domingo, 31 de janeiro de 2010

Verdades que desviam pessoas de outras verdades (1)

Uma brincadeira de mau gosto em um site de humor me fez refletir sobre o perigo de nos apegarmos a verdades que nos desviam de outras verdades. Motivado pelo mal-estar que o presidente Lula sentiu em Recife, Pernambuco, o editor do tal site noticiou: “Lula morre em Recife”. Essa notícia é verdadeira e falsa, ao mesmo tempo. Como assim? Ela é verdadeira, se considerarmos que realmente morrem lulas em Recife. E é falsa porque o presidente Lula não morreu em Recife; apenas passou mal.

Outro exemplo de verdades que desviam pessoas de outras verdades seria a seguinte notícia, em época de eleições: “Garotinho vence com folga no Rio de Janeiro”. Ela seria verdadeira se acompanhada de uma foto mostrando um garotinho feliz da vida por ter chegado em primeiro lugar em uma competição de natação. E falsa se usada para induzir o leitor, numa brincadeira, é claro, a acreditar que Antony Garotinho venceu a eleição para governador do Rio de Janeiro.

Os falsos mestres também se valem de verdades incompletas, parciais, fora de contexto, ignorando que a Bíblia é análoga, harmoniosa e sincrônica. O estudioso desse maravilhoso Livro deve saber interpretá-lo corretamente, a fim de que, por causa de uma verdade isolada, não se afaste de outras verdades. Não devemos abrir mão de verdades, e sim abraçarmos a Verdade.

Vamos a alguns exemplos de verdades que desviam de outras verdades e, consequentemente, da Verdade:

Jesus disse que não devemos julgar. Essa é uma grande verdade que vem sendo usada de maneira inconveniente. Por quê? Porque o Senhor Jesus proibiu apenas o julgamento como forma de calúnia (Mt 7.1,2). Ele não nos proibiu de julgar pregações, canções, profecias, milagres, etc. Aliás, o cristão que se preza julga bem tudo (1 Ts 5.21, ARA; 1 Co 2.15), segundo a reta justiça (Jo 7.24), inclusive as profecias (1 Co 14.29) e as manifestações espirituais (1 Jo 4.1).

A palavra “trindade” não aparece na Bíblia. Outra verdade. A palavra citada realmente não aparece nas páginas sagradas. Entretanto, isso não invalida a cristalina verdade de que Deus é triúno, tampouco torna nulas as inúmeras passagens bíblicas que destacam a tripessoalidade divina (2 Co 13.13; Mt 28.19; Jo 14.16; Rm 5.1-5, etc.). Os antitrinitarianos (ou unicistas) dizem ter a voz da verdade, porém isso não os torna verdadeiramente verdadeiros.

Deus é preciente. De fato, o Senhor conhece o fim antes do começo (Is 46.10). Mas muitos teólogos têm se valido dessa verdade para apresentar objeções à outra verdade: o livre-arbítrio (ou livre-vontande, livre-escolha). Eis o grande questionamento deles: “Se Deus conhece infalivelmente o futuro, como existem criaturas livres?” Ora, o Senhor conhece o que haveremos de fazer livremente, mas não interfere na nossa tomada de posição. Ele mesmo estabeleceu que o recebimento da salvação se dá mediante escolha e decisão humanas (Jo 3.15-19; Mc 16.15-18; Mt 7.13,14; Hb 7.25, etc.).

Na salvação somos batizados pelo Espírito Santo. Muitos têm usado essa verdade para se contrapor ao batismo com o Espírito Santo, confundindo duas ministrações diferentes do Espírito Santo. No momento da salvação, fomos batizados pelo Espírito, isto é, inseridos, “mergulhados” no Corpo de Cristo (1 Co 12.13). Isso, de modo algum, invalida o batismo com — ou no — Espírito, que é um revestimento de poder para quem já é salvo (Lc 24.49; At 1.8).

O culto deve ter decência e ordem. A passagem de 1 Coríntios 14.40 apresenta essa verdade. Contudo, os cessacionistas se valem desse argumento para se contraporem à multiforme manifestação do Espírito, pormenorizada no mesmo capítulo (1 Co 14). Embora a Palavra de Deus nos alerte quanto à falta de ordem e decência no culto, ela não nos estimula a desprezar a ação sobrenatural de Deus no meio do seu povo (1 Ts 5.19,20; 1 Co 14.39).

Que Deus nos ajude a aceitarmos todas as suas verdades, e não apenas uma parte delas. Afinal, como diz a Palavra de Deus, em 2 Coríntios 13.8 (ARA), “nada podemos contra a verdade, senão em favor da própria verdade”.

Ciro Sanches Zibordi

13 comentários:

Thiago Rabello disse...

Sim, boa abordagem Pr Ciro, todas essas verdade-mentira estão na boca dos falsos profetas que procuram vorazmente encontrar discordâncias nas Sagradas Escrituras.

Que Deus continue te abençoando Pastor.

Diógenes Spartalis, diácono disse...

Paz do Senhor Jesus pastor Ciro.

