A Escola Bíblica de Obreiros (EBO) da Assembleia de Deus em Curitiba, Paraná — presidida pelo pastor e amigo Wagner Gaby —, é uma das mais tradicionais e organizadas do país. E, neste ano, ela está completando 50 anos. Se o leitor ainda não conhece a linda capital paranaense, pode unir o útil ao agradável. Participei dessa maravilhosa EBO em 2008, ainda no tempo do saudoso pastor José Pimentel de Carvalho, e aprendi muito, especialmente com o mestre Antonio Gilberto, professor vitalício dessa escola.
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
Convocação da Assembleia de Deus do Ministério de Cordovil-RJ (ADMC)
Após uma série de reuniões no mês de janeiro de 2012 — sob a liderança do pastor-presidente da Igreja Evangélica Assembleia de Deus do Ministério de Cordovil-RJ (ADMC), Francisco José da Silva —, envolvendo a sua diretoria e os dirigentes das congregações, verificou-se a necessidade do estabelecimento de algumas diretrizes e metas gerais para este ano e para os próximos.
Tais diretrizes e metas serão apresentadas nesta terça-feira (hoje), às 19 horas, e passarão a vigorar a partir do dia 1 de fevereiro de 2012 (amanhã). Elas visam ao avivamento e ao fortalecimento de todo o ministério, a fim de que cresçamos espiritual, numérica e geograficamente. O pastor-presidente conta com a presença de todos.
Em Cristo,
Ciro Sanches Zibordi
Co-pastor da ADMC
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
Teria sido David Wilkerson um idiota por condenar a teologia da prosperidade?
Os seguidores da teologia da prosperidade não gostavam dele. E aproveitaram a sua morte, há alguns meses, para insinuar que isso ocorreu por causa de sua oposição aos pregadores mercantilistas. Mas as mensagens de David Wilkerson, um pregador verdadeiramente protestante, jamais serão esquecidas.
Tenho até hoje o livro Toca a Trombeta em Sião (CPAD) que ganhei de um irmão bastante idoso — que já deve estar com o Senhor —, em 1989. E ele já me deu a obra bem surrada e toda marcada. A obra David Wilkerson Exorta a Igreja, que também aparece na foto acima, ganhei em 1993 do pastor e amigo Eude Martins da Silva, à época diretor-executivo da Editora Vida.
Se você tem dúvidas quanto ao ministério profético de Wilkerson, veja o que ele escreveu em 1985, na primeira obra mencionada, traduzida em 1988 pelo mestre Antonio Gilberto, a respeito da falaciosa teologia da prosperidade: “Ezequiel lutou sozinho contra todos os falsos profetas de Israel. Esses profetas não tinham qualquer mensagem de retidão, nem de julgamento inevitável do pecado. Eles só profetizavam a paz, conforto e prosperidade” (p.127).
Wilkerson condenou a teologia da prosperidade em uma época em que se falava quase nada sobre ela e verberou contra os seus proponentes: “Tais falsos profetas continuam em nosso meio! Eles usam as Sagradas Escrituras no campo das profecias; nas suas mensagens de prosperidade eles introduzem bastantes passagens bíblicas. Mas é falsa mensagem que eles pregam. Sua pregação não é a mensagem da cruz, nem a da santidade e da separação do mal” (idem, p.129).
Comparando esses “últimos dias” com dias de Ezequiel, também asseverou: “o pecado de Israel era tão grande que a ira de Deus estava a ponto de desencadear-se em forma de julgamento divino sobre a nação. O profeta Ezequiel não queria anunciar a terrível catástrofe que estava para cair sobre aquele povo, pelo fato de ele ter seus profetas prediletos que só anunciavam bonança e paz” (idem, p.133).
“Quem acordará e obedecerá ao chamado do Senhor, separando-se e purificando-se de todos os pecados que são praticados dentro das igrejas e fora, no mundo? Você pensa que, vivendo errado, mas pertencendo a uma igreja, escapará do juízo de Deus? Não caia no engano de Israel, pensando que o dia do julgamento está muito longe” (idem, p.145).
Na obra David Wilkerson Exorta a Igreja (Editora Vida), ele disse palavras que nos servem de consolo: “É melhor poder dizer: ‘Não importa o que está pela frente — não importa qual a provação ou aflição —, Deus tem-se mostrado fiel. Da morte ele produziu vida. Nenhuma dessas aflições pode mudar-me agora. Ainda que ele me mate, nele esperarei’” (p.15).
Como mencionei, recentemente, há um telepregador famoso que chama os oponentes da teologia da prosperidade de idiotas... Teria sido David Wilkerson um idiota?
Ciro Sanches Zibordi
Cristão verdadeiro não pode ter “memória curta”
“O povo tem memória curta”, diz um adágio popular. Quanto a nós, salvos em Cristo Jesus, devemos nos exortar uns aos outros (Hb 3.12-14), a fim de não nos esquecermos de coisas muito importantes, como a purificação dos nossos antigos pecados (2 Pe 1.9).
Não é por acaso que encontramos na Palavra de Deus mandamentos para nos lembrarmos da essência do autêntico cristianismo, centrado na Palavra de Deus. Quantos já não têm se esquecido da simplicidade que há em Cristo (2 Co 11.3) e abraçado a falsos evangelhos, como a teologia da prosperidade?
Em Hebreus 13, vemos, pelo menos, seis coisas das quais não devemos esquecer: da hospitalidade, dos presos, dos maltratados, dos pastores, da beneficência e da comunicação.
“Não vos esqueçais da hospitalidade” (v.2) — o autor de Hebreus menciona uma razão para fazermos isso: “alguns, praticando-a, sem o saber acolheram anjos” (ARA). Pense no que significa ser hospitaleiro. Tratar bem os amigos é fácil. E, quando temos de ser hospitaleiros com quem não conhecemos ou com os inimigos? Sofremos, ao fazer isso.
Entretanto, Deus muitas vezes usa esse tipo de circunstância para nos abençoar. Não foi isso que aconteceu com a viúva que ajudou Elias? E o que dizer de Zaqueu? Já imaginou se ele dissesse a Jesus: “Na minha casa, não! Minha mulher não vai gostar de receber uma visita inesperada”?
“Lembrai-vos dos presos” (v.3) — sejamos sinceros: Qual cristão, incluindo você e eu, caro leitor, costuma se lembrar dos presos, dos encarcerados? Mas o texto bíblico em apreço diz: “Lembrai-vos dos encarcerados, como se presos com eles” (ARA). Meu Deus, que difícil recomendação da tua Palavra! Como eu preciso melhorar!
“Lembrai-vos dos [...] maltratados” (v.3) — a versão de Almeida Revista e Atualizada (ARA) assevera: “Lembrai-vos... dos que sofrem maus tratos”. E acrescenta: “como se, com efeito, vós mesmos em pessoa fôsseis os maltratados”. Gostamos de lembrar apenas de coisas boas, que nos trazem satisfação...
Ninguém gosta de lembrar, por exemplo, de um morador de rua, maltratado pela vida ou pelas más escolhas que fez. Os espíritas dizem: “Ele está sofrendo, mas é o seu karma, até que alcance a iluminação, depois de várias reencarnações”. Mas alguns evangélicos, conquanto iluminados pelo Espírito, se dão ao luxo de afirmar, sem nenhuma compaixão: “Deus sabe por que esse homem está sofrendo; trata-se de um miserável pecador, um vaso da ira”. Ah, como o nosso cristianismo seria realmente cristão se aprendêssemos a ser “bons samaritanos”!
“Lembrai-vos dos vossos pastores” (v.7) — nunca os pastores foram tão desrespeitados. Hoje, ser pastor não significa muita coisa. É claro que há falsos obreiros, aos quais convém mesmo “tapar a boca” ou refutar segundo a Bíblia (Tt 1.10,11). Mas não são muitos os cristãos que atentam para a seguinte recomendação: “Lembrai-vos dos vossos pastores, que vos falaram a palavra de Deus, a fé dos quais imitai, atentando para a sua maneira de viver” (ARC).
O respeito aos pastores (“guias”, ARA) não é por causa do título que eles possuem, e sim porque foram chamados e ungidos pelo Senhor. É o Senhor quem os põe na igreja (Ef 4.11; Jr 3.15). E quem se levanta contra eles — no caso dos verdadeiros, é evidente —, a fim de prejudicá-los, está se levantando contra quem, mesmo?
“E não vos esqueçais da beneficência” (v.16) — beneficência é o amor em ação; é a prática do bem. Afinal, o amor só é amor quando em ação. Se alguém diz “Eu amo a Palavra”, mas nunca medita nela, que tipo de amor é esse? Por isso, o salmista, ao falar do seu amor para com a Lei do Senhor, afirmou que ela era a sua meditação em todo o dia (Sl 119.97). E o que dizer do amor a Deus e ao próximo? E o que dizer do amor aos inimigos?
A Bíblia não diz que devemos fazer bem a todos? Essa última pergunta é retórica; traz em si mesma a resposta de que devemos amar e fazer o bem (amor em ação) até aos nossos inimigos (Rm 12.20). Estamos dispostos a isso? Ou queremos vê-los arrasados, prostrados, enquanto cantamos: “Tem sabor de mel, tem sabor de mel, a minha vitória hoje tem sabor de mel”?
