segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Cristãos supersticiosos?


Paulo disse, no Areópago, em Atenas: “... em tudo vos vejo um tanto supersticiosos” (At 17.22). A despeito de estas palavras terem sido dirigidas aos atenienses, veremos neste artigo que elas também valem para muitos cristãos da atualidade.

O que é superstição? Do latim superstitione, é uma crença errada, uma falsa ideia a respeito do sobrenatural ou um sentimento religioso excessivo ou errôneo que muitas vezes arrasta as pessoas ignorantes à prática de atos indevidos e absurdos. Como o Brasil é um país muito supersticioso, graças a religiões populares (como catolicismo, umbanda e candomblé), às vezes vemos alguns cristãos que mantêm resquícios do tempo em que eram dominados pelo misticismo.

“Arruda e sal afastam maus espíritos”. Há igrejas pseudoevangélicas que têm adotado a arruda e o sal grosso para supostamente fazerem com que males, doenças e enfermidades fiquem bem distantes dos seus fiéis. Com isso, os líderes desses movimentos pretensamente cristãos, além de
“afastarem” os maus espíritos, atraem os incautos e bons ofertantes...

“Carne de porco no réveillon traz prosperidade”. Pois é... tem crente que só come pernil (de porco) na virada do ano. Por quê? Porque existe uma superstição de que, como esse animal fuça para frente, garante prosperidade o ano todo, ao contrário do peru, que cisca para trás. Pode uma coisa dessas?!

“Orelha arde quando alguém fala mal de nós”. Há uma crendice no Brasil, não levada tão a sério como antigamente, de que, se uma pessoa sentir a sua orelha arder, é porque alguém está falando mal dela. E é comum ouvir gracejos do tipo, entre os evangélicos: “Sua orelha deve ter queimado bastante ontem, pois falamos bastante de você”.

“Passar a virada do ano de branco dá sorte”. Tenho observado que, no culto de passagem de ano, muitos irmãos aparecem vestidos de branco. Você sabia que esse hábito é inspirado em religiões de origem africana? É verdade que o branco simboliza pureza e paz. Mas a mencionada superstição está ligada, sobretudo, aos cultos afro-brasileiros, como umbanda e candomblé.


“É bom começar o dia com o pé direito”.
Há alguns anos, visitei a casa de Santos Dumont, em Petrópolis, no Rio de Janeiro. Fiquei maravilhado com as suas invenções. E admirei-me mais ainda com as suas superstições! Para se ter uma ideia, a escada de acesso à sua casa tem apenas um pedaço de madeira do lado direito, no primeiro degrau. Para quê? Para obrigar o visitante a iniciar a subida com o pé direito! Mas já ouvi crente dizer assim: “Hoje, levantei cedo, orei, li a Bíblia... Comecei o dia com o pé direito”!

“Dá azar encontrar-se com um gato preto”. Essa crença e outras a respeito dos gatos vieram da Europa. Diz-se que eles não amam os seus donos, e sim a casa em que vivem. Por isso, numa mudança, é preciso levar o pequeno felino dentro de um saco para que não saiba para onde está indo. Acredita-se, ainda, que o Diabo toma a forma de um gato preto. Parece incrível, mas já ouvi irmãos dizendo que o seu dia não estava bom porque, pela manhã, cruzaram com um gato preto!

“Número 13 dá azar”. Brasileiros famosos, como Roberto Carlos e Zagallo, tratam o número 13 de maneira diferente. O cantor passa longe do tal número, enquanto o ex-técnico da Seleção Brasileira afirma que lhe dá sorte. Aliás, Zagallo, após vencer a Copa América, em 2004, contra a Argentina, declarou: “Argentina vice tem treze letras”. Em 2006, um maldoso argentino replicou: “Brasil sem hexa também tem treze letras”.

Bem, quando olhamos para a Bíblia, vemos que esse número é bastante significativo. Basta observar que o Apóstolo Jesus (Hb 3.1) e os seus seguidores formam um grupo de treze apóstolos, e que Jericó foi rodeada treze vezes pelos israelitas: uma volta por dia, durante seis dias, e sete voltas no sétimo dia (Js 6.3-4). Ademais, os livros de Neemias, 2 Coríntios e Hebreus têm treze capítulos. E a bênção apostólica está registrada em 2 Coríntios 13.13.

Que Deus nos ajude a abandonarmos as más influências da vida velha. Afinal, “se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (2 Co 5.17).

Ciro Sanches Zibordi

sábado, 15 de agosto de 2009

Woodstock: 40 anos! Motivos para comemorar?


Na revolucionária década de 1960, surgiram nos Estados Unidos os hippies, um estranho movimento composto de jovens rebeldes. As roupas rasgadas e sujas, os cabelos compridos e as gírias eram o seu cartão de visita. Eram amantes de uma vida dissoluta e usavam tóxicos. Pregavam a liberação sexual e promoviam festivais de rock.

Empresários mal intencionados, movidos por oportunismo e ganância, resolveram, à época, organizar grandes festivais de rock ao ar livre, nos Estados Unidos e na Inglaterra, nos quais houvesse muito prazer e liberdade total para a juventude. As jovens que não quisessem se deixar violar corriam o risco de ser tratadas como “caretas”. Além disso, as drogas eram oferecidas livremente entre os participantes.

