mordomos (1 Co 4.1; 6.19,20). E devemos destinar uma parte de nossa renda à sua obra. Uns dão mais, outros menos, conforme cada um se move, voluntariamente, “segundo propôs no seu coração” (2 Co 9.7).


Conquanto não devamos contribuir por obrigação, e sim espontaneamente (Êx 25.2; Ml 3.8-10), isso não quer dizer que tenhamos o direito de não contribuir com dízimos e ofertas para a obra do Senhor. A motivação da evangelização, por exemplo, deve ser o amor (Rm 10.1; Jd v.23). Ao mesmo tempo, ela é uma obrigação dos cristãos (1 Co 9.16; Ez 33.8). Quanto ao dízimo — que não é uma prática restrita ao Antigo Testamento, como muitos pensam —, deve ser entregue, a priori, por amor, em retribuição a tudo que temos recebido do Senhor. Mas temos, também, a obrigação, o dever, de contribuir para a obra do Senhor.


Alguns oponentes do dízimo alegam que ele se refere exclusivamente a Israel, haja vista o sustento aos levitas, que serviam no Templo. Segundo os tais, com a inauguração da Nova Aliança, depois do brado na cruz (Jo 19.30), o dízimo teria sido anulado juntamente com a lei mosaica (Hb 9.16,17). Ora, assim como no Templo, na Antiga Aliança, os levitas precisavam do dízimo e das ofertas alçadas para manterem o lugar de culto ao Senhor, os templos de hoje (e a obra de Deus, de maneira geral), a exemplo daquele, precisam de recursos para a sua manutenção.


De acordo com as Lições Bíblicas (CPAD) do próximo domingo, “Os que supõem estar a prática do dízimo restrita ao Antigo Testamento precisam entender que a natureza e os fundamentos do culto não mudaram. [...] O dízimo levítico pertencia à ordem de Arão, que era transitória. Todavia, o dízimo cristão pertence à ordem de Melquisedeque [...] Paulo faz referência ao dízimo levítico para extrair dele o princípio de que o obreiro é digno do seu salário (1 Co 9.9-14. Lv 6.16,26; Dt 18.1). Se o apóstolo não reconhecesse a legitimidade da prática do dízimo, jamais teria usado esses textos do Antigo Testamento”.


O Senhor Jesus inaugurou o tempo da graça (Jo 1.17), mas isso não significa que Ele “jogou fora” ou aboliu tudo o que foi dado a Moisés, nos tempos veterotestamentários. A obra vicária do Senhor foi eficaz no que tange a não mais dependermos da lei mosaica quanto à salvação da nossa alma, a qual se dá mediante a graça de Deus, pela fé (Ef 2.8-10; Tt 2.11). Entretanto, boa parte dos mandamentos dados a Moisés são atemporais e aplicam-se à Igreja do Senhor (cf. Mt 5-7).


Muitos defendem a total anulação do dízimo no tempo da graça, alegando que estamos libertos da lei mosaica. Mas quais são as implicações de sua observância quanto à salvação pela graça de Deus? É pecaminoso contribuir com 10% dos rendimentos para a obra do Senhor? O ato de entregar o dízimo na igreja local implica crer que a salvação é pelas obras, e não pela graça? É óbvio que não!


Outros alegam que o Novo Testamente fala muito pouco — quase nada — acerca do dízimo. De fato, não há muita ênfase direta ao dízimo nas páginas neotestamentárias. Por outro lado, não existe uma passagem sequer desaprovando essa forma de contribuição. Mas observe que o Senhor Jesus referiu-se ao dízimo como sendo um dever, ao dizer aos fariseus: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois que dais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho e desprezais o mais importante da lei, o juízo, a misericórdia e a fé; deveis, porém, fazer essas coisas e não omitir aquelas” (Mt 23.23).


O que está registrado em Mateus 23.23 já seria suficiente para nos fazer crer que a prática do dízimo é neotestamentária, apesar de os seus destinatários terem sido os fariseus. A passagem de Mateus 23.13-33 também apresenta princípios e mandamentos universais, aplicáveis à igreja hodierna. Por exemplo, no versículo 28 está escrito: “exteriormente pareceis justos aos homens, mas interiormente estais cheios de hipocrisia e iniquidade”. Não temos aqui o ensinamento de que não devemos ser hipócritas? Essa verdade aplica-se a todos.


Indubitavelmente, ao lermos Mateus 23.23, estamos diante de uma grande verdade para os dias atuais. Qual? A verdade de que devemos, ao contrário dos fariseus, ser justos, misericordiosos, bem como ter fé e contribuir para a obra de Deus, em retribuição a tudo que dEle temos recebido. Nesse caso, o dízimo, que é uma instituição para manutenção da obra de Deus, pode sim ser baseado na passagem em apreço e em outras correlatas (Hb 7.1-10 com Rm 4.11,12,16; Gl 3.9; Jo 8.39), inclusive as que não contenham, propriamente, a palavra “dízimo” (cf. At 4.32; 2 Co 8.1-9; 9.6ss; Fp 4.10-19).


Muitos argumentam que Jesus falou do dízimo antes da inauguração da Igreja e que os apóstolos nada falaram acerca dessa prática. Ora, há muitos mandamentos da parte de nosso Senhor que foram transmitidos antes de a Igreja ter sido inaugurada no dia de Pentecostes. Ou abriremos mão das grandes verdades contidas em passagens como Mateus 5 a 9 e João 14 a 17, em razão de o Senhor as ter apresentado antes de sua obra expiatória? Se não podemos receber como verdade neotestamentária o que o Senhor disse antes de a Igreja ter sido inaugurada (At 2), isto é, antes de sua morte e ressurreição, em quê a igreja de Atos dos Apóstolos baseava os seus ensinamentos?


O fato de um crente ser dizimista, em gratidão a Deus e pensando no bem da sua obra, não deve, de modo algum, ser confundido com a prática da barganha. Contribuir para a obra do Senhor não é buscar riquezas nem deixar de se acomodar às coisas humildes. Mas o Senhor, sem dúvida, abençoa a quem contribui generosamente para a sua obra (2 Co 9.6-15; Ml 3.8-10). E isso não deve ser confundido com a barganha da teologia da prosperidade, condenada pelas Escrituras (2 Pe 2.3; 2 Co 2.17).


No Novo Testamento, vemos que o princípio veterotestamentário de que o trabalhador é digno de seu alimento (ou salário) é aplicado aos servos do Senhor (Mt 10.10; Lc 10.7; 1 Co 9.7-14; 1 Tm 5.17,18). Por quê? Porque a graça não anula todos os princípios e mandamentos divinos contidos na lei mosaica. E o dízimo pode, perfeitamente, ser visto como uma prática atemporal, que visa à manutenção da obra de Deus pelos seus servos. Uma análise do assunto, sem preconceito, não deixa dúvidas quanto à atemporalidade do dízimo, que antecede o período da lei mosaica (Gn 14.20) e é mencionado no Novo Testamento, direta e indiretamente (Mt 23.23; Lc 11.42; Hb 7.4-10).


Graças a Deus, nem todos os crentes foram influenciados pela perigosa conduta de demonizar o dízimo, atrelando-o à tentativa de salvar-se pelas obras da lei. Caso contrário, algumas igrejas já teriam fechado as portas, haja vista ser tal prática necessária para a manutenção da obra do Senhor na terra, assim como o era nos tempos do Antigo Testamento (Ml 3.10).


