sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Por que Deus prioriza o homem na família e no ministério?


Um grande amigo meu publicou um artigo “antipático”, recentemente, contrário ao ministério pastoral feminino. Ao acompanhar as discussões em seu blog e nas redes sociais, verifiquei que algumas irmãs ficaram furiosas com o seu texto. Uma delas afirmou: “As doutrinas são dos homens. Os dons vêm de Deus”. Creio que muitos irmãos (mulheres e homens) ainda não aprenderam que Deus adotou o princípio da prioridade, quando deu ao homem a incumbência de liderar a família e o ministério.

Mulheres podem pregar o Evangelho, orar pelos enfermos e desempenhar todas as tarefas de um seguidor de Jesus? Sim. Elas fazem parte da Grande Comissão? Sim. São cooperadoras de Deus? Sim. Então, por que não poderiam ser pastoras? Como sou homem, talvez a minha resposta a essa pergunta soe como machista. Por outro lado, quando mulheres defendem pontos de vista contrários ao machismo, alguns homens ficam com a impressão de que elas são feministas. Como resolver esse difícil impasse?


Homens e mulheres precisam entender que, independentemente das circunstâncias, a Bíblia sempre será a inerrante e infalível Palavra de Deus. Mulheres e homens não devem “legislar” em causa própria, e sim aceitar o que a Palavra do Senhor assevera acerca da priorização e da hierarquização estabelecidas pelo Senhor na família e no ministério.


Alguém dirá: “Deus não faz acepção de pessoas. Somos todos iguais. A Igreja não é como as forças armadas. Não existe hierarquia no meio do povo de Deus. Homens e mulheres podem ser pastores”. Quem diz que Deus não hierarquiza e prioriza deveria estudar passagens como Gênesis 1; Números 2; Atos 15.6,22; 1 Coríntios 12.28,29; 15.23; 1 Tessalonicenses 4.16,17; 5.23, etc. Observe especialmente os termos “primeiramente”, “em segundo lugar”, “em terceiro lugar”, “depois”, etc.


Em Isaías 43.7 está escrito: “a todos os que são chamados pelo meu nome, e os que criei para minha glória; eu os formei, sim, eu os fiz”. O ser humano não foi apenas criado por Deus. Ele foi criado, formado e feito para a glória do Senhor. Um edifício, antes de ser formado e feito, é criado pelo arquiteto, que faz, antes da construção, o croquis, o projeto, etc. Formar é dar forma ao que foi previamente criado, concebido, projetado. A feitura, mencionada no texto bíblico, diz respeito ao acabamento da obra (cf. Gn 2.3).


Quem foi criado primeiro, o homem ou a mulher? Nenhum dos dois, pois ambos fizeram parte do projeto original de Deus. Na criação não houve priorização: “macho e fêmea os criou” (Gn 1.26). Quem foi formado primeiro? O homem. Segue-se que a priorização divina ocorreu na formação, e não na criação: “Porque primeiro foi formado Adão, depois Eva” (1 Tm 2.13). Por que o Senhor não formou primeiro a mulher e, depois, tomou uma das costelas dela para formar o homem? Porque Ele é soberano e decidiu priorizar o homem (Gn 2.7,22).


No cristianismo genuíno não há espaço para machismo e feminismo, movimentos extremados que ignoram o princípio divino da prioridade. O primeiro adota o princípio da superioridade e considera a mulher inferior ao homem, enquanto o outro, adotando o mesmo princípio, demoniza o homem. No Corpo de Cristo, há lugar para ambos os sexos, desde que reconheçam, à luz das Escrituras, a sua posição.


Reconheço que muitos homens cristãos precisam reconsiderar a sua opinião acerca das mulheres, que, ao longo dos séculos, vêm sendo discriminadas, principalmente no meio religioso. Por que muitas irmãs em Cristo não aceitam a doutrina de Deus (e não de homens) quanto à submissão ao marido? Porque muitos esposos, autoritários, se consideram superiores às suas esposas e as desprezam.


Segundo a Bíblia, a relação entre homem e mulher deve ser, antes de tudo, de respeito mútuo (1 Co 7.3-5). Deus formou Eva a partir de uma das costelas de Adão (Gn 2.18-22) para demonstrar que a mulher não deve estar nem à frente nem atrás do homem, mas ao seu lado e de frente para ele, como adjutora e ajudadora, o que não denota inferioridade. Observe que Deus, infinitamente superior ao ser humano, é o nosso Ajudador (Hb 13.5,6).


Paulo compara a submissão da mulher à sujeição de Jesus (1 Co 11.3). Deus Filho e Deus Pai fazem parte da Trindade e são iguais em poder (Mt 28.19; Jo 10.30). Todavia, Cristo, por amor, e não por imposição do Pai, submete-se voluntariamente a Ele, recebendo dEle toda a honra (Fp 2.6-11). A Palavra do Senhor também afirma: “assim como a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo sujeitas a seus maridos” (Ef 5.24). E Cristo não obriga ninguém a obedecê-lo.


A Bíblia não abona o igualitarismo feminista, mas também não avaliza o machismo. O termo “vaso mais fraco” (1 Pe 3.7) não foi empregado como sinônimo de inferioridade. Ele denota que a mulher é mais frágil, mais sensível e, por isso, deve ser amada e honrada pelo marido (Ef 5.25-29). Repito: o princípio que Deus adotou foi o da prioridade, e não o da superioridade, visto que Ele não faz acepção de pessoas (At 10.34). E o princípio da prioridade também vale para o exercício do ministério.


Quem não aceita o princípio bíblico da prioridade abraçará, inevitavelmente, “doutrinas de homens”, como o igualitarismo feminista. Alguns teólogos, ao não encontrarem nas Escrituras passagens claras em defesa do ministério feminino, têm afirmado que Paulo era contrário às mulheres, em razão de sua formação farisaica. Isso não resiste a uma exegese, pois nenhum machista aconselharia os homens a amarem a sua própria mulher (Ef 5.25), tampouco teria tantas mulheres como cooperadoras (Rm 16). Ademais, esse apóstolo se declarou imitador de Cristo (1 Co 11.1).


Se Paulo era machista, o que dizer de Jesus, que escolheu doze homens para compor o ministério da igreja nascente? Ele teria se enganado? Ou o Mestre tinha algum vínculo com fariseus, saduceus ou quaisquer grupos machistas de sua época? A Bíblia diz claramente que o Senhor “chamou para si os que ele quis” (Mc 3.13). Por que Ele não quis chamar algumas mulheres para figurar entre os seus apóstolos? Por que não chamou seis casais, por exemplo?


Na escolha dos primeiros diáconos, que poderiam vir a ser presbíteros ou apóstolos, caso tivessem chamada de Deus para tal e servissem bem ao ministério (Hb 5.4; 1 Tm 3.13), os apóstolos disseram: “Escolhei, pois, irmãos, dentre vós, sete varões” (At 6.3). No primeiro concílio, em 52 d.C., os rumos da igreja foram traçados por homens (At 15). Em Apocalipse 2 e 3, são mencionados os pastores (homens) das igrejas da Ásia.


Alguns teólogos dizem que Júnias (ou Júnia) era uma apóstola. Mas, pelo que tudo indica, ele (e não ela) era apenas um cooperador de Paulo. Mesmo que Júnias fosse uma mulher, o texto bíblico não confirma o seu apostolado, pois não era comum uma mulher ficar presa com homens: “Saudai a Andrônico e a Júnia, meus parentes e meus companheiros na prisão, os quais se distinguiram entre os apóstolos e que foram antes de mim em Cristo” (Rm 16.7). Distinguir-se entre os apóstolos não significa, necessariamente, exercer o apostolado. Marcos e Lucas, por exemplo, não eram apóstolos e se distinguiram, se notabilizaram, entre eles.


Nos tempos da igreja primitiva, as mulheres se ocupavam da oração (At 1.14) e do serviço assistencial (At 9.36-42; Rm 16.1,2). E algumas se notabilizaram como fiéis cooperadoras do apóstolo Paulo, como Febe, Priscila, Trifena, Trifosa, etc. (Rm 16), além de Lídia, a vendedora de púrpura (At 16.14). Não há nenhuma referência a mulheres exercendo atividades pastorais. Alguns defensores do pastorado feminino afirmam que Priscila era uma apóstola, mas, a despeito de ela ter sido citada com destaque (At 18.26), não há nenhuma referência que confirme seu apostolado.


“E as mulheres que estão no campo missionário dando a sua vida pela obra de Deus? Não podem elas exercer o pastorado?”, alguém perguntará. É claro que as regras têm as suas exceções. Mas não devemos nos valer destas para adotar condutas generalizantes, sem compromisso com as Escrituras, como o pensamento infundado de que todas as esposas ou filhos de pastores são automaticamente pastores.


Conquanto as mulheres sejam mencionadas com grande destaque nas páginas do Novo Testamento, aparecendo na linhagem e no ministério de Cristo (Mt 1.3,5,6,16; Lc 8.1-3), Deus priorizou os homens, em regra geral, no que tange ao pastorado e aos ministérios afins (Ef 4.8-11). Mas isso não significa que as mulheres não podem trabalhar para Deus.


