sábado, 30 de abril de 2011

O que David Wilkerson disse a respeito da “unção do riso” e do “reteté”



Este vídeo foi publicado neste blog e em outros há mais de um ano. Mas resolvi republicá-lo, a fim de que não nos esqueçamos das contundentes mensagens do saudoso pastor, escritor e profeta David Wilkerson, que partiu para a eternidade há poucos dias.




Em Cristo,

Ciro Sanches Zibord
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sexta-feira, 29 de abril de 2011

O que David Wilkerson disse a respeito da música mundana na casa de Deus


Uma característica de quem possui um ministério profético é a autoridade (não confunda com autoritarismo). Profetas não têm medo de dizer a verdade, mesmo que sejam tachados disto e daquilo.

Na sua obra Toca a Trombeta em Sião (foto), publicada em inglês, em 1985 — e lançada no Brasil pela CPAD em 1988 —, David Wilkerson afirmou: “Fiquei extremamente chocado quando recentemente abri uma revista evangélica e vi foto de um grupo de rock ‘pesado’, dizendo-se evangélico. Estavam vestidos com o mesmo traje sadomasoquista que eu vira antes enquanto testemunhava de Cristo nas ruas de São Francisco da Califórnia” (p.93).


Em tempos de “adoração extravagante”, posso imaginar que alguns músicos e cantores, ao lerem este artigo, pensarão: “Que legalista esse David Wilkerson! Já foi tarde”. Ele se foi, mas a sua mensagem profética ficou registrada:
“Onde está a trombeta em Sião, que não toca? Onde está nossa reação? Onde estão os profetas do Senhor que não bradam bem alto: “Chega! A Casa do Senhor não é lugar de música do Diabo!” (p.94).

Como um verdadeiro profeta, Wilkerson verbera contra a covardia dos ministros do nosso tempo:
“Que tipo de ministério covarde temos em nossas igrejas de hoje, que tolera e até aplaude um tipo de música que faz os anjos se envergonharem? [...] A música mundana que hoje penetrou na casa de Deus causa repulsa no Céu [...]: ‘Como podem pessoas que invocam o santo nome de Cristo apanhar coisas do altar pessoal de Satanás e trazê-las à presença de Deus, lançando-as no seu altar?’ [...] Quem são esses roqueiros e inovadores dentro da casa de Deus? São profanadores do santo altar do Senhor!” (p.95).

Wilkerson condena também a falta de discernimento por parte dos líderes e do povo evangélico, em geral:
“O que está acontecendo agora é que pastores e suas igrejas aceitam sem exame, nem discussão, música profana no culto. A voz que se ouve é ‘Não julguemos mal’, e isso Satanás usa para ocultar todo tipo de males que tal música traz. [...] E é exatamente isto que estes inovadores da música estão fazendo na igreja; destruindo a santidade, zombando da pureza e da separação do mundo” (pp.96-97).

Sem medo, Wilkerson reafirma que a música mundana na igreja é obra do Maligno e verbera contra pais e líderes cristãos por sua conivência:
“Satanás está por trás deste tipo de ‘louvor’ que ele quer que lhe seja prestado. Ele irá até os extremos para corromper o verdadeiro louvor ao Senhor. O inimigo está levando vantagem em sufocar o real louvor em espírito e em verdade. [...] É chocante eu ouvir pais e pastores dizendo-me: ‘não julgue desta maneira’. Eles deviam obedecer à Palavra de Deus e julgar segundo a reta justiça, para não perderem seus filhos ante as seduções do mundo” (pp.98-100).

Muitos dizem que a música, seja qual for o estilo adotado, é neutra e que podemos usar todo e qualquer ritmo para o louvor a Deus. Veja a resposta do aludido profeta a esse falacioso pensamento:
“Uma das razões por que o Espírito de Deus retirou-se do ‘Movimento de Jesus’ surgido na década passada [década de 1970] foi que eles se recusaram a largar o tipo de música anticristã que executavam. Eles deixaram as drogas, álcool, prostituição, e até seu modo estranho de vida. Mas não quiseram abandonar o rock. [...] O Espírito de Deus conhece todo mal que há no rock, e Ele nos faz sentir sua tristeza por isso. Os que adoram a Cristo em espírito e em verdade sabem discernir rapidamente o que é o rock” (pp.100-101).

Wilkerson faz menção também dos repertórios dos cantores pretensamente evangélicos:
“Os roqueiros que se dizem evangélicos costumam ter em suas apresentações e LPs um ou dois hinos realmente sacros, mas o restante é a violenta, selvagem e louca música rock. Significa que se eles quisessem, podiam fazer a coisa certa e agradável ao Senhor. Certos roqueiros chegam a me dizer: ‘Eu mesmo não gosto do rock, mas a juventude gosta, então eu toco rock para atraí-los (p.107).

Agora, uma parte bastante antipática — mas verdadeira — da profecia de Wilkerson em relação aos apreciadores de show gospel: “Esse tipo de música copiada do mundo não motiva ninguém a dobrar os joelhos e orar, nem mesmo impulsiona os crentes a curvarem suas cabeças em adoração a Deus. A única coisa que essa música faz é levar o auditório a demonstrações carnais de sacudir o corpo, de bamboleios, de dança, que nada têm de espiritualidade. [...] Deus está dizendo a esta geração que canta e toca música mundana na igreja: 
Rejeitais a música de teus pais que adoravam a Deus com toda pureza. Quereis ver os milagres do livro de Atos, mas não quereis a pureza dos vossos pais na fé. Rejeitais a música originada pelo Espírito e abraçais a música que pertence ao mundo (p.108-110).

O profeta de Deus geralmente condena o erro e prevê o que acontecerá, caso não haja arrependimento. Veja o que disse Wilkerson,
há mais de 25 anos: “Tal música tornar-se-á cada vez mais selvagem, seus festivais de música cada vez mais tenebrosos. Somente crentes desviados, mornos e de nome, frequentarão tais reuniões. Caso o leitor não mais creia em nada do que estou profetizando, creia nisto que vou dizer agora: ‘Deus vai fazer uma operação de limpeza na sua casa quanto à música! (p.116).

Wilkerson mostra novamente as características da música mundana e, em seguida, conclui:
“Já constatei, sem exceção, que todo crente de vida espiritual profunda com Deus e que vive adorando a Deus em espírito e em verdade leva também muito tempo em oração individual. Esse tipo de crente não aceita música frívola, barulhenta ao extremo, acelerada, dissonante. [...] A música mundana na igreja morreria numa semana se cada músico e cantor se humilhasse diante do Senhor e tivesse uma visão do que é a santidade de Deus” (pp.117-118).

Duro é esse discurso. Quem o pode ouvir?


