sexta-feira, 31 de julho de 2009

Que tipo de cristão somos nós?


Não estou com muito tempo para escrever, devido às muitas tarefas relacionadas com o ministério que o Senhor me outorgou. Cheguei há poucas horas do Nordeste, e amanhã cedo, se Deus quiser, viajo para o Espírito Santo. No entanto, depois de ler vários comentários e e-mails, resolvi escrever esta sucinta mensagem.

Que tipo de cristão somos nós? Se temos nos deixado formar pelo Espírito Santo, que nos comunica o seu fruto (Gl 5.22; Ef 5.9; 2 Pe 1.5-9; Cl 3.12,13), somos cristãos transformados. Mas, se batemos no peito e dizemos: “Eu sou cristão”, sem contudo nos submetermos ao Senhor (Tg 4.7a), o prefixo contido em transformado será substituído por outro, haja vista existirem — biblicamente — cristãos deformados, reformados e conformados, além dos transformados.

Cristão deformado. Este, ou nunca foi cristão, de fato; ou, depois de ter escapado das corrupções do mundo, não vigiou e deixou de ser um cristão verdadeiro, desviando-se do Caminho. E o desviado, a despeito de ser deformado, nem sempre deixa de frequentar os cultos ou participar de atividades no meio do povo de Deus (2 Pe 2.1,20-22). Esse cristão (cristão?), à semelhança de Judas Iscariotes, está no meio dos cristãos autênticos, mas possui características que depõem contra as suas palavras (1 Co 5.11). É como se estivesse escrito na sua testa: DEFORMADO.

Cristão reformado. Muitos, em nossos dias, gostam de dizer que são reformados, numa alusão à Reforma Protestante. Orgulham-se de observar os princípios dos reformadores. Eu, sinceramente, se fosse usar um título, preferiria: “cristão transformado”. Por quê? Porque, biblicamente, os cristãos reformados são aqueles que só têm aparência (Mt 23.25-28). Com diz um antigo ditado, “Por fora, bela viola; por dentro, pão bolorento”. São sepulcros caiados! Dentro deles há iniquidade e rapina. Mas, peço aos queridos “reformados” (seguidores dos reformadores) que atentem para o sentido em que estou empregando o termo.

Os cristãos reformados agem como fãs. Qualquer análise que se faz de uma falação ou canção (tidas como pregação ou hino) desperta a fúria deles. Foi-me encaminhado, ontem, um ofensivo texto de um desses cristãos que só têm aparência. Ele, que, em seu blog, propõe-se a falar de esperança em meio ao caos, não se apercebeu ainda de sua caótica situação espiritual. Ao ler os impropérios que ele — indignado pelo fato de este escritor ter feito análises acerca da canção de seu cantor-ídolo — escreveu a meu respeito, percebi que se trata de mais um cristão que precisa de Cristo. Mas há esperança para aqueles cuja vida está um caos! Abandonem essa vida cristã de fachada! Andem como Jesus andou (1 Jo 2.6).

Cristão conformado. Muitos hoje estão conformados com a vida de pecado. A Palavra de Deus nos manda resistir ao pecado até ao sangue (Hb 12.4). Mas os conformados descansam numa ilusória segurança da salvação baseada no passado. “Eu já fui justificado. Estou salvo para sempre! Eu creio num Deus soberano”. Ah, como isso parece piedoso! Entretanto, a salvação, no presente, envolve a nossa participação e temos de perseverar na fé, não nos desviando do evangelho de Cristo (Hb 3.12,13; 1 Co 15.1,2; 1 Tm 4.1; 2 Pe 2.1,20-22; Ap 2.11; 3.5,11, etc.).

Cristão transformado. Este, a cada dia, é mais cristão. Por quê? Porque é transformado de glória em glória pelo Espírito (2 Co 3.18). Mas não pense que essa transformação ocorre sem a nossa participação! O texto de Filipenses 2.12,13 nos mostra que o Senhor opera em nós o querer e o efetuar, porém somos nós quem devemos operar a nossa salvação com temor e tremor. Ou seja, se não fizermos a nossa parte (Tg 4.8; Ez 24.13), entristeceremos o Espírito (Ef 4.30; Gl 5.16-22; Tg 4.1-5), e Ele poderá deixar a nossa vida, caso insistamos em pecar (1 Co 6.18-20; Hb 10.26-29).

Esse tipo de cristão já foi transformado no passado (2 Co 5.12), mas continua sendo transformado, no presente, posto que não se conforma com este mundo (Rm 12.1,2). Ele sabe que a vida cristã é como subir uma escada que não tem o último degrau. Considera, ainda, que a vereda do justo é como a luz da autora, que vai brilhando, brilhando, brilhando... até ser dia perfeito (Pv 4.18; Ef 4.11-15; Hb 6.9; 12.14; Jr 33.3).

Que tipo de cristão somos nós, prezado leitor?

Ciro Sanches Zibordi

terça-feira, 28 de julho de 2009

Solus Calvinus, Solus Arminius ou Sola Scriptura?


Fala-se muito, em nossos dias, a respeito dos chamados cinco solas, que são os princípios fundamentais oriundos da Reforma Protestante. Mas é importante observar que os tais princípios têm recebido diferentes interpretações.

Os cinco solas do calvinista: Sola fide (somente a fé). Solus Christus (somente Cristo). Sola gratia (somente a graça). Soli Deo gloria (glória somente a Deus). Sola scriptura (leia-se Solus Calvinus, isto é, somente a interpretação de Calvino é verdadeira). Este último tem influência sobre os outros solas, posto que eles devem ser entendidos à luz das Escrituras, e não segundo o calvinismo. Os calvinistas, infelizmente, têm errado, e muito, ao abraçarem cegamente conceitos antibíblicos (que eles consideram bíblicos) acerca das doutrinas da salvação, como já demonstrado neste blog.

Os cinco solas do arminiano: Sola fide (somente a fé). Solus Christus (somente Cristo). Sola gratia (somente a graça). Soli Deo gloria (glória somente a Deus). Sola scriptura (leia-se Solus Arminius, isto é, somente o pensamento de Armínio e de outros opositores do calvinismo). Este último sola tem influência sobre os outros, uma vez que eles devem ser entendidos à luz das Escrituras, e não de acordo com o arminianismo. Os arminianos também erram, posto que, ao se oporem às incongruências dos calvinistas, acabam supervalorizando a participação humana no recebimento e na manutenção da salvação.

Os cinco solas do cristão que de fato tem a Bíblia como a sua fonte primária de autoridade: Sola fide (somente a fé). Solus Christus (somente Cristo). Sola gratia (somente a graça). Soli Deo gloria (glória somente a Deus). Sola scriptura (Somente Escrituras). O salvo que respeita o primado da Bíblia Sagrada, haja vista considerá-la a sua regra de fé, de prática e de viver, reconhece que nem Calvino nem Armínio são os detentores da sã doutrina, e sim o Deus da Palavra e a Palavra de Deus. Afinal, a teologia é o que os teólogos dizem da Bíblia. E a Bíblia é a própria Palavra de Deus!

Em Cristo,

Ciro Sanches Zibordi

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Evangélicos e católicos devem se unir?


Há exatos dois anos, o Vaticano divulgou um documento pelo qual afirmou que a Igreja Católica Romana é a única a reunir todos os requisitos da comunidade fundada originalmente por Jesus e seus apóstolos. O texto, que retoma um polêmico documento do ano 2000 — denominado Dominus Iesus, cujo autor é Joseph Ratzinger, atual papa —, é obra da Congregação para a Doutrina da Fé, a antiga casa de Ratzinger, no Vaticano. Trata-se do órgão responsável pela pureza teológica do catolicismo.

Bento XVI sempre se posicionou contra o relativismo. Mas a divulgação desse documento revelou uma estratégia para transformar o romanismo num referencial religioso e moral único, além de guardião da herança cristã. O papa defende a ideia de que não se pode igualar todas as religiões cristãs, colocando-as num mesmo “saco”. Além disso, reafirma, modéstia à parte, que o catolicismo é o único meio pelo qual se pode alcançar a salvação espiritual com a ajuda da fé em Jesus Cristo!

