quarta-feira, 14 de março de 2012

As sete cartas do Apocalipse — Éfeso (roteiro)


Igreja Evangélica Assembleia de Deus do Ministério de Cordovil-RJ (ADMC)
Pastor-presidente Francisco José da Silva

ESTUDO SOBRE AS SETE IGREJAS DO APOCALIPSE


“A IGREJA DE ÉFESO”

Pr. Ciro Sanches Zibordi

Leitura bíblica: Apocalipse 2.1-7


I. Considerações iniciais


1. O livro de Apocalipse é dirigido às sete igrejas da Ásia (1.4) e está dividido em três partes, contemplando passado, presente e futuro (1.19).

a) “Escreve as coisas que tens visto” — cap.1;
b) “e as que são” — caps.2-3;
c) “e as que depois destas hão de acontecer” — caps.4-22.

2. As cartas às sete igrejas da Ásia não aludem a períodos da História da Igreja, pois nelas se mencionam lugares e pessoas que realmente existiram. Elas também não foram organizadas da melhor para a pior igreja, nem da pior para a melhor.


3. Apesar de não sermos os destinatários originais dessas cartas, boa parte do que foi dito por Jesus àquelas igrejas é extensivo a nós: “Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas” (Ap 2.7,11,17,29; 3.6,13,22; 13.9). A igreja nascente começou com os doze discípulos do Senhor Jesus, que ouviram ensinamentos que, em sua maioria, são válidos para hoje (Mt 5-7,24,25; Jo 13-17). Nós somos a continuação da igreja primitiva.


II. Visão panorâmica das sete igrejas


1. Objetivos gerais das cartas escritas pelo apóstolo João:

a) Levar as igrejas que estavam desobedecendo a Jesus ao arrependimento (Éfeso, Pérgamo, Sardo e Laodiceia).
b) Estimular as outras a manterem o seu lugar no castiçal (Esmirna, Tiatira e Filadélfia).
c) Como se vê, a maioria (57%) das igrejas era infiel.

2. Perfil de cada igreja — Cristo empregou criteriosamente os títulos com que designou a si mesmo, em harmonia com a situação reinante em cada igreja.

a) Éfeso — tinha muitas qualidades, mas faltou-lhe a principal: a manutenção do primeiro amor. Jesus se revelou a essa igreja como “aquele que tem na sua destra as sete estrelas, que anda no meio dos sete castiçais de ouro” (Ap 2.1-7).
b) Esmirna — uma igreja que foi provada e venceu; deveria ser fiel até a morte. Jesus se revelou a essa igreja como “o Primeiro e o Último, que foi morto e reviveu” (Ap 2.8-11).
c) Pérgamo — abraçara a doutrina de Balaão e dos nicolaítas; deveria se arrepender. Jesus se revelou a essa igreja como “aquele que tem a espada aguda de dois fios” (Ap 2.12-17).
d) Tiatira — suas últimas obras eram melhores que as primeiras, ao contrário de Éfeso. Jesus se revelou a essa igreja como “o Filho de Deus, que tem os olhos como chama de fogo e os pés semelhantes ao latão reluzente” (Ap 2.18-29).
e) Sardo — seu pastor estava morto; poucos, ali, agradavam a Jesus. Ele se revelou a essa igreja como “o que tem os sete Espíritos de Deus e as sete estrelas” (Ap 3.1-6).
f) Filadélfia — uma igreja fiel, a melhor de todas, que deveria guardar o que tinha, a fim de não perder a sua coroa. Jesus se revelou a essa igreja como “o que é santo, o que é verdadeiro, o que tem a chave de Davi, o que abre, e ninguém fecha, e fecha, e ninguém abre” (Ap 3.7-13).
g) Laodiceia — uma igreja infiel, cujo pastor, espiritualmente, era desgraçado, miserável, pobre, cego e nu. Jesus se revelou a essa igreja como “o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus” (Ap 3.14-22).

3. Palavras transmitidas a todas as igrejas:

a) Mensagem de encorajamento: “Eu sei as tuas obras” ou “Eu conheço as tuas obras” (Ap 2.2,9,13,19; 3.1,8,15).
b) Advertência: “Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas” (Ap 2.7,11,17,29; 3.6,13,22).
c) Promessa: “Ao que vencer”, “O que vencer” ou “A quem vencer” (Ap 2.7,11,17,26; 3.5,12,21).