Ciro Sanches Zibordi

quinta-feira, 28 de abril de 2011

O que David Wilkerson disse a respeito da Teologia da Prosperidade


Os títulos de apóstolo, profeta e mestre não são usuais e até soam mal, na atualidade. Mas isso não significa que os ministérios de apóstolo, profeta e mestre tenham se extinguido (1 Co 12.28; Ef 4.11). Tais dons ministeriais perdurarão até que todos cheguemos [...] à medida da estatura completa de Cristo” (Ef 4.13).

Partiu para a eternidade, nesta semana, um pregador que tinha verdadeiramente o ministério de profeta: David Wilkerson. Ele morreu, quando o seu carro se chocou com uma carreta, em uma estrada no Texas, Estados Unidos. 
Li todas as suas obras em português. Mas, na foto acima, estão as duas que mais me marcaram, ambas bastante desgastadas.

Toca a Trombeta em Sião
 (CPAD) eu ganhei de um irmão bastante idoso — que já deve estar com o Senhor —, em 1989. E ele já me deu a obra bem surrada e toda marcada. A obra David Wilkerson Exorta a Igreja ganhei em 1993 (ano que meu primeiro artigo foi publicado no Mensageiro da Paz) do pastor e amigo Eude Martins da Silva, à época diretor-executivo da Editora Vida.


Se você tem dúvidas quanto ao ministério profético de Wilkerson, veja o que ele escreveu em 1985, na primeira mencionada, traduzida em 1988 pelo mestre Antonio Gilberto, a respeito da Teologia da Prosperidade: “Ezequiel lutou sozinho contra todos os falsos profetas de Israel. Esses profetas não tinham qualquer mensagem de retidão, nem de julgamento inevitável do pecado. Eles só profetizavam a paz, conforto e prosperidade” (p.127).

Wilkerson falou condenou a Teologia da Prosperidade em uma época em que se falava quase nada sobre ela e verberou contra os seus proponentes: 
“Tais falsos profetas continuam em nosso meio! Eles usam as Sagradas Escrituras no campo das profecias; nas suas mensagens de prosperidade eles introduzem bastantes passagens bíblicas. Mas é falsa mensagem que eles pregam. Sua pregação não é a mensagem da cruz, nem a da santidade e da separação do mal” (idem, p.129).

Comparando esses 
“últimos dias” com dias de Ezequiel, também asseverou: “o pecado de Israel era tão grande que a ira de Deus estava a ponto de desencadear-se em forma de julgamento divino sobre a nação. O profeta Ezequiel não queria anunciar a terrível catástrofe que estava para cair sobre aquele povo, pelo fato de ele ter seus profetas prediletos que só anunciavam bonança e paz” (idem, p.133).

“Quem acordará e obedecerá ao chamado do Senhor, separando-se e purificando-se de todos os pecados que são praticados dentro das igrejas e fora, no mundo? Você pensa que, vivendo errado, mas pertencendo a uma igreja, escapará do juízo de Deus? Não caia no engano de Israel, pensando que o dia do julgamento está muito longe” (idem, p.145).


Na obra David Wilkerson Exorta a Igreja (Editora Vida), ele disse palavras que nos servem de consolo: “É melhor poder dizer: ‘Não importa o que está pela frente — não importa qual a provação ou aflição — Deus tem-se mostrado fiel. Da morte ele produziu vida. Nenhuma dessas aflições pode mudar-me agora. Ainda que ele me mate, nele esperarei’” (p.15).


Até breve, profeta David!


Ciro Sanches Zibordi

Mais um profeta morre de maneira trágica no mês de abril


Há treze anos, a Assembleia de Deus no Brasil perdia um profeta, o pastor Valdir Bícego. Ele gostava de dizer, em suas mensagens, que Deus lhe dera sete livramentos de morte certa. Mas, naquela tarde do dia 28 de abril de 1998, uma única bala, calibre 22, foi suficiente para causar a sua morte. Deus é soberano.

No dia 27 de abril de 2011, mais um homem de Deus partiu para a glória, e de maneira trágica: David Wilkerson. Quem conhece a sua biografia sabe que ele podia ter sido assassinado ainda jovem, em Nova York, por Nick Cruz e sua gang. Mas o Senhor o preservou soberanamente até ontem, quando permitiu que uma carreta atingisse o seu carro, em uma estrada no Texas, Estados Unidos.


David Wilkerson foi um dos escritores que muito me influenciou quando eu comecei a pregar. Lembro-me de uma terça-feira, em 1989, em que um irmão idoso assentou-se ao meu lado e, com lágrimas nos olhos, disse: “Jovem, você é pregador e precisa ler este livro”. Ele me presenteou com um livro surrado e todo marcado: Toca a Trombeta em Sião, da CPAD. Percebi, ao ler a obra, que Wilkerson não era teólogo, exegeta ou erudito, mas um profeta do Altíssimo.


Blogs e sites evangélicos estão noticiando a morte de David Wilkerson com detalhes desde ontem, inclusive fazendo menção de sua trajetória e de suas obras, como A Cruz e o Punhal, que narra a conversão de Nick Cruz. O jornal online The Christian Post noticiou o acidente — “Times Square Church Founder David Wilkerson Dies in Crash” — e divulgou uma nota da família Wilkerson: “Agradecemos as orações, e os nossos corações estão tristes. Mas nos alegramos por termos conhecido David Wilkerson, que passou a sua vida bem”.


Não podia Deus ter livrado da morte esses dois profetas mencionados, Valdir Bícego e David Wilkerson, uma vez que já havia feito isso muitas vezes? E por que eles partiram de modo tão trágico?


Embora haja promessas de livramento para os crentes fiéis (2 Sm 22.49; Sl 18.48; 34.7), estamos sujeitos a morrer de forma violenta (Mt 14.1-12). O próprio Senhor Jesus afirmou: “E não temais os que matam o corpo, e não podem matar a alma; temei antes aquele que pode fazer perecer no inferno a alma e o corpo” (Mt 10.28). Para o salvo, o importante é morrer “em Cristo” (1 Ts 4.16).


A maneira de morrer para o cristão torna-se irrelevante quando consideramos 1 Coríntios 15.51-53 e 2 Coríntios 5.1-4, passagens que enfatizam a transformação do nosso corpo no dia do Arrebatamento da Igreja. Por isso, o apóstolo Paulo, que, segundo a tradição, teria sido decapitado, afirmou: “para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho” (Fp 1.21).


Que Deus console as famílias de David Wilkerson e Valdir Bícego, profetas de Deus com trajetórias semelhantes, que partiram para a glória no mesmo mês, em 1998 e 2011, respectivamente, de maneira trágica. Mas o importante é que eles deixaram imitadores (1 Co 11.1). O Senhor nos deu esses profetas, e o Senhor os tomou. Como disse Jó, “bendito seja o nome do Senhor” (Jó 1.21).