Todos os salvos são cooperadores de Deus (1 Co 3.9). Mas precisamos aceitar a chamada soberana do Senhor para a nossa vida. Não devemos amoldar a Bíblia ao nosso modo de pensar nem às influências filosóficas prevalecentes no mundo. Por mais que nos sintamos contrariados, devemos renunciar o nosso eu (Lc 9.23), a fim de obedecermos à vontade de Deus, que é boa, agradável e perfeita (Rm 12.1,2).


Amém?


Ciro Sanches Zibordi

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Como foi a minha noite de Natal


Minha noite de Natal foi inesquecível...

Não porque tenha participado de uma grande ceia ao lado de pessoas famosas. Não porque tenha ganhado muitos presentes. Não porque tenha visitado uma grande catedral e assistido a uma belíssima cantata.

Ao meditar sobre a “simplicidade que há em Cristo” (2 Co 11.3), decidi 
celebrar o Natal do meu Senhor de modo simples, em um lugar simples, com pessoas simples, assim como foi singelo o seu nascimento, há mais de dois mil anos.

Resolvi, então, sem ter sido convidado, visitar (juntamente com as minhas esposa, filha e sogra) a pequena congregação da Assembleia de Deus do Ministério de Perus na Vila Mirim, em São Paulo, localizada na mesma rua onde morei durante a minha infância, a minha adolescência e boa parte da minha juventude.

Talvez não caibam, naquele pequeno salão, mais de cinquenta pessoas. Mas ali se congregam minha mãe (Célia), meu irmão (pastor Renato), com minha cunhada (Ângela) e minhas sobrinhas (Débora e Miriam), além de minha irmã (Celinha), com meus sobrinhos Josué e Sara. Meu querido pai (Renato), promovido à glória neste ano, também se congregava no mesmo lugar.


Já estava muito satisfeito em poder me lembrar do Menino, isto é, da gloriosa encarnação do Senhor Jesus (1 Tm 3.16), e adorá-lo, em um culto genuinamente cristocêntrico e pentecostal. Mas o pastor da igreja, o amado Robson Ribeiro, bondosamente me pediu para pregar a Palavra do Senhor.

Minha alegria se completou! Para mim, cultuar a Jesus juntamente com a minha família e ainda poder pregar a respeito do Natal, na noite de 25 de dezembro, foi um grande privilégio. Lamento que, nesses últimos dias, haja cristãos e até pastores que ignorem o Natal de Cristo e tenham desperdiçado uma grande oportunidade de falar sobre o Menino 
“que há de reger todas as nações com vara de ferro” (Ap 12.5).

Assista a um pequeno vídeo de três minutos que contém parte da mensagem que preguei, a qual foi gravada pela minha sobrinha Débora Zibordi.



Em Cristo,

Ciro Sanches Zibordi

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Carta aberta aos legalistas contrários à celebração do Natal


Antes que se apaguem as luzes de 2011, dirijo-me diretamente aos prezados cristãos legalistas. Afinal, vocês, insatisfeitos com os meus artigos sobre o Natal, me enviaram inúmeros impropérios, acompanhados de razões para não celebrarmos o nascimento de Cristo. Sinceramente, tais motivos são risíveis, a despeito de eu ter chorado diante de tamanha ignorância!

Vocês têm afirmado, caros fariseus do século XXI, que o Natal “traz em seu bojo um clima de angústia e tristeza”, e que isso ocorre por causa de “um espírito de opressão que está camuflado, escondido atrás da tradição romana que se infiltrou na igreja evangélica, e que precisamos expulsar em nome de Jesus”. Meu Deus! Desde a minha infância aprendi a celebrar o Natal de Cristo. Lembro-me com muita alegria das peças, poesias e cantatas natalinas, além das maravilhosas mensagens de Natal, ministradas por homens de Deus como Valdir Bícego. A lembrança da encarnação do Senhor propicia alegria na alma, e não tristeza! Prova disso que vários hinos da Harpa Cristã, hinário oficial das Assembleias de Deus, nos estimulam a celebrar o Natal de Cristo: 21, 120, 366, 481 e 489.


Receio que vocês tenham se deixado influenciar por outro espírito, o do Anticristo, que já está no mundo (1 Jo 4.3). Vivemos em uma época em que o Diabo deseja a todo custo fazer com que o nome de Jesus desapareça da face da terra. E uma de suas estratégias é apresentar “outro evangelho”, fanatizante, farisaico, legalista, que procura desviar os salvos da verdade, carregando-os de ordenanças, como: “não toques, não proves, não manuseies”, as quais “perecem pelo uso, segundo os preceitos e doutrinas dos homens” (Cl 2.20-22).


Vocês dizem que a Bíblia não apresenta um mandamento para celebrar o Natal... O que vocês queriam, que ela ordenasse: “Celebrai com júbilo o Natal de Cristo, todos os moradores da terra”? Nem tudo, nas Escrituras, é tratado por meio de mandamentos. Ela é também um Livro de princípios, doutrinas, tipos, símbolos, parábolas, metáforas, profecias, provérbios, exemplos, etc. E um grande exemplo foi dado pelos anjos de Deus, que celebraram o Natal de Cristo, dizendo: “Glória a Deus nas alturas, paz na terra, boa vontade para com os homens!” (Lc 2.14). Mas, se vocês são fanáticos a ponto de se apegarem a questiúnculas que a nada levam, parem de comemorar o Dia do Pastor, o Dia da Bíblia, o Dia da Escola Dominical, o Dia de Missões, etc. Ah, e também parem de receber presentes de aniversário, pois não há nenhum mandamento bíblico do tipo: “Eis que presentes receberás no dia do teu aniversário”.


O fanatismo de vocês é tão grande que os leva a seguir pensamentos extremistas, como este: “O Natal é uma festa que centraliza a visão do palpável e esquece do que é espiritual. Para Jesus o mais importante é o Reino de Deus, que não é comida e bebida, mas justiça e paz no espírito”. Dá-me paciência, Senhor! Vocês nunca aprenderam que o cristão é diferente do mundo, a despeito de estar no mundo? Conquanto o Reino de Cristo seja preponderantemente espiritual, somos pessoas normais. Precisamos trabalhar, estudar, nos alimentar... O cristão que se preza conhece o verdadeiro sentido do Natal e sabe distingui-lo do Natal secular, sincrético, consumista. Estudem 1 Coríntios 10.23-32, a fim de que abandonem, enquanto há tempo, esse legalismo farisaico e fanatizante.


Vocês argumentarão: “a igreja do Senhor está vivendo a época profética da festa dos tabernáculos, que significa a preparação do caminho do Senhor, e, se você prepara o caminho para Ele nascer, não o prepara para Ele voltar”. Onde vocês aprenderam isso? Tenho certeza de que não foi na Escola Dominical nem em uma instituição de ensino que preza a ortodoxia. A celebração do Natal é ignorada por vocês em razão de não haver um mandamento específico... Mas, ao mesmo tempo, se apegam a uma aplicação forçada da festa dos tabernáculos para se opor ao Natal de Cristo? Haja incoerência!


Uma das doutrinas fundamentais da Palavra de Deus é o nascimento do Senhor Jesus, isto é, a sua gloriosa encarnação (Jo 1.14; 1 Tm 3.16). Aliás, a obra da expiação está em um tripé: nascimento do Senhor, sua morte e sua ressurreição (Gl 4.4; 1 Co 15.1-4). Ignorar o Natal de Cristo é negar parte de sua obra salvífica.


Vocês também alegam que o nascimento de Jesus não tem mais nenhum sentido profético, pois todas as profecias que apontavam para sua primeira vinda ao mundo já se cumpriram... É mesmo? Então, para vocês, a Bíblia é apenas um tratado de escatologia, que se ocupa exclusivamente de assuntos relativos ao futuro? Ora, as Escrituras apresentam muitas doutrinas escatológicas, mas elas também contêm teologia, cristologia, pneumatologia, antropologia, hamartiologia, soteriologia, eclesiologia e angelologia. O Natal de Cristo está ligado diretamente à cristologia e à soteriologia. Entretanto, como todas as doutrinas bíblicas são intercambiáveis, em Apocalipse 12 há uma menção ao Menino Jesus! Será que vocês, sapientíssimos fariseus do século XXI, já atentaram para isso?


Outro motivo alegado para não comemorarmos o Natal de Cristo é o dia 25 de dezembro. Vocês dizem que essa data foi estabelecida pela Igreja Católica Romana. Mas, à época, a intenção foi boa! Considerando que já havia uma grande comemoração pagã no mesmo dia, o imperador obrigou a todos a se lembrarem do dia natalício de Cristo. Se um dia ocorrer um grande avivamento no Brasil, e todos os poderes se converterem ao Evangelho, e ficar estabelecido que 12 de outubro é o Dia de Louvor a Jesus Cristo, vocês se oporão a isso, sob a alegação de que essa data fora outrora consagrada à Senhora Aparecida?


“Ah, mas o Natal se tornou um culto comercial que visa render muito dinheiro. Tirar dos pobres e engordar os ricos. É uma festa de ilusão onde muitos se desesperam porque não podem comprar um presentinho para os filhos”, vocês argumentarão. O que isso tem a ver com o verdadeiro sentido do Natal de Cristo? A Páscoa também é aproveitada pelo mundo capitalista para explorar o consumismo. Vamos ignorar a Páscoa por causa disso? Se há uma celebração de Natal que prioriza o comércio, existe, também, uma celebração que prioriza Cristo! Segue-se que esse motivo alegado para não celebrar o Natal de Cristo é reducionista, generalizante e preconceituoso.


