segunda-feira, 31 de outubro de 2011
Reforma é coisa séria, e Halloween não é brincadeira
Muita gente não sabe, mas o Dia das Bruxas, o Samhain ou Halloween, Ano Novo céltico (31 de outubro), tem uma conexão com o Dia de Todos os Santos da Igreja Católica Romana. Este era originalmente celebrado em maio, e não no primeiro dia de novembro.
No ano 608, o imperador romano Focas apaziguou o populacho dos territórios pagãos recentemente conquistados, permitindo-lhe combinar o antigo ritual de Samhain com o Dia de Todos os Santos. E, assim, o panteão de Roma, templo edificado para a adoração de uma multiplicidade de deuses, foi transformado em igreja.
Foram os imigrantes europeus, especialmente os irlandeses, que introduziram o Halloween nos Estados Unidos. Hoje, o Dia das Bruxas é muito importante para os lojistas, inclusive no Brasil. Salém, em Massachusetts (Estados Unidos), é a sede da bruxaria norte-americana. Ali celebra-se, na época do Halloween, o Festival da Assombração, para expandir a temporada turística de verão. Tudo parece uma grande brincadeira, mas — conscientemente ou não — os participantes dessa festa estão se envolvendo com o ocultismo e o satanismo.
Por outro lado, algumas denominações evangélicas, além de realizarem festas similares às juninas (o que já é um absurdo), estão promovendo também, no fim de outubro, uma espécie de Halloween, decorando o ambiente com abóboras, etc. Elas alteram o nome da brincadeira satânica para Jesusween ou Elohin! Aos pastores destas igrejas quero apresentar um motivo melhor para festejar.
Em vez de comemorarem o Dia das Bruxas, os pastores que se prezam deveriam se lembrar da Reforma Protestante. Na manhã de 31 de outubro de 1517, véspera do Dia de Todos os Santos, Martinho Lutero — sacerdote romanista, professor de teologia e filho de um minerador bem-sucedido — começou a questionar de modo mais contundente a Igreja Católica e a atacar a autoridade do papa.
Lutero, então, afixou na porta da Catedral de Wittenberg (pronuncia-se vitemberk) um pergaminho que continha 95 declarações. Estas, conhecidas como teses, eram quase todas relacionadas com a venda de indulgências (pacotes caros pagos pelo perdão, inclusive das pessoas que já haviam partido para a eternidade).
Em junho de 1520, Lutero foi excomungado por uma bula — decreto do papa que continha o seu selo oficial. Em dezembro do mesmo ano, com ousadia, ele queimou esse documento em reunião pública, à porta de Wittenberg, diante de uma assembleia de professores, estudantes e o povo. No ano seguinte, foi intimado a comparecer ante as autoridades romanistas, em Worms. E declarou: “Irei, ainda que me cerquem tantos demônios quantas são as telhas dos telhados”.
No dia 17 de abril de 1521, Lutero apresentou-se à Dieta do Concílio Supremo, presidida pelo imperador Carlos V. Para escapar da morte, teria de se retratar. Mas ele não faria isso, a menos que fosse desaprovado pelas próprias Escrituras. E asseverou perante todos: “Aqui estou. Não posso fazer outra coisa. Que Deus me ajude. Amém”.
Considerado herege, ao regressar à sua cidade Lutero foi cercado e levado por soldados ao castelo de Wartzburg, na Turíngia, onde ficaria “guardado”. Ali, ele traduziu o Novo Testamento para o alemão, obra que, por si só, o teria imortalizado. Ao regressar a Wittenberg, reassumiu a direção do movimento a favor da Igreja Reformada, e a partir daí os princípios da Reforma Protestante se espalharam por toda a Europa, com ajuda de homens de valor, como Ulrico Zuínglio, João Calvino, Jacques Lefevre, João Tyndale, Tomás Cranmer, João Knox, etc.
Assim como muitos teólogos estão fazendo hoje, os católicos romanos haviam substituído a autoridade da Bíblia pela autoridade da igreja. Eles ensinavam que a igreja era infalível e que a autoridade da Bíblia procedia da tradição. Os reformadores afirmavam que as Escrituras eram a sua regra de fé, de prática e de viver, e que não se devia aceitar nenhuma doutrina que não fosse ensinada por elas. A Reforma devolveu ao povo a Bíblia que se havia perdido, passando a considerá-la a fonte primária de autoridade.
Nesses tempos difíceis, em que muitos estão brincando com o pecado e até com festas satânicas, quantos cristãos sérios estão dispostos a protestar contra as heresias verificadas entre nós (2 Pe 2.1; At 20.28), à semelhança de Lutero?
Ciro Sanches Zibordi
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
Como seria o Brasil se cada cristão fosse um seguidor de Cristo?
Hoje, pela manhã, recebi alguns e-mails que me fizeram refletir sobre como seria o Brasil se todos os que se dizem cristãos tivessem de fato compromisso com o cristianismo esposado na Palavra de Deus. E a melhor definição para o termo “cristão” está em 1 João 2.6: “Aquele que diz que está nele também deve andar como ele andou”.
O que é andar como o Senhor andou? A Bíblia diz que Ele andou fazendo o bem (At 10.38). Pense na extensão dessa frase: “fazendo o bem”. Ela não se resume a fazer o bem ao próximo, mas abrange também as questões éticas. Precisamos levar a sério o que o Senhor Jesus ensinou no Sermão da Montanha (Mt 5-7), a fim de que “Andemos honestamente, como de dia, não em glutonarias, nem em bebedeiras, nem em desonestidades, nem em dissoluções, nem em contendas e inveja” (Rm 13.13).
Estamos dispostos a isso? Somos, verdadeiramente, seguidores do Senhor Jesus? Às vezes, acesso vários blogs e observo que alguns editores colocam o nome em textos que não escreveram. O que é isso? Plágio, uma espécie de “apropriação indébita”, desonestidade. Ao alertá-los a respeito disso, alguns pedem desculpa e colocam o nome do autor. Mas outros ignoram e ficam até irritados. Agem como aquele motorista que bate no carro de alguém e ainda quer brigar...
Falando em motorista, qual tem sido a sua conduta ao volante? Você estaciona em calçadas ou abaixo de placas proibitivas? Suborna ou tenta subornar o guarda de trânsito, ao ser flagrado cometendo infração? Dirige após consumir bebida alcoólica? Fala ao celular enquanto dirige? Trafega pela direita nos acostamentos, quando há congestionamento? Para em filas duplas e triplas, em frente às escolas? Não respeita os pedestres que atravessam a rua? Estaciona em vagas exclusivas para deficientes? Aluga pneus bons só para fazer a vistoria e, depois, continua trafegando com pneus “carecas”?
Responda com honestidade, caro leitor: Você coloca o nome de colega que faltou em uma lista de presença? Paga para alguém fazer seus trabalhos? Acha normal saquear cargas de veículos acidentados nas estradas? Você gosta de viajar ao exterior? Quem não gosta? Mas, quando volta, diz a verdade ao fiscal a respeito do que trouxe na bagagem? Tenho, sinceramente, refletido muito a respeito do “jeitinho brasileiro”.
Costumamos ficar indignados com a desonestidade dos políticos — e devemos mesmo fazer isso —, mas não deveríamos nos indignar com a nossa desonestidade? Não sou perfeito e já cometi muitos erros. No entanto, devemos nos acomodar e deixar de olhar para o Senhor Jesus (Hb 12,1,2), nosso maior referencial? Como tem sido a nossa conduta em casa, na igreja, na faculdade, no trabalho?
Falando em trabalho, você usa o telefone da empresa para ligar ao celular dos amigos? Diz para eles: “dá só um toquinho que eu ligo de volta”? Pede ao médico um atestado, mesmo sem estar doente, só para faltar ao trabalho? Quando viaja a serviço, se o almoço custa R$ 20,00, pede uma nota fiscal de R$ 50,00 e embolsa o troco? Leva para casa clipes, envelopes, canetas, lápis, como se isso não fosse furto?
Você mora em prédio e gosta de ouvir “louvores” bem alto, desrespeitando a lei do silêncio? Ou mora em casa e faz “gato” de luz, água e TV a cabo? Isso é honesto? Que cristianismo estamos vivendo? “Ah, mas...” Deixe o seu “Ah, mas...” para depois. Não é momento de acusar. É hora de refletirmos sobre como temos andado.
E perante o governo, qual tem sido a sua conduta? “Ah, mas o governo é corrupto”, você poderá dizer. Mesmo que isso seja verdade, não temos o direito de desrespeitar as leis. Você compra recibo para abater no imposto de renda? Registra imóveis no cartório num valor abaixo do comprado, a fim de pagar menos impostos? Compra produtos piratas, como CD e DVD? Faz download de livro sem nenhum peso na consciência, lesando o erário?
Sei que “duro é esse discurso”. Mas lembremo-nos do que está escrito em Gálatas 6.1-9 para os cristãos, e não para os ímpios: “Irmãos [...] Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará. [...] E não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não houvermos desfalecido”.
Amém?
Ciro Sanches Zibordi
terça-feira, 25 de outubro de 2011
Halloween não é brincadeira, e Reforma é coisa séria
Muita gente não sabe, mas o Dia das Bruxas, o Samhain ou Halloween, Ano Novo céltico (31 de outubro), tem uma conexão com o Dia de Todos os Santos da Igreja Católica Romana. Este era originalmente celebrado em maio, e não no primeiro dia de novembro.
