domingo, 31 de outubro de 2010

Qual é a relação entre o Dia da Reforma, o Dia das Bruxas e o Dia das Eleições?


Na manhã de 31 de outubro de 1517, véspera do Dia de Todos os Santos, Martinho Lutero — sacerdote romanista, professor de teologia e filho de um minerador bem-sucedido — começou a questionar de modo mais contundente a Igreja Católica e a atacar a autoridade do papa, ao afixar na porta da Catedral de Wittenberg (pronuncia-se vitemberk) um pergaminho que continha 95 declarações. Estas, conhecidas como teses, eram quase todas relacionadas com a venda de indulgências (pacotes caros pagos pelo perdão, inclusive das pessoas que já haviam partido para a eternidade).

Lutero foi excomungado por uma bula — decreto do papa que continha o seu selo oficial — no mês de junho de 1520. Mas, no dia 10 de dezembro daquele ano, com ousadia, ele queimou esse documento em reunião pública, à porta de Wittenberg, diante de uma assembleia de professores, estudantes e o povo. No ano seguinte, foi intimado a comparecer ante as autoridades romanistas, em Worms. E declarou: “Irei, ainda que me cerquem tantos demônios quantas são as telhas dos telhados”.

Em 17 de abril de 1521, Lutero apresentou-se à Dieta do Concílio Supremo, presidida pelo imperador Carlos V. Para escapar da morte, teria de se retratar. Mas ele não faria isso, a menos que fosse desaprovado pelas próprias Escrituras. E asseverou perante todos: “Aqui estou. Não posso fazer outra coisa. Que Deus me ajude. Amém”.

Considerado herege, ao regressar à sua cidade Lutero foi cercado e levado por soldados ao castelo de Wartzburg, na Turíngia, onde ficaria “guardado”. Ali, ele traduziu o Novo Testamento para o alemão, obra que, por si só, o teria imortalizado. Ao regressar a Wittenberg, reassumiu a direção do movimento a favor da Igreja Reformada, e a partir daí os princípios da Reforma Protestante se espalharam por toda a Europa, com ajuda de homens de valor, como Ulrico Zuínglio, João Calvino, Jacques Lefevre, João Tyndale, Tomás Cranmer, João Knox, etc.


Assim como muitos teólogos estão fazendo hoje, os católicos romanos haviam substituído a autoridade da Bíblia pela autoridade da igreja. Eles ensinavam que a igreja era infalível e que a autoridade da Bíblia procedia da tradição. Os reformadores afirmavam que as Escrituras eram a sua regra de fé, de prática e de viver, e que não se devia aceitar nenhuma doutrina que não fosse ensinada por elas. A Reforma devolveu ao povo a Bíblia que se havia perdido, passando a considerá-la a fonte primária de autoridade.

31 de outubro também é o Dia das Bruxas, o Samhain ou Halloween (Ano Novo céltico). Isso tem alguma conexão com a Reforma? Não. Mas tem com o Dia de Todos os Santos da Igreja Católica Romana, o qual era originalmente celebrado em maio, e não no primeiro dia de novembro. No ano 608, o imperador romano Focas apaziguou o populacho dos territórios pagãos recentemente conquistados, permitindo-lhe combinar o antigo ritual de Samhain com o Dia de Todos os Santos. E, assim, o panteão de Roma, templo edificado para a adoração de uma multiplicidade de deuses, foi transformado em igreja.

Foram os imigrantes europeus, especialmente os irlandeses, que introduziram o Halloween nos Estados Unidos. Hoje, o Dia das Bruxas é muito importante para os lojistas, inclusive no Brasil. Salém, em Massachusetts (Estados Unidos), é a sede da bruxaria norte-americana. Ali celebra-se, na época do Halloween, o Festival da Assombração, para expandir a temporada turística de verão. Tudo parece uma grande brincadeira, mas — conscientemente ou não — os participantes dessa festa estão se envolvendo com o ocultismo e o satanismo.

Mas, que conexão existe entre o Dia da Reforma, o Dia das Bruxas e o Dia das Eleições? De que modo eles se relacionam? Neste dia, existe um grande risco de os bruxos vencerem as eleições. Quem lê entenda. E, por isso, a oração de todos os santos que prezam a Reforma Prostestante é: “Senhor, não permita que os bruxos sejam eleitos”.

Ciro Sanches Zibordi

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Quando a vitória com sabor de mel se transforma em derrota com sabor de fel


Mas tu não devias olhar para o dia de teu irmão, no dia do seu desterro; nem alegrar-te sobre os filhos de Judá, no dia da sua ruína; nem alargar a tua boca, no dia da angústia.
Obadias v.12

No menor livro do Antigo Testamento (Obadias) há grandes lições. Uma das perguntas que ele responde é a seguinte: Qual deve ser a nossa reação quando vemos um inimigo enfrentando um infortúnio?

Segundo a Bíblia, os nossos reais inimigos são os principados, as potestades, as hostes espirituais da maldade, os príncipes das trevas deste século, e não as pessoas (Ef 6.10-12). Mas há cristãos (cristãos?) que elegem até irmãos como inimigos e alegam ter motivos “nobres” para se regozijarem com o aparente fracasso deles. Que tipo de vida cristã é essa?

Eu reconheço que tenho inimigos, e muitos deles vão à forra quando ficam sabendo de algum suposto mal que me sucedeu. Sinceramente, digo isso diante de Deus: não sou perfeito, mas não sou inimigo de ninguém; e não desejo o mal dos que se me opõem e desejam me ver destruído.

Por isso, resolvi compartilhar esta mensagem contrária à postura reprovável de se alegrar com o suposto fracasso de alguém. Eu digo “suposto” porque, sinceramente, tenho convicção de que o Senhor é o nosso Ajudador (Hb 13.5,6) e está no controle da nossa vida. E nada ocorre por acaso. Para os irmãos de José a sua venda para o Egito representou o seu fracasso, porém Deus estava no comando de tudo e abençoou grandemente o seu servo.

Voltando ao livro de Obadias, este profeta pregou numa época em que a cidade de Jerusalém estava sob o ataque violento da Babilônia. E os vizinhos de Jerusalém, os edomitas, estavam torcendo para que os exércitos inimigos os matassem e os destruíssem, como lemos em Salmos 137.7: “Lembra-te, SENHOR, dos filhos de Edom no dia de Jerusalém, porque diziam: Arrasai-a, arrasai-a, até aos seus alicerces”.

