quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Nunca acredite em um ensinador que nega que a Bíblia é a Palavra de Deus! (2)


Como diz a Bíblia, a Palavra de Deus — também conhecida como as Escrituras —, existem muitos falsificadores da Palavra (2 Co 2.17). E eu venho escrevendo, há algum tempo, a respeito de um certo propagador de “verdades ocultas” (assista ao vídeo na postagem anterior a esta), o qual, através de DVDs, vídeos na Internet e palestras em hotéis, espalha invencionices, teorias da conspiração, notícias paranoicas, aterrorizantes, inverossímeis, além de ideologias anticristãs e antibíblicas.

Uma das grandes falácias que o tal propagador de “verdades ocultas” vem divulgando, especialmente pela Internet, é a de que a Bíblia não é a Palavra de Deus. Diz ele que as Escrituras não são a Bíblia. Esta seria uma invenção dos papas, que teriam inserido no Livro Santo livros não inspirados por Deus. Além disso, afirma ele que os cristãos que portam a Bíblia e dizem que ela é a Palavra de Deus são bibliólatras.

Para início de conversa, nenhum cristão que preza a Palavra de Deus cultua o Livro. Pelo contrário, este se desgasta, de tanto que é manuseado. Se o idolatrássemos, o colocaríamos em um altar, sobre uma almofada, dentro de uma caixa de vidro, e nos prostraríamos diante dele. Respeitá-lo como Palavra de Deus é uma demonstração de que adoramos o Deus da Palavra.

O termo grego biblia significa livros. Ele entrou para as línguas modernas por intermédio do francês, passando primeiro pelo latim, tendo a sua origem no grego biblos. Originalmente, esse vocábulo aludia à casca de um papiro do século XI a.C. Os gregos chamavam os rolos de biblia (plural de biblos), nos quais escreviam as suas obras, numa clara referência ao centro produtor desse material — a cidade de Biblos, localizada na costa mediterrânea ocupada hoje pelo Líbano.

Bíblia, de maneira geral, designa livros, não necessariamente os livros das Escrituras. Por isso, eu prefiro o termo biblicocêntrico a bibliocêntrico. Considero o primeiro mais específico, enquanto o segundo sugere centralidade nos livros, assim como bibliófilo e biblioteca estão associados a livros, e não à Bíblia, especificamente.

No século II d.C., os cristãos passaram a usar a palavra em apreço para designar os escritos sagrados, isto é, as Escrituras. Atribui-se a João Crisóstomo o emprego do vocábulo Bíblia (hoje usado com bê [B] maiúsculo) para se referir à Palavra de Deus, mas ele foi apenas o cristão mais famoso que o utilizou. Para os primeiros cristãos, as Escrituras abarcavam tanto os livros do Antigo Testamento como os Evangelhos e Epístolas lidos perante todos, em suas reuniões. Além das informações históricas que comprovam isso, o apóstolo Pedro referiu-se aos escritos de Paulo como Escrituras, ao lado das Escrituras veterotestamentárias (2 Pe 3.16).

A palavra Bíblia foi propagada no Ocidente por Jerônimo (tradutor da Vulgata), o qual, costumeiramente, chamava o Sagrado Livro de Biblioteca Divina. Desde Crisóstomo e Jerônimo, os livros do Antigo e do Novo Testamentos passaram a ser universalmente conhecidos como a Bíblia. Mas, desde o século II, este termo — antes de Constantino romanizar o cristianismo, no século IV d.C. —, já aludia aos 66 livros inspirados por Deus.

Todos os livros da Bíblia foram inspirados pelo Espírito. Mas houve um processo histórico para que os livros fossem reunidos e colocados em um só volume, chamado de cânon (“vara de medir”, em grego). Esse vocábulo se aplica aos livros rigorosamente de acordo com a “medida” e que têm o selo da inspiração divina. Quando a decisão foi tomada sobre quais livros deveriam ser considerados canônicos e reunidos num só volume, eles já eram tidos como integrantes da Palavra de Deus.