O primeiro festival de grande porte foi realizado em Londres, Inglaterra, no Hyde Park, a 5 de julho de 1969, e teve como protagonistas os Rolling Stones. O número de participantes desse concerto, marcado por violência, consumo de drogas e prostituição juvenil, foi estimado em 250 mil.

Mas o maior festival da época foi o de New York, Estados Unidos, batizado de Woodstock Music & Art Fair, que recebeu mais de quinhentas mil pessoas, entre hippies, fãs e curiosos, e teve duração de três dias, de 15 a 18 de agosto de 1969. O ingresso custava dezoito dólares, mas a maioria do público derrubou as cercas e invadiu o vasto local, para ouvir Jimi Hendrix, The Who, Jefferson Airplane, entre outros.

Woodstock fez despertar ainda mais o sentimento de revolta que havia entre os jovens e criou problemas sérios. Após esse festival, muitos estavam verdadeiramente dispostos a ir à luta armada contra os Estados Unidos para conseguir a sua independência e a liberdade sexual. Eles queriam fundar uma nova nação! O grande incentivador desse projeto utópico foi Abbie Hoffman, que lançou o livro Woodstock Nation.

A utopia dos woodstockmaníacos os levou a transformar um terreno abandonado da Universidade de Berkerley em um parque público, com jardins, playgrounds, fontes de água e concertos de rock. Ronald Reagan, governador da Califórnia, convocou a polícia e a guarda nacional para reprimir à força a invasão. Com paus e pedras, os jovens sonhadores enfrentaram as autoridades, mas perderam a guerra. Um estudante foi morto, e o terreno transformado em um estacionamento.

Depois de Woodstock, os festivais prosseguiram. Um deles, o de Altamont, reuniu cerca de trezentas mil pessoas e foi considerado um pesadelo de drogas, sujeira, doenças e violência, deixando um saldo de quatro mortes. A cena mais dramática foi a de um jovem negro, que teria puxado um revólver perto do palco. Enquanto Mick Jagger cantava (vestido em uma malha preta com signos da Cabala e uma capa vermelha que ele dizia ser de Lúcifer), o jovem foi brutalmente esfaqueado e atingido com golpes de taco de brilhar. As cenas do assassinato foram gravadas, tornando-se um grande sucesso de bilheteria em 1970.

Muitos astros que se apresentaram em Hyde Park, Woodstock, Altamont e outros festivais tiveram mortes trágicas: Brian Jones (do Rolling Stones), afogou-se, em 1969, após embriagar-se e ingerir drogas. Alan Wilson (do Canned Heat), Janis Joplin e Jimi Hendrix morreram em 1970, vítimas de overdose. Tim Hardin, em 1980, e Bob Hite (do Canned Heat), em 1981, também morreram por uso exagerado de drogas. Felix Pappalardi (do Mountain), foi morto a tiros por sua esposa, em 1983.

Além disso, inúmeros adolescentes morreram por overdose ou assassinados durante os shows, enquanto os empresários riam à toa, contabilizando seus lucros. Jimi Hendrix, Janis Joplin e Jim Morrisom, três roqueiros muito badalados à época, foram mortos em 1970 por overdose e são lembrados até hoje, por terem sido os principais propagadores da tríade “sexo, drogas e rock and roll”. Talentosos, famosos e bem pagos, mas, ao mesmo tempo, irresponsáveis e toxicômanos, levavam seus fãs a praticarem os seus mesmos atos inconsequentes.

Depois de Woodstock e da rebelde década de 1960, o mundo mudou, e para pior. A rebeldia, pouco a pouco, foi sendo confundida com as fases da adolescência e da juventude. Na década de 1970, um estilo rebelde aparentemente revestido de inocência se instalou no Brasil. E, na década de 1980, passou a influenciar líderes de jovens cristãos. Desde então, o comportamento dos jovens e adolescentes, do mundo e da igreja, vêm degradando, numa busca constante, ladeira abaixo, pela “liberdade”.

Líderes evangélicos (evangélicos?) que falam muito em promessas, não têm ensinado os jovens e adolescentes acerca dos mandamentos, princípios, exemplos, doutrinas e proibições constantes da Palavra de Deus. Só falam em liberdade e promovem todo tipo de divertimento mundano para os jovens, dizendo que, com isso, os segura dentro da igreja. É como se o lema de Woodstock estivesse em vigor nas igrejas: “É proibido proibir”. Que Deus ajude a nossa juventude a se libertar do jugo libertino de Woodstock e tomar sobre si o jugo do Senhor Jesus, que verdadeiramente liberta (Mt 11.28-30).

Woodstock, 40 anos! Motivos para comemorar?

Ciro Sanches Zibordi

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

O bispo universal e o missionário internacional


Na atualidade, há duas igrejas conhecidas como evangélicas que, apesar de terem Deus no nome, não têm pregado o verdadeiro evangelho, na sua totalidade. Elas “arrastam” multidões. Pessoas se acotovelam para ouvir os seus líderes e liderados, mas...

Refiro-me a duas grandes igrejas, cujos templos estão sempre lotados. A maior delas ainda não conquistou outros planetas — haja vista não existir vida fora da Terra —, mas a sua meta é crescer em nível universal. A segunda maior também está em boa parte do globo terrestre; trata-se já de uma igreja internacional.

