terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Os males do mercantilismo do Evangelho em nossos dias

Artigo publicado no Mensageiro da Paz, número 1.496, de janeiro de 2010

Houaiss define o mercantilismo como: “a propensão a sujeitar ou relacionar qualquer coisa ao interesse comercial, ao lucro, às vantagens financeiras; teoria e sistema de economia política, dominantes na Europa após o declínio do feudalismo, que, baseados no acúmulo de divisas em metais preciosos pelo Estado por meio de um comércio exterior de caráter protecionista, fortaleceram o colonialismo e proporcionaram o desenvolvimento industrial, com resultados lucrativos para as balanças comerciais”.

O mercantilismo surgiu na Europa, entre os séculos 15 e 16, quando um conjunto de práticas e medidas econômicas começou a ser usado pelos Estados, com os objetivos de unificar o mercado interno e possibilitar importação e exportação entre os países. Nessa mesma época já existia também uma forma de mercantilismo religioso, praticado pela Igreja Católica Romana.

No seu best-seller Uma Breve História do Mundo, o professor Geoffrey Blainey afirma: “A Igreja reuniu cobradores de impostos profissionais e, assim como as pessoas que hoje ajudam a angariar fundos nas instituições de caridade, eles se encarregavam de vender indulgências. (...) Martinho Lutero detestava a prática de venda de indulgências, que nada mais eram que pacotes caros pagos pelo perdão. Em 31 de outubro de 1517, na véspera do Dia de Todos os Santos, um dia importante do calendário, afixou seus protestos em latim à porta da igreja do castelo de sua cidade” (Fundamento, página 185).

O termo “mercantilismo”, quando empregado a respeito de igrejas e líderes pretensamente evangélicos, refere-se àqueles que se valem do Evangelho para obtenção de vantagens financeiras ou lucro, o que é, sem dúvida, uma forma condenável de comercialização.

O mercantilismo do Evangelho é visto no oportunismo de pessoas que se aproveitam da facilidade para abrir igrejas, a fim de ganharem dinheiro de modo igualmente fácil. Em vez de abrirem uma mercearia ou uma padaria, por exemplo, tais exploradores optam pela comercialização do Evangelho. Ignoram que já existem igrejas bem estruturadas, capazes de formar discípulos de Jesus e acolhê-los, e fundam as suas próprias igrejas-negócios.

Os exploradores da fé se aproveitam da liberdade religiosa que vigora no país e da facilidade para abrir uma igreja. São necessários cinco dias úteis e menos de R$ 500,00 em despesas burocráticas para estabelecer uma igreja legalmente, com CNPJ e tudo. É preciso apenas o registro da assembleia de fundação e do estatuto social em cartório.

Infelizmente, boa parte dos programas evangélicos de tevê é mercantilista. Não apresentando conteúdo evangelístico, sua ênfase recai no triunfalismo e na prosperidade meramente financeira, como se isso fosse a prioridade do cristão. Seus apresentadores se valem de mensagens “proféticas” e testemunhos de pessoas que teriam recebido vitórias financeiras, mediante os quais sensibilizam os telespectadores a lhes enviarem vultosas contribuições.

Outro recurso usado pelos mercantilistas do Evangelho é a mensagem de autoajuda, verbalizada mediante a repetição de bordões como: “Ouse sonhar”, “Seja um sonhador”, “Sonhador não morre”, “Não desista dos seus sonhos”. Essa mensagem não se aplica aos servos do Senhor. Às vezes, é preciso desistir de sonhos, ainda que sejam bons, a fim de agradar a Deus. Davi e Paulo, por exemplo, abandonaram seus excelentes projetos (sonhos), para cumprirem a prioritária vontade do Senhor (2Sm 7 e At 16.6-10). “Do homem são as preparações do coração, mas do SENHOR, a resposta da boca”, Pv 16.1.

Nos tempos do Novo Testamento já havia pessoas mal-intencionadas, sem compromisso com as Escrituras, interesseiras e sem temor de Deus que vagueavam pelas igrejas cristãs usando o Evangelho para obter lucro (2Co 11.3-15 e 1Tm 6.9-10). Isso levou o apóstolo Paulo a mostrar aos cristãos de Corinto que ele era diferente desses aproveitadores (2Co 2.17, ARA). Referindo-se aos falsos mestres, o apóstolo Pedro também alertou aos crentes da época e a nós, hoje, sobre os que mercadejam a fé (2Pe 2.1-3).

O mercantilismo do Evangelho consiste no sacrifício das ovelhas em prol de falsos e maus pastores, ao contrário do que disse o Senhor Jesus, em João 10.11: “Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas”.