Observe que as aludidas palavras de escárnio e desprezo, mencionadas em Obadias v.12, foram pronunciadas por parentes consanguíneos dos judeus! Afinal, os edomitas eram descendentes de Esaú, irmão de Jacó. E, por isso, Obadias condenou os edomitas por se regozijarem com o sofrimento dos judeus.

Ao final, os filhos de Edom, que pensavam estar comemorando uma vitória com sabor de mel, experimentaram, na verdade, uma derrota com sabor de fel: “Ah! Filha de Babilônia, que vais ser assolada! Feliz aquele que te retribuir consoante nos fizeste a nós! Feliz aquele que pegar em teus filhos e der com eles nas pedras!” (Sl 137.8,9).

Portanto, se alguém que nos tem prejudicado, de alguma maneira, está sofrendo, não devemos, como servos do Senhor, ter o prazer da vingança. As Escrituras nos ensinam: “Quando cair o teu inimigo, não te alegres, e não se regozije o teu coração quando ele tropeçar” (Pv 24.17).

Em vez de zombarmos do suposto fracasso de alguém, devemos manter uma atitude de compaixão e perdão, pois “Horrenda coisa é cair na mão do Deus vivo” (Hb 10.31). E é isso que estão buscando os crentes que cantam “Tem sabor de mel, tem sabor de mel” ao verem sofrendo o seu irmão (que eles consideram inimigo).

Com temor e tremor,

Ciro Sanches Zibordi

Você é um cristão deformado, reformado, conformado ou transformado?


É o Espírito Santo, a Terceira Pessoa da Trindade (teologicamente falando), quem gera em nós o seu multíplice fruto: amor, gozo, paz, longanimidade, humildade, mansidão, paciência, justiça, verdade, benignidade, temperança, misericórdia, perdão, etc. (Gl 5.22; Ef 5.9; 2 Pe 1.5-9; Cl 3.12,13). Temos sido formados verdadeiramente por Ele?

Assista, no vídeo abaixo, a um trecho de uma mensagem baseada em Romanos 12.1,2 — a qual eu preguei, por graça do Senhor, em Lisboa, Portugal, na Assembleia de Deus Ministério Rocha Eterna, liderada pelo amigo e pastor Eli Felete Domingos
— e reflita sobre o tipo de cristão que você é: deformado, reformado, conformado ou transformado...


Grande encontro apologético em São Paulo-SP

A Igreja Cristã da Trindade, liderada pelo pastor e amigo Paulo Romeiro, realizou no dia 15 de outubro, sexta-feira, um grande encontro apologético. Tive o privilégio de ministrar a Palavra de Deus e também autografar vários exemplares (estou até com dor no braço!) de meu livro mais recente: Autoajuda ou Ajuda do Alto, editora Candeia.

Prestigiaram o evento vários amigos deste escritor, a diretora-presidente da Candeia, irmã Cláudia Vaz, pastores, seguidores deste blog, muitos internautas (para a minha surpresa!) e editores de blog, como Gutierres Siqueira, Marcos Lopes, Artur Ribeiro, Vanessa Dutra, etc. Em breve, divulgarei algumas fotos.

Em Cristo,

Ciro Sanches Zibordi

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Erros etimológicos que os pregadores devem evitar (3)


Um grande erro etimológico que pregadores, ensinadores e teólogos cometem é o de confundir semelhança com igualdade. Nos textos de Romanos 8.3, Filipenses 2.7 e Hebreus 2.17, por exemplo, empregam-se termos gregos que estão corretamente traduzidos para “semelhança” e “semelhante”. Entretanto, alguns teólogos, ignorando o étimo desses termos — talvez para amoldar o texto bíblico à sua eisegese —, insistem em afirmar que os tais podem ser traduzidos, sem prejuízo às ideias originais dos autores sagrados, para “igualdade” ou “igual”.

Na língua portuguesa, embora seja usual e comum, em alguns textos, considerarmos as mencionadas palavras sinônimas, o étimo delas é bem diferente. Houaiss mostra que o termo “igualdade” (lat. aequálìtás,átis) tem como característica original não apresentar diferença de qualidade ou valor; ou “de, numa comparação, mostrar-se as mesmas proporções, dimensões, naturezas, aparências, intensidades”. Já a palavra “semelhança”, segundo o seu étimo (lat. similiáre por simìlo,ás,ávi,átum,áre), denota “parecença entre seres, coisas ou ideias que têm elementos conformes, independentemente daqueles que são comuns à espécie”.


Filipenses 2.6,7 é uma passagem muito útil para exemplificar como os termos “igualdade” e “semelhança” são etimologicamente diferentes também no grego do Novo Testamento. Na frase “não teve por usurpação ser igual a Deus”, o vocábulo grego é isa. Este, segundo W.E. Vine, denota “o mesmo em tamanho, número e qualidade” (VINE, W. E., Dicionário Vine, CPAD, p.699-700) e aparece também em João 5.18: “Por isso, pois, os judeus ainda mais procuravam matá-lo, porque não só quebrantava o sábado, mas também dizia que Deus era seu próprio Pai, fazendo-se igual [ison] a Deus”.

Já na frase “fazendo-se semelhante aos homens”, o termo grego empregado é homoiõmati. Este, de acordo com Vine, denota: “aquilo que é feito como algo, semelhança”. Sobre a aludida frase, especificamente, ele afirma: “A expressão ‘semelhança de homens’ (ARA) por si só não implica, muito menos exclui ou diminui, a realidade da natureza que Cristo assumiu [...] Cristo, embora sem dúvida Homem perfeito (Rm 5.15; 1 Co 15.21; 1 Tm 2.5), foi, por causa da natureza divina presente nEle, não apenas e meramente homem, [...] mas o Filho encarnado de Deus” (idem, p.982).

É, portanto, um erro etimológico grosseiro afirmar que, em Romanos 8.3, e/ou em Filipenses 2.7, e/ou em Hebreus 2.17, os termos “semelhança” ou “semelhante” podem ser traduzidos, sem prejuízo à ideia original dos autores sagrados, por
igualdade” ou “igual”. Na primeira e na segunda passagens, o termo empregado foi homoiõmati (“semelhança); e, na terceira, homoiothenai (ser feito semelhante).