Glória a Jesus que é o Caminho, a Verdade e a Vida.
E que Deus nos ajude a viver na verdade de Sua maravilhosa palavra, refutando toda e qualquer forma de mentira, que tenta infiltrar no seio da igreja.
Em Cristo Jesus.

Franciney disse...

Pastor Ciro sobre o seu terceiro exemplo te pergunto, como pode ser um revestimento de poder, sendo que existem muitas pessoas que dizem que foram batizadas com o espirito Santo, e no entanto estão fora da igreja (desviadas), para que serve esse revestimento de poder para quem já é salvo conheceu o conteudo do evangelho?

Cordialmente,

Franciney.

Ciro Sanches Zibordi disse...

Querido irmão Franciney,

Como se sabe, a obra do Espírito é multímoda. Ele convence, sela, enche, renova, batiza, etc. Mas o batismo com o Espírito Santo não é para a salvação. É preciso analisar cada termo neotestamentário à luz do contexto.

O batismo com o Espírito Santo não é para salvar, e sim para capacitar o salvo para fazer melhor a obra do Senhor. Nada tem que ver com salvação. Quem se desvia é porque não perseverou em obedecer a Deus (Hb 3.12-14; 1 Co 15.1,2).

Está escrito CLARAMENTE em Lucas 24.49 que o batismo com o Espírito Santo é um revestimento de poder para quem já é salvo. Mas esse texto precisa ser estudado em conexão com Atos 1.8; 2.1-4,38,39; 10.46; e 19.3-8. Estude com cuidado essas passagens e veja como existe um batismo (revestimento de poder) com o Espírito, que tem como sinal o falar em línguas.

Não podemos confundi-lo com o batismo DO Espírito, que Ele realiza no momento da conversão, inserindo o salvo no Corpo de Cristo, como se lê em 1 Coríntio 12.13. Não se deve, ainda, confundir selo do Espírito com batismo com (ou no) Espírito. O selo é o Espírito EM nós. E o batismo, como revestimento, é o Espírito SOBRE nós.

Em tempo: evite mencionar o Espírito Santo com iniciais minúsculas. Talvez tenha sido por causa da pressa em escrever.

Em Cristo,

CSZ

Vanessa Dutra disse...

Paz do Senhor, Pr. Ciro!

Quanto tempo, né?
Estive afastada da blogosfera por motivos pessoais que me roubaram tempo e energia, mas agora estou voltando! rsrs

Como sempre, excelente postagem! Hoje em dia está cada vez mais difícil defender as verdades do Evangelho!

Pensando justamente nisso, estou fazendo em meu blog uma pesquisa de opinião sobre o tempo em que estamos vivendo (dizem que é tempo de milagres, unção, etc.).
Peço que participe. É só deixar um comentário sobre o assunto na postagem mais recente.

Obrigada e que Deus continue te abençoando!

Ely Medeiros disse...

Há também os que dizem meia verdade, ou verdade pela metade, para tentar justificar suas mazelas e quetais.
Uma dita com frequência (Mt 4:4) "não só de pão vive o homem"- e param aqui.

martins111 disse...

Ah! meus irmãos temos que rever urgentemente nossa pregação. Pois Jesus não disse: Que maravilha Davi matando golias. E nem que coisa linda Elias matando os profetas de baal. Mas Jesus em Mateus cap. 5, disse: E Davi deveria ter dado sua vida por golias. E Elias deveria ter dado sua vida pelos profetas de baal. Mateus 5,37 e Isaias 5,20. Coragem irmãos.

Hubner Braz disse...

Gostei deste post, realmente as pessoas tem que saber discernir a verdade como ela é...
Já postei sobre o outro livro seu no meu Blog, os evangelhos que Paulo jamais pregaria... Foi otimo também e já emprestei ao meu astor local.

Paz do Senhor Amigo Pr. Ciro

Hubner Braz

Robson disse...

Pastor Ciro.

A Paz do Senhor!

Permita-me fazer uma observação. Vc disse acima: "Está escrito CLARAMENTE em Lucas 24.49 que o batismo com o Espírito Santo é um revestimento de poder para quem já é salvo."

Veja bem, essa também é uma verdade que é usada pra declarar uma inverdade. Esquece de afirmar que quando Jesus disse isso, os discípulos, apesar de já serem salvos, não tinham Espírito Santo nenhum por ocasião da salvação. Ou seja, eles não eram batizados NO Espírito Santo, PORÉM, muito menos eram batizados PELO Espírito Santo. Portanto esse versículo é inútil para o fim de afirmar o batismo no ES como uma SEGUNDA bênção, pois devemos levar em conta o momento histórico singular nessa época (ausência do ES), completamente diferente da nossa época (presença do ES).

Você comete uma desonestidade com seus leitores quando não diz a verdadeira motivação daqueles que negam o batismo no ES, fazendo parecer que eles estão negando o Pentecostes. O senhor sabe muito bem que a promessa de trazer o Consolador se cumpriu em Pentecostes. O Pentecostes foi um dia histórico, pois marcou a decida do ES, e de quebra, o início da igreja. O Espírito Santo desceu e já está aqui. Ele não vai continuar descendo, ele já está. O pentecostes não vai mais se repetir, pois o ES já está aqui.