Segundo o padre Augustine di Noia, subsecretário da Congregação para a Doutrina da Fé, o tal documento não visa a alterar o compromisso com o diálogo ecumênico, mas a afirmar a identidade católica.

Mas pergunto: É mesmo o romanismo o único a reunir todos os requisitos da comunidade fundada por Cristo e seus apóstolos? Ora, quem conhece um pouquinho da História sabe que o cristianismo não teve início com a igreja católica romana. Antes, um pseudocristianismo surgiu em 312, quando o imperador Constantino, após derrotar Magêncio, fez uma aliança entre Estado e Igreja. Desde então, começou a emergir essa igreja cheia de desvios em relação à Palavra de Deus. Haja vista a mariolatria, a “infalibilidade” papal, a veneração de “santos”, etc.

O papa pretende manter a pureza teológica do catolicismo, que se arvora como o guardião da herança cristã... Meu Deus! Que pureza teológica é essa? Ah, sim, a “pureza” da teologia romanista, pois, como se sabe, a igreja da maioria vem, através dos séculos, “dando de ombros” para a teologia biblicocêntrica, não preservando a verdadeiramente pura e sã doutrina (cf. Tt 2.1; 2 Tm 3.16,17; Is 8.20; 1 Co 4.6).

Sabemos que o catolicismo romano não é o único meio pelo qual se pode alcançar a salvação (com a ajuda da fé em Jesus Cristo). Segundo o tal documento, Jesus seria um mero coadjuvante na obra salvífica, haja vista a mediação ser realizada de fato pelo romanismo! Isso é o que podemos chamar de “santa” prepotência! Por que o papa e seus cardeais não se curvam ante a verdade irrefutável de 1 Timóteo 2.5? Jesus é o único Mediador entre Deus e os homens! Não é necessária a comediação do romanismo, que na verdade é uma “comédia em ação”, com todo o respeito...

Apesar do “coerente” e “imparcial” documento em apreço, a igreja da maioria pretende manter inalterado o seu ideal ecumênico... Ora, é óbvio que o romanismo continuará se aproximando das outras religiões, principalmente das consideradas “seitas evangélicas”, a fim de conquistar pela “simpatia” o maior número de fiéis. Aliás, certos cantores evangélicos têm cedido canções para padres pop star e dito que há católicos mais convertidos do que os evangélicos... Eu até concordo que haja evangélicos desviados, nominais, não-salvos ou que perderam a salvação por serem profanos... Mas, biblicamente, é impossível que um seguidor do romanismo (adorador de Maria) seja mais convertido que um verdadeiro cristão, salvo e compromissado com a Palavra de Deus!

Sinceramente, a julgar pela situação de muitas igrejas ditas evangélicas, me pergunto: O que seria pior, pertencer à igreja da maioria e adorar Maria, ou pertencer a certas igrejas “evangélicas” que estimulam os crentes a se autovalorizarem ao extremo, seguindo a um evangelho antropocêntrico, triunfalista, experiencialista ou predestinalista, que crê cegamente no bordão
“Uma vez salvo, salvo para sempre”?

Sei que “duro é esse discurso”, mas não podemos chegar a outra conclusão à luz do que diz a Palavra de Deus em 1 Coríntios 15.1,2: “Também vos notifico, irmãos, o evangelho que já vos tenho anunciado, o qual também recebestes e no qual também permaneceis; pelo qual também sois salvos, se o retiverdes tal como vo-lo tenho anunciado, se não é que crestes em vão”.

Glória seja dada a Jesus Cristo, o único Mediador entre Deus e os homens!

Ciro Sanches Zibordi

É possível perder a salvação, se ela nos foi concedida pela graça de Deus? (6)


Haja vista a grande quantidade de perguntas repetitivas, de irmãos que estão chegando agora e não leram (ao que tudo indica) os outros artigos e as minhas respostas, resolvi escrever este último artigo, pelo qual concluo esta série. Só voltarei ao assunto se surgir uma argumentação nova, devidamente fundamentada, ou perguntas de interesse geral, pelas quais não se repitam os mesmos clichês predestinalistas.

Reitero, porém, que
a doutrina da predestinação situando o crente na presciência de Deus não está na Bíblia para motivar choques de ideias, especulações ou coisas semelhantes, mas para Deus encorajar o crente. Através dessa doutrina, o Senhor está mostrando que antes que o mundo existisse, e o homem nascesse, Ele antecipou-se a tudo, prevendo problemas e dificuldades em nosso caminho e nos mostrando que é poderoso para nos levar a salvo para o seu Reino celestial (2 Tm 4.18, ARA; Fp 1.6; Jd vv.24,25).

Reafirmo que um salvo pode vir a se perder
. Ele pode sim se desviar, cair em pecado e perecer, caso não se arrependa ante a insistência do Espírito Santo (Ez 18.24,26; 33.18; Hb 3.12-14; 5.9; 1 Tm 4.1; 5.15; 12.25; 2 Pe 3.17; 2.20-22; Rm 11.21,22; 1 Ts 5.15; Dt 30.19; 1 Cr 28.9; 2 Cr 15.2; 1 Co 10.12; Jo 15.6). Essa verdade fica ainda mais evidente quando consideramos o “se” condicional quanto à salvação (Hb 2.3; 3.6,14; Cl 1.22,23), bem como a condição “ao que vencer”, que aparece sete vezes em Apocalipse 2 e 3.


Quanto ao texto de João 10.27,28, é importante observar que o versículo 27 mostra as condições da ovelha, para que ela nunca venha a perecer, nem sair das mãos de Jesus e do Pai (cf. Jo 6.67). Outrossim, se não há perigo de queda definitiva para o crente, por que a Bíblia adverte com tanta ênfase para que ninguém caia (1 Co 10.12; Hb 3.12; Jo 15.6; 1 Tm 4.1 [“apostatarão”]; 2 Ts 2.3 [“apostasia”]; Pv 16.18; 28.14; Ap 2.4,5; Rm 8.13; 2 Pe 1.10; 1 Co 9.27; Nm 14.43)?

Em 1 Timóteo 2.4, está escrito: “[Deus] quer que todos os homens se salvem”. Nisto está incluído o mundo inteiro que queira. De fato, todos os que verdadeiramente crêem se salvam; somos testemunhas disso. O Senhor predestinou à salvação todo aquele que aceitar a Jesus. A própria aceitação já é um dom de Deus, para que ninguém se glorie julgando que assim contribuiu para a sua salvação.

A predestinação fatalista da alma, como ensinada pelos calvinistas, bem como a dependente de obras humanas, propalada pelos arminianos, não têm apoio na Palavra de Deus
. O termo original de onde provém a nossa palavra “predestinação” (gr. pro-oridzo) significa “destinar de antemão”, “predeterminar”, “preestabelecer”, “prefixar”, “preeleger”, etc. (At 4.28; Rm 8.29,30; 1 Co 2.7; Ef 1.5,11).

Biblicamente, a predestinação não é a de uns para a vida eterna e a de outros para a perdição eterna. A predestinação é para os que quiserem ser salvos, conforme lemos em 2 Tessalonicenses 2.13, que Deus nos escolheu desde o princípio para a salvação. Ou, de acordo com
2 Timóteo 2.10, para que os “... escolhidos... também alcancem a salvação”.

Predestinação é o ato divino pelo qual Deus decide ou destina de antemão, segundo a sua soberana e perfeita vontade. Ela depende da eleição e seus propósitos. Eleição é o ato divino pelo qual Deus escolhe ou elege um povo para si, para salvá-lo (2 Ts 2.13). Predestinação é o ato de Deus determinar o futuro desse povo. No Novo Testamento, esse povo é a Igreja, o Corpo de Cristo, do qual — se somos salvos mesmo! — somos parte (Ef 1.22,23).