No ano 608, o imperador romano Focas apaziguou o populacho dos territórios pagãos recentemente conquistados, permitindo-lhe combinar o antigo ritual de Samhain com o Dia de Todos os Santos. E, assim, o panteão de Roma, templo edificado para a adoração de uma multiplicidade de deuses, foi transformado em igreja.
Foram os imigrantes europeus, especialmente os irlandeses, que introduziram o Halloween nos Estados Unidos. Hoje, o Dia das Bruxas é muito importante para os lojistas, inclusive no Brasil. Salém, em Massachusetts (Estados Unidos), é a sede da bruxaria norte-americana. Ali celebra-se, na época do Halloween, o Festival da Assombração, para expandir a temporada turística de verão. Tudo parece uma grande brincadeira, mas — conscientemente ou não — os participantes dessa festa estão se envolvendo com o ocultismo e o satanismo.
Por outro lado, algumas denominações evangélicas, além de realizarem festas similares às juninas (o que já é um absurdo), estão promovendo também, no fim de outubro, uma espécie de Halloween, decorando o ambiente com abóboras, etc. Elas alteram o nome da brincadeira satânica para Jesusween ou Elohin! Aos pastores destas igrejas quero apresentar um motivo melhor para festejar.
Em vez de comemorarem o Dia das Bruxas, os pastores que se prezam deveriam se lembrar da Reforma Protestante. Na manhã de 31 de outubro de 1517, véspera do Dia de Todos os Santos, Martinho Lutero — sacerdote romanista, professor de teologia e filho de um minerador bem-sucedido — começou a questionar de modo mais contundente a Igreja Católica e a atacar a autoridade do papa.
Lutero, então, afixou na porta da Catedral de Wittenberg (pronuncia-se vitemberk) um pergaminho que continha 95 declarações. Estas, conhecidas como teses, eram quase todas relacionadas com a venda de indulgências (pacotes caros pagos pelo perdão, inclusive das pessoas que já haviam partido para a eternidade).
Em junho de 1520, Lutero foi excomungado por uma bula — decreto do papa que continha o seu selo oficial. Em dezembro do mesmo ano, com ousadia, ele queimou esse documento em reunião pública, à porta de Wittenberg, diante de uma assembleia de professores, estudantes e o povo. No ano seguinte, foi intimado a comparecer ante as autoridades romanistas, em Worms. E declarou: “Irei, ainda que me cerquem tantos demônios quantas são as telhas dos telhados”.
No dia 17 de abril de 1521, Lutero apresentou-se à Dieta do Concílio Supremo, presidida pelo imperador Carlos V. Para escapar da morte, teria de se retratar. Mas ele não faria isso, a menos que fosse desaprovado pelas próprias Escrituras. E asseverou perante todos: “Aqui estou. Não posso fazer outra coisa. Que Deus me ajude. Amém”.
Considerado herege, ao regressar à sua cidade Lutero foi cercado e levado por soldados ao castelo de Wartzburg, na Turíngia, onde ficaria “guardado”. Ali, ele traduziu o Novo Testamento para o alemão, obra que, por si só, o teria imortalizado. Ao regressar a Wittenberg, reassumiu a direção do movimento a favor da Igreja Reformada, e a partir daí os princípios da Reforma Protestante se espalharam por toda a Europa, com ajuda de homens de valor, como Ulrico Zuínglio, João Calvino, Jacques Lefevre, João Tyndale, Tomás Cranmer, João Knox, etc.
Assim como muitos teólogos estão fazendo hoje, os católicos romanos haviam substituído a autoridade da Bíblia pela autoridade da igreja. Eles ensinavam que a igreja era infalível e que a autoridade da Bíblia procedia da tradição. Os reformadores afirmavam que as Escrituras eram a sua regra de fé, de prática e de viver, e que não se devia aceitar nenhuma doutrina que não fosse ensinada por elas. A Reforma devolveu ao povo a Bíblia que se havia perdido, passando a considerá-la a fonte primária de autoridade.
Nesses tempos difíceis, em que muitos estão brincando com o pecado e até com festas satânicas, quantos cristãos sérios estão dispostos a protestar contra as heresias verificados entre nós (2 Pe 2.1; At 20.28), à semelhança de Lutero?
Ciro Sanches Zibordi
sábado, 22 de outubro de 2011
Não confunda pentecostalismo com pseudopentecostalismo
Respeito muito os irmãos cessacionistas e tenho até amigos que não concordam com as doutrinas esposadas pelos pentecostais. Mas considero deselegantes os antipentecostais extremistas, que, além de cessacionistas, não sabem (ou não querem?) distinguir o pentecostalismo do pseudopentecostalismo. Chamar as aberrações pseudopentecostais (como o derramamento de doze litros de óleo sobre a cabeça) de práticas pentecostais revela ignorância, preconceito e deselegância.
Considero igualmente deselegante a afirmação de que todos os cessacionistas são sectários e extremistas, pois muitos deles, a despeito de não aceitarem o pentecostalismo, não colocam os que se dizem pentecostais no mesmo bojo. É o caso dos queridos irmãos batistas (tradicionais), presbiterianos e de outras denominações históricas.
Diante do exposto, desejo fazer algumas distinções importantes, a fim de que não se confunda pentecostalismo com pseudopentecostalismo.
O que é o antipentecostalismo?
Ignorando verdades bíblicas esposadas pelos pentecostais, alguns irmãos em Cristo privam-se da sobrenaturalidade do Evangelho, à disposição de todos os salvos (At 2.39). Alguns desses antipentecostais até zombam dos crentes que creem na atualidade da manifestação multíplice do Espírito. Apesar de sinceros, são racionalistas e tradicionalistas (1 Co 2.14,15).
Há um grupo de cessacionistas que dizem aceitar apenas uma parte das manifestações do Espírito descritas nas Escrituras. Alegam que determinadas operações do Espírito foram apenas para os dias dos apóstolos.
Os cessacionistas extremistas, por sua vez, são os cristãos (cristãos?) que nutrem uma aversão aos pentecostais, chegando a afirmar que estes estão endemoninhados. Esses antipentecostais também se mostram iracundos, irônicos e zombeteiros. Gostam de desafiar os pentecostais e consideram estes ignorantes, incapazes de refutar as suas argumentações.
O que é o pseudopentecostalismo?
Há irmãos que se dizem e pensam ser pentecostais, mas não querem abraçar as Escrituras. A maioria deles é de neopentecostais, cristãos experiencialistas e ingênuos, que seguem a qualquer manifestação pseudopentecostal sem nenhuma análise, ao contrário dos crentes de Bereia (At 17.11). Para eles, modismos, como “cair no Espírito”, “unção do riso”, “unção do leão”, etc., são obras divinas, e ponto final. Mas a Palavra de Deus nos manda julgar, examinar tudo (1 Co 2.15; 1 Ts 5.21; 1 Jo 4.1; 1 Co 14.29; Jo 7.24; 1 Co 10.15).
Existe também o neopentecostalismo apóstata, formado por pessoas que já propagaram e defenderam o pentecostalismo bíblico. Apostatando da fé, elas deram ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios (1 Tm 4.1). Propagam heresias e modismos pseudopentecostais, como “bênção de Toronto”, supostas conversas com santos mortos, como Paulo, Maria, etc., arrebatamentos em grupo, transferência de unção, “avivamento extravagante”, etc.
O pseudopentecostalismo também subsiste fora do arraial evangélico. E é formado por pessoas inconversas, não-regeneradas, que creem na intercessão dos “santos”, na mediação de Maria (ignorando 1 Timóteo 2.15 e João 14.6), etc. A Bíblia diz que o Espírito Santo é dado somente aos que obedecem a Deus (At 5.32). O Senhor Jesus afirmou que o mundo não pode receber o Espírito de verdade (Jo 14.17).
O que é o pentecostalismo?
Muitos crentes se dizem pentecostais, mas não vivem o que pregam. Eles compõem o pentecostalismo nominal. São teóricos e dificilmente experimentam a sobrenaturalidade do Evangelho. O pentecostalismo é um segmento cristão, biblicocêntrico, formado por crentes em Jesus Cristo, verdadeiramente salvos, fiéis, sinceros, que seguem ao que está escrito nas Escrituras.
Os pentecostais creem no que a Palavra de Deus assevera acerca da manifestação multifacetada do Espírito: dons, ministérios e operações (At 2; 1 Co 12.1-11; Mc 16.15-20; 1 Co 14.26, etc). Eles respeitam o primado das Escrituras, considerando estas a sua regra de fé, de prática e de viver.
Ciro Sanches Zibordi
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
Existem evidências científicas para a homossexualidade?
Estou lendo o excelente livro Nascido Gay?, que tem como subtítulo a epígrafe desta postagem. A obra foi lançada recentemente no Brasil pela Editora Central Gospel e é 100% científica.
Para nós, que temos a Bíblia como a nossa fonte primacial de autoridade, a ciência se torna uma fonte secundária. Entretanto, como vivemos em um Estado democrático de direito e laico, é importante sabermos argumentar à luz da ciência a respeito de assuntos ligados ao comportamento humano.
Já venho estudando, há algum tempo, sobre a homossexualidade e suas causas, especialmente em obras publicadas em outros idiomas. Mas o autor do livro em apreço responde com precisão científica a inúmeras perguntas a respeito do comportamento homossexual. A homossexualidade é genética? Gays e lésbicas podem voltar a ser heterossexuais? Quais são as verdadeiras causas da homossexualidade?
Vários estudos científicos realizados nas últimas décadas são analisados e confrontados pelo Dr. John S. H. Tay. Ele é um geneticista clínico por formação, que estudou medicina na Universidade de Sydney, na Austrália, e tem mestrado em pediatria, além de dois doutorados — um em genética humana, outro em filosofia — pela Universidade Nacional de Cingapura.