Em Cristo,


Ciro Sanches Zibordi

O crente animado e o desanimado

Uma palavra sobre astros gospel mirins


Estou preocupado com a exploração mercantilista dos chamados pregadores e cantores mirins, crianças entre 8 e 12 anos, em geral. No caso dos pregadores mirins, muitos estão imitando famosos animadores de auditório. E, pasmem, já existe até bebê avivalista! Quanto aos cantores mirins, a exploração, que começou em programas de auditório — a qual envolve até dança erótica (!), em alguns casos —, agora ocorre também no meio evangélico.

Muita gente está maravilhada com os animadores de plateia mirins, por serem eles miniaturas dos pregadores malabaristas. Mas é preciso ver o outro lado da moeda: o perigo da adultização precoce. Essas crianças estão cheias de trejeitos que não pertencem à fase infantil: berram ao microfone, como se fossem pôr as entranhas pela boca, correm de um lado para o outro, fazem gracejos (que muitas delas sequer entendem, claramente), dão golpes no ar, empregam bordões e até aparentam ser soberbas.


Em algum lugar na Internet, um menino mal-orientado por seus pais apresenta o seu currículo de maneira imodesta e, tacitamente, oferece os seus serviços: “Pregador mirim fulano de tal, pregador da palavra de 11 anos, usadíssimo por Deus! Deus tem me usado para avivamento espiritual, exortação, cura, libertação de almas e muito mais! Telefone para contato: (99) 9999-9999”.


Se os referenciais dos pregadores mirins são os animadores de auditório, os dos cantores mirins são as celebridades gospel. Basta ler os seus comentários nas redes sociais. Não se vê neles um comportamento de criança. Eles discorrem com naturalidade sobre temas do mundo adulto...


É muito bom que os infantes louvem ao Senhor Jesus e preguem a Palavra de Deus. Mas é perigoso privá-los de viver essa linda fase da vida (a infância), nem que seja para ganhar muito dinheiro! E, nesse caso, a comparação com o astro Michael Jackson e Macaulay Culkin é inevitável.


Todos sabem que uma criança normal precisa brincar, aproveitar bem a sua infância, em vez de ser submetida a uma insana e agressiva adultização precoce. Isso ocorre no mundo (atores, apresentadores e jogadores de futebol mirins, etc.), mas não é modelo para nós, que conhecemos a Palavra do Senhor. Deus criou todas as fases da vida, para que elas sejam vividas. O próprio apóstolo Paulo afirmou: “Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino” (1 Co 13.11).


Quanto à chamada para ser um pregador ou cantor, é um ato soberano de Deus (1 Tm 2.7; Mc 3.13). Se Ele quiser usar os pequeninos como pregadores do Evangelho e cantores, nada o impedirá, mas o Senhor fará isso no tempo certo. Não existe a necessidade de que sejam “fabricados” animadores de auditório e astros gospel mirins. E penso que isso ocorre, preponderantemente, por mercantilismo, que a Bíblia também condena (2 Co 2.17, ARA; 2 Pe 2.1-3).


O Senhor usa a quem quer e como quer, inclusive meninos, adolescentes e jovens, haja vista Samuel, Davi, Josias, o menino Jesus, Timóteo, etc. Mas não podemos aceitar com naturalidade a exploração infantil, o mercantilismo, o mecanicismo e o artificialismo. Além disso, não devemos tolerar, nos infantes, a soberba, o comportamento de celebridade e a imitação de um modelo que não está de acordo com a Palavra de Deus, ainda que usemos como justificativa o fato de as crianças serem ingênuas e, até certo ponto, inocentes.


Que Deus levante cantores e pregadores mirins que cantem louvores a Deus e falem com singeleza a respeito do Evangelho. Que os líderes e pais orientem os meninos cantores e pregadores a permanecerem humildes. Que os pais resistam às influências do mundo (Rm 12.1,2), que a cada dia fazem o período infantil ficar mais curto, tirando dos infantes a inocência e a singeleza (cf. Mt 18.1-4). Precisamos ter a consciência de que faz parte da boa formação de nossos filhos contribuir para que eles vivam intensamente cada fase da vida, a começar pela infância.


Finalmente, que os infantes sejam ensinados a imitar o Menino mais sábio que o mundo já conheceu: Jesus. Ele, aos 12 anos, já estava no meio dos doutores — interrogando-os e sendo interrogado por eles. Mas só iniciou o seu ministério, de fato, quando atingiu a maturidade.


Ciro Sanches Zibordi

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

A diferença entre a graça e a misericórdia

Não basta dizer, parecer e pensar que é um servo do Senhor


Na terça-feira passada, na Assembleia de Deus do Ministério de Cordovil-RJ (ADMC), ministrei uma palavra a respeito dos quatro tipos de crente (ou servo do Senhor) mencionados na Bíblia. Atendendo a alguns amigos do Facebook e seguidores do Twitter, que me pediram o esboço da mensagem, publico aqui o roteiro que utilizei. Peço ao internauta que leia, antes de prosseguir, Mateus 7.21,22; 23.25-28 e Apocalipse 3.1,8.

Introdução

1. Por que quatro tipos, e não três ou cinco? Porque o número 4, na numerologia bíblica, fala de totalidade. Quatro são os pontos cardeais, por exemplo (Norte, Sul, Leste, Oeste).
2. Quando Sodoma e Gomorra foram destruídas, quatro tipos de pessoas estavam envolvidas naquele episódio: (a) os ímpios; (b) a mulher de Ló (uma simples acompanhante de crente); (c) Ló (um crente nota 5); e (d) Abraão (um exemplo de crente).
3. Ao chamar Gideão para pelejar contra os midianitas, Deus dividiu os 32 mil israelitas que se apresentaram em quatro grupos: (a) os covardes; (b) os medrosos (esses dois grupos eram formados por 22 mil homens); (c) os que não eram vigilantes (9.700 homens); e (d) os 301 homens valentes, corajosos e vigilantes (contando Gideão).
4. Na parábola do semeador, um único tipo de semente (que representa a Palavra de Deus) foi semeado em quatro tipos de terreno (pessoas que ouvem a Palavra de Deus e suas reações). Uma parte da semente caiu em boa terra. As outras caíram: (a) à beira do caminho; (b) em pedregais; (c) entre os espinhos.
5. Quando o Senhor Jesus foi crucificado, havia quatro tipos de pessoas envolvidas: (a) os zombadores; (b) Pilatos (que representa os irônicos); (c) os soldados que dividiram a veste do Salvador (materialistas); e (d) Maria e João (representantes dos sinceros).
6. Paulo pregou no Areópago e, da mesma forma, quatro grupos se distinguiram: (a) os contenciosos; (b) os escarnecedores; (c) os irônicos; e (d) os que creram.
7. Como se vê, sempre uma dentre quatro partes é formada por aqueles que agradam a Deus. Daí, quatro tipos de crente: (a) o que diz que é; (b) o que parece que é; (c) o que pensa que é; e (d) o que é, de fato.

I. O crente que diz que é (Mt 7.22,23)

1. Não basta dizer que é um servo do Senhor: Tg 2.12; 1 Jo 2.6; 1 Tm 4.12.
2. Há uma grande diferença entre ser um crente fiel e dizer que é um: 1 Co 5.11; Ap 2.9,20; 3.9,17,18; Rm 1.22; 2.28,29.
3. Existe uma grande diferença entre dizer e fazer: Mt 7.21,22; Jo 13.17; At 1.1.

II. O crente que parece que é (Mt 23.25-28)

1. Deus não aceita a aparência: Gl 2.6; Cl 2.20-23; 2 Tm 3.1-5; Is 29.13; At 19.11-17.
2. Deus conhece o coração: 1 Sm 16.1ss; Jr 17.9,10; Sl 57.7; 1 Ts 5.23.

