quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Conselhos a alguns “web-admiradores”, com amor


Estou começando a me sentir famoso... Não param de surgir blogueiros que me “amam”! Tudo o que eu escrevo neste blog vira notícia! Alguns deles se contentam em criar postagens com o meu nome. Outros, mais ousados, dedicam o seu precioso tempo à criação de blogs contendo “elogios” à minha pessoa...

Sinceramente, estou muito preocupado com tudo isso — tenho perdido até o sono! Por isso, resolvi criar uma postagem pela qual apresento alguns conselhos aos tais “web-admiradores” de plantão.

Amado Ricardo: mame dez, vinte, trinta... quantas vezes você quiser nos blogs alheios, mas seja criativo, original. Você é capaz de fazer melhor! Busque leite puro na fonte. Já leu 1 Pedro 2.2? Que pergunta a minha! É claro que o irmão já leu essa passagem! Afinal, qual erudito não a conhece de cor? Ah, e seja tolerante com os intolerantes, a fim de não cometer o mesmo erro deles...

Ei, Tor Alves: você que é eleito de Deus, por que não muda o slogan do seu website? Que tal: Propagando o Evangelho de Cristo aos Perdidos? Tudo bem que você gosta do calvinismo, mas me parece que está se esquecendo de que o Senhor Jesus Cristo e seu Santo Evangelho antecedem a Reforma Protestante e Calvino, não é mesmo?

Quanto a você, Roberto: vargas muito pelos blogs alheios, não acha? Por isso, lhe dou o mesmo conselho dirigido ao seu amigo Ricardo. Mame dez, vinte... quantas vezes quiser na blogosfera cristã. Mas lembre-se de que você é um cristão diferente, que busca algo mais que respostas prontas! Não exagere nesse seu vaguear. Valorize mais a fonte primária do cristão que se preza: a Bíblia.

Finalmente, querido Clô: visite este blog à vontade. Tenho recebido todos os seus comentários. Desculpe-me de eu não publicá-los... Eu sei que isso o perturba um pouco. Mas, por favor, pare de usar as cinco solas dos seus sapatos para pisar este e os pobres estudiosos que discordam das suas belíssimas exegeses!

Que 2010 seja um ano “dez” para todos vocês!

Ciro Sanches Zibordi

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Feliz Ano Novo!


Quanto às Bíblias de Estudo (como Scofield, Pentecostal, Aplicação Pessoal, Shedd, Dake, etc.), só tenho a dizer que são Bíblias de Estudo, cujas notas podem ser úteis para quem estuda, de fato, a Palavra de Deus. Só isso.

Medite, caro leitor, nas referências abaixo:

“O meu mandamento é este: Que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei” (Jo 15.12).

“Portanto, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas de fogo sobre a sua cabeça” (Rm 12.20).

“E rejeita as questões loucas e sem instrução, sabendo que produzem contendas” (2 Tm 2.23).

“Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear; isso também ceifará” (Gl 6.10).

“Admoesto-vos, pois, antes de tudo, que se façam deprecações, orações, intercessões e ações de graças por todos os homens... Porque isto é bom e agradável diante de Deus, nosso Salvador” (1 Tm 2.1-3).

“E eis que cedo venho, e o meu galardão está comigo para dar a cada um segundo a sua obra” (Ap 22.12).

“Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para a glória de Deus” (1 Co 10.31).

Eu e a minha família desejamos a todos um Feliz 2010!

Ciro Sanches Zibordi e família

domingo, 27 de dezembro de 2009

O cristão e a festa secular do Natal


O irmão Márcio Cruz escreveu, ao comentar a minha "entrevista com o Papai Noel" (postagem anterior):

A Paz do Senhor Jesus!

1. Tg 1.21 "Pelo que, despojando-vos de toda sorte de imundícia e de todo vestígio do mal, recebei com mansidão a palavra em vós implantada, a qual é poderosa para salvar as vossas almas".

2. I Ts 5.22 "Abstende-vos (afastai-vos - KJ; mantenham-se distantes - NT Judaico) de toda espécie (forma - ARA) de mal".

A situação hoje, exige que sejamos um pouco mais refreados com relação a certas coisas que, queiram ou não, em uma visão negra do capitalismo arraigou-se na Igreja do Cordeiro.
Alimentar algumas coisas ainda que para não haver "traumas" infantis, frustrações adultas do tipo: Puxa! Não ganhei presente!, é colaborar para que o Leviatã mantenha-se em sua cadeira onde deveria e deve estar o Senhor de Todas as Coisas.

"Magia do Natal?" "Espírito Natalino?" Os conselhos de Paulo são verdadeiros e para todas as eras, sejam no âmbito natalino, como para os outros. E é claro que não me refiro ao que citaste em resposta ao Lucas Marin, quando falava das celebrações de cantatas nas igrejas.
Mas pinheiro, bola, guirlanda, meia, touca...

Bom, cabe à "consciência" de cada um as palavras de Paulo: "mas ponde tudo à prova. Retende o que é bom - 1Ts 5.21". Quanto ao mais, Boas Festas Pr. Ciro e que Ele, o Salvador e o Presente de Deus à humanidade continue sendo a âncora de sua vida e família até o Grande Dia.
*não sou defensor da ideia renêniana de Chanuká! Só para esclarecer.

Ciro Sanches Zibordi responde:

Minha filha, Júlia, de quase seis anos, não acredita mais em Papai Noel. Eu lhe disse que o “bom velhinho” não existe, e ela acreditou, até com certa facilidade. Mas, até o ano passado, ela esperava os presentes do Noel à meia-noite do dia 25 de dezembro. Na minha residência, em Niteói-RJ, há uma árvore, um pinheirinho, na sala. E, a despeito de conhecermos o verdadeiro Natal de Cristo e não acreditarmos em Papai Noel, pusemos todos os nossos presentes embaixo da árvore.

Comprei presentes de Natal para minha esposa e minha filha. Minha esposa, da mesma forma, comprou presentes para mim e para a nossa princesinha. No dia 24, à noite, antes de viajarmos para São Paulo (onde estamos agora, com a família, às vésperas do Ano Novo), abrimos os presentes com alegria, comemos panetone, rabanada, frutas, etc. Antes, é claro, agradecemos a Deus pelo verdadeiro Natal de Cristo. Pergunto: Em que uma festa, mesmo secular, que reúne e alegra uma família prejudica a vida cristã e atrapalha a santificação do crente fiel, que conhece o verdadeiro sentido do Natal?

Não tenho dúvidas de que as questões relacionadas com os festejos do Natal, celebrado segundo padrões seculares, passam, obrigatoriamente, por uma leitura de Eclesiastes 7.16,17, passagem que nos ensina a não sermos nem demasiadamente justos nem demasiadamente ímpios.

O cristianismo deve ser equilibrado, como diz John Stott, acertadamente. A Palavra de Deus não exige de nós uma santificação inatingível ou impossível de ser praticada. Está implícito no aludido texto e em outros (cf. 1 Co 6.12; 10.23) que não nos é vedado o entretenimento, desde que feito com moderação.

Podemos, como servos de Deus, desfrutar de certos prazeres, como ir ao shopping com a família, participar de festas seculares (nem todas, é claro), etc., sem que nos contaminemos. A título de exemplo, é claro que não podemos comparar o Natal com o Carnaval, pois esta festa está atrelada à imoralidade e, objetivamente, ao culto aos deuses das religiões afrobrasileiras. Já o Natal, mesmo que celebrado nos moldes seculares, é uma festa de alegria, que reúne a família. Quais são os seus males para a vida e para a família cristãs?

De acordo com os princípios contidos em 1 Coríntios 6.12; 10.23,31, tudo nos é lícito, desde que não nos contaminemos com o mundo ou sejamos dominados por ele. É claro que Papai Noel e árvore de Natal estão ligados, em sua origem, ao paganismo (se bem que a árvore de hoje nada tem que ver com a usada pelos babilônios). Mas nenhum crente em Jesus Cristo põe uma árvore de Natal em sua casa em louvor a ídolos. Presume-se que um cristão tenha o mínimo de maturidade para entender que a árvore se trata apenas de um pretenso símbolo do Natal.