Ciro Sanches Zibordi

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Brasília, Distrito Federal, Brasil


Já estive algumas vezes em Brasilía-DF. Mas, há alguns dias, tive o privilégio de visitar essa cidade acompanhado de minha família. Participamos de uma abençoadíssima escola bíblica de obreiros na Assembleia de Deus de Taguatinga, presidida pelo pastor e amigo Orcival Xavier.

Veja abaixo por que considero Brasília um dos lugares do mundo que vale a pena conhecer...


terça-feira, 26 de abril de 2011

O que são os dons espirituais? (3)


Continua aqui a lista de diferenças entre o fruto do Espírito e os dons como manifestações e operações do Espírito momentâneas — e não como ministérios.

7. Quanto à qualidade.
Os dons espirituais são perfeitos, embora muitas pessoas façam mau uso deles. Já o fruto precisa amadurecer. Este amadurecimento do fruto produzido no crente pelo Espírito ocorre gradativamente, de acordo com a disposição do coração do salvo. Trata-se do aperfeiçoamento espiritual (2 Tm 3.16,17; Ef 4.11-15).

8. Quanto à finalidade.
Os dons são manifestações para edificação da igreja. O fruto do Espírito tem como finalidade o desenvolvimento do caráter do crente. A igreja de Corinto era pentecostal (1 Co 1.7; caps. 12-14). Todos os dons, ministérios e operações divinos tinham lugar ali (1 Co 12.4-6). Contudo, ela estava envolvida em diversos problemas (1 Co 1.10; 6.1-11; 11.18), pecados morais graves (1 Co 5), além da desordem no culto (1 Co 11.17-19). Os coríntios eram imaturos e carnais (1 Co 3.1-4).

Se dermos ênfase apenas aos dons, em detrimento do fruto do Espírito, males ocorrerão na igreja, como: dissensão, carnalidade, egoísmo, desordem e indecência. O partidarismo na igreja de Corinto decorria da falta de amadurecimento do fruto do Espírito (1 Co 11.18; 1.10-13; 3.4-6).


O termo “dissensões” (1 Co 1.10; 11.17) descreve a destruição da unidade cristã por meio da carnalidade. Em vez de gratidão a Deus, para promover a comunhão e “guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz” (Ef 4.3), os coríntios se reuniam para o culto com espírito faccioso.


9. Quanto à importância. Em Corinto, havia muita carnalidade porque os crentes daquela igreja não priorizavam o fruto do Espírito (1 Co 3.1-3). Havia membros daquela igreja controlados pelo Espírito Santo (1 Co 1.4-9; Rm 8.14), mas muitos eram carnais (1 Co 13.1). Carnal é o crente cuja vida não é regida pelo Espírito (Rm 8.5-8); que tem muita dificuldade de entender os assuntos espirituais (1 Co 2.14); que vive em contendas, difamações, etc.


Por não cultivarem o fruto do Espírito, os coríntios eram egoístas (1 Co 11.21). Na liturgia da igreja primitiva era comum a Ceia do Senhor ser precedida por um evento festivo denominado agápe (e não ágape, termo já consagrado no meio evangélico) ou “festa do amor” (2 Pe 2.13; Jd v.12). No entanto, alguns crentes, em vez de fortalecerem o amor e a unidade cristã antes da Ceia do Senhor, embriagavam-se.


Segundo a Bíblia, todos os crentes (batizados com o Espírito, é evidente) podem, no culto, falar em línguas ou profetizar (1 Co 14.5ss). Mas ela também nos ensina a exercer esses dons com sabedoria, ordem e decência (1 Co 14.26-33,37-40), a fim de que: o nome do Senhor seja glorificado (1 Co 14.25); o incrédulo convencido de seus pecados (1 Co 14.22-25); e a igreja edificada (1 Co 14.26).

É imprescindível o casamento entre o fruto do Espírito e os dons espirituais. Afinal, o espírito do profeta deve estar sujeito ao profeta. Em outras palavras, o crente controlado pelo Espírito é usado por Deus, mas tem equilíbrio, domínio próprio e discernimento. O fruto do Espírito amadurecido na vida do crente impede-o de abraçar aberrações pseudopentecostais como “cai-cai”, “unção do riso”, 
etc.

Ciro Sanches Zibordi

segunda-feira, 25 de abril de 2011

O que são os dons espirituais? (2)


Os dons espirituais, como manifestações momentâneas, esporádicas — o que é diferente dos dons ministeriais , estão à disposição de todos os salvos batizados com o Espírito. E não devem ser confundidos com o fruto do Espírito. Na verdade, este e os dons espirituais devem estar casados, visto que se completam.

Neste artigo e no próximo, conheceremos as principais diferenças entre as aludidas ministrações espirituais momentâneas e o fruto do Espírito Santo, no que tange a: quantidade, forma de recebimento, origem, forma de manifestação, duração, momento do recebimento, qualidade, finalidade e importância.


1. Quanto à quantidade.
Os dons espirituais são muitos, e não apenas nove, como muitos pensam. Por muito tempo se divulgou que existem apenas nove dons... Segundo a Bíblia, diversidade de dons, ministérios e operações (1 Co 12.6-11,28; etc.). O fruto do Espírito também não pode ter as suas virtudes quantificadas. Quem afirma que são apenas nove os elementos formadores do fruto toma como base apenas Gálatas 5.22. Mas há várias outras passagens que tratam dessa doutrina paracletológica, como Efésios 5.9; Colossenses 3; 1 Pedro 5.5; 2 Pedro 1.5-9, etc.

2. Quanto à forma de recebimento.
Os dons são repartidos para a igreja, coletivamente, para edificação dela. O fruto é produzido na vida de cada crente que dá lugar ao Espírito Santo.

3. Quanto à origem.
Os dons em apreço vêm do alto sobre a igreja. O fruto têm origem no interior de cada crente espiritual.

4. Quanto à forma de manifestação.
Os dons vêm sobre os crentes, conferindo-lhes unção poderosa (capacitação) para pensar, interpretar, discernir, pregar, orar, ajudar, etc. O fruto manifesta-se em cada crente de dentro para fora, através de virtudes como amor, alegria, paz, humildade, etc.

5. Quanto à duração.
Os dons como manifestações — e não como ministérios, repito — são momentâneos. O fruto permanece na vida do crente. Mas precisa amadurecer a cada dia.

6. Quanto ao momento do recebimento.
Os dons espirituais manifestam-se na vida dos servos do Senhor a partir do batismo com o Espírito Santo, como vemos em Atos caps. 2, 10 e 19, especialmente. Antonio Gilberto afirmou: “O batismo é também um meio para a outorga por Deus dos dons espirituais — 'falavam línguas e profetizavam'” (Verdades Pentecostais, CPAD, p.64).
Já o fruto manifesta-se no crente a partir da sua conversão (Ef 1.13,14). O que é o fruto? É o Espírito Santo agindo na vida do crente, a partir do primeiro momento de sua salvação, para moldar o seu caráter (Gl 5.22; 2 Pe 1.5-9, etc.).