Na predestinação de Deus para a Igreja está a sua conformação à imagem do Filho de Deus (Rm 8.29), a sua chamada para a salvação (Rm 8.30), a sua justificação (Rm 8.30) e a sua glorificação (Rm 8.30). Essa conformação depende de chamada, justificação e glorificação. E depende, ainda, da santidade de Deus (Ef 1.4) e da adoção de filhos (Ef 1.5).


A eleição divina não consiste somente na soberania de Deus, mas também na sua graça
(Rm 11.5). Em relação a indivíduos, isoladamente, a predestinação e a eleição somente têm lugar se a pessoa estiver inclusa “em Cristo” (Ef 1.4), bem como permanecendo “santa e irrepreensível” (Ef 1.4b; Cl 1.22,23; 1 Co 1.2; Cl 1.2; 1 Jo 2.6). O crente está seguro quanto à sua salvação enquanto permanecer em Cristo (Jo 15.1-6). Não há segurança fora de Jesus e do seu aprisco. Não há segurança espiritual para ninguém, estando em pecado (cf. Rm 8.13; Hb 3.6; 5.9). Jesus guarda o crente do pecado; e não no pecado.

Somos mantidos em Cristo pelo seu poder, mediante a nossa fé nEle (1 Pe 1.5; Jd v.20; 2 Co 1.24b). A salvação é eterna para os que obedecem ao Senhor (Hb 5.9; 1 Co 15.1,2). Estamos em pé pela fé em Cristo, e não pela predestinação: “tu estás em pé pela fé” (Rm 11.20); “se é que permaneceis firmes e fundados na fé” (Cl 1.22,23); “Deus é salvador de todos, mas principalmente dos fiéis [lit. “dos que crêem”]” (1 Tm 4.10).


Há vários outros textos que também mostram a segurança do crente somente enquanto este está em Cristo (Sl 91.14; 16.8; Hb 3.14; 2 Tm 1.12; 1 Co 1.8). O crente deve obedecer a Deus; não para que a sua obediência o salve ou o mantenha salvo, mas como uma expressão da sua salvação, do seu amor e da sua gratidão para com aquEle que o salvou. Não nos tornamos salvos por aquilo que fazemos ou deixamos de fazer, mas pela fé em Jesus Cristo (At 16.31). A conservação da salvação também vem pela fé em Cristo, pois está escrito: “O justo viverá da fé” (Rm 1.17).

A doutrina da predestinação como ensinada pelo calvinismo só leva em conta a soberania de Deus, e não a sua graça (Rm 11.5; Tt 2.11) e a sua justiça (Sl 145.17; Rm 3.21; 1.17; 10.3). Em Ezequiel 18.23 e 33.11 vemos que Deus quer que o ímpio se converta, e não apenas os eleitos e predestinados. Ele jamais predestinaria alguém ao Inferno sem lhe dar oportunidade de salvação. Isso aviltaria a natureza dEle.

Se todos já estão predestinados quanto ao seu destino eterno, então não há lugar para escolha, decisão ou livre-arbítrio por parte do homem. Entretanto, temos essa escolha em vários textos bíblicos, como vimos. Que Deus nos conceda cada dia uma visão espiritual mais ampla e profunda, a fim de compreendermos a sublimidade da gloriosa salvação que Jesus Cristo consumou; da qual, pela graça de Deus, já somos participantes.

Em tempo: parabéns aos calvinistas pelos 500 anos do nascimento de Calvino! E parabéns aos arminianos pelos 400 anos da morte de Armínio!

Em Cristo,

Ciro Sanches Zibordi

Jogador de futebol chama a atenção para si

Ontem, à tarde, em Presidente Prudente (São Paulo), o palco estava montado para mais uma exibição de gala do grande nome do futebol brasileiro, nos últimos anos: Ronaldo Fenômeno. Mas nada do que se esperava aconteceu, no clássico entre Corinthians e Palmeiras. O maior craque em atividade no Brasil caiu em cima da mão esquerda e teve de ser substituído. Depois disso, todas as atenções se voltaram para um ex-gorducho baiano, que até pouco tempo era motivo de zombaria, no Rio de Janeiro.

O nome do jogo, ontem, foi Obina, que viveu um dia de Fenômeno, marcando três gols. O primeiro foi de cabeça. O segundo, de pênalti. E o último, o que mais chamou a atenção. Como Zaqueu, o jogador palmeirense subiu o mais alto que pôde para tocar de cabeça para o seu companheiro, que o deixou à frente do gol para decretar o placar final. Corinthians, de Ronaldo, 0. Palmeiras, de Obina, 3.

Para muitos, o que aconteceu em Presidente Prudente foi um verdadeiro milagre. Um jogador que até pouco tempo estava obeso e jogando muito mal no Flamengo (não fazia um gol havia seis meses!), sendo ridicularizado pela imprensa, surgiu magro, jogando bem pelo Palmeiras, fazendo três gols e sendo enaltecido pela crítica esportiva! Ele teria tudo para cantar: “A minha vitória hoje tem sabor de mel”, mas estava com outro hit na cabeça.

Todos os domingos, no programa Fantástico, o criativo apresentador Tadeu Schmidt presenteia o jogador que faz três ou mais gols com uma música. Que canção Obina pediu, ao ser entrevistado por um repórter da Rede Globo? “Eu queria ouvir uma música que a minha filha canta, que diz ‘Entra na minha casa, entra na minha vida’” — respondeu. Como ele não escolheu em que estilo gostaria de ouvir o sucesso “evangélico” do momento, a música foi tocada em pagode.

Grande conquista para os evangélicos, não é mesmo? Depois de o mencionado hit ter sido gravado em vários estilos — inclusive pelo grupo Forró do Muído —, tocado em bailes e shows mundanos, bem como cantado, efusivamente, na Parada Gay, em São Paulo, agora é divulgado no programa dominical de maior audiência no Brasil! Creio que os fãs de Zaqueu estão maravilhados com mais esse grandioso feito, exceto os corinthianos...

Ciro Sanches Zibordi

sábado, 25 de julho de 2009

As incongruências de Calvino (1)


Para boa parte dos evangélicos, calvinismo é sinônimo de verdade absoluta e incontestável, de argumentação lógica e consistente e até de evangelho. Mas Calvino, como todos os homens, não foi infalível (1 Pe 1.24,25), e a sua teologia não é tão biblicocêntrica como se acredita. Alguns dos seus pensamentos quanto às doutrinas da salvação, por exemplo, são incongruentes, ilógicos, irracionais, inadequados e, consequentemente, antibíblicos.

Vejamos o que disse Calvino acerca da salvação de crianças: “Os pequeninos que recebem o sinal da regeneração e da renovação, se passam deste mundo antes de chegarem à idade da razão, caso tenham sido escolhidos pelo Senhor, são regenerados e renovados pelo seu Espírito, como lhe apraz, segundo o seu poder, para nós oculto e incompreensível” (As Institutas [2006], III.11).

Segundo essa teoria calvinista, um infante não-eleito que vier a morrer antes de chegar à idade da razão será (ou já está) condenado por Deus. Em outras palavras, se uma criança — filha de pais não-cristãos, por exemplo — morrer ao nascer, não sendo ela escolhida antes da fundação do mundo, irá para o Inferno, mesmo sem ter tido sequer a oportunidade de saber por que nasceu! É o amoroso Deus injusto? Não seria melhor Ele impedir a concepção desse infante?
Teria o soberano Senhor prazer em permitir que uma criança viesse ao mundo apenas para ser condenada eternamente?

Como se vê, a teoria calvinista acerca da salvação das crianças não resiste a uma análise bíblica. Primeiro, porque o Senhor é justo e julgará a todos com justiça e retidão (Gn 18.25; Rm 3.5; 2 Tm 4.8). Segundo, porque, no Juízo Final, os réus serão condenados de acordo com as suas obras (Ap 20.12,13; 21.8). Que obras más tem um recém-nascido? Terceiro, porque em Marcos 16.16 está escrito: “... quem não crer será condenado”. Como um recém-nascido será condenado, uma vez que morreu antes de alcançar a maturidade necessária para crer?