O curioso é que boa parte dos teólogos que não reconhece as claras diferenças entre isos (“igualdade”) e homoiõma (“semelhança”) faz questão de afirmar que existe diferença entre allos e heteros. Segundo Vine, o termo allos “expressa uma diferença numérica e denota ‘outro do mesmo tipo’; o termo heteros expressa uma diferença qualitativa e denota ‘outro de tipo diferente’. Cristo prometeu enviar ‘outro Consolador’ — allos, ‘outro como Ele’, não heteros (Jo 14.16) [...] Paulo fala de ‘outro [heteros] evangelho, o qual não é outro’ — allos, outro como ele pregava (Gl 1.6,7)” (idem, p.839).

Concluo, pois, com algumas perguntas a todos os que prezam a teologia exegética:

Por que os mesmos pregadores, ensinadores e teólogos, que conseguem ver a evidente diferença entre allos e heteros, equiparam — por sua conta e risco — os termos isos e homoiõma?

Se a diferença entre os aludidos termos é tão insignificante e desprezível, a ponto de um poder ser tomado pelo outro, como se fossem sinônimos, por que a maioria dos eruditos que trabalhou nas traduções bíblicas para os idiomas inglês, espanhol e português fez questão de empregar o mesmo termo? (Na maioria das traduções, emprega-se sempre “semelhança” em Romanos 8.3, Filipenses 2.7 e Hebreus 2.17.)

É aceitável que a opinião de homens falíveis esteja acima das Escrituras?

Em Cristo,


Ciro Sanches Zibordi

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Carta aberta aos eruditos que escrevem para girafas


Nunca me considerei um escritor acima da média, graças a Deus. Se hoje tenho alguns livros, vários artigos — o primeiro foi escrito em 1993! —, blogs, colunas em portais, etc., tudo isso é um verdadeiro milagre. Eu sei de onde vim. Mas, na democrática blogosfera, há espaço para todos os tipos de escritor, desde os “medíocres” até os que escrevem para girafas! Quem são estes? São os discípulos do professor Girafales, que se consideram eruditos e escrevem tão bem, mas tão bem, mas tão bem, mas tão bem... que o texto deles é quase incompreensível.

Tais eruditos (eruditos?) adotam uma linguagem tão refinada, tão rebuscada, tão elevada, tão escorreita, tão... Faltam-me até palavras para descrevê-la. Eles possuem um estilo sui generis, um linguajar elevadíssimo, polido, tão alto, que acabam tendo como público principal as girafas. É claro que, além destas — justiça seja feita —, eles têm um grupo seleto de admiradores e seguidores, formado por alguns ingênuos (que os elogiam sem conhecer a sua latente soberba) e outros coniventes, cuja especialidade é dúplice: massagear egos e fazer o que o Senhor condenou em Mateus 7.1,2 (caluniar).

Os discípulos do professor Girafales, como já disse, possuem uma sapiência incomum e uma formação tão rara, que se torna impossível para eles escrever de modo sucinto e objetivo. Eles se dão ao luxo de utilizar vários parágrafos para dizer o que podia ser dito em uma única frase (sem contar as notas de rodapé). Afinal, o que vale para eles não é apenas comunicar um pensamento; é preciso destilar erudição e sapiência. Eu, particularmente, acho uma maldade chamá-los de exibicionistas, pois alguém precisa falar às girafas, não é mesmo?

Mas uma coisa me intriga: Por que os tais eruditos, discípulos de Girafales, ficam incomodados com os pobres escritores, que não possuem sequer um décimo do cabedal ostentado por eles? E, ao que me parece (posso estar enganado), o menoscabo deles torna-se maior ainda para com os editores de blog “medíocres” que possuem muitos seguidores e agenda cheia...

“Como esse escritorzinho polêmico, que sequer possui as ferramentas epistemológicas, consegue atrair a atenção de tanta gente?”, resmungam. E muitos, insatisfeitos, acabam por exteriorizar o mau sentimento de seus corações ridicularizando os pobres escritores e expoentes que não fazem parte do seu seleto grupo. Quanta humildade!

Num dia desses, um sapientíssimo teólogo, filólogo, pedagogo e outros “ogos” (não me pergunte quais mais) pediu-me — polida e gentilmente — que eu retirasse o seu blog da minha lista de indicações. E olha que eu, na melhor das intenções, indicava o blog do tal paladino da Hermenêutica (sem nenhuma ironia) para atender aos eruditos que visitam o meu espaço... Bem, isso é um direito que lhe assiste.

Mas vejam que curioso: o mesmo exegeta, tempos depois, me mandou um “elegante” e-mail para me alertar de que eu havia cometido uma heresia, ou melhor, um deslize, ao abordar certa doutrina... Francamente, por que um hermeneuta de tamanha nobreza (sem ironia), o qual outrora me pedira que retirasse o seu blog da minha lista de indicações, estaria preocupado com as minhas “medíocres” divagações?

Há alguns dias, três ou quatro discípulos de Girafales, cheios de títulos, resolveram se reunir para atacar este pobre escritor de modo “indireto” (risos). Falaram de um editor de blog que leva a vida “vagabundamente às custas do dinheiro dos outros”. Interessante... Por que tal escritor os incomoda tanto? Seria por causa das grandes portas que Deus lhe tem aberto? Seria porque o tal possui vários seguidores em seu polêmico blog? Seria porque os seus livros têm uma boa vendagem, por graça do Senhor? Ou seria porque o pobre escritor em apreço, mesmo escrevendo textos abaixo da linha da mediocridade, foi convidado (e não apadrinhado) para ser membro da Academia Evangélica de Letras do Brasil?!

Caros “eruditos”, que fazem questão de exibir títulos pomposos e zombar dos que não os possuem (ou talvez não tenham a mesma necessidade egolátrica de exibi-los); que julgam ser os únicos que detêm as “ferramentas epistemológicas” para “fazer teologia”; que desdenham deste pobre escritor; e que desprezam, zombeteiramente, o chamado itinerante que ele recebeu do Senhor: tenho uma palavra a lhes dizer, diante daquEle que me chamou: “Eu sei em quem tenho crido”.

Gostaria de lhes dizer, também, que este pobre escritor já esgotou todas as tentativas de viver em paz com certos pedagogos — e também demagogos. (Ih, acabei revelando um dos “ogos” que me veio à mente no início desta carta...) Não tenho, portanto, nenhum interesse que me procurem, ou me telefonem, ou me enviem e-mails, ou comentários, ou recados, etc. Afinal, a Bíblia diz: “Se for possível... tende paz com todos os homens” (Rm 12.18). E eu confesso, diante de Deus, que tentei ser amigo ou pelo menos irmão dos senhores. É claro que, havendo necessidade de conversarmos profissionalmente (e isso ocorrerá), valorizarei a máxima: “Amigos, amigos, negócios à parte” (às avessas, é claro). E também não deixarei de perdoá-los, futuramente, caso Deus abra uma porta para isso.