Vocês acusam, ainda, o Natal de ser uma festividade “baseada em culto a falsos deuses nascidos na Babilônia. Então, se recebemos o Natal pela igreja católica romana, e esta por sua vez recebeu do paganismo, de onde receberam os pagãos? Qual a origem verdadeira?” Quanta ignorância! O Natal de Cristo precede e transcende o paganismo da Igreja Católica Romana. Lembrar do nascimento de Cristo, descrito na Bíblia, e glorificar a Deus por ter nos dado o seu Filho Unigênito é lícito e conveniente. Isso nada tem a ver com Roma, Babilônia, etc.


Extrapolando todos os limites do bom senso, vocês, legalistas cristãos (cristãos?), dizem que o Natal é uma festa idolátrica, que não glorifica a Jesus, pois quem a inventou foi o romanismo. Ora, o fato de o Natal ser celebrado também pela Igreja Católica Romana não torna o Natal de Cristo idolátrico. Caso contrário, a missa, com a sua hóstia, tornaria a Ceia do Senhor igualmente idolátrica, não é mesmo? Vocês pensam que sabem muito, mas estão redondamente enganados! Idolatria é condição do coração. Ela não é um pecado praticado de modo subjetivo.


Caros fariseus do século XXI, vocês reprovam e até proíbem a celebração do Natal de Cristo, por causa de Papai Noel, duendes, gnomos, decorações natalinas e outras coisas mundanas. Mas cometem um grande pecado, ao se mostrarem mais santos do que os outros. Coam mosquitos e engolem camelos. Além disso, interferem na liberdade que Cristo outorgou aos seus seguidores e exigem um padrão de santidade que nem a Palavra de Deus exige! Meditem em Eclesiastes 7.16,17.


Graças a Deus, a maioria dos seguidores de Cristo não aceita essa interferência fanatizante em sua liberdade. Caso contrário, o cristianismo se transformaria em uma religião extremista, fanática, sectária, e tudo passaria a ser pecaminoso: bolo de aniversário, vestido de noiva, terno, gravata, calça jeans, passeio no shopping... Aliás, já houve um tempo em que o rádio era a caixa do Diabo, e o crente não podia usar perfume! Que Deus nos guarde do legalismo farisaico!


Com amor,


Ciro Sanches Zibordi

sábado, 24 de dezembro de 2011

666 razões para não celebrar o Natal de Cristo


Nessa época do ano surgem muitos “entendidos” apresentando várias razões para não celebrarmos o Natal... 

Dizem que Jesus não nasceu em 25 de dezembro... É evidente que Ele não nasceu nessa data! Mas ela é histórica; foi escolhida pela Igreja Católica Romana, a fim de induzir os pagãos a celebrarem o nascimento de Cristo.


Dizem que o Natal é uma festa pagã... Mas o Natal de Cristo precede e transcende o paganismo da Igreja Romana. O nascimento do Senhor Jesus foi celebrado até pelos anjos, que exclamaram: “Glória a Deus nas alturas, paz na terra, boa vontade para com os homens!” (Lc 2.14).


Dizem que o Natal é todos os dias... Algum de nós faz aniversário todos os dias? É óbvio que glorificamos a Jesus diariamente, pois Ele é o nosso Senhor e habita em nós! Mas aniversário é uma data especial. É uma oportunidade para mostrarmos ao mundo que Cristo é o Salvador.


Dizem que celebrar o Natal é idolatria... Ora, quem diz isso ainda não aprendeu o que é idolatria, à luz do Novo Testamento. Idolatria é uma ação objetiva, e não subjetiva. É uma condição do coração e é praticada de modo consciente. 
Deixemos, pois, as doutrinas de homens, do tipo  não toques, não proves, não manuseies (Cl 2.20-22).

Se o leitor é um pregador do Evangelho, por favor, não entre pelo caminho do fanatismo religioso. Fuja do legalismo farisaico! O 
cristianismo verdadeiro não é fanatizante, como as religiões e seitas pseudocristãs e extremistas, que proíbem doação de sangue, ingestão de determinados tipos de alimento, etc. Somos livres em Cristo (1 Co 10.23-32).

Em vez de apresentar inúmeras razões para não celebrar o Natal de Jesus Cristo, prezado pregador, fale da sua gloriosa encarnação (1 Tm 3.16), da sua morte vicária (2 Co 5.17-21) e da sua maravilhosa ressurreição (1 Co 15.17-20)! Afinal, esses três eventos estão relacionados com a obra expiatória do Senhor.


Ah, sim, quanto ao título desse artigo, 666 razões para não celebrar o Natal de Cristo, empreguei-o a fim de prender a sua atenção e também para enfatizar que é o espírito do Anticristo, prevalecente no mundo sem Deus, que tem influenciado as pessoas a ignorarem o Natal de Cristo.


Feliz Natal de Cristo a todos!

Ciro Sanches Zibordi

Comemorar o Natal, uma questão de altruísmo e gratidão a Deus


— Você gosta de ouvir “Parabéns” e receber presentes no dia do seu aniversário? — perguntei a um cristão que não comemora o Natal.

— Sim, claro — respondeu ele.


— A sua família e seus amigos costumam fazer festa no seu dia natalício?


— Sim, às vezes.


— Então, você não celebra o Natal de Cristo, mas comemora o seu natal? Quer dizer que o seu aniversário é mais importante que o de Cristo?


Sinceramente, é lamentável que haja cristãos e até pastores contrários à celebração do Natal. Afinal, quem não celebra o Natal de Cristo 
— mas gosta de ser parabenizado em seu natal — mostra-se egoísta e ingrato para com Deus, que nos deu o seu Filho Unigênito (Jo 3.16), na plenitude dos tempos (Gl 4.4), para morrer em nosso lugar (Rm 5.8).

Não sabemos se Jesus nasceu em março, abril, setembro... Mas temos a certeza de que esse Salvador, que é Cristo, o Senhor, nasceu, há mais de dois mil anos, em Belém de Judá (Lc 2.1-20). De acordo com as Escrituras, Ele, sendo Deus, fez-se “semelhante aos homens” (Fp 2.6-8). E, como Deus-Homem, teve o seu dia de aniversário, enquanto andou na terra. Seus pais e seus amigos com certeza se lembraram do seu Natal, visto que Ele “participou das mesmas coisas” que nós (Hb 2.14).


Se Cristo não tivesse nascido para revelar a glória do Pai (Jo 1.14; 17.3-5) e dar o exemplo de uma vida santa (1 Jo 2.6; At 10.38), também não teria morrido para expiar os nossos pecados (Hb 9.28; Jo 1.29). E, se Ele não tivesse dado a sua vida em nosso lugar, também não teria ressuscitado para a nossa justificação (Jo 10.17,18; Rm 10.25).

O leitor ainda está em dúvida quanto à celebração do nascimento do Senhor Jesus? Então, celebre o seu nascimento, a sua morte e a sua ressurreição, pois Ele fez tudo isso porque ama você!


Feliz aniversário, querido Jesus! Aqui na terra ainda existe um povo que o adora e reconhece que tu és o Rei dos reis e o Senhor dos senhores!


Ciro Sanches Zibordi

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Um filme que se repete no Natal: “Esqueceram de mim”


Um menino é esquecido por sua família em plena época do Natal. Qual é o nome do filme? Fácil: Esqueceram de mim. Quem não se lembra das peripécias do “indefeso” garotinho Kevin, que, ao ser esquecido em casa sozinho por seus pais, teve de se defender de dois bandidos atrapalhados?

Não há como nos esquecermos dessa engraçada produção de 1990, estrelada por Macaulay Culkin. Afinal, nessa época natalina, esse filme sempre é reapresentado por algum canal de TV, não é mesmo? Mas, neste artigo, desejo mencionar outro Menino que vem sendo esquecido a cada ano...


Estou em São Paulo. E, ontem, minha família e eu fomos à iluminada Avenida Paulista, a fim de vermos as decorações e apresentações do Natal. Fiquei decepcionado... Não por causa do congestionamento, da multidão e da chuva, pois isso já era esperado. A minha decepção maior se deu por não ter encontrado nenhuma (nenhuma, mesmo!) alusão ao Natal de Cristo!


Andando pela linda Avenida Paulista, vi luzes, estrelas, duendes e gnomos coloridos, Papais Noéis de todos os tipos, danças, apresentações teatrais... Mas, e o Menino? Se pudéssemos entrevistar o Senhor Jesus e perguntar-lhe a respeito do Natal, creio que Ele responderia: “Esqueceram de mim”.

Sim, a humanidade se esqueceu da linda história do Natal de Cristo e substituiu-a por fábulas sem graça, sem vida, sem brilho, a despeito das luzes e cores. 
Em Jeremias 23.27 está escrito: “Os quais [falsos profetas] cuidam que farão que o meu povo se esqueça do meu nome, pelos sonhos que cada um conta ao seu companheiro, assim como seus pais se esqueceram do meu nome, por causa de Baal”. Pensei exatamente isso, ao andar pela principal avenida de São Paulo: “Querem fazer com que as pessoas se esqueçam definitivamente do Menino”.