III. A igreja de Éfeso


1. A cidade de Éfeso era a capital da Ásia. Nos tempos bíblicos havia três Ásias:

a) O grande continente asiático — que vai do Japão, passando pela China e Índia, até a Turquia.
b) A região conhecida como Ásia Menor — que compreende a maior parte da Turquia moderna, do mar Egeu às montanhas da fronteira com a Armênia, a leste, e o mar Negro e as montanhas Taurus, no eixo norte-sul — era formada por províncias romanas, como Cilícia, Galácia, Capadócia, Panfília, Bitínia e a própria Ásia.
c) A província da Ásia, cuja capital era Éfeso. Na sua segunda viagem missionária, Paulo estava na Galácia (na Ásia Menor), quando quis ir à província da Ásia (At 16.6). Ele avançou para Mísia e Trôade, onde recebeu direção divina para ir à Macedônia (vv.7ss).

2. Na sua terceira viagem missionária, Paulo foi a Éfeso, na província da Ásia, cidade que contava com meio milhão de habitantes, à época, e era o centro do culto à deusa Diana (At 18-20). João, que teria morrido nessa cidade, supervisionava dali as igrejas da Ásia.


3. A primeira carta do Apocalipse foi dirigida à congregação que se reunia no porto de Éfeso (At 18.18; 19.41). Essa igreja, estabelecida por obreiros como Paulo e Apolo, contou com cristãos ilustres como Priscila e Áquila (At 18.27). Seus primeiros anos foram caracterizados por milagres e um grande crescimento (At 19.11-20).


IV. Análise da carta à igreja de Éfeso (Ap 2.1-7)


1. A carta foi endereçada ao anjo da igreja (v.1); ou seja, ao seu pastor. Isso mostra que o líder é o responsável perante o Senhor, que estabeleceu uma hierarquia ministerial para a sua Igreja (1 Co 12.28; At 15.6,22; Ne 8.5).


2. Jesus tem na sua destra (mão direita) as sete estrelas (v.1).

a) Os pastores e os crentes, de modo geral, são comparados a estrelas (Ap 1.20; 1 Co 15.41).
b) Todos nós estamos nas mãos do Senhor Jesus (Jo 10.27,28).

3. Jesus anda no meio dos sete castiçais de ouro (v.1).

a) Os castiçais aludem às igrejas (Ap 1.20). O castiçal, como símbolo da Igreja, salienta o dever de todos os seus membros brilharem em conjunto. Isso fala de unidade.
b) Jesus anda no meio da Igreja (Mt 18.20; 2 Co 6.14-18).

4. Jesus conhece a sua Igreja (v.2).

a) “Eu sei as tuas obras” — é Jesus quem aprova a nossa obra (1 Co 3.11-15; 2 Co 10.18);
b) “o teu trabalho” — nosso trabalho não é vão no Senhor (1 Co 15.58);
c) “a tua paciência” — necessitamos de paciência para vencer (Hb 10.36);
d) “que não podes sofrer os maus” — muitos toleram os enganadores e falsos profetas, alegando que não podemos julgar (Mt 7.1 com Jo 7.24; 1 Co 6.1-6; Ap 2.20-22);
e) “puseste à prova os que dizem ser apóstolos e o não são e tu os achaste mentirosos” — não é de hoje que obreiros fraudulentos se passam por apóstolos (Mt 7.21-23). É preciso tapar a boca dos faladores (Tt 1.10-14).

5. Virtudes da igreja de Éfeso (vv.3,6).

a) “Sofreste” — vida cristã sem sofrimento não é vida cristã (Jo 16.33; At 14.22; Rm 5.1-5; 8.18; 1 Pe 2.20,21);
b) “tens paciência” (Sl 40.1-3; Hb 6.13-15);
c) “trabalhaste pelo meu nome” — muitos trabalham pelo seu próprio nome; quem trabalha pelo nome do Senhor é perseguido, mas também é bem-aventurado (Mt 5.11,12);
d) “não te cansaste” — os que esperam no Senhor têm as forças renovadas (Is 40.28-31; Js 14.7-13);
e) “aborreces as obras dos nicolaítas, as quais eu também aborreço” — os nicolaítas eram cristãos, possivelmente discípulos de Nicolau, diácono que supostamente se desviou (At 6.5), os quais, apesar de convertidos, de alguma maneira praticavam as obras da carne. Os nicolaítas supervalorizavam a graça, faziam o trabalho do Senhor relaxadamente, acreditando que não precisavam praticar boas obras (Tg 2.14-17; Ef 2.8-10; Hb 3.12,13).

6. O grande erro da igreja de Éfeso (v.4).

a) Jesus não ignora erros por causa de acertos; Ele não “põe panos quentes” (Hb 4.13; Jo 21.15-17).
b) O grande erro dos efésios não foi um pecado moral, e sim o abandono do primeiro amor.
c) O amor é a essência da vida cristã (Mt 24.12; 1 Co 13).
d) Paulo concluiu a carta aos efésios dizendo: “A graça seja com todos os que amam a nosso Senhor Jesus Cristo em sinceridade. Amém!” (Ef 6.24).

