quarta-feira, 30 de novembro de 2011
Quem são os nossos reais inimigos?
O cristão tem dois tipos de inimigos: os invisíveis e os visíveis. Os primeiros são as hostes do mal, e devemos nos opor a elas (Ef 6.10-18). Os outros são as pessoas que nos odeiam por algum motivo, as quais devemos amar (Mt 5.44).
É impossível não ter inimigos. O Senhor Jesus, o Homem perfeito, também os tinha, e a maioria deles o odiava por inveja. O Mestre nunca foi inimigo de ninguém, a ponto de chamar até o traidor Judas de amigo (Mt 26.50). Ele não impediu que o Iscariotes se fizesse seu inimigo. Mas, paradoxalmente, nunca desejou ser seu inimigo, objetivamente.
O verdadeiro cristão, que anda como Jesus andou (1 Jo 2.6), não se faz inimigo de ninguém e não odeia as pessoas que se lhe opõem. Afinal, segundo a Bíblia, os nossos reais inimigos são os invisíveis: principados, as potestades, as hostes espirituais da maldade, os príncipes das trevas deste século, e não as pessoas (Ef 6.10-12).
Lamentavelmente, há cristãos (cristãos?) elegendo, equivocadamente, seus vizinhos, colegas de trabalhos e até irmãos como inimigos. E alegam ter motivos “nobres” para alimentarem sentimento de vingança e se regozijarem com o aparente fracasso dos tais. Que tipo de vida cristã é essa?
Obadias profetizou numa época em que a cidade de Jerusalém estava sob o ataque violento da Babilônia. E os vizinhos de Jerusalém, os edomitas, estavam torcendo para que os exércitos inimigos os matassem e os destruíssem, como lemos em Salmos 137.7: “Lembra-te, SENHOR, dos filhos de Edom no dia de Jerusalém, porque diziam: Arrasai-a, arrasai-a, até aos seus alicerces”.
As seguintes palavras de escárnio e desprezo, constantes de Obadias v.12, foram pronunciadas por parentes consanguíneos dos judeus: “Mas tu não devias olhar para o dia de teu irmão, no dia do seu desterro; nem alegrar-te sobre os filhos de Judá, no dia da sua ruína; nem alargar a tua boca, no dia da angústia”. Os edomitas eram descendentes de Esaú, irmão de Jacó. E, por isso, Obadias condenou os edomitas por se regozijarem com o sofrimento dos judeus.
Conclusão: os filhos de Edom, que pensavam estar comemorando uma vitória com sabor de mel, experimentaram, na verdade, uma derrota com sabor de fel: “Ah! Filha de Babilônia, que vais ser assolada! Feliz aquele que te retribuir consoante nos fizeste a nós! Feliz aquele que pegar em teus filhos e der com eles nas pedras!” (Sl 137.8,9).
Portanto, se alguém que nos tem prejudicado, de alguma maneira, está sofrendo, não devemos, como servos do Senhor, ter o prazer da vingança. As Escrituras nos ensinam: “Quando cair o teu inimigo, não te alegres, e não se regozije o teu coração quando ele tropeçar” (Pv 24.17).
Em vez de zombarmos do suposto fracasso de alguém, devemos manter uma atitude de compaixão e perdão, pois “Horrenda coisa é cair na mão do Deus vivo” (Hb 10.31). Afinal, o que estão buscando os crentes que cantam “Tem sabor de mel, tem sabor de mel” ao verem sofrendo o seu irmão (que eles consideram inimigo)?
Com temor e tremor,
Ciro Sanches Zibordi
domingo, 27 de novembro de 2011
Uma palavra sobre a itinerância e os “itinerantes” (parte 2)
Até o fim dos anos de 1990 não havia tantos “itinerantes” nas Assembleias de Deus. A pregação bíblica sem malabarismos ainda reinava. Pregadores que expunham a Palavra do Senhor, na dependência do Espírito Santo, ainda eram respeitados. Mas, com o falecimento de alguns homens de Deus e a queda espiritual de outros, começaram a surgir, em grande quantidade, ainda na aludida década (que compreende o período de 1991 a 2000), os “conferencistas internacionais”, animadores de auditório.