III. O crente que pensa que é (Ap 3.1)

1. Muitos se firmam em títulos, mas não é o título que faz a pessoa; é a pessoa que faz o título: Gl 6.3.
2. Outros, como Sansão, estão vivendo do passado, quando Deus ainda estava com eles.
3. O pastor da igreja de Sardo já tinha morrido, espiritualmente, mas pensava que estava vivo: Ap 3.1.
4. O morto espiritualmente tem as mesmas características de um morto fisicamente:
a) Não vê: Ap 3.17,18.
b) Não ouve: Ap 3.6; Hb 3.15.
c) Não fala: Jr 33.3 (verticalmente); Mc 16.15 (horizontalmente).
d) Não sente cheiro — isto é, falta-lhe discernimento: 1 Co 2.15.
e) Não move os braços — não trabalha para Deus.
f) Não anda — e não pisa as forças do mal: Lc 10.19.
g) Não sente nada — insensível.
h) É frio, duro. Mas a Palavra de Deus é como fogo e como martelo que esmiúça a penha!

IV. O crente que é, de fato (Ap 3.8)

1. Deus dá testemunho do verdadeiro crente: Jo 1.7,8; Mt 3.13-17.
2. Não é aprovado quem a si mesmo se louva, e sim quem o Senhor louva: 2 Co 10.17,18.
3. O crente fiel guarda a Palavra de Deus e faz a vontade do Senhor: Ap 3.8-11; Mt 7.22.
4. Deus conhece o crente verdadeiro e põe diante dele uma porta aberta: Ap 3.10.

Conclusão

Portanto, não basta dizer, parecer e pensar que é um servo do Senhor. É preciso ser um crente de verdade, fiel, amante da Palavra, que faz a vontade de Deus. Estamos dispostos a isso?

Ciro Sanches Zibordi

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Você tem certeza de que Deus está no controle da sua vida?


Em 1 Coríntios 16.7-9 está escrito: “não vos quero agora ver de passagem, mas espero ficar convosco algum tempo, se o Senhor o permitir. Ficarei, porém, em Éfeso até ao Pentecostes; porque uma porta grande e eficaz se me abriu; e há muitos adversários”.

Há poucos dias, quando divulguei neste blog que fora apresentado em minha igreja local — a Assembleia de Deus do Ministério de Cordovil-RJ (ADMC) — como co-pastor, alguns internautas perguntaram: “O irmão não disse que recebeu um ministério que envolve itinerância? Como vai agora exercer o pastorado?”

De fato, o Senhor me chamou especificamente para pregar e ensinar a sua Palavra. Mas uma chamada não anula outra chamada. Paulo, por exemplo, tinha um ministério tripartido; ou, se alguém preferir, ele foi chamado para ser apóstolo, pregador e doutor dos gentios (1 Tm 2.7). O Senhor é soberano. E, por isso, entreguei a minha vida inteiramente em suas mãos e lhe pedi que “faça a minha agenda”.

Nessa nova
 fase (até quando?), não vou pregar em outros países ou estados  a não ser em algumas congregações da ADMC em Minas Gerais ou em casos excepcionais. A pedido do pastor-presidente, preparei um roteiro de visitas às congregações do campo, muitas delas situadas em locais de risco, onde há conflito entre facções de traficantes.

Sinto-me imensamente feliz com essa nova incumbência que recebi do Senhor, pois tenho a certeza de que estou no lugar onde Ele quer que eu esteja. 
Quando aceitei esse novo desafio ministerial, tive de cancelar minha agenda de pregações e estudos bíblicos para outros estados e países. Meu campo agora é o Rio de Janeiro, mais precisamente Cordovil e os bairros que o cercam. Só mantive agendada a minha participação no XIV Encontro para Consciência Cristã, promovido pela VINACC (Visão Nacional para Consciência Cristã), o qual foi realizado, durante o carnaval, em Campina Grande, na Paraíba.

Pensei comigo: “Não posso deixar de ir à Paraíba. Aquele evento é muito importante. Tenho muito a aprender com Norman Geisler, Russel Shedd, Augustus Nicodemus e tantos outros. Além disso, milhares de cartazes com a minha foto foram distribuídos. Os irmãos não vão entender a minha ausência”. 
Entretanto, na semana passada, enquanto eu orava a respeito do evento da VINACC e, ao mesmo tempo, estava preocupado com a minha nova incumbência e algumas dificuldades que a nossa igreja local tem enfrentado, Deus falou ao meu coração claramente.

Sempre viajei nessa época de carnaval, para ministrar em escolas bíblicas e eventos afins. Mas, desta vez, o Senhor me mostrou que deveria permanecer no Rio de Janeiro e servir à ADMC. Minha esposa, que viajaria comigo, e outras pessoas se espantaram com a minha decisão, mas entenderam que ela decorreu de uma intervenção divina. Agradeço ao querido pastor Euder Faber, presidente da VINACC, que prontamente aceitou a minha decisão (que não foi minha, na verdade).


Estive no domingo passado, pela manhã, na Escola Bíblica Dominical, em minha igreja, e ensinei a Palavra de Deus a uma classe formada por dez pessoas, aproximadamente. À noite, participei do culto e ouvi atentamente a exposição das Escrituras (enquanto isso, em Campina Grande-PB, meu amigo, o pastor Renato Vargens, me substituía, falando a centenas de pessoas a respeito da realidade da igreja brasileira).

Meu coração está cheio de contentamento! Ontem, ministrei a Palavra no culto de doutrina da ADMC pela quarta semana seguida. Discorri sobre quatro tipos de crente: (a) o que diz que é; (b) o que parece que é; (c) o que pensa que é; e (d) o que é, de fato. Na quinta-feira, teremos um grande culto evangelístico. Na sexta-feira, vou a uma congregação. E assim por diante.

Sabe o que quero dizer com tudo isso? Que o Senhor está no controle da nossa vida. É Ele quem determina se devemos pregar para milhares, centenas, dezenas ou uma pessoa só. 
Ah, como são maravilhosas as lições contidas em Atos dos Apóstolos a respeito da direção de Deus!

Lembra-se do diácono-evangelista Filipe? Ele estava em Samaria pregando o Evangelho para multidões, “que ouviam e viam os sinais que ele fazia” (At 8.6). Espíritos imundos saíam das pessoas, e muitos paralíticos e coxos eram curados. Havia grande alegria naquela cidade (vv.7,8). Pela lógica, Filipe deveria continuar fazendo a obra do Senhor ali. Entretanto, Deus enviou um anjo, que disse: “Levanta-te e vai para a banda do sul, ao caminho que desce de Jerusalém para Gaza, que está deserta” (v.26).


Filipe podia ter argumentado: “Senhor, aqui está muito bom. Multidões ouvem a tua Palavra”. Mas ele obedeceu a Deus e foi para uma estrada deserta. Ali, recebeu a ordem para se aproximar de uma carruagem em que havia um “homem etíope, eunuco, mordomo-mor de Candace, rainha dos etíopes, o qual era superintendente de todos os seus tesouros” (At 8.27). Isso mesmo: o soberano Deus enviou um pregador de multidões a um lugar deserto para falar de Cristo a uma única pessoa!


Outro episódio interessante no livro de Atos dos Apóstolos a respeito da direção de Deus está no capítulo 16. Paulo queria pregar na Ásia e na Bitínia, dois ótimos desejos. Mas o Espírito de Jesus lhe disse “não” (vv.6,7). Em seguida, o doutor dos gentios “teve de noite uma visão, em que se apresentou uma varão da Macedônia, e lhe rogou, dizendo: Passa a Macedônia e ajuda-nos” (v.9). Paulo entendeu que a direção de Deus estava acima dos seus projetos e foi para a Macedônia.