Não podemos confundir origem pagã com uso hodierno. Caso contrário, teremos de proibir vestido de noiva, bolo de aniversário, etc. É claro que não ignoramos o fato de haver muito de paganismo na atual festa de Natal; também estamos cientes de que as pessoas do mundo estão cada vez mais distantes da centralidade do Natal: Jesus Cristo, o Salvador do mundo, que veio para salvar todos os perdidos (Lc 19.10; Jo 3.16). Por outro lado, discriminar um irmão que tem uma árvore de Natal em casa ou proibir uma criança de admirar o chamado bom velhinho, num shopping, são atitudes extremadas.

Eu considero traumático (e os psiquiatras também), sim, para uma criança não poder participar da alegria da festa secular do Natal. E, sinceramente, um pai que não presenteia o seu filho nessa época, tendo condições para fazer isso, está agindo de modo extremado. Pergunto: Um pai que diz ao seu filho: “Não vou lhe dar presentes porque o Natal é uma festa pagã e consumista, e eu não quero agradar a Leviatã”, apesar de se considerar zeloso com a santificação, não está incorrendo no erro mencionado em Efésios 6.4, o de provocar a ira dos filhos?

Quais são as únicas pessoas que, de fato, acreditam em papai Noel? As inocentes e ingênuas crianças. E de nada adianta os pais quererem proibi-las desse encantamento natural, que, aliás, não se dá apenas em relação ao Noel. Elas ficam encantadas com todo e qualquer boneco, palhaço, etc. Isso é coisa de criança. Privá-la dessa alegria é uma maldade.

O que disse Paulo, em 1 Coríntios 13.11? “Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino”. Ou seja, nenhuma pessoa, depois de atingir a fase adulta, continua acreditando em Papai Noel. Por que, então, os pais vão tirar essa alegria única da criança? Isso, psicologicamente, as prejudicará, tornando-as tristes, enquanto os seus coleguinhas vão estar se alegrando com as cores e novidades do Natal!

Vale a pena ser tão inflexível? Será que os pais, excessivamente preocupados com questiunclas, têm ensinado seus filhos em casa (Dt 6.7) e os levado à Escola Bíblica Dominical? Geralmente, crentes extremistas que verberam contra Papai Noel e árvores de Natal são os mesmos que, inconscientemente, louvam ao “deus papai Noel”, como eu mencionei na entrevista fictícia com Papai Noel.

Tudo nessa época do ano gira em torno de enfeites coloridos, com desenhos de Papai Noel, árvores de Natal, etc. Caso os pais sejam extremistas, terão de proibir as crianças também de ir a shopping center, frequentar aulas a partir de novembro, assistir a desenhos animados ou filmes infantis que mencionem Papai Noel ou árvores de Natal, etc. Seria mesmo saudável impedir os infantes de terem esse contato com o mundo da fantasia, própria desse período da vida?

Sinceramente, tenho procurado examinar tudo e reter somente o que é bom (1 Ts 5.21). E, no que tange à festa secular do Natal, não vejo nela nada que, de fato, prejudique a minha comunhão com Deus e a minha família.

Em Cristo,

Ciro Sanches Zibordi

Feliz Ano Novo, prezadas irmãs!


O vídeo abaixo contém uma mensagem de Ano Novo exclusiva para as mulheres que visitam este blog. Se você é uma mulher, por gentileza, assine esta postagem, deixando um comentário, uma mensagem de Ano Novo para o editor deste blog e/ou para todos os internautas. Mas, se você é homem, aguarde a mensagem para os homens! Risos...

Feliz 2010, amadas internautas!

Ciro Sanches Zibordi

O internauta opina (22)


Essa história de blog apologético já ficou sem controle e sem fim para justificar o meio... A minha concepção era de que esse tipo de blog serviria para defesa da fé... puro engano!

Muitos blogueiros "cristãos" têm utilizado esse espaço para se promover. O foco agora é outro! Agora é do quem dá mais ibope! O segredo do sucesso é divulgar temas polêmicos (falar da vida dos outros), ainda que os temas sejam mentirosos, facciosos, exagerados e extremistas...

Vale tudo para ter o maior número de seguidores e postagens supercomentadas, ainda que, para isso, o Reino seja depreciado ou utilizado como pano de fundo! Hoje não se trata mais de denunciar o que está errado, de pregar contra o falso evangelho... Hoje interessa mais dizer qual a igreja possui o "selo da salvação" do que realmente promover o Reino de Deus.

O que tem de gente falando besteira e dizendo heresia por aí... Já vi de tudo... Sou seguidora de muitos blogs apologéticos sérios e gosto de temas polêmicos também, mas tudo com responsabilidade. Afinal, nossa luta não é contra a carne e o sangue! Costumo publicar o que não concordo e o que acho errado em relação ao mundo gospel, mas tudo com embasamento, e não com "achismos" ou de acordo com a minha denominação. A maioria desse tipo de blog é de conteúdo completamente tendencioso e oportunista. Muita gente, querendo puxar a brasa à sua sardinha...

Antes de sair escrevendo e publicando qualquer coisa, façamos primeiro uma análise imparcial dos fatos! Blog cristão é formador de opinião! Tenhamos mais responsabilidade!

Cristiane Carrillo
Cantora evangélica, membro da Assembleia de Deus em Rio Branco-AC, formada em Letras pela Universidade Federal do Acre e editora do blog
http://cristianecarrillo.blogspot.com.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

RETROSPECTIVA: não consegui comprar o meu avião em 2009

O ano de 2009 está acabando... Foram publicadas, neste blog, 222 postagens, com esta. Em média, 18,5 por mês. Até o presente momento, foram inseridos 4.750 comentários, o que dá uma média de 21,5 por postagem. Números que alegram o editor deste blog e mostram que vale a pena considerar o conteúdo deste espaço como parte do ministério que Deus me outorgou. Glória seja dada ao maravilhoso nome de Jesus!

Mas nem tudo é motivo para comemoração...

O ano está acabando, e eu ainda não consegui comprar o meu avião!

Como tem sido divulgado na blogosfera cristã, três famosos telepregadores (um telemissionário e dois telepastores) foram mais felizes do que eu e já tomaram posse de seus jatinhos. A Teologia da Prosperidade para eles funcionou, pois o povo respondeu bem às suas aerocampanhas.

Mas, se o prezado internauta ainda deseja me ajudar a comprar o meu jatinho, antes que as cortinas de 2009 se fechem e que as luzes deste ano se apaguem, leia as postagens anedóticas abaixo.

Ciro Sanches Zibordi


1) Campanha para comprar o meu primeiro avião
2) A campanha para comprar o meu avião continua...
3) A campanha para comprar o AeroCiro continua...
4) Ainda não desisti do AeroCiro...
5) Preciso comprar o meu avião antes de 2012

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

RETROSPECTIVA: as postagens que deram o que falar em 2009


Fim de ano é tempo de retrospectiva. E eu gostaria de relembrar com você, prezado leitor, das doze postagens (uma de cada mês) que deram o que falar em 2009.

Janeiro: a postagem mais comentada foi
Ao "pastor" que me xingou de canalha, com amor, que, com os seus 123 comentários, é também a mais comentada do ano (por enquanto).

Fevereiro:
a postagem mais comentada desse mês foi Pastor Ciro Entrevista (3)
, em que eu entrevisto o meu próprio público ledor. 78 comentários.

Março:
o vídeo
O "cair no Espírito" e a "unção do riso" têm apoio bíblico? foi a postagem mais comentada nesse mês, e hoje está com 50 registros.

Abril: a postagem Pastor José Wellington é reeleito presidente da CGADB. E agora? foi a que deu mais o que falar nesse mês e chegou até aqui com 64 comentários.

Maio: nesse mês, a postagem campeã foi a polêmica Como Zaqueu, eu quero descer..., com 116 comentários.

Junho: a republicação do texto Acerte, acerte, Soares! foi a mais comentada nesse mês (33 registros até hoje).