Diante do exposto, valorizem-se, senhores! Aproveitem melhor o tempo! Por que se preocupam tanto com este escritor “medíocre”, que não possui “ferramentas epistemológicas” e “vive vagabundamente” através deste blog polêmico? Por outro lado, se desejarem, há material de sobra nesta postagem para que, em um momento de elucubração, possam verberar à vontade contra este pobre escritor... Parafraseando Paulo, o que os senhores elucubram a meu respeito em oculto até dizê-lo é torpe, não é mesmo?

Ah, sim, mais um detalhe de que não posso me olvidar: como este artigo se dirige exclusivamente aos senhores, e não a meu estimadíssimo público ledor — e considerando que não desejo receber nenhuma mensagem assinada ou sob anonimato da parte dos senhores —, informo-lhes que os comentários para esta postagem estão desabilitados. Essa medida visa também a impedir que os simpatizantes deste pobre escritor resolvam defendê-lo e verberar contra os senhores. Isso é muito feio, e o que não desejo para mim também não desejo para o meu inimigo. Digo “inimigo”, não porque eu o seja, mas sim porque tenho sido tratado como tal pelos senhores. E não é de hoje...

Digo-lhes todas essas palavras diante do Senhor, sabendo que “toda palavra ociosa que os homens disserem hão de dar conta no Dia do Juízo. Porque por tuas palavras serás justificado e por tuas palavras serás condenado” (Mt 12.36,37).

Em Cristo,

Ciro Sanches Zibordi

Erros etimológicos que os pregadores devem evitar (2)


Todo pregador deveria se interessar por etimologia — parte da arte-ciência da Lexicografia que se ocupa do estudo da origem e da formação das palavras. Conhecer o étimo dos termos que empregamos é fundamental para os aplicarmos de maneira correta em uma exposição da Palavra de Deus.

MAIS SOBRE O TERMO “RELIGIÃO”

No primeiro artigo desta série, discorri sobre os termos “sincero” e “religião”, e alguns internautas estranharam o fato de eu apresentar para o último vocábulo um étimo diferente do propagado pela maioria dos pregadores. Inclusive eu mesmo já preguei várias vezes que “religião” vem de religare (lat.).

Entretanto, como vimos, segundo o Dictionnaire Étymologique de la Langue Latine, de Ernout e Meillet — disponível em http://www.lexilogos.com —, a raiz dessa palavra seria religìo,ónis, a qual se relaciona com lig, de “diligente” ou “inteligente” ou com leg, lec, lei, le, de “eleger”, “lecionar”, “eleitor” e “ler”, respectivamente. Já o prefixo re seria oriundo de red(i), “vir”, “voltar”, que aparece em “relíquia”, “redivivo”.


Nessa semana resolvi pesquisar mais um pouco
a respeito da palavra “religião” não no Google, mas em obras de pessoas versadas em filologia e encontrei um excelente livro do respeitado professor Francisco Balthar Peixoto, da Universidade Federal de Pernambuco, o qual atrela a palavra “religião” a religare!

Peixoto afirma que a “palavra vem de religio, religionis, derivada de religare (religo, religas, religavi, religatum), ligar fortemente; amarrar; apertar; atar; prender”. E conclui: “Parece válido, também, atribuir-se a origem da palavra ‘religião’ a relegere (relego, relegis, relexi, relectum), tornar a revisitar; percorrer de novo [...] Ambas as explicações levam a entender a etimologia do termo ‘religião’ como a ligação que o ser humano estabelece com o ser ou os seres superiores, objeto de sua crença” (Glossário de Etimologia, Editora Universitária UFPE, p.137).


Depois dessa ótima explicação do etimólogo Francisco Balthar Peixoto, podemos afirmar que o uso do termo “religião” com o sentido de “religar” é admissível, a despeito de não ser essa a acepção da palavra grega threskeia, traduzida por “religião” no Novo Testamento (At 26.5; Cl 2.18; Ap 22.8,9; Tg 1.26,27). Como se vê, não é por acaso que, para muitos, religião não se discute (risos).

COITADO É VÍTIMA DE COITO?


Já ouvi ensinadores dizendo: “Nunca diga ‘coitado’, pois essa palavra é feia, negativa e maliciosa; significa ‘vítima de coito’”. Mas essa definição pertence à etimologia popular; ela não está de acordo com o étimo do termo. O substantivo masculino “coito” — cópula, acasalamento, união, junção, relação sexual entre homem e mulher — provém de coitus (lat.).

Quanto ao adjetivo “coitado”, provém da forma do latim vulgar coctus ou coctatus, particípio passado de coctare (cocto, coctas, coctavi, coctatum), e que teria substituído coactus, coacta, coactum,
“coagido”; “forçado”, particípio passado de ogere (cogo, cogis, coegi, coactum), “impedir”; “obrigar”; “coagir”; “violentar”; “contranger”.

Etimologicamente, “coitado” não significa “vítima de coito”; o termo denota
“ser infeliz”; “miserável”; “digno de dó” (como o gatinho da ilustração acima); “desgraçado”.

Portanto, preguemos o Evangelho aos pobres e coitados pecadores, a fim de que eles conheçam a verdadeira religião, pura e imaculada para com Deus, a qual consiste em “visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e guardar-se da corrupção do mundo” (Tg 1.27).

Ciro Sanches Zibordi

O que Spurgeon pregaria hoje? E como reagiríamos à suas contundentes pregações?


O pregador inglês Charles Haddon Spurgeon nasceu em 19 de junho de 1834 e começou a pregar em 1850. Ele, que tem sido considerado o príncipe dos pregadores e um apologista exemplar, pregou o Evangelho e combateu heresias e modismos de seu tempo até 1892, quando partiu para a eternidade. As citações abaixo deixam-nos com a impressão de que ele se referia aos trabalhosos dias em que vivemos...

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Ciro Sanches Zibordi

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Convite especial da AD Porto Velho-RO, Ministério de Madureira

Erros etimológicos que os pregadores devem evitar (1)


A etimologia é um estudo fascinante que se ocupa da origem e da evolução das palavras. É uma disciplina que trata da descrição de uma palavra em diferentes estados de língua anteriores por que passou, até remontar o étimo. Étimo? O que é isso?