Hoje, o modelo que prevalece e encanta multidões é o da pregação interativa dos “itinerantes”, no melhor estilo diga-isso-e-aquilo-para-o-seu-irmão, com pouquíssimo conteúdo bíblico e malabarismo de sobra. Como consequência, muitos crentes já não suportam a exposição da viva e eficaz Palavra do Senhor (Hb 4.12). Isso, para eles, é simples demais e enfadonho; querem movimento, animação, berros prolongados ao microfone, gracejos, exibição teatral, etc.
A exposição verdadeiramente ungida das Escrituras perdeu o seu espaço. E quem não gosta de animação de auditório, como este expoente, é considerado pela maioria como retrógrado, ultrapassado, invejoso, sem unção, incapaz de “gerar a graça”, inimigo do “mover de Deus”, cético, etc.
Entretanto, a minha batalha — ainda que às vezes me sinta como alguém tirando água do oceano com uma pequena caneca — pela recuperação da exposição da Palavra de Deus continuará, segundo a graça do Senhor Jesus. Enquanto Deus me der força, perseverarei em protestar contra a animação de plateia e em asseverar que precisamos voltar às “veredas antigas” (Jr 6.16). Afinal, avivamento também significa reconquistar o que foi perdido (Lm 5.21).
Com base no que está escrito em 2 Timóteo 3.14, posso dizer que o ministério que o Senhor me outorgou foi grandemente influenciado por eminentes pregadores e ensinadores da Palavra, especialmente Valdir Nunes Bícego (segundo, na foto acima), cujo ministério envolvia itinerância.
Não havia, à época da virada do milênio, um pregador que reunisse tantas qualidades como Valdir Bícego. De alguma forma, Deus o usava com todos os dons ministeriais mencionados em Efésios 4.11. Assim como Paulo, que recebeu do Senhor um ministério multíplice (1 Tm 2.7), Bícego era, ao mesmo tempo, um mestre, um pastor, um evangelista, um profeta e um apóstolo do Senhor.
Influenciado diretamente por homens de Deus, como os verdadeiramente apóstolos Cícero Canuto de Lima e Eurico Bergstén (primeiro, na foto acima), Valdir Bícego reunia em si um pouco dos dois. Era seguro e zeloso como o primeiro e compromissado com a sã doutrina e com a pregação biblicocêntrica, como o segundo. Tive o privilégio de ser encaminhado ao ministério por ele, servindo ao Senhor sob seu pastorado na Assembleia de Deus da Lapa, em São Paulo, durante quinze anos.
Desde o dia em que vi o pastor Valdir Bícego expor a Palavra do Senhor, em um congresso de jovens, acendeu-se em mim uma chama para proclamar o Evangelho e defendê-lo (Mc 16.15; Fp 1.16). Na sua última pregação, em 27 de abril de 1998 (um dia antes de sua repentina morte), a qual também tive o privilégio de ouvir, ele asseverou: “Não fiquem em torno do pastor. Fiquem em torno de Jesus, da Palavra e do ministério, pois o pastor pode morrer a qualquer momento”.
No início do século XXI, a pregação da Palavra de Deus tornou-se escassa e obsoleta nos púlpitos assembleianos. Os animadores de auditório começaram a encantar os jovens pregadores, em razão de serem aqueles os protagonistas dos grandes congressos pretensamente pentecostais, transmitidos ao vivo pela Internet. Pregações triunfalistas e antropocêntricas, com temas exóticos, como “Grávidos de um avivamento” ou “Sonhe e ganhará o mundo”, passaram a ser vendidas, alugadas e pirateadas em toda a parte, tornando os tais “itinerantes” verdadeiras celebridades.
Coincidentemente ou não, depois das mortes de Bernhard Johnson (em 1995), Valdir Bícego (em 1998) e Eurico Bergstén (em 1999), e com as quedas espirituais de importantes expoentes da Palavra de Deus (algumas irreversíveis), cresceu, e muito, a animação de plateia. Não obstante, hoje, graças a Deus e ao legado de pregadores do passado, o quadro já começa a melhorar. Há um forte clamor pela pregação cristocêntrica, centrada na imutável Palavra do Senhor, e começam a surgir pregadores à moda antiga. Aleluia!