“E não vos esqueçais da [...] comunicação” (v.16) — ou “Não negligencieis igualmente [...] a mútua cooperação” (ARA). O autor de Hebreus acrescenta que Deus se compraz com esse tipo de sacrifício. Ser um cooperador, um ajudador, alguém que comunica alguma coisa a alguém, seja um dom espiritual, seja uma ajuda material, significa se sacrificar pelo próximo!
Quem hoje está disposto a sofrer, a se sacrificar, por alguém que não seja um parente, como filhos, netos, esposa, pais? Enfim, correr atrás de trio elétrico dizendo que está evangelizando os foliões é fácil. Escrever belos textos, pelos quais expomos o nosso pensamento e refutamos isso e aquilo, também não é tão difícil. Priorizar o evangelho ecumênico em programas da Rede Globo é ainda mais fácil e prazeroso.
Mas, e viver o cristianismo verdadeiro, o cristianismo realmente cristão, que não se esquece da hospitalidade, dos encarcerados, dos maltratados, dos pastores, da beneficência e da mútua cooperação? O cristianismo verdadeiramente cristão é para quem deseja ter a Bíblia como a sua regra de fé, de prática e de vida. E é isso que eu desejo, embora reconheça, humildemente, que ainda não o tenha alcançado plenamente...
Em Cristo,
Ciro Sanches Zibordi
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
Considerações sobre Silas Malafaia e a teologia da prosperidade
Respeito o pastor Silas Malafaia. Gosto de suas argumentações sobre a defesa da vida e dos valores morais esposados na Palavra de Deus. Considero Malafaia uma pessoa preparada para representar os evangélicos em audiências públicas a respeito do PLC 122, do aborto, etc. Tenho também amigos na igreja pastoreada por ele: a Assembleia de Deus Vitória em Cristo, na Penha-RJ.
Foi por tudo isso que sempre evitei citar o nome de Malafaia, neste blog. Mas tenho uma palavra para ele e acredito que não ficará indignado contra mim, haja vista ser a minha mensagem bíblica e respeitosa.
Assuntos administrativos que envolvem pastores de uma denominação devem ser tratados internamente, visto que a igreja local tem competência para julgar suas causas, à luz da Bíblia (1 Co 6.1-6). Mas a conduta imprópria e as heresias amplamente propagadas, mediante TV, rádio e Internet, ultrapassam os limites denominacionais e merecem refutação bíblica, igualmente pública, com ética, mansidão e temor, por parte da Igreja do Senhor.
Silas Malafaia, além de defender abertamente a teologia da prosperidade, costuma não economizar nos impropérios, ao responder aos seus críticos. Há alguns meses, por exemplo, ele concedeu uma entrevista à revista Igreja e deu uma resposta que o tornou repreensível, à luz da Palavra de Deus. Peço a todos que admiram esse renomado pastor que não vejam este artigo como um ataque pessoal. Atentem para as referências bíblicas que vou citar e as considerem como palavras inspiradas do Senhor que se aplicam a todos que o servem.
“O senhor está sendo duramente criticado pelo setor mais conservador da igreja por causa da teologia da prosperidade pregada por alguns convidados de seu programa, como Morris Cerrullo e Mike Murdock. Como o senhor responde a estas criticas de que a teologia da prosperidade não tem base bíblica e é uma heresia?” — perguntou o entrevistador, da revista Igreja.
Antes de discorrer sobre a resposta de Malafaia, é importante corrigir duas coisas na pergunta acima. Primeira: não é somente o setor mais conservador da igreja que critica Malafaia por causa da teologia da prosperidade. Não se trata de extremistas combatendo extremistas. Na verdade, todos os cristãos equilibrados, que têm a Bíblia como a sua fonte primária de autoridade, são contrários à falaciosa teologia da prosperidade. Outra correção: tal heresia não tem sido pregada apenas por Morris Cerullo e Mike Murdock. O próprio entrevistado é um dos seus propagadores.
Vamos à resposta do pastor Malafaia: “Primeiro quem fala isto é um idiota! Desculpe a expressão, mas comigo não tem colher de chá! Por que quando é membro eu quebro um galho, mas pastor não: é um idiota. Deveria até mesmo entregar a credencial e voltar a ser membro e aprender. Para começar não sabe nada de teologia, muito menos de prosperidade. Existe uma confusão e um radicalismo, e todo radicalismo não presta”.
Quem assiste às mensagens de Silas Malafaia, sabe que ele tem estilo próprio. Ele não escolhe muito as palavras. Mas tudo tem limite. Aliás, nosso limite está na Palavra de Deus. E o que está escrito em 1 Pedro 3.15? “Antes santificai a Cristo, como Senhor, em vossos corações; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós”.
Eu não sou perfeito. Silas Malafaia não é perfeito. Nenhum de nós é perfeito. Mas somos todos servos do Senhor. Qual é a recomendação do Senhor aos seus servos, em sua Palavra? Em 2 Timóteo 2.24,25 está escrito: “E ao servo do Senhor não convém contender, mas sim ser manso para com todos, apto para ensinar, sofredor; instruindo com mansidão os que resistem”.
Que mansidão e temor vemos em xingamentos a pastores? Alguém dirá: “O Silas é assim mesmo. É o jeito dele. Eu o conheço há muito tempo”. Reconheço que cada um tem uma personalidade. Mas, para que existe o fruto do Espírito, isto é, o Espírito Santo agindo em nós? Para moldar o nosso caráter e mudar o nosso interior, a fim de que sejamos astros nesse mundo tenebroso (Mt 5.13-16; Fp 2.14,15) e demonstremos a todos que temos amor, humildade, verdade, alegria, paz, longanimidade, justiça, benignidade, bondade, fé, mansidão, domínio próprio, etc. (Gl 5.22; Ef 5.9; 1 Pe 5.5).
“Há casos em que é preciso botar pra quebrar. Não dou colher de chá para pastores” — Malafaia poderá argumentar. Concordo, em parte. Jesus, o nosso paradigma (1 Jo 2.6; 1 Co 11.1; 1 Pe 2.21), realmente foi firme, quando necessário. Chamou os fariseus de hipócritas e condutores cegos (Mt 23) e Herodes de raposa (Lc 13.32), bem como verberou contra os maus pastores de algumas igrejas da Ásia (Ap 2-3). Entretanto, Malafaia precisa reconhecer — não para concordar comigo — que a sua resposta aos oponentes da teologia da prosperidade tem sido generalizante e desproporcional.
Muitos homens de Deus respeitadíssimos se opõem à teologia da prosperidade e ao pensamento mercantilista de Mike Murdock e Morris Cerullo. São todos eles idiotas que precisam entregar a credencial? O próprio Silas Malafaia, durante muitos anos, foi um ferrenho oponente da teologia da prosperidade. Há, inclusive, vídeos no YouTube que apresentam sua verberação contra essa heresia. Mas ele não entregou a sua credencial de pastor nem voltou a ser membro para aprender. Pelo que tudo indica, a sua mudança de crítico da aludida heresia para propagador dela ocorreu por influência do telemilionário Murdock e outros.
Concordo que todo o extremismo é perigoso, como disse Silas. Não é porque sou contrário à teologia da prosperidade que serei, por causa disso, favorável à teologia da miséria. Afinal, a Bíblia diz que devemos nos contentar com o que temos, e não nos conformar com o que temos (Fp 4.11-13; 1 Tm 6.8-10). Conformar-se é uma coisa. Contentar-se, outra. Posso estar contente com um carro velho, pois o contentamento vem do Senhor. Mas não preciso me conformar com isso, pois Deus pode me dar um carro melhor.
Por outro lado, é evidente que a teologia da prosperidade é uma aberração, à luz da Bíblia. Por quê? Porque ela é reducionista e prioriza a prosperidade material. Ela faz com que toda a mensagem da Bíblia gire em torno de conquista de dinheiro, bens, riquezas. E induz o crente a supervalorizar as coisas desta vida terrena e passageira, em detrimento das “coisas que são de cima” (Cl 3.1,2; 1 Co 15.57).
Sinceramente, penso que o pastor Silas Malafaia é um grande comunicador, uma pessoa muito influente. Gostaria muito que ele fosse mais equilibrado, coerente e adotasse uma conduta em tudo pautada nas Escrituras. Lamento — lamento muito mesmo — por ele ter abraçado a teologia da prosperidade e por usar impropérios contra quem se lhe opõe. Se usasse os dons que Deus lhe deu e o seu carisma para pregar o Evangelho de maneira contundente, com verdade (Jr 23.28), seria muito mais respeitado por cristãos e não-cristãos.
Com temor e tremor,
Ciro Sanches Zibordi
Por que Mike Murdock falsifica a Palavra de Deus?
Muitas passagens neotestamentárias — especialmente 2 Coríntios 9 — têm sofrido na mão de homens como Mike Murdock. Segundo ele, o Novo Testamento nos ensina a “semearmos” dinheiro para “colhermos” mais dinheiro. Sua tese é simples e, aparentemente, convincente: Quem planta sementes de laranja, colherá muitas laranjas. Quem “semeia” dinheiro “colherá” muito dinheiro. E quem “semeia” muito dinheiro “colherá” muitíssimo dinheiro.