Segundo Houaiss, étimo é o “termo determinado e abonado (com exceção das formas hipotéticas), que serve de base para a formação de uma palavra; pode ser uma forma antiga (do mesmo idioma ou de outro) de que se origina a forma recente; pode ser o radical com um afixo, pode ser uma palavra moderna a partir da qual se formam outras, pode ser uma forma hipotética (da mesma língua ou de outra) estabelecida para explicar formas recentes” (Dicionário Houaiss, disponível em http://www.uol.com.br).

Não é tarefa fácil chegar ao étimo de uma palavra, isto é, ao termo original no qual a palavra está baseada. Não basta acessar a Internet, abrir o Google, digitar a palavra que desejamos pesquisar, copiar e colar... Isso pode ser perigoso! Eu mesmo já me equivoquei quanto ao étimo de algumas palavras, não porque fiz a pesquisa no Google, mas porque acreditei em alguns autores e ensinadores que eu considerava grandes filólogos — não me pergunte o nome deles!

RELIGIÃO DENOTA RELIGAR O HOMEM A DEUS?

Um termo que os pregadores citam muito (e eu também o menciono em minhas explanações) é “religião”. Lembro-me de que eu pregava o seguinte: “Fala-se muito de religião no mundo, mas as pessoas não sabem o verdadeiro sentido desse termo. Religião vem do latim e significa religar o homem a Deus”. Pois é... resolvi fazer uma pesquisa mais detida, certa vez, e descobri que este escritor e aqueles com quem ele aprendeu estavam redondamente equivocados!

Se consultarmos dicionários de etimologia latina, como o Dictionnaire Étymologique de la Langue Latine, de Ernout e Meillet (disponível em http://www.lexilogos.com), descobriremos que “religião” nada tem que ver com “religar”, por incrível que pareça. A raiz da palavra latina religìo,ónis (e não religare, como muitos pensam) relaciona-se com lig, de “diligente” ou “inteligente” ou com leg, lec, lei, le, de “eleger”, “lecionar”, “eleitor” e “ler”, respectivamente. Já o prefixo re é oriundo de red(i), “vir”, “voltar”, que aparece em “relíquia”, “redivivo”.

A ideia de que “religião” significa “religar o homem a Deus” é popular, mas não está de acordo com o étimo do termo. No Novo Testamento, inclusive, o termo grego traduzido para “religião” nunca significa “religar o homem a Deus”. De acordo com Vine, o vocábulo threskeia diz respeito a adorar, a cultuar (At 26.5; Cl 2.18), bem como a ajudar os pobres e a dar o exemplo de uma vida santa como demonstração de autêntica comunhão com Deus (Tg 1.26,27) — cf. Dicionário Vine, CPAD, p.939.

Finalmente, para simplificar, a melhor definição para o termo em análise está na própria Bíblia, no Novo Testamento. O que é religião? “Se alguém cuida ser religioso e não refreia a sua língua, antes, engana o seu coração, a religião desse é vã. A religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e guardar-se da corrupção do mundo” (Tg 1.26,27).

SINCERO SIGNIFICA SEM CERA?

Eu também já preguei, no passado, que o termo “sincero” significa “sem cera”. Aliás, existe até uma historinha convincente ligada a essa versão, pela qual se afirma que, antigamente, em Roma, os vasos quebrados tinham os seus pedaços juntados com cera, eram pintados por fora e colocados de volta na prateleira... Uma espécie de “jeitinho brasileiro”! A aplicação, numa mensagem sobre o cristão como um vaso, é bastante interessante... O pregador conclui: “Que tipo de vaso é você, meu irmão, com cera ou sem cera?”

Bem, um estudo mais diligente me levou a abandonar tal aplicação, visto que ela nada tem que ver com o étimo do termo “sincero”. Veja como Houaiss descreve a sua etimologia: “lat. sincérus,a,um 'puro, sem mistura; leal, franco, verdadeiro', e este de um el. Latino sim- 'um só' (o mesmo que figura em simplex e singùlus) + -cérus 'que cresce', como em procérus,a,um 'alongado, de estatura elevada', lit. 'que cresce para frente', conexo com o v. crescère; sincérus é, portanto, lit. 'que tem um desenvolvimento único, sem nós, sem acidentes'; para a explicação do el. -cérus, cf. FMartL, s.v. cerés; a hipótese de o voc. latino ser formado de sine 'sem' ecéra 'sem cera, sem mancha' carece de fundamentação consistente e não passa, segundo Ernout e Meillet, de mais um caso de etimologia popular; ver sincer-; f.hist. 1572 sincero, 1572 sincêro”.

Como se vê, o prefixo “sin” de “sincero” tem relação com “simples” e “singelo”; e “cero” está relacionado com “cel”, que aparece, por exemplo, em “excelso”, ou “cer”, de “prócero”. Procura-se, pois, quem afirmou pela primeira vez que o significado de “sincero” é “sem cera”...

Sinceramente, é por essas e outras que alguns preferem não discutir religião...

Ciro Sanches Zibordi

domingo, 24 de outubro de 2010

Fotos e fatos simples que alegram o coração (1)

Caros internautas, como este blog tem uma linha editorial variada, multíplice, apresento-lhes uma nova série, pela qual publicarei fotos de eventos e acontecimentos recentes que muito alegraram o meu coração. Se algum amigo, irmão, leitor ou pastor de alguma igreja não apareceram nesta primeira postagem, aguardem...

Julinha dorme com os seus cachorrinhos após ouvir uma história contada pelo papai.

Julinha fazendo arte (arte, mesmo). Ela mesma confeccionou o chapéu de cozinheira para chamar a atenção do papai.

Eu e os pastores e amigos, da direita para a esquerda: Edson dos Santos (pastor-presidente da AD Tradicional), Gedeão e Ricardo (gerente da CPAD), em Manaus-AM

Pastor e amigo Eli Felete Domingos me observa, à esquerda, enquanto prego na AD Rocha Eterna, em Lisboa-Portugal (presidida por ele).

Eu, o casal Lopes (amigos e missionários da AD em Newark, NJ, Estados Unidos) e Nilton Coelho (me abraçando) paramos para tomar um café; seguiríamos, pouco tempo depois, para Washington D.C.

À esquerda, minha leitora número 1, Lidiane Villas Boas, ao lado de Julinha, Luciana (minha querida esposa) e a irmã... Ih, me fugiu o nome dela agora (a esposa do amado pastor Lauri Villas Boas e mãe de Lidiane).

Em Caldas da Rainha, Portugal, eu e o pastor e amigo Carlos Salgado, que preside a AD naquela linda cidade.