Diante do exposto, continuarei com o propósito de imitar os grandes pregadores e ensinadores que conheci no milênio passado (1 Co 11.1). E continuarei lutando para que, em nossos cultos e congressos, voltemos a valorizar a poderosa exposição da Palavra de Deus (Sl 119.130; Jo 5.24), sem exibicionismo, invencionices, ilusionismo, berros desnecessários, malabarismo, gracejos sem graça, triunfalismo e outros devaneios e aberrações que desviam o povo da verdade e do temor do Senhor.
Ciro Sanches Zibordi
Uma palavra sobre a itinerância e os “itinerantes” (parte 1)
Nas áureas décadas de 1980 e 1990, os pregadores mais requisitados e famosos — por serem verdadeiramente usados pelo Senhor —, nas Assembleias de Deus, eram identificados por títulos ministeriais bíblicos. De alguns anos para cá, surgiram títulos novos, como “conferencista internacional” e “itinerante”. Considero o primeiro um tanto pretensioso. Quanto ao segundo... Ah, o segundo é, no mínino, despropositado.
Pessoas que me encontram nos aeroportos ou nas igrejas onde ministro a Palavra de Deus me perguntam se sou um “itinerante”, pelo fato de eu participar de eventos em vários lugares, especialmente escolas bíblicas. E a minha resposta a elas, a priori, parece vaga: “Não sou ‘itinerante’. Mas tenho um ministério que envolve itinerância”.
Não me considero um “itinerante” porque a itinerância, em si, não é um ministério ou uma profissão, e sim uma característica destes. Houaiss define assim o termo “itinerante”: “diz-se de atividade que se exerce com deslocamentos sucessivos de lugar em lugar”.
O piloto de avião, o comissário de bordo e motorista de ônibus, por exemplo, não são chamados de “itinerantes” pelo fato de viajarem para várias partes do Brasil e/ou do mundo. Eles têm um trabalho que envolve itinerância. Da mesma forma, o apóstolo Paulo não era um “itinerante”, a despeito de suas viagens missionárias. Ele era pregador, apóstolo e doutor dos gentios (1 Tm 2.7). Seu ministério, multifacetado, envolvia itinerância.
Considero impróprio o uso do termo “itinerante” para designar o ministério da pregação da Palavra de Deus. Mas muito pior do que um problema de ordem semântica são os procedimentos adotados pelos que se dizem “itinerantes”. No meio assembleiano, especialmente, o aludido termo tem designado um tipo de obreiro que demonstra não ter sido chamado por Deus.
Os “itinerantes”, geralmente, gostam de aparecer. Apreciam roupa que reluz, sapatos que brilham de longe, anéis que ocupam quase metade do dedo, etc. Ter o título de diácono, presbítero, evangelista ou pastor, para eles, é desonroso ou “pouco impactante”. Preferem ser conhecidos como “conferencistas internacionais”. Supervalorizam o título, ignorando que não é o título que faz a pessoa; é a pessoa que faz o título. Duas passagens que eles deveriam examinar são 1 Samuel 16.6-13 e 2 Reis 4.31.
Os “itinerantes” querem ser pregadores a todo custo; são “oferecidos”, mas não possuem mensagem conveniente, à semelhança do rapaz que se apressou em dar a notícia da morte de Absalão a Davi (2 Sm 18.19-22). Em vez de apresentarem mensagens cristocêntricas, discorrem sobre conceitos antropocêntricos da autoajuda. Tais pregadores deveriam atentar para o exemplo de Jeremias: “eu não me apressei em ser o pastor após ti” (17.16).
Os “itinerantes” entram no ministério, mas o ministério não entra em seu coração. Eles foram feitos pregadores pelos homens, e não pelo Senhor (2 Tm 4.3-5; 1 Rs 12.31; 13.33; 2 Rs 17.32,33). Eles confiam apenas em sua capacidade, como o comandante Joabe, que tinha muitos talentos, mas era insensível, desumano, cruel, não inspirava respeito, não reconhecia os seus erros, não respeitava os laços familiares e não foi fiel até o fim (2 Sm 10.9; 1 Cr 19.10; 1 Rs 1.5-8; 2.5,28).