Não foi nenhum líder ou grupo religioso que resolveu fazer a seleção. Deus conferiu aos livros autoridade suficiente para serem declarados canônicos. O cânon do Antigo Testamento ficou completo em 445 a.C., e tudo nos leva a crer que Esdras, na qualidade de escriba e sacerdote, reuniu os rolos canônicos. Mas, que critérios foram usados para a seleção dos livros do Novo Testamento, haja vista existirem diversos livros tidos como inspirados à época?

Em primeiro lugar, a autoridade apostólica. Quando se tratava de um livro não escrito por um dos apóstolos nem sob a autoridade de um deles, verificava-se a aceitação do livro pela comunidade da Igreja e a sua conformação com os livros já aceitos como inspirados. É claro que os homens são falíveis e qualquer processo humano jamais estará isento de erros. Entretanto, no caso da Bíblia Sagrada, houve uma providência divina e uma operação especial do Espírito Santo, que protegeram o cânon de erros no processo de escolha.

O cânon neotestamentário foi concluído em cerca de 400 d.C., após vários concílios da Igreja, nos quais representantes examinaram os documentos amiúde. Não foi a incipiente Igreja Católica Romana que conduziu o processo de seleção dos 27 livros do Novo Testamento, a despeito de os romanistas asseverarem que ela foi fundada por Jesus Cristo e considerarem, equivocadamente, Pedro o seu primeiro papa. É um grande erro confundir o pseudocristianismo romanista e papal com o cristianismo histórico, fundado verdadeiramente pelo Senhor, após a sua ressurreição (Mt 16.18; At 1.1-11).

Portanto, depois de tantos anos de História da Igreja, alguém querer sugerir que Bíblia e Escrituras são duas coisas diferentes, com a intenção de confundir o povo de Deus, é um despropósito. Tal atitude é esperada dos ateus, dos agnósticos, e não de alguém que se diz cristão e propagador da sã doutrina. Não aceite as invencionices de vendedores de DVDs e palestrantes de hotéis que querem “reinventar a roda”.

Em Cristo,

Ciro Sanches Zibordi

15 comentários:

Gilmar disse...

Prezado Pr. Ciro,

Quanto as traduções, o que foi perdido com o passar dos anos?

Em Cristo,
Gilmar

Ciro Sanches Zibordi disse...

Caro Gilmar,

Não entendi a sua pergunta. Peço-lhe que a reformule, por gentileza.

CSZ

disse...

A bíblia conserva todas as idéias originais do cristianismo, sendo totalmente digna da nossa apreciação e crença. O argumento dos neoliberais brasileiros, no entanto, carece de confirmação e está baseado em falácias óbvias que já foram amplamente desmascaradas ao longo da história. Paz Pr. Ciro.

Jeanderson disse...

A paz do senhor Pastor Ciro,
tenho uma pergunta a lhe fazer.
Por que as vezes ao lermos a Bíblia, encontramos alguns textos entre Parênteses dizendo em nota no rodapé: "Este texto não consta nos manuscritos antigos". O que significa não constar nos manuscritos antigos? A passagem sobre um homem doente no tanque de Betesda por exemplo, João cap. 5 no vers. 4 diz no rodapé que aquele texto não consta. O senhor poderia nos explicar por gentileza? Desde já agradeço e fique na Paz!

Newton Carpintero, pr. e servo disse...

Prezamigo e nosso pr. Ciro Zibordi,

A paz do Senhor!

Bom demais - poder - ler as matérias em seu blog.

Perdoe-me, pois, com certeza, você considera este blog, como nosso blog. Afinal, os cuidados em suas matérias demonstra simplesmente o zelo com a Palavra de Deus e com o Deus da Palavra.

Certamente, o Espírito Santo, inspira aos que entendem que o controle sobre TUDO, está nas mãos poderosas do nosso Deus.

Ele cuida de cada um de nós e muito... muito... muito... da sua Palavra para que sejamos abençoados, constantemente com a vigilância necessária, através dos homens que possuem a instrumentalidade e a necessidade em exaltar... exaltar... exaltar o Santo... Santo... Santo Deus. O que é Digno de toda a Honra e toda a Glória!