Julho: o famoso chefe dos publicanos volta a ser assunto (e polêmica), com a postagem Aos fanáticos fãs de Zaqueu, com amor, chegando a 78 comentários.

Agosto: a irônica postagem Não tem preço? foi a mais comentada (53 registros).

Setembro: nesse mês, a mais comentada foi As falsas profecias de Morris Cerullo, com 51 comentários até agora.

Outubro: num mês de poucas postagens — o editor deste blog estava concluindo o seu novo livro Erros que os Adoradores Devem Evitar (CPAD) —, a mais comentada foi Parabéns, mulheres! Agora, vocês podem matar inocentes!, com 40 registros.

Novembro: Uma palavra sobre futebol e usos e costumes foi a mais comentada, com 36 registros até agora.

Dezembro: este mês ainda não terminou, mas estão dando o que falar as postagens Cristão no palco e inimigos na plateia? e Expiação ilimitada, empatadas com 45 comentários no momento em que escrevo este texto. E olha que nem todos os comentários são publicados!

Quem ainda não leu as postagens acima, faça isso agora e descubra por que elas deram o que falar em 2009.

Ciro Sanches Zibordi

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Hoje, nosso casamento chega à maioridade!

Era um sábado de dezembro de 1991, mais precisamente o dia 21. Eu e Luciana já estávamos casados civilmente há uma semana e, naquela noite, com duas horas de atraso do noivo (!), após às 21 horas, receberíamos a bênção de Deus para o nosso matrimônio.

A nossa cerimônia de casamento foi realizada na Assembleia de Deus da Vila Míriam, Pirituba, na Zona Norte da cidade de São Paulo, igreja onde o evangelho de Cristo verdadeiramente nasceu em mim — digo isso porque
sou nascido em lar evangélico, mas isso não garante a salvação de ninguém. O celebrante foi o pastor Maurilo Gonçalves de Freitas, um pai na fé para mim.

É comum em cerimônias de casamento haver atraso proposital por parte da noiva. Mas o nosso casamento foi bastante incomum.
Passei o dia correndo, para que tudo acontecesse de acordo com o planejado. Afinal, havia grande expectativa quanto à recepção, que seria realizada em um amplo espaço, na casa do casal Jaime e Romilda, pessoas que, apesar da distância, nós queremos muito bem. Além dos preparativos para a festa, tive problemas com o aluguel da roupa e precisei improvisar.

O noivo, enfim, entra em cena, tímido, todo atrapalhado e magro como nunca! Na época, eu pesava vinte quilos a menos! Ou seja, de lado eu praticamente ficava invisível, e de frente, era como se estivesse de lado. A saudosa irmã Iolanda (
esposa do pastor Maurilo) ajeitava o colarinho da minha camisa, bastante largo, por sinal. O traje alugado acabou não ficando como o noivo desejava...

Chega, então, o momento triunfal. A noiva, igualmente magérrima — peso de modelo: uns 45 quilos, mais ou menos —, entra com um sorriso que ocupa todos os espaços. Inesquecível! O noivo treme, seu coração dispara. Ainda trêmulo, beijo a testa da noiva, agradeço o seu condutor (meu pai), com seu impecável terno risca-de-giz azul marinho, e ela encaixa a sua mão direita no arco formado pelo meu braço esquerdo...

O celebrante, abre um grande sorriso de satisfação, e diz: “Aqui estão os noivos. Luciana toda sorridente, e o irmão Ciro bastante corado”. Até hoje me lembro daquele grande bigode, de orelha a orelha, à minha frente. Pena que mais tarde o amado pastor Maurilo tenha optado por livrar-se de sua marca registrada. Mas o seu sorriso ficou gravado em nossa mente, e com bigode!


Feita a oração inicial e o amado pastor Moisés de Matos, presente à cerimônia, tendo dado uma linda palavras aos noivos, o conjunto da mocidade (do qual eu era o coordenador), para a nossa surpresa canta um hino que retratava bem a nossa trajetória até chegarmos ao altar: “Um milagre, Senhor/ Um milagre eu sou/ Um milagre, Senhor/ Tens feito em mim”.
Nesse momento, os noivos vão às lágrimas. Um dia realmente memorável!

Bem, vou parar por aqui... Como pretendo, um dia, escrever um livro contendo vários tesmunhos, inclusive do nossa casamento, não prosseguirei com esta narrativa. Entretanto, eu não poderia deixar de registrar, em meu blog, essa inesquecível data: 18 anos de feliz união, na presença de Deus! Não somos um casal perfeito, mas um casal feliz. Aleluia! E, hoje, graças a Deus, temos a Júlia, fruto do nosso amor.

Agradeço a você, prezado leitor, que leu este rápido testemunho até aqui e peço-lhe que interceda por nós.

Ciro Sanches Zibordi

domingo, 20 de dezembro de 2009

O Super Espermatozóide de Augusto Cury e os pregadores


Não são poucos os pregadores famosos que bebem das águas do cientista Augusto Cury. Alguns, inclusive, fazem questão de dizer que os livros desse psiquiatra cristão (cristão?) são um fiel retrato do Deus apresentado nas Escrituras. Será?

Já citei, em outro artigo, alguns trechos do livro Nunca Desista dos seus Sonhos. Neste, citarei partes da obra Você É Insubstituível, a fim de demonstrar como esse brilhante psiquiatra e autor de best-sellers está equivocado quanto ao seu pensamento a respeito do Criador e suas criaturas, a ponto de, conscientemente ou não, diminuir o Senhor Todo-poderoso, ao supervalorizar o ser humano.

“Você foi surpreendente! (...) Somente alguém com uma força descomunal como a sua poderia vencer uma corrida com milhões de concorrentes pisotenado-o, pressionando-o. (...) Você foi um grande sonhador. Sonhou sem ter capacidade de sonhar. Sonhou, através do seu programa genético, com o espetáculo da vida. O que você pensou na corrida? Nada! Você ainda não pensava. (...) Sem sonhos, a vida não tem brilho. (...) Lembre-se de que, comparando o tamanho do espermatozóide com as montanhas que teve que escalar dentro do útero de sua mãe para fecundar o óvulo, você escalou centenas de montes Everest. Nada podia detê-lo. Quando temos um grande sonho, nenhum obstáculo é grande demais para ser superado” (Você É Insubstituível, Sextante, pp.32-43).

O que há de errado com o belo palavreado de Augusto Cury? Em primeiro lugar, ele descreve todo o processo de concepção do homem sob a ótica antropocêntrica. Não enfatiza que o fato de um único espermatozóide, dentre milhões, conseguir fecundar o óvulo se deve ao grande Criador, que dá origem à vida e a preserva desde a sua concepção. Veja o que está escrito em Salmos 139.16: “Os teus olhos viram o meu corpo ainda informe, e no teu livro todas estas coisas foram escritas, as quais iam sendo dia a dia formadas, quando nem ainda uma delas havia”.

É exagerada e descabida a ideia de considerar a partícula masculina — o espermatozóide — vencedora por ter atingido o óvulo. Na verdade, a vida humana só tem origem quando as partículas masculina e feminina se encontram. E, antes disso, não há nada que possa ser valorizado em um espermatozóide, a ponto de se comparar a sua chegada ao óvulo com o escalar de centenas de montes Everest! Oh, nada pôde detê-lo. O nosso super-herói venceu!
Viva o Esperman, o invencível!

Para reforçar a teoria do Super Espermatozóide, Cury afirma: “Você nadou sem barco de apoio, bússola ou outra tecnologia para fecundar o óvulo. E, além disso, tinha de atingir um ponto minúsculo sem ter o mapa do alvo. Imagine sair a nado da Europa até os EUA e atingir um alvo pequeno como um ovo de páscoa. Sua pontaria foi incrível! Você bateu todos os recordes imagináveis de nado livre” (Você É Insubstituível, Sextante, 46).