Ao escrever Born Gay (título original do livro) em 2009, Dr. Tay teve como propósito discutir até que ponto a afirmação comum de que um indivíduo nasce gay (feita por homossexuais e defensores do homossexualismo) é verdadeira ou falaciosa do ponto de vista científico. Trata-se, sem dúvidas, de uma obra altamente recomendável a todos.
Ciro Sanches Zibordi
Nova aberração pseudopecontecostal: derramar óleo sobre a cabeça
Muitos pregadores, ignorando que a Bíblia é a nossa regra de fé, de prática e de viver, estão agindo por conta própria. E, quando são questionados, dizem: “Não podemos pôr Deus em uma camisa de força”. Esses “ungidos” deveriam atentar para o que está escrito em 1 Coríntios 14.37: “Se alguém cuida ser profeta ou espiritual, reconheça que as coisas que vos escrevo são mandamentos do Senhor”. Afinal, se não quisermos ser guiados e controlados pela Palavra (Sl 119.105), para quê serve este livro?
Neste breve artigo, quero discorrer um pouco sobre o uso indevido da unção com óleo. Há igrejas e ministérios da atualidade empregando-a de modo indiscriminado, “dando de ombros” para o que as Escrituras ensinam. Escrevo este texto na esperança de poder lançar luz sobre esse assunto, desmistificando-o, a fim de ajudar quem tem desejo de agir segundo o que está escrito (1 Co 4.6; 15.3,4).
Em primeiro lugar, de acordo com a Palavra de Deus, a unção com óleo, para nós, que somos a Igreja neotestamentária, aplica-se somente aos enfermos. E apenas os ministros estão autorizados a ungir (os enfermos, repito). Em Marcos 6.13 vemos que somente os apóstolos do Senhor ungiam. Tiago, por conseguinte, ao mencionar presbíteros (5.14,15), referiu-se aos ministros chamados por Deus, vedando essa prática aos membros.
Certos pregadores, que não querem obedecer aos mandamentos de Deus, têm afirmado que os crentes devem ungir casas, carros, objetos, etc. Pasme! Em alguns encontros de casais pseudo-evangélicos, “pastores terapeutas” estão ensinando pessoas a ungirem os órgãos genitais!
Alguns “ungidos” ungem até cidades! Um deles contou, recentemente, que, ao chegar a uma cidade, Deus lhe revelou uma nova estratégia de evangelização — percorrer a cidade inteira de carro, derramando azeite por onde passasse. Haja azeite! Se essa é a solução, como ungir uma cidade grande como o Rio de Janeiro?! E se alguém resolver ungir todo o Brasil?!
Há alguns anos, seguidores de um grupo “evangélico” resolveram, num “ato profético”, escalar e ungir o Dedo de Deus, na região serrana do Rio de Janeiro. Segundo eles, esse pico é um chamariz da presença de Deus. Além disso, bem próximo dele há outro que, de tão parecido, chega a se confundir com ele — a Agulha do Diabo, que também deveria ser ungido. Com isso, declararam “profeticamente” que o Estado pertence ao Senhor e que toda ação diabólica foi quebrada!
Os exageros são tantos que tenho ouvido falar até de pastores que enterram latas de óleo ou garrafas de azeite em montes, onde eles permanecem orando por algum tempo. Depois disso, desenterram o produto e o empregam para “curar” enfermos em suas campanhas de milagres, bem como ungem casas, carros, carteiras de trabalho, etc.
Como se não bastasse tudo o que já mencionei, ultimamente certos “ungidos” resolveram derramar uma grande quantidade de óleo sobre a própria cabeça... Se o leitor duvidar, procure os vídeos na Internet. Resolvi não inseri-los aqui para não expor as pessoas.
Ora, qual dos apóstolos do Senhor Jesus derramou óleo sobre a própria cabeça, ao andar na terra? Paulo, que disse “Sede meus imitadores, como eu sou de Cristo” (1 Co 11.1), derramou óleo sobre a cabeça para dizer que é verdadeiramente ungido?
Nos tempos da Antiga Aliança, reis, profetas, sacerdotes e coisas (colunas, objetos, etc.) eram ungidos (Gn 31.13; Êx 30.26-30; 40.15; 1 Sm 10.1; 1 Rs 19.16; Sl 133). A unção simbolizava consagração de pessoas ou coisas ao Senhor. Mas, no Novo Testamento, Jesus afirmou, após ter lido um trecho de Isaías (61.1-2), que a profecia quanto à unção do Espírito sobre a sua vida tinha se cumprido (Lc 4.18-21). Deus o ungira, no plano espiritual, e isso em si já era o bastante para o cumprimento de sua missão na Terra (At 10.38).
Quanta invencionice, nesses últimos dias! Onde vamos parar? Mas quem tem a unção do Santo (1 Jo 2.20) não se deixa enganar. Que o Senhor nos ajude a aprender, a cada dia, que o Evangelho nada tem a ver com o misticismo. O Evangelho é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê!
Ciro Sanches Zibordi
terça-feira, 18 de outubro de 2011
O pastor Ciro Zibordi só sabe criticar
Às vezes, leio nas redes sociais e na blogosfera: “O pastor Ciro Zibordi só sabe criticar”. Lamento, mas, segundo a Palavra de Deus, cabe a mim, como servo do Senhor, julgar, provar, examinar, investigar, questionar, analisar, discernir, denunciar o erro, principalmente nesses últimos dias, em que pregadores e cantores ditos evangélicos propagam vários desvios do Evangelho (1 Co 2.15; 1 Ts 5.21, ARA).
É dever de todos os obreiros do Senhor fazer um exame perspicaz de todas as coisas. Jesus condenou o julgamento no sentido de caluniar: “Não julgueis, para que não sejais julgados” (Mt 7.1). Aqui pode ser enquadrada a fofoca. Entretanto, Ele também asseverou que temos de nos acautelar dos falsos profetas e apresentou critérios pelos quais podemos julgá-los pelos seus frutos, isto é, discernir as suas ações, prová-las, examiná-las (Mt 7.15-23; Jo 7.24).
Todas e quaisquer palavras — pregadas ou cantadas — precisam ser examinadas. E o que estiver errado deve ser denunciado. Isso não é fofoca ou crítica destrutiva. A única coisa que dispensa qualquer comentário é a Palavra de Deus, pois é perfeita (Sl 19.7), provada (Sl 18.30), refinada (2 Sm 22.31) e muito pura (Sl 119.140; Pv 30.5). Não devemos desprezar nada do que ouvimos, vemos e sentimos. Porém, cabe a nós provar, examinar se tudo provém do Senhor (At 17.11b; Hb 13.9). Afinal, não devemos confundir pregações com falações, nem hinos com canções.
Qualquer escritor que, hoje, combata o erro não tem sido visto com bons olhos pelos fãs de cantores e pregadores. No entanto, o apóstolo Paulo asseverou, inspirado por Deus, que convém imitá-lo, assim como imitava a Cristo (1 Co 11.1). Como o doutor dos gentios lidava com os enganadores que havia no meio do povo de Deus? Ele não se omitia quando via os crentes fazendo coisas erradas. Antes, reagia: “Mas, quando vi que não andavam bem e direitamente conforme a verdade do evangelho, disse a Pedro na presença de todos: Se tu, sendo judeu, vive como os gentios e não como judeu, por que obrigas os gentios a viverem como judeus?” (Gl 2.14).
Às vezes, Paulo se valia da ironia para levar os enganadores e enganados a uma reflexão: “Já estais fartos! Já estais ricos! Sem nós reinais! E prouvera Deus reinásseis para que também nós reinemos convosco!” (1 Co 4.8). Ele era enérgico, quando necessário, e até usava expressões que muitos hoje considerariam ofensivas. “Ó insensatos gálatas! quem vos fascinou para não obedecerdes à verdade, a vós, perante os olhos de quem Jesus Cristo foi já representado como crucificado?” (Gl 3.1).
Engana-se quem pensa que Paulo ficaria hoje “em cima do muro” e nada diria aos que propagam doutrinas falsificadas por meio de pregações atraentes e canções de sucesso, temendo ser tachado de fofoqueiro ou coisa parecida. Ele fazia duras acusações sem mencionar nomes: “Porque muitos há, dos quais muitas vezes vos disse e agora também digo, chorando, que são inimigos da cruz de Cristo” (Fp 3.18), porém era possível saber de quem estava falando (Tt 1.10-12). E, quando necessário, em circunstâncias extremas, citava nomes (2 Tm 4.10,14).
Finalmente, Paulo — que, com certeza, seria chamado de crítico, se vivesse em nossos dias — também disse: “E, quanto àqueles que pareciam ser alguma coisa (quais tenham sido noutro tempo, não se me dá; Deus não aceita a aparência do homem), esses, digo, que pareciam ser alguma coisa, nada me comunicaram” (Gl 2.6). Da mesma forma, o salvo em Cristo não é obrigado a dizer “amém” para as heresias, os modismos e o estrelismo dos cantores-ídolos e super-pregadores da atualidade.
Ciro Sanches Zibordi
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
Fuja dos falsos evangelhos! Ainda há tempo...
Assisti, há algum tempo, a uma pregação de Carter Conlon (um pregador de mensagens vibrantes, da mesma linha do saudoso David Wilkerson), pela qual enfatizou: “Corra”. De maneira contundente, ele asseverou que os servos de Deus devem correr, fugir, escapar dos falsos evangelhos propagados pelos enganadores do nosso tempo.