Estou falando de dois líderes carismáticos, telepregadores muito bem-sucedidos em seus negócios.
Quem lê entenda. O primeiro ajudou o segundo a fundar a primeira igreja. E o segundo saiu da primeira para fundar a segunda igreja. O primeiro, mais rico (está entre os mais ricos do País!), tem um reino à sua disposição. O segundo, também muito rico, é um missionário, quer dizer, um milionário cheio de graça, que prega, canta, conta piadas...


Essas igrejas aparecem na mídia todos os dias e têm muitos seguidores — você pode ser um deles! —, mas não pregam, como já disse, o verdadeiro evangelho. A primeira prega o evangelho da prosperidade. A segunda, o evangelho triunfalista. Mas a meta prioritária deles é uma só: dinheiro.

Os auditórios dessas igrejas, em geral, são formados por dois tipos de pessoas, nessa ordem:
interesseiras que frequentam cultos apenas para se tornarem empresárias ou saírem de uma crise financeira; e interesseiras que só vão aos cultos para receberem curas, bens materiais ou soluções de problemas. Bem, todos os seres humanos são interesseiros por natureza! E o bispo e o missionário sabem explorar muito bem isso. Será que eles nunca leram João 6.60-69? Sim, eles leram!


Bem, a primeira igreja, liderada pelo bispo universal, contraria o que diz a Bíblia acerca do Reino de Deus: “... não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo” (Rm 14.17), ao enfatizar apenas e tão-somente que o crente deve ser próspero nesta vida. Deus faz prósperos os seus filhos (Sl 1; 23; 37), mas um crente que só pensa em dinheiro e bens materiais está longe de agradar ao Senhor Jesus (Mt 6.19-21; 1 Tm 6.9,20; Ef 5.5).


A segunda igreja, liderada pelo missionário internacional, não valoriza a graça do Senhor Jesus, posto que promove um culto antropocêntrico, centrado nas necessidades humanas. As pessoas não frequentam os cultos primeiramente para adorar ao Senhor, e sim para receberem bênçãos, como se Deus fosse aquele bom velhinho do Pólo Norte... Deus abençoa o seu povo, mas o nosso culto deve ser cristocêntrico, isto é, em adoração e louvor a Cristo (1 Co 1.22,23; 2.1-5). A oração modelo não começa com “O pão nosso de cada dia nos dá hoje”, e sim: “Pai nosso que está nos céus, santificado seja o teu nome” (Mt 6.9).


Qual é a igreja que tem abrangência universal, mas só prega a teologia da prosperidade, não fazendo jus à definição bíblica de Reino de Deus?
Qual é o nome da igreja cujo líder, cheio de graça, é conhecido em âmbito internacional?

Bem, saber essas respostas não é tão importante. O que vale a pena mesmo é não seguir a falsos mestres que se dizem bispos e missionários (2 Tm 4.1-5), e sim ao Bom Pastor, o nosso Senhor Jesus Cristo (Jo 10.11,27,28).


Ciro Sanches Zibordi

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Não tem preço?


Bíblia de estudo para alcançar vitória financeira, comentada por um grande “ungido”, cujas iniciais do nome são M.C.? Apenas uma oferta de R$ 900,00.

Oferta para aquisição de uma aeronave para um super-apóstolo brasileiro, cujas iniciais do nome são R.T.N., atendendo o desafio do homem mais sábio do mundo, o Dr. M.M.? Apenas R$ 10.000,00.

Ver a cara de decepção dos admiradores de certo telepregador assembleiano (assembleiano?), os quais durante muito tempo contribuíram para o seu ministério, depois de descobrirem que ele, além de estar associado aos citados “mestres da fé”, também é um propagador da falaciosa teologia da prosperidade? Para muitos, não tem preço...

Mas eu prefiro não zombar desses irmãos enganados, principalmente dos que contribuíram com sinceridade, acreditando que o dinheiro ofertado seria empregado na evangelização do mundo...

Ciro Sanches Zibordi

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Meu tempo é muito precioso


Dois textos bíblicos me fizeram refletir acerca das minhas atitudes ante comentários e perguntas que recebo neste blog: Gálatas 6.10 e Efésios 5.15,16. No primeiro, somos exortados a fazermos o bem a todos enquanto temos tempo. E no segundo está escrito: “... vede prudentemente como andais, não como néscios, mas como sábios, remindo o tempo, porquanto os dias são maus”.

Portanto, a partir de agora...

Não darei mais espaço a pessoas imaturas, que não sabem conversar no campo das ideias, preferindo atacar nominalmente. Isso não nos é vedado totalmente (cf. 2 Tm 4), mas vejo esse recurso como exceção, e não regra (cf. 2 Co 11; Mt 23).

Não perderei o meu tempo com os “debatedores de plantão”, que ficam caçando palavras e frases dentro de minhas respostas a fim de escreverem tópicos ou comentários em seus blogs ou de seus “confrades”.

Não publicarei nem comentarei perguntas ou opiniões de quem mantém postura dúbia. Infelizmente, há editores de blog que, neste espaço, dirigem-se a mim com respeito, mas em seu espaço não só permitem comentários desdenhosos, como também os alimentam, fazendo insinuações maldosas e descabidas.

Valorizarei ainda mais os leitores interessados em aprender, dando-lhes maior atenção.