A visão desse “homem mais sábio do mundo” sobre o Evangelho é reducionista. Para ser mais claro, ele prega “outro evangelho” (2 Co 11.4), que induz os incautos a acreditarem que a vida cristã se limita a “semear” e “colher” dinheiro, bens e riquezas.
Conquanto Deus abençoe quem contribui para a sua obra, o texto de 2 Coríntios 9 e seu contexto imediato mostram que o ensino de Paulo visava a motivar os cristãos a ofertarem, antes de tudo, movidos por generosidade e alegria, e não por necessidade, como que desejando “colher” mais do que foi “semeado” (v.7).
Paulo apresentou a lei do “semear e colher” com a intenção de despertar os crentes de Corinto para o auxílio generoso aos pobres. Seu ensino nada tem a ver com desafios para obter riquezas ou para comprar aeronaves, casas, carros, etc. Quando ele motivou os coríntios a serem generosos em favor dos santos de Jerusalém, era notório que estes passavam por sérias dificuldades (2 Co 9.1-5). Os apóstolos haviam solicitado a Barnabé e Saulo que se lembrassem dos pobres (Gl 2.9,10), e eles trouxeram uma contribuição de Antioquia a Jerusalém (Rm 15.25-32).
Foi com base nesse contexto que Paulo disse aos crentes de Corinto: “Aquele que semeia pouco, pouco também ceifará; e o que semeia com fartura, com abundância também ceifará” (2 Co 9.6). Ele desejava que os coríntios contribuíssem com espontaneidade e alegria, e não por causa do que receberiam em troca. Mas também deixou claro que, a despeito de a motivação do salvo para ofertar não ser interesseira, Deus abençoa os generosos.
Se o que nos estimula a contribuir para a obra do Senhor é prioritariamente a generosidade, por que Murdock e seus discípulos usam de poder de persuasão e pressão psicológica? Recentemente, num programa de televisão, esse “doutor” norte-americano (como se tivesse a certeza de que os seus admiradores estavam hipnotizados) ordenou: “Eu quero que você vá ao telefone, saia da sua cadeira, saia do seu sofá. A obediência retardada se torna uma rebelião”.
Murdock não merece crédito, pois torce o princípio da generosidade e estimula os crentes a “semearem” interesseira e egoisticamente. Ele ignora ou despreza o que está escrito em 2 Coríntios 9.10,11: “aquele que dá a semente ao que semeia, e pão para alimento, também suprirá e aumentará a vossa sementeira, e multiplicará os frutos da vossa justiça; enriquecendo-vos em tudo para toda a generosidade”.
Por que Murdock e todos os propagadores da teologia da prosperidade fazem questão de citar versículos bíblicos? Porque sabem que, se convencerem as multidões incautas de que eles são ensinadores compromissados com a Palavra de Deus, serão atendidos por elas em seus desafios milionários.
O evangelho pregado por Mike Murdock nada tem a ver com o verdadeiro Evangelho. Esse famoso palestrante, infelizmente, faz parte do seleto grupo de telemilionários que andam pelo mundo espalhando invencionices, como: “Jesus nasceu numa estrebaria porque os hotéis de luxo estavam todos ocupados”; “Sua roupa era da moda, sem costura”; “Ele entrou em Jerusalém de ‘BMW’, pois o jumentinho era o melhor transporte da época”; “Por que ele tinha um tesoureiro? Porque arrecadava muito dinheiro”, etc.
Se o leitor não estiver convencido de que Mike Murdock tem pregado “outro evangelho”, leia os grandes ensinamentos do Mestre dos mestres contidos em Mateus 5-7,24,25, João 13-17 e Apocalipse 2-3. Verifique se o Senhor Jesus estimula os seus servos a buscarem riquezas materiais. Atente também para o alerta da Palavra do Senhor acerca dos falsos mestres, avarentos, que, mediante “palavras fingidas” (2 Pe 2.1-3), falsificam a Palavra do Senhor (2 Co 2.17), a fim de enriquecerem (1 Tm 6.8-10; Ef 5.5).
Ciro Sanches Zibordi
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
Por que o evangelho ecumênico não é o Evangelho de salvação?
Não sou intolerante. Não sou extremista. Não sou homem-bomba. Não sou belicoso. Não sou inimigo de católicos, kardecistas, muçulmanos, umbandistas, judeus, budistas, testemunhas de Jeová, ateus, agnósticos, etc. Mas jamais apoiarei o ecumenismo. Por quê?
Porque não posso deixar de anunciar que o Senhor Jesus Cristo é o único caminho para a salvação. Não posso deixar de pregar o que Ele mesmo afirmou: “Eu sou a porta” (Jo 10.9); “Eu sou o caminho” (14.6); “Eu sou o Bom Pastor” (10.11); “Eu sou o pão da vida” (6.35), etc.
As pessoas têm livre-vontade e não são obrigadas a crerem como eu creio. Mas não posso deixar de anunciar o verdadeiro Evangelho. O Senhor Jesus não é uma das portas, um dos caminhos, etc. Ele declarou que é a porta, o caminho, para a salvação. Não existe outro Mediador entre Deus e os homens (1 Tm 2.5). Não existe outro Advogado junto ao Pai (1 Jo 2.1,2). Aceitem os religiosos ou não, em nenhum outro nome há salvação (At 4.12). Respeito todas as religiões. Mas não posso deixar de pregar que Jesus é a luz do mundo (Jo 8.12), isto é, a única luz.
Algum cristão mal-informado poderá argumentar: “E o amor? Não é mais importante que tudo? Deus não tem uma aliança de amor com a humanidade? E arco-íris que Ele colocou no céu?” É um grande engano pensar dessa forma, pois o amor que o Senhor Jesus apresentou ao mundo é um sentimento casado com a verdade das Escrituras.
Sabe por que os cantores “glospel” (Globo+gospel) não pregam o verdadeiro Evangelho na televisão? Porque no dia em que eles disserem, em um programa como Esquenta ou Caldeirão do Huck, que Jesus Cristo é a única porta para salvação, nunca mais voltarão lá.
Não se iluda, caro leitor. Não existe aliança de amor divorciada da verdade. O Mestre dos mestres, Jesus Cristo, afirmou: “Se me amardes, guardareis os meus mandamentos. [...] Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, este é o que me ama; [...] Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e o meu Pai o amará, [...] Quem não me ama não guarda as minhas palavras” (Jo 14.15-24).
Portanto, nesse terceiro milênio, serão conhecidos os verdadeiros servos do Senhor: aqueles que têm a coragem de dizer a todos — mesmo que pareçam intolerantes e desamorosos para com as outras religiões — que o Senhor Jesus Cristo é o único Salvador, o único Senhor, o único Mediador.
Assista agora ao vídeo abaixo e veja como é difícil pregar o verdadeiro Evangelho nesses tempos pós-modernos. Mesmo respeitando as pessoas, seria possível pregar que Jesus é o único Salvador e Senhor sem ofender os religiosos, ateus, agnósticos, ativistas homossexuais, etc.?
Em Cristo,
Ciro Sanches Zibordi
Porque não posso deixar de anunciar que o Senhor Jesus Cristo é o único caminho para a salvação. Não posso deixar de pregar o que Ele mesmo afirmou: “Eu sou a porta” (Jo 10.9); “Eu sou o caminho” (14.6); “Eu sou o Bom Pastor” (10.11); “Eu sou o pão da vida” (6.35), etc.
As pessoas têm livre-vontade e não são obrigadas a crerem como eu creio. Mas não posso deixar de anunciar o verdadeiro Evangelho. O Senhor Jesus não é uma das portas, um dos caminhos, etc. Ele declarou que é a porta, o caminho, para a salvação. Não existe outro Mediador entre Deus e os homens (1 Tm 2.5). Não existe outro Advogado junto ao Pai (1 Jo 2.1,2). Aceitem os religiosos ou não, em nenhum outro nome há salvação (At 4.12). Respeito todas as religiões. Mas não posso deixar de pregar que Jesus é a luz do mundo (Jo 8.12), isto é, a única luz.
Algum cristão mal-informado poderá argumentar: “E o amor? Não é mais importante que tudo? Deus não tem uma aliança de amor com a humanidade? E arco-íris que Ele colocou no céu?” É um grande engano pensar dessa forma, pois o amor que o Senhor Jesus apresentou ao mundo é um sentimento casado com a verdade das Escrituras.
Sabe por que os cantores “glospel” (Globo+gospel) não pregam o verdadeiro Evangelho na televisão? Porque no dia em que eles disserem, em um programa como Esquenta ou Caldeirão do Huck, que Jesus Cristo é a única porta para salvação, nunca mais voltarão lá.
Não se iluda, caro leitor. Não existe aliança de amor divorciada da verdade. O Mestre dos mestres, Jesus Cristo, afirmou: “Se me amardes, guardareis os meus mandamentos. [...] Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, este é o que me ama; [...] Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e o meu Pai o amará, [...] Quem não me ama não guarda as minhas palavras” (Jo 14.15-24).
Portanto, nesse terceiro milênio, serão conhecidos os verdadeiros servos do Senhor: aqueles que têm a coragem de dizer a todos — mesmo que pareçam intolerantes e desamorosos para com as outras religiões — que o Senhor Jesus Cristo é o único Salvador, o único Senhor, o único Mediador.