Ciro Sanches Zibordi

9 comentários:

André Gonçalves disse...

Graça e paz da parte de Nosso Senhor Jesus!!

Pr. Ciro,

Uma realidade patente aos nossos olhos: Homens mal-intencionados e com furor em devorar os bens de seus fiéis. Como lobos famintos induzem o povo a contribuição sem limites.

Por outro lado tem o povo, em meio ao caos de problemas do dia-dia, tenta achar uma válvula de escape. Por ser mais cômodo assentar-se em frente a Tv, e no banco de uma “catedral”para ouvir o “grande homem de Deus”, deixam a Palavra de Deus de lado, deixando-se levar ao erro.

Mas quando um verdadeiro servo de Deus orienta e alerta para este tipo de comercialização da Palavra, é tido como fanático ou até mesmo invejoso dos prósperos tais pregadores.

Deus o abençõe!

Em Cristo,

André Gonçalves

Paulino disse...

A paz Pr Ciro é bem verdade que nestes tempos que estamos vivendo são tempos dificeis de muitas palavras sob varias inspirações mas de poucas palavras de inspiração divina,muitos estão caindo na doutrina de Balaão,estão usando o nome do Senhor para os seus proprios interesses caso que tem acontecido muito tambem por aqui em Luanda-Angola,mas é mister que todas estas coisas acontençam, estamos nos ultimos segundos ou minutos não falo mas de horas porque o Senhor estará vindo buscar a sua noiva no seu dia.É necessario nos mantermos fieis a Cristo compromissados com a sua palavra cada vez mais,a minha oração a Deus por ti Pr é que continues a olhar para jesus mantendo a "linha" da sua pregação na biblia.
Sei que muitos pregadores da Assembleia e muitos conhecidos por aqui e por ai, ja poderam estar aqui em Angola e ministraram a palavra sob inspiração divina mas hoje, ja não, o que é triste para nós choramos de coração em oração a Deus por estes homens.Continua pr amando a cristo e a sua palavra.
Uma outra coisa Pr sei que ja publicaste ou lançaste o seu novo livro, quero ter acesso a um livro seu, Erros que os Adoradores Devem Evitar,e como posso adquiri-lo para quem esta fora do seu territorio no outro lado do seu continente,mas juntos no reino de Deus.A paz do Senhor pr Deus o abençoe.

Marcelo Mitrach disse...

A paz Pr. Ciro. Preciso da sua avaliação num post que coloquei em meu blog sobre simbolos maçons em uma igreja evangélica no RJ: http://mitrach.blogspot.com/2010/01/confirmacao-de-simbolo.html

Elienai Cordova disse...

A Paz do Senhor.
Realmente o "evangelho" pregado por alguns líderes tem como objetivo agradar a massa (povão), e para não perdê-los deixam de mostrar os erros que eles estão cometendo. Penso que assim como em Ezequiel 3 Deus cobraria do profeta se não entregasse a mensgem, assim também deus irá cobrar desses que tiveram a oportunidade de estarem em destaque, porém não souberam utilizar e deixaram almas indo a passos largos para a perdição.
Que Deus nos ajude a pregar o evangelho como ele é, sem preocupar-se com nossa reputação ou nosso "bolso". Vender a benção!!! Seria cômico se não fosse trágico. Esse evangelho Paulo jamais pregaria.

Deus abençõe!!!!

bragavaso disse...

Paz do Senhor

Ótimo artigo, como comentei em outro post, é uma péssima realidade que vem crescendo assustadoramente nesses últimos dias .

Em Cristo,
Alexandre Braga

SERGIANO -NABE disse...

A Paz do Senhor pastor Ciro,
Se eu não conhecesse Jesus e amasse sua Palavra seria facilmente seduzido por esse evangelho fácil. Mas graças a Deus que fui alcançado primeiro pelo Verdadeiro Evangelho!
Queria saber se o senhor tem algum post sobre o milênio no seu blog, já procurei e não encontrei?

Moisés Pena disse...

Há mercantilismo em todo lugar...

Flávio disse...

é triste vermos pessoas desse jeito, tentando vender a Palavra de Deus.

Aurideia Melo disse...

A paz do Senhor Jesus!!
Pr. Ciro
acabei de ler seu artigo no MP, é uma bênção saber que nosso Deus continua usando homens com compromisso com sua palavra.Louvado seja Deus!!... aproveitando a oportunidade, quero parabenizá-lo pelo seu livro: EVANGELHOS QUE PAULO JAMAIS PREGARIA, é uma fonte preciosa, pois esclarece, edifica, e nos alerta de muitas coisas que as vezes passam desapercebidas.Parabéns! que tudo seja para Glória e honra do nosso Deus!...