Os “itinerantes” amam o dinheiro (1 Tm 3.3; 6.10; Ef 5.5). E por ele estão dispostos a fazer tudo (Nm 22.10-22; 2 Pe 2.15,16; Is 56.11). Esquecem-se de que o compromisso primaz do pregador não é com as suas próprias necessidades ou com as preferências do povo, e sim com o Deus da Palavra e com a Palavra de Deus (Ez 2; At 7).
Os “itinerantes” se envolvem com a obra de Deus para ter comodidade e riqueza (Ez 34.2-4; Jz 17.7-13). E, por isso, mercadejam a Palavra de Deus (2 Co 2.17). Não se contentam com uma boa oferta da igreja do Senhor. Exigem cachês exorbitantes ou empregam técnicas reprováveis para “arrancar” tudo o que for possível dos incautos, como dinheiro, relógios, alianças, cheques, etc.
Os “itinerantes” gostam de receber glória dos homens (2 Co 10.12-18; At 12.21-23). Mas Deus não dá a sua glória a outrem (Is 42.8). Eles deveriam atentar para Provérbios 27.2 e 25.27, a fim de aprenderem que o Senhor usa — verdadeiramente — os humildes (1 Co 1.26-29; Tg 4.6).
Com temor e tremor,
Ciro Sanches Zibordi
sábado, 26 de novembro de 2011
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
Em breve, novas postagens
Prezados amigos, irmãos, seguidores deste blog, internautas em geral, acabei de chegar da Europa. Deus nos abençoou grandemente em Portugal e Suíça. Mas amanhã, bem cedo, já viajo para Manaus, Amazonas, para atender a Escola Bíblica de Obreiros da Assembleia de Deus Tradicional. O evento será em Manacapuru, bem próximo da capital.
Em breve, se Deus quiser, publicarei novos artigos e discorrerei sobre as minhas viagens a importantes cidades do velho continente, onde ministrei a Palavra e realizei algumas pesquisas.
Contando com as orações dos santos,
Ciro Sanches Zibordi
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
Minha agenda na Europa
Entre os dias 10 e 23 deste mês, minha família e eu estaremos no velho continente. Hoje, à noite — se Deus quiser —, embarcamos para Lisboa, Portugal, onde ministrarei a Palavra de Deus, a partir do dia 11/11/11 (atenção, numerólogos de plantão!), no congresso de missões da Assembleia de Deus “Rocha Eterna”, liderada pelo estimado pastor Eli Felete Domingos. Os cultos serão transmitidos online pelo site: http://www.ieadmre.com.
No dia 18, viajamos para Genebra, na Suíça, para participarmos do aniversário de inauguração da Assembleia de Deus “Missão Resgate”, presidida pelo querido pastor Luiz Dias. O líder desse novel ministério está filiado à COMADEUR (Convenção dos Ministros das Assembleias de Deus para a Europa), a qual tem como presidente e vice-presidente, respectivamente, os pastores Antonio Dionízio da Silva (Brasil) e Francisco Pereira da Silva (Portugal). Este será também um dos preletores do evento.
Contando com as orações dos santos,
Ciro Sanches Zibordi
Não entregue o $eu Isaque
Falo por parábola.
Um famoso conferencista brasileiro foi convidado para ministrar a Palavra durante três noites a um grande grupo de jovens, em uma terra longínqua, no velho continente. Muito eloquente e persuasivo, ele resolveu discorrer sobre a obediência de Abraão à surpreende ordem divina: “Toma agora o teu filho, o teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai ao Moriá; e o oferece-o ali em holocausto sobre uma das montanhas, que eu te direi” (Gn 24.2).
O conferencista internacional fez uma “contextualização” e resolveu chamar Isaque de “a melhor oferta”. “Isaque era o único filho de Abraão. Era o que ele tinha de mais importante nesta terra. Pergunte para o seu irmão: ‘O que você tem de mais importante nesta vida? Qual é a sua melhor oferta?’” — afirmou o pregador, na primeira noite. Ao mesmo tempo que mencionava a fidelidade de Abraão, ele contava experiências de pessoas que deram tudo o que tinham e prosperaram financeiramente.