No Novo Testamento há vários mandamentos relativos à fuga do mal. A Palavra de Deus nos ordena a fugirmos — a nos desviarmos, a escaparmos — dos pecados, pois a única coisa que pode nos afastar do amor de Deus, endurecendo o nosso coração, é a permanência no pecado (Hb 3.12-14). Por isso, o apóstolo Paulo, inspirado pelo Espírito Santo, afirmou: “Fugi da prostituição” (1 Co 6.18); “fugi da idolatria” (1 Co 10.14); “saí do meio deles” (2 Co 6.17); “foge destas coisas” (1 Tm 6.11); “Foge também dos desejos da mocidade” (2 Tm 2.22), etc.
Precisamos correr, fugir, escapar dos falsos ensinamentos propagados pelos enganadores que estão “entre nós” (At 20.28-30; 2 Pe 2.1). Os falsos evangelhos são as falsas boas novas; as verdades misturadas com mentiras; os acertos e erros mesclados; é leite contaminado (1 Pe 2.1,2).
Você só não deve fugir do Diabo, e sim resisti-lo. Mas, para fazer isso, deve se sujeitar a Deus (Tg 4.7). Quem se submete ao Senhor, foge dos falsos evangelhos, contrários ao Evangelho de Cristo.
Fuja do evangelho experiencialista, baseado em experiências exóticas, em revelações obtidas depois de pretensas visitas ao Céu e ao Inferno e em técnicas psicológicas, como a regressão até o ventre materno (Dt 13.1-4; Jo 10.41).
Fuja do evangelho antropocêntrico, pelo qual o ser humano é tacitamente endeusado e estimulado a confiar mais na autoajuda do que na Ajuda do Alto (1 Pe 5.6; Fp 4.11-13).
Fuja do evangelho da prosperidade, pelo qual enganadores, webenganadores e telenganadores, abrindo mão do tesouro celestial (Mt 6.19-21), enriquecem e levam cativas pessoas enganadas, webenganadas e telenganadas, as quais deixam de usufruir do grande tesouro da salvação (2 Co 4.7).
Fuja do evangelho ecumênico, que valoriza um falso amor, mal direcionado, centrado em interesses próprios, abrindo mão da Verdade (Jo 14.23).
Fuja do evangelho cessacionista, pelo qual se afirma que a multiforme manifestação do Espírito Santo cessou, desprezando as profecias e extinguindo o Espírito (At 2.39; 1 Ts 5.19-21).
Fuja do evangelho neopentecostal, que banaliza os dons, ministérios e operações do Espírito Santo, levando incautos a pensarem que podem profetizar a qualquer hora, como bem entendem, e manipular a manifestação sobrenatural do Espírito (1 Co 14).
Fuja do evangelho farisaico, legalista, propagado e seguido por muitos líderes que “coam mosquitos”, mas “engolem camelos”, verberando contra efemeridades, sem ver “traves de madeira” enormes em seus próprios olhos (Mt 23).
Fuja do evangelho do entretenimento, que oferece toda a diversidade mundana num contexto “evangélico”, como apresentações de vale-tudo, shows de hip-hop, street dance, etc. (Rm 12.1,2; Tg 4.4).
Se você quer verdadeiramente ser vencedor até o fim, fuja de todos os falsos evangelhos e atente para o que está escrito em 1 Coríntios 15.1,2: “Também vos notifico, irmãos, o evangelho que já vos tenho anunciado, o qual também recebestes e no qual permaneceis; pelo qual também sois salvos, se o retiverdes tal como vo-lo tenho anunciado, se não é que crestes em vão”.
Ciro Sanches Zibordi
Agora, assista ao vídeo abaixo:
domingo, 16 de outubro de 2011
Qual é a diferença entre a ira de Deus e o ódio justiceiro?
Alguns estudiosos têm confundido ira divina com ódio justiceiro. Mas, à luz da Bíblia, Deus não odeia pessoas. Ele não é um sádico vingador. Ele é justo e perdoador! E, por isso, dá ao ser humano oportunidade de arrependimento.
“Ah, mas é impossível dissociar o pecado do pecador” — alguém argumentará. Isso é óbvio. Mas dizer que o Senhor odeia o pecador por causa do seu pecado, como se Ele fosse um justiceiro com sede de vingança, é torcer o que a Bíblia ensina a respeito do amor incondicional de Deus. Ele não tem prazer na morte do ímpio (Ez 33.11); deseja que todos se arrependam (2 Pe 3.9). E nivelou a todos debaixo do pecado (Rm 3.23; Gl 3.22), depois da Queda, “para com todos usar de misericórdia” (Rm 11.32).
Lembra-se do rei Manassés? A sua biografia está em 2 Crônicas 33 e 2 Reis 21. Ele começou a reinar em Judá com 12 anos, reinou por 55 anos e fez o que era mau aos olhos do Senhor, conforme a abominação dos gentios. O Senhor jamais teve ódio de Manassés, porém a sua ira se ascendeu contra ele. Como assim?
No seu reinado, Manassés tornou a edificar os altos derribados por Ezequias; levantou altares a Baalim; edificou altares na Casa do Senhor a todo o exército dos céus e prostrou-se diante deles; fez passar seus filhos pelo fogo (!); usou de adivinhações, agouros e feitiçarias; fez errar o povo de Judá, a ponto de este se tornar pior do que as nações que Deus destruíra; não deu ouvidos ao Senhor... Ufa! A folha corrida de Manassés sequer cabe aqui! Deus ficou irado contra ele. Mas agora vem a distinção entre a ira divina e o ódio justiceiro.
Depois de ter sido levado cativo pelos assírios, Manassés, angustiado, orou ao Senhor e humilhou-se muito. Sabe o que aconteceu? Deus — que, mesmo irado contra Manassés, sempre o amou, pois Ele ama os ímpios e pecadores — aplacou-se para com ele. E Manassés, ao sentir-se amado por aquEle contra quem havia pecado tanto, tirou da Casa do Senhor os deuses estranhos, reparou o altar e mandou que Judá servisse ao Senhor.
O Senhor odeia o pecado. E os homens que permanecem no pecado experimentarão a ira divina. Manassés se arrependeu e foi poupado. Mas o rei de Judá que o sucedeu, Amom, provou do furor divino, baseado nas santidade e justiça do Justo Juiz: “E fez [Amom] o que era mau aos olhos do SENHOR, como havia feito Manassés, seu pai, [...] Mas não se humilhou perante o SENHOR, como Manassés, seu pai, se humilhara; antes, multiplicou Amom os seus delitos” (2 Cr 33.22,23).
Quem defende a tese de que Deus odeia os pecadores geralmente confunde a ira de Deus — que é baseada em seu caráter justo e santo — com o ódio justiceiro. E, por isso, apega-se a textos isolados, como Salmos 11.4, visto que este menciona o suposto ódio divino a pessoas de modo objetivo: “a sua alma aborrece o ímpio e o que ama a violência”. Entretanto, os termos originais para odiar ou aborrecer — tanto no Antigo como no Novo Testamentos — apresentam, de modo geral, várias acepções, como: sentimentos maldosos e injustificáveis para com os outros; preferência relativa de uma coisa sobre outra; um correto e justo sentimento de aversão ao que é mau, etc.
O termo hebraico sãne’ “representa uma emoção que varia de ‘ódio’ intenso à mais fraca ‘indisposição com’ alguém ou algo” (VINE, W.E., Dicionário Vine, p.198, CPAD). Um bom exemplo de “ódio” com o sentido de preferência aparece em Romanos 9.13: “Amei a Jacó e aborreci Esaú”. Qual é o sentido original da palavra usada para “aborreci”, “odiei” ou “rejeitei”?
No hebraico, o termo empregado na aludida passagem denota “amar menos” e é o mesmo usado para descrever o sentimento de Jacó por Leia. Ele a “desprezava” porque amava mais a Raquel (Gn 29.30,31). O sentimento de Jacó por Leia não era de ódio; ele não queria vê-la sofrer. E até teve filhos com ela! Mas Raquel era a sua preferida. No Novo Testamento, esse hebraísmo também ocorre em Lucas 14.26 e Mateus 10.37, textos pelos quais aprendemos que, para seguirmos ao Senhor Jesus, amando-o acima de tudo, devemos amar menos (ou “aborrecer”) a nossa família.
Diante do exposto, é evidente que a Palavra do Senhor, ao mencionar a ira de Deus contra os ímpios, não alude a um sentimento de ódio justiceiro, como de alguém que, sem misericórdia, deseja destruir os pecadores impenitentes. Deus amou o mundo (Jo 3.16), isto é, a totalidade da humanidade. E, embora tenha de condenar ao Inferno a maioria dos pecadores, haja vista poucos entrarem pela Porta da Salvação (Jo 10.9; Mt 7.13,14), Ele enviou o seu Filho unigênito para provar a morte por todos os pecadores (Hb 2.9; 2 Co 5.14-21), a fim de igualmente propiciar salvação a todos que se arrependerem (At 17.30,31; 1 Jo 2.1,2).
Ciro Sanches Zibordi
sábado, 15 de outubro de 2011
Deus é justo, e não justiceiro
Tenho lido e ouvido algumas opiniões na grande rede que torcem a doutrina da natureza de Deus e faz-nos pensar que Ele é um justiceiro, movido por sede de vingança. Certo pregador norte-americano — não me pergunte o nome dele — afirmou, recentemente: “Deus odeia alguns de vocês” e “A Bíblia não diz que Deus odeia apenas o pecado. Ele odeia os pecadores”.