Alguns admiradores fanáticos de Calvino argumentam que, se um recém-nascido não-eleito vier a morrer, será condenado por causa do pecado original, que passou a todos os homens (cf. Rm 5.12). Outros afirmam que Deus, em sua presciência, condenará a tal criança por saber de antemão que ela não se salvaria na idade da razão. Entretanto, uma condenação justa, baseada no pecado original, só se justifica depois de o pecador tomar conhecimento de que nasceu em pecado (Sl 51.5; Rm 3.23). No caso de um infante não-eleito que morre ao nascer, seria ele condenado pelo pecado herdado de Adão, mesmo sem ter chegado à idade madura?

Com todo respeito a Calvino, Jesus deixou claro que a salvação das crianças que não atingem a idade da razão nada tem que ver com eleição arbitrária ou predestinação incondicional. Em Mateus 18.2,3 está escrito: “E Jesus, chamando uma criança, a pôs no meio deles e disse: Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos fizerdes como crianças, de modo algum entrareis no Reino dos céus”.

À luz do texto bíblico acima, segue-se que: primeiro, para entrar no Reino de Deus não basta ser eleito; é preciso se converter. Segundo, para entrar no Reino de Deus também é preciso ser como uma criança. Terceiro, se as crianças foram tomadas por Jesus como exemplo de quem entrará no Reino de Deus, logo todas elas, em sua fase da inocência, têm a garantia do Senhor Jesus de que serão salvas — não por eleição, mas simplesmente por serem infantes! Afinal, “... dos tais é o Reino dos céus” (Mt 19.14).

Em Cristo,

Ciro Sanches Zibordi

É possível perder a salvação, se ela nos foi concedida pela graça de Deus? (5)


O livro de Romanos é sempre evocado pelos predestinalistas quando se veem diante de questões que não conseguem responder, como a clara possibilidade de o salvo — se não tiver cuidado — perder a sua salvação (1 Co 15.1,2; Hb 6.4-6; 2 Pe 2.1,20-22). Por isso, responderei a alguns questionamentos que tenho recebido acerca da aludida epístola, começando pelo capítulo 9. Depois, se Deus quiser, analisarei outros capítulos.

Creio que alguns predestinalistas continuarão desdenhando desta série, dizendo: “Pobre pentecostal, assembleiano, arminiano e semi-pelagiano”. Mas não tenho dúvidas do quanto o texto em apreço tem sofrido na mão dos predestinalistas, que o adaptam às suas teorias extrabíblicas.

Como se sabe, os predestinalistas não aceitam que o Senhor Jesus tenha morrido por toda a humanidade, tampouco admitem que a aceitação da graça se dá mediante o livre-arbítrio, opondo-se ao texto áureo da Bíblia (Jo 3.16). Para eles, somente os eleitos antes da fundação do mundo estão, por decreto, definitivamente salvos, haja o que houver. E eles pensam ter toda a Bíblia a seu favor. É como se Deus fosse calvinista!

Como é perigoso apegar-se a passagens isoladas, que, fora do contexto, podem sugerir que Deus tenha eleito uns para a perdição e outros para a salvação, farei a partir de agora uma análise de Romanos 9 à luz do seu contexto imediato (toda Epístola de Romanos) e do seu contexto geral ou remoto (toda a Bíblia). E começarei pelo versículo 16, haja vista a sua aparente sugestão de que não existe o livre-arbítrio: “Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus, que se compadesse”.

Observemos que o mencionado versículo não se refere ao meio pelo qual se recebe a salvação, e sim à fonte da salvação. A ênfase de que a salvação não depende do que quer, mas do compassivo Deus, não deve ser usada fora de contexto, com a finalidade de descartar a livre-vontade humana, necessária para o recebimento da salvação e sua manutenção, segundo a Bíblia (Jo 1.12; 3.16; Rm 10.9,10; Ef 2.8-10; 1 Co 15.1,2; Ap 20.12).

Se tomarmos como base outros textos neotestamentários, veremos que, conquanto a graça de Deus seja a fonte da salvação, o ser humano pode rejeitar essa dádiva divina, antes ou depois de ter sido salvo (2 Pe 3.9; At 7.51; Rm 9.22; Hb 6.6; 2 Pe 2.20). Mas, e os versículos 21 e 22 de Romanos 9, pelos quais se mencionam os vasos da ira, preparados pelo Oleiro para a perdição?

Bem, quando a Palavra de Deus emprega a analogia dos vasos, a ênfase é para o fato de que, de acordo com a nossa resposta moral a Deus (cf. 2 Tm 2.20,21), o vaso poderá ser moldado ou desfeito nas mãos do Oleiro (Os 8.8, ARC). Quem lê atentamente Jeremias 18 sabe que o Senhor não ignora o livre-arbítrio. Ele mesmo disse, depois de ter apresentado a Jeremias uma analogia sobre um vaso que se quebrou na mão do oleiro: “Se a tal nação, contra a qual falar, se converter da sua maldade, também eu me arrependerei do mal que pensava fazer-lhe” (v.8).

À luz do contexto geral da Bíblia, vasos da ira são os pecadores que recebem a ira de Deus por escolherem permanecer no pecado. Da mesma forma, os vasos de misericórdia são os pecadores que recebem a misericórdia de Deus (Rm 9.23), ao crerem no evangelho de Cristo (Rm 1.16). Os vasos da ira são objetos da ira divina porque se recusam a se arrepender. Daí o fato de Deus suportá-los com longanimidade (Rm 9.22), isto é, esperar pacientemente por seu arrependimento (2 Pe 3.9).

É claro que o argumento acima não convence uma mente predestinalista. Por quê? Porque, como está escrito no versículo 22 que os tais vasos da ira foram preparados para a destruição (ou perdição), acredita-se — ignorando-se o contexto — que a tal preparação para a perdição se deu antes da fundação do mundo. E, para advogar essa ideia, toma-se o próprio capítulo em apreço, pelo qual se afirma (segundo se pensa) que Jacó e Esaú já nasceram preparados para o que fariam no mundo.

Os versículos 11 a 13 de Romanos 9 parecem mesmo apoiar o fatalismo predestinalista, pelo qual se propaga a eleição arbitrária de indivíduos para salvação e perdição, antes da fundação do mundo. Afinal, o texto diz que Deus amou Jacó e aborreceu (odiou, rejeitou) Esaú. Parece mesmo não haver dúvidas de que o Senhor somente ama os eleitos e odeia os não-eleitos. Parece... Mas não é!

É preciso observar que a Palavra de Deus, através de Paulo, não está falando de indivíduos! Jacó (Israel) e Esaú (Edom) representam duas nações! Basta lermos com atenção Gênesis 25.23 para chegarmos a essa conclusão. Não há, pois, apoio a uma eleição individual, e sim a uma eleição de povos e nações: Israel e Edom. O que houve antes de os gêmeos nascerem foi uma eleição corporativa, e não individual. A passagem em análise não diz que Deus odiou a pessoa de Esaú antes que ela tivesse nascido, nem que Ele amou a pessoa de Jacó antes de este ter vindo ao mundo! Prova disso é que o apóstolo Paulo não citou Gênesis 25.23, diretamente, e sim Malaquias 1.2,3, que alude aos povos israelita e edomita.

Segue-se que a frase “aborreci Esaú” não é uma menção à rejeição do homem Esaú, e sim à rejeição do povo edomita, em razão de seus terríveis pecados, como se lê em Números 20 e Obadias. Mas isso não significa que todos os edomitas estejam, de antemão, condenados em razão de pertecerem à nação de Edom (cf. Am 9.12). A Palavra de Deus afirma que os indivíduos de cada nação podem ser salvos (Ap 7.9). Não era Rute uma moabita, pertencente a um povo rejeitado por Deus?