Veja que eu estou tentando refutar seu argumento com base nos versículos que vc apontou (Lc 24:49 e At 1:8), porém o argumento não se esgota aqui, pois os pentecostais ainda afirmam outras passagens de Atos (como 19:1-7) para afirmar, sem analisar bem, que há um segundo revestimento. E pior ainda: onde há na Bíblia prova de que esse tal revestimento DEVE ser acompanhado de dom de línguas?

Ciro Sanches Zibordi disse...

Caro Robson,

A paz do Senhor!

Em Lucas 24.49, o Senhor Jesus, ressurreto, já tinha estado com o Pai (cf. Jo 20.17; Ef 4.8-11). E o Espírito Santo já estava com os discípulos e neles, como o Senhor prometera em João caps. 14-16. No capítulo 20, após a sua ressurreição, os apóstolos já desfrutavam da presença do outro Consolador (o Espírito Santo), pois o Consolador (Jesus) já havia dito a eles: “Recebei o Espírito Santo” (v.22).

A promessa do Senhor, contida em Lucas 24.49, não está relacionada com a habitação do Espírito no crente ou com a sua presença no meio do povo de Deus, prometidos em João 14.17, especialmente. Isso já era uma realidade logo após a ressurreição do Senhor. A promessa contida no aludido texto e também em Atos 1.8 — relativas a Joel 2.28,29 e Isaías 44.3, etc. — diz respeito a um revestimento de poder para quem já tem o Espírito Santo em sua vida, como foi o caso dos quase 120 cristãos, no dia de Pentecostes (At 2.1ss).

Segue-se que a afirmação de que, no momento da promessa do Senhor Jesus, os discípulos, apesar de já serem salvos, não tinham o Espírito Santo revela falta de atenção ao que diz a Palavra de Deus. As Escrituras são análogas. Verdades só são verdades mesmo quando não anulam outras verdades. Repito: a Bíblia é hamoniosa, sincrônica, e não contraditória. O irmão Robson, pois, precisa estudar melhor as passagens citadas à luz de seus contextos imediato e remoto.

Não estou cometendo desonestidade com os leitores. Pelo contrário, o meu desejo é que eles conheçam a verdade acerca da manifestação multiforme do Espírito, de acordo com as verdades bíblicas, e não segundo as falácias de pensadores que desprezam o primado da Palavra de Deus. Não é o raciocínio humano que deve prevalecer. Antes, a Bíblia continua sendo a nossa fonte primacial de autoridade.

A promessa do revestimento de poder se cumpriu no dia de Pentecostes parcialmente, e não em sua totalidade. Deus derramou “do” Espírito (At 2.17), e não “o” Espírito (Jl 2.28). Se o irmão Robson ler a Bíblia com mais atenção, em vez de apegar-se a argumentos cessacionistas, descobrirá que a promessa do batismo com o Espírito Santo, como revestimento de poder, é para hoje: “a vós outros é a promessa, para vossos filhos, e para todos os que ainda estão longe, isto é, para quantos o Senhor nosso Deus chamar” (At 2.39, ARA).

Também percebi em sua argumentação que o mencionado irmão ainda não descobriu que o ministério do Espírito Santo é multifacetado, multímodo, multiforme. São várias as suas ministrações à Igreja e ao crente, individualmente. Ele age na salvação (Jo 16.8-11), mas também integra o novo crente no Corpo de Cristo (1 Co 12.13), reveste-o de poder (Lc 24.49; At 2.1-4), renova-o e transforma-o a cada dia (2 Co 3.18), etc.

Ademais, não me apego a questiúnculas, como “primeiro batismo” e “segundo batismo”. A Palavra de Deus é clara quanto ao revestimento de poder para o salvo, com a evidência de falar em outras línguas (basta estudar o livro de Atos e 1 Coríntios 12-14). Mas é preciso estudar de maneira imparcial e sem preconceito. Não podemos ir contra a ação do Espírito em nossos dias (1 Co 14.39; 1 Ts 5.19,20).

Diante do exposto, a tentativa do irmão Robson de refutar os meus argumentos não funcionou. Não porque eles sejam irrefutáveis, mas porque esse irmão, ao pensar que está se opondo a mim, contrapõe-se às Escrituras Sagradas.

Em Cristo,

CSZ

Moacir Viana disse...

nunca irá funcionar nenhuma refutação as suas ideias, vc nunca está errado...
com que raciocinio vc interpreta as escrituras, raciocinio divino???? heim????
se não me falha a memoria vc esta vivo entre nós, então deve ser humano pressuponho, logo raciocina como tal, assim como o outro irmão, que tentou te refutar, coitado dele "deus" o esmagou....

Elaine Cândida disse...

Belas abordagens...

Deus continue te iluminando.

Shalom.

Ciro Sanches Zibordi disse...

Moacir,

Você é um "velho" conhecido deste blog... Não quero conversa com você. Não costumo dar atenção a quem despreza a Palavra, querendo fazer valer as suas falácias, como unicismo, etc.

FELIZ 2010!

CSZ