A mensagem desse pregador, que, aliás, tem a mesma idade deste editor de blog (ambos nascemos em 1970), é bem diferente da pregada pelo célebre evangelista David Wilkerson, de saudosa memória. Ao evangelizar o violento líder de gangue de Nova York, Nicky Cruz, ouviu a seguinte ameaça: “Se você chegar perto de mim, pastor, mato você”. E Wilkerson lhe respondeu: “Você pode me matar. Pode me cortar em mil pedaços e espalhá-los pela rua, que cada pedaço de mim vai amá-lo”.
Deus é amor (1 Jo 4.8). E, por isso, a mensagem do Evangelho é o amor de Deus, pois o ódio é incompatível com a deidade. É evidente, por outro lado, que o Senhor fará perecer no Inferno os ímpios, os pecadores contumazes (Mt 10.28; Sl 11.5-7). Mas a condenação destes decorrerá de sua desobediência ao amoroso, justo e santo Deus (Ap 20.11-15).
Muitos — tomando como base textos bíblicos isolados — estão pensando que o Justo Juiz é um vingador sádico, que tem prazer em derramar a sua ira sobre os ímpios. Ora, o Senhor é justo, e não justiceiro. E ser justo implica proceder conforme a justiça, a equidade e a razão.
A natureza de Deus é justa, proba, reta, íntegra. Ele sempre agirá conforme a verdade da sua Palavra, de acordo com o plano salvífico que estabeleceu desde o princípio. Amoroso, justo e santo, o Senhor encerrou “a todos debaixo da desobediência, para com todos usar de misericórdia” (Rm 11.32).
Convido — e desafio —, mais uma vez, os estimados leitores a olharem para a vida de Jesus Cristo (Hb 12.2), o Deus-Homem, e responderem à pergunta: A quem Ele odiou, ao andar na terra? O Senhor teve ódio do traidor Judas, a quem chamou de amigo? Jesus teve ódio de Jerusalém, por ter ela matado os profetas? Não! Ele lamentou ao falar sobre a sua iminente destruição. O Salvador teve ódio dos seus algozes? Não! Ele pediu ao Pai que os perdoasse.
Quem vê o justo e amoroso Deus como justiceiro, pensa que Ele, no Juízo Final, dirá aos ímpios: “Sofram, miseráveis, por toda a eternidade. Agora vocês terão o que merecem”. Entretanto, o Justo Juiz age com amor, justiça e santidade. Ele, que sempre desejou a salvação da humanidade (1 Tm 2.4) e “amou o mundo de tal maneira” (Jo 3.16), apenas dará a sentença para quem não aceitou o seu plano salvífico (Ap 20.12).
Justiceiros agem com ódio. Mas Deus nos amou quando ainda éramos seus inimigos (Rm 5.8). Jesus, que encarnou-se para revelar a glória do Pai, além de chamar o traidor Judas de amigo, ensinou-nos a amar nossos inimigos (Mt 5.44). Aliás, ao falar da condenação eterna, Ele ensinou: “Quem me rejeitar a mim e não receber as minhas palavras já tem quem o julgue; a palavra que tenho pregado, essa o há de julgar no último Dia” (Jo 12.48).
Ciro Sanches Zibordi
É antibíblico o bordão: “Deus ama o pecador, mas odeia o pecado”?
Um dos assuntos do momento nas redes sociais e blogs evangélicos dos Estados Unidos gira em torno da possibilidade de Deus odiar os pecadores. De um lado, alguns citam o clichê: “Deus ama o pecador, mas odeia o pecado”. De outro, há os que defendem a ideia de que o Senhor odeia, sim, pessoas pecadoras, e não apenas os seus pecados.
Faço algumas perguntas aos queridos leitores: O ódio pode ser considerado um dos atributos do amoroso Salvador? O fato de Deus ser justo e santo implica que condenará pessoas ao Inferno por ódio, como um justiceiro que quer ver o pecador impenitente sofrer por toda a eternidade? Sinceramente, vejo — tanto no Antigo como no Novo Testamentos — que o Senhor castiga e condena pessoas, mas não faz isso por ódio.
Alguém argumentará: “Deus se vinga dos pecadores. Ele mesmo afirmou: ‘Minha é a vingança; eu recompensarei, diz o SENHOR’ (Rm 12.20)”. Mas isso não significa que essa recompensa ao pecador seja uma vingança cheia de ódio. Afinal, o Senhor afirma, em sua Palavra: “não tenho prazer na morte do ímpio, mas em que o ímpio se converta do seu caminho e viva” (Ez 33.11).
Não nego a verdade bíblica de que o Justo Juiz, além de aborrecer as obras dos ímpios (Sl 1; 11; Pv 6), os condenará ao Inferno (Ap 20.11-15). Mas Ele os condenará porque é justo e santo, e não por ódio ou sentimento de vingança. Deus é amor, e não ódio. Ele ama de modo incondicional. Seu amor é imensurável. Ele é justo, e não um justiceiro.
Deus não condenará o pecador contumaz ao Inferno por ódio. Mesmo conhecendo de antemão os nomes de todos os condenados, Ele não os odeia, mas os ama. Muita gente acredita que Judas era um vaso da ira, uma “figurinha carimbada”, “escolhido de antemão” para trair o Salvador. Mesmo que eu acreditasse nisso, não há como provar que o Senhor Jesus odiava o Iscariotes, ao qual dirigiu as seguintes palavras de misericórdia: “Amigo, a que vieste?” (Mt 26.50).
Observe o tratamento que o Senhor Jesus — o Deus encarnado — dispensou aos seus inimigos. Segundo a Palavra do Senhor, “quando o injuriavam, não injuriava e, quando padecia, não ameaçava, mas entregava-se àquele que julga justamente” (1 Pe 2.23).
Sem perder de vista, também, o que está escrito em Romanos 5.8: “Deus prova o seu amor para conosco em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores”, olhemos para a vida do Deus-Homem, o nosso paradigma (1 Co 11.1; 1 Jo 2.6). A qual pecador o Senhor Jesus odiou, ao andar na terra? Pergunto isso, pois, se Deus odeia o pecador, o seu Filho, como a expressa imagem de sua Pessoa (Hb 1.3), devia ter odiado os pecadores impenitentes.
Quando Jesus entrou no Templo e expulsou os que o profanavam, fez isso com ódio em seu coração? Ele bateu em alguém? Não! Apenas mostrou que aborrecia as obras daqueles pecadores. Fez o que fez por amor, e não por ódio. Na cruz, pediu ao Pai: “perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lc 23.34). Em que momento Ele demonstrou ter ódio dos seus algozes?
Lembra-se da lamentação do Senhor Jesus contida em Lucas 13.34? “Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te são enviados! Quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e não quiseste?” Estava o Salvador com o coração repleto de ódio, naquela ocasião? Não! Seu coração estava cheio de misericórdia por um povo que não merecia seu amor!
“Ah, mas Jesus demonstrou que odiava os fariseus! Ele os chamou de hipócritas, condutores cegos, etc., em Mateus 23. Isso não é uma demonstração de que Ele os odiava?” — alguém poderá perguntar. Não, não é. Se verberar contra pessoas usando adjetivos pesados denota ódio, então o Senhor odiava o pastor de Laodicéia, haja vista tê-lo chamado de desgraçado, miserável, pobre, cego e nu (Ap 3.17,18). Aliás, Ele disse àquele obreiro, depois de tal verberação: “Eu repreendo e castigo a todos quantos amo” (v.19).
Evoco, finalmente, Mateus 9.36: “E, vendo a multidão, teve grande compaixão deles, porque andavam desgarrados e errantes como ovelhas que não têm pastor”. Se a tese do ódio de Deus aos pecadores fosse verdadeira, o Senhor teria sentido compaixão apenas dos pecadores pretensamente eleitos para a vida eterna. Mas Ele teve compaixão da multidão pecadora, desgarrada e errante.
Na verdade, Deus é amor e ama até os pecadores condenados, que, um dia, Ele mesmo terá de lançar no Inferno por causa de suas santidade e justiça.
Ciro Sanches Zibordi
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
Crianças que não gostam do Dia da Criança
Já se foi o tempo em que, nas igrejas, havia apenas dois grupos: os adultos e as crianças. Ninguém falava em jovens, tampouco em adolescentes. Líderes e professores — por falta de informação — agiam como se os infantes, na véspera de completarem quinze anos, dormissem crianças, para acordarem, no dia seguinte, adultos.
Com o passar do tempo, a juventude foi “descoberta” — não existia formalmente. E, quando todos pensavam que tinham descoberto a América, alguém “encontrou” os adolescentes! A bem da verdade, já estava escrito na Bíblia havia muito tempo: “... a adolescência e a juventude são vaidade”, Ec 11.10.
Neste artigo, ao discorrer sobre os pré-adolescentes, também chamados de tweens, daremos ênfase à necessidade de a ED (Escola Dominical) ser dinâmica em seus métodos pedagógicos, bem como estar atenta às mudanças do mundo. Há duas décadas, as crianças ingressavam na escola aos sete anos. E, quando chegavam aos quinze, eram consideradas jovens. Não havia, formalmente, a transição denominada adolescência, que inicia com a puberdade.
O fenômeno do momento é a rapidez com que as crianças conseguem interagir com os mais velhos. Elas estão cada vez mais adolescentes. O fato de começarem a freqüentar a escola, em geral, antes dos dois anos contribui para a aceleração de seu desenvolvimento. Aos seis, já sabem ler, escrever e usar o computador!
Quem são os tweens?