Publicarei os comentários e críticas que sejam úteis para o aprendizado de todos. E, quando necessário, se houver tempo, publicarei respostas para os tais.

Serei atencioso com quem demonstra amar a Palavra de Deus de verdade e a considera a sua fonte primária de autoridade, e não com os “teólogos”, que já estão cheios de razão.

Em Cristo,

Ciro Sanches Zibordi

domingo, 9 de agosto de 2009

Depois que me tornei pai...

Depois que me tornei pai, a minha vida mudou, e para melhor. Passei a amar mais o Pai celestial, a quem louvo pelo privilégio que me concedeu: o de ser pai. Desculpem-me por eu repetir tantas vezes a palavrinha “pai”, mas ser pai é bom demais!

Depois que me tornei pai entendi como o Pai celestial me considera especial, pois Ele se compadece de nós “Como um pai se compadece de seus filhos” (Sl 103.13).

Depois que me tornei pai, o meu amor por meu pai terreno também aumentou. Entendi o porquê dos “puxões de orelha” que ele me dava...

Ah, é muito bom ser pai!

Que o Pai celestial abençoe a todos os pais! E que os filhos também honrem a seus pais, atentando para o primeiro mandamento com promessa (Ef 6.1-3).

Ciro Sanches Zibordi

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Palestra caseira sobre o pregador e a pregação


Nos vídeos abaixo (feitos em casa), eu discorro, segundo a graça de Deus, sobre a pregação e o pregador, repisando (e também reprisando) parte do conteúdo dos livros Erros que os Pregadores Devem Evitar e Mais Erros que os Pregadores Devem Evitar, de minha modesta autoria.

Primeira parte:



Segunda parte:


Terceira parte:


Conclusão:


Com temor e tremor,

Ciro Sanches Zibordi

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Pecados contra o Espírito Santo que afastam os eleitos da salvação (3)

Amados irmãos, esta é a conclusão da série a respeito dos pecados contra o Espírito Santo que podem ser cometidos pelos eleitos. Que fique claro, de uma vez por todas, o seguinte: se os que cometem os tais pecados permanecerem neles, não atentando para o que o Espírito diz às igrejas, perderão, sem dúvidas, a salvação (Hb 3.14; Ap 3.5).

Isso porque chegarão ao último estágio, no que tange aos aludidos pecados, e terão os seus nomes riscados do livro da vida do Cordeiro. Para quem ainda duvida dessa possibilidade, leia com atenção e sem preconceito Apocalipse 3.3-6 — texto que menciona uma advertência, não de Calvino ou de Armínio, mas do Senhor Jesus Cristo.

Apagar o Espírito Santo. “Não extingais o Espírito”, diz a Palavra de Deus (1 Ts 5.19). Como o Espírito Santo é comparado ao fogo, apagá-lo ou extingui-lo é abafar, reprimir, sufocar o calor e a luz provenientes dEle. É, por conseguinte, reprimir a voz do Espírito dentro de nós, opor-se à sua operação em nosso meio, não se renovar espiritualmente e impedir a sua operação pelo mundanismo, materialismo e humanismo (Mc 4.19; Lc 8.14).

Extinguir o Espírito Santo — um pecado cometido apenas por crentes! — é ser fanático religioso e desviar-se para “a direita” (observe que, em Isaías 30.21, o primeiro tipo de desvio para o qual Deus chama atenção é para “a direita”). Enfim, é não dar ouvido ao Espírito, até que a sua voz não seja mais ouvida (Ne 9.30;Jo 8.43). O termo traduzido por “extinguir”, referente ao Consolador, tem o sentido colateral de apagar aos poucos uma chama, um fogo que está a arder.

Extinguir o Espírito é, ainda, agir de modo a impedir, suprimir ou limitar a manifestação do Senhor. Quando perdemos o primeiro amor, extinguimos ou apagamos de nossas vidas o Espírito de Cristo (Ap 2.4). Qual é o perigo de se extingui-lo? A extinção das operações dEle na vida da igreja, quando não é letal, a adoece e a debilita, sem que ninguém o perceba. Mais tarde, resta somente a lembrança do passado quando o fogo do Céu ardia. Sempre que for detectada a falta de operações do Espírito em nosso meio ou em nossa vida, devemos clamar a Deus sem cessar por um avivamento espiritual.

A extinção do Espírito Santo leva a igreja à mornidão espiritual (Ap 3.14-22). O fogo é o grande agente purificador natural, assim como o Espírito Santo é o grande agente purificador divino. Sendo assim, caro leitor, arrume bem a lenha (ponha ordem na vida; coloque a “lenha” em ordem); limpe o local do fogo (tire de sua vida “cinza”, “areia”, “água”, “coisas estranhas”, como as doutrinas falsas); areje o fogo (sem ar fresco, bom, o fogo se apaga); alimente o fogo (com lenha boa [Pv 26.20], combustível bom, o que é caro; o fogo é sempre bom; a lenha pode ser ruim); e mantenha o equilíbrio do fogo — isso requer “acendedores” e “apagadores” de “ouro puro” (Êx 25.38; 37.23).