O Senhor seja contigo, nobre pastor!

O menor de todos.

Gilmar disse...

Prezado Pr. Ciro,

Os manuscritos originais da Bíblia foram copiados por diversas vezes, desde os tempos de Moisés, além de passarem por diversas traduções ao longo dos anos. O que quero saber é quais garantias temos de que o texto bíblico não sofreu alterações drásticas no seu conteúdo de lá para cá.

Um exemplo encontra-se em 1 Jo 5.7, um versículo que serve de embasamento a doutrina bíblica da Trindade, que em algumas traduções, como a Nova Versão Internacional, simplesmente não consta no texto bíblico.

Em Cristo,
Gilmar

Alexandre Braga disse...

Paz do Senhor
Pastor Ciro, o amado pode fazer um breve comentário concernete à Septuaginta e ao texto massorético? Algum deles não é confiável? Ambos são confiáveis?
Na net você não pode confiar nos textos inseridos em qualquer site ou através de qualquer pessoa, entretanto aqui eu me sinto seguro, devido à seriedade e responsabilidade do Pastor Ciro.

Em Cristo,
Alexandre Braga

Ciro Sanches Zibordi disse...

Caro Alexandre Braga,

A paz do Senhor.

Não há como fazer um breve comentário sobre assuntos tão vastos como a Septuaginta e o texto massorético. É melhor estudar sobre o assunto, ler obras de autores que não sejam teólogos liberais. Mas, como se sabe, ambos os textos são, em geral, fiéis aos autógrafos, com pequenas variações que não alteram o sentido original das passagens bíblicas.

Um obra que pode ajudar o irmão é "Introdução Bíblica: como a Bíblia chegou até nós", de Norman Geisler e William Nix (Editora Vida).

Em Cristo,

CSZ

Fernando disse...

Querido pastor Ciro, este é um ótimo post.
Creio que o fato da Bíblia ser tida como um livro qualquer nos tempos em que estamos vivendo, só nos serve pra mostrar que tudo que está contido nela é verdade. A Palavra já nos alertou sobre a apostasia de muitos no tempo do fim.

Não conheço nenhum outro livro capaz de mudar a vida de qualquer um dos homens que vive na face da terra.
Se não for a palavra de Deus, só não a é para quem realmente não tem, deixou de ter ou não aceita o Espírito de Deus em sua vida.

Temos testemunhos vivos de homens e mulheres transformados(as) pelo Verbo de Deus. Homens e mulheres do Butão, no Himalaia por exemplo.

Realmente não é uma questão cultural essa de não conhecer e reconhecer a palavra de Deus, é sim uma questão de saúde. Saúde espiritual e muitas vezes psíquica, que com certeza podem estar interligadas. Se é que o irmão me entende.

Grande abraço.
Fique na Paz do Deus da Palavra!

Ciro Sanches Zibordi disse...

Caro Jeanderson,

A paz do Senhor.

Todas as versões da Bíblia são diferentes umas das outras, em alguns pontos. Mas essas diferenças não são significativas. É preciso estudar o assunto, tendo em mente que a Bíblia é a Palavra de Deus e nela não há contradições. Toda contradição é de origem humana. A Bíblia, em seus autógrafos, não possui incongruência alguma.

Há passagens da Bíblia que precisam ser estudadas com cuidado, à luz do contexto, da filologia sagrada e da comparação de versões. Não adianta eu lhe responder objetiva e sucintamente. O irmão precisa ESTUDAR o assunto com base nos princípios constantes do departamento teológico chamado Teologia Exegética, que abarca Hermenêutica e Exegese.

Em Cristo,

CSZ

Ciro Sanches Zibordi disse...

Caro Gilmar,

Primeiramente, 1 João 5.7 é apenas uma das MUITÍSSIMAS passagens bíblicas que comprovam a inquestionável doutrina da Trindade. Há muitas outras, tanto no Antigo como no Novo Testamentos.