Não somos deste mundo, mas vivemos nele. Como servos do Senhor, temos liberdade para admirar as invenções humanas dessa época natalina. E elas, de fato, são encantadoras, iluminadas, engenhosas, surpreendentes. Mas que Deus nos guarde de, influenciados pelo espírito do Anticristo prevalecente neste mundo tenebroso, nos esquecermos do verdadeiro sentido do Natal.


Vejo crentes (inclusive, alguns pastores) mal-instruídos dizendo que não vão comemorar o Natal, pois se trata de uma festa pagã. Onde eles aprenderam isso? Se tem um povo que deve fazer questão de celebrar o Natal, esse é a Igreja de Cristo! Mesmo sabendo que Jesus não nasceu em 25 de dezembro, não podemos deixar de aproveitar essa data para lembrar o mundo daquela sublime noite!


Que privilégio tiveram aqueles pastores de Belém, envolvidos pela glória de Deus, enquanto guardavam seu rebanho... Mas a mensagem outorgada a eles é extensiva a toda a humanidade: “Não temais, porque eis aqui vos trago novas de grande alegria, que será para todo o povo, pois, na cidade de Davi, vos nasceu hoje o Salvador, que é Cristo, o Senhor” (Lc 2.10-12).


Não nos esqueçamos, portanto, de que Jesus é Salvador, Cristo e também Senhor. E, por isso, jamais deve ser ignorado ou esquecido. Não ajamos como os crentes de Laodiceia, que deixaram Jesus do lado de fora (Ap 3.20). Ele continua batendo à porta dos corações e dizendo: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada” (Jo 14.23).


Celebremos o nascimento de Cristo, para que o mundo conheça o verdadeiro protagonista do Natal!


Ciro Sanches Zibordi

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Por que Deus reprova o evangelho-show “globalizado”


Estava disposto a não escrever mais sobre o Festival Promessas, pelo menos neste ano. Mas muita gente não entendeu o que eu quis dizer nos artigos anteriores, e precisarei repisar (e não apenas reprisar) algumas verdades que venho dizendo desde janeiro de 2007, neste blog.

As minhas críticas anteriores não se limitaram a apresentações e a comportamentos episódicos. Não me referi exclusivamente ao mencionado festival. Também não aludi, apenas e tão-somente, à conduta e à postura das celebridades presentes ao evento. Na verdade, vali-me desse episódio para reiterar minhas críticas ao evangelho-show. Este é o verdadeiro vilão da história.


Muitos gostam do que escrevo; outros, nem tanto, é evidente. Aliás, alguns reagem com tanta truculência que acabam revelando a todos os frutos do evangelho-show. Certos cantores evangélicos (evangélicos?) e pastores (pastores?) — não me pergunte o nome deles — têm escrito alguns impropérios contra mim...


Boa parte dos seguidores do evangelho do entretenimento não demonstra ter mansidão. Se eles acharem que alguém está falando contra os “ungidos” (cantores-ídolos), reagem como fãs. Xingam pastores de medíocres, ridículos, invejosos e até ameaçam... Têm eles o Espírito Santo? Dão lugar para Ele amadurecer neles o seu fruto, que resulta em mansidão, temperança, bondade, etc.? Que tipo de cristão é o amante do evangelho-show?


Respeito a opinião de todos os leitores, até mesmo dos mais exaltados. Mas não tenho medo de dizer: Deus reprova o evangelho-show! Por quê? Porque o Evangelho deve ser comunicado, não da maneira que as pessoas desejam ouvi-lo, e sim da maneira que precisam ouvi-lo. O evangelho do entretenimento não produz discípulos de Jesus, como ordena a Palavra do Senhor, literalmente, em Mateus 28.19: “fazei discípulos de todos os povos”.


O falso evangelho em apreço desvia as pessoas da verdade. Ele as distancia da Palavra de Deus e as aproxima do mundanismo. Ele integra, admito, e induz os jovens a dançarem, a balançarem o corpo, a se divertirem, a se alegrarem, a se exibirem, a serem “o povo mais feliz da terra”... Mas estes — ainda que não admitam — continuam vazios, pois o que dá prazer realmente é andar segundo a lei do Senhor (Sl 1.1,2).


Leia os comentários dos adeptos do evangelho-show, neste blog ou nas redes sociais, e você verá que a maioria deles não tem prazer na lei do Senhor. Uma simpatizante desse peudo-evangelho, revoltada com o que escrevi, desabafou: “já cansei desse papo de certo ou errado”. Outra sugeriu que está havendo perseguição aos levitas, como se fôssemos israelitas e vivêssemos nos tempos da Antiga Aliança...


Alguns adeptos do evangelho-show acham que a Trindade é uma doutrina romanista. Com quem eles aprenderam isso? Deve ter sido com certos astros da música gospel que dizem ter a “voz da verdade”, pois a doutrina da Trindade é uma das mais enfatizadas na Palavra de Deus, no Antigo e no Novo Testamentos! Ela é a chave para o entendimento de várias outras doutrinas fundamentais.

Outros defendem ferrenhamente os seus adoradores-ídolos, mas não sabem definir adoração, louvor e cântico, à luz da Bíblia. Aliás, sequer aprenderam que a adoração verdadeira jamais deveria receber o adjetivo “extravagante”! Extravagância não combina com adoração!


Caros “adoradores extravagantes”, sei que muitos de vocês não gostam da Palavra de Deus, pois ela não aprova o seu procedimento. Mas os desafio a fazerem agora um estudo bíblico comigo. Abram as suas Bíblias em 2 Crônicas 20.18. Viram como Josafá se prostrou com o rosto em terra, adorando a Deus? Agora, abram em 2 Crônicas 29.29 e Neemias 8.6. Depois, em Jó 1.20 e Salmos 95.6. E já que é época de Natal, leiam comigo também Mateus 2.11, a respeito dos magos do Oriente: “e, prostrando-se, o adoravam”.


Onde está a adoração extravagante, tão festejada pelos seguidores do evangelho-show? Em todas as passagens citadas a respeito da adoração, ela é acompanhada de prostração, quebrantamento, choro, humilhação. Isso é o verdadeiro produto do adorador, e não os shows com luzes coloridas, danças, canções de autoajuda, estrelismo, “unção do leão”, “cair no Espírito”, bota de píton, gritinhos frenéticos, ritmos eletrizantes, linguagem chula, falsas profecias, derramamento de azeite sobre a cabeça de alguém e outras futilidades!


Deus reprova o evangelho-show porque este oferece ao povo o que ele deseja, assim como fez Arão (Êx 32.1-6). Por influência desse falso evangelho, os cultos não têm mais espaço para a exposição da Palavra de Deus. No mínimo, dois terços das nossas reuniões de “adoração” são preenchidas com cântico, música e irreverência. Mas o Senhor tem levantado homens e mulheres que, à semelhança de Moisés, têm dado ao seu povo o que ele precisa (Êx 32.7-35).


Sim, o Senhor reprova o evangelho-show! O show precisa acabar. O show da falsidade, da mentira, da apelação, do engodo, do amor ao dinheiro. Voltemos a cultuar ao Senhor Jesus em nossas igrejas! Com menos cantoria e mais louvor. Com menos triunfalismo e mais pregação cristocêntrica. Com menos sofisticação e mais simplicidade. Com menos performance gestual e mais quebrantamento do coração. Com menos descontração e mais arrependimento.


Deus sempre será contrário ao evangelho-show, porque show não é culto, e culto não é show. Não precisamos chegar ao Céu (ao contrário do já me sugeriram alguns internautas) para descobrirmos que o Senhor não recebe os shows “evangélicos”. Temos a Bíblia Sagrada. Para que servem os mandamentos, princípios, exemplos, verdades e doutrinas contidos na Palavra de Deus?


O problema é que muitos hoje têm vontade de pular, dançar, gritar, correr... Só não têm vontade de andar segundo as Escrituras. Gostam de ouvir gritinhos frenéticos. E “adoram” quando o seu cantor-ídolo diz: “Tire o pé do chãããão”. Mas, quando alguém os convida a abrir as Escrituras, torcem o nariz e pensam: “Lá vem ele com esse papo de certo ou errado”.


Você também está cansado desse “papo” de certo ou errado, prezado leitor? Saiba que Deus também está cansado desse evangelho-show! Ele quer que nos humilhemos diante dEle: “se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar [...], então, eu ouvirei dos céus” (2 Cr 7.14).


Ciro Sanches Zibordi

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Uma porta global se abriu para o evangelho-show


Já adianto que este é mais um artigo antipático em tempos de festa. Aproveitarei para dizer hoje tudo o que gostaria de afirmar a respeito da porta global que se abriu para o evangelho-show, pois, nessa época de Natal e virada de ano, não é bom ficar falando de assuntos negativos. Prometo que, a partir de amanhã, se Deus quiser, vou mudar de assunto e apresentar mensagens mais suaves...