Na segunda noite, o pregador foi ainda mais claro: “Você mora de aluguel? Esse é o seu Isaque. E você precisa sacrificá-lo. Ofereça-o. Você é um empresário? Entregue todo o lucro deste mês, pois esse é o seu Isaque. Não questione. Obedeça o profeta de Deus. E você sairá daqui com a sua bênção”.
Tendo mencionado vários “I$aque$”, o pregador lançou um desafio: “Amanhã é o último dia da festa. E eu quero ver quem terá ousadia para entregar o seu Isaque”. Isso contagiou a todos, e a maioria dos irmãos estava mesmo disposta a dar o que tinha de melhor, financeiramente falando. O pregador dissera que, se alguém não tivesse dinheiro, poderia entregar relógios, alianças, cheques pré-datados, etc. Mas ele não contava com uma surpresa...
Naquela igreja havia um grupo de jovens estudiosos da Bíblia. E um deles estava escalado para dar uma palavra de cinco minutos antes do pregador. “Saúdo os irmãos com a paz do Senhor”, disse o jovem. “Como tenho apenas cinco minutos para falar, convido os irmãos a lerem comigo Gênesis 22.11,12”.
Depois da leitura, o corajoso jovem discorreu rapidamente sobre Abraão e Isaque e concluiu: “Irmãos, Deus pediu a Abraão que oferecesse o seu filho Isaque em holocausto. Mas isso foi apenas um teste. Ele não aceita sacrifícios humanos. E, como podemos ver, Abraão levou o seu Isaque para casa”.
Antes de convidar o famoso conferencista para a sua última ministração, o pastor da igreja — que estava incomodado com o aludido desafio — fez questão de dar mais uma palavra: “Irmãos, como disse esse sábio jovem, Abraão levou o seu Isaque para casa. Isso significa que nenhum de nós precisa oferecer hoje o seu Isaque. Dê a sua oferta, mas faça isso liberal e voluntariamente. Não precisa entregar o dinheiro do aluguel nem a sua aliança, etc.”.
Furioso e com “cara de poucos amigos”, o conferencista mudou o tema da mensagem: “Nesta noite eu quero falar sobre os crentes que tocam nos ungidos de Deus, aqueles que discordam dos profetas. Esses incrédulos sempre terão uma vida miserável, pois não têm coragem de entregar o melhor para mim... Quer dizer, para Deus”.
Diante desta parábola — baseada em várias histórias reais que já ouvi sobre conferencistas de$afiadore$ —, medite em 2 Coríntios 2.17: “Porque nós não estamos, como tantos outros, mercadejando a palavra de Deus; antes, em Cristo é que falamos na presença de Deus, com sinceridade e da parte do próprio Deus”.
Ciro Sanches Zibordi
terça-feira, 8 de novembro de 2011
Retornando às atividades
Depois de um longo período (mais de trinta dias) trabalhando com muita dificuldade e afastado da itinerância — por recomendação médica, em razão do pequeno acidente que sofri há um mês —, neste mês retomei as viagens. Agradeço a Deus e a todos que intercederam por mim, pois, apesar de eu ter fraturado o cotovelo, não precisei passar por cirurgia.
Acabei de chegar de uma maravilhosa escola bíblica na Assembleia de Deus em Vespasiano, na Região Metropolitana de Belo Horizonte-MG (pastor José Reginaldo). Nesta semana, se Deus quiser, minha família e eu viajaremos à Europa, especialmente a Portugal e Suíça, para participar de alguns eventos, como os mencionados nas imagens acima. Contamos com as orações de todos.
Em tempo: informo que tenho recebido e-mails solicitando agendamento para o próximo ano, mas ainda não respondi a nenhum. A demora para responder a essas solicitações se deve à necessidade de conciliar todas as atividades: profissionais, ministeriais e familiares. A partir desta semana, começarei a definir a minha agenda para 2012.
Desejo a todos uma excelente semana!