Assista agora ao vídeo abaixo e veja como é difícil pregar o verdadeiro Evangelho nesses tempos pós-modernos. Mesmo respeitando as pessoas, seria possível pregar que Jesus é o único Salvador e Senhor sem ofender os religiosos, ateus, agnósticos, ativistas homossexuais, etc.?
Em Cristo,
Ciro Sanches Zibordi
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
Grandes “pregadores”, pequenos resultados
Este artigo foi publicado pela primeira vez em 2009. Mas resolvi republicá-lo com alguns acréscimos, haja vista alguns acontecimentos recentes.Há duas décadas, fui convidado pela primeira vez para participar de uma agência nacional de pregadores. Um companheiro de púlpito me ofereceu um cartão e disse: “Seria um prazer tê-lo em nossa agência”. Então, lhe perguntei: “Como funciona essa agência?” E a sua resposta me deixou estarrecido: “As igrejas ligam para nós, especificam que tipo de pregador desejam ter em seu evento, e nós cuidamos de tudo. Negociamos um bom cachê”.
É impressionante como o pregador, de uns tempos para cá, se transformou em um produto. Há alguns anos, depois de eu ter pregado em uma igreja (não me pergunte onde), certo pastor me disse: “Gostei da sua pregação, mas o irmão conhece algum pregador de vigília?” Achei curiosa essa pergunta, pois eu gosto de oração, já preguei várias vezes em vigílias, porém, segundo aquele irmão, eu não serviria para pregar em uma vigília!
Em nossos dias — para tristeza do Espírito Santo — pertencer a uma agência de pregadores tornou-se comum e corriqueiro. E os convites para ingressar nessas agências chegam principalmente pela Internet. Nos sites de relacionamento encontramos comunidades pelas quais os internautas mencionam quem é o seu pregador preferido e por quê. Certa jovem, num tópico denominado “O melhor pregador”, declarou: “Não existe ninguém melhor que ninguém; cada um tem a sua maneira de pregar, e cada pessoa avalia segundo o seu gosto”.
Ela tem razão. Ser pregador, hoje em dia, não basta. Você tem de atender às preferências do povo. Já ouvi irmãos conversando e dizendo: “Fulano é um ótimo pregador, mas não é pregador de congresso” ou “Fulano tem muito conhecimento, mas não gosta do reteté”.
Conheçamos alguns tipos de pregador e seus públicos-alvo:
Pregador humorista. Diverte muito o seu público-alvo. Tem habilidade para contar fatos anedóticos (ou piadas mesmo) e fazer imitações. Ele é como famosos humoristas do gênero stand-up comedy. De vez em quando cita versículos. Mas os seus admiradores não estão interessados em ouvir citações bíblicas. Isso, para eles, é secundário.
Pregador “de vigília”. Também é conhecido como pregador do reteté. Aparenta ter muita espiritualidade, mas em geral não gosta da Bíblia, principalmente por causa de 1 Coríntios 14, especialmente os versículos 37 e 40: “Se alguém cuida ser espiritual, reconheça que as coisas que vos escrevo são mandamentos do Senhor... faça-se tudo decentemente e com ordem”. Quando ele vê alguém manejando bem a Palavra da verdade (2 Tm 2.15), considera-o frio e sem unção. Ignora que o expoente que agrada a Deus precisa crescer na graça e no conhecimento (2 Pe 3.18; Jo 1.14; Mt 22.29). Seu público parece embriagado e é capaz de fazer tudo o que ele mandar.
Pregador “de congresso”. Entre aspas porque existe o pregador de congresso que faz jus ao título. Mas o pregador “de congresso” anda de mãos dadas com o pregador “de vigília”, mas é mais famoso. Segundo os admiradores dessa modalidade de pregação, trata-se do pregador que tem presença de palco e muita “unção”. Também conhecido como pregador malabarista ou animador de auditórios, fica o tempo todo mandando o seu público repetir isso e aquilo, apertar a mão do irmão ao lado, beliscá-lo... Se for preciso, gira o paletó sobre a cabeça, joga-o no chão, esgoela-se, sopra o microfone, emite sons de metralhadora, faz gestos que lembram golpes de artes marciais... Exposição bíblica, mesmo, quase nada!
Pregador “de congresso” agressivo. É aquele que tem as mesmas características do pregador acima, mas com uma “qualidade” a mais. Quando percebe que há no púlpito alguém que não repete os seus bordões, passa a atacá-lo indiretamente. Suas principais provocações são: “Tem obreiro com cara de delegado”, “Hoje a sua máscara vai cair, fariseu”, “Você tem cara amarrada, mas você é minoria”. Estas frases levam o seu fanático público ao delírio, e ele se satisfaz em atacar as pessoas que não concordam com a sua postura espalhafatosa.
Pregador popstar. Seu pregador-modelo é o show-man Benny Hinn, e não o Senhor Jesus. É um tipo de pregador admirado por milhares de pessoas. Já superou o pregador de congresso. É um verdadeiro artista. Veste-se como um astro; sua roupa é reluzente. Ele, em si, chama mais a atenção que a sua pregação. É hábil em fazer o seu público abrir a carteira. Seus admiradores, verdadeiros fãs, são capazes de dar a vida pelo seu pregador-ídolo. Eles não se importam com as heresias e modismos dele. Trata-se de um público que supervaloriza o carisma, em detrimento do caráter.
Pregador “ungido”. Para impressionar o seu público, derrama óleo sobre a própria cabeça ou pede para seus auxiliares fazerem isso. Um desses pregadores pediu, recentemente, para sua equipe derramar doze jarras de azeite em sua cabeça! E o terno? Ah, isso não importa. Somente os fariseus se preocupam com desperdício. Para os fãs desse tipo de pregador tudo atos pretensamente proféticos valem muito mais que uma simples exposição bíblica...
Pregador milagreiro. Também tem como paradigma Benny Hinn, mas consegue superar o seu ídolo. Sua exegese é sofrível. Baseia-se, por exemplo, em 1 Coríntios 1.25, para pregar sobre “a unção da loucura de Deus”. Cativa e domina o seu público, que, aliás, não está interessado em ouvir uma exposição bíblica. O que mais deseja é ver sinais, como pessoas lançadas ao chão supostamente pelo poder de Deus e fenômenos controversos. Em geral, o pregador milagreiro, além de ilusionista e “poderoso” (Dt 13.1-4), é aético e sem educação. Mesmo assim, ainda que xingue ou ameace os que se opõem às suas sandices e invencionices, o seu público é fiel e sempre diz “aleluia”.
Pregador mercantilista. Todas as suas mensagens têm como meta induzir o seu público a dar dinheiro. Esse tipo de pregador existe desde os tempos dos apóstolos (2 Co 2.17; 2 Pe 2.1-3) e, na atualidade, aparece bastante na televisão. Alguns pregadores mercantilistas pertencem também à categoria popstar. Qualquer passagem bíblica pode ser usada a bel-prazer, a fim de atender aos seus propósitos. Isaque é a “melhor oferta financeira”, jumentinho que Jesus montou é “BMW”. E assim por diante.
Pregador contador de histórias. Conta histórias como ninguém, mas não respeita as narrativas bíblicas, acrescentando-lhes pormenores que comprometem a sã doutrina. Costuma contextualizar o texto sagrado ao extremo. Ouvi certa vez um famoso pregador dizendo: “Absalão, com os seus longos cabelos, montou na sua motoca e vruuum...” Seu público — diferentemente dos bereanos, que examinavam “cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim” (At 17.11) — recebe de bom grado histórias extrabíblicas e antibíblicas.
Pregador cantante. Indeciso quanto à sua chamada. Costuma cantar dois ou três hinos (hinos?) antes da pregação e outro no meio dela. Ao final, canta mais um. Seu público gosta dessa “versatilidade” e comemora: “Esse irmão é uma bênção! Prega e canta”. Na verdade, ele não faz nenhuma das duas coisas bem.
Pregador “massagista”. É hábil em dizer palavras que massageiam os egos e agradam os ouvidos (2 Tm 4.1-5). Procura agradar a todos porque a sua principal motivação é o dinheiro. Ele não tem outra mensagem, a não ser “vitória”, principalmente a financeira. Talvez seja o tipo de pregador com maior público, ao lado dos pregadores humorista, popstar, mercantilista e milagreiro.
Pregador sem graça. É aquele que não tem a graça de Deus (At 4.33). É um pregador bem suado, e não necessariamente abençoado. Sua pregação, literalmente sem graça, é como uma espada: comprida e chata (maçante, enfadonha). Mas até esse tipo de pregador tem o seu público, formado pelos irmãos que gostam de dormir ou conversar durante a pregação.
Pregador chamado por Deus (1 Tm 2.7). Prega a Palavra de Deus com verdade. Estuda a Bíblia diariamente. Ora. Jejua. É verdadeiramente espiritual. Tem compromisso com o Deus da Palavra e com a Palavra de Deus. Seu paradigma é o Senhor Jesus Cristo, o maior pregador que já andou na terra. Ele não prega para agradar ou agredir pessoas, e sim para cumprir o seu chamado. Seu público — que não é a maioria, posto que são poucos os fiéis (Sl 12.1; 101.6) — sabe que ele é um profeta de Deus. Sua mensagem é Cristo (1 Co 1.22,23; 2.1-5). Esse tipo de pregador está em falta em nossos dias, mas não chama muito a atenção das agências de pregadores. A bem da verdade, estas sabem que nunca poderão contar com ele...