É um erro, por conseguinte, acreditar que o texto de Romanos 9 alude à eleição de indivíduos que uma vez salvos, salvos para sempre. Paulo se refere à eleição do povo de Israel (cf. Rm 10.1). O que a Palavra de Deus ensina em Romanos (toda a epístola) é o que se vê em toda a Bíblia. Deus elegeu um povo como nação sacerdotal, Israel (Êx 19.5,6), mas cada indivíduo tem de aceitar a graça de Deus pela fé, a fim de que seja salvo (Rm 11.20). E isso também se aplica à Igreja (1 Pe 2.9,10; Jo 8.24).

Outrossim, o ódio de Deus a Esaú (Edom) precisa ser entendido de acordo com o sentido original da palavra usada para “odiei” (ou “rejeitei”). No hebraico, significa “amar menos” e é o mesmo termo aplicado ao sentimento de Jacó por Léia, o qual era inferior ao que ele nutria por Raquel (Gn 29.30,31). O seu sentimento por Léia não era de ódio, como que querendo vê-la sofrer. Na verdade, ele até teve filhos com ela! Mas Raquel era a sua preferida.

No Novo Testamento o aludido hebraísmo também ocorre em Lucas 14.26, texto pelo qual aprendemos que, para seguirmos ao Senhor Jesus, amando-o acima de tudo, devemos amar menos (ou “aborrecer”) a nossa família (Mt 10.37).

Nos versículos 14 e 15 do capítulo em apreço está escrito: “Que diremos, pois? Que há injustiça da parte de Deus? De maneira nenhuma! Pois diz a Moisés: Compadecer-me-ei de quem me compadecer e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia”. A citação de Paulo refere-se ao endurecimento de Faraó (Êx 7.3,4). Mas é importante enfatizar que não foi Deus quem primeiro endureceu o coração de Faraó (Êx 7.13,14,22).

Faraó se obstinou em seu coração (Êx 8.15), o qual permaneceu endurecido e obstinado, mesmo diante das pragas enviadas por Deus (Êx 8.19,32; 9.7,34,35). O Senhor apenas confirmou o que o próprio Faraó desejava fazer (Êx 9.12; 10.1,20,27). Isso se conforma ao que está escrito em Romanos 1.21-28 acerca da depravação dos gentios, os quais, depois terem se endurecido, ao rejeitarem a Deus, foram entregues pelo próprio Senhor a um sentimento perverso.

Fica claro que o endurecimento de Faraó se deu em razão de ele ter se firmado cada vez mais em seu pecado, a cada praga enviada ao Egito (cf. Pv 29.1). Ademais, o termo hebraico usado para “endurecer” denota “fortalecer”; isto é, Deus apenas “fortaleceu” o desejo que estava no coração de Faraó. Este foi abandonado às suas paixões infames e entregue a um sentimento perverso (Êx 8.15), posto que não se importou em ter conhecimento de Deus (Jo 12.37-50). Ainda em Romanos, o apóstolo Paulo discorre sobre essa dureza ocasionada pelo próprio pecador, e não por Deus (2.5).

Portanto, o texto de Romanos 9 de maneira alguma avaliza a predestinação incondicional de certas pessoas ao Inferno eterno, à parte do próprio livre-arbítrio delas. E, consequentemente, não abona o clichê antibíblico “Uma vez salvo, salvo para sempre”. O ser humano, por si mesmo, nada pode fazer para salvar-se. Mas é inegável o fato de o Senhor ter dotado o homem de intelecto, sentimento e vontade, a fim de que ele receba ou não, pelo livre-arbítrio, a salvação, ou a rejeite, mesmo depois de tê-la recebido.

“Como escaparemos nós, se não atentarmos para uma tão grande salvação...?” (Hb 2.3).

Ciro Sanches Zibordi

sexta-feira, 24 de julho de 2009

É possível perder a salvação, se ela nos foi concedida pela graça de Deus? (4)


Danilo Neves disse:

Sugiro, pastor Ciro, analisando a maneira argumentativa do irmão com Leonardo Galdino, que trabalhe mais o texto de Romanos 8.26-39 de maneira EXPOSITIVA em seu blog. O desafio está lançado para os dois. Se alguém quer saber se crente perde ou não a salvação, deve passar por esse texto, com muito temor, sem preconceitos, filosofias ou lógicas. Gostaria também que os irmãos fizessem mais o uso dos autores que cada um gosta de ler e que são influenciados.

Por curiosidade, pastor Ciro, quais são os teólogos que o influenciaram para ter essa visão sobre a salvação? Que livros estão na sua estante ou apostilas que o irmão gosta de consultar? Por favor, não venham com a resposta: “Vou na fonte, que é a Palavra de Deus”. Digo isso porque essa resposta tem se tornado um chavão quando questiono um pastor ou um teólogo quanto às influências que ele recebeu na teologia. Graça e paz, a todos, em Jesus, o Filho de Deus. Amém!

Minha resposta:


Prezado desafiador Danilo Neves,

A sugestão seria muito boa, ótima, se a sua motivação e a do seu companheiro Leonardo Galdino fosse mesmo conhecer melhor a Palavra de Deus! Mas, pelos comentários que acabei de ler nos blogs de vocês,
o pastor Ciro Sanches Zibordi é apenas mais um pentecostal/arminiano, semi-pelagiano, que tem muitos textos bons, mas quando o assunto é Soteriologia há controvérsias, e do qual só podemos esperar obstinação”. Ou seja, para que desafiar um pobre pentecostal, ignorante, que sequer cita, em suas argumentações, os teólogos que o influenciaram?

Vi que vocês dois estão juntos num “combate”, a fim de “me responder satisfatoriamente”. Muito “nobre” o objetivo de vocês! Querem ver mais um pobre pentecostal — que deve ter em sua estante como fonte de pesquisas apenas uma Bíblia surrada na versão Corrigida de Almeida (como se isso fosse pouco nas mãos do Todo-poderoso!) — sem respostas ante as “irrefutáveis verdades” do calvinismo!?

Oh, que grande e estimulante desafio, jovens eruditos! Respondo a vocês como Jó respondeu aos seus “amigos”: “Na verdade, que só vós sois o povo, e convosco [ó, predestinalistas] morrerá a sabedoria” (Jó 12.2).

Sinceramente, jamais aceitaria um desafio inglório como esse, pois não usarei o meu precioso tempo em debates inúteis, com pessoas que se consideram superiores aos seus irmãos na fé, em razão de estes não serem predestinalistas ou seguidores de todas as “verdades” do “infalível” Calvino! Mas continuarei expondo o assunto em apreço de maneira biblicocêntrica, respondendo a pessoas maduras, que verdadeiramente desejam conhecer melhor a gloriosa doutrina da salvação. Não tenho tempo para desafiadores, cuja “nobre” motivação é ver mais um ignorante pentecostal derrotado.

Que Deus verdadeiramente os ilumine!

Ciro Sanches Zibordi

É possível perder a salvação, se ela nos foi concedida pela graça de Deus? (3)


Leonardo Bruno Galdino disse:

Pr. Ciro, sinceramente, a posição defendida pelo irmão faz com que a expiação de Cristo seja insuficiente para salvar, porque, se um crente pode perder a salvação, esta depende, em última instância, do próprio pecador, o que é um insulto à Soteriologia Bíblica. A doutrina da "insegurança da salvação", que é a que o irmão parece defender, além de Pelagiana (e “Semi-pelagiana”, também) não tem nenhum respaldo das Escrituras.

Não consigo imaginar Jesus dizendo que suas VERDADEIRAS ovelhas poderiam se perder. Ao contrário, ele diz que elas ouvem a voz do seu pastor (Jo 10.3ss). Também não consigo imaginar Paulo dizendo coisas do tipo: “estou em dúvida se Deus vai guardar o meu depósito até àquele Dia mesmo. Sei lá” (cf.2Tm 1.12). Judas diz que Deus “é poderoso para vos guardar de tropeçar, e apresentar-vos irrepreensíveis, com alegria, perante a sua glória” (Jd v.24).