Ora, que me perdoem os fãs desse grande cientista e psiquiatra, mas a ilustração acima é risível.
Não há força descomunal nem incrível pontaria algumas em um espermatozóide! Isso é conversa de palestrante de autoajuda. O pior é ter de ouvir pregadores famosos — que não discorrem sobre a Ajuda do Alto (Hb 13.5,6) — dizendo: “Dentre milhões de espermatozóides, apenas um atingiu o óvulo da sua mãe. Diga para o seu irmão: ‘Você é vencedor desde o ventre materno’”, como se isso fosse uma grande verdade da Palavra de Deus!

Ao contrário do que assevera Cury e seus fãs, surpreendente é Deus, e não o espermatozóide! Afinal, somente Ele, com o seu grande poder, podia ter feito com que o espermatozóide atingisse o óvulo da nossa mãe! Por isso, o mesmo salmista (Davi) reconheceu a grandeza de Deus, ao criá-lo: “Eu te louvarei, porque de um modo terrível e tão maravilhoso fui formado; maravilhosas são as tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem” (Sl 139.14).

Cury também assevera que o Esperman já era um sonhador! E, a partir dessa grande
“descoberta”, introduz a sua “fantástica” teoria de que tudo gira em torno dos nossos sonhos. Em outras palavras, o ser humano, a rigor, não precisa de Deus. “A presença dos sonhos transforma os miseráveis em reis, e a ausência dos sonhos transforma milionários em mendigos” (Nunca Desista de seus Sonhos, Sextante, p.12). Mas, como já vimos em outro artigo, entregar o caminho ao Senhor, priorizando a sua vontade, é muito mais importante do que sonhar de olhos abertos (Sl 37.5; Lc 9.23; Rm 12.1,2; Pv 16.1).

“Sua mente é insondável, mas talvez nem perceba. (...) Determine ser alegre, seguro, feliz. Dê um choque de lucidez em sua emoção, arquive novas experiências! Seja autor e não vítima de sua história” (Você É Insubstituível, Sextante, pp.57-61). Não é incrível tudo isso que Cury escreveu? Ser feliz é mais fácil do que se imagina. Você não precisa entregar a sua vida ao Senhor Jesus e segui-lo, como diz o antigo mas atual Livro dos Livros. Basta você usar todas as suas potencialidades. Elas estão dentro de você! Ouse sonhar! Determine!

Viu de quem alguns pregadores e cantores estão recebendo as suas
“inspiradíssimas” mensagens sobre os sonhos de Deus que jamais vão morrer? Diferentemente do apóstolo Paulo, que dizia: “eu recebi do Senhor o que também vos ensinei” (1 Co 11.23), eles podem afirmar, de boca cheia e aparentando muita espiritualidade: “eu recebi do grande psiquiatra, cientista e autor de best-sellers Augusto Cury”. Oh, como são “maravilhosas” as pregações e canções da pós-modernidade! Como elas massageiam o nosso ego!

Mas o senhor Cury, que já “analisou” a inteligência de Cristo — que pretensão, hein! —, deveria saber que insondável mesmo é a sabedoria e a ciência de Deus (Rm 11.33). Ademais, somente o Senhor pode determinar. E Ele é quem deve ser o autor da nossa história! Quanto a nós, falíveis e fracos mortais (1 Pe 1.24,25), devemos depender inteiramente dEle (1 Pe 5.6,7), como nos ensina a sua Palavra: “Posso todas as coisas naquele que fortalece” (Fp 4.13).

O antropocentrismo desse grande psiquiatra não para por aí. Diz ele, com convicção: “Talvez você esteja ocupado que nem ache tempo para dialogar consigo mesmo. É provável que você cuide de todo mundo, mas tenha se esquecido de você mesmo” (Você É Insubstituível, Sextante, p.79). Viu qual é a diferença entre a autoajuda de Cury e a Ajuda do Alto esposada na Palavra de Deus? A primeira nos estimula a acharmos tempo para nós mesmos. A segunda nos exorta a dedicarmos o melhor do nosso tempo ao Senhor e meditarmos em sua lei de dia e de noite (Sl 1.1-3; 55.17; 119.97; 1 Ts 5.16,17, etc.).

Augusto Cury não poderia concluir o seu best-seller Você É Insubstituível sem falar novamente do Super Espermatozóide: “Lembre-se sempre de que no início de sua história você era fragilíssimo e solitário, mas foi um gigante. (...) Você nasceu vencedor. (...) Brilhou tanto, que merecia o Oscar, o Nobel... Mas tudo isso era pequeno para premiá-lo. Então entrou em cena um ser especial, o Autor da existência, Deus, do qual ouvimos muito falar e conhecemos tão pouco. Ele observou sua capacidade de lutar. E, por fim, o premiou com o maior de todos os prêmios: O MILAGRE DA VIDA. (...) Se você não existisse, o universo não seria o mesmo” (Sextante, pp.88-107).

Meu Deus! Como podem os pregadores não perceberem o quanto a teoria do Esperman diminui o Senhor e endeusa o ser humano? Ela ignora que Deus é quem dá origem e controla todo o processo da concepção. E ainda afirma que o Criador dá um prêmio para o vencedor, depois de ter percebido que ele — o espermatozóide, nesse caso — teve capacidade de lutar! O pior é que o senhor Cury ainda posa de entendido no estudo sobre Deus, ao dizer: “entrou em cena um ser especial, o Autor da existência, Deus, do qual ouvimos muito falar e conhecemos tão pouco”.

Infelizmente, não são apenas os pregadores que estão enveredando pelo caminho da autoajuda, em detrimento da Ajuda do Alto. Há muitas canções “evangélicas” de sucesso pelas quais se afirma que já nascemos para vencer, que já tínhamos cara de vencedores! Repito: isso é conversa de palestrante de autoajuda! À luz da Palavra de Deus, o ser humano nasce pecador, perdido, derrotado (Rm 3.23; Sl 51.5). Nasce para perder, e não para vencer! Ele precisa atender ao chamamento do Senhor Jesus para a salvação (Mt 11.28-30), dirigido a todos os homens (At 17.30,31), a fim de que se torne mais que vencedor, em Cristo (Rm 8.37).

Amém?

Ciro Sanches Zibordi

sábado, 19 de dezembro de 2009

Há poder de vida e de morte em nossa língua?


O irmão Daniel Ferreira da Silva, de Catalão-GO, tem me perguntado, há algum tempo, e com insistência: “Se não há poder em nossas palavras, como explicar o versículo que diz: ‘A morte e a vida estão no poder da língua; o que bem a utiliza come do seu fruto’ (Pv 18.21)?” Como a resposta à sua pergunta deve interessar a outros irmãos que possuam a mesma dúvida, resolvi escrever este artigo.

Em primeiro lugar, é impressionante como alguns “mestres da fé” conseguem reduzir tudo o que está escrito na Palavra de Deus a alguns versículos isolados!
(Não me refiro aqui ao irmão Daniel, mas aos que induzem o povo de Deus a adotar certos posicionamentos a respeito da Bíblia.) Quer dizer, então, com base no versículo acima, que até o ímpio, se utilizar bem a sua língua, terá a vida e a morte em seu poder?

Ora, a Bíblia é análoga. E isso significa que devemos levar em conta os seus contextos geral, imediato, remoto, referencial, histórico-cultural e literário. Já pensou se um único versículo tivesse autoridade em si mesmo? Todos os cristãos fiéis que partiram para a eternidade estariam condenados! Por quê? Porque é isso que está escrito em 1 Coríntios 15.18: “E também os que dormiram em Cristo estão perdidos”. Mas, graças a Deus, o contexto revela que os mortos em Cristo estariam perdidos se Cristo não tivesse ressuscitado (vv.17-19). Mas Ele ressuscitou (v.20)!

O mesmo ocorre com Provérbios 18.21. Quem lê o capítulo todo, com atenção, percebe que não há nada aí que dê aval à falaciosa Confissão Positiva. É claro que não devemos ser negativistas, queixosos crônicos, murmuradores, melancólicos. Embora isso não seja determinante para o fracasso total de alguém — pois Deus é misericordioso e pode nos ajudar, mesmo quando passamos por momentos de fraqueza espiritual (cf. 1 Rs 19.1-8) —, devemos bendizer ao Senhor em todas as circunstâncias, haja o que houver (1 Ts 5.18; Jó 1.20-22).