Pergunto: E se Filipe tivesse ficado em Samaria? E se Paulo tivesse ido para Ásia ou Bitínia? Qual teria sido o resultado? Bem, faço outra pergunta: Qual foi o resultado da obediência deles à voz do Senhor? Primeiro, através da evangelização do etíope, a Palavra de Deus foi levada a uma nação! Segundo, mediante a obediência de Paulo, toda a Europa, começando pela Macedônia, foi evangelizada. Mais tarde, o Evangelho chegou à América do Norte e, de lá, veio para o Brasil!


“Muitos propósitos há no coração do homem, mas o conselho do Senhor permanecerá” (Pv 19.21). Glória seja dada ao maravilhoso nome de Jesus!


Ciro Sanches Zibordi

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Agenda para o primeiro semestre de 2012


Desde meados de janeiro deste ano tenho exercido o co-pastoreio da Igreja Evangélica Assembleia de Deus do Ministério de Cordovil (ADMC), presidida pelo pastor Francisco José da Silva. Aproveito para divulgar, especialmente aos leitores deste blog residentes no Rio de Janeiro, a minha agenda para o primeiro semestre deste ano.

FEVEREIRO


19-domingo (manhã e noite)

ADMC, sede
Pr. Francisco José da Silva
Escola Bíblica Dominical e culto evangelístico

21-terça-feira (noite)

ADMC, sede
Pr. Francisco José da Silva
Culto de doutrina

23-quinta-feira (noite)

ADMC, sede
Pr. Francisco José da Silva
Culto evangelístico

24-sexta-feira (noite)

ADMC, congregação de Cordovil (Porto Carreiro)
Pr. José Carlos da Silva
Culto de doutrina

26-domingo (manhã e noite)

ADMC, sede
Pr. Francisco José da Silva
Escola Bíblica Dominical e culto evangelístico

28-terça-feira (noite)

ADMC, sede
Pr. Francisco José da Silva
Ceia do Senhor e reunião geral de obreiros

MARÇO


1-quinta-feira (noite)

ADMC, sede
Pr. Francisco José da Silva
Culto evangelístico

2-sexta-feira (noite)

ADMC, congregação de Marcílio Dias
Pr. Manuel Mendes da Silva
Culto de doutrina

4-domingo (manhã e noite)

ADMC, sede
Pr. Francisco José da Silva
Escola Bíblica Dominical e culto evangelístico

6-terça-feira (noite)

ADMC, sede
Pr. Francisco José da Silva
Culto de doutrina

8-quinta-feira (noite)

ADMC, sede
Pr. Francisco José da Silva
Culto evangelístico

9-sexta-feira (noite)

ADMC, congregação de Irajá
Pb. José Leandro
Culto de doutrina

11-domingo (manhã)

ADMC, congregação de Gileade
Pb. Enoque de Souza Lima
Ceia do Senhor

11-domingo (noite)

ADMC, sede
Pr. Francisco José da Silva
Culto evangelístico

13-terça-feira (noite)

ADMC, sede
Pr. Francisco José da Silva
Culto de doutrina

15-quinta-feira (noite)

ADMC, sede
Pr. Francisco José da Silva
Culto evangelístico

16-18

ADMC, congregação de Senador Firmino-MG
Escola bíblica

20-terça-feira (noite)

ADMC, sede
Pr. Francisco José da Silva
Ceia do Senhor

22-quinta-feira (noite)

ADMC, sede
Pr. Francisco José da Silva
Culto evangelístico

23-sexta-feira (noite)

ADMC, congregação de Colégio
Pr. Tutécio Gomes de Melo
Culto de doutrina

25-domingo (manhã e noite)

ADMC, sede
Pr. Francisco José da Silva
Escola Bíblica Dominical e culto evangelístico

27-terça-feira (noite)

ADMC, sede
Pr. Francisco José da Silva
Reunião geral de obreiros

23-quinta-feira (noite)

ADMC, sede
Pr. Francisco José da Silva
Culto evangelístico

30-sexta-feira (noite)

ADMC, congregação de Nova Sião
Pb. Benedito Ribeiro
Culto de doutrina

ABRIL


1-domingo (manhã e noite)

ADMC, sede
Pr. Francisco José da Silva
Escola Bíblica Dominical e culto evangelístico

3-terça-feira (noite)

ADMC, sede
Pr. Francisco José da Silva
Culto de doutrina

5-quinta-feira (noite)

ADMC, sede
Pr. Francisco José da Silva
Culto evangelístico

6-sexta-feira (noite)

ADMC, congregação de Brás de Pina
Pr. Orlando Pereira de Lima
Culto de doutrina

8-domingo (manhã)

ADMC, congregação de Queimados
Pr. Paulo Ronaldo dos Santos
Ceia do Senhor

8-domingo (noite)

ADMC, sede
Pr. Francisco José da Silva
Culto evangelístico

10-terça-feira (noite)

ADMC, sede
Pr. Francisco José da Silva
Culto de doutrina

12-quinta-feira (noite)

ADMC, sede
Pr. Francisco José da Silva
Culto evangelístico

13-sexta-feira (noite)

ADMC, congregação de Ramos
Pb. Adair Lomardes
Culto de doutrina

15-domingo (manhã)

ADMC, congregação de Santa Cruz
Pb. Oswaldo Lino
Ceia do Senhor

15-domingo (noite)

ADMC, sede
Pr. Francisco José da Silva
Culto evangelístico

17-terça-feira (noite)

ADMC, sede
Pr. Francisco José da Silva
Ceia do Senhor

19-quinta-feira (noite)

ADMC, sede
Pr. Francisco José da Silva
Culto evangelístico

20-sexta-feira (noite)

ADMC, congregação de Recanto Feliz
Pr. Gilberto Moreira Leite
Culto de doutrina

22-domingo (noite)

ADMC, sede
Pr. Francisco José da Silva
Escola Bíblica Dominical e culto evangelístico

24-terça-feira (noite)

ADMC, sede
Pr. Francisco José da Silva
Reunião geral de obreiros

26-quinta-feira (noite)

ADMC, sede
Pr. Francisco José da Silva
Culto evangelístico

27-sexta-feira (noite)

ADMC, congregação de Vila Kennedy
Pb. Raimundo Andrade Rocha
Ceia do Senhor

28-sábado (noite)

ADMC, congregação de Sepetiba
Pb. José Everaldo da Silva
Ceia do Senhor

29-domingo (manhã e noite)

ADMC, sede
Pr. Francisco José da Silva
Escola Bíblica Dominical e culto evangelístico

MAIO


1-terça-feira (noite)

ADMC, sede
Pr. Francisco José da Silva
Culto de doutrina

3-quinta-feira (noite)

ADMC, sede
Pr. Francisco José da Silva
Culto evangelístico

4-sexta-feira (noite)

ADMC, congregação de Pavuna
Pr. José Orlando de Oliveira
Culto de doutrina

6-domingo (manhã e noite)

ADMC, sede
Pr. Francisco José da Silva
Escola Bíblica Dominical e culto evangelístico

8-terça-feira (noite)

ADMC, sede
Pr. Francisco José da Silva
Culto de doutrina

10-quinta-feira (noite)

ADMC, sede
Pr. Francisco José da Silva
Culto evangelístico

11-sexta-feira (noite)

ADMC, congregação de Cidade Alta
Pr. Daniel Alexandrino Nascimento
Culto de doutrina

13-domingo (manhã e noite)

ADMC, sede
Pr. Francisco José da Silva
Escola Bíblica Dominical e culto evangelístico

15-terça-feira (noite)

ADMC, sede
Pr. Francisco José da Silva
Ceia do Senhor

17-quinta-feira (noite)

ADMC, sede
Pr. Francisco José da Silva
Culto evangelístico

18-sexta-feira (noite)

ADMC, congregação de Parque das Missões
Pb. Genilson dos Santos Ferreira
Culto de doutrina