O irmão ainda se refere aos reformados como “predestinalistas”, termo esse, ao meu ver, um pouco pejorativo. Não sou calvinólatra, muito menos qualquer outro adjetivo escuso que pessoas de outras persuasões gostam de nos tachar. Apenas reconheço na teologia desse grande reformador uma expressão fidedigna dos ensinos da Palavra. Recomendo ao irmão que leia obras como Por quem Cristo morreu, de John Owen (Ed. PES), ou mesmo As Institutas, de Calvino, bem como qualquer de seus comentários bíblicos (Ed. Fiel) para que o irmão procure qualquer brecha hermenêutica tendenciosa nesses escritos. Acho que me alonguei demais. Estou aberto a debates, se o irmão quiser. Um grande abraço!

Minha resposta:

Caro Leonardo Bruno Galdino,

É claro que a expiação de Cristo é suficiente para salvar o pecador, mas isso não exclui a sua responsabilidade.
A posição que eu defendo está baseada na Bíblia. No Juízo Final, cada ímpio será condenado “segundo as suas obras” (Ap 20.12). O sangue de Jesus não será suficiente para salvá-los da condenação? Por que eles serão condenados? Por rejeitarem o Senhor Jesus e a sua obra vicária. Como? Mediante a permanência em obras carnais (1 Co 6.9,10; Gl 5.16-21), quer antes, quer depois de terem conhecido o Senhor Jesus (Hb 6.4-6; 2 Pe 2.20-22).

O seu raciocínio, aparentemente lógico, é simplista, posto que o irmão afirma: “se um crente pode perder a salvação, esta depende, em última instância, do próprio pecador”. É óbvio que eu não defendo isso! A segurança da salvação depende inteiramente da confiança na suficiência da graça de Deus (Jo 15.1ss; 10.27,28).

Mas não se esqueça, caro irmão, de que o crente salvo pela graça deve andar em boas obras (Ef 2.8-10; 2 Pe 1.5-9; Cl 3.1ss). E estas obras nos acompanharão, não apenas para efeito de galardão (Ap 14.13; 3.5,11). Os salvos que cometem obras carnais e nelas permanecem “não herdarão o reino de Deus” (1 Co 6.9-11; Gl 5.21).

Insulta-se a soteriologia bíblica quando se despreza o que as Escrituras dizem, interpretando-a à luz do predestinalismo. Isso, sim, é um ultraje, além de não ter o abono da Palavra de Deus. Mas afirmar que o crente, apesar de seguro em Cristo, pode vir a perder essa segurança, caso deixe de estar em Cristo por causa de seus desvios, é totalmente bíblico! Textos como Hebreus 6.4-6, 2 Pedro 2.20-22 e Apocalipse 3.5 são claros quanto à possibilidade de perda de salvação.

Na verdade, como o irmão, eu também não consigo imaginar Jesus dizendo que as suas verdadeiras ovelhas se perderão. No entanto, se estas apostatarem da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios (1 Tm 4.1), bem como negarem aquEle que as resgatou (2 Pe 2.1) e caírem (Hb 6.6), com certeza perderão a preciosa salvação, tendo os seus nomes apagados do livro da vida (Ap 3.5, ARA).


Paulo disse que Deus guardaria o seu depósito (2 Tm 1.12) porque Ele de fato combatia o bom combate e guardava a fé (2 Tm 4.7,8). No entanto, ele também disse a Timóteo: “... guarda o depósito que te foi confiado, tendo horror aos clamores vãos e profanos e às oposições da falsamente chamada ciência; a qual professando-a alguns, se desviaram da fé” (1 Tm 6.20,21). Observe como Paulo temia que o obreiro Timóteo, salvo em Cristo, pudesse se desviar da fé, à semelhança de “alguns”!


Deus é, sem dúvidas, poderoso para nos guardar de tropeçar, a fim de apresentar-nos irrepreensíveis, com alegria, perante a sua glória (Jd v.24). Mas Ele guarda os vigilantes e perseverantes (Mt 24.13,42-44; Lc 21.36; 1 Co 15.1,2). Na própria Epístola de Judas, a Palavra de Deus assevera:
“conservai a vós mesmos na caridade de Deus, esperando a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo, para a vida eterna” (v.21).

O Senhor não teve prazer em tirar de Esaú o seu direito à primogenitura, mas este foi profano e perdeu-a (Hb 12.16). Por isso, no próprio livro de Hebreus há recomendações para os salvos como: “Vede que não rejeiteis ao que fala; porque, se não escaparam aqueles que rejeitaram o que na terra os advertia, muito menos nós, se nos desviarmos daquele que é dos céus” (12.25) e “Vede, irmãos, que nunca haja em qualquer de vós um coração mau e infiel, para se apartar do Deus vivo... para que nenhum de vós se endureça pelo engano do pecado” (3.12,13).

É importante confrontar todas as referências acima (que mencionam claramente a possibilidade de o salvo desviar-se, além de seu coração se tornar duro, infiel e mal) com a falácia predestinalista de que Deus põe no coração dos eleitos a santidade, e isso é o bastante. O salvo não é um robô ou um ser autômato! Biblicamente, a santificação possui três aspectos: posicional, no passado (
“em Cristo”: Ef 2.1-6); progressivo, no presente (a nossa parte, como salvos: Hb 12.14); e perfectivo, no futuro (a nossa glorificação: Rm 13.11).

Outrossim, eu não me refiro aos reformados como predestinalistas. Eu me refiro aos predestinalistas como tais. Por que emprego esse adjetivo? Porque não sou inimigo de Calvino. Reconheço o que há de positivo na obra desse grande, mas falível — e infidedigno, por conseguinte — reformador (1 Pe 1.24,25). Por outro lado, eu também não me considero arminiano, haja vista reconhecer os desvios de Armínio. Não é pejorativa a minha adjetivação, e sim didática. Quem são os predestinalistas? Os que defendem aqueles cinco pontos “irrefutáveis” do calvinismo.

Agradeço-lhe pela indicação das aludidas obras. As Institutas e a Editora Fiel eu conheço muito bem. Mas, em vez de eu procurar “qualquer brecha hermenêutica tendenciosa nesses escritos”, prefiro seguir à recomendação bíblica: “julgai todas as cousas, retende o que é bom” (1 Ts 5.21, ARA).

O irmão não se alongou, não. Foi sucinto e objetivo. E um pouco enérgico — o que é uma reação comum dos predestinalistas (sem nenhuma pejoratividade) que são, de alguma forma, contrariados pelos
“ignorantes” pentecostais ou assembleianos. Estes, em geral, são considerados, por boa parte dos predestinalistas, uma classe inferior e ignorante (os pobres arminianos), detentora de uma argumentação “fraquinha” a respeito da soteriologia... Não é isso que se lê em muitos debates na Internet? Por isso, não se indigne com o emprego, repito, didático do termo “predestinalista”.

Finalmente, não estou aberto a debates, mas posso conversar com o irmão, se desejar. Nos debates sobre esse assunto (há muitos na grande rede) vejo que um quer mostrar que sabe mais que o outro, numa sequência sem fim. E esse não é o meu objetivo. Creio que o melhor caminho é o da convergência, a fim de que prevaleça a Palavra de Deus, e não o meu ou o seu pensamento.

Um grande abraço para o irmão também!

Ciro Sanches Zibordi

quinta-feira, 23 de julho de 2009

É possível perder a salvação, se ela nos foi concedida pela graça de Deus? (2)


Dando sequência ao diálogo sobre a segurança da salvação, respondo a mais perguntas.