Há alguns anos, psicólogos constataram que entre a infância e a adolescência existe — ou começou a existir — uma fase transitória. Ou seja, toda criança, antes de chegar à juventude, passa não somente pela adolescência, mas também pela pré-adolescência. E se engana quem pensa que esta é apenas o finalzinho da infância ou o início da puberdade. Os tweens de fato existem e são uma geração altamente consumidora formada por filhos únicos ou que possuem no máximo um irmão.
O vocábulo tween é a forma reduzida do inglês between, cujo significado é “no meio de”. Tal redução deve-se à similaridade gráfica com teen (adolescente); só que o termo em apreço aplica-se à transição de criança para criança crescida, a qual pensa que já é adolescente.
Tweens são crianças crescidas: têm, em média, entre sete e doze anos. Não são adolescentes, biologicamente, porque, nesse período, em geral, sequer entraram na puberdade. No entanto, consomem artigos como tênis, celulares, Internet etc. Seus pais — principalmente quando não têm uma boa situação financeira — consideram-nas abusadas, sem limites, precoces; e ficam revoltados com o seu potencial de consumo.
Suas características marcantes são: sentimento de independência e vontade de consumir produtos do mundo adolescente. E o mercado sabe explorar bem isso. Um exemplo é a revista Atrevidinha, voltada para a geração tween feminina. Ela tem conquistado meninas crescidas, que, na adolescência, se tornarão leitoras de Atrevida. O problema é que, com isso, as crianças recebem informações antecipadas sobre assuntos com os quais não precisariam se preocupar agora, como namoro, sexualidade etc.
A convivência dos adultos com os pré-adolescentes não costuma ser tranquila, uma vez que são crianças, mas com a “rebeldia” dos adolescentes. A linguagem deles às vezes espanta. Eles são inteligentes, rápidos de raciocínio. E suas brincadeiras não são nada infantis. Mas lembre-se: esses pré-adolescentes ainda são crianças! E é preciso ter muito tato e paciência ao lidar com eles.
Embora infantes, os tweens se consideram adolescentes. Gostam de ser desafiados, falam como gente grande, formam “panelinhas” e são especialistas em computador. Biologicamente, são crianças, mas não podemos ignorar os seus hábitos adolescentes, mesmo que sejam frutos de mera imitação. E, se tais atitudes fazem parte da fase em que vivem, os professores de ED têm de saber como cativá-los.
A importância da família
Tudo ficaria mais fácil para os educadores, se os alunos pré-adolescentes fossem orientados pelos pais, em casa. Aliás, isso propiciaria um caminho de mão dupla, ótimo para os dois lados. E os pais, nessa relação de reciprocidade com a ED, seriam os principais beneficiados. A criança que é ensinada em casa aprenderá mais na igreja, e isso produzirá uma melhor aprendizagem em casa; e assim por diante, numa escalada cíclica.
Entretanto, muitos pais transferem a responsabilidade de educar para os professores de ED. Esquecem-se de que é função deles instruir as crianças no caminho em que devem andar (Pv 22.6). E foi o próprio Deus quem estabeleceu esse processo: “E estas palavras que hoje te ordeno estarão no teu coração; e as intimarás a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te e levantando-te”, Dt 6.6-7.
O psiquiatra Içami Tiba escreveu: “A herança genética está nos cromossomos. Mas desde o nascimento a criança absorve o modo de viver, o como somos, da família”.(1) Cabe aos pais combater desde cedo as influências às quais seus filhos são expostos diariamente. Os professores de ED também farão isso, porém a responsabilidade maior é dos genitores. Esta verdade é enfatizada em Provérbios, que apresenta o coração como uma tábua em que os filhos escrevem a instrução do pai e a doutrina mãe (1.8; 3.1-3 e 7.1-3).
Erram os pais — e também os professores — que encaram como algo normal uma menina ser vaidosa como uma adolescente. Esse fenômeno é fruto da sociedade, influenciada pelo consumismo e pela preocupação excessiva com o corpo e a imagem. Nota-se, no mundo, que a infância, uma etapa fundamental no processo de desenvolvimento humano, tem sofrido grandes modificações.
Em meu livro para adolescentes, o Adolescentes S/A, discorro sobre as principais influências filosóficas dessa fase, como o imediatismo, o consumismo, o hedonismo, o narcisismo, o relativismo e o erotismo.(2) Os tweens têm grande dificuldade para entender as respostas “não” e “espere”, além de transformarem objetos supérfluos em essenciais. É função dos pais saber dialogar e negociar com eles. Içami Tiba também alerta: “A falta do não e o exagero do sim impedem a criança de desenvolver valores relacionais”.(3)
Outra característica dos tweens é procurar ter as suas próprias regras. Por isso, os pais devem convencê-los, com muito tato e compreensão, de que não podem fazer o que querem nem sair sozinhos à noite. Se eles não forem instruídos nesse período de adolescência antecipada, na fase teen será muito mais difícil. E, se os pais não os educarem agora, lamentarão amanhã.
Em razão dessas influências que mencionamos, os tweens não têm interesse por programas próprios para suas idades; seus hábitos são dos mais velhos. Para eles, a roupa e o comportamento teen os transformam em adolescentes, mesmo que não estejam de fato nessa fase. Isso é um perigo! Devido à alimentação e aos avanços tecnológicos, as meninas estão menstruando mais cedo, e o processo de entrada na adolescência é acelerado.
No mundo, prevalece a filosofia “Se algo dá prazer, então faça”. E os tweens desejam namorar — ou melhor, “ficar” —, mas não têm idade para isso; querem passar a noite em claro, no computador, participar de programas noturnos etc. Içami Tiba aconselha: “Há situações com as quais os pais podem arcar, como o consumismo, mas em termos de comportamentos é preciso muito cuidado, pois o corpo pode não estar ainda preparado para os programas que o tween quer fazer”.(4)
A mídia tem contribuído sobremaneira para que as crianças apresentem comportamentos precoces, como a erotização. É papel dos pais opor-se a essa perigosa influência, respeitando cada etapa do desenvolvimento de seu filho. Conquanto seja uma tendência, tratar um infante como adolescente é prejudicial biológica e emocionalmente para sua formação.
Necessidade de adequação
Diante do exposto, o quê fazer? Temos de nos adaptar à nova realidade, o que não significa, em hipótese alguma, conformismo. A adequação se dá no campo educacional, e não no dos princípios. Temos de estar preparados o suficiente para conversar com os tweens na linguagem deles, pois só assim conseguiremos convencê-los a não se conformarem com o mundo (Rm 12.2), fugindo dos maus desejos da mocidade (2 Tm 2.22).
Se os professores de ED ignorarem esse novo segmento, dificilmente terão sucesso em suas aulas. Os mais antigos, principalmente, devem se reciclar, uma vez que o comportamento de um aluno de dez anos, hoje, nem de longe se parece com o de uma criança com a mesma idade há duas décadas. Como as perguntas dos tweens possuem uma certa dose de abstração e complexidade, requer-se dos educadores uma preparação de aula que considere esse aspecto.
Em resumo, o caminho para a boa formação de nossas crianças é a educação, em casa e na ED. “Todas as grandes alterações comportamentais começam pequeninas até ficarem evidentes e prejudiciais. Corrigir o que já se modificou é muito mais difícil do que mudar o que está se alterando”.(5)
Ciro Sanches Zibordi
Artigo publicado originalmente na revista Ensinador Cristão, CPAD
Notas:
TIBA, Içami. Quem Ama, Educa!, p. 29.
ZIBORDI, Ciro Sanches. Adolescentes S/A.
TIBA, Içami. Anjos Caídos, p. 298.
TIBA, Içami. Adolescentes: Quem Ama, Educa!, p. 39.
Idem, p. 174.
terça-feira, 11 de outubro de 2011
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
Uma palestra sobre o Evangelho que Paulo pregava
Nesta palestra, ministrada na Assembleia de Deus em Fortaleza-CE, discorro — com base na teologia paulina — sobre a cristocentricidade do Evangelho, confrontando-o com os falsos ensinamentos da atualidade. O áudio não está perfeito, mas é possível acompanhar.
domingo, 9 de outubro de 2011
Quais são os sinais que seguem os que creem em Jesus Cristo?
O Senhor Jesus prometeu que sinais aconteceriam como consequência da pregação do Evangelho (Mc 16.15-17). E também afirmou, em João 14.12: “aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço e as fará maiores do que estas, porque eu vou para meu Pai”. Essas palavras do Mestre avalizam tudo o que tem acontecido nas igrejas?
Em primeiro lugar, o termo grego meizõn, traduzido por “maiores”, em João 14.12, literalmente denota “coisas maiores”. Já o vocábulo “obras” (gr. ergon) significa: “trabalho”, “ação”, “ato” (VINE. W.E., Dicionário Vine, CPAD, pp.764,827), e não “curas” e “milagres”, estritamente. É claro que a obra da Igreja de Cristo envolve curas e milagres, como consequência da pregação do Evangelho (Mc 16.18-20), mas o aludido termo alude a trabalho ou empreendimento, em sentido amplo (Jo 5.21; Rm 15.18; At 5.38).
Na versão bíblica inglesa King James (KJV), o vocábulo ergon foi traduzido para works, denotando que o termo original diz respeito a trabalho, obras, empreendimento, e não a milagres, estritamente. Qual foi a obra, o trabalho, de Jesus, ao andar na terra? O texto de Mateus 4.23 responde a essa pergunta: “E percorria Jesus toda a Galiléia, ensinando nas suas sinagogas, e pregando o evangelho do Reino, e curando todas as enfermidades e moléstias entre o povo”.