Qual é a sua modalidade preferida, prezado leitor? Você pertence a qual público? E você, pregador, qual dos perfis apresentados mais lhe agrada? Qual é a sua motivação? Você prega para agradar a Deus, verdadeiramente, ou tem outros interesses?
Ciro Sanches Zibordi
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
O que é mercadejar a Palavra de Deus?
O mercantilismo surgiu na Europa, entre os séculos XV e XVI, quando um conjunto de práticas e medidas econômicas começou a ser usado pelos Estados, com os objetivos de unificar o mercado interno e possibilitar importação e exportação entre os países. Nessa mesma época já existia também uma forma de mercantilismo religioso, praticado pela Igreja Católica Romana.
Em Uma Breve História do Mundo, o professor Geoffrey Blainey afirma: “A Igreja reuniu cobradores de impostos profissionais e, assim como as pessoas que hoje ajudam a angariar fundos nas instituições de caridade, eles se encarregavam de vender indulgências. (...) Martinho Lutero detestava a prática de venda de indulgências, que nada mais eram que pacotes caros pagos pelo perdão. Em 31 de outubro de 1517, na véspera do Dia de Todos os Santos, um dia importante do calendário, afixou seus protestos em latim à porta da igreja do castelo de sua cidade” (Fundamento, p.185).
Há críticos mal-informados na Internet afirmando que a simples comercialização de livros, CDs, DVDs e outros produtos evangélicos ou o recebimento de direitos autorais caracterizam mercantilismo da Palavra. Entretanto, ao dizer: “nós não estamos, como tantos outros, mercadejando a palavra de Deus” (2 Co 2.17, ARA), Paulo se referiu à conduta dos falsos obreiros, que, para ganhar dinheiro, estavam dispostos a tudo, inclusive a falsificar as Escrituras (1 Tm 6.8-10).
Desde os tempos da igreja primitiva havia pessoas mal-intencionadas, sem compromisso com as Escrituras, interesseiras e sem temor de Deus que vagueavam pelas igrejas cristãs usando o Evangelho para obter lucro (2 Co 11.3-15). Isso levou o apóstolo Paulo a mostrar aos cristãos de Corinto que ele era diferente desses aproveitadores. Referindo-se aos falsos mestres, o apóstolo Pedro, de igual modo, alertou os crentes da época quanto aos que mercadejam a fé (2 Pe 2.1-3).
Mercantilizar a Palavra (ou mercadejar a fé) diz respeito à prática de obreiros fraudulentos. Estes se valem do Evangelho para obtenção de vantagens financeiras ou lucro, o que é, sem dúvida, uma forma condenável de comercialização.
O mercantilismo do Evangelho, portanto, consiste no oportunismo de pessoas que se aproveitam da simplicidade e da ingenuidade das pessoas para ganharem dinheiro de modo fácil. Grosso modo, editoras, gravadoras, escritores, compositores e cantores não podem ser acusados de mercantilistas, a menos que usem de má-fé e se valham de heresias de perdição, como é o caso da teologia da prosperidade.
Falsos obreiros há que, em vez de abrirem uma mercearia ou uma padaria, optam pela comercialização do Evangelho. Ignoram que já existem igrejas bem estruturadas, capazes de formar discípulos de Jesus e acolhê-los, e fundam as suas próprias igrejas-negócios. Segue-se que o mercantilismo é caracterizado quando o dinheiro é a causa, e não o efeito.
Exploradores da fé se aproveitam da liberdade religiosa que vigora no Brasil e da facilidade para abrir uma igreja. Afinal, são necessários apenas cinco dias úteis e menos de R$ 500,00 em despesas burocráticas para estabelecer uma igreja legalmente, com CNPJ e tudo. É preciso somente o registro da assembleia de fundação e do estatuto social em cartório.
Boa parte dos programas evangélicos de TV também é mercantilista. Não apresem conteúdo evangelístico; sua ênfase recai no triunfalismo e na prosperidade meramente financeira, como se isso fosse a prioridade do cristão. Seus apresentadores se valem de mensagens “proféticas” e testemunhos de pessoas que teriam recebido vitórias financeiras, mediante os quais sensibilizam os telespectadores a lhes enviarem vultosas contribuições.
Há poucos dias, conversando com um pastor e amigo de Fortaleza-CE, falávamos a respeito de um famoso telepregador que defende a falaciosa ideia de que as ovelhas existem para enriquecer os pastores. Isso também é uma forma de mercantilismo. À luz do Novo Testamento, o pastor que segue o exemplo do Sumo Pastor deve se sacrificar em prol das ovelhas, e não o inverso: “Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas” (Jo 10.11).
Ciro Sanches Zibordi
Ah, se Paulo fosse ao Caldeirão do Huck...
Pare o mundo que eu quero descer! Famosa cantora “glospel” disse no Twitter que, ao visitar o Caldeirão do Huck, sentiu-se como Paulo no Areópago... Ela ignorou “pequenas” diferenças entre os episódios, pois o imitador de Cristo não pregou a convivência ecumênica nem apresentou uma mensagem que os atenienses queriam ouvir. Ele disse o que todos precisavam ouvir: “[Deus] anuncia agora a todos os homens, em todo o lugar, que se arrependam” (At 17.30).
A cantora “glospel”, deslumbrada por aparecer de novo na maior emissora brasileira, estava sorridente e saltitante. Quanto ao apóstolo Paulo, ao chegar a Atenas, “o seu espírito se comovia em si mesmo, vendo a cidade tão entregue à idolatria” (At 17.16). Esse é o sentimento de um imitador de Cristo. À semelhança de seu Mestre, via os pecadores como ovelhas que não têm pastor (Mt 9.36).
Quem conhece o Evangelho chora diante da idolatria prevalecente no Brasil. Mas os propagadores do evangelho do arco-íris estão com o sorriso de orelha a orelha por causa dos milhões de CDs vendidos. O leitor percebeu como a comparação da “levita” foi infeliz?
Ah, se Paulo estivesse no lugar dela... Ele não teria perdido a oportunidade de “disputar” com o apresentador (At 17.17), pois teve a coragem de enfrentar os filósofos epicureus e estoicos, que “contendiam com ele” e zombavam: “Que quer dizer este paroleiro?” Eles o acusaram de ser um “pregador de deuses estranhos. Porque lhes anunciava a Jesus e a ressurreição” (v.18). E o levaram ao Areópago.
Mas a famosa cantora não teve ousadia para discordar do falso evangelho ecumênico propagado pela Rede Globo. Ao ouvir a frase: “O Caldeirão é uma mistura de religiões”, ela respondeu: “Tem espaço pra todo mundo”.
É, meu amigo, o evangelho-show, também conhecido como evangelho do arco-íris, é muito diferente do verdadeiro Evangelho! Paulo não foi ao Areópago para se apresentar. Ele apresentou o Salvador do mundo. E, por isso, dividiu as opiniões (At 17.32-34).
Alguém poderá argumentar: “Não exagere, irmão Ciro. Não seja tão inflexível. A cantora falou da água da vida, que é Cristo”. Sim, ela realmente falou. Mas não de maneira contundente, clara, confrontadora. E, logo em seguida, sua frase foi suavizada mais ainda, ao ser inserida no bojo do sincretismo religioso, pelo apresentador. Teria ela coragem de discordar e dizer o que disse Paulo aos atenienses: “Varões atenienses, em tudo vos vejo um tanto supersticiosos” (At 17.22)?
Como se vê, o nome da cantora é igual ao do apóstolo, porém a sua mensagem é muito diferente. Esse “outro evangelho” pregado por celebridades gospel não confronta o pecado. Ele é light, agradável, apaziguador, simpático, suave e, por isso, recebe aplausos das pessoas mundanas.
Mas Paulo, no caldeirão das superstições e filosofias, em Atenas, pregou sem medo: “Deus, não tendo em conta os tempos da ignorância, anuncia agora a todos os homens, e em todo o lugar, que se arrependam; porquanto tem determinado um dia em que com justiça há de julgar o mundo, por meio do varão que destinou; e disso deu certeza a todos, ressuscitando-o dos mortos” (At 17.30,31).
Ciro Sanches Zibordi
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
Conversei com o apóstolo Paulo!
Calma, calma... É só mais uma postagem bem-humorada, mas assista ao vídeo abaixo:
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
Ajude-me a escrever o Dicionário da Teologia da Prosperidade
Estou sem tempo para escrever um dicionário com todos os termos da teologia da prosperidade, mas conto com a ajuda dos queridos internautas. Adicionem comentários com outros termos, por gentileza.
Vou começar...
Letra I
Isaque. A melhor oferta em dinheiro que um crente pode entregar. Esse termo também pode ser grafado assim “I$aque”.
Letra J
Jumento. Atualmente designa BMW. Mas esse termo também é sinônimo de Rolls Royce.