Blasfemar contra o Espírito Santo. Este pecado é cometido por incrédulos ou crentes desviados — outrora salvos! —, que permanecem em seus pecados (Mt 12.31,32; Mc 8.28-30; Lv 24.11-14; Hb 6.4-6; 2 Pe 2.20-22). Implica atribuir os atos divinos a Satanás (cf. Mt 12.24). É a blasfêmia contínua, deliberada, consciente e abusiva contra o Espírito Santo. Trata-se de um “eterno pecado” (Mc 3.29, gr.), que, de modo algum, pode ser cometido por ignorância (1 Tm 1.13) ou fraqueza isolada, impensada. Torna-se imperdoável, não porque Deus não queira ou não possa perdoar, mas porque o pecador, através desse pecado, afasta para longe de si a única Pessoa que podia convencê-la do tal pecado!

Jesus afirmou: “Todo pecado e blasfêmia se perdoará aos homens, mas a blasfêmia contra o Espírito não será perdoada aos homens. E, se qualquer disser alguma palavra contra o Filho do Homem, ser-lhe-á perdoado, mas, se alguém falar contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado, nem neste século nem no futuro” (Mt 12.31,32; Mc 3.28-30; Lc 12.10). Os adversários do Senhor blasfemavam consciente, proposital e seguidamente, dizendo que Ele operava milagres pelo poder de Satanás (Mt 9.32-34; 12.22-24; Mc 3.22; Lc 11.14,15). Com essa blasfêmia, eles estavam rejeitando de modo deliberado o Espírito Santo que operava em Jesus, o Messias (Mt 12.28; Lc 4.14-19; Jo 3.34; At 10.38).

A blasfêmia contra o Espírito de Deus é a consequência de pecados similares que a precedem, como: (1) a rebelião contra o Espírito (Is 63.10; At 7.51); (2) a extinção do fogo interior do Espírito (1 Ts 5.19; Gn 6.3; Dt 29.18-21; 1 Ts 4.4); e (3) o endurecimento total do coração, cauterização da consciência e cegueira total (Hb 3.12-14). Chegando o ser humano a esse estágio, torna-se réprobo quanto à fé (2 Tm 3.8) e passa a chamar o mal de bem e o bem de mal (Is 5.20).

Em resumo, esse pecado é imperdoável porque o Espírito é quem nos convence do pecado (Jo 16.7-11) e intercede por nós (Rm 8.26,27). Temos livre-vontade (Ap 22.17), porém é um grave erro recusar, rejeitar o Espírito e blasfemar contra Ele continuamente (cf. 1 Sm 2.25). Isso porque a obra do Pai e a do Filho estão completas, mas a do Espírito Santo continuará até que todos os salvos cheguem ao Céu (Ap 22.11)!

Perseverando no evangelho de Cristo,

Ciro Sanches Zibordi

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Os acertos de Calvino (1)


Calvino, como todos os homens, acertou e errou. É claro que não errou tanto quanto boa parte dos calvinistas, que desvirtuam a sua teologia. Mas, felizmente, o festejado Calvino também acertou, e muito. E, por isso, resolvi iniciar esta série, pela qual farei menção de algumas frases desse grande reformador (sem ironia), acompanhadas de meus comentários.

“O acesso à salvação a ninguém é vetado, por mais graves e ultrajantes que sejam seus pecados” (As Pastorais [1 Timóteo 1.15], p.43). Interessante... Durante muito tempo eu cheguei a pensar que esse teólogo, à semelhança dos predestinalistas, defendia uma expiação restrita e uma eleição arbitrária!

É claro que, ao estudarmos o todo da obra de Calvino, vemos que ele se contradiz quanto ao modus operandi da salvação, infelizmente... Mas o mencionado pensamento, pelo menos, está em pleno acordo com as Escrituras! Jesus morreu mesmo para salvar toda a humanidade (Jo 3.16; Hb 2.9; 1 Tm 2.6; 1 Jo 2.2). Apesar disso, nem todos são salvos, não porque Deus não queira salvá-los, e sim porque muitos têm rejeitado essa “tão grande salvação” (Hb 2.3).

“O arrependimento não está no poder do homem” (Exposição de Hebreus [Hb 6.6], p.155). Calvino tem razão. O ser humano não tem condição de arrepender-se por si mesmo, pois está morto em pecado (Ef 2.1-3). Por isso, é Deus quem dá o arrependimento (At 11.18). O que significa isso? Significa que o Senhor dotou o homem de intelecto, sentimento e vontade, faculdades pelas quais este é capacitado por Deus a arrepender-se.

Quando o tal pecador ouve a Palavra de Deus, o Espírito Santo entra em ação para convencê-lo (Rm 10.17; Jo 16.8-11). Se, pela fé, mediante o livre-arbítrio, o ser humano atender à ordenança para a salvação (At 16.31), confessando Jesus como Senhor, será salvo por sua graça (Rm 10.9,10; Ef 2.8,9). Caso contrário, permanece condenado (Jo 3.16).

“... que esta seja a nossa regra sacra: não procurar saber nada mais senão o que a Escritura ensina. Onde o Senhor fecha seus próprios lábios, que nós igualmente impeçamos nossas mentes de avançar sequer um passo a mais” (Exposição de Romanos [Rm 9.14], p.329). Oh, como seria bom se os predestinalistas atentassem para esse sábio e verdadeiro conselho de Calvino, deixando de dar asas à imaginação e à perigosa lógica humana! Mas, infelizmente, eles têm confundido Escrituras com Institutas...