7. Jesus tem o remédio para a perda do primeiro amor (v.5).

a) “Lembra-te de onde caíste” — o filho pródigo também refletiu sobre sua vida e se lembrou da casa do pai (Lc 15.17);
b) “arrepende-te” — arrependimento verdadeiro envolve intelecto, sentimento e vontade; o arrependimento de Judas foi apenas emocional (Mt 27.3-5);
c) “pratica as primeiras obras” — muitos pensam em estratégias de crescimento inovadoras, mas o avivamento começa com a reconquista do que foi perdido (Lm 5.21; 2 Cr 29.25-30; Jr 6.16; Pv 24.21);
d) “quando não, brevemente a ti virei e tirarei do seu lugar o teu castiçal, se não te arrependeres” — se permanecermos na condição de desobedientes a Deus, isso resultará na perda da nossa posição em Cristo.

8. Promessa aos vencedores: “Ao que vencer dar-lhe-ei a comer da árvore da vida que está no meio do paraíso de Deus” (v.7). A nossa glorificação e o nosso galardão estão condicionados à perseverança em servir ao Senhor (Mt 24.13; 1 Co 15.1,2; Hb 3.14; Ap 2.10; 3.11; Rm 8.18).


Ciro Sanches Zibordi

7 comentários:

Marcelo Pessoa disse...

Paz do Senhor ótima postagem, um belo estudo vai ser de grande valia para a lição da EBD. Aproveito e convido voce a nos visitar e seguir no http://luzevida123.blogspot.com/ Obrigado Deus te abençoe

sousa disse...

PEÇO Q PUBLIQUE O ESTUDO DAS OUTRA TBM,PORQUE PRA MIM TEM SIDO UM INSTRUMENTO D APRENDIZADO DA PALAVRA D DEUS.
DEUS CONTINUE ABENÇÕANDO O ´PASTOR E TODA A SUA FAMILIA.

Luciano de Paula Lourenço disse...

Bela visão panorâmica sobre as sete igrejas. As lições do 2º Trimestre prometem ser de grande edificação e exortação para os alunos e professores da EBD.
Um abraço!

Tadeu de Araújo disse...

Pastor Ciro,graça e paz!
No próximo trimestre,quando formos estudar a respeito das sete igrejas do Apocalipse,certamente,haverá muitos debates acalorados entre professores e alunos,tendo em vista o tema ser por demais fascinante.
Muito embora as admoestações tenham acontecido no passado,todavia, continuam valendo para os nossos dias.
Não temos dúvidas que a revelação dada ao evangelista João,na ilha de Patmos,descreve a realidade de cristãos da atualidade que frequentam as igrejas locais.
Graças a Deus que,sobre o tema que será estudado,salvo engano nosso,não há tanto aquilo que os teólogos chamam de "tensões teológicas",conforme as correntes de interpretação.
Acontece, entretanto,se fóssemos estudar dos capítulos 4 a 22,aí a coisa seria outra.Porque, infelizmente,há,e não são poucos,aqueles que sequer respeitam linhas diferentes.
Como cristãos é fundamental,se possível,sempre termos temperança,quando formos debater quaisquer assuntos,principalmente no tocante às Sagradas Escrituras (Tiago 3.13-18).
Portanto,que a misericórdia do Mestre continue nos ajudando a crescer na graça e no conhecimento (2 Pedro 3.18).
Em Cristo,
Tadeu de Araújo

Christofer Freitas disse...

2. As cartas às sete igrejas da Ásia não aludem a períodos da História da Igreja, pois nelas se mencionam lugares e pessoas que realmente existiram. Elas também não foram organizadas da melhor para a pior igreja, nem da pior para a melhor.

Já vim em alguns estudos, pastores identificando cada igreja a um periodo da história, como a de filadélfia com a igreja verdadeiramente pentecosta. Se não me engano, aquele Plano divino através dos séculos nos trás essa referência.

É errado fazermos uma analogia das igrejas do apocalipse às épocas da história cristã?

Vanzuite disse...

Caro pastor, que Deus te abençoe por mais esta data em que você completa mais um ano de vida. Que benção. Gostaria de saber se posso usar este estudo que o senhor colocou no teu blog como um sermão aos meus colegas de trabalho com os quais me reúno para fazer um período de culto.

Deus te abençoe grandemente.

edilza melo disse...

Pr.Ciro a Paz do Senhor!Vou visitar uma mãe cujo filho se suicidou.O que devo dizer-lhe?Ela tem pouco tempo de evangélica e está muito abalada.Como posso confortá-la?Grata pela sua resposta.meu email: edilza_maria_melo@hotmail.com