Letra S
Sacrifício. Ou $acrifício. É uma oferta muito boa, sacrificial. Aparentemente, fará falta ao ofertante. Pode ser o dinheiro do aluguel, da conta de luz, etc.
Sementes. Ou $emente$. Denota uma boa quantidade em dinheiro que deve ser “semeada” para atender a ordem de teleprofetas e telepregadores.
Conto com a colaboração daqueles que estão indignados com a falaciosa teologia da prosperidade.
Ciro Sanches Zibordi
A prosperidade no Novo Testamento
Neste trimestre, as igrejas que utilizam as Lições Bíblicas da CPAD estão estudando a respeito da verdadeira prosperidade, em contraposição à falaciosa teologia da prosperidade. A lição do próximo domingo gira em torno do que a Bíblia diz a respeito desse assunto nas páginas neotestamentárias.
Prosperidade nos Evangelhos
No Novo Testamento vemos que ter uma vida abastada, a despeito de isso ser muito bom, não é o principal alvo do salvo. O Mestre deixou claro, em Mateus 6.19-21, que não devemos priorizar as riquezas deste mundo. Para os teólogos da prosperidade, a vida cristã resume-se em ter saúde, bens, dinheiro, dispensa cheia... Tudo gira em torno de prosperidade financeira. No entanto, Jesus ensinou: “Trabalhai não pela comida que perece, mas pela comida que permanece para a vida eterna” (Jo 6.27).
A comida para o corpo é insubstituível. Ninguém sobrevive sem alimento. Contudo, o Senhor Jesus falou de uma comida ainda mais importante e prioritária: “A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra” (Jo 4.34).
Prosperidade nas cartas paulinas
Paulo, imitador de Cristo (1 Co 11.1), asseverou: “o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo” (Rm 14.17). Ele ensinou os cristãos em Roma e a nós, por extensão, a não ambicionarmos as coisas altas (Rm 12.16). E, em 1 Coríntios 15.19, afirmou: “Se esperarmos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens”.
Em Romanos 4, Paulo apresenta Abraão como um paradigma para todos os crentes. Esse homem de fé, entretanto, não prosperou apenas materialmente. Em nenhum momento de sua biografia, sua prosperidade material é apresentada como uma prova de fidelidade ao Senhor. A Palavra de Deus enaltece a sua postura de esperança, convicção da chamada divina, humildade, obediência e comunhão com o Todo-Poderoso (vv.18-21; cf. Hb 11.8).
Uma das afirmações paulinas favoritas dos defensores da falsa prosperidade é Filipenses 4.13. Mas ela nada tem a ver com a reivindicação de bênçãos em decorrência de contribuição financeira. Que tal lermos os versículos 11 e 12? À luz desse contexto imediato, o que Paulo quis dizer com “Posso todas as coisas”?
Primeiro: podemos, em Cristo, nos contentar com o que temos (1 Tm 6.8). Paulo não disse: “aprendi a conformar-me com o que tenho”, e sim “aprendi a contentar-me com o que tenho”. O nosso contentamento baseia-se na comunhão com Jesus, e não nos bens que possuímos. Nada é mais precioso que a salvação! Nossa alegria deve subsistir mesmo em meio às adversidades (Hc 3.17,18).
Segundo: podemos suportar, no Senhor, os momentos de abatimento ou humilhação. O crente que aprende isso nunca deixa de ser fiel nos períodos de angústia, mas permanece firme (Pv 24.10), alcançando vitórias em meio às tribulações e aflições (Jo 16.33; Rm 8.18).
Terceiro: podemos nos manter submissos ao Senhor e em paz com os irmãos, mesmo tendo abundância e fartura. Não pense que isso é fácil. Lembra-se de Abraão? A sua prosperidade quase lhe trouxe problemas de relacionamento com o seu sobrinho Ló (Gn 13.1-9). O servo do Senhor pode, em Cristo, ser vitorioso diante de tentações e perigos comuns a uma vida abastada.
Quarto: podemos enfrentar qualquer circunstância, inclusive a fome. Essa é a parte mais difícil do versículo em análise, pois ouvimos os pregadores da prosperidade dizendo o tempo todo que somos ricos, prósperos, etc. Ora, sabemos que, em regra geral, o crente não passa fome, nem padece necessidade: “Os filhos dos leões necessitam e sofrem fome, mas aqueles que buscam ao Senhor de nada têm falta” (Sl 34.10).
Entretanto, Deus pode permitir que passemos por privação e provação. E, se isso acontecer, devemos manter a nossa fé e continuar dando glória a Jesus. A Palavra do Senhor diz que nada — absolutamente nada — pode nos separar do amor de Cristo: nem a tribulação, nem a angústia, nem a perseguição, nem a fome, nem a nudez, nem o perigo, tampouco a espada (Rm 8.35-39).
Em 1 Timóteo 6.8-10, encontramos as razões pelas quais alguém abandona o verdadeiro Evangelho para seguir a teologia da prosperidade:
1) Falta de contentamento. “Tendo, porém, sustento e com que nos cobrirmos, estejamos com isso contentes” (v.8). A falta de contentamento gera ganância, avareza e consumismo. O ser humano é descontente por natureza, porém o Espírito Santo comunica ao crente gozo (Gl 5.22), regozijo (Fp 4.4), isto é, a alegria que vem do Senhor, a qual é a nossa força diante das adversidades (Ne 8.10).
2) Priorização das riquezas. “Mas os que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína” (v.9). Há crentes interesseiros, que não priorizam a comunhão com Deus. São egoístas; só pensam em seu bem-estar (2 Tm 3.2).
3) Amor ao dinheiro. “Porque o amor do dinheiro é a raiz de toda espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé e se traspassaram a si mesmos com muitas dores” (v.10). Em Eclesiastes 5.10, também está escrito: “O que amar o dinheiro nunca se fartará de dinheiro; e quem amar a abundância nunca se fartará da renda; também isto é vaidade”.
Quem não se contenta com o que possui, priorizando a busca de riquezas e o amor ao dinheiro, é capaz de fazer qualquer coisa para ganhar mais e mais dinheiro, até mesmo mercadejar a Palavra de Deus (2 Co 2.17, ARA). A avareza é uma espécie de idolatria (Ef 5.5), e nenhum idólatra entrará no Reino de Deus (1 Co 5.11; Ap 21.8).
A prosperidade em outras epístolas
Pedro, por sua vez, ensina que líderes e ensinadores, por não priorizarem a verdadeira prosperidade, negam “o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição” (2 Pe 2.1). Ele mostra que esses falsos mestres têm como motivação o dinheiro, visto que, por avareza, fazem “negócio com palavras fingidas; sobre os quais já de largo tempo não será tardia a sentença, e a sua perdição não dormita” (v.3).
À luz do Novo Testamento, não é pecado ser pobre, nem rico. Somos livres para trabalhar e conquistar dignamente os nossos bens. Por isso, o texto de Tiago 2.1-5 apresenta algumas lições quanto à convivência em comunhão entre ricos e pobres na Casa de Deus:
1) Não deve haver acepção de pessoas (vv.1,4). Não podemos nos deixar influenciar por ideologias humanas, e sim pela Palavra de Deus, segundo a qual os ricos não devem menosprezar os pobres; nem estes, valendo-se do complexo de inferioridade, se indignar contra aqueles.
2) Não deve haver desprezo aos pobres (vv.2,3). É uma tendência humana julgar as pessoas pela aparência (1 Sm 16.7; Jo 7.24). No entanto, não devemos tratar melhor alguém só porque exibe um anel de ouro ou usa vestes preciosas. Ninguém é superior perante o Senhor. Todos devem se humilhar diante dEle (Lc 18.9-14).
3) Os pobres devem ser honrados. “Ouvi, meus amados irmãos. Porventura, não escolheu Deus aos pobres deste mundo para serem ricos na fé e herdeiros do Reino que prometeu aos que o amam?” (v.5). É claro que a salvação não é apenas para os pobres, porém esse versículo deixa claro que o Senhor prioriza a riqueza da fé, e não a prosperidade financeira.
Se os pobres são ricos na fé e devem ser honrados na Casa de Deus, não há fundamento na afirmação de que a pobreza é uma maldição, estando atrelada ao pecado ou a algum “encosto”. Isso é uma invencionice, e muitos crentes, por falta de conhecimento, estão sendo enganados por homens que mercadejam a Palavra de Deus.
Louvo a Deus por esse trimestre das Lições Bíblicas da CPAD!
Ciro Sanches Zibordi
sábado, 14 de janeiro de 2012
Atenção, cearenses: adotem uma BMW
Há alguns anos, visitei a bela cidade praiana de Paracuru, no Ceará, e fiquei impressionado com o grande número de BMW sem dono. Muitas delas, ao entardecer, podem ser vistas junto à praia completamente abandonadas...
Não entendeu? Então clique aqui.
Ciro Sanches Zibordi
Jesus e a BMW
Muitos estão indignados com um vídeo publicado no YouTube em que uma cantora gospel (filha do líder de uma grande igreja de Belo Horizonte-MG) e seu marido fazem afirmações fúteis a respeito do Senhor Jesus e seu ministério terreno. O rapaz chega a afirmar que o jumento montado por Jesus era uma espécie de BMW da época, e que Ele só teria nascido numa estrebaria porque não havia vagas nos hotéis!