Outra passagem que enfatiza a obra do Senhor é Atos 10.38: “como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com virtude; o qual andou fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com ele”. Nesse caso, em que sentido Ele asseverou que o trabalho ou o empreendimento da sua Igreja, representada em João 14 por seus primeiros discípulos, seria maior do que o seu?
“As obras que os discípulos farão depois da partida de Jesus serão maiores do que as de Jesus, não em seu valor intrínseco, ou em sua glória, mas no objetivo. Os discípulos farão obras de Deus numa escala mais ampla, enquanto levam a mensagem da vida eterna ao mundo todo, tanto a gentios como a judeus” (MICHAELS, J. Ramsey, Novo Comentário Bíblico Contemporâneo de João, Editora Vida, p.277).
Segue-se que as “obras ‘maiores’ incluem tanto a conversão de pessoas a Cristo, como a operação de milagres. Este fato é demonstrado nas narrativas de Atos (At 2.41,43; 4.33; 5.12), e na declaração de Jesus em Mc 16.17,18... As obras dos discípulos serão ‘maiores’ em número e em alcance” (Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD, p.1601).
Benny C. Aker — professor do Assemblie of God Theological Seminary, em Springfield, Missouri, Estados Unidos —, referindo-se às tais “obras maiores”, afirmou que elas: “Dizem respeito à quantidade em lugar de qualidade. Jesus fez estas ‘obras’, mas seus seguidores ao longo dos séculos trarão milhões de mais obras para o Pai. É o que eles fazem enquanto aguardam a vinda de Jesus” (Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento, CPAD, p.581).
Portanto, a passagem em análise não abona fenômenos estranhos ou experiências exóticas, além de invencionices, modismos, sandices, truques, práticas hipnóticas e recursos outros empregados por super-pregadores milagreiros e ilusionistas do nosso tempo. Fiquemos com a Palavra de Deus, haja o que houver (1 Co 4.6; Gl 1.8; 2 Co 11.3,4; Dt 13.1-4).
Ciro Sanches Zibordi
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
Há coisas na vida pelas quais temos de passar
Na vida passamos provações, mas maior é aquEle que está conosco! As aflições do tempo presente não se comparam com a glória que em nós há de ser revelada! Aleluia!
Você é quente, frio ou morno?
No mundo, as pessoas são geralmente classificadas de acordo com a sua condição socioeconômica: alta, baixa, média-baixa, média-alta. Esse critério não revela o real valor de cada indivíduo. Deus prioriza o aspecto espiritual e apresenta, em sua Palavra, outras maneiras de classificar as pessoas.
Grosso modo, há duas grandes categorias de pessoas: (a) as que estão dentro e (b) as que estão fora (Mc 4.11). Ou seja, os salvos em Cristo Jesus e os perdidos (Mt 7.13,14). Mas a Palavra de Deus também mostra que cada pessoa faz parte de uma das três categorias a seguir: (a) o homem natural, (b) o homem espiritual e (3) o homem carnal (1 Co 2.14-16; 3.3).
Analogamente, também podemos chamar essas três classes de (a) frio, (b) quente e (c) morno, tomando como base o que o Senhor Jesus asseverou em Apocalipse 3.15,16.
O homem natural ou frio. É a pessoa que vive sob uma perspectiva meramente natural. Ela não experimentou a sobrenaturalidade do Evangelho (Rm 1.16), em razão de ainda não ter conhecido Jesus Cristo como Senhor e Salvador. O homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus (1 Co 2.14), pois vive ainda nos “tempos da ignorância” (At 17.30).
Quem vive sob a perspectiva natural não tem o Espírito Santo, que é dado às pessoas que obedecem a Deus (At 5.32). O natural é frio porque não sente em seu coração o calor propiciado pela salvação em Cristo (Jo 8.12). Esta, que é confirmada pelo selo do Espírito (Ef 1.13,14), traz não só o calor, mas também a iluminação (Mt 4.16; 1 Pe 2.9). Por isso, o não-salvo está, espiritualmente, frio e apagado (2 Co 4.4).
O homem natural também é dominado pela natureza carnal, adâmica (Ef 2.1-3), e comete com naturalidade as obras da carne, não tendo controle sobre as suas paixões (Rm 7.19,20). Judas, irmão do Senhor, ao escrever sobre essa categoria de pessoas, afirmou: “dizem mal do que não sabem; e, naquilo que naturalmente conhecem, como animais irracionais se corrompem” (Jd v.10).
O homem espiritual ou quente. É a pessoa que já nasceu de novo e está experimentando a regeneração pelo poder transformador da Palavra de Deus (Jo 3.3; 2 Co 5.17). Trata-se do “novo homem”, que já se despojou do “velho homem” que se corrompe, a fim de se renovar no seu próprio espírito (Ef 4.22-24). O homem espiritual é a pessoa que tem prazer em cultivar o seu espírito (Rm 1.9).
Deus formou o ser humano tripartido: espírito, alma e corpo (1 Ts 5.23). O espírito humano não deve ser confundido com a alma (Hb 4.12). Trata-se de um canal exclusivo de adoração a Deus e comunhão com Ele (Jo 4.23,24). Já a alma é onde está a personalidade de cada indivíduo; ela é formada por intelecto, sentimento e vontade. E o corpo é o invólucro do espírito+alma; ele é composto de cinco sentidos: visão, audição, olfato, paladar e tato.
O homem espiritual adora a Deus no seu espírito, verdadeiramente. As palavras que saem dos seus lábios partem do coração (Is 29.14; Sl 57.7). A sua espiritualidade subjuga a sua natureza carnal (Gl 5.19-21), não pela sua própria força, mas pelo fruto do Espírito (Gl 5.22; Ef 5.9). O espiritual é chamado de quente porque tem em seu coração o fogo do Espírito Santo e da Palavra do Senhor (Mt 3.11; At 2.1-4; Jr 23.29; Sl 39.3; 45.1; Lc 24.13-32).
O homem carnal ou morno. Enquanto os homens natural e espiritual formam um contraste, o carnal (morno) não é nenhuma coisa nem outra. É a pior categoria de pessoas, considerando as seguintes palavras do Senhor Jesus, em Apocalipse 3.16: “porque és morno e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca”.
Qual é a diferença entre o natural e o carnal? Os dois não cometem as mesmas obras da carne? A diferença não está no praticar, e sim na condição de quem comete as obras infrutuosas das trevas. O natural peca, mas com naturalidade e ignorância. O carnal, por sua vez, já conhece a verdade. Seus pecados são conscientes.
O homem carnal, morno, não é o homem natural, frio, que não conseguiu chegar ao estágio de espiritual e quente. Na verdade, é o homem espiritual, quente, que começa a sofrer um processo de esfriamento, até chegar à mornidão espiritual (Mt 24.12). Daí Jesus o chamar de desgraçado, miserável, pobre, cego e nu (Ap 3.17,18). Embora conheça a verdade, o carnal escolhe viver no pecado e ser dominado pelas obras da carne (Cl 3.5).
Por que Jesus disse ao carnal pastor de Laodicéia: “Tomara foras frio ou quente”? Ele quis dizer que é bom ser frio? Não! O Senhor só disse isso para enfatizar que não tolera coração dividido (Tg 4.8; 1 Rs 18.21). A postura de um servo de Deus deve ser convicta, e não dúbia: “Sim, sim; não, não”. Por isso, o carnal, morno, é pior que o frio.
E você, prezado leitor, é um homem espiritual, quente? Se sim, glória a Deus! Continue cultivando o seu espírito, alimentando-o com a Palavra da verdade. Mas, se pertence à categoria dos homens naturais, frios, saiba que “Deus, não tendo em conta os tempos da ignorância [...] quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade” (At 17.30; 1 Tm 2.4).
Finalmente, se você é carnal, morno, a mensagem que Jesus lhe entrega agora é a mesma que dirigiu aos laodicenses: “Eu repreendo e castigo a todos quantos amo; sê, pois, zeloso, e arrepende-te. Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo” (Ap 3.19,20).
Amém?
Ciro Sanches Zibordi
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
A Grande Tribulação e a septuagésima semana de Daniel
Alguns teólogos afirmam que é uma perda de tempo estudar a respeito da Grande Tribulação, e uma falácia determinar o tempo desse evento escatológico com base na septuagésima semana de Daniel. Assim como relativizam os “mil anos”, que aparecem seis vezes em Apocalipse 20, não aceitam que a duração do período tribulacional esteja relacionada com uma profecia veterotestamentária. Mas não cabe a nós ignorar a Palavra profética, e sim interpretá-la à luz do contexto, segundo a iluminação do Espírito Santo.
Em Apocalipse 2.22, a expressão “grande tribulação” é empregada com o sentido estrito de punição à falsa profetisa Jezabel e seus seguidores. Mas, no mesmo livro, menciona-se a “hora da tentação que há de vir sobre todo o mundo” (3.10), isto é, a Grande Tribulação — termo empregado em Apocalipse 7.14 e que melhor define o período de sete anos que iniciará logo após o Arrebatamento da Igreja.
Para alguns teólogos, Apocalipse 7.13,14 não alude a esse tempo de angústia, posto que — segundo eles — os servos de Deus ali mencionados são os que sofrem aflições e tribulações, em nossos dias (cf. Rm 8.18; Jo 16.33). Afinal, “por muitas tribulações nos importa entrar no Reino de Deus” (At 14.22). Entretanto, ao lermos o contexto imediato de Apocalipse 7.13,14, vemos que os tais santos serão os “mortos por amor da palavra de Deus e por amor do testemunho que deram” (6.9-11). Estes são as vítimas do Anticristo (13.7,15), que, vestidas de branco (6.11; 7.13), virão “da grande tribulação” (7.14, ARA).