“Deus jamais exclui ou priva alguém de sua graça, exceto aquele que se torna totalmente réprobo. Para tal pessoa nada é deixado” (Exposição de Hebreus [Hb 6.4], p.151). Calvino aqui, ao comentar acerca dos cristãos decaídos — pessoas que são iluminadas, provam o dom celestial, tornam-se participantes do Espírito Santo, bem como provam a boa palavra de Deus e as virtudes do século futuro, desviam-se, perdendo a salvação (Hb 6.4-6; cf. 2 Pe 2.1,20-22; Hb 3.12,13) —, contraria o bordão predestinalista: “Uma vez salvo, salvo para sempre”.

“Devemos viver em paz, caso desejemos que o espírito de bondade permaneça entre nós” (Exposição de Efésios [Ef 4.1-4], p.109). Seria bom que os calvinistas observassem esse conselho de Calvino. Afinal, eu não conheço nenhum dos seguidores do aludido reformador que, ao ser contrariado, haja pacificamente. Ao contrário, muitos demonstram estar mesmo em guerra contra quem pensa diferente.

Um dos principais divertimentos dos predestinalistas é se juntarem para malhar um
“Judas” que pensa diferente... Inserem o nome do contradizente (acompanhado ou não de uma foto) em uma comunidade do Orkut ou em um blog, ambos exclusivos para calvinistas, e malham alegremente o pobre “arminiano” que “não tem capacidade” para entender as sublimes doutrinas reformadas... Nobre isso, não?

Bem, tomando emprestada uma frase que os predestinalistas gostam de dirigir aos arminianos (depois de citarem algumas frases calvinistas de Armínio), concluo este artigo dizendo: “Calvinistas, ouçam Calvino!” Esse grande reformador (sem ironia), a despeito de ter cometido alguns erros quanto às doutrinas da salvação, realmente tem muito a nos ensinar!

Com amor,

Ciro Sanches Zibordi

terça-feira, 4 de agosto de 2009

O evangelho de Cristo é como uma moeda e tem dois lados


Cristo Jesus é Senhor e Salvador. Somos filhos de Deus, em Cristo, e devemos ser também servos dEle. O evangelho é como uma moeda e tem dois lados. Em Lucas 6.46, está escrito: “E por que me chamais Senhor, Senhor, e não fazeis o que eu digo?” É de admirar que chamamos a Jesus de Senhor, mas sequer entendemos o que significa recebê-lo como tal. Isso ocorre, em parte, porque a palavra “senhor” não tem hoje o mesmo significado de quando Jesus andou na terra. Naquela época, ela — aplicada a Cristo, é claro — significava autoridade máxima, o número um, o Homem que estava acima de todos os outros, o dono de toda a criação.

No Império Romano, era comum os funcionários públicos ou soldados se saudarem dizendo “César é o Senhor!” Por causa disso, os cristãos tiveram muitos problemas e eram perseguidos pelo imperador. Sempre que alguém os saudava com as palavras “César é o Senhor!”, eles respondiam: “Não! Jesus Cristo é o Senhor!” César ficava furioso, não por ter ciúmes do nome. A questão era bem mais profunda que isso. Ele, na verdade, sabia que, para os cristãos, Jesus Cristo pesava mais que o grande César.

O Senhor Jesus disse: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei” (Mt 11.28). No entanto, precisamos atentar para o versículo 29: “Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim...” Em Lucas 12.32, Ele também afirmou: “Não temas, ó pequeno rebanho, porque a vosso Pai agradou dar-vos o Reino”. Oh, como é bom ser um cristão, não é mesmo? Mas, o que dizem os versículos 33,34? “Vendei o que tendes, e dai esmolas...” Queremos, mesmo, tomar sobre nós o jugo do Senhor?

Muitos de nós xingam o Diabo e zombam dele em público, ao som de efusivos “aleluuuiaaas”. Gostam de citar o texto bíblico que diz: “Resisti ao Diabo, e fugirá de vós”. Mas esse é apenas um dos lados da moeda! O que está escrito na primeira parte de Tiago 4.7? “Sujeitai-vos, pois, a Deus...” Será que os cristãos triunfalistas, que gostam de desafiar o Inimigo, têm, verdadeiramente, se sujeitado a Deus? Têm eles recebido Jesus como Senhor?

Como são as nossas pregações? “Amigo, aceite a Jesus” — isso, em si, já é uma grande incongruência, pois é o Senhor Jesus quem nos aceita! Os pregadores estão sempre apelando para os interesses humanos. E praticamente todas as nossas reuniões são centralizadas no ser humano. Nosso evangelho deixou de ser cristocêntrico há muito tempo! O arranjo do mobiliário, do púlpito, dos equipamentos, tudo aponta para o homem. Quando preparamos o programa do culto, não pensamos em Jesus, e sim nas pessoas que estarão presentes.

É claro que precisamos pregar o evangelho para alcançar a maior parte de perdidos, atendendo à Grande Comissão (Mc 16.15; At 1.8). Mas não devemos pregar prioritariamente por causa disso. Todas as nossas ações, na verdade, devem ser motivadas por Cristo. Não devemos pregar para as almas perdidas apenas por elas estarem perdidas, e sim estender o Reino de Deus, pois o Senhor assim nos ordena, e Ele é o Senhor!