Por que a Confissão Positiva é uma falácia? Primeiro, porque o termo “confissão”, nas páginas sagradas, nunca é empregado com o sentido de pronunciar “palavras mágicas” com poder de vida e de morte. Antes, na maioria das vezes, está atrelado às palavras que expressam arrependimento e desejo de se afastar do pecado (Pv 28.13; 1 Jo 1.9); ao reconhecimento de que Jesus é o Senhor (Rm 10.9); e à pregação do evangelho (Mt 10.32).

Muitos cristãos estão convencidos mesmo de que há poder de vida e de morte em suas palavras. Por isso, é comum, em pretensas marchas para Jesus, ouvirmos bordões como: “Esta cidade é do Senhor Jesus”. Contudo, se não houver compromisso com o verdadeiro evangelho, tais “confissões positivas” em nada mudarão a situação atual do nosso país. Infelizmente, os mesmos triunfalistas que induzem o povo a
“profetizar” vitória sobre a nação estão envolvidos com inúmeros pecados, como a idolátrica avareza (Ef 5.5; 2 Pe 2.3).

Ainda que, em certo sentido, as nações, o planeta Terra e todo o Universo sejam do Senhor Jesus (Sl 24.1; Hb 11.3), o mundo está precisando ouvir as boas novas de salvação (Mc 16.15; Mt 28.19), e não “palavras mágicas”. O Brasil precisa ser conquistado pelo evangelho, e não politicamente. O Reino de Cristo é espiritual (Jo 18.36; Rm 14.17). Precisamos orar pela nossa nação e pregar o verdadeiro evangelho
. Deus pode mudar a situação de países e governos por intercessão e influência do seu povo, e não mediante “confissões positivas” (1 Tm 2.1-3; 2 Cr 7.14,15). Mas os adeptos da Confissão Positiva têm preferido “profetizar” que bares e casas de show serão fechados, teatros apresentarão peças evangélicas...

Se
“confissões positivas” funcionassem mesmo, o mundo seria uma maravilha. Mas voltemos ao texto de Provérbios 18.21. Nos versículos anteriores vemos que o autor sagrado não estava se referindo ao suposto e determinante poder de vida ou morte das palavras humanas: “O irmão ofendido é mais difícil de conquistar do que uma cidade forte; e as contendas são como ferrolhos de um palácio. Do fruto da boca de cada um se fartará o seu ventre; dos renovos dos seus lábios se fartará” (Pv 18.19,20).

Outro texto usado pelos “mestres” da Confissão Positiva para corroborar a passagem em análise é Tiago 3.10. Podemos examiná-los conjuntamente porque ambos alertam quanto à maledicência, incentivando-nos a usar a língua para bendizer a Deus (Tg 3.1-9). Veja:
“Com ela [língua] bendizemos a Deus e Pai, e com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus” (v.9).

Como no movimento da Confissão Positiva tudo gira em torno do limitado e frágil ser que se gaba de muitas coisas — o homem —, este é convencido de que pode resolver tudo mediante as suas palavras. Ele não deve chorar nem sofrer, pois, se souber usar o poder de vida e de morte que tem em seu pensamento e em sua língua, poderá dominar todas as coisas e tornar-se um deus andando na terra! Basta “determinar”, e será abençoado ou abençoará pessoas, famílias, nações e até times de futebol!

Juntamente com os textos isolados de Tiago 3.10 e Provérbios 18.21, os “mestres da fé” citam: a visão do vale de ossos secos, em que Ezequiel profetizou, e os ossos reviveram (Ez 37.1-10); e também o fato de o profeta Elias ter “determinado” que não choveria durante três anos e seis meses (1 Rs 17.1). Quanto a Ezequiel, ele profetizou conforme se lhe deu ordem e disse: “Ossos secos, ouvi a palavra do SENHOR” — o poder para vivificar os ossos não estava em sua palavra, e sim na viva e eficaz Palavra do Senhor (Ez 37.4-7; Hb 4.12).

No caso do profeta Elias, de fato não choveu durante três anos e seis meses segundo a sua palavra. Entretanto ele, que “era homem sujeito às mesmas paixões que nós e, orando, pediu que não chovesse” (Tg 5.17). Ou seja, ele só fez o que fez diante do rei Acabe porque Deus atendeu, de antemão, o seu pedido. Quem aprende com o Bom Pastor — e não com telemissionários, telebispos e tele-apóstolos — sabe que o crente fiel deve pedir, em vez de “determinar” (Mt 7.7,8; Jo 14.13,14).

Diante do exposto, não se deve tomar o texto de Provérbios 18.21 como uma verdade geral, aplicável para toda e qualquer circunstância. O autor falou do poder de vida e de morte da língua em relação a bendizer e maldizer o próximo. Essa passagem não abona a descabida e falaciosa Confissão Positiva, que leva o frágil ser humano a pensar que toda e qualquer palavra que sai de sua boca é uma profecia.

Amém?

Ciro Sanches Zibordi

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Sonhar ou entregar o caminho ao Senhor?

Antes que alguém com pouco senso de humor interprete mal a montagem acima, antecipo-me para dizer que respeito os ideiais e a memória de Martin Luther King... Mas um(a) internauta anônimo(a), bem-humorado(a) e portador(a) de um excelente texto me escreveu o seguinte:

Oi, pastor Ciro, a paz do Senhor!

Eu acredito que a vida sem sonhos é um tanto sem cor e beleza. Por esse motivo, acredito que é importante sonhar; afinal, muitas pessoas realizaram grandes feitos, e alguns destes tiveram seu início em simples sonhos. Vai me dizer que, quando o senhor escreveu os seus livros, antes de fazê-los, não havia sonhado com eles? Muitos também tiveram êxito e foram bem-sucedidos na obra de Deus, e tudo começou com um sonho.

Entendi sua crítica a Augusto Cury, mas creio que o autor, ao ressaltar as potencialidades humanas, tem a intenção de incentivar os leitores a alcançar os seus objetivos. Quantas pessoas dizem: “Se Deus quiser, vou conquistar isso ou aquilo...”, mas nada fazem para que algo aconteça. Nós também precisamos dar a nossa parcela de contribuição.

Não sei se me fiz entender, mas espero que não se ofenda com o que disse. Quem sabe se, ao ler a coleção que fala sobre a Análise da Inteligência de Cristo, o senhor não muda um pouco de opinião. Para finalizar, desejo que você seja sempre um sonhador, pois um sonhador não morre... (Risos... Apenas para descontrair).

Que o Senhor continue abençoando ricamente o seu ministério. Fica na paz.

Minha resposta:

Prezado(a) anônimo(a):

Parabéns pelo seu fluente texto e pela clareza na exposição de suas ideias. Mas, como já era de se esperar (risos), não posso concordar com você.

Modéstia à parte, conheço bem a obra do psiquiatra Augusto Cury. Inclusive, é muita pretensão dele querer analisar a inteligência de Cristo! Ele não deve conhecer o texto de Romanos 11.33: “Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos!” Por isso, para os salvos em Cristo, o melhor mesmo é examinar a Palavra de Cristo (Cl 3.16)!

É claro que eu sonho! Quando durmo e também de olhos abertos. Mas, sinceramente, discordo que alguém precise, necessariamente, sonhar para conseguir alguma coisa! José nunca sonhou na prisão que um dia seria o governador do Egito! Para um servo de Deus, o que vale é a priorização da vontade do Senhor. Por isso, deleita-se no Senhor, preferindo entregar o seu caminho a Ele (Sl 37.4,5) a ficar sonhando de olhos abertos.

A vida sem sonhos é um tanto sem cor e beleza? Talvez, mas para quem não conhece o Senhor Jesus. Um servo de Deus tem o seu prazer na Lei do Senhor e nela medita de dia e de noite (Sl 1.1-3). Não são os sonhos, efetivamente, que fazem a diferença na vida de um cristão. Afinal, a alegria do Senhor é a nossa força (Ne 8.10). Quem tem o Senhor Jesus em seu coração, neste ocorre um banquete contínuo (Jo 14.23; Ap 3.20).