Thiago André Monteiro disse:

Você realmente acredita que uma pessoa que verdadeiramente foi salva (convertida, não apenas convencida) pode perder esta salvação a qualquer momento? Deve ser muito difícil e angustiante viver com este peso — “Oba! Agora estou salvo! Ops, agora não! Ufa, agora estou salvo de novo! Ai caramba, agora não!” Tomara que essa pessoa morra no minuto certo, senão pagará eternamente só por causa de alguns segundos.

Minha resposta:

Caro Thiago André Monteiro,

É óbvio que uma pessoa verdadeiramente salva e convertida não pode perder a salvação por qualquer motivo e a qualquer momento, enquanto permanecer em Cristo (Jo 15.1-10; 10.26,27). Mas ela pode, sim, perdê-la se passar a ter uma vida relaxada e sem compromisso com a Palavra de Deus (1 Co 15.1,2; 2 Pe 2.20-22; 1 Tm 4.1).

Os predestinalistas, que defendem a eleição arbitrária e a graça irresistível (entre outros desvios do evangelho), têm levado esse assunto ao extremo. Pensam que os que prezam a verdade bíblica de que é possível perder a salvação (Ap 3.5) acreditam que uma pessoa é salva e perdida, salva e perdida, salva e perdida, salva e perdida... Num minuto é salva; no outro, perdida.

Não, prezado irmão, eu não defendo essa argumentação simplista do salvo-perdido-salvo-perdido-salvo-perdido, pela qual se afirma que alguém pode perder a salvação por qualquer motivo banal, como ficar irritado no trânsito ou cometer um pecado qualquer.

Entretanto, não tenho dúvidas de que a permanência consciente no pecado implicará perda da vida eterna. Isso à luz da Palavra de Deus, é claro. Afinal, pensar que uma vez salvo, salvo para sempre é outro extremo.

A resposta dos predestinalistas a isso tem sido: quem perdeu a salvação é porque nunca foi salvo. Mas isso não é verdadeiro, principalmente à luz de textos claros como 2 Pedro 2.1. Nesta passagem emprega-se o verbo "resgatar", o qual só se aplica a quem um dia realmente foi salvo, resgatado da vida de pecado (vv.20-21).

Thiago André Monteiro disse:

Acho muito bom e produtivo esse tipo de discussão. Primeiramente obrigado pela resposta e, apenas tentando entender quem pensa diferente de mim e que se defende com argumentos bíblicos e sólidos (o senhor sabe que a maioria apela mesmo sem qualquer critério), gostaria de saber como o senhor entende o texto de 1 Coríntios 5.1-5 frente a este assunto. “[...] entreguem esse homem a Satanás, para que o corpo seja destruído, e seu espírito seja salvo no dia do Senhor” (v. 5).

Dentro do contexto geral do texto, devo entender que este homem foi ou não salvo? Ele, no meu entendimento, cometia o pecado sistematicamente, sem se preocupar com as conseqüências; no entanto, o texto dá a entender que, mesmo excluído da comunhão dos irmãos e entregue para ser morto fisicamente (“para que o corpo seja destruído”), ele será salvo no dia do Senhor. Novamente insisto que não quero apenas discordar, mas crescer ao ouvir aqueles que se dedicam na Palavra de Deus (mesmo que suas conclusões sejam contrárias às minhas, mesmo porque eu não sou infalível).

Minha resposta:

Caro irmão Thiago André Monteiro,

Fico feliz com o seu interesse. E agradeço-lhe pelas palavras de gratidão e incentivo quanto ao meu trabalho.

O texto de 1 Coríntios 5.1-5 não é de fácil interpretação, haja vista a contundente declaração do apóstolo Paulo contida no versículo 5. Mas o irmão, em sua pergunta, dá uma pista de como chegar à resposta, ao mencionar a necessidade de conferir o contexto geral da passagem. De fato, o versículo 5, em específico, só pode ser compreendido levando-se em consideração os seus contextos imediato e remoto.

Observe que a expressão “seja entregue a Satanás” também aparece em 1 Timóteo 1.19,20: “Alguns fizeram naufrágio na fé. Entre esses foram Himeneu e Alexandre, os quais entreguei a Satanás, para que aprendam a não blasfemar”. Veja: eles não foram entregues a Satanás para serem condenados, mas para aprenderem a não blasfemar.

Em outras palavras, “ser entregue a Satanás” significa deixar alguém novamente aos cuidados do Diabo, como estava antes (Cl 1.13), para que aprenda a ser obediente a Deus. É claro que alguns nem sofrendo aprendem (Pv 29.1). E, nesse caso, só lhes restará a perdição, a qual trazem sobre si mesmos, ao permanecerem na iniquidade (2 Pe 2.1).

O que Paulo quis dizer, então? Que a igreja de Corinto não deveria ser conivente com o erro do irmão (irmão?) iníquo, mas excluí-lo da comunhão, a fim de que houvesse possibilidade de ele vir a ser salvo, caso se arrependesse.

Deus permite, em alguns casos, que o Diabo seja um instrumento no castigo físico de um crente desviado, que peca de maneira continuada, rejeitando todas as oportunidades que o Senhor lhe dá. Veja o caso da falsa profetisa Jezabel. Jesus disse que lhe dera tempo para se arrepender, e ela não havia se arrependido. Por essa razão, Ele asseverou: “Eis que a porei numa cama...” (Ap 2.20-22). Depreende-se que essa mulher, no leito de dor (enferma), pudesse, enfim, se arrepender. E, caso ela viesse a morrer em decorrência da enfermidade, seria salva. Ou seja, o seu corpo seria destruído, mas o seu espírito, salvo.

Por outro lado, o caso mencionado em 1 Coríntios 5.5 não se refere especificamente a enfermidades, e sim a sofrer nas mãos de Satanás. Não é seguro afirmar (pois o texto bíblico não é suficientemente claro quanto a isso), porém tudo indica que esse mesmo iníquo, antes impenitente, é mencionado em 2 Coríntios 2.5-9, já reintegrado à comunhão, depois de ter passado pelo período “entregue a Satanás”, isto é, afastado da comunhão.

Em resumo, o propósito da ação drástica recomendada pelo apóstolo Paulo é a salvação final do irmão que estava insistindo em permanecer na vida de pecado, e não a sua destruição eterna por ocasião do julgamento final.

Em Cristo,

Ciro Sanches Zibordi

quarta-feira, 22 de julho de 2009

O jugo de Zaqueu e o jugo de Cristo


É comum, em pregações evangelísticas, a citação de Mateus 11.28: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei”. Mas precisamos pregar também o que está escrito no versículo 29: “Tomai sobre vós o meu jugo”.


O que é a salvação? Libertação de nossos fardos e dificuldades? Em parte, sim. Por que
“em parte”? Porque, além de ficarmos livres do jugo do pecado, recebemos outro jugo: o de Cristo. Ele nos liberta de nossos velhos fardos e problemas, a fim de nos usar em seu Reino. Quando entregamos a nossa vida ao Senhor Jesus Cristo, vivemos para Ele, e não para nós mesmos.

Hoje em dia, fala-se muito do
“grande” Zaqueu e sua “exemplar” subida ao sicômoro para chamar a atenção de Jesus. Observe, na foto acima, que, ao subir na tal árvore, aquele publicano deve ter ficado escondido atrás das suas folhas. Como teria chamado a atenção do Mestre? Mas, deixando um pouco de lado o hit “evangélico” do momento, como foi que Jesus se apresentou àquele miserável pecador? Se o Senhor fosse um dos pregadores da atualidade, o diálogo entre os dois teria sido mais ou menos assim:

— Senhor Zaqueu, tudo bem? Tenho muito prazer em conhecê-lo.
— Ah, igualmente!
— Gostaria de perguntar-lhe se tem uma vaga em sua agenda para me receber em sua casa. Sei que o senhor é muito ocupado, mas talvez possamos marcar uma entrevista. Quando seria mais conveniente para o senhor?
— O assunto é importante, Senhor Jesus?
— Sim, é uma questão de suma importância, embora o senhor possa pensar de modo diferente.
— Bem, deixa eu ver... Nesta semana está difícil. Creio que na próxima posso recebê-lo em minha casa.