Abriu-se, de fato, uma porta global para a pregação do Evangelho, como muitos ufanistas têm dito nas redes sociais? Ou a porta foi aberta principalmente para beneficiar as celebridades gospel — que já venderam milhões de discos — e, consequentemente, a maior emissora de TV do Brasil? Será que esta convidaria um pregador do Evangelho para discorrer sobre o maravilhoso Natal de Cristo, sua Morte expiatória e sua gloriosa Ressurreição? Isso, sim, caso tivesse ocorrido, seria motivo de uma grande festa do povo de Deus!


Mas alguém argumentará: “A porta se abriu para os cantores, e agora eles poderão se apresentar com frequência na maior emissora de TV do Brasil e, com certeza, pregarão o Evangelho”. Sinceramente, não é isso que temos visto em outras emissoras, onde os astros da música gospel já têm o seu espaço. E o que ouvimos, no Festival Promessas, com raríssimas exceções, foi uma amostra do tipo de evangelho que será pregado: bordões antropocêntricos, que massageiam o ego das pessoas, mas não lhes apresentam verdadeiramente o Evangelho, que é poder de Deus para a salvação (Rm 1.16).


Oremos para que Deus nos abra portas grandes e eficazes para a pregação do Evangelho, e não apenas para a realização de shows gospel. A Bíblia não é contra a música e os cantores de sucesso. Jesus até cantou um hino antes de sua crucificação! Mas a nossa prioridade é a exposição do Evangelho (At 6.1-7). Você sabia que dois terços do ministério terreno do Senhor foram ocupados pela pregação do Evangelho e o ensino da Palavra?


Desculpe-me, caro leitor. Eu sei que estou sendo um estraga-prazeres, antipático. Mas, o que está escrito em 1 Coríntios 16.9?
“Porque uma porta grande e eficaz se me abriu, e há muitos adversários”. Quando Deus verdadeiramente abre-nos a porta da pregação do Evangelho, como a abriu para o apóstolo Paulo, os adversários (Satanás, os demônios e todos os seus emissários) se voltam contra nós. Mas a mídia está aplaudindo de pé a porta global que foi aberta para o evangelho-show.

Até um conhecido jornal de São Paulo — pasme! —, favorável ao liberalismo e que sempre teve uma posição contrária à pregação do Evangelho, comemorou: “Hoje é um novo dia de um novo tempo que começou para a Globo e os evangélicos”. Por quê? Porque o evangelho-show não confronta o pecado. Ele é maleável, suave, agradável, massageia egos e está aberto ao ecumenismo...


O festejado evangelho-show avança a passos largos, sem nenhuma dificuldade. Mas não se esqueça do que o Senhor Jesus previu a respeito do verdadeiro Evangelho: “Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem, e mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas por minha causa” (Mt 5.11,12).


Ciro Sanches Zibordi

Esse evangelho “globalizado” promete...


Os evangélicos brasileiros estão em festa. Afinal, uma porta hiper-mega-super se lhes abriu! E, a partir de agora, o evangelho “globalizado” entrará nos lares de milhões de pessoas. O clamor dos que diziam “restitui” foi, finalmente, atendidoOs “sonhos de Deus” se realizaram! 

Como Zaqueu, várias celebridades gospel subiram ao palco, no domingo passado, e chamaram todas as atenções para si. Aos críticos restou assistir ao show “entre a plateia”, enquanto os astros festejavam: “Tem sabor de mel, tem sabor de mel”.


Entretanto, eu fiquei um tanto decepcionado com o Festival Promessas... Esperava mais extravagância. O público até que dançou, ao som de ritmos frenéticos. Mas senti falta daquele grupo de dançarinos rodopiando para lá e para cá. Também não houve “unção do leão”, “cair no Espírito” ou encenação de linchamento do Diabo.

Outro ponto negativo: nenhum cantor profetizou que o Brasil seria hexacampeão em 2014. Mas, quer saber qual foi a minha maior decepção? Alguns cantores, por incrível que pareça, falaram de Jesus!


Ironias à parte (pois eu reconheço que elas são irritantes), esperarei um pouco para dar uma opinião mais embasada sobre a aliança comercial estabelecida entre a Rede Globo e alguns astros do mundo gospel. Mas todos os meus leitores já sabem que não morro de amores pelo evangelho-show. Isso não significa que eu seja contra os cantores e músicos evangélicos — tenho até alguns amigos famosos!

Não quero que me vejam como estraga-prazeres! Oponho-me, na verdade, ao que a Bíblia condena: o secularismo (Rm 12.1,2), o estrelismo (Sl 138.6), o exibicionismo (At 12.21-23), o mercantilismo da Palavra (2 Co 2.17), o ecumenismo (Jo 14.23), o hedonismo (2 Tm 4.10) e tantas outras influências filosóficas constantes do evangelicalismo moderno (2 Co 11.3,4; 1 Tm 6.3,4).


Quem conhece de fato o Evangelho sabe que ele é cristocêntrico, e não antropocêntrico (1 Co 1.22,23; 2.1-5). Como podemos louvar a Deus com hinos (hinos?) feitos para massagear o ego das pessoas, ou mediante composições que priorizam sonhos e promessas, mas nada falam das doutrinas, mandamentos e princípios contidos nas Escrituras? Precisamos voltar a glorificar a Deus com hinos que enalteçam a Jesus e enfatizem a sua obra expiatória.


Deus não prioriza multidões. Ele prioriza a verdade (Mt 7.13,14,21-23). Lembra-se do que está escrito em João 6.51-69? O Senhor Jesus, através do seu “duro discurso”, mandou embora uma grande multidão de interesseiros. Depois que Ele disse a verdade ao povo, restaram apenas os doze apóstolos. E a estes o Mestre disse o quê? “Quereis vós também retirar-vos?” (v.67). Certamente diante de olhos arregalados, Pedro respondeu: “Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna. E nós temos crido e conhecido que tu és o Cristo, o Filho de Deus” (vv.68,69).


Responda com sinceridade, caro leitor: Aquela multidão de evangélicos que compareceu ao festival em apreço estava ali por amor à Palavra de Deus e ao Deus da Palavra? Ela estaria disposta a — como nos dias de Esdras e Neemias (Ne 8.1-12) — ouvir atentamente a exposição das Escrituras?

Permaneceriam aqueles jovens no mesmo lugar, atentos, caso ouvissem um “duro discurso”? Penso que não. Afinal, nos shows gospel, “dá vontade de pular, dá vontade de dançar, dá vontade de gritar, dá vontade de correr”. Só não dá vontade de ouvir a Palavra de Deus.


Assim disse o Senhor: “Afasta de mim o estrépito dos teus cânticos, porque não ouvirei as melodias dos teus instrumentos” (Am 5.23). 
Duro é este versículo. Quem o pode ler?

Ciro Sanches Zibordi

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

O perigo de torcer a Bíblia, ao contextualizar a mensagem de Natal


Em uma recente e polêmica campanha de Natal, a Igreja Anglicana St. Matthew in the City, de Auckland, na Nova Zelândia, propagou uma imagem de Maria assustada com um teste de gravidez. Sob muitas críticas, essa igreja resolveu se defender, em nota, dizendo que a sua intenção não era causar polêmica, e sim apresentar uma mensagem contextualizada do nascimento de Jesus.

O jornal The Christian Post
, de Nova York, Estados Unidos, entrou em contato comigo, pedindo-me que opinasse sobre o assunto. E também entrevistou Robinson Cavalcanti, bispo da Igreja Anglicana do Cone Sul da América.

Segundo Cavalcanti, não há qualquer problema com a campanha: “Imagina que a virgem Maria existisse hoje. Ela poderia ter feito o teste por sentir os sintomas e ficado assustada com o resultado, e só depois o anjo vem e faz o anúncio. Ou ainda ela pode ter feito para confirmar, mesmo que desta forma implique uma dúvida dela em relação ao anjo, acredito que não é nada demais” (http://portuguese.christianpost.com).


Discordo do aludido bispo anglicano, pois, ao contextualizar o Natal, não é necessário torcer a narrativa bíblica. A Bíblia é a Palavra de Deus. E ela, que está acima das nossas opiniões, assevera: “Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim: Estando Maria, sua mãe, desposada com José, antes de se ajuntarem, achou-se ter concebido do Espírito Santo” (Mt 1.18).


A imagem usada pela Igreja Anglicana neozelandesa é imprópria e contrária às Escrituras, visto que Maria jamais teria precisado fazer um teste para comprovar sua gravidez! Primeiro, porque não houvera conjunção carnal entre ela e José, para que existisse tal dúvida. Segundo, porque Deus lhe havia revelado que a sua concepção ocorrera por obra direta do Espírito Santo (Lc 1.26-38).


Ciro Sanches Zibordi

domingo, 18 de dezembro de 2011

Celebrar ou não celebrar o Natal em 25 de dezembro?


Não se sabe, ao certo, quando o Senhor Jesus nasceu. Mas sabemos que não foi em 25 de dezembro. Na Palestina, nessa época do ano, o forte frio seria um obstáculo à iniciativa imperial de realizar um alistamento (Lc 2.1-3). Isso é reforçado pelo fato de os pastores estarem no campo na noite de Natal (v.8).