Observação: como afirmei no artigo anterior, há diferença entre as manifestações esporádicas e os dons ministeriais. Os ministérios não dependem, necessariamente, do batismo com o Espírito. Já as ministrações momentâneas e sobrenaturais do Espírito para a edificação da igreja só vêm sobre quem já recebeu o revestimento de poder (At 2.1-4; 10.44-47; 19.1-6, etc.). Apolo era um pregador (tinha um ministério), mas não era batizado com o Espírito, ao contrário do também pregador Paulo (cf. At 18.24—19.6).

Confira mais informações e esclarecimentos sobre o assunto nos comentários abaixo e nos próximos artigos da presente série.

Em Cristo,


Ciro Sanches Zibordi

domingo, 24 de abril de 2011

O que são os dons espirituais? (1)


As próximas três lições da revista Lições Bíblicas, da CPAD — adotadas principalmente pelas Assembleias de Deus em suas Escolas Dominicais —, abordarão os dons do Espírito Santo. Apresento aqui a minha modesta contribuição sobre o assunto.

Haja vista a alegação dos críticos das doutrinas paracletológicas de que a expressão “dons espirituais” não consta da Bíblia, iniciarei esta série fazendo um esclarecimento. 
De fato, a expressão contida na pergunta em epígrafe não aparece em 1 Coríntios 12.1 e 14.1,12. Mas o termo pneumatikon (literalmente, “espiritualidades” ou “coisas espirituais”) pode ser traduzido por “dons espirituais”, uma vez que esta tradução é respaldada pelo contexto imediato: “há diversidade de dons” (1 Co 12.4); “dons de curar” (vv.9,28); “dom de curar” (v.30); “procurai com zelo os melhores dons” (v.31).

“Dons”, em 1 Coríntios 12.31, é charisma, mas em 1 Coríntios 14.1 é pneumatikon. Apesar disso, os termos são perfeitamente intercambiáveis, à luz do contexto. Ambas as formas se referem aos dons espirituais. 
Estes fazem parte das ministrações do Espírito Santo na igreja e manifestam a glória divina.

Os dons espirituais edificam os crentes e atraem os pecadores. São capacidades, dotações sobrenaturais concedidas pelo Espírito Santo, com o propósito principal de edificar a igreja (1 Co 14.3,4,5,12,26; Ef 4.11-13). Através deles, o Senhor revela poder e sabedoria aos seus servos.


Há distinção entre os dons espirituais mencionados em 1 Coríntios 12.6-11 e o batismo com o Espírito Santo, também chamado de dom do Espírito (At 2.38; 10.45). Este é um revestimento de poder outorgado pelo Paracleto, enquanto os primeiros são as capacidades sobrenaturais decorrentes do tal batismo. Nesse caso, quem já fala em línguas, como evidência do aludido revestimento, deve buscar outros dons: “procurai com zelo os dons espirituais” (1 Co 14.1); “como desejai dons espirituais, procurai sobejar neles” (v.12).


Também há distinção entre os dons espirituais como
manifestações esporádicas (1 Co 12.6-11) e como ministérios (1 Co 12.28). Os primeiros estão à disposição de todos os que buscam a Deus (At 2.39; Rm 11.29). Já os dons ministeriais são residentes nos servos do Senhor e dependem, evidentemente, da chamada soberana de Deus (Mc 3.13).

Todo crente fiel, batizado com o Espírito Santo, pode ser usado com o dom de profecia, por exemplo (1 Co 14.1). Mas nem todo crente pode ser um pastor, por exemplo, visto que este dom não é uma manifestação momentânea, esporádica, e sim um ministério outorgado soberanamente por Deus (Ef 4.11; Hb 5.4).

D
e modo geral, todos os dons são dados à igreja para o que for útil (1 Co 12.7; 14.28)E, por isso mesmo, não devemos ignorá-los ou desprezá-los (1 Co 12.1; 1 Ts 5.19,20; At 19.1-7). É o Senhor quem nos concede essas dádivas, “segundo a graça” (Rm 12.6). E, como essas dotações são, primacialmente, para a edificação do povo de Deus (1 Co 14.26), não devem ser mal utilizadas, sem decência e ordem, no culto genuinamente pentecostal (1 Co 14.37-40).

Ciro Sanches Zibordi

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Aos crentes que não gostam de hierarquia nas igrejas


Aumenta a cada dia o número de crentes que não se sujeitam aos líderes e pensam que estão certos. Não respeitam pastores, verberam contra a liderança e afirmam que só devem obediência a Deus. “Igreja não é quartel general”, argumentam. E, generalizando, chamam qualquer liderança firme, segura, de coronelista.

Entretanto, vemos na Bíblia que o próprio Deus prioriza e hierarquiza. Ele — que podia ter formado todas as coisas com uma única palavra — fez questão de formar tudo a seu tempo, dia a dia (Gn 1). O Senhor também pôs em ordem as tribos de Israel (Nm 2), pois o nosso Deus é um Deus de ordem (1 Co 14.40).

De acordo com 1 Coríntios 12.28, há uma hierarquização dos dons e ministérios — estabelecida por Deus, é evidente. Ela existe, não para que um portador de certo dom e ministério se considere superior aos outros, e sim para que haja ordem na casa do Senhor.

Deus pôs na igreja “primeiramente apóstolos” (1 Co 12.28; Ef 4.11). Existem apóstolos hoje? Sim! Mas é claro que há também pseudo-apóstolos, que propagam muitas “apostolices”. Quem são os apóstolos do Senhor, então? São homens de Deus, enviados por Ele, com grande autoridade, e não autoritarismo. Eles formam a liderança maior da igreja, independentemente dos títulos empregados pelas denominações (pastores-presidentes, bispos, reverendos, pastores, presbíteros, etc.).

É importante não confundir títulos com ministérios e dons. Estes vêm do Espírito Santo, enquanto os títulos são recebidos dos homens. Na Assembleia de Deus, por exemplo, não existe o título de apóstolo. Mas isso não significa que não exista o ministério apostólico. Este, segundo a Bíblia, perdurará “até que todos cheguemos à unidade da fé e ao conhecimento do Filho de Deus, a varão perfeito, à medida da estatura completa de Cristo” (Ef 4.13).

O texto de 1 Coríntios 12.28 afirma, ainda, que Deus pôs na igreja “em segundo lugar, profetas”, mencionados — na mesma posição, depois dos apóstolos — em Efésios 4.11. Não confunda esses profetas com os crentes que falam em profecia nos cultos, também chamados de profetas em 1 Coríntios 14.29. O ministério profético neotestamentário é formado por pregadores (pregadores, mesmo!) da Palavra de Deus, portadores de mensagens proféticas.