Quanto aos manuscritos originais da Bíblia, eles foram copiados por diversas vezes, mas não houve mudanças significativas em relação aos autógrafos. Em 1947, um tesouro de manuscritos veterotestamentários foi descoberto em uma caverna por pastores beduínos do lado ocidental do Mar Morto, em Israel.

A partir da descoberta de 1947, livros e partes de livros do Antigo Testamento foram encontrados em onze cavernas diferentes, em décadas posteriores. Foi o maior achado da História, em termos de manuscritos da Bíblia! E esse achado ainda não completou 100 anos!

Antes da descoberta dos tais manuscritos, o mais antigo texto completo do AT era o texto massorético (produzido pela escola de escribas dos Massoretas), citado pelo irmão Alexandre Braga, em sua pergunta.

Muitos críticos reclamavam do texto massorético. Diziam que ele era muito recente para ser fiel aos autógrafos (textos originais). A descoberta dos manuscritos do Mar Morto silenciaram os críticos.

Quando se compara especialmente o texto massorético de Isaías com os manuscritos do Mar Morto (também do livro de Isaías), os quais datam de centenas de anos antes de Cristo (eles foram surpreendentemente preservados), os textos se mostram 95% idênticos. Quanto aos 5% restantes, envolvem apenas diferenças de ortografia, gramática e caligrafia, as quais não afetam o sentido original.

O irmão quer garantias de que o texto bíblico não sofreu alterações drásticas no seu conteúdo desde os autógrafos? Eu também lhe faço uma pergunta: Que garantias temos da originalidade da obra de Platão? Ele escreveu por volta de 300 a.C., e a cópia mais recente encontrada de sua obra data de 900 d.C.! Ou seja, ela foi encontrada 1.200 anos depois da escrita original!

Por que ninguém questiona a originalidade de Platão?

Em Cristo,

CSZ

Ciro Sanches Zibordi disse...

Irmã Romilda,

Fico feliz por sua convicção de que a Bíblia é a Palavra de Deus, cada vez mais rara nesses tempos trabalhosos (2 Tm 4.1-5).

Em Cristo,

CSZ

Victor Leonardo Barbosa disse...

Sobre a questão das traduções, manuscritologia e métodos, gostaria de recomendar o livro Qual o texto original da Bíblia, de William Pickering, que trata detalhadamente sobre essa questão.

O livro está disponível gratuitamente, com permissão do autor, para download:

www.luz.eti.br/resources/wilburnt.pdf

Não há dúvidas que o texto roiginal chegou em nossas mães com segurança, lembrando que Deus não somente inspirou, mas garante a preservação de sua Palavra.

parabéns pelo post pastor Ciro. Um forte abraço e que Deus o abençoe!

amor disse...

Pastor Ciro como agradeço a Deus pela sua vida! Como é diferente Quem serve a Deus e quem não serve a Deus, e veve pregrando umas baboseiras como estas do pregador de panico, quem amedronta é o diabo!(Esse tal de prepare-ce)Um pastor bem antigo falou desses dvs ,é era algo oculto, falou para eu e meu esposo asistir em uma certa casa escondido do nosso pastor,confesso que eu achei estranho, porque tinha que ser escondido? fui pesquizar e não deu outra achei seu blog, graças adeus não caimos naquela armadilha do diabo, vou ajudar a alertar o povo que se diz crente e não ler biblia vou acompanhar seu blog! Esse blog é de Deus!! que Jesus continue te abençoando amem!

valmir disse...

Pastor Ciro, meus irmãos e eu, somos grandes admiradores do seu trabalho. Ainda somos adolescentes e buscamos compreender melhor as coisas, sempre baseadas na palavra, é claro.Gostaria que o senhor fizesse um comentário a cerca do seguimento religioso que se entitula como RENOVAÇÃO CARISMÁTICA.

Pastor Ciro, permaneça firme mesmo com inúmeros ataques que o senhor recebe, pois a grande recompensa está revelada na disposição e na prontidão de servir ao Senhor Jesus.
Paz do Senhoor!
Samara Paiva;
Sara Paiva;
Valmir Paiva.