Ciro Sanches Zibordi
segunda-feira, 7 de novembro de 2011
Fotos e fatos simples que alegram o coração (3)
Julinha e suas duas paixões: cachorro e picolé
Minha esposa (Luciana) e eu com amigos na Assembleia de Deus em Itapema-SC
Amiga Simone Fernandes, verdadeira adoradora, recomenda Erros que os Adoradores Devem Evitar
Encontro mais do que especial no aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro-RJ
Conhecendo leitores especiais durante o XIII Encontro para Consciência Cristã em Campina Grande-PB
Com o amigo Wilton Lima em Sobral, a Paris cearense
Ministrando a Palavra de Deus na Assembleia de Deus em Curitiba-PR
Pessoas especiais que fazem meus livros chegar às mãos dos leitores
Em minha igreja (Assembleia de Deus em Cordovil, Rio de Janeiro-RJ) recebendo a visita de amigos ilustres
Com o amigo Wilson Pedro (à esquerda) na Assembleia de Deus em Vila Ré, São Paulo-SP
Minha esposa e eu ao lado do pastor e amigo Daniel Acioli e sua amada, em Apucarana-PR (Julinha faz travessuras, ao fundo)
Jantar no melhor restaurante de Niterói-RJ (não me pergunte o nome dele)
Nós três em Brasília-DF
Um dos meus autores e pregadores preferidos
Gunnar Vingren e Daniel Berg subiram esses degraus, há cem anos, em Belém-PA
Com irmãos e amigos na Igreja Batista em Maricá-RJ
Queridos sobrinhos, irmã (ao fundo) e sobrinha-neta
Conversa sobre heresias e modismos do nosso tempo com o pastor, pregador e amigo Lauri Villas-Boas, na Assembleia de Deus em Bonsucesso, Rio de Janeiro-RJ
Valdir Bícego, o maior pregador que conheci
Minha esposa (Luciana) e eu com amigos na Assembleia de Deus em Itapema-SC
Amiga Simone Fernandes, verdadeira adoradora, recomenda Erros que os Adoradores Devem Evitar
Encontro mais do que especial no aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro-RJ
Conhecendo leitores especiais durante o XIII Encontro para Consciência Cristã em Campina Grande-PB
Com o amigo Wilton Lima em Sobral, a Paris cearense
Ministrando a Palavra de Deus na Assembleia de Deus em Curitiba-PR
Pessoas especiais que fazem meus livros chegar às mãos dos leitores
Em minha igreja (Assembleia de Deus em Cordovil, Rio de Janeiro-RJ) recebendo a visita de amigos ilustres
Com o amigo Wilson Pedro (à esquerda) na Assembleia de Deus em Vila Ré, São Paulo-SP
Minha esposa e eu ao lado do pastor e amigo Daniel Acioli e sua amada, em Apucarana-PR (Julinha faz travessuras, ao fundo)
Jantar no melhor restaurante de Niterói-RJ (não me pergunte o nome dele)
Nós três em Brasília-DF
Um dos meus autores e pregadores preferidos
Gunnar Vingren e Daniel Berg subiram esses degraus, há cem anos, em Belém-PA
Com irmãos e amigos na Igreja Batista em Maricá-RJ
Queridos sobrinhos, irmã (ao fundo) e sobrinha-neta
Conversa sobre heresias e modismos do nosso tempo com o pastor, pregador e amigo Lauri Villas-Boas, na Assembleia de Deus em Bonsucesso, Rio de Janeiro-RJ
Valdir Bícego, o maior pregador que conheci
sábado, 5 de novembro de 2011
terça-feira, 1 de novembro de 2011
Ressuscita-me?
A canção “Ressuscita-me” tem sido bastante entoada pelos evangélicos. Sua melodia é bonita e envolvente — admito —, mas a sua letra está de acordo com as Escrituras? Tenho recebido vários pedidos por e-mail para analisá-la. E resolvi atender a essas solicitações.
Adianto que esta abordagem respeita a licença poética, mas prioriza a Palavra de Deus (1 Co 4.6; At 17.10,11; Gl 1.6-8). Afinal, como crentes espirituais, devemos discernir bem tudo (canções, pregações, profecias, milagres, manifestações, etc.), a fim de retermos somente o que é bom (1 Co 2.15; 1 Ts 5.21).