20-27

ADMC, sede
Pr. Francisco José da Silva
Festividades alusivas ao aniversário da igreja

29-terça-feira (noite)

ADMC, sede
Pr. Francisco José da Silva
Reunião geral de obreiros

31-quinta-feira (noite)

ADMC, sede
Pr. Francisco José da Silva
Culto evangelístico

JUNHO


1-sexta-feira (noite)

ADMC, congregação de Vila Municipal
Pb. Joel Bulhões da Silva
Culto de doutrina

3-domingo (manhã e noite)

ADMC, sede
Pr. Francisco José da Silva
Escola Bíblica Dominical e culto evangelístico

5-terça-feira (noite)

ADMC, sede
Pr. Francisco José da Silva
Culto de doutrina

7-quinta-feira (noite)

ADMC, sede
Pr. Francisco José da Silva
Culto evangelístico

8-sexta-feira (noite)

ADMC, congregação de Coelho Neto
Pr. Jorge Carlos Costa
Culto de doutrina

10-domingo (noite)

ADMC, sede
Pr. Francisco José da Silva
Escola Bíblica Dominical e culto evangelístico

12-terça-feira (noite)

ADMC, sede
Pr. Francisco José da Silva
Culto de doutrina

14-quinta-feira (noite)

ADMC, sede
Pr. Francisco José da Silva
Culto evangelístico

15-sexta-feira (noite)

ADMC, congregação de Costa Barros
Pb. Marcos Antonio Gerônimo
Culto de doutrina

17-domingo (manhã)

ADMC, congregação de Monte das Oliveiras
Pb. José Ribamar da Costa
Ceia do Senhor

17-domingo (noite)

ADMC, sede
Pr. Francisco José da Silva
Culto evangelístico

19-terça-feira (noite)

ADMC, sede
Pr. Francisco José da Silva
Ceia do Senhor

21-quinta-feira (noite)

ADMC, sede
Pr. Francisco José da Silva
Culto evangelístico

22-sexta-feira (noite)

ADMC, congregação de Aricambu
Pb. João Carlos Manoel
Culto de doutrina

24-domingo (manhã e noite)

ADMC, sede
Pr. Francisco José da Silva
Escola Bíblica Dominical e culto evangelístico

26-terça-feira (noite)

ADMC, sede
Pr. Francisco José da Silva
Reunião geral de obreiros

28-quinta-feira (noite)

ADMC, sede
Pr. Francisco José da Silva
Culto evangelístico

29-sexta-feira (noite)

ADMC, congregação de Tomás Coelho
Pb. Oswaldo Souza Junior
Culto de doutrina

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Há uma luz no fim do túnel


No princípio, Deus criou o mundo e pôs nele o homem, e este o decepcionou. O que aconteceu? Bem, a vida no jardim do Éden perdeu o sentido. Fim? The End, como terminam os filmes de Hollywood? Não! Simplesmente, um recomeço. O Criador vestiu Adão e Eva de peles e estabeleceu novas metas para a humanidade. Enfim, o que passou, passou.

O fim do período da Inocência deu início ao da Consciência. E mais uma vez o homem decepcionou a Deus. Os descendentes de Sete — filho de Adão — se misturaram aos pecadores, e a Terra ficou cheia de violência e materialismo. Veio, então, o Dilúvio. Fim? Não. Recomeço. Deus preservou Noé e sua família, para com eles estabelecer um novo pacto e um novo período, o do Governo Humano.


Mais uma vez, os homens fracassaram, ao tentar construir uma cidade, com uma grande torre, para glória própria, esquecendo-se de que toda a glória pertence ao Criador (Is 42.8). O que fez Ele, pôs fim a tudo? Não! Frustrou aquele mau intento, a fim de que houvesse um novo começo para os homens.


Não pense que Deus estava tentando ajudar o ser humano sem saber o que aconteceria. Quando o pecado entrou no mundo, o Senhor já tinha um plano estabelecido — tanto que Jesus Cristo é o “Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo” (Ap 13.8); isto é, todos os cordeiros mortos desde a criação do mundo tipificavam o Cordeiro de Deus (Jo 1.29). Contudo, esses fins e recomeços eram oportunidades para a humanidade se reencontrar e entender os propósitos do Criador.


Bem, o chamado Governo Humano não deu certo, e a Torre de Babel caiu. Como diz a Palavra de Deus, “Do homem são as preparações do coração, mas do Senhor é a resposta da boca” (Pv 16.1). Quando fazemos planos e eles desmoronam, isso não significa o fim. Deus, naquela ocasião, espalhou as pessoas, para um novo começo: o período Patriarcal.


O Senhor fez alianças com Abraão, Isaque e Jacó, e nasceram aqueles que formariam as doze tribos de Israel, mas o livro dos começos, o Gênesis, terminaria de modo aparentemente trágico: “E morreu José da idade de cento e dez anos; e o embalsamaram, e o puseram num caixão no Egito” (Gn 50.26).


Que ironia! O livro que começa com uma frase cheia de vida “No princípio, criou Deus os céus e a terra” termina com morte, embalsamamento e caixão, palavras que gostaríamos de riscar do vocabulário! Mas não podemos nos esquecer de que cremos no Doador da vida! E de que a morte, para os seus servos, é um recomeço, em outra dimensão, a celestial! Nem a morte pode nos separar do amor de Deus (Rm 8.38,39).


Começa, então, o período da Lei, com a saída dos filhos de Israel do Egito — liderados por Moisés —, que não eram mais uma família, mas um grande povo. Esse período duraria até a plenitude dos tempos, quando Deus enviaria seu Filho, “nascido de mulher, nascido sob a lei, para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos” (Gl 4.4,5).


No decurso desse período, entre os livros de Êxodo e Malaquias, houve vários fins e recomeços. E, como a humanidade não foi capaz de retomar o rumo segundo a vontade de Deus, mais um período dispensacional teria de acabar, como lemos em João 1.17: “a lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo”.


Cristo, o verdadeiro Deus encarnado (Jo 1.1,14; 1 Tm 3.16), dá início ao período da Graça. Mas somente a sua encarnação não seria suficiente. Teria Ele de passar pelas angústias humanas. O véu precisaria ser rasgado. E não estou falando do véu do Templo, partido em dois para “dizer” que o caminho para a salvação está aberto. Para isso acontecer, um outro véu teria de ser rasgado: o corpo de nosso Senhor (Hb 10.20).


Jesus nasceu e morreu. Fim? Bem, se a sua morte fosse o fim, estaríamos perdidos. Mas... Ah, como eu gosto desta palavrinha! Às vezes, até usamo-la de modo inconveniente, para criticar alguém: “Gosto de fulano, mas...” Contudo, veja como ela se encaixa como uma luva em 1 Coríntios 15.17-20. Leia esta passagem agora, por favor.


Glória a Deus! Se Jesus não tivesse ressuscitado, a nossa fé seria vã e estaríamos perdidos. Mas Cristo ressuscitou! Que recomeço maravilhoso e triunfante, não acha? Imagine a alegria das mulheres que foram visitar o corpo de Jesus, e encontraram a pedra revolvida e o túmulo vazio (Mc 16.1-4). Que recomeço para elas, que já não tinham esperanças!


Você pode escolher ao passar por uma decepção ou tragédia uma das duas palavrinhas de três letras: fim ou mas. É possível que você esteja enfrentando grandes angústias agora. Há, quem sabe, muitas decepções em seu coração: a perda de um ente querido em uma tragédia, a interrupção de uma gravidez, um sonho não realizado, uma enfermidade, o fim de um relacionamento... Bem, você tem a oportunidade de deixar para trás as frustrações e começar uma nova fase da vida com alegria e satisfação.