A data de 25 de dezembro tem origem pagã e é rejeitada por muitos especialistas em história e cronologia bíblicas. Até o século III, o nascimento de Jesus era comemorado no fim de maio, no Egito e na Palestina. Em outros lugares, era celebrado no começo de janeiro ou no fim de março. O imperador Aureliano estabeleceu, em 275, a comemoração obrigatória do Natalis Invicti Solis (Nascimento do Sol Vitorioso) em 25 de dezembro. E, a partir de 336, o romanismo, fazendo uma unificação sincrética de várias festas religiosas, adotou essa data oficialmente para a comemoração do nascimento de Jesus.


Como seguidores de Cristo, não somos deste mundo (Jo 17.16), mas vivemos nele. E, por isso, temos de conviver, a cada ano, com dois Natais: o verdadeiro, pelo qual celebramos o nascimento do Senhor Jesus Cristo (não apenas nessa época do ano, evidentemente); e o secular, capitalista, sincrético, comemorado em uma data pagã, no qual o Aniversariante torna-se um mero coadjuvante. Como devemos nos comportar diante da realidade desses dois Natais?


Penso que devemos aproveitar esse período do ano para apresentar Jesus Cristo ao mundo. E podemos fazer isso por meio de cantatas ao ar livre e nos centros comerciais, cultos e mensagens especiais, evangelísticas, nos templos, publicação de textos alusivos ao nascimento de Cristo, etc. Além disso, devemos aproveitar o lado bom do Natal secular (cf. 1 Ts 5.21). Afinal, que mal existe em as famílias cristãs — que conhecem o verdadeiro sentido do Natal — aproveitarem as coisas boas da festa secular do Natal, como a confraternização, a troca de presentes e a beleza das cidades enfeitadas?


Deve o cristão residente em (ou em viagem a) São Paulo, Rio de Janeiro, Penedo, Natal, Fortaleza, Curitiba, Gramado e Canela, Buenos Aires, Paris, Nova York, por exemplo, ficar em casa ou no hotel, em sinal de protesto ao Natal secular? Não pode ele aproveitar esse período do ano para passear com a família e tirar fotos nos lugares enfeitados? E mais: há algum problema em colocar presentes debaixo de uma árvore colorida e enfeitada, a fim de abri-los à meia-noite do dia 25 de dezembro?


É claro que há celebrações e celebrações. Algumas nós devemos ignorar sumariamente, como o Carnaval. Mas de outras podemos participar, com prudência e vigilância. Citei o Carnaval como exemplo negativo porque essa festa é completamente mundana, bem como está atrelada à imoralidade e, objetivamente, ligada aos cultos afro-brasileiros.

Quanto ao Natal, convém ser extremista e perder uma grande oportunidade de se alegrar com todos os membros da família? Afinal, os dias que antecedem essa celebração, especialmente a véspera, são um período de alegria, expectativa, em que a família se reúne para se confraternizar.


Não ignoramos o paganismo, impregnado na sociedade brasileira. Mas as questões relacionadas com os festejos do Natal passam, obrigatoriamente, por uma análise dos princípios bíblicos. O cristianismo é equilibrado. Está implícito em Eclesiastes 7.16,17 que não nos é vedado o entretenimento. Ademais, a participação eventual, com prudência e vigilância, em festas pagãs é mencionada em 1 Coríntios 10.23-32. Jesus participou de festas em que havia pessoas pecadoras e comia na casa de publicanos.


Que males o Natal secular traz, efetivamente, para a vida e a família cristãs? Alguém responderá: “O Papai Noel usurpa o lugar de Cristo. E a árvore de Natal é idolátrica”. Bem, penso que nenhum crente em Jesus Cristo põe uma árvore de Natal em sua sala em louvor a ídolos. Se priorizarmos a origem pagã de todas as coisas, em detrimento do uso hodierno, teremos de proibir vestido de noiva, bolo de aniversário, ovos de chocolate...


Não somos do mundo, mas estamos no mundo! Conhecemos bem a origem dos elementos da festa secular do Natal. Contudo, lembremos do que a Palavra do Senhor assevera em 1 Coríntios 6.12: “todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma”.

Quanto às crianças, sabemos que elas vivem no mundo da fantasia. E muitas, por influência dos colegas de escola, da mídia, etc., acreditam em Papai Noel. Cabe aos pais cristãos mostrar a elas, com muita sabedoria, o verdadeiro sentido do Natal. Não é preciso se opor ferrenhamente ao Natal secular. A transição do mundo da fantasia para a realidade ocorre de modo natural. Com o tempo, a criança percebe que o Papai Noel é uma figura ficcional, mítica, e que o Senhor Jesus é real.


Tudo nessa época do ano gira em torno de enfeites coloridos, com desenhos de Papai Noel, árvores de Natal, etc. Caso os pais sejam extremistas, terão de proibir as crianças também de frequentar aulas a partir de novembro, de ir ao shopping e de assistir a desenhos animados pela televisão ou pela Internet, etc. Seria mesmo saudável não permitir aos infantes esse contato com o mundo da fantasia, própria desse período da vida?


Sabemos que as únicas pessoas que, de fato, acreditam em Papai Noel são as inocentes e ingênuas crianças. De que adianta os pais proibi-las desse encantamento natural e passageiro? Privá-las dessa alegria é uma maldade sem tamanho, atrelada à hipocrisia farisaica. Lembremo-nos do que disse o Senhor Jesus em Mateus 23.24: “Condutores cegos! Coais um mosquito e engolis um camelo”.


Geralmente, os extremistas que se preocupam com superfluidades são os mesmos que, inconscientemente, louvam ao “deus Papai Noel”. Ao contrário dos magos do Oriente, que tinham uma oferta para o Menino, os tais só querem receber, receber, receber... Coam mosquitos, mas engolem camelos.


Os pais excessivamente preocupados com questiúnculas têm ensinado seus filhos em casa (Dt 6.7) e os conduzido à Escola Bíblica Dominical para aprenderem a Palavra do Senhor? 
Privar nossa família da alegria desse período de festas é uma atitude cristã exemplar? Proibir uma criança de posar para uma foto ao lado do chamado bom velhinho ou de uma árvore enfeitada, em um shopping, é louvável?

Sinceramente, um pai que, tendo condições, não presenteia o seu filho, nessa época, está agindo de modo extremado, provocando a ira dele (Ef 6.4). Imagine como reage a criança que ouve de um pai: “Não vou lhe dar presente de Natal porque esta festa é pagã e consumista, e eu não quero agradar a Leviatã”. Isso denota zelo e santidade, ou falta de equilíbrio e hipocrisia? Pense nisso.


Ciro Sanches Zibordi

sábado, 17 de dezembro de 2011

Mais uma falácia adventista: interpretação fora de contexto de 1 João 2.7


A internauta Débora Borges fez algumas observações a respeito dos artigos que tenho escrito sobre a sabadolatria e assuntos afins. Como ela mencionou uma antiga falácia adventista, pela qual se reafirma que o quarto mandamento do Decálogo deve ser guardado pela Igreja de Cristosenti-me estimulado a escrever mais este artigo.

Referindo-se aos dez mandamentos, a internauta sabatista citou 1 João 2.4,5 e afirmou: “Irmãos, meditem nessas palavras com carinho, e o Espírito Santo iluminará vossas mentes”. Nessa passagem, o apóstolo João disse: “Aquele que diz: Eu conheço-o e não guarda os seus mandamentos, é mentiroso, e nele não está a verdade” (v.4). Seria esta uma prova de que devemos guardar os dez mandamentos, nos dias de hoje?


A internauta também citou os versículos 7 a 11 do aludido capítulo e concluiu: “Olha que interessante esta parte: ‘Irmãos, não vos escrevo mandamento novo, mas o mandamento antigo, que desde o princípio tivestes. Este mandamento antigo é a palavra que desde o princípio ouvistes’. Veja, irmão Ciro: ‘desde o princípio’. O Decálogo diz: ‘amarás o teu próximo como a ti mesmo’. João simplesmente citou esse mandamento
.

Teria mesmo o apóstolo João, ao mencionar “mandamento antigo” e “desde o princípio”, aludido a um dos dez mandamentos? S
e compararmos 1 João 2.7 com 2 João v.5 — haja vista serem as Escrituras análogas —, descobriremos o verdadeiro sentido do jogo de palavas empregado: “rogo-te, não como escrevendo-te um novo mandamento, mas aquele mesmo que desde o princípio tivemos: que nos amemos uns aos outros.

Observe estas duas frases: “tivemos” e “amemos uns aos outros”. Quando João disse “tivemos”, fica evidente que ele não se referiu ao Decálogo, e sim a um mandamento que ele e outros cristãos haviam recebido.

No Decálogo não consta a frase “amemos uns aos outros”. Aliás, nele não está contida nem o mandamento “amarás o teu próximo como a ti mesmo”. Este faz parte da lei mosaica (Lv 19.18), mas não figura entre os dez mandamentos, que são um resumo da aludida lei (Êx 20; Dt 5).


O novo e, ao mesmo tempo, antigo mandamento é o que foi apresentado desde o princípio da vida cristã, tanto a João como aos outros discípulos que o receberam. Na última refeição do Senhor com os apóstolos, Ele afirmou: “Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis. Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros” (Jo 13.34,35).


Segue-se que o mandamento apresentado pelo apóstolo João em certo sentido não é novo, e sim antigo, porque se originou em Jesus. Não era a primeira vez que estava sendo apresentado. Por outro lado, o mandamento era novo para quem o estava ouvindo pela primeira vez: parte dos destinatários das Epístolas de João.