“Mestre, eu preciso de um milagre. Transforma minha vida, meu estado. Faz tempo que eu não vejo a luz do dia. Estão tentando sepultar minha alegria, tentando ver meus sonhos cancelados”. Não vejo problemas no início da composição em análise, visto que todos nós, mesmo salvos, passamos por momentos difíceis em que nos sentimos perseguidos, isolados, como que presos em um lugar escuro, sufocante, “no vale da sombra da morte” (Sl 23.4). Nessas circunstâncias, é evidente que ansiamos por um grande milagre.
“Lázaro ouviu a sua voz, quando aquela pedra removeu. Depois de quatro dias ele reviveu”. Aqui, como se vê, a construção frasal não ficou boa. Quem removeu a pedra? Com base na licença poética, prefiro acreditar que o compositor referiu-se aos homens que removeram a pedra, naquela ocasião (Jo 11.39-41), haja vista Lázaro, morto e amarrado, não ter a mínima condição de fazer isso — segundo os historiadores, aquela pedra pesava cerca de quatro toneladas.
A oração cantada prossegue: “Mestre, não há outro que possa fazer aquilo que só o teu nome tem todo poder. Eu preciso tanto de um milagre”. Algum problema, aqui? Não.
“Remove a minha pedra, me chama pelo nome”. Os problemas começam aqui. Se o compositor tomou a ressurreição de Lázaro como exemplo, deveria ter sido fiel à narrativa bíblica. É claro que Deus remove pedras grandes, como ocorreu na ressurreição do Senhor Jesus (Mc 16.1-4). Mas, no caso de Lázaro, quem tirou a pedra foram os homens, e não Deus (Jo 11.41)!
Aprendemos lições diferentes com as circunstâncias que envolveram as aludidas ressurreições. Fazendo uma aplicação espiritual, há algumas pedras que Deus remove (como na ressurreição de Jesus), mas há outras que o ser humano deve revolver (como na ressurreição de Lázaro). Em outras palavras, Deus faz a parte dEle, e nós devemos fazer a nossa (Tg 4.8; 2 Cr 7.13,14).
“Muda a minha história. Ressuscita os meus sonhos. Transforma a minha vida, me faz um milagre, me toca nessa hora, me chama para fora”. Clichês comerciais e antropocêntricos não podem faltar em gospel hits: “muda a minha história”, “sonhos”, etc. Como já falei muito sobre esse desvio em meu livro Erros que os Adoradores Devem Evitar, evitarei ser ainda mais “antipático”. Mas é importante que os compositores cristãos aprendam que os hinos devem ser prioritariamente cristocêntricos.
“Ressuscita-me”. Aqui vejo a principal incongruência do cântico, a qual não pode ser creditada à licença poética. Pedir a Deus: “ressuscita os meus sonhos”, no sentido de que eu me lembre das suas promessas e volte a “sonhar”, a ter esperança, a aspirar por dias melhores, etc. — a despeito do que afirmei sobre o antropocentrismo —, até que é aceitável. Mas não posso concordar com a súplica: “Ressuscita-me”. Por quê? Porque o salvo em Cristo já ressuscitou, espiritualmente, e não precisa ressuscitar de novo!
Quer dizer, então, que a aplicação feita pelo compositor é contraditória? Sim, pois, em Colossenses 3.1, está escrito: “se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus”. O que é o novo nascimento? Implica morte para o pecado (Cl 3.3) e ressurreição para uma nova vida (Rm 6.4). Essa analogia da nossa preciosa salvação — pela qual temos a certeza de que estamos mortos para o pecado e já ressuscitamos para o nosso Deus — não pode ser posta em dúvida para atender a anseios antropocêntricos. Por isso, a oração “Ressuscita-me” se torna, no mínimo, despropositada.
Alguém poderá argumentar: “Ora, a Bíblia não diz, em 1 Coríntios 15, que vamos ressuscitar? Por que seria errado pedir isso para Deus?” Bem, o sentido da ressurreição, no aludido texto paulino, é completamente diferente do mencionado na composição em apreço. Paulo referiu-se à ressurreição literal daqueles que morrerem salvos, em Cristo (vv.51-55; 1 Ts 4.16,17). Hoje, em vida, não esperamos ser ressuscitados, pois já nos consideramos “como mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus nosso Senhor” (Rm 6.11).
Amém?
Ciro Sanches Zibordi
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