E as letras dos nossos hinos? E as nossas orações? Elas também se centralizam no ser humano: “Senhor, abençoa meu lar, minha vida, minha esposa” ou “Eu quero hoje o meu milagre”. Orar para nós é como esfregar a lâmpada de Aladim. Não é de admirar que Karl Marx tenha dito: “A religião é o ópio do povo”. É evidente que o Senhor Jesus não é o ópio. Ele é Senhor! Por isso, quando Ele se dirige a nós como Senhor, temos de ir ao seu encontro e entregar-lhe o controle da nossa vida, obedecendo às suas ordens (Lc 19.1-9).

Quando lemos Atos 4.24-31, vemos como deve ser a nossa oração. Os cristãos perseguidos empregaram pronomes como “teu”, “tu” e “tua”, centralizando a oração em Deus: “E, ouvindo eles isto, unânimes levantaram a voz a Deus e disseram: Senhor, tu és o que fizeste o céu... olha para as suas ameaças e concede aos teus servos que falem com toda a ousadia a tua palavra, enquanto estendes a mão para curar, e para que se façam sinais e prodígios pelo nome do teu santo Filho Jesus. E, tendo eles orado, moveu-se o lugar onde estavam reunidos...”

Jesus, sem dúvidas, é o Salvador, o nosso Médico e Ajudador. Tudo isso é verdade. Mas não podemos recortar Jesus em partes e escolher apenas a que nos agrada. Não podemos agir como crianças que lambem a geleia e descartam o pão — principalmente quando se trata do Pão da vida! Mas é o que muitos cristãos têm feito! Só frequentam as igrejas por causa da geleia (bênçãos), atendendo a seus próprios interesses (cf. Jo 6.60-69).

Para vermos os dois lados da moeda, temos de deixar o Senhor Jesus tomar a nossa mente e lavá-la, dando-lhe uma boa escovada e depois recolocá-la no lugar, em posição inversa! Todo o nosso conceito de valores precisa ser mudado. Só assim teremos, de fato, a mente de Cristo (1 Co 2.15).

Amém?

Ciro Sanches Zibordi

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Pecados contra o Espírito Santo que afastam os eleitos da salvação (2)


Além de resistir ao Espírito Santo, salvos (eleitos) podem entristecê-lo, insultá-lo e tentá-lo, como veremos no segundo artigo desta série.

Entristecer o Espírito Santo. Em Efésios 4.30,31, exorta-nos a Palavra de Deus: “E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual estais selados para o Dia da redenção. Toda amargura, e ira, e cólera, e gritaria, e blasfêmias, e toda malícia seja tirada de entre vós”.

Esse pecado consiste em fazer tudo aquilo que não agrada ao Espírito de Deus, como: ser ingrato para com o Senhor, negligente na vida espiritual, esquecido das bênçãos divinas recebidas e das coisas de Deus, em geral. Significa, ainda, ser rebelde, desobediente de modo contínuo para com Deus (cf. Is 63.10), mundano, o que implica infidelidade espiritual (Tg 4.5), e carnal (Gl 5.16).

É importante considerar aqui os “nãos” divinos contidos em Efésios 4.26-30. Muitos falsos ensinadores têm afirmado que não existem proibições para os salvos — “É proibido proibir”, dizem. Mas a Palavra de Deus apresenta muitos “nãos” na aludida passagem: “Não pequeis”; “Não se ponha o sol sobre a vossa ira”; “Não deis lugar ao diabo”; “Não furte mais”; “Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe”; e “Não entristeçais o Espírito Santo”. O Decálogo também consiste de tremendos “nãos” divinos! Será que esses tais “mestres” ensinam melhor que o Senhor?

Insultar ao Espírito Santo. Este pecado implica insultar, agravar, ultrajar continuamente o Espírito Santo. “De quanto maior castigo cuidais vós será julgado merecedor aquele que pisar o Filho de Deus, e tiver por profano o sangue do testamento, com que foi santificado, e fizer agravo ao Espírito da graça?”, diz a Palavra de Deus (Hb 10.29). Nesta passagem, o pecado em apreço é mencionado de modo tríplice. Consiste em pisar o Filho de Deus, ter por comum o sangue da aliança e agravar o Espírito Santo.

Agravar é afrontar, ultrajar, debochar, zombar, injuriar, insultar com desdém. Quem ultraja ao Espírito rejeita a Palavra de Deus com menosprezo e zombaria, continuamente. Além disso, tem o sangue redentor de Jesus como coisa sem valor, sem importância, e rejeita com desdém e escárnio as ofertas da graça de Deus. Essa recusa ultrajante se deve ao fato de o crente ou descrente não valorizar (negligenciar) os dons graciosos de Deus.

Tentar o Espírito Santo. É o mesmo que pecar conscientemente até quando o Espírito Santo suportar. É um pecado cometido também por incrédulos e crentes. Implica mentir ao Espírito — ora, Ele é a verdade (1 Jo 5.6) —, enganar os servos de Deus como congregação, como corpo, bem como ser hipócrita. Quem comete esse pecado deveria saber que o Espírito Santo sonda e conhece os corações. Ananias e Safira cometeram esse pecado. Mentiram ao Espírito, enganaram os servos de Deus e quiseram mostrar-se melhores do que os outros, sem o serem, na verdade (At 5.1-10).