O fim não é um fim em si mesmo. Lembre-se de que sempre haverá um mas. O que seria de nós se alguns versículos terminassem antes dessa palavrinha? Imagine se Romanos 6.23 terminasse assim: “o salário do pecado é a morte”. Mas há um complemento animador: “o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus, nosso Senhor”.


Temos dificuldades e aflições, mas o Senhor é o nosso Pastor! O Inimigo se levanta contra nós, mas maior é Aquele que está conosco! Os nossos corações nos condenam, mas maior é Ele do que os nossos corações! Você pode ter enfrentado uma grande dificuldade, frustrações e decepções; mas tudo isso acabará, se você tiver esperança, e uma nova fase de vitórias terá início, pois cremos que o fim traz um grande recomeço para aqueles que depositam a sua esperança em Jesus Cristo!


O mundo está em guerra. O Brasil, dominado pela corrupção. E, para piorar, tragédias não param de acontecer... O profeta Miquéias vivia dias semelhantes aos nossos (Mq 7.1-6). Contudo, havia um porém. Qual? A sua certeza em um recomeço em Deus estava inabalável, e ele exclamou: “Eu, porém, esperarei no Senhor; esperei no Deus da minha salvação: o meu Deus me ouvirá” (Mq 7.7).


Pessoas especiais morreram, porém Cristo está vivo e consola o seu coração. O ano pode não estar sendo bom para você... “Mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou” (Rm 8.37). Anime-se! Há uma luz no fim do túnel.


Ciro Sanches Zibordi

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Vale tudo na evangelização, contanto que Cristo seja anunciado?


Recebi, há poucos dias, como cortesia, alguns exemplares do excelente jornal AD News, produzido pela Rede Brasil de Comunicação, ligada à Assembleia de Deus em Pernambuco. Na edição de janeiro de 2012, o pastor Ailton José Alves, que preside a mencionada igreja, discorreu sobre o Evangelho do Reino dos Céus e me fez refletir sobre a forma como Cristo tem sido pretensamente pregado, em nossos dias.

“Como aceitar que alguém professe o Evangelho sem abandonar a vida do pecado? Como concordar com quem promove cantos e discursos a favor de Deus e, ao mesmo tempo, o nega, defendendo e veiculando práticas pecaminosas condenadas por Ele?”, afirmou o pastor Ailton. No mesmo jornal, há um texto de minha autoria, pelo qual critiquei o Festival Promessas, realizado pela Rede Globo, em dezembro de 2011.


Tal artigo, também publicado neste blog, gerou grandes discussões, no início de janeiro. Alguns irmãos, ao discordarem de mim, perguntaram: “Paulo não disse, em 1 Coríntios 9.22, que usou todos os meios para salvar as pessoas à sua volta?” E outros citaram Filipenses 1.15-18, uma passagem pela qual Paulo afirma que o Evangelho deve ser pregado inclusive por discórdia, insinceramente ou por pretexto.


Para responder à segunda argumentação em prol da evangelização sem limites, peço que o leitor tenha em mente a regra de ouro da exegese: a Bíblia explica a própria Bíblia. Ou seja, não devemos ignorar o fato de as Escrituras serem análogas. Temos de levar em consideração o contexto de cada passagem que empregamos.


Por que Paulo disse as aludidas palavras sobre a pregação do Evangelho aos crentes de Filipos, e em que circunstância? Esse apóstolo, que estava preso, referiu-se aos opositores do Evangelho, isto é, os judeus que o acusavam perante os tribunais de Roma. Mesmo querendo o seu mau, aqueles inimigos de Paulo eram obrigados a dizer que ele estava pregando sobre a morte e a ressurreição do Senhor! Além disso, afirmavam que, segundo Paulo, Jesus estava acima de César.


Naquela época, o título de Senhor não implicava apenas senhorio. O imperador romano, como o senhor de Roma, era adorado pela população (menos os cristãos verdadeiros). E os opositores de Paulo afirmavam que Cristo Jesus, como Senhor dos cristãos, era adorado exclusivamente por eles, tomando o lugar de César. Em outras palavras, os judeus que acusavam Paulo estavam, indiretamente, pregando o Evangelho! Daí a satisfação desse apóstolo com o resultado do seu sofrimento por amor a Cristo.


Segue-se que a passagem de Filipenses 1.15-18 não deve ser usada de modo generalizante, para afirmar que os crentes, hoje, podem adotar livremente todos e quaisquer meios para propagar o Evangelho. Afinal, a Palavra de Deus afirma, inclusive, que devemos fugir da aparência do mal (1 Ts 5.22), tendo cuidado com o pecado, mas também com os embaraços (Hb 12.1,2).


Quanto a 1 Coríntios 9.22, é evidente que Paulo se referiu a meios de evangelização que não deponham contra o Evangelho. Ele mesmo disse — antes e depois da passagem em apreço — que nem tudo que é lícito é conveniente ou edificante (1 Co 6.12; 10.23). E também asseverou: “Portanto, quer comais, quer bebais, ou façais outra cousa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus” (1 Co 10.31, ARA).


Finalmente, se todos e quaisquer meios de evangelização pudessem ser empregados, sem nenhum limite, teríamos uma grande contradição! Até show erótico ou desfile no carnaval poderiam ser usados para, pretensamente, ganhar almas, desde que Cristo fosse anunciado, não é mesmo?


Ciro Sanches Zibordi

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Globo abriu porta para a pregação do Evangelho?


Abriu-se, de fato, uma porta global para a pregação do Evangelho, como muitos ufanistas têm dito nas redes sociais? Ou a porta foi aberta principalmente para beneficiar as celebridades gospel — que já venderam milhões de discos — e, consequentemente, a maior emissora de TV do Brasil? Será que esta convidaria um pregador do Evangelho para discorrer sobre o maravilhoso Natal de Cristo, sua Morte expiatória e sua gloriosa Ressurreição? Isso, sim, caso tivesse ocorrido, seria motivo de uma grande festa do povo de Deus!

Mas alguém argumentará: “A porta se abriu para os cantores, e agora eles poderão se apresentar com frequência na maior emissora de TV do Brasil e, com certeza, pregarão o Evangelho”. Sinceramente, não é isso que temos visto em outras emissoras, onde os astros da música gospel já têm o seu espaço. E o que ouvimos, no Festival Promessas, com raríssimas exceções, foi uma amostra do tipo de evangelho que será pregado: bordões antropocêntricos, que massageiam o ego das pessoas, mas não lhes apresentam verdadeiramente o Evangelho, que é poder de Deus para a salvação (Rm 1.16).


Oremos para que Deus nos abra portas grandes e eficazes para a pregação do Evangelho, e não apenas para a realização de shows gospel. A Bíblia não é contra a música e os cantores de sucesso. Jesus até cantou um hino antes de sua crucificação! Mas a nossa prioridade é a exposição do Evangelho (At 6.1-7). Você sabia que dois terços do ministério terreno do Senhor foram ocupados pela pregação do Evangelho e o ensino da Palavra?


Desculpe-me, caro leitor. Eu sei que estou sendo um estraga-prazeres, antipático. Mas, o que está escrito em 1 Coríntios 16.9? “Porque uma porta grande e eficaz se me abriu, e há muitos adversários”. Quando Deus verdadeiramente abre-nos a porta da pregação do Evangelho, como a abriu para o apóstolo Paulo, os adversários (Satanás, os demônios e todos os seus emissários) se voltam contra nós. Mas a mídia está aplaudindo de pé a porta global que foi aberta para o evangelho-show.