Não! Jesus não agiu assim! Ele simplesmente olhou para cima e ordenou: “Zaqueu, desce depressa, porque, hoje, me convém pousar em tua casa” (Lc 19.5). Quando se trata do Senhor Jesus, não há para nós uma escolha de condições. A salvação não é uma opção. É um mandamento! E Zaqueu — pelo livre-arbítrio — tinha de decidir como iria encarar a ordem que Jesus lhe deu. Ele só podia ter obedecido ou desobedido à ordem do Senhor. Mas deveria obedecer.

Para Zaqueu, obedecer à ordem de Jesus implicaria confessá-lo como Senhor (Rm 10.9,10). E desobedecê-la significaria tornar-se inimigo do Senhor. Mas ele resolveu obedecer. Desceu do sicômoro prontamente e conduziu Cristo à sua casa. Quando chegaram lá, o que fez Zaqueu? Como deve ter sido o seu diálogo com a sua esposa? Imaginemos...

— Querida, prepare uma refeição para esse homem e seus discípulos.
— Por que você não me avisou que havia convidado os seus amigos para o almoço?
— Eu não os convidei, querida. Foi este Homem que se convidou.

É isso mesmo. O Senhor Jesus não precisa de convite, do tipo “Entra na minha casa, entra na minha vida”. Ele é o Senhor de todas as casas, de todas as pessoas. Por isso, alguns instantes depois, declarou: “Hoje veio salvação a esta casa” (Lc 19.9). Quando isso aconteceu? Ninguém havia explicado a Zaqueu o plano da salvação! Quando ele foi salvo? Quando ele obedeceu ao Senhor! No instante em que desceu daquela árvore, colocou-se sob o senhorio de Cristo. Isso é salvação: receber a Cristo como Senhor e Salvador!

Portanto, sejamos como Zaqueu e tomemos sobre nós o jugo do Senhor Jesus.

Ciro Sanches Zibordi

terça-feira, 21 de julho de 2009

Por que a Trindade é uma doutrina bíblica, e não um dogma romanista?

Biblicamente, Deus é uno e, ao mesmo tempo, triúno (Gn 1.1,26; 3.22; 11.7; Dt 6.4; 1 Jo 5.7). O Pai, o Filho e o Espírito são três divinas e distintas Pessoas. Essa verdade contida nas Escrituras transcende a razão humana, e devemos aceitá-la alegremente, pela fé, a qual precede a doutrina (1 Tm 4.6).

As três divinas Pessoas da Trindade são coeternas e iguais entre si. Mas, em suas operações concernentes à criação e à redenção, Deus, o Pai, planejou a criação de tudo (Ef 3.9); Deus, o Filho, executou o plano, criando (Jo 1.3; Cl 1.16; Hb 1.2; 11.3); e Deus, o Espírito Santo, vivificou, ordenou, pôs tudo, todo o universo, em ação: desde a partícula infinitesimal e invisível até ao super-macroscópico objeto existente (Jó 33.4; Jo 6.63; Gl 6.8; Sl 33.6; Tt 3.5). Ou seja, o Pai domina, o Filho realiza, e o Espírito Santo vivifica, preserva e sustenta.

Na redenção da humanidade, o Pai planejou a salvação, no céu (Jo 3.16; Gl 4.4,5); o Filho consumou-a, na terra (Jo 17.4,5; 19.30); e o Espírito Santo realiza e aplica essa tão grande salvação à pessoa humana (Jo 16.8-11; Tt 3.5). Entretanto, num exame cuidadoso da Bíblia, vemos que, em qualquer desses atos divinos, as três Pessoas da Trindade estão presentes (cf. 2 Co 5.19; Jo 16.23, etc.).

Uma tentativa de definição do trino Deus é: Deus Pai é a plenitude da divindade invisível (Jo 1.18). Deus Filho é a plenitude da divindade manifesta (Jo 1.1-17). Deus Espírito Santo é a plenitude da divindade operando na criatura (1 Co 2.12-16).

Para os sentidos físicos do homem, por condescendência de Deus, vemos as três Pessoas da Trindade no batismo de Jesus. O Pai eterno falou do céu, o Espírito Santo desceu em forma visível de pomba — uma alegoria —, e o Filho estava sendo batizado no rio Jordão, para cumprir toda a justiça (Mt 3.16,17). Daí a fórmula batismal deixada por Jesus mencionar as três Pessoas (Mt 28.19 [aqui, o termo “nome” tem função distributiva]).

A doutrina da Trindade é uma das mais atacadas por movimentos pseudocristãos, dentre eles o unicismo. Seus propagadores insistem em afirmar que a Trindade é um dogma romanista. E eles têm sido bastante convincentes na propagação de suas heresias antitrinitárias, principalmente por receberem o apoio de pastores e líderes de louvor frouxos, sem compromisso com a sã doutrina, que preferem — à semelhança de Arão — agradar o povo e valorizar mais as belas melodias de um famoso conjunto que diz ter a “voz da verdade” do que a verdadeira voz do Bom Pastor (Jo 10.27).

Viajo muito pelo Brasil e vejo que vários grupos de mocidade cantam os “louvores” aparentemente cristocêntricos do aludido conjunto. Que as canções são bonitas, não há dúvidas. Eu tiro o chapéu para o talento desse conjunto unicista. Mas não posso aceitar que o carisma de seus integrantes e a beleza de suas composições tenham mais valor do que a sã doutrina!

É claro que a Trindade é um mistério para nós. Se a unidade composta do homem — espírito, alma e corpo (1 Ts 5.23) — continua como um fato inexplicável para a ciência e para os homens mais sábios e santos, quanto mais a triunidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo! Mas o fato de não a compreendermos jamais deveria ser um motivo para a rejeitarmos! Afinal, as coisas espirituais se discernem espiritualmente (1 Co 2.15). E nós, que temos a mente de Cristo (v.16), devemos discernir bem tudo.

Em Cristo,

Ciro Sanches Zibordi

sexta-feira, 17 de julho de 2009

É possível perder a salvação, se ela nos foi concedida pela graça de Deus? (1)


Filipe Huvos Ribas disse:

Pastor Ciro, o post está excelente, e a resposta que o senhor deu à primeira pergunta foi igualmente excelente; deu para aprender muito, pois era uma dúvida que eu tinha. Mas, como conciliar a possibilidade de perder a salvação sem cair no erro de tentar se salvar pelas obras? Pois a nossa salvação é graças a Jesus Cristo e à obra dEle somente, não é? Não sei se o senhor vai entender a minha pergunta. Obrigado desde já e fica na paz do Senhor Jesus Cristo.

Minha resposta:

Caro Filipe Huvos Ribas,

Agradeço-lhe pelas palavras de incentivo.

A salvação ocorre pela graça de Deus. Mas fomos salvos pela graça para as boas obras (Ef 2.8-10). Tiago, ao contrário do que muitos pensam, estava de acordo com Paulo quanto à necessidade de o cristão verdadeiramente salvo demonstrar que é salvo pelas suas boas obras.

É preciso observar que a nossa salvação envolve três tempos e três aspectos. No passado, fomos justificados, santificados e regenerados (aspecto posicional). No presente, devemos operar a nossa salvação com temor e tremor (Fp 2.12), seguindo a paz com todos e a santificação (aspecto progressivo), sem a qual ninguém verá o Senhor (Hb 12.14). No futuro, nossa salvação será a glorificação (aspecto perfectivo); seremos libertos da presença do pecado, e não apenas de seu domínio.

Portanto, quem é salvo, hoje, deve continuar, permanecer salvo, em Cristo (1 Co 15.1,2; Ap 3.11). É um erro pensar que não é preciso fazer mais nada, depois de salvo. O salvo que se preza é mais salvo, a cada dia, posto que está mais próximo de sua