A mentira ao Espírito Santo está categoricamente exemplificada na passagem em que Pedro, pelo Espírito Santo, denuncia o pecado de Ananias e Safira: “Ananias, por que encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo e retivesses parte do preço da herdade?” (At 5.3). Qual é o sentido da palavra “mentira” aqui? O termo original corresponde a contar uma falsidade como se fosse uma verdade. Aquele casal certamente ensaiou essa mentira, como pode ser visto no versículo 9.

Quais são as implicações de se mentir ao Espírito Santo, tentando-o? Quem mente ao Espírito Santo, menospreza a sua deidade. Ele é Deus (At 5.3,4). Como a terceira Pessoa da Santíssima Trindade, Ele é onisciente, onipresente e onipotente. Isso significa que o Espírito Santo tudo sabe e tudo conhece. Logo, tentar o Espírito do Senhor (v.9) é testar a tolerância de Deus; isto é, pecar até enquanto Deus suportar (cf. Nm 14.22,23; Dt 6.16; Mt 4.7).

Portanto, exortemo-nos uns aos outros todos os dias, a fim de que nenhum de nós se endureça pelo engano do pecado (Hb 3.12,13).

Ciro Sanches Zibordi

domingo, 2 de agosto de 2009

Pecados contra o Espírito Santo que afastam os eleitos da salvação (1)


De acordo com a Palavra de Deus, a eleição, em si, não significa salvação eterna (2 Tm 2.10). Ela faz parte da obra salvífica, posto que o Senhor nos escolheu, nEle, para a salvação (Ef 1.3,4).

Entretanto, mesmo como eleitos, temos de perseverar no evangelho de Cristo (1 Co 15.1,2), resistindo ao pecado até ao sangue e tendo uma vida de santificação (Hb 12.4,14). Por quê? Porque existe a possibilidade de nosso coração tornar-se mau, infiel, endurecido (Hb 3.12,13). Ainda que a mão do Senhor esteja sempre estendida para nos salvar, as nossas iniquidades fazem divisão entre nós e Ele, podendo nos matar espiritualmente, caso permaneçamos na vida de pecado (Is 59.1,2; Tg 1.12-15).

Os pecados contra o Espírito Santo são contra a santidade de Deus. Afinal, é o Espírito do Senhor quem nos santifica. E os tais pecados consistem em palavras, atitudes e atos. Entre os pecados por palavras, acham-se as afrontas verbais e as blasfêmias. As atitudes e os atos constam da resistência ao Espírito, e da recusa contínua de se cumprir a vontade de Deus.

Resistir ao Espírito Santo. A resistência ao Espírito é o pecado inicial que se comete contra o Consolador (At 7.51). É dizer “não” continuamente ao convite da salvação; é se recusar a ouvir e ler a Palavra de Deus, bem como resistir aos impulsos interiores do Espírito Santo dentro de nós.
Engana-se quem pensa que apenas os incrédulos podem cometer esse tipo de pecado.

Resistir ao Espírito é o mesmo que rebelar-se contra a autoridade divina (Is 63.10). Não só a direta, que é rara na Bíblia, mas a autoridade divina indireta, delegada por Deus. Esta é a forma predileta de Ele governar entre os homens, através da família (autoridade social), do governo (autoridade civil) e da igreja (autoridade religiosa).

Esse pecado consiste, também, em adiar a decisão de obedecer ao Senhor. É resistir à voz de Deus, de todas as formas. E, uma vez cometida essa ofensa, as demais parecerão de somenos importância, visto que o coração do ofensor, afetado terrivelmente pela iniquidade, considerará o pecado algo comum e corriqueiro. A resistência ao Espírito pode ser compreendida pelo modo como Estêvão concluiu seu sermão diante dos anciãos de Israel: “Homens de dura cerviz e incircuncisos de coração e ouvido, vós sempre resistis ao Espírito Santo” (At 7.51). O pecado daqueles homens não era um ato isolado, mas contínuo: resistir “sempre” ao Espírito Santo.

Quem resiste ao Espírito Santo recusa, de forma consciente, a vontade divina transmitida pela terceira Pessoa da Trindade, mediante a Palavra de Deus e por meio de seu trabalho em nossos corações. A palavra “resistir”, empregada no aludido texto de Atos, vai além de uma mera resistência. Significa lutar contra; lutar com agonia. O povo de Israel até hoje sofre as consequências de sua resistência (1 Ts 2.15,16). Os ouvintes de Estêvão “lutavam” contra o Espírito, empregando naquela peleja todas as suas forças (cf. Zc 7.12; Gn 6.3; Is 30.1; Ne 9.30; Ez 8.3,6).

O povo de Deus (sim, o povo de Deus!) resistiu ao Senhor, usando de rebeldia contumaz, e o Espírito Santo voltou-se contra ele, como lemos em Isaías 63.10:
“Mas eles foram rebeldes e contristaram o seu Espírito, pelo que se lhes tornou em inimigo e ele mesmo pelejou contra eles”. Que relato terrível e condenatório!

Caso o leitor esteja resistido ao Espírito Santo, arrependa-se enquanto há tempo! Não queira ter o Espírito de Deus como seu inimigo!

Ciro Sanches Zibordi