Até um conhecido jornal de São Paulo — pasme! —, favorável ao liberalismo e que sempre teve uma posição contrária à pregação do Evangelho, comemorou: “Hoje é um novo dia de um novo tempo que começou para a Globo e os evangélicos”. Por quê? Porque o evangelho-show não confronta o pecado. Ele é maleável, suave, agradável, massageia egos e está aberto ao ecumenismo...


O festejado evangelho-show avança a passos largos, sem nenhuma dificuldade. Mas não se esqueça do que o Senhor Jesus previu a respeito do verdadeiro Evangelho: “Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem, e mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas por minha causa” (Mt 5.11,12).


Ciro Sanches Zibordi
Artigo publicado em janeiro de 2012 no jornal AD News (produzido pela Rede Brasil de Comunicação, ligada à Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Pernambuco, presidida pelo pastor Ailton José Alves)

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

É possível ser cristão e evolucionista?


Você crê na Bíblia Sagrada? Acredita que Deus é o Criador de todas as coisas? O que pensa sobre a narrativa da Criação e o Dilúvio? Este realmente aconteceu, ou o que está escrito em Gênesis é pura ficção?

Há um grupo de cristãos, na atualidade, que diz crer em Deus, mas não aceita a narrativa de Gênesis. Para eles, é possível conciliar fé em Deus e teoria da evolução. E confiam tanto em seu conhecimento, a ponto de considerarem refutável a descrição bíblica do Dilúvio. Eles dizem, por exemplo, que a arca, nas dimensões apresentadas na Bíblia, só poderia ser construída nos dias de hoje, pois seria necessária a ajuda da engenharia moderna e de centenas de pessoas.


Afirmam os “evolucionistas cristãos” que Noé e sua família não conseguiriam percorrer todos os continentes em busca das espécies de animais. Além disso, asseveram que seria impossível manter os animais na arca sem as técnicas zoológicas modernas. Os animais estavam fora de seu habitat. Como sobreviveriam? Como alimentar todas as espécies?


Os 
evolucionistas cristãos também argumentam que o ciclo hidrológico de evaporação que provoca a chuva é incapaz de prover uma quantidade de água que inundasse toda a extensão da Terra. E questionam: “A biologia considera extintas as espécies que possuem algumas centenas de exemplares. De que maneira um casal de cada espécie garantiria a subsistência das criaturas?”

Como se vê, as questões apresentadas pelos que abraçaram o “cristianismo evolucionista” (ou o “evolucionismo cristão”), o que é um jugo desigual, priorizam o raciocínio. A fonte de autoridade deles não é a Bíblia Sagrada, e sim o darwinismo e as teorias do biólogo Francis S. Collins, diretor do Projeto Genoma Humano. Este, a despeito de declarar-se cristão e contestar o ateu Richard Dawkins — famoso por suas críticas ácidas a quem acredita em Deus —, defende a possibilidade de ser cristão e evolucionista, ao mesmo tempo.


Em sua obra
A linguagem de Deus (Editora Gente), Collins declarou: “A mais importante e inevitável falha da afirmação de Dawkins, de que a ciência obriga ao ateísmo, é que isso vai além das evidências. Se Deus se acha fora da natureza, a ciência não pode confirmar nem negar a existência dele. Portanto, o próprio ateísmo deve ser considerado uma forma de fé cega, pois assume um sistema de crenças que não pode ser defendido com base na razão pura”. Esse famoso cientista rejeita o ateísmo, mas aceita o darwinismo.


Seria possível o casamento entre o cristianismo e o darwinismo? De modo nenhum! Isso — repito — é um jugo desigual, visto que a Bíblia é a regra de fé, de prática e de vida do cristão que se preza. Seja este erudito, seja leigo, jamais deve negar que o Deus Todo-poderoso, além de ser o Criador, está no controle de todas as coisas. O que é a ciência ante a inerrante e inspirada Palavra do Senhor? O que é a teoria da evolução diante das Escrituras?


Quanto ao Dilúvio, o Todo-poderoso, como controlador da natureza, certamente guiou os animais à arca. O poder de Deus é ilimitado; não se restringe a leis pretensamente científicas. Se fôssemos analisar a narrativa de Gênesis pela razão apenas, e não pela fé, não só o Dilúvio seria impossível. Teríamos de negar todos os milagres ali registrados. Mas o crente espiritual discerne bem tudo (1 Co 2.14-16).


No que diz respeito à construção da arca, a Bíblia diz que Deus deu a planta a Noé, com todas as medidas. Além disso, capacitou-o com sabedoria e lhe deu todas as condições necessárias para construir a embarcação e abrigar nelas os animais (Gn 6.13-22). Como Noé conseguiu levá-los à arca? Considerando que não havia a atual divisão continental (Gn 10.25), as espécies estavam concentradas, em grande quantidade, na região da Mesopotâmia. Quem as conduziu à embarcação? Noé? Não. O próprio Criador.


Segundo o relato bíblico, o Senhor ensinou a Noé como poderia preservar as espécies dentro do barco (Gn 6.16-20). E a sabedoria de Deus é infinitamente superior às técnicas zoológicas da atualidade. Tanto é verdade que, das espécies mais frágeis, como as aves, o Criador ordenou que se apanhassem sete casais, o que garantiria, de qualquer forma, a continuidade dessas criaturas sobre a terra após o devastador Dilúvio (Gn 7.2-8).


Respeito muitíssimo o biólogo Francis S. Collins, suas pesquisas ligadas ao Projeto Genoma Humano e toda a comunidade científica. Mas nunca aceitarei a falácia de que o cristianismo pode negar inspiração plenária das Escrituras e continuar sendo chamado de cristianismo. Ou cremos, de todo o nosso coração, que a Bíblia é a Palavra de Deus, ou nos prendemos a um jugo desigual com os infiéis (2 Co 6.14-18) e abraçamos a falsamente chamada ciência (1 Tm 6.20).


Amém?


Ciro Sanches Zibordi

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Mulher, o dia da angústia vai passar


Uma serva do Senhor aflita, traída e abandonada pelo marido, angustiada, sem nenhuma perspectiva, sem esperança, me escreveu uma carta. Resolvi publicá-la, sem a menção do nome da autora, e lhe dar uma resposta bíblica, a qual pode servir, também, para alguém que esteja passando pelo dia da angústia.

Pastor Ciro, a paz do Senhor. Estava lendo seu blog e percebi que o senhor é um homem de Deus. Tenho grande respeito e admiração pela Assembleia de Deus. Preciso muito de sua ajuda [...] venho passando por uma enorme tribulação há 5 anos, desde quando meu esposo começou a fazer faculdade, conheceu uma jovem e foi embora. Temos 3 filhos, um menino de 7 anos e 2 meninas de 5 anos (gêmeas). Ele me deixou em uma situação tão difícil, sozinha com três filhos pequenos, morando em uma casa que pertence à mãe dele.


Como se não fosse o suficiente, até o começo de 2011 quem nos sustentava era a mãe dele. Hoje, ele paga a pensão das crianças; eu não trabalho porque, ao conseguir um emprego, fui ameaçada pela mãe dele; se eu fosse trabalhar, ela não pagaria a pensão. E, como moro na casa que pertence a ela, achei melhor me calar para não comprometer o teto dos meus filhos. Não posso contar com meus pais e parentes; a única ajuda que vem deles é falar mal do meu ex-marido.


Não tenho nenhuma formação que me possibilite ter um bom emprego e poder sair daqui; não tenho com quem deixar meus filhos para poder estudar nem como pagar uma faculdade ou curso. Eu vivo humilhada e também revoltada. Meu ex-marido era membro da Igreja Presbiteriana Viva, batizado e trabalhava na igreja. Depois que adulterou, continuou frequentando a igreja com a amante, e eu me afastei, pois era humilhação demais. Hoje, eles frequentam a seita Universal do Reino de deus.