Em seguida, a Palavra do Senhor, em 1 Coríntios 12.28, assevera: “em terceiro, doutores”. Veja como essa hierarquização ocorria na igreja de Antioquia da Síria: “havia alguns profetas e doutores, a saber: Barnabé, e Simeão, chamado Níger, e Lúcio, cireneu, e Manaém, que fora criado com Herodes, o tetrarca, e Saulo” (At 13.1). Nesse caso, os doutores, que atuam juntamente com os profetas, são ensinadores da Palavra de Deus.

Há casos, como o de Paulo, em que três ou dois dos ministérios mencionados (apóstolo, profeta e doutor) se intercambiam (1 Tm 2.7). Os ministérios de pastor e evangelista certamente fazem parte dos três escalões mencionados em 1 Coríntios 12.28, posto que são títulos relacionados com a liderança maior da igreja.

Finalmente, em 1 Coríntios 12.28, está escrito: “depois, milagres, depois, dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas”. Milagres só vêm depois de apóstolos, profetas e doutores? Isso mesmo. Na hierarquização feita por Deus, o ministério da Palavra é mais prioritário que os milagres, haja vista serem estes o efeito da pregação do Evangelho (Mc 16.17). Observe que João Batista foi considerado por Jesus o maior profeta dentre os nascidos de mulher, mesmo sem ter realizado sinal algum (Jo 10.41).

Se não houver hierarquia nas igrejas, para que servirão os cargos e funções? Qualquer pessoa, dizendo-se usada por Deus, poderá mandar no pastor. Aliás, isso estava acontecendo na igreja de Tiatira, e o próprio Senhor Jesus repreendeu o obreiro frouxo que não estava exercendo a liderança que recebera do Senhor (Ap 2.20).

Deus é Deus de ordem! O princípio divino da hierarquização aparece em várias outras passagens neotestamentárias. Em 1 Coríntios 14.26, vemos que, no culto coletivo a Deus, deve haver ordem. Quanto à ressurreição, está escrito: “Mas cada um por sua ordem: Cristo, as primícias; depois, os que são de Cristo, na sua vinda” (1 Co 15.23). E, no Arrebatamento, tal princípio também será aplicado: “os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro; depois, nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens” (1 Ts 4.17).

Em 1 Tessalonicenses 5.23, vemos que Deus prioriza o espírito, na santificação. Muitos pregadores têm dito: “Deus nos quer por inteiro: corpo, alma e espírito”. Mas a Bíblia afirma: “e todo o vosso espírito, e alma, e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo”. Essa ordem mostra que a obra santificadora do Espírito Santo ocorre de dentro para fora, e não de fora para dentro.

O apóstolo Paulo também parabenizou os crentes da cidade de Colossos porque naquela igreja havia ordem (Cl 2.5). E ordem também significa respeitar a hierarquia! Afinal, os ministérios não são invenção humana. Eles foram dados por Deus para edificação do Corpo de Cristo (Ef 4.11-15).

Amém?

Ciro Sanches Zibordi

terça-feira, 19 de abril de 2011

Os obreiros que costumam participar das AGO's da CGADB

Na semana passada ocorreu mais uma Assembleia Geral Ordinária (AGO) da CGADB (Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil). Ela foi realizada em Cuiabá-MT, na Assembleia de Deus presidida pelo querido pastor Sebastião Rodrigues de Souza.

Devido a vários motivos de força maior, principalmente compromissos profissionais, não pude participar desse importante evento. Mas gosto muito das reuniões convencionais da CGADB. Essas Assembleias Gerais nos permitem rever amigos de várias partes do Brasil, além de nos propiciarem a oportunidade de participar da discussão de temas relevantes.


Em tais reuniões podemos, ainda, aprender com os erros e acertos dos obreiros que costumam falar nos momentos em que são discutidos temas polêmicos. Coincidente e curiosamente, o logotipo da CGADB ilustra bem as características dos obreiros que participam das reuniões convencionais, apresentando verdadeiros retratos deles.

No sentido negativo, o logotipo mencionado apresenta três tipos de convencionais: (a) o de cabeça quente (nervoso, irascível, arrogante, com foguinho sobre a cabeça); (b) o que pisa na bola e/ou nos seus desafetos (sem misericórdia, considera-se superior aos outros); e (c) o que tem duas caras (politiqueiro, bajulador, falso).

Positivamente
, o logotipo da CGADB também apresenta três tipos de ministros: (a) o pentecostal (com a chama sobre a cabeça, fervoroso, tem o poder do Espírito sobre a sua vida); (b) o zeloso (diligente, cuidadoso, olha por cima do rebanho, supervisionando-o, e vê ao longe); e (c) o empreendedor (prioriza a obra missionária; observe que há um globo sobre a sua cabeça).

Que Deus abençoe a quase-centenária Assembleia de Deus, e que os seus ministros sejam, de fato, pentecostais, zelosos e empreendedores. E que o Senhor Jesus nos guarde dos maus obreiros, que entram no ministério, mas o ministério nunca entrou em seus corações.


Em Cristo,


Ciro Sanches Zibordi

segunda-feira, 18 de abril de 2011

O que é o batismo com o Espírito Santo e com fogo? (3)


Este é o terceiro — e último — artigo a respeito do batismo com o Espírito e com fogo, profetizado por Isaías (44.3), Joel (2.28,29), João Batista (Mt 3.11; Lc 3.16) e pelo próprio Senhor Jesus (Mc 16.17; Lc 24.49; At 1.5,8).

No dia de Pentecostes, os seguidores do Mestre receberam a bênção em apreço pela primeira vez
, tendo como evidência as línguas repartidas como que de fogo que pousaram sobre cada um deles (At 2.1-4). 
Elas não foram produzidas pelos próprios seguidores de Jesus. Elas vieram sobre aqueles, de modo sobrenatural: “E foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles” (At 2.3).

É importante dizer que o termo “línguas estranhas” é usado no meio pentecostal para denotar que essas línguas são estranhas (desconhecidas) para quem as pronuncia, e não — necessariamente — aos que as ouvem.


Vários dons do Espírito Santo são exercidos através da língua.
Deus usa as línguas estranhas como sinal externo do batismo com o Espírito Santo e com fogo, para demonstrar sua inteira posse e controle da nossa língua, ao batizar os seus servos (cf. Tg 3.8).

Há muitos abusos nessa área, promovidos por movimentos pseudopentecostais. Mas o livro de Atos dos Apóstolos não deixa dúvidas quanto ao fato de as línguas estranhas serem a evidência inicial do revestimento de poder em análise. Em três passagens, pelo menos, é mencionada, textualmente, essa verdade:
“começaram a falar em outras línguas” (2.4); “os ouviam falar em línguas e magnificar a Deus” (10.46); “e falavam em línguas e profetizavam” (19.6).

As línguas estranhas não são apenas um sinal do batismo em apreço. Elas também são apresentadas no Novo Testamento como um dos dons do Espírito Santo pelo qual Deus fala com o seu povo (1 Co 12.10,30).
O dom de variedade de línguas é usado pelo Espírito em conexão com o dom de interpretação das línguas (cf. 1 Co 12.10,28,30; 14.5,13,26-28).