É importante sonhar? Em parte. Eu sonho com muitas coisas, mas deleito-me no Senhor e tenho certeza de que Ele está no controle da minha vida. O que está escrito em Provérbios 16.1? “Do homem são as preparações do coração, mas do SENHOR, a resposta da boca”. O que é mais importante: sonhar ou ser guiado por Deus? Sonhar ou estar no centro da vontade dEle?

Muitas pessoas realizaram grandes feitos, e algumas tiveram seu início em simples sonhos? Oh, sim, é verdade! Mas pergunte a Davi se o grande sonho dele, de construir o Templo, se realizou. Pergunte a Paulo se os sonhos dele, de pregar o evangelho na Ásia e na Bitínia, se concretizaram. Esses homens sonharam, sim, pois não é pecado sonhar de olhos abertos, desejar, fazer projetos (1 Tm 3.1). No entanto, eles foram, sobretudo, obedientes a Deus, a fim de que a vontade dEle se cumprisse.

Se eu sonhei que escreveria livros? Fui obrigado a rir ante essa pergunta. Afinal, eu nunca sonhei sequer em ter um artigo no Mensageiro da Paz! Foi Deus quem guiou a minha vida, a ponto de me colocar entre os príncipes da literatura evangélica. Não é isso que está escrito em Salmos 113.7,8? “[Deus] do pó levanta o pequeno e, do monturo, ergue o necessitado, para o fazer assentar com os príncipes, sim, com os príncipes do seu povo”. Aliás, no meu novo livro — Erros que os Adoradores Devem Evitar (veja os detalhes na barra lateral, neste blog) — eu conto um pouco da minha trajetória como escritor.

É triste ver crentes em Jesus, que têm um tesouro dentro de si (2 Co 4.7), valorizando a a autoajuda, em detrimento da Ajuda do Alto. Acreditam tanto em teorias de palestrantes que enriquecem discorrendo sobre como aumentar a autoestima, esquecendo-se de que é muito mais importante (para o salvo, é claro) humilhar-se debaixo da potente mão do Criador (1 Pe 5.6,7). Quem prioriza a vontade de Deus não fica frustrado quando um sonho não se realiza, pois sabe que a sua vida está nas mãos dEle. Essa é a grande diferença entre o crente sonhador e o cristão dependente do Ajudador (Hb 13.5,6).

Eu ouso sonhar! Mas não me entristeço quando um projeto não se realiza. Já recebi muitos “nãos” na vida. Sei que Deus é “poderoso para fazer tudo muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera” (Ef 3.20). E, quando preciso, ao contrário do que ensina o cientista Augusto Cury, eu desisto dos meus sonhos, pois tenho convicção de que a vontade de Deus é o melhor para a minha vida (Rm 12.1,2).

Portanto, não deixe de sonhar, mas priorize a vontade do Senhor!

Ciro Sanches Zibordi

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Expiação ilimitada (conclusão)


Esta última parte da série sobre a expiação ilimitada é apenas para reafirmar algumas verdades das Escrituras, apresentadas nos artigos anteriores.

A Palavra de Deus assevera, indubitavelmente, que o Senhor Jesus morreu por toda a humanidade (Hb 2.9; 2 Co 5.14,15). Isso está escrito claramente, não sendo possível — a menos que se queira torcer a sã doutrina — interpretação diferente à luz do contexto. Afinal, uma vez que todos os seres humanos são pecadores de nascimento (Rm 3.23; Sl 51.5), e considerando que Deus nivelou a todos debaixo do pecado a fim de usar para com todos de misericórdia (Rm 5.12; 11.32), não há como afirmar, diante desses fatos, que a frase “morreu por todos” denota “morreu por todos os eleitos”.

Segue-se que a expiação feita por Jesus é ilimitável, à luz das Escrituras. Ele não morreu apenas por aqueles que haveriam de alcançar a salvação por terem sido eleitos de antemão. Mas provou a morte por todos os pecadores, a despeito de a sua obra redentora só ter eficácia na vida de “todo aquele que nele crê” (Jo 3.16). Isso não significa que só creem em Cristo os eleitos antes da fundação do mundo, pois Deus — que nunca quis que alguns viessem a se perder (2 Pe 3.9) — “anuncia agora a todos os homens, em todo o lugar, que se arrependam, porquanto tem determinado um dia em que com justiça há de julgar o mundo...” (At 17.30,31).

A serpente de metal, levantada no deserto nos dias de Moisés, salvou a vida de todos os israelitas mordidos de cobra que olharam para ela. E não havia nenhuma condição prévia para se olhar para aquela estatueta! Todos os mordidos por uma serpente poderiam olhar para o exemplar de metal e ficarem vivos: “... e era que, mordendo alguma serpente a alguém, olhava para a serpente de metal e ficava vivo” (Nm 21.9). Ninguém precisou ter sido escolhido previamente dentre os mordidos de cobra para poder olhar para a serpente de metal!

Todas as pessoas mordidas de cobra, então, podiam escapar da morte olhando para a serpente de metal! Da mesma forma, o Senhor Jesus foi levantado para salvar a todos os pecadores (1 Jo 2.2; 1 Tm 4.10), mesmo aqueles que não viessem a olhar para Ele (Jo 3.14; 1 Tm 2.4-6). Mas, assim como só escaparam da morte os que efetivamente olharam para a estátua de metal, a vida eterna é para os pecadores que creem em Jesus Cristo verdadeiramente (Jo 3.15-36; 5.24; Mt 11.28-30) e nEle permanecem (1 Co 15.1,2; Hb 3.12-14).
“Portanto, [o Senhor Jesus] pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus” (Hb 7.25).

Agradeço, sinceramente, a todos os irmãos — os calvinistas, os arminianos e os que não gostam de nenhuma das duas designações — pela participação. Os comentários publicados (alguns foram apenas lidos, mas não publicados) demonstram qual é o interesse de cada um, ao abordar o assunto. Mas saliento que esta série não foi escrita, precipuamente, para convencer os calvinistas de que estão equivocados, a despeito de eu reconhecer que eles têm grande dificuldade em aceitar que o Senhor Jesus morreu por toda a humanidade, posto que isso desfere um grande golpe nos fundamentos do calvinismo, que se baseia na eleição de indivíduos para a salvação, realizada antes da fundação do mundo.

Enfim, este artigo e os anteriores visam a ajudar a todos os irmãos que tenham dificuldade de entender a doutrina da expiação. E essa dificuldade, em grande parte, ocorre por causa dessa histórica e inglória distinção, seguida de disputa, entre calvinistas e arminianos, a qual a nada leva, a não ser a confusão e divisão. Bom seria que todos reconhecessem o primado das Escrituras e estivessem dispostos a abrir mão de suas argumentações filosóficas.

Em Cristo,

Ciro Sanches Zibordi

Expiação ilimitada (3)


Armando Marcos disse:

Caro Pastor Ciro, o senhor colocou “Sim, Ele derramou o seu precioso sangue pelos pecadores, e não pelos eleitos: ‘Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores’ (Rm 5.8). Ele morreu pelos pecadores, mas nem todos os pecadores creem nEle para a vida eterna (Jo 3.15-17,36; 5.24; Mc 16.15-17)”.


Mesmo que admitindo que Jesus morreu por toda a humanidade, e no caso seu amor foi por todos, creio que devemos, forçosamente, colocar que efetivamente e de forma prática e real, a morte de Jesus acaba só tendo efeito realmente para com os crentes, aqueles que crêem em Jesus, pois como diz TODO AQUELE QUE nele crer. mesmo que num primeiro momento isso que está em João 3:16 abranja TODOS, ele diz sobre TODOS AQUELES QUE NELE CREEM! (as letras maiúsculas não é grito, só estou ressaltando mesmo).