Teólogos que se apressam em afirmar que esse terrível e aterrorizante evento escatológico não acontecerá deveriam atentar com mais cuidado para o que está escrito em Mateus 24.21 e Apocalipse 7.14. As expressões “grande aflição” e “grande tribulação”, equivalentes no grego, não aparecem na Bíblia por acaso.
De fato, “desde o princípio do mundo até agora não tem havido, nem haverá jamais” (Mt 24.21) tanto sofrimento, destruição, tragédias naturais, degradação moral, etc., como ocorrerão na Grande Tribulação. Mas o que esse evento tem a ver com a septuagésima semana mencionada no livro do profeta Daniel?
Na Palavra profética, os anos são formados, geralmente, por 360 dias (30 dias x 12 meses = 360 dias). E os meses são de trinta dias. Não havia, nos tempos bíblicos, meses de 31 ou 28 dias. E não se considerava o ano bissexto. Em Apocalipse 11.3 está escrito que as duas testemunhas de Deus profetizarão por 1.260 dias ou três anos e meio (1.260 dias / 360 dias = 3,5 anos). Esse período também aparece em Apocalipse 13.5 sob a forma de 42 meses (1.260 dias / 30 dias = 42 meses).
Os 3,5 anos mencionados em Apocalipse são apenas a primeira metade da Grande Tribulação, que terá duração total de sete anos, conforme a profecia registrada em Daniel 9.24-27: “Setenta semanas estão determinadas [...] E, depois das sessenta e duas semanas, será tirado o Messias, [...] E ele [o Anticristo] firmará um concerto com muitos por uma semana; e, na metade da semana, fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares”. O Anticristo, portanto, firmará um concerto com muitos por sete anos. E, depois dos primeiros três anos e meio, romperá o pacto, inaugurando a fase final do período tribulacional.
Dentre as setenta, a septuagésima semana são os últimos sete anos de um total de 490 anos (7 x 70 = 490), revelados ao profeta Daniel. Mas não é apenas com base nisso que se conclui que a Grande Tribulação terá sete anos de duração. A profecia de Daniel é apenas o ponto de partida para se chegar a essa conclusão. A contagem dessas setenta semanas de anos começou com o decreto de Artaxerxes para restaurar Jerusalém e foi interrompida com a morte do Messias (Dn 9.25,26).
Segundo a revelação dada ao profeta Daniel, as setenta semanas se subdividem em três períodos:
Primeiro período. Este, conforme Daniel 9.25, compreende 7 semanas ou 49 anos (isto é, 7 x 7 = 49): “Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém, até ao Messias, o Príncipe, sete semanas e sessenta e duas semanas”. Daniel destaca, com clareza, o começo da contagem dessas semanas: “desde a saída da ordem para restaurar e edificar Jerusalém”. Daquele ponto de partida até a conclusão da mencionada obra passaram-se, de fato, 49 anos (Ne caps. 1-6; Ed 6.13-15).
Segundo período. A segunda parte das setenta semanas de anos compreende 62 semanas ou 434 anos (isto é, 62 x 7 = 434). Começa com a restauração de Jerusalém e vai até os dias em que o Senhor Jesus andou na terra: “até ao Messias, o Príncipe, sete semanas [49 anos] e sessenta e duas semanas [434 anos]” (Dn 9.25). É realmente impressionante observar que desde o decreto para a restauração até a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém (Mt 21.1-10) passaram-se exatamente 69 semanas ou 483 anos (isto é, 69 x 7 = 483).
Terceiro período. É a última semana de anos, isto é, a septuagésima semana, sobre a qual a profecia diz: “Ele [o Anticristo] firmará um concerto com muitos por uma semana, e na metade da semana fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares, e sobre a asa das abominações virá o assolador” (Dn 9.27). Confrontando esta passagem com a profecia de Jesus constante de Mateus 24.15-21, fica provado que a septuagésima semana representa o tempo total da Grande Tribulação: sete anos.
Quando comparamos as profecias constantes de Daniel, Apocalipse, Mateus 24 e Lucas 21, concluímos que o lapso temporal indefinido, que começou logo após a destruição de Jerusalém (no ano 70 d.C.), já estava previsto na Palavra profética. É o período denominado “os tempos dos gentios” (Lc 21.24), o qual perdurará até o início da septuagésima semana, isto é, a Grande Tribulação.
Depois desse período parentético indeterminado, “os tempos dos gentios” — entre o primeiro século e o Arrebatamento da Igreja —, o Anticristo firmará um concerto ou pacto com muitos por sete anos (septuagésima semana), mas só cumprirá a sua parte do acordo firmado nos primeiros 3,5 anos. Na segunda metade da semana, ele se voltará contra os judeus, e os juízos divinos cairão de maneira ainda mais intensa sobre o mundo (Dn 9.27, Ap caps. 15-16). Graças a Deus, a Igreja já terá sido arrebatada!
Maranata!
Ciro Sanches Zibordi
terça-feira, 4 de outubro de 2011
O que significa “Ai das grávidas”?
Muita gente me pergunta: “O que o Senhor Jesus quis dizer com a frase ‘Ai das grávidas’, em Mateus 24:19?” Para os estudiosos simpatizantes da escola preterista — que considera muitas profecias escatológicas como já cumpridas — essa advertência de Jesus está ligada à invasão de Jerusalém, perpetrada pelos romanos em 70 d.C. Mas essa interpretação não se sustenta à luz do contexto imediato da passagem citada e da analogia geral da Bíblia.
Em Mateus 24, o Senhor responde a uma pergunta tríplice de seus discípulos, que desejavam saber quando se dariam “essas coisas” e que sinal haveria “da tua vinda” e do “fim do mundo” (v.3). A resposta do Mestre, igualmente tripartida, abrange: (a) acontecimentos do primeiro século (como a destruição do Templo e a tomada de Jerusalém); (b) sinais ligados ao Arrebatamento da Igreja; e (c) sinais relativos aos eventos que antecedem o fim do mundo.
A afirmação de que a frase “Ai das grávidas” refere-se à destruição de Jerusalém é inverossímil. Por quê? Porque se baseia em duas suposições improváveis. A primeira é de que o “abominável da desolação, de que falou o profeta Daniel, no lugar santo” (Mt 24.15, ARA) alude a imperadores romanos. A segunda é de que tal destruição, perpetrada pelos romanos, foi a maior da História, tão grande e devastadora “como desde o princípio do mundo até agora não tem havido e nem haverá jamais” (Mt 24.21, ARA).
Teria sido a destruição de Jerusalém maior que as ocorridas nas duas grandes guerras mundiais? O que dizer das cidades japonesas atingidas pela bomba atômica e das destruições perpetradas pelo nazismo, durante a Segunda Guerra? O Senhor Jesus afirmou que a Grande Tribulação é o pior evento, desde o princípio, e que, depois, nunca mais haverá outro maior que ele.
Na profecia a respeito do “abominável da desolação” (Dn 9.26,27) mencionam-se alguns fatos, em ordem cronológica. Observe que a profecia alude à morte do Ungido, à destruição de Jerusalém e do Templo, por parte do povo de “um príncipe”, e à posterior ocorrência de guerras e desolações até o fim. É nesse tempo do fim que o tal príncipe fará aliança com muitos por uma semana (sete anos) e, na metade desta, introduzirá o “abominável da desolação”. E esse assolador agirá “até que a destruição, que já está determinada, se derrame sobre ele”.
O povo do príncipe são os emissários do mal a serviço do “mistério da injustiça” e do “espírito do anticristo”, operantes desde o primeiro século (2 Ts 2.7; 1 Jo 4.3). O príncipe assolador, por sua vez, é o Anticristo em pessoa (2 Ts 2.1-12), do qual “sairão forças que profanarão o santuário, a fortaleza nossa, e tirarão o sacrifício diário, estabelecendo a abominação desoladora” (Dn 11.31, ARA). Isso durará três anos e meio — ou mil duzentos e noventa dias —, período de tempo que alude à segunda metade da Grande Tribulação (12.11).
Segue-se que o “Ai das grávidas” não alude à fuga das mulheres israelitas, por ocasião da invasão romana do primeiro século. Refere-se, na verdade, à dificuldade de toda a população civil israelense, especialmente as mulheres gestantes, em escapar da chegada iminente dos exércitos do Anticristo. A advertência de Jesus se encontra entre dois fatos que ainda não se cumpriram. A abominação da desolação, de que falou o profeta Daniel, introduzido no lugar santo (Mt 24.15). E a “grande tribulação, como desde o princípio do mundo até agora não tem havido e nem haverá jamais” (Mt 24.21, ARA).
A Grande Tribulação, de fato, será a maior e mais terrível destruição jamais experimentada pelo mundo. Quando Israel, no fim da segunda metade desse período de juízos, estiver cercado pelos exércitos do Anticristo (Ap 16.13-16), os civis terão grande dificuldade para escapar dos bombardeios inimigos, principalmente as gestantes, os idosos, as pessoas com deficiência física, etc.
Observe que a advertência do Senhor estende-se também às mulheres que amamentam. Isso exclui qualquer possibilidade de interpretação fantasiosa das palavras do Senhor, como a de que as crianças serão arrancadas dos ventres maternos (invencionice da escatologia aterrorizante). Veja: “Ai das que estiverem grávidas e das que amamentarem naqueles dias!” (Mt 24.19, ARA).
Ciro Sanches Zibordi
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