Há pessoas batizadas com o Espírito que falam em línguas, mas não são portadoras de mensagens proféticas. E é aqui que reside muita confusão. Mas,
em Atos 2.16,17 e 19.6, vemos que as línguas ocorreram inicialmente como sinal do batismo e, logo depois, quase ao mesmo tempo, houve a manifestação do dom de variedade de línguas.

No dia de Pentecostes, as línguas “como que de fogo” vieram do céu. Não foram produzidas por vontade humana. Hoje, infelizmente,
há pregadores e cantores que mandam o povo “dar uma rajada de línguas estranhas”, o que é uma aberração. Ainda que o espírito do profeta esteja (ou deva estar) sujeito ao profeta, não falamos em línguas apenas porque queremos falar, e sim porque elas foram antes geradas sobrenaturalmente em nosso espírito. É o Espírito Santo quem acende o fogo em nossos corações!

É preciso ter em mente, então, que as línguas estranhas são multiformes em sua manifestação. Elas inicialmente são o sinal do batismo com o Espírito. Mas também podem conter mensagens proféticas, que precisam — geralmente — de interpretação, a menos que elas sejam conhecidas do público, como ocorreu no dia de Pentecostes.
E elas, ainda, edificam o crente (1 Co 14.4).

Muita gente se opõe às línguas estranhas, mas elas são o único dos dons — entre as manifestações esporádicas do Espírito — do qual está escrito que edifica o seu portador. Os outros edificam a igreja. Paulo, em 1 Coríntios 14, asseverou que falava mais línguas (estranhas) que todos os coríntios (v.18) e ensinou: “Portanto, irmãos, procurai, com zelo, profetizar e
não proibais falar línguas” (v.39).

As línguas para edificação do crente são mencionadas na Bíblia como um meio de o crente falar diretamente a Deus na dimensão do Espírito Santo: “Porque
o que fala língua estranha não fala aos homens, senão a Deus; porque ninguém o entende, e em espírito fala de mistérios” (1 Co 14.2). Essa oração “no Espírito” é confirmada em outras passagens, como 1 Coríntios 14.14,15; Romanos 8.26; Efésios 6.18; e Judas v.20.

Embora haja manifestações pseudopentecostais no meio dito pentecostal, isso não é motivo para desprezarmos o que a Bíblia diz a respeito das línguas “como que de fogo” produzidas sobrenaturalmente pelo Espírito. Mas tenho visto muitos zombarem delas. Esses ignoram que,
através desse dom espiritual, o crente louva e adora a Deus melhor, inclusive cantando, dando-lhe graças (1 Co 14.15-17; Ef 5.19), magnificando-o e falando de suas grandezas (At 2.11; 10.46).

Como se vê, o estudo sobre as línguas estranhas é vastíssimo e, por isso, o crente que se preza não o despreza. Afinal, a Palavra de Deus afirma, em 1 Coríntios 14.26: “Que fareis, pois, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação,
tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação”. E essa recomendação não é apenas para os crentes que se dizem pentecostais, mas para todo o povo de Deus!

Amém?


Ciro Sanches Zibordi

quarta-feira, 13 de abril de 2011

O que é o batismo com o Espírito Santo e com fogo? (2)


No artigo anterior, demonstrei, pela analogia geral da Bíblia, que o batismo com o Espírito Santo e com fogo (Mt 3.11; Lc 3.16) é uma coisa só. Não existe base contextual suficiente para a defesa de outro batismo de julgamento, distinto do batismo com o Espírito Santo, como muitos têm asseverado.

Segue-se que o fogo, nas passagens sinóticas mencionadas, foi empregado tão-somente para mostrar, através da riqueza simbólica desse elemento, a multíplice manifestação do Espírito na igreja. Não foi por acaso que o apóstolo Paulo asseverou: “Não extingais [ou apagueis] o Espírito” (1 Ts 5.19).

Por que o apóstolo Paulo usou a figura do fogo para ilustrar a manifestação do Espírito no meio do povo de Deus? Porque o fogo se alastra; comunica-se; purifica; ilumina; aquece, etc. Assim é a manifestação do Espírito como fogo: multímoda, multifacetada.


O tema da próxima lição de Escola Bíblica Dominical das Lições Bíblicas (CPAD) é “O que é o batismo com o Espírito Santo”. Peço ao querido leitor que examine com atenção a primeira parte desta série, a fim de entender o porquê de a descrição completa dessa ministração do Espírito ser batismo com o Espírito Santo e com fogo
.

Para muitos, a dificuldade em aceitar o batismo com o Espírito Santo e com fogo deve-se ao fato de a salvação em Cristo também ser descrita, figuradamente, como um batismo (1 Co 12.13, Gl 3.27; Ef 4.5). Todos os salvos, verdadeiramente, foram batizados pelo Espírito, imersos, feitos participantes do Corpo místico de Cristo, que é a sua Igreja (Hb 12.23; 1 Co 12.12ss). Nesse batismo da conversão, recebemos vida de Deus, mas o batismo com o Espírito e com fogo confere-nos poder de Deus (Lc 24.49; At 1.8).

Os discípulos que foram agraciados com o revestimento de poder no dia de Pentecostes já eram salvos! Observe a promessa que o Senhor Jesus havia feito a eles: “Porque, na verdade, João batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias” (At 1.5).

Quando o apóstolo Paulo passou por Éfeso, depois de Apolo, disse aos salvos que ali estavam: “Certamente João [Batista] batizou com o batismo do arrependimento, dizendo ao povo que cresse no que após ele havia de vir, isto é, em Jesus Cristo. E os que ouviram foram batizados em nome do Senhor Jesus. E, impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e falavam línguas e profetizavam” (At 19.4-6).

Portanto, num sentido, todos os salvos foram batizados pelo Espírito Santo no Corpo de Cristo. Noutro, nem todos foram batizados com o Espírito Santo e com fogo, conquanto esse dom esteja à disposição de cada salvo em Cristo. Afinal, essa “promessa [...] diz respeito [...] a tantos quantos Deus, nosso Senhor, chamar” (At 2.39).

Amém?

Ciro Sanches Zibordi

terça-feira, 12 de abril de 2011

O que é o batismo com o Espírito Santo e com fogo? (1)


Na lição 2 da Escola Bíblica Dominical (estudada no último domingo), das Lições Bíblicas deste trimestre (CPAD), está escrito: “Em Lucas 3.16, o fogo é apresentado como elemento purificador na vida de quem recebe o batismo com o Espírito Santo”. Mas, como explicar o fato de João Batista ter falado do fogo do juízo e, no mesmo contexto imediato, aludir a uma ministração do Espírito Santo?