Por isso, não há medo nem temor de fazer a morte de Cristo ser menos ou mais eficaz! No fim das contas, ela é eficaz e limitada só aos que creem, limitada a aqueles que nele crerem! parece calvinista, mas não precisa ser! Segundo, Jesus morreu pelo pecadores, e pelos eleitos, pois no caso, esses pecadores pelos quais Cristo salvou são eleitos, pois diz Efésios 1.4: “como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em caridade, e nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade, para louvor e glória da sua graça, pela qual [ELE] nos fez agradáveis a si no Amado”.

Fica claro que os pecadores que são salvos são eleitos para adoção, mas isso é uma doutrina que precisa ser colocada para os crentes, para seu conforto e segurança, pois aos incrédulos, eles não podem procurar Jesus como eleitos, mas sim como pecadores. Derivando disso, creio que não se pode perder a salvação, mas aqui não é a hora para discutir isso. Espero ter contribuído, pastor!

Ciro Sanches Zibordi responde:

Prezado Armando Marcos,
agradeço-lhe pela participação. O irmão certamente contribuiu ao enviar-me o seu comentário, pois ele tornou-se, como se vê, parte do terceiro artigo desta série sobre a expiação ilimitada realizada pelo Senhor Jesus, em sua obra vicária.

A sua citação de Efésios 1.4 me obrigaria a ampliar essa abordagem, posto que ela gira em torno apenas da expiação ilimitada. Mas o irmão pode procurar, caso tenha interesse, neste mesmo blog uma série acerca das incongruências do predestinalismo, pela qual discorro acerca da eleição do ponto de vista bíblico. Mas lembre-se de que eleição, em si, não significa salvação. E eleição do povo de Deus, em Cristo, não denota, ainda, eleição individual. O mesmo se aplicou ao povo de Israel, como geração eleita, do qual somos antítipo (1 Pe 2.9,10).

Quanto à possibilidade de perda de salvação, também citada pelo irmão, há outra série neste blog que trata exclusivamente disso. Mas adianto que, de acordo com a Palavra de Deus, segurança da salvação só existe para quem permanece em Cristo, e não para eleitos (1 Co 15.1,2; Ap 3.5). Afinal, mesmo o eleito, predestinado, salvo, pode voltar às corrupções que há no mundo (2 Pe 2.20-22), caso apostate da fé (1 Tm 4.1), em razão de o seu coração, por falta de cuidado e perseverança, tornar-se mal e infiel (Hb 3.12-14).

Voltando à expiação ilimitada, o irmão disse que eu “coloquei”, mas a minha explanação foi apenas um eco do que diz a Palavra de Deus. Jesus, verdadeiramente, derramou o seu precioso sangue por todos os pecadores, ainda que a expiação só ocorra de fato na vida de “todo aquele que nele crê” (Jo 3.16). Isso não quer dizer que Jesus falhou, ao morrer por inúmeras pessoas que não fazem caso de seu sacrifício vicário.

O Senhor Jesus não perde nem fica frustrado quando alguém deixa de fazer a sua parte. Afinal, é o ser humano quem perde, não atentando para a “tão grande salvação” (Hb 2.3)! Veja o exemplo do povo de Israel: “Na tua imundícia está a infâmia, pois te purifiquei, e tu não te purificaste; nunca mais serás purificada de tua imundícia...” (Ez 24.13). Observe que Deus fez a sua parte, purificando o povo. Mas este, chamado por Deus de “cidade sanguinária” (v.9), não quis se purificar! Da mesma forma, o Senhor Jesus fez a sua parte, ao morrer por toda a humanidade.

Não precisamos admitir nem reconhecer que Jesus morreu por todos os homens. Admitamos isso ou não, a Bíblia assevera que Ele provou a morte por todos os homens (2 Co 5.14,15; Hb 2.9). A frase “morreu por todos” deve ser considerada à luz de Romanos 3.23 e 5.12, passagens que não deixam dúvidas quanto à universalidade do pecado. E foi o próprio Deus quem nivelou a todos como pecadores, a fim de estender o benefício da vida eterna a cada indivíduo que nEle cresse: “Porque Deus encerrou a todos debaixo da desobediência, para com todos usar de misericórdia” (Rm 11.32). Leia também Gálatas 3.22 e Romanos 5.18.

É óbvio que “efetivamente e de forma prática e real, a morte de Jesus acaba só tendo efeito realmente para com os crentes, aqueles que crêem em Jesus”. Mas isso não invalida o que está escrito nas passagens pelas quais se assevera que a expiação é ilimitável, do ponto de vista divino. Ele nivelou a todos debaixo da desobediência, a fim de conceder a todos a oportunidade de salvação (Rm 11.32; Jo 3.16).

Vejo de sua parte, caro irmão, uma tentativa de teologizar — de dizer que não é, na prática, o que está escrito claramente em João 3.16 que vale para nós — quando afirma que “todos” na verdade são apenas “todos aqueles que nele creem”. Não podemos confundir os assuntos. Uma coisa é a morte expiatória, realizada por todos os pecadores, como já demonstrei acima. Outra é a aceitação por parte de todos os que creem nessa gloriosa obra. Uma não invalida a outra.

Finalmente, a frase “provasse a morte por todos”, contida em Hebreus 2.9, também deve vista à luz do que está escrito no próprio livro de Hebreus acerca da pecaminosidade universal, especialmente nos capítulos 5 e 7. Nesse caso, como Deus nivelou toda a humanidade como pecadora, o Senhor Jesus não é a propiciação apenas pelos nossos pecados, mas pelos de todo o mundo (1 Jo 2.2). Empregar argumentos filosóficos para contrariar isso é voltar-se contra a Palavra do Senhor.

Em Cristo,

Ciro Sanches Zibordi

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Expiação ilimitada (2)


Leonardo Bruno Galdino disse:

Pr. Ciro, uma perguntinha: Cristo veio para salvar ou para criar uma possibilidade de salvação? Nós, os reformados, ficamos com a primeira proposição. Cristo veio para salvar efetivamente. E, visto que a expiação de Cristo foi eficaz, logo conclui-se que Ele não pode ter derramado o seu precioso sangue em favor daqueles que nunca crerão, ou seja, dos réprobos.

Mateus 1.21 é claro: “porque ele salvará o seu povo dos pecados deles”. João 10.11 também: “o bom pastor dá a vida pelas ovelhas”. Jesus não veio criar possibilidades, mas salvar, de fato! E textos como os tais são mais do que claros quanto à verdade de que o sangue do Cordeiro foi oferecido para expiar o pecado do seu povo, e deste somente.

Crer em uma expiação ilimitada, no sentido de que ela foi feita em prol de todos os seres humanos indistintamente, não apenas diminui a eficácia da expiação de Cristo, mas também a anula por completo, visto que nem todos serão salvos. O que teríamos, nesse caso, seria um Deus frustrado e um Cristo impotente. Absurdo!
Sinceramente, pastor, continuo preferindo acreditar nas Antigas Doutrinas da Graça a crer numa expiação tão “ilimitada” (e ineficaz, por conseguinte) como essa que estás a pregar.

Soli Deo Gloria!

Ciro Sanches Zibordi responde:


Querido irmão Leonardo Bruno Galdino, apesar de eu já ter lido por aí — em algum lugar na Internet — comentários desdenhosos a meu respeito, resolvi publicar o seu comentário (e com destaque), acompanhado de minha resposta, apenas para: dizer-lhe que respeito a sua opinião; e demonstrar que a sua argumentação não resiste a uma análise bíblica mais aprofundada.

Primeiro, quando o irmão diz “Sinceramente, pastor, continuo preferindo acreditar nas Antigas Doutrinas da Graça a crer numa expiação tão ‘ilimitada’ (e ineficaz, por conseguinte) como essa que estás a pregar”, deixa transparecer que um dos seus objetivos (talvez, o principal) é continuar vencendo uma disputa, um debate, bem como provar que o calvinismo é a melhor alternativa quanto ao entendimento das doutrinas da salvação. Mas a pergunta é: Com quem o irmão está disputando? Tenha cuidado para não estar se opondo à própria Palavra de Deus!