Amém?


Ciro Sanches Zibordi

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Saudades de três referenciais que partiram em 2011


Alguns teóricos dizem que passagem de ano é apenas mudança de calendário. Discordo deles, pois, na prática, a transição entre dezembro e janeiro é um período em que refletimos muito, traçamos metas para o futuro e nos lembrarmos de tudo o que aconteceu nos últimos doze meses.

Neste mês, principalmente nas sessões diárias de fisioterapia para recuperação funcional de meu cotovelo direito (que foi quebrado há dois meses), tenho me lembrado de pessoas especiais que partiram para a eternidade em 2011. E gostaria de mencionar três referenciais em âmbitos distintos: pastorado, pregação e família.


Em 24 de fevereiro, Deus recolheu, em boa velhice, o estimadíssimo pastor José Pimentel de Carvalho, integrante do seleto grupo de pioneiros da Assembleia de Deus nascidos no Brasil. Ele atuou ao lado de missionários que vieram da Europa e dos Estados Unidos.


Nasci em 1970, quarenta anos após o novo nascimento do pastor Pimentel. Em 1985, quando o Evangelho nascia em mim, tal pioneiro já era ministro havia quarenta anos. No começo de 2011, ele partiu para a glória quando eu ainda tinha quarenta anos! Que Deus me conceda mais quarenta anos para imitar esse inesquecível servo do Senhor!


No dia 27 de abril, mais um homem de Deus partiu para a glória: o 
“antipático” David Wilkerson. Ele foi um dos pregadores e escritores que muito me influenciou, em minha juventude, por causa de seus compromisso com a Palavra de Deus, fervor espiritual e coragem de denunciar o pecado e as heresias verificadas no meio do povo de Deus.

Lembro-me de que, em uma terça-feira de 1989, um irmão idoso, com lágrimas nos olhos, me disse: “Jovem, você é um pregador do Evangelho e precisa ler este livro”. Ele me presenteou com um livro surrado, todo marcado: Toca a Trombeta em Sião, da CPAD. Percebi, ao ler a obra, que Wilkerson não era teólogo, exegeta ou erudito, mas um profeta do Altíssimo.


Mas foi em 17 de junho que partiu para a glória o servo do Senhor de quem tenho mais saudades: Renato Zibordi. Muitas lembranças do meu velho pai ainda estão vivas em minha mente, principalmente as ligadas à minha infância.

Nunca me esquecerei daquela pergunta que o velho Renato me fazia quando eu, com cinco ou seis anos de idade, pulava sobre ele, na cama: “O mosquitinho quer enfrentar o leão?” Também mantenho muito bem guardadas, dentro do meu coração, as histórias bíblicas que ele me contava. Se hoje sou esse 
“biblista inflexível”, devo isso ao velho leão...

Mas, quando a tristeza tenta invadir o meu peito, logo me recordo da bem-aventurada esperança da Igreja: 
“o Senhor descerá do céu [...]; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro; depois, nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos para sempre com o Senhor. Portanto, consolai-vos uns aos outros com estas palavras” (1 Ts 4.16-18).

Ciro Sanches Zibordi

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Fuja da sabadolatria de Ellen G. White


Tenho o mesmo pensamento do erudito Hank Hanegraaff a respeito do adventismo do sétimo dia: “o adventismo do sétimo dia é multifacetado” (O Livro das Respostas Bíblicas, CPAD, p.379). Não generalizo; reconheço que há adventistas ortodoxos, que aceitam os princípios da fé cristã histórica, e liberais, que contradizem a encarnação do Verbo, a ressurreição corpórea e a infalibilidade das Escrituras.

Mas o pior segmento do adventismo é o 
sabadólatra, que, além de se especializar em doutrinas extravagantes, como o sono da alma, confere status de profetisa a Ellen G. White (1827-1915) e propaga as suas teses sabadolátricas, inclusive em programas de televisão.

Nas obras da eminente adventista mencionada há muitas invencionices acerca da guarda do sábado. Ela chega a considerar a observância do sábado necessária para confirmar a salvação dos que creem em Jesus Cristo! A sabadolatria, sem dúvida, é a maior heresia do adventismo do sétimo dia, a qual vem sendo muito propagada mediante certo programa de televisão.


Ellen G. White afirmou, em sua obra mais famosa, que a desobediência ao quarto mandamento do Decálogo é a causa de existirem tantos pecadores no mundo: “Tivesse sido o sábado universalmente guardado, os pensamentos e afeições dos homens teriam sido dirigidos ao Criador como objeto de reverência e culto, jamais tendo havido idólatra, ateu, ou incrédulo” (O Grande Conflito, Casa Publicadora Brasileira, p.436). Então, por que a Bíblia não diz, em 2 Coríntios 5.17: “Quem guarda o sábado nova criatura é”? O que liberta o ser humano do poder do pecado e lhe outorga uma nova vida é o estar em Cristo (2 Co 5.17), e não a guarda do sábado.


Em outra obra, Patriarcas e Profetas, a senhora White asseverou: “o sábado é um sinal do poder de Cristo para nos fazer santos. E é dado a todos quantos Cristo santifica. Como sinal de Seu poder santificador, o sábado é dado a todos quantos, por meio de Cristo, se tornam parte do Israel de Deus” (citado no Tratado de Teologia Adventista do Sétimo Dia, Casa Publicadora Brasileira, p.591). Nesse caso, os cristãos que não guardam o sábado não podem ser verdadeiramente santos? Não são mais o sangue de Jesus, a Palavra de Deus e o Espírito Santo que nos santificam?


Outra invencionice sabadolátrica da senhora White diz respeito ao ministério terreno do Senhor Jesus: “Cristo, durante Seu ministério terrestre, deu ênfase aos imperiosos reclamos do sábado; em todo o Seu ensino Ele mostrou reverência pela instituição que Ele mesmo dera” (idem, p.590). A bem da verdade, o Senhor Jesus nunca ensinou a guarda do sábado! No Sermão da Montanha (Mt 5-7) nada foi dito a respeito da guarda do sábado. E olha que o Senhor aludiu ao Decálogo várias vezes! Ele só falou do sábado quando foi confrontado pelos fariseus (Mt 12.1-14).


Jesus disse que os verdadeiros adoradores adoram o Pai em espírito e em verdade (Jo 4.23,24). Mas a senhora White acrescentou: “os adoradores de Deus se distinguirão especialmente pelo respeito ao quarto mandamento — dado o fato de ser este o sinal de Seu poder criador, e testemunha de Seu direito à reverência e homenagem do homem” (O Grande Conflito, p.445).


Aliás, Ellen G. White, em sua tentativa de sacralizar ou endeusar o sábado, acrescentou várias palavras à revelação divina contida em Gênesis: “O sábado foi confiado a Adão, pai e representante de toda a família humana. [...] A instituição do sábado, que se originou no Éden, é tão antiga como o próprio mundo. Foi observado por todos os patriarcas, desde a criação” (Tratado de Teologia Adventista do Sétimo Dia, p.589). Ela também disse: “o sábado foi guardado por Adão em sua inocência no santo Éden; por Adão, depois de caído mas arrependido, quando expulso de sua feliz morada. Foi guardado por todos os patriarcas, desde Abel até o justo Noé, até Abraão, Jacó” (O Grande Conflito, p.453).


Onde está escrito, em Gênesis, que Adão, Enoque, Noé, Abraão, Isaque e Jacó guardaram o sábado? Quando Deus ordenou que Adão e seus descendentes deveriam guardar o sábado? Em Gênesis 2.1-3 está escrito que o Senhor, após ter concluído a obra da Criação, abençoou e santificou o sétimo dia. Mas isso não significa que Ele instituiu, ali, um mandamento eterno para toda a humanidade. Isso é uma grande invencionice da “profetisa” Ellen G. White, dos pregadores e telepregadores da sabadolatria.


A senhora White afirmou que, ao ser proclamada a lei, no Sinai, “as primeiras palavras do quarto mandamento foram: ‘Lembra-te do dia do sábado, para o santificar’ (Êx 20:8), mostrando que o sábado não foi instituído ali; aponta-se-nos a sua origem na criação” (Tratado de Teologia Adventista do Sétimo Dia, p.589). Ora, a instituição da guarda do sábado para os israelitas ocorreu após a saída do Egito — e, por isso, é mencionada em Êxodo 16 —, antes, portanto, do Sinai. Daí o Senhor ter dito: “Lembra-te”. Mais uma vez a senhora White, valendo-se da eisegese, falsifica a Palavra de Deus (cf. 2 Co 2.17).


Segundo a Bíblia, a instituição da guarda do sábado ocorreu após a saída do povo de Israel do Egito: “E ele [Moisés] disse-lhes [aos israelitas]: Isto é o que o SENHOR tem dito: Amanhã é repouso, o santo sábado do SENHOR” (Êx 16.23). Aqui, vemos a primeira menção, no Pentateuco, à guarda do sábado. O mandamento da guarda do sábado está, claramente, ligado à libertação do Egito (Dt 5.15).