Há uns vinte anos, mais ou menos, os pastores que priorizavam as riquezas eram duramente criticados. Hoje, líderes de grandes ministérios e seus célebres familiares — o nepotismo eclesiástico também se banalizou, nesses tempos pós-modernos — dizem, sem nenhum constrangimento, que Jesus era rico e desfrutou do bom e do melhor neste mundo. E ai dos que discordarem! Serão tachados de miseráveis, frustrados, invejosos... Isso para dizer o mínimo, pois os fãs de celebridades (que não são, evidentemente, seguidores de Jesus) costumam chamar os críticos dos seus ídolos de filhos da... (piii) ou mandá-los para p... (piii) que p... (piii), etc.
Nota-se que o jovem casal mencionado tem aprendido com quem bebeu nas fontes escuras e turvas da teologia da prosperidade. Sua “visão de Reino” é a mesma de famosos telepregadores do mercantilismo da fé, como Kenneth Copeland, Frederick Price, Benny Hinn, Morris Cerullo, Mike Murdock e John Avanzini. Todos estes asseveram que Jesus usava roupas da moda (de corte especial, sem costura), tinha uma ótima casa, grande o bastante para receber os seus discípulos. Price, inclusive, afirma que dirige um Rolls Royce porque está seguindo os passos do Mestre. Para esses telemilionários, o Senhor tinha um tesoureiro porque seu ministério arrecadava muito dinheiro!
Um único versículo bíblico colocaria por terra todas as aludidas invencionices a respeito de Jesus: Mateus 8.20. Aqui, o Senhor afirma: “As raposas têm covis, e as aves do céu têm ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça” (Mt 8.20). Mas é bom observar a profecia de Zacarias 9.9 acerca da entrada triunfal do Rei em Jerusalém. Ao montar em um jumentinho, Jesus demonstrou a sua humilidade e a sua pobreza (2 Co 8.9; Fp 2.5-8).
Alguém poderá argumentar: “Na Bíblia não há promessa de prosperidade ao povo de Deus?” Sim. Mas a prosperidade bíblica não é reducionista; sua ênfase não recai no materialismo. A palavra “prosperidade”, do latim prosperus, significa “feliz, ditoso, florescente”. E, nesse sentido, a Palavra de Deus afirma: “O justo florescerá como a palmeira; crescerá como o cedro do Líbano. Os que estão plantados na Casa do SENHOR florescerão nos átrios do nosso Deus. Na velhice ainda darão frutos; serão viçosos e florescentes” (Sl 92.12-14).
Segundo a Bíblia, florescer como uma árvore significa prosperar em todos os sentidos (Sl 1.1-3) e dar muito fruto (Jo 15.1-5). Ora, uma árvore não cresce apenas para cima ou para os lados; cresce também para baixo; tem raízes. Essa é a prosperidade que o Senhor quer dar aos seus filhos: um crescimento em todas as direções. É um grande engano encarar a prosperidade material como um fim em si mesmo (Mt 6.33).
Por que a teologia da prosperidade faz tanto sucesso, atrai multidões e encontra pronta aceitação no coração das pessoas? Porque os seus propagadores, à semelhança dos falsos profetas de Israel, descobriram a mensagem que o povo quer ouvir! Em Ezequiel 13.10-19, está escrito: “andam enganando o meu povo, dizendo: Paz, não havendo paz [...] os profetas de Israel que profetizam de Jerusalém e veem para ela visão de paz, não havendo paz [...] Vós me profanastes entre o meu povo [...] mentindo, assim, ao meu povo que escuta a mentira”.
Os telepregadores da prosperidade mandam os crentes repreenderem o demônio da miséria e determinarem a sua prosperidade. Mas, em Romanos 15.26, está escrito: “Porque pareceu bem à Macedônia e à Acaia fazerem uma coleta para os pobres dentre os santos que estão em Jerusalém”. Observe que o texto menciona uma coleta para ajudar pobres dentre os santos. Não seria mais fácil para Paulo repreender o demônio da pobreza?
Jesus nunca falou dos perigos de ser pobre. Mas, por inúmeras vezes, discorreu sobre os perigos de ser rico (Mt 6.19-21; Lc 12.16-21, etc.). Em 1 Timóteo 6.8-10, encontramos as razões pelas quais alguém abandona o verdadeiro Evangelho para seguir a teologia da prosperidade: falta de contentamento, priorização das riquezas, amor ao dinheiro. Em Eclesiastes 5.10, também está escrito: “O que amar o dinheiro nunca se fartará de dinheiro; e quem amar a abundância nunca se fartará da renda; também isto é vaidade”.
É pecado ser rico? Não. Mas é perigoso. Isso porque a sensação — apenas a sensação — de que a riqueza coloca alguém numa posição superior em relação às pessoas pobres torna o crente um alvo fácil do Inimigo (1 Tm 2.9). Há uma grande probabilidade de os ricos se ensoberbecerem e se tornarem avarentos, desprezando os pobres e perdendo, com isso, a comunhão com Deus (Tg 2.9).
Quem não se contenta com o que possui, priorizando a busca de riquezas e o amor ao dinheiro, é capaz de fazer qualquer coisa para ganhar mais e mais dinheiro, até mesmo mercadejar a Palavra de Deus (2 Co 2.17, ARA). A avareza é uma espécie de idolatria (Ef 5.5), e nenhum idólatra entrará no Reino de Deus (1 Co 5.11; Ap 21.8). O amor ao dinheiro é a raiz de todos os males.
O dinheiro, em si, é necessário para a nossa manutenção. Contudo, existe o perigo de o chamado “vil metal” ocupar o primeiro lugar em nosso viver. E isso tem acontecido na vida de alguns líderes e pregadores, que, pelo dinheiro, são capazes até de negar “o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição” (2 Pe 2.1).
De acordo com a Palavra de Deus, os falsos mestres, cuja motivação é o dinheiro, são capazes de fazer, por avareza, “negócio com palavras fingidas; sobre os quais já de largo tempo não será tardia a sentença, e a sua perdição não dormita” (2 Pe 2.3). E não é isso que vemos em nossos dias? Os falsos mestres estão por aí vendendo as suas “indulgências”, pregando um evangelho falso, centrado no “ter”.
Que Deus nos guarde! Façamos a sábia oração de Agur: “não me dês nem a pobreza nem a riqueza; mantém-me do pão da minha porção acostumada; para que, porventura, de farto te não negue e diga: Quem é o SENHOR? Ou que, empobrecendo, venha a furtar e lance mão do nome de Deus” (Pv 30.7-9).
Não ambicionemos, pois, as coisas altas (Rm 12.16). Não tenhamos como referenciais as celebridades gospel, pois elas, em sua maioria, não têm compromisso com a Palavra de Deus. Sigamos o conselho da Palavra do Senhor: “Sejam os vossos costumes sem avareza, contentando-vos com o que tendes; porque ele disse: Não te deixarei, nem te desampararei” (Hb 13.5). E ainda: “Aquele que tem o olho mau corre atrás das riquezas, mas não sabe que há de vir sobre ele a pobreza” (Pv 28.22).
Quantos podem dizer “amém”?
Ciro Sanches Zibordi
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
Blog do Ciro faz aniversário em plena sexta-feira 13
Gente do céu! Em meio a tantos compromissos, quase me esqueço de uma data importantíssima. Hoje, em plena sexta-feira 13, o Blog do Ciro completa 5 anos de existência!
Isso significa que, se o prezado internauta não me der os parabéns, terá 5 anos de azar! Calma, calma... Não leve a sério tudo o que dizem sobre esse dia. Mas não cruze com um gato preto, hein! Ah, e também não passe debaixo de escadas...
Falando sério, de onde vem a crendice de que o número 13 dá azar? Possivelmente, da mitologia nórdica. E a sexta-feira 13? Alguns pesquisadores associam essa superstição a Judas Iscariotes, considerado o 13º. participante da chamada última Ceia — na verdade, a última Páscoa (Lc 22.16). Como o Senhor foi crucificado numa sexta-feira, supõe-se que daí advenha a sexta-feira 13, Jason e cia.
Para se ter uma ideia de como há pessoas supersticiosas, existem vários elevadores, no mundo todo, em que o número 13 é omitido. Eu era office-boy, quando vi isso pela primeira vez no prédio do Banco Safra, na Avenida Paulista, em São Paulo. Estranhei quando o elevador passou do 12º. para 14º. andar e imediatamente olhei para os botões e não encontrei o número 13.
Na Bíblia, o número 13 não dá azar nem sorte. Mas é um número significativo. Basta observar que o Apóstolo Jesus Cristo (Hb 3.1) e os seus 12 seguidores formaram um grupo de 13 apóstolos. Jericó também foi rodeada 13 vezes pelos israelitas — alguém pensa que foram apenas 7 voltas, mas o texto de Josué 6.3-4 mostra que foram 13, ao todo. Os livros de Neemias, 2 Coríntios e Hebreus também possuem 13 capítulos. E a bênção apostólica está registrada em 2 Coríntios 13.13. Ou seja, o último capítulo dessa carta possui 13 versículos!
Louvado seja Deus por esse 5 anos de Blog do Ciro!