Em Lucas 3.16, lemos: “Eu, na verdade, batizo-vos com água, mas eis que vem aquele que é mais poderoso do que eu, a quem não sou digno de desatar a correia das sandálias; este vos batizará com o Espírito Santo e com fogo”. Essa passagem e também Mateus 3.11 nos apresentam, a rigor, dois tipos de batismo: (a) em águas, para arrependimento, e (b) com o Espírito Santo e com o fogo, um revestimento de poder para os salvos em Cristo (cf. Lc 24.49; At 1.5,8; 2.1-4).

Para interpretar as passagens bíblicas corretamente, além da iluminação do Espírito, precisamos levar em conta os princípios da Hermenêutica Bíblica — a arte e a ciência de interpretar os textos das Escrituras. E a principal função dessa matéria é aclarar passagens de difícil compreensão (cf. 2 Pe 3.16), conquanto seja também muito útil na interpretação geral das Escrituras.

O princípio dos princípios de interpretação (a regra áurea) da Hermenêutica Bíblica é: A Bíblia interpreta a própria Bíblia (cf. 2 Pe 1.20,21). Ou seja, as Escrituras são análogas. E, nesse caso, para interpretar uma passagem bíblica, é preciso considerar todos os tipos de contextos: (a) contexto geral; (b) contexto imediato; (c) contexto remoto: há alusões do Gênesis em Hebreus, por exemplo, que complementam o que está no primeiro livro do Antigo Testamento; (d) contexto referencial: passagens paralelas; (e) contexto histórico: época, cultura, ocasião, propósito original dos textos em estudo, etc.; (f) contexto literário: cada parágrafo é uma unidade de pensamento da revelação da Bíblia; (g) contexto cultural: estudo sobre os povos bíblicos.

No caso de Lucas 3.16 (ou Mateus 3.11), o contexto imediato não é suficiente para uma correta interpretação. Por quê? Porque, por meio dele, o exegeta pode ser induzido a interpretar, apressadamente, que há mesmo uma distinção entre o batismo com o Espírito Santo (uma bênção) e o batismo com fogo (juízo divino). E essa conclusão não é corroborada por todos os contextos mencionados.

Em primeiro lugar, o próprio Senhor Jesus, antes de sua ascensão, fez menção do revestimento de poder aludido por João Batista nos seguintes termos: “Porque, na verdade, João batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias” (At 1.5). Observe que o Senhor não apresenta o “batismo com fogo”, dando a entender que João apenas aludiu ao fogo de maneira simbólica, para, mediante seus efeitos, ilustrar as ministrações do Espírito ao crente: iluminação, fervor, purificação, etc.

É importante considerar que João Batista, a despeito de aparecer no Novo Testamento, exerceu um ministério profético nos moldes do Antigo Testamento (Lc 16.16). E para os profetas veterotestamentários era comum falar de bênçãos e juízos de modo intercalado. Veja o caso de Isaías 61.1-3. O profeta discorre sobre várias bênçãos trazidas pelo Messias e, ao mesmo tempo, menciona “o dia da vingança do nosso Deus” (v.2). Em Zacarias 9 ocorre o mesmo: bênçãos e juízos se intercambiam.

Nesse caso, o fato de João Batista ter mencionado antes e depois da promessa do revestimento de poder o juízo por meio do fogo (Mt 3.10-12) não oferece base suficiente para distinguirmos entre o batismo com o Espírito e o batismo com fogo.

De acordo com a analogia geral, o fogo não significa apenas juízo, mas também denota purificação, iluminação e fervor propiciados pelo Espírito. E, por isso, no dia de Pentecostes, “foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles” (At 2.3).

Finalmente, menciono a opinião do respeitado teólogo pentecostal French L. Arrington: “O batismo com fogo [...] não diz respeito, pelo menos primariamente, ao julgamento final e à destruição por fogo dos ímpios, mas aos acontecimentos momentosos do Livro de Atos. A unção com o Espírito não é identificada explicitamente com o batismo com o Espírito e com fogo, mas Jesus confirma a promessa de João Batista acerca do batismo [...], o qual é cumprido como ‘línguas de fogo’ que pousaram sobre cada um dos discípulos” (Comentário Bíblico Pentecostal, CPAD, p.335).

Em Cristo,

Ciro Sanches Zibordi

Estou preocupado com uma atitude do pastor Renato Vargens


Tenho poucos amigos (amigos, mesmo!). Um deles é o pastor Renato Vargens. Mas estou preocupado com ele...

Nosso relacionamento é ótimo: almoçamos com frequência — haja vista morarmos na mesma cidade —, fazemos negócios juntos na área editorial, já viajei a bordo de avião ao seu lado, dividimos o mesmo quarto, em um hotel, etc. E, a despeito de termos algumas discordâncias, especialmente no âmbito da Soteriologia, nos damos muito bem.

Entretanto, ao entrar no blog do pastor Renato Vargens hoje, fiquei muito preocupado... Jamais pensei que ele seria capaz de fazer o que está fazendo... Sinceramente, não sei o que está havendo... E o que espanta é o fato de ele assumir tudo publicamente!

Peço aos meus estimados leitores que acessem o blog do aludido pastor e constatem por que estou preocupado...

Ciro Sanches Zibordi

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Quer saber quando será o Arrebatamento da Igreja? Eu tenho uma previsão infalível!


Já que muitos estão fazendo previsões sobre a Segunda Vinda, também farei a minha! E eu tenho certeza absoluta de que ela vai se cumprir. Quem não quiser acreditar, que não acredite, mas a minha previsão está baseada inteiramente nas Escrituras!

Bem, antes de revelar quando o Senhor Jesus voltará, gostaria de mencionar algumas previsões que falharam...


Willian Miller
, um homem “especialmente escolhido por Deus para iniciar a proclamação da vinda de Cristo” — segundo Ellen G. White — previu, em 1831, que Jesus voltaria em 10 de dezembro de 1843. Com base em cálculos, Miller estabeleceu, ainda, outras datas: outubro de 1844, 1847, 1850, 1852, 1854, 1855, 1863, 1877... Nenhuma previsão se confirmou.

Charles Russel
afirmou que a volta de Jesus se daria em 1914. Mais tarde, adiou-a para 1918. Depois da sua morte, em 1916, seu sucessor, Joseph Rutherford, começou a proclamar que, segundo novos cálculos, a vinda de Cristo havia sido transferida para 1925... Nenhuma das predições se cumpriu, mas as testemunhas de Jeová, temendo passar por mentirosas, resolveram voltar à primeira predição: Cristo teria voltado “em espírito”, em 1914, como Russel havia predito a princípio... Que confusão!

Willian Branham
, líder do Tabernáculo da Fé — o “Mensageiro do Apocalipse” —, garantiu que a volta do Senhor se daria em 1977. Pregava que seu ministério perduraria até este ano. Mas, para a frustração de seus fiéis seguidores, ele morreu em 1965, doze anos antes de se cumprir a sua predição!