Segue-se que a guarda do sábado foi dada exclusivamente a Israel e os estrangeiros que habitassem em sua terra (Êx 20.1,2,8; 31.13; Is 56). O fato de o Criador ter santificado e abençoado o sábado após a Criação não denota que Ele tenha ordenado que o sétimo dia, a partir daquele momento, deveria ser guardado por Adão e sua descendência. A única ordenança de Deus para o homem, em Gênesis 2, foi esta: “De toda a árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore da ciência do bem e do mal, dela não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás” (vv.16,17).


Finalmente, a “profetisa” Ellen G. White disse, com base em Apocalipse 11.19, que os dez mandamentos estão guardados dentro da arca, no Céu, e que a guarda do sábado jamais foi abolida. E acrescenta: “Não puderam achar nas Escrituras prova alguma de que o quarto mandamento tivesse sido abolido, ou de que o sábado fora mudado” (O Grande Conflito, p.433). Ora, o Decálogo faz parte da lei mosaica. E esta foi, sim, abolida, após a manifestação em carne do Senhor Jesus e sua obra expiatória (Jo 1.14-17; Lc 16.16; Rm 10.4; Cl 2.14-16).


Que Deus nos guarde da sabadolatria e de todas as formas de idolatria (Gl 5.20; 1 Co 5.11; 10.7,14; 1 Jo 5.21). E que observemos o primeiro e grande mandamento apresentado pelo Senhor Jesus: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento” (Mt 22.37).


Ciro Sanches Zibordi

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Aprenda com os magos do Oriente a celebrar o Natal


É lícito e conveniente participar, de modo prudente, das confraternizações natalinas com a família, os amigos, os colegas de trabalho, etc. Entretanto, em Mateus 2.1-12, aprendemos com os magos do Oriente a celebrar o verdadeiro Natal de Cristo, que nada tem a ver com Papai Noel, árvore enfeitada e colorida, bacalhau, peru, pernil, panetone, rabanada, amigo oculto (ou secreto), etc.

Quem eram os magos do Oriente? Eles eram sábios, estudiosos dos astros, originários, possivelmente, da Pérsia. O romanismo diz que eles eram três reis e os chama de Melquior, Baltasar e Gaspar. A Palavra de Deus se limita a identificá-los como “uns magos” (Mt 2.1). Deduz-se que eram três por causa do número de presentes oferecidos ao Menino: ouro, incenso e mirra. Mas quem pode garantir o que e em qual quantidade cada um dos magos ofertou?


Os magos do Oriente não visitaram o Menino quando Ele estava em uma manjedoura, como vemos nos presépios romanistas. Quando aqueles sábios estiveram com o Senhor Jesus, viram-no em uma casa (Mt 2.11). E Ele já tinha pelo menos dois anos de idade, visto que Herodes Magno, depois de chamar os magos e inquirir “exatamente deles acerca do tempo em que a estrela lhes aparecera” (v.7), “mandou matar todos os meninos que havia em Belém e em todos os seus contornos, de dois anos para baixo, segundo o tempo que diligentemente inquirira dos magos” (v.16).


Aos magos interessava encontrar o Menino. Eles “perguntaram: Onde está aquele que é nascido rei dos judeus?” (Mt 2.2a). Nessa época do ano, poucos se lembram do Aniversariante! Mas o Senhor Jesus não pode ser ignorado. Em nenhum outro há salvação (At 4.12; Jo 10.9). Ele é único Mediador entre Deus e os homens (1 Tm 2.5; Hb 7.25). Somente Ele nasceu sem pecado. Somente Ele viveu sem pecado. Somente Ele morreu por nossos pecados. E somente Ele ressuscitou para a nossa justificação!


Os magos desejavam adorar o Menino. “Porque vimos a sua estrela no Oriente e viemos a adorá-lo”, disseram (Mt 2.2b). Eles não queriam adorar a estrela. Eles não queriam adorar a mãe do Menino. Eles queriam adorar o Rei dos reis e Senhor dos senhores!


Os magos se alegraram ao achar o local onde estava o Menino. Eles seguiram a estrela que viram no Oriente. E, quando ela se deteve, souberam onde estava o Senhor Jesus e “alegraram-se muito com grande júbilo” (Mt 2.10). Os magos se alegraram antes de ver o Menino! Muitos precisam ver para crer, mas o verdadeiro adorador adora a Jesus mesmo sem vê-lo. Lembre-se do que o Senhor disse ao incrédulo Tomé: “Porque me viste, Tomé, creste; bem-aventurados os que não viram e creram!” (Jo 20.29).


Os magos abriram os tesouros. Eles tinham algo para oferecer ao Menino (Mt 2.11). Muita gente, nessa época de festas, só quer receber. Elas pensam que Deus é como o Papai Noel... Mas nós devemos oferecer algo ao nosso Senhor e Salvador: “Que darei eu ao SENHOR por todos os benefícios que me tem feito? Tomarei o cálice da salvação e invocarei o nome do SENHOR” (Sl 116.12,13).


Os magos ofereceram dádivas. Eles levaram consigo ouro, incenso e mirra (Mt 2.11). O número três fala de uma oferta completa (Sl 103.1,2; 1 Ts 5.23). O ouro, metal nobilíssimo, representa a nossa adoração em espírito e em verdade (Jo 4.23,24). O incenso — que, no Tabernáculo e no Templo, era formado por quatro especiarias (estoraque, onicha, gálbano e incenso puro) — alude aos nossos louvor, ações de graça, intercessões e súplicas pessoais, que sobem perante a face do Senhor como cheiro suave (Sl 141.2; Ap 5.8). E a mirra, um perfume extraído de plantas especiais, fala do nosso “bom cheiro” (2 Co 2.15).


Os magos foram guiados por Deus. Eles foram “por divina revelação avisados em sonhos para que não voltassem para junto de Herodes” (Mt 2.12). O crente que conhece o verdadeiro sentido do Natal não é guiado por horóscopo nem por conselhos de ímpios. Ele é guiado pela Palavra de Deus (Sl 119.105) e pelo Espírito Santo (At 8.29).


Os magos partiram por outro caminho. Quem adora a Jesus de verdade encontra uma saída. Assim como o povo de Israel, nos dias do profeta Ezequiel, entrava por uma porta e saía por outra (Ez 46.9), os verdadeiros adoradores entram pela “porta do problema” e saem pela “porta da solução”; entram pela “porta da enfermidade” e saem pela “porta da cura”. E assim por diante. Lembre-se das palavras do protagonista do Natal: “Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á, e entrará, e sairá, e achará pastagens” (Jo 10.9).


Ciro Sanches Zibordi

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Quais são os principais mandamentos que o cristão deve guardar?

Se perguntarmos “Qual é o primeiro mandamento?” a um cristão (cristão?) judaizante, guardador da lei mosaica — a qual perdurou até os dias em que Jesus se manifestou em carne (Mt 11.12,13; Lc 16.16; Jo 1.15-17) —, o que ele nos responderá? Certamente, dirá: “O primeiro mandamento da imutável lei de Deus está no Decálogo, em Êxodo 20.2 e Deuteronômio 5.7: ‘Não terás outros deuses diante de mim’”.

E se fizermos a mesma pergunta acima a um cristão que se preza? Ele, seguramente, responderá: “O primeiro e grande mandamento, de acordo com Mateus 22.37, é ‘Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento’”.


A essa altura, um adventista do sétimo dia — que se diz cristão, mas, ao mesmo tempo, se esforça em guardar o sábado, ignorando que esse mandamento é um sinal entre Deus e Israel (Êx 31.13ss) — poderá dizer: “Está vendo? O primeiro mandamento do Decálogo permanece até hoje, com palavras diferentes. No Antigo Testamento, somos proibidos de adorar a outros deuses. E, no Novo, recebemos a ordem de amar o único Deus. Portanto, estamos diante do mesmo mandamento”.


Mas... E se perguntarmos, novamente, a um cristão pretensamente guardador da lei mosaica e a um cristão que se preza: “Qual é o segundo mandamento que o cristão deve guardar?”, o que eles responderão? O primeiro, obviamente, recorrerá aos dez mandamentos: “O segundo mandamento, de acordo com o imutável Decálogo, é ‘Não farás para ti imagem de escultura’”. O outro, por sua vez, citará as palavras de Jesus registradas em Mateus 22.39: “E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo”.


Haja o que houver, o irmão (irmão?) adventista do sétimo dia vai continuar dizendo que o cristão deve guardar, hoje, todos os dez mandamentos, inclusive (ou principalmente?) o relativo ao sábado. Mesmo diante do que está escrito em Romanos 10.4 — “o fim da lei é Cristo” — e sabendo que os destinatários originais do Decálogo são os israelitas (Êx 20.1,2; Dt 5.1-6), o sabatista não desistirá da guarda do sábado...


Penso que o único que tem autoridade para convencer os cristãos judaizantes do século XXI, que ainda querem viver segundo a lei mosaica, é o Senhor Jesus. Este, aliás, ao ser interpelado por um doutor da lei (mosaica) — “Mestre, qual é o grande mandamento da lei?” (Mt 22.36) —, não citou o Decálogo. Ao confirmar que “a lei foi dada por Moisés” e “a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo” (Jo 1.17), Ele preferiu mencionar o amor a Deus e ao próximo, respectivamente. E, depois disso, decretou: “Desses dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas” (Mt 22.40).


Ciro Sanches Zibordi