Ciro Sanches Zibordi
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
Uma nova fase para a minha vida
Comecei o ano passado com muitos projetos no coração, especialmente na área editorial. Além disso, tinha quatro viagens programadas para o exterior: Japão, Estados Unidos, Guiana Francesa e Europa. Só fiz a última. A primeira foi adiada por causa do terremoto. A segunda, desmarcada. E a terceira não pude realizar porque quebrei o cotovelo.
Lembrei-me de quando Paulo tencionou viajar para Ásia e Bitínia, e o Espírito de Jesus não lho permitiu (At 16.6,7). Não é por acaso que a Bíblia diz: “Muitos propósitos há no coração do homem, mas o conselho do SENHOR permanecerá” (Pv 19.21).
No meio de 2011, percebi que devia buscar a Deus com maior anelo, a fim de que Ele me dirigisse em tudo. Interrompi alguns projetos editoriais em andamento. Pedi para algumas pessoas aguardarem e disse ao Pai amado: “Senhor, tenho muitos projetos, mas quero fazer a tua vontade”.
A chamada que recebi do Senhor Jesus é multifacetada. Ela não está restrita à itinerância e à palavra impressa. Há quase quatro anos, quando me desliguei do vínculo empregatício com a CPAD (Casa Publicadora das Assembleias de Deus), recebi um honroso convite do pastor Francisco José da Silva, que preside a Assembleia de Deus do Ministério de Cordovil-RJ (foto acima), na qual sirvo ao Senhor desde 2001.
Orei, orei, orei... Mas não senti direção do Senhor para atender ao aludido convite, naquela ocasião. Em novembro de 2011, fui novamente convidado pelo pastor para priorizar o trabalho pastoral. E, após muitas confirmações da parte do Senhor, pelas mais diversas maneiras, resolvi aceitar o desafio.
Na última terça-feira, no culto de ensino, em que ministrei a Palavra, por graça de Deus, fui apresentado à igreja como co-pastor. Recebi do Senhor essa incumbência, junto com a minha família, sob a oração dos santos, conduzida pelo pastor e mestre Antonio Gilberto.
A partir de agora, pelo menos neste primeiro ano de trabalho, não poderei atender a muitos convites para ministrar a Palavra. Quanto aos projetos editoriais, eles seguem, com ajuda do Senhor. Em dezembro de 2011, recebi um e-mail do diretor-executivo da CPAD, o irmão Ronaldo Rodrigues de Souza, pelo qual me solicitou que entregue em janeiro deste ano o meu novo livro. Estou trabalhando diuturnamente para atender a esse pedido da nossa Casa.
Conto com as orações de todos os amigos e irmãos em Cristo.
Ciro Sanches Zibordi
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
Quer saber o que penso sobre o BBB com a participação de evangélicas?
Vou lhe confessar uma coisa, caro leitor.
E espero que não fique decepcionado.
Mas lhe digo isso diante do Senhor.
Por BBB estou apaixonado.
Durmo pensando em BBB.
Acordo com BBB na mente.
BBB é tudo o que eu quero ver.
Afinal, eu sou crente!
Com BBB, não vejo o tempo passar.
É melhor do que estar com os amigos.
BBB me ensina a amar.
Afasta-me dos perigos.
Penso que BBB também é bom para você.
Sabia que pode mudar a sua história?
Mas cuidado com certo programa de TV.
Não perca a sua vitória!
Aliás, dizem que agora o programa é especial.
E abrirá a cabeça de muita gente.
A maioria da casa é homossexual.
Mas ela também conta com duas crentes!
Nosso Deus, que grande efervescência!
Isso para mim é jugo desigual.
Fujamos dessa tele-excrescência!
Ai dos que ao bem chamam mal.
Dizem que haverá evangelização.
Mas, como se dará isso?
Para mim, evangélicas ali é uma aberração.
Com essa mistura Deus não tem compromisso.
Então, por que disse que gosto de BBB?
Porque o meu programa é para salvo.
É big; e é para brothers de todo o Brasil, inclusive você.
Ele nunca nos faz errar o alvo.
Portanto, amigo leitor, não seja bobo!
Deus quer abençoar a sua vida!
Esqueça essa armadilha da Globo!
E pense em Bíblia, Bíblia, Bíblia!
Ciro Sanches Zibordi
O Evangelho do sangue de Cristo e o evangelho do arco-íris
Cheguei no domingo passado, à noite, da bela cidade de Fortaleza, Ceará, onde ministrei a Palavra de Deus na convenção da Assembleia de Deus Canaã. Tive o privilégio de conhecer pessoalmente o pastor Jecer Goes, líder daquela igreja. Impressionei-me com a multidão reunida naquele grandioso templo (que comporta doze mil pessoas sentadas) e com a estrutura daquele ministério. Mas não foi isso que me deixou mais maravilhado...
Conheci um líder na direção de Deus, um evangelista chamado pelo Senhor, um ousado ganhador de almas, um homem desapegado, que desgasta-se pela obra do Senhor. O Evangelho pregado pelo pastor Jecer Goes é muito diferente do festejado evangelho do arco-íris. Conversei, ali, com pessoas verdadeiramente salvas, libertas das drogas, da prostituição e do homossexualismo.
Numa tarde, durante o evento, pedi para permanecer no hotel com a minha família e resolvi escrever um artigo sobre a aliança “glospel”, firmada entre a Rede Globo e os adeptos do evangelho do arco-íris. Ao dizer, no texto, que essa aliança ecumênica e sincrética está cada vez mais colorida, citei o CD de um famoso cantor gospel, que traz na capa as seis cores do arco-íris da “diversidade”. Recebi muitos elogios, mas também fui bombardeado por alguns fãs do cantor, que me mandaram “tomar... café”, me xingaram de “via... jado”, etc. Só faltou alguém me dizer: “Vá pra... Portugal de navio, seu filho da... mãe”.
Essa é a diferença entre o Evangelho da cruz e o colorido evangelho-show. O primeiro dá ênfase ao poder do sangue do Cordeiro (1 Pe 1.18,19), derramado para comprar para Deus homens de todo o povo, e tribo, e língua, e nação (Ap 5.8-10). O outro, para agradar a todos, fala de uma aliança de amor com a humanidade...
Lembra-se do que o Senhor Jesus disse, em João 14.23: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra”? Deus amou o mundo, sim, mas a salvação é para quem crê e se arrepende de seus pecados (Jo 3.16; Rm 10.9,10).
O Evangelho do sangue do Cordeiro gera discípulos de Cristo, que defendem a verdade das Escrituras. O evangelho-show produz fãs de celebridades, que defendem as invencionices dos seus ídolos. O Evangelho da cruz diz para o mundo: “Jesus é o único caminho. Em nenhum outro há salvação”. O evangelho do arco-íris é amigável, agradável, ecumênico e afirma, especialmente em programas de auditório: “Há espaço para todos”.
“Mas, irmão Ciro, o senhor não conhece a Bíblia, não? Nunca leu Gênesis 9? O arco-íris é símbolo da aliança com Deus e existia antes da bandeira LGBT e da Rede Globo”. Quanta ingenuidade dos adeptos do evangelho colorido! Pesquisem e descobrirão que o arco-íris natural tem sete cores, que podem ser captadas pelo olho humano, e relembra as promessas de Deus. Já o arco-íris da Nova Era, o mesmo que aparece na bandeira LGBT e dentro do logotipo da Rede Globo, tem apenas seis cores e aponta para o predomínio do humanismo, do antropocentrismo. Segundo os aquarianos, esse arco representa a ponte entre a alma humana e a “grande mente Universal”, isto é, Lúcifer.
Vi um vídeo em que o aludido cantor afirma que o arco-íris denota que Deus nunca mais destruirá o mundo ou a humanidade. Onde ele aprendeu isso? Em 2 Pedro 3.11-13 está escrito: “Havendo, pois, de perecer todas estas coisas, que pessoas vos convém ser em santo trato e piedade, aguardando e apressando-vos para a vinda do Dia de Deus, em que os céus, em fogo, se desfarão, e os elementos, ardendo, se fundirão? Mas nós, segundo a sua promessa, aguardamos novos céus e nova terra, em que habita a justiça”.
Em Gênesis 9.15 vemos que o Senhor não destruirá mais a Terra, em sua totalidade, por meio de dilúvio. Mas a Palavra de Deus mostra que o mundo está sendo guardado para a destruição por meio do fogo (2 Pe 3.5-7). Por isso, jamais pensemos que Deus fez uma aliança eterna de amor com a humanidade, a qual exclui o arrependimento do pecado. A despeito de Ele ser amor, não poupará os que permanecerem na iniquidade (Jo 3.16-36; Rm 1.18-32).
Finalmente, o que aprendi com o pastor Jecer Goes, na Assembleia de Deus Canaã, em Fortaleza, Ceará, é que o Evangelho de Cristo é para todos os pecadores — viciados em drogas, sodomitas, efeminados, homicidas, ladrões, beberrões, corruptos, etc. Mas estes, ao se aproximarem do Senhor Jesus Cristo, têm a sua vida radicalmente transformada, pois, “se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (2 Co 5.17).
Ciro Sanches Zibordi
Assinar:
Postagens (Atom)












