domingo, 9 de outubro de 2011

Quais são os sinais que seguem os que creem em Jesus Cristo?


O Senhor Jesus prometeu que sinais aconteceriam como consequência da pregação do Evangelho (Mc 16.15-17). E também afirmou, em João 14.12: “aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço e as fará maiores do que estas, porque eu vou para meu Pai”. Essas palavras do Mestre avalizam tudo o que tem acontecido nas igrejas?

Em primeiro lugar, o termo grego meizõn, traduzido por “maiores”, em João 14.12, literalmente denota “coisas maiores”. Já o vocábulo “obras” (gr. ergon) significa: “trabalho”, “ação”, “ato” (VINE. W.E., Dicionário Vine, CPAD, pp.764,827), e não 
“curas” e “milagres”, estritamente. É claro que a obra da Igreja de Cristo envolve curas e milagres, como consequência da pregação do Evangelho (Mc 16.18-20), mas o aludido termo alude a trabalho ou empreendimento, em sentido amplo (Jo 5.21; Rm 15.18; At 5.38).

Na versão bíblica inglesa King James (KJV), o vocábulo ergon foi traduzido para works, denotando que o termo original diz respeito a trabalho, obras, empreendimento, e não a milagres, estritamente. 
Qual foi a obra, o trabalho, de Jesus, ao andar na terra? O texto de Mateus 4.23 responde a essa pergunta: “E percorria Jesus toda a Galiléia, ensinando nas suas sinagogas, e pregando o evangelho do Reino, e curando todas as enfermidades e moléstias entre o povo”.

Outra passagem que enfatiza a obra do Senhor é Atos 10.38:
“como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com virtude; o qual andou fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com ele”. Nesse caso, em que sentido Ele asseverou que o trabalho ou o empreendimento da sua Igreja, representada em João 14 por seus primeiros discípulos, seria maior do que o seu?

“As obras que os discípulos farão depois da partida de Jesus serão maiores do que as de Jesus, não em seu valor intrínseco, ou em sua glória, mas no objetivo. Os discípulos farão obras de Deus numa escala mais ampla, enquanto levam a mensagem da vida eterna ao mundo todo, tanto a gentios como a judeus” (MICHAELS, J. Ramsey, Novo Comentário Bíblico Contemporâneo de João, Editora Vida, p.277).


Segue-se que as “obras ‘maiores’ incluem tanto a conversão de pessoas a Cristo, como a operação de milagres. Este fato é demonstrado nas narrativas de Atos (At 2.41,43; 4.33; 5.12), e na declaração de Jesus em Mc 16.17,18... As obras dos discípulos serão ‘maiores’ em número e em alcance” (Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD, p.1601).


Benny C. Aker — professor do Assemblie of God Theological Seminary, em Springfield, Missouri, Estados Unidos —, referindo-se às tais “obras maiores”, afirmou que elas: “Dizem respeito à quantidade em lugar de qualidade. Jesus fez estas ‘obras’, mas seus seguidores ao longo dos séculos trarão milhões de mais obras para o Pai. É o que eles fazem enquanto aguardam a vinda de Jesus” (Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento, CPAD, p.581).


Portanto,
a passagem em análise não abona fenômenos estranhos ou experiências exóticas, além de invencionices, modismos, sandices, truques, práticas hipnóticas e recursos outros empregados por super-pregadores milagreiros e ilusionistas do nosso tempo. Fiquemos com a Palavra de Deus, haja o que houver (1 Co 4.6; Gl 1.8; 2 Co 11.3,4; Dt 13.1-4).

Ciro Sanches Zibordi

3 comentários:

Izaldil Tavares de Castro disse...

Ei, amado irmão, Pr. Ciro, que a Paz do Senhor esteja conosco!
A interjeição foi usada para expressar a minha imensurável alegria gerada pelo ensino profundo que o irmão traz nesse texto! Glória a Deus! Ensino indispensável a quantos queiram, de fato, ver a verdade das Escrituras como, aliás, acontece em seus escritos. Há carência da difusão dessas aulas magníficas de Bíblia. O apoio que o irmão trouxe, buscando os termos relevantes no original grego, é valiosíssimo. Estou encantado com a lição da qual me faço seu aluno mais entusiasmado! Escreva mais, ensine mais, divulgue mais a instrução bíblica de que tantos carecem em nossos dias. Deus lhe proporcione multiplicado saber, mestre, para edificação da Igreja de Cristo.
Aceite o meu sincero abraço fraterno.

André Gonçalves disse...

Graça e paz!

AMÉMMMMM Pr. Ciro!!

Bela explanação! Uma excelente resposta bíblica aos que nos criticam por preservarmos a veracidade das Escrituras diante dos modismos.

Pena que os adeptos do evangelho das experiencias sobrenaturais não passam por este espaço para ler textos instrutivos como este.

Na paz de Cristo,

André Gonçalves.

Emmanuel Martins disse...

Pastor Ciro Paz do Senhor.
Sou leitor constante do seu blog.
E faz tempo que eu tenho uma duvida e quero uma resposta sua.
Em 2006 eu migrei de uma igreja tradicional, de ensino cessacionista, para a Assembleia de Deus. Estou lá prosperando na obra do Senhor sem choques doutrinarios pois eu avaliei o credo Assembleiano e o ví como bibliocentrico e coerente dentro da ortodoxia. Porém sempre que eu me deparo com Marcos 16. 16-18 uma duvida me corroe, não pelo fato desse texto não está presente nos manuscritos mais antigos (como aprendí) e sim por outra coisa que que aprendi aos pés dos cessacionistas. Eu aprendi que o texto aludido não é normativo para a igreja hoje, pois o contexto diz que Jesus censurou a incredulidade dos discipulos (ver. 14) e que a fé aí exigida para a ocorrencia dos sinais apontava para os 12, a interpretação é que Jesus estava dizendo assim "E estes sinais seguirãos aos [discipulos] que crêem...". E eu ví que a palavra crêem usada nesse versiculo não tem o significado de "aqueles que veierem crendo" e sim que aponta apenas para os discipulos.
Me esclareça melhor esse texto!
Obg e fique na Paz!