Segundo, respeito — repito — a sua opinião e de todos os calvinistas (até mesmo daqueles que não mais publico os comentários aqui, por motivos que eles mesmos já conhecem), porém tenho algumas considerações a fazer a respeito da sua “perguntinha”.
Cristo veio buscar e salvar o que se havia perdido (Lc 19.10), isto é, toda a humanidade (Rm 3.23). Veio para morrer por todos os homens perdidos (Hb 2.9; 1 Tm 2.4-6; 2 Co 5.14,15).

Aliás, o Senhor se manifestou para: cumprir as profecias veterotestamentárias a seu respeito (i.e. Is 7.14; 9.6; 53); revelar-nos a glória do Pai (Jo 1.14; 2 Co 8.9); dar o exemplo de uma vida santa (Mt 11.29; Jo 13.15); morrer pelos pecados da humanidade e, consequentemente, salvar os que “por ele se chegam a Deus” (Hb 7.25; Jo 14.6; 1 Jo 3.5; Tt 2.11; Jo 1.29,36; 2 Co 5.21); vencer Satanás, desfazendo as suas obras (1 Jo 3.8; Hb 2.14; Cl 2.14,15); vencer a morte (Jo 10.17,18; Ap 1.17,18); anunciar a sua volta (Hb 9.27,28).

Terceiro, Cristo Jesus veio para entregar efetivamente a sua vida por toda a humanidade (1 Jo 2.2; 1 Tm 4.10) e, com isso, salvar efetivamente “todo aquele que nele crê” (Jo 3.16). Sim, Ele derramou o seu precioso sangue pelos pecadores, e não pelos eleitos: “Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores” (Rm 5.8). Ele morreu pelos pecadores, mas nem todos os pecadores creem nEle para a vida eterna (Jo 3.15-17,36; 5.24; Mc 16.15-17).

Por conseguinte, Jesus veio ao mundo para cumprir a vontade do Pai, morrendo por toda a humanidade e, consequentemente, salvar os que creem nEle para a salvação (1 Tm 2.5). E isso, na Palavra do Senhor, é mais do que claro! O problema de seu argumento, caro irmão Galdino, é que ele só vê um aspecto; é restritivo, limitador, portanto; não contempla toda a obra redentora realizada pelo Senhor Jesus, como demonstrei acima.

Aconselho, pois, o irmão a considerar a Bíblia, a Palavra de Deus, como a sua fonte primária de autoridade.

Com amor,

Ciro Sanches Zibordi

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Expiação ilimitada (1)


A maravilhosa salvação em Cristo é oferecida por Deus a todos os homens, sem distinção. Sim, pois o Senhor Jesus, o Filho de Deus, morreu por toda a humanidade (Hb 2.9; 1 Tm 2.4-6). Ele realmente morreu por todos a quem deseja salvar, a totalidade do mundo. E fez a propiciação pelos pecados de cada indivíduo, como se lê, claramente, em 1 João 2.2: “E ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo”.

Cristo Jesus verdadeiramente entregou a sua vida para reconciliar com Deus a totalidade do mundo, e não uma parte dele: “Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo [gr. kósmon]” (2 Co 5.19). Nenhuma lógica humana pode anular o sacrifício perfeito e de alcance universal, realizado pelo Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo (Jo 1.29). Por isso, o texto áureo da Bíblia diz: “Porque Deus ao mundo [gr. kósmon] de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16).

Pensadores pretensamente defensores das doutrinas da graça quererão argumentar — como sempre — que “todos” não são todos, e que “mundo” é apenas uma parte do mundo. Mas as Escrituras são claras o suficiente para emudecê-los, ainda que eles, resmungando, não admitam seu equívoco: “Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele” (Jo 3.17).

Insofismavelmente, o texto de João 3.15-17 estabelece a universalidade (não confunda com o herético universalismo) da salvação e a ilimitável expiação. Cristo entregou a sua vida por toda a humanidade, a fim de que “todo aquele que nele crê” tenha a vida eterna, desfrutando do Reino de Deus do qual o Senhor Jesus havia falado a Nicodemos (vv.1-5). Que Deus nos guarde de querermos limitar o alcance da graça de Deus, que “se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens” (Tt 2.11).

O fato de muitos pecadores não atentarem para essa “tão grande salvação” (Hb 2.3), anunciada a todos os homens, em todos os lugares (At 17.30), de modo nenhum deve levar-nos a pensar que a expiação é limitada, restrita, específica, destinada a alguns privilegiados “eleitos”. Afinal, Cristo, por causa da paixão da sua morte, pela graça de Deus, provou a morte por todos os homens (Hb 2.9; 1 Tm 4.10).

Ciro Sanches Zibordi

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Cristão no palco e inimigos na plateia?


"Será que um servo de Deus precisa mesmo mostrar aos seus desafetos que ele venceu? Existe a necessidade de o Senhor conservar os nossos inimigos vivos para verem a nossa vitória? Não seria melhor desejarmos o bem deles? O que melhor combina com a vida cristã: o sentimento de vingança ou o sentimento de compaixão? (...)

Quem são os nossos inimigos? Seria bom que todos os compositores lessem as palavras de Jesus registradas em Mateus 5.44: “Amai os vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem”.

Que Deus cuida do justo não há dúvidas. Mas não cabe a nós a vingança nem o sentimento de vingança. Em Romanos 12.19,20 está escrito: “Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira [de Deus], porque está escrito: Minha é a vingança; eu recompensarei, diz o SENHOR. Portanto, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas de fogo sobre a sua cabeça”.

Lembremo-nos mais uma vez de Jesus e também de seu seguidor Estêvão, dois vencedores que saíram de “entre a plateia” e subiram “no palco”. Qual era o sentimento deles, em cima daquele “palco” nada atraente, diante da multidão enfurecida? É difícil suportar os nossos inimigos, não é? Como, pois, reagiríamos ante o comportamento hostil e zombeteiro daqueles que estão “entre a plateia”? (...)

Aprendamos com Estêvão e principalmente com Jesus. O primeiro, ao ser apedrejado “no palco”, não ficou em silêncio nem desejou o mal de seus inimigos. Antes, pôs-se de joelhos e clamou: “Senhor, não lhes imputes este pecado” (At 7.60). Já o nosso Senhor — que, como Filho de Deus, podia ter pedido ao Pai que fizesse justiça, castigando os seus algozes — intercedeu por eles: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lc 23.34).

Diante desses piedosos exemplos, por que eu deveria dizer “aleluia” ou “glória a Deus” quando alguém tripudia diante de seus inimigos, por pior que eles sejam? Seria bom revisarmos os nossos conceitos acerca do louvor a Deus. Acredito que muitos cristãos não têm percebido os desvios contidos em letras de composições “evangélicas” da atualidade em razão de desconhecerem algumas características do louvor esposadas na Bíblia."

Trecho do livro Erros que os Adoradores Devem Evitar
, de Ciro Sanches Zibordi (editado pela CPAD), escrito com o propósito de orientar o povo de Deus acerca da adoração e do adorador. O autor discorre sobre a adoração propriamente dita, o louvor, o cântico de louvor, a música, etc. Boa parte da obra é dedicada a análise de letras de composições de sucesso, estilos musicais, comportamento, modismos e inovações no culto a Deus. Em breve, mais informações neste blog e no Portal CPAD.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Em breve: Erros que os Adoradores Devem Evitar

ERROS QUE OS ADORADORES DEVEM EVITAR

Sumário

Capítulo 1 – Como Zaqueu, eu Quero Descer

Capítulo 2 – Sabor de Mel

Capítulo 3 – Autoajuda ou Ajuda do Alto?

Capítulo 4 – A Voz do Bom Pastor e a “Voz da Verdade”

Capítulo 5 – E os Hinos Cristocêntricos?

Capítulo 6 – Mais Populares que Jesus Cristo

Capítulo 7 – “Adoração” com Estilo (I)

Capítulo 8 – “Adoração” com Estilo (II)

Capítulo 9 – Música no Culto ou Culto à Música?

Capítulo 10 – Não Confunda!

Em Cristo,

Ciro Sanches Zibordi