Julinha, eu e o amigo (de longa data) e cantor Edvaldo, na Igreja Cristã da Trindade (pastor Paulo Romeiro), em São Paulo-SP, no lançamento oficial do livro Autoajuda ou Ajuda do Alto.

Julinha brinca com a vovó Marisa embaixo da mesa.

Eu e os amigos, da direita para a esquerda, Tadeu Costa e Beniel (Benny El), discorrendo sobre o livro Autoajuda ou Ajuda do Alto, na rádio Marumby, em Curitiba-PR.

Julinha perde o primeiro dentinho da parte superior da boca. Festejou como nunca...

Gerente da CPAD Niterói, André Porto, e o pastor e amigo da Flórida, Estados Unidos, Newton Carpintero, em visita ao Brasil.

Julinha perde o segundo dentinho da parte superior da boca (não repare na bagunça ao fundo, por favor). Isso aconteceu no dia 18 de outubro, pouco antes da meia-noite. Ela não para de falar nisso...

Nós e a querida família Villas Boas, depois do culto de ensino na AD presidida pelo pastor Lauri, em Bonsucesso, Rio de Janeiro-RJ.

Nós e os queridos irmãos da AD em Eldorado do Sul-RS, após uma série de palestras.

Julinha fazendo lição de casa com a ajuda da mamãe.

Beniel (Benny El) é surpreendido, após almoçarmos em Curitiba-PR.

Amiga e irmã Madalena (gerente da CPAD Curitiba) sorri para Beniel e eu, no carro ao lado.

Com amor,

Ciro Sanches Zibordi

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

A quase-centenária Assembleia de Deus, sua teologia e os novos “teólogos”


Gosto muito do ensino teológico. Em 1991, me formei pela FAESP (Faculdade Evangélica de São Paulo), no bairro paulistano do Belenzinho, instituição que, na época, era chamada Escola Teológica Pastor Cícero Canuto de Lima.

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Ciro Sanches Zibordi

Conselhos do pastor Newton Carpintero aos editores de blog

Meu amigo, irmão em Cristo e pastor Newton Carpintero não é um escritor que utiliza termos raros, quase incompreensíveis. Sinceramente, o texto dele não é um primor, gramaticalmente. Mesmo assim, ele escreveu poucos, mas relevantes conselhos aos editores de blog. E, como eu tenho certeza absoluta de que ele não escreve para atacar pessoas, e sim para, verdadeiramente, aconselhá-las, recomendo a todos os seus importantes conselhos.

Newton Carpintero reside na Flórida, Estados Unidos. E, mesmo não dispondo
de muitas “ferramentas epistemológicas”, prefaciou o meu livro Erros que os Adoradores Devem Evitar, lançado pela CPAD no começo do ano corrente (o qual, graças a Deus, está na terceira impressão). Além de ser um obreiro fiel, provado e aprovado por Deus, Carpintero é um grande amigo. Ele não apenas aparenta ter sinceridade, mas é verdadeiramente uma pessoa sincera.

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Em Cristo,

Ciro Sanches Zibordi

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Pais, protejam seus filhos da efebofilia

Fala-se muito em pedofilia, em nossos dias. Mas os pais precisam tomar cuidado também com a efebofilia, abuso sexual perpetrado contra adolescentes. O termo, não muito usual — gr. éphébos, “adolescente”, “rapaz que chegou à puberdade”; e gr. phílos, “amigo”, “querido”, “que agrada” —, designa a compulsão por relações sexuais com adolescentes.

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Ciro Sanches Zibordi

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Coisas que não podemos esquecer


Em uma certa madrugada, resolvi reler, em oração, Hebreus 13 nas versões Almeida Revista e Atualizada (ARA) e Almeida Revista e Corrigida (ARC), minhas versões preferidas em língua portuguesa — não é sempre que faço isso, pois prefiro as manhãs para meditar. Meu objetivo não era fazer uma exegese do texto, e sim uma leitura devocional, em meditação.

Se fizermos uma análise versículo por versículo, frase por frase, palavra por palavra, de Hebreus 13, teremos, sem exagero, uma manancial, um tesouro, à nossa disposição. Arrisco-me a dizer que esse único capítulo é o suficiente para a preparação de um livro contendo, pelo menos, dez mensagens repletas de lições para a vida cristã com muitos pormenores. Mas, neste artigo, gostaria apenas de apresentar uma reflexão a respeito de seis coisas que os seguidores do cristianismo verdadeiramente cristão não podem esquecer ou ignorar — e todas elas estão em Hebreus 13.

HOSPITALIDADE (v.2)

O autor de Hebreus assevera que não devemos nos esquecer da hospitalidade. E ele menciona uma razão para fazermos isso: “alguns, praticando-a, sem o saber acolheram anjos” (ARA). Pense no que significa ser hospitaleiro. Tratar bem os amigos é fácil. E, quando temos de ser hospitaleiros com quem não conhecemos ou com os inimigos? Sofremos, ao fazer isso. No entanto, Deus muitas vezes usa esse tipo de circunstância para nos abençoar. Não foi isso que aconteceu com a viúva que ajudou Elias? E o que dizer do personagem bíblico mais famoso do momento, Zaqueu? Já imaginou se ele dissesse a Jesus: “Na minha casa, não! Minha mulher não vai gostar de receber uma visita inesperada”?

PRESOS (v.3)

Sejamos sinceros: Qual cristão, incluindo eu e você, caro leitor, costuma se lembrar dos presos, dos encarcerados? Aliás, quando eu me lembro de alguns presos “famosos” (na verdade, afamados), não lhes desejo, no meu íntimo, boas coisas. Mas o texto bíblico de Hebreus 13 diz: “Lembrai-vos dos encarcerados, como se presos com eles” (ARA). Meu Deus, que difícil recomendação da sua Palavra! Como eu preciso melhorar!

MALTRATADOS (v.3)

A versão de Revista e Corrigida de Almeida (ARC) diz “Lembrai-vos dos... maltratados”, e a Revista e Atualizada (ARA): “Lembrai-vos... dos que sofrem maus tratos”. E acrescenta: “como se, com efeito, vós mesmos em pessoa fôsseis os maltratados”. Gostamos de lembrar apenas de coisas boas, que nos trazem satisfação. Ninguém gosta de lembrar, por exemplo, de um morador de rua, maltratado pela vida ou pelas más escolhas que fez. Os espíritas dizem: “Ele está sofrendo, mas é o seu karma”. E alguns evangélicos, conquanto iluminados pelo Espírito, se dão ao luxo de afirmar, sem nenhuma compaixão: “Deus sabe por que esse homem está sofrendo; trata-se de um miserável pecador, um vaso da ira”. Ah, como o nosso cristianismo seria realmente cristão se aprendêssemos a ser “bons samaritanos”!