Edgar Whisenant
, em 1988, lançou o livro Tempo Emprestado: 88 Razões Por Que o Arrebatamento se Dará em 1988. Ele se baseou em cálculos matemáticos “precisos”... Várias pessoas creram na sua predição... Mas o óbvio aconteceu... Whisenant sequer pediu desculpas. Simplesmente afirmou que se esquecera de um detalhe: fizera seus cálculos até o ano de 1988, enquanto Roma deixara de lado o ano zero. Houve, portanto, no primeiro século, apenas noventa e nove anos. E Jesus voltaria em 1989!

Bang-Ik Ha
, um jovem profeta da Missão Mundial Taberah, tinha razões “mais convincentes” para afirmar que Jesus viria em outubro de 1992. Não chegara a essa conclusão apenas por meio de cálculos matemáticos. Ele mesmo fora ao céu várias vezes e recebera “diretamente de Deus” mensagens específicas sobre o futuro do planeta Terra! Vários panfletos alusivos ao acontecimento foram distribuídos pela missão, e a notícia espalhou-se pelo mundo. Até um livro, intitulado O Último Plano de Deus, foi publicado, com o intuito de provar “biblicamente” que a vinda de Jesus se daria na data mencionada... Que desperdício!

Recentemente, certa “apóstola” profetizou que Jesus voltaria em um sábado de 2007, possivelmente 7/7/2007. E agora há alguém afirmando que Ele virá em 21 de maio deste ano...


Mas você quer mesmo saber quando se dará o Arrebatamento da Igreja?
 Então, vou lhe revelar isso agora! Abra sua Bíblia em Apocalipse 22.20. Eis a resposta: “Certamente, cedo venho”. Esteja preparado, pois pode ser hoje a volta do Rei!

Na verdade, o próprio Senhor Jesus asseverou que “daquele dia e hora ninguém sabe” (Mt 24.36). E também disse: “Não vos pertence saber os tempos ou as estações que o Pai estabeleceu pelo seu próprio poder” (At 1.7). É evidente que Ele, como Todo-Poderoso (Mt 28.18; Ap 1.8), sabe o dia e a hora de sua volta. Quem não o sabe somos nós. Daí Paulo ter afirmado: “acerca dos tempos e das estações, não necessitais de que se vos escreva” (1 Ts 5.1).

Ciro Sanches Zibordi

Precisamos retornar ao Evangelho da cruz


Assista a uma parte da mensagem Retorno ao Evangelho da cruz, que preguei no XIII Encontro para Consciência Cristã. Esse evento de grande porte, que contou com a presença de preletores de várias igrejas (Assembleia de Deus, Presbiteriana, Batista, etc.), é realizado todos os anos pela VINACC (Visão Nacional para Consciência Cristã) em Campina Grande, Paraíba, no período do carnaval.



Em Cristo,

Ciro Sanches Zibordi

domingo, 10 de abril de 2011

Pastores brasileiros falam ao The Christian Post sobre a tragédia em Realengo


O jornal online The Christian Post, sediado em Washington (Estados Unidos), publicou uma matéria a respeito da tragédia de Realengo, no Rio de Janeiro, depois de entrevistar alguns teólogos brasileiros. Tive a honra de participar.
LEIA A MATÉRIA EM INGLÊS >>

Ciro Sanches Zibordi

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Psicose + fanatismo religioso + possessão demoníaca + etc. = monstro de Realengo


Não consegui dormir direito na última noite... É muito triste o que aconteceu ontem em Realengo, na cidade do Rio de Janeiro. Por mais que eu tentasse parar de pensar no ocorrido, foi muito difícil, pois também sou pai... Meninas, em sua maioria, com idades entre 13 e 14 anos, foram mortas por Wellington Menezes de Oliveira, um assassino antissocial e possuído por demônios — não tenho dúvidas disso —, o qual as selecionou cuidadosamente. Por que ele fez isso? Não se sabe ao certo, mas a carta místico-religiosa que ele deixou revela traços de sua doença mental psicótica.

Como o assassino fez alusões a Deus, a Jesus, à luta entre o bem e o mal e à ressurreição, há web-analistas, apressados, sugerindo que o jovem era um evangélico desviado. O que se sabe é que ele conhecia um pouco da doutrina pseudocristã das Testemunhas de Jeová e, por isso, fez menção do falacioso sono da alma e demonstrou preocupação com o seu sangue. Esse contato do jovem com o russelismo (ou jeovismo) foi noticiado pela Veja online.

Por outro lado, um parente afirmou que o rapaz pesquisava sobre armas e que queria derrubar um avião, assim como os terroristas fizeram em 11 de setembro de 2001. E, por isso, outros analistas concluem que ele estava ligado a alguma seita radical islâmica.

Se o monstro, de 23 anos, era muçulmano ou tinha simpatia pelo terrorismo, ninguém pode afirmar, haja vista ter ele destruído o seu computador antes de cometer os crimes. Mas tenho certeza de que não era evangélico nem agiu motivado pela mensagem do Evangelho. Isso porque ele torceu o que Jesus Cristo ensinou.

Segundo a Bíblia, a luta entre o bem e o mal se dá no campo espiritual (Ef 6.10-18; Tg 1.13,14). Por que eu sou tão ácido ao criticar composições como “Sabor de mel”? É porque esse tipo de canção torce o que o Novo Testamento ensina. Em nenhum momento há incentivo, nas páginas sagradas, à vingança, ao revide, à retaliação por parte do cristão para com as pessoas que se lhe opõem (Rm 12.17-21). Pelo contrário, o Senhor Jesus nos manda amar os nossos inimigos (Mt 5.43-48).



Violência, ódio, sentimento de vingança, retaliação, guerra, etc. são produtos da falta de observância à mensagem do cristianismo. Jesus, ao ser injuriado, não injuriou; ao ser crucificado, pediu ao Pai que perdoasse seus algozes. O mesmo aconteceu no apedrejamento de Estêvão. O verdadeiro Evangelho não é aquele que diz: “Os seus inimigos verão a sua vitória”, “Eles vão estar na plateia, e você no palco”. A disputa entre o bem e o mal deve ocorrer no âmbito espiritual.

Segue-se que o pensamento do assassino de Realengo era totalmente anticristão, visto que considerava seres humanos inimigos, os quais ele chamava de “impuros”. No cristianismo, repito, os inimigos do cristão não são pessoas humanas, por mais pecadoras e ímpias que sejam, e sim a carne, o mundo e o Diabo.

Cristo Jesus, o nosso Senhor, jamais pregou a disputa entre pessoas. Ele nunca disse que os puros deveriam odiar ou matar os impuros. Ódio entre pessoas é obra diabólica ou produto da natureza humana decaída. O Evangelho muda o coração do pecador e o faz amar as pessoas que se lhe opõem.

Ainda de luto pelo massacre de 7 de abril de 2011,

Ciro Sanches Zibordi