Reflito sobre a minha vida e a dele. Estou deprimida sem um caminho, sem uma porta para poder seguir em frente; já orei tanto, tanto; já me humilhei diante de Deus, mas parece que Ele não me vê nem me ouve. Em contrapartida, meu ex-marido e sua amante já se formaram, estão morando no Rio de Janeiro, vivendo uma vida de ‘recém felizes casados’, mesmo que ele até hoje não tenha se divorciado de mim.


Não tenho inveja da vida deles. Apenas questiono: ‘Deus não liga mais para pecados? Não se indigna com um homem desses?’ Eu nunca traí meu marido; ele não tinha o direito de me abandonar. E meus filhos, quantas coisas foram roubadas deles por causa disso? Pastor, me ajude; minha vida não tem mais sentido. Se não sirvo para ser amada pelo homem com quem me casei e tenho uma família; se Deus não ouve nem responde as minhas orações; se a minha vida parece que nunca vai ter um novo caminho, para que continuar vivendo desse jeito?


Minha resposta:


Prezada irmã, a paz do Senhor. Em primeiro lugar, peço-lhe que reflita sobre este versículo: “Se te mostrares frouxo no dia da angústia, a tua força será pequena” (Pv 24.10). Há três lições nessa passagem bíblica. Primeira: convença-se de que o crente fiel passa pelo dia da angústia. Ser cristão de verdade não significa viver em um mar de rosas. Deus nos livra da angústia, muitas vezes. Mas Ele também nos livra na angústia (Sl 18.6; 20.1; 46.1; 91.15).


A Bíblia não diz que o crente vive longe das dificuldades e do sofrimento. Pelo contrário, a Palavra de Deus mostra que no mundo temos aflições (Jo 16.33) e tribulações (At 14.22). Mas estas, além de nos serem benéficas, ainda nesta vida, posto que produzem paciência e experiência (Rm 5.1-5), não são para se comparar com a glória que em nós há de ser revelada (Rm 8.18). Ou seja, o melhor para nós não está nesta vida, e sim na eternidade (1 Co 15.19).


Sei que é difícil aceitarmos que a nossa salvação eterna é mais importante do que tudo o que temos, perdemos ou nunca tivemos nesta vida. Mas essa é a verdade. Aqui, embora tenhamos momentos de alegria, estamos seguindo os passos de Jesus (Lc 9.23; Sl 85.13). Para isso fomos chamados! Em 1 Pedro 2.20-22 está escrito: “Porque que glória é essa, se, pecando, sois esbofeteados e sofreis? Mas, se fazendo o bem, sois afligidos e o sofreis, isso é agradável a Deus. Porque para isto sois chamados, pois também Cristo padeceu por nós, deixando-nos o exemplo, para que sigais as suas pisadas, o qual não cometeu pecado, nem na sua boca se achou engano”.


Estamos em uma guerra (2 Tm 2.3-5; 4.7,8). Não se iluda. Não dê ouvidos aos falsos profetas, que só falam de prosperidade material. Isso é efêmero e passageiro. Enquanto o seu ex-marido está desfrutando dessa falsa felicidade, a irmã está chorando, decepcionada com a aparente vitória da injustiça. Entretanto, o Senhor Jesus afirmou: bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados. [...] bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos” (Mt 5.4-6). O crente fiel, a despeito de ser provado e perseguido (Sl 11.5; 2 Tm 3.12), é bem-aventurado (Mt 5.11).


Mas a segunda lição de Provérbios 24.10 é esta: não seja frouxa no dia da angústia. Não há como escapar desse dia. Todos nós passamos por ele. Aqueles que, hoje, aparentam ser intocáveis e estar em uma posição superior terão de enfrentar esse dia, mais cedo ou mais tarde. Quanto aos que zombam da Palavra de Deus e desfrutam de prosperidade material, não tenha inveja deles, mesmo, pois estão em lugares escorregadios (Sl 73).


Não seja frouxa, amada irmã. Em outras palavras, não permita que o pessimismo domine o seu coração (2 Co 6.10). Nada pode separá-la do amor de Deus (Rm 8.35-39). Não desanime (Sl 27.14). Seja firme e constante (1 Co 15.58). Jamais perca a sua fé no Senhor Jesus (Mq 7.1-7). Não se esqueça de que o Senhor é o seu Ajudador (Hb 13.5,6).


A terceira lição de Provérbios 24.10 é esta: você precisa de uma grande força para passar pelo dia da angústia. Força pequena não é suficiente. A irmã precisa de uma grande força. E nenhum de nós tem essa força, visto que somos fracos, em nós mesmos (1 Co 1.27-29). De nada adianta olharmos para o espelho e dizermos: “Eu sou vencedor”. É preciso mais que isso.


Precisamos nos fortalecer no Senhor (Ef 6.10; 1 Pe 5.10) e dizer: “Posso todas as coisas naquele que me fortalece” (Fp 4.13). A Bíblia diz que os coelhos são débeis, mas fazem a sua casa na rocha (Pv 30.26). Sua casa está na rocha, amada irmã? Seja sincera. Não tenha receio de dizer: “não”. Afinal, quem está firmado na Rocha, que é Cristo (1 Pe 2.4), não perde a alegria de viver, não se mostra frouxo no dia da angústia.


Lembre-se das fontes dessa grande força que lhe fará vencer o dia da angústia. Invoque o nome do Senhor, clame a Ele, pois é uma torre forte para onde o justo corre no dia da angústia (Pv 18.10). Não se esqueça da Palavra de Deus. Talvez a irmã esteja perguntando: “Para que citar tantos versículos? Eu já conheço a Bíblia”. A Palavra de Deus é que nos fortalece.


Não vivemos só de pão. Vivemos da Palavra (Mt 4.4). Medite nela de dia e de noite (Sl 1) e apresente ao Senhor todas as suas necessidades e as ameaças dos que se levantam contra a sua vida (At 4.29-31; Sl 50.15). A graça de Deus é bastante para você (2 Co 12.7-10). Louve ao Senhor. Como foi que Abraão se fortificou na fé? Dando glória a Deus (Rm 4.20). Eu sei que no dia da angústia perdemos as nossas forças, o nosso entusiasmo, para ler a Bíblia, orar e louvar a Deus. Mas lembre-se: “Se te mostrares frouxo no dia da angústia, a tua força será pequena”.


O Senhor pode fazer muitas coisas por você. Ele pode endireitar os seus caminhos tortos (Is 45.2). Mas a irmã precisa se conscientizar de que a vida cristã é uma guerra constante. Em uma guerra, não há tempo para comemorar de modo prolongado uma vitória, nem para lamentar por muito tempo algumas baixas. É preciso continuar lutando. Com qual motivação? A certeza da vitória, em Cristo, haja o que houver (Rm 8.37).


Lembre-se de que “a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mui excelente” (2 Co 4.17). Seja firme. Seja valente. Seja ousada. Fortaleça-se no Senhor. Tranquilize o seu coração. Sinta agora a transcendente paz de Deus, que guarda o seu coração e os seus sentimentos em Cristo Jesus (Fp 4.7).


O dia da angústia vai passar. E você, amada irmã, à semelhança do salmista Asafe, dirá: “Quanto a mim, os pés quase que se desviaram; pouco faltou para que escorregassem os meus passos. [...] Todavia, estou de contínuo contigo; tu me seguraste pela mão direita. Guiar-me-ás com o teu conselho e, depois, me receberás em glória. A quem tenho eu no céu senão a ti? E na terra não há quem eu deseje além de ti. A minha carne e o meu coração desfalecem; mas Deus é a fortaleza do meu coração e a minha porção para sempre” (Sl 73.2-26).


Ciro Sanches Zibordi