PASTORES (v.7)

Nunca os pastores foram tão desrespeitados. Hoje, ser pastor não significa muita coisa. É claro que há falsos obreiros, aos quais convém mesmo “tapar a boca” ou refutar segundo a Bíblia (Tt 1.10,11). Mas não são muitos os cristãos que atentam para a seguinte recomendação: “Lembrai-vos dos vossos pastores, que vos falaram a palavra de Deus, a fé dos quais imitai, atentando para a sua maneira de viver” (ARC). Esse respeito aos pastores (“guias”, ARA) não é por causa do título que eles possuem, e sim porque foram chamados e ungidos pelo Senhor. E quem se levanta contra eles — no caso dos verdadeiros, é claro — está se levantando contra quem?

BENEFICÊNCIA (v.16)

O texto diz: “E não vos esqueçais da beneficência” (ARC). Beneficência é o amor em ação; é a prática do bem. Afinal, o amor só é amor quando em ação. Se alguém diz “Eu amo a Palavra”, mas nunca medita nela, que tipo de amor é esse? Por isso, o salmista, ao falar do seu amor para com a Lei do Senhor, afirmou que ela era a sua meditação em todo o dia (Sl 119.97). E o que dizer do amor a Deus e ao próximo? E o que dizer do amor aos inimigos? A Bíblia não diz que devemos fazer bem a todos? Essa última pergunta é retórica; traz em si mesma a resposta de que devemos amar e fazer o bem (amor em ação) até aos nossos inimigos (Rm 12.20). Estamos dispostos a isso? Ou queremos vê-los arrasados, prostrados, enquanto cantamos: “Tem sabor de mel, tem sabor de mel, a minha vitória hoje tem sabor de mel”?

COMUNICAÇÃO (v.16)

“Não negligencieis igualmente... a mútua cooperação” (ARA), diz o autor de Hebreus. E acrescenta que Deus se compraz com esse tipo de sacrifício. Ser um cooperador, um ajudador, alguém que comunica alguma coisa a alguém, seja um dom espiritual, seja uma ajuda material, significa se sacrificar pelo próximo! Mas, quem hoje está disposto a sofrer, a se sacrificar, por alguém que não seja um parente, como filhos, netos, esposa, pais? Enfim, correr atrás de trio elétrico dizendo que está evangelizando os foliões é fácil.

Escrever belos textos, pelos quais expomos o nosso pensamento e refutamos isso e aquilo, também não é tão difícil. Mas, e viver o cristianismo verdadeiro, o cristianismo realmente cristão, que não se esquece da hospitalidade, dos encarcerados, dos maltratados, dos pastores, da beneficência e da mútua cooperação?

Lamento, mas o cristianismo realmente cristão é para quem deseja ter a Bíblia como a sua regra de fé, de prática e de vida. E é isso que eu desejo, embora reconheça, humildemente, que ainda não o tenha alcançado plenamente...

Em Cristo,

Ciro Sanches Zibordi

domingo, 17 de outubro de 2010

Mais uma porta grande e eficaz se me abriu

Queridos internautas, no dia 14 do mês em curso, firmei (por graça de Deus) uma ótima parceria comercial com a Livraria Cultura. Em breve, passarei a divulgar livros interessantes que essa livraria disponibiliza para aquisição via Internet, com muitas facilidades.

A partir de agora, além do
banner acima, sempre haverá um link da Cultura abaixo do meu nome, em minhas postagens.

Um grande abraço!

Ciro Sanches Zibordi

sábado, 16 de outubro de 2010

Somente agora a Assembleia de Deus está descobrindo a teologia?


Gosto muito do ensino teológico. Em 1991, me formei pela FAESP (Faculdade Evangélica de São Paulo), no bairro paulistano do Belenzinho, instituição que, na época, era chamada Escola Teológica Pastor Cícero Canuto de Lima.

Tive como professores homens de Deus como: Pr. João Vicente Branco, Pr. José Prado Veiga, Pr. Severino Pedro da Silva, Pr. Eude Martins, Dr. Caramuru Afonso, Dr. Samuel Freire, Dr. Ronaldo Rodrigues de Souza, etc. Isso mesmo: Ronaldo Rodrigues de Souza, que hoje é diretor executivo da CPAD! No fim da década de 1980, ele já era professor de Evangelismo/Missiologia. E há gente por aí pensando que ele é leigo na área teológica...


Depois que me formei, fui convidado para assumir, em 1992, a cadeira de Evangelismo/Missiologia, ao lado do irmão Ronaldo, que, em 1993, precisou deixar o seminário para assumir a diretoria executiva da CPAD, no Rio de Janeiro. Alguns anos depois, passei a auxiliar o pastor Eude Martins (à época, diretor geral da Editora Vida) na cadeira de Hermenêutica/Exegese e tornei-me, em pouco tempo, titular dela, com a saída do aludido professor do seminário.

Em 1999, ajudei a fundar a extensão da FAESP (já com esta denominação), no bairro da Lapa, em São Paulo-SP. Além de coordenador desse núcleo, fui professor de Teologia Sistemática, História da Igreja, Teologia Contemporânea, Evangelismo/Missiologia, Hermenêutica/Exegese e Homilética. Em 2002, precisei me desligar da FAESP, pois não era mais possível conciliar o trabalho docente com o que eu já desempenhava na CPAD como gerente de informática. Atuei, portanto, diretamente na área teológica durante dez anos.

Por graça de Deus, sou, ainda, autor da unidade Escatologia da obra Teologia Sistemática Pentecotal, lançada em 2008 pela CPAD, a qual reúne nove expoentes do pentecostalismo brasileiro: Antonio Gilberto, Esequias Soares, Elinaldo Renovato, Claudionor de Andrade, Elienai Cabral, Wagner Gaby, Geremias do Couto, Severino Pedro e Ciro Sanches Zibordi. E também ministro aulas de convalidação de cursos teológicos, quando sou convidado.

Por que disse tudo isso a respeito da minha formação teológica? Não é para apresentar o meu currículo, que, aliás, reconheço, é muito modesto. Mas não paro de estudar, ainda que não tenha a necessidade de divulgar isso aqui no blog, pelo menos por enquanto...

Bem, só apresentei as informações acima para demonstrar que prezo muito o ensino teológico e tenho vivência nessa área, modéstia à parte. Mas nunca prezei mais a teologia do que a Bíblia. Por quê? Porque aprendi com os meus mestres do seminário e da Escola Dominical, bem como nos cultos de ensino com o saudoso pastor Valdir Bícego, que a teologia é o que os teólogos dizem da Bíblia. E a Bíblia é a Palavra de Deus.


É claro que eu leio obras teológicas diariamente e tenho os meus teólogos preferidos, do passado e do presente, ainda que nenhum deles represente mais para mim que as Escrituras. Estas, e somente estas, são infalíveis e inerrantes. E, por isso mesmo, jamais procurarei abonar qualquer doutrina bíblica prioritariamente com a opinião dos teólogos. Como crente espiritual e amante da Palavra, devo discernir tudo (1 Co 2.15), examinar todas as coisas (1 Ts 5.21), mas segundo as Escrituras, assim como faziam Paulo (1 Co 15.3,4) e os nobres bereanos (At 17.10,11).

Admiro muito o mestre assembleiano Antonio Gilberto, a maior autoridade brasileira da teologia pentecostal, com os seus 81 anos. Muitos “supereruditos” debocharão dessa minha afirmação, haja vista pensarem que “fazer teologia” é escrever para girafas (em “alto” nível), com a citação excessiva — e, em muitos casos, exibicionista — de termos gregos e a apresentação de uma longa relação de notas de rodapé. Antonio Gilberto, conquanto não seja perfeito, é um exegeta e teólogo de primeiríssima linha, que escreve e discursa com simplicidade ímpar e clareza meridiana, alcançando a todos, indistintamente.

Gosto também, e muito, de Stanley M. Horton, cujo pensamento teológico se alinha ao de Antonio Gilberto. Os dois, para mim, apesar de um ser norte-americano e outro nordestino, estão no mesmo nível. Eles não são perfeitos, é verdade, e podem, aqui ou ali, dizer uma ou outra coisa que possamos não concordar. Entretanto, no essencial não comprometem, posto que são teólogos que valorizam o primado das Escrituras. Leia as obras deles e você verá que eles procuram explicar a Bíblia pela Bíblia. Eles citam a tradição eventualmente, mas não com uma necessidade de mostrar que esta ou aquela verdade só podem ser confirmadas se os pais da Igreja, há muitos séculos, as defenderam. Não! A fonte primária de autoridade desses teólogos é a Bíblia.

Outro teólogo assembleiano cuja teologia muito me agrada é o saudoso Eurico Bergstén — a despeito de muitos “supereruditos” sequer considerá-lo teólogo. Na visão destes, só é teólogo quem estuda nas instituições norte-americanas ou nas ligadas a igrejas históricas (conhecidas, com méritos, pela excelência no ensino teológico). Segundo os tais, ainda, só é teólogo de fato e de direito quem “faz teologia” de modo enfadonho, com a citação exagerada de termos originais, pais da Igreja, credos, concílios, reformadores, etc. “Para se fazer teologia é preciso ter ferramentas epistemológicas”, asseveram eles, do alto de sua sapiência. Para esses paladinos da Exegese, da Teologia e também da Pedagogia, quem é Eurico Bergstén?

Mas o missionário finlandês Lars Eric (Eurico) Bergstén foi um grande erudito das Assembleias de Deus. E deixou para nós, assembleianos, uma obra biblicocêntrica, a sua Teologia Sistemática, editada pela nossa CPAD. Bergstén, para quem não sabe, chegou ao Brasil em setembro de 1948 (e aqui permaneceu até a sua morte, em 2000), onde dedicou sua vida à árdua tarefa de ministrar a Palavra de Deus em escolas bíblicas, além de ter escrito inúmeras revistas de Escola Dominical e valiosos artigos para os veículos de comunicação da CPAD. Ele também foi professor da FAESP e da ESTEADEB (Escola Teológica das Assembleias de Deus no Brasil), a qual foi fundada quando alguns
“supereruditos” sequer haviam nascido!

Há teólogos que nasceram ontem, com todo o respeito, e já se acham superiores a ensinadores como Antonio Gilberto e Eurico Bergstén, a ponto de considerarem o trabalho deles como ultrapassado ou até fracassado, de certa forma. Afirmam eles, “humildemente”: “Agora sim as Assembleias de Deus possuem uma teologia de verdade e está finalmente superando todo ranço e atraso nessa área”. Que ranço? Que atraso? Será que os teólogos do passado eram menos teólogos do que os de hoje? Eles podiam ter menos recursos, reconheço, mas não eram inferiores. Pelo contrário, eles superavam muitas dificuldades e ausência de obras de referência com o joelho no chão, pedindo a iluminação do Espírito.

Não estou dizendo que não haja teólogos mais jovens “fazendo teologia” de maneira competente. É claro que há! Mas não podemos desprezar o nosso legado quase-centenário. O Senhor não elevou a Assembleia de Deus ao patamar que está através de “supereruditos” que escrevem para girafas...

O Deus da Assembleia fez a Assembleia de Deus prosperar, ao longo dos anos, através de pregadores e ensinadores, teólogos — sim, teólogos — que falavam a linguagem do povo, como, em ordem alfabética: Abraão de Almeida, Alcebíades Vasconcelos, Alfredo Reikdal, Bernhard Johnson, Donald Stamps, Elienai Cabral, Elyzeu Queiroz, Emílio Conde, Estêvão Ângelo de Souza, Eurico Bergstén, Geziel Gomes, João de Oliveira, João Kolenda, João Pereira de Andrade e Silva, José Apolônio, José Pimentel de Carvalho, Lawrence Olson, Myer Perlman, Ralph Riggs, Rodrigo Santana, Samuel Nyström, Stanley M. Horton, Túlio Barros, Valdir Bícego e tantos outros.

Riam, “supereruditos”, dos nomes que eu citei! Mas foram eles, e não vocês, os responsáveis pela sistematização e difusão das doutrinas esposadas pelas Assembleias de Deus! Eles, verdadeiramente piedosos e eruditos (mais do ponto de vista bíblico [Is 50.4] do que acadêmico), conseguiram instruir o povo de Deus como um todo, numa época em que o acesso à academia era muito difícil. Mas vocês escrevem para girafas, numa linguagem tão elevada, que quase ninguém entende... Quem não descobriu a verdadeira teologia ainda são vocês. Mas ainda há tempo. Acordem!

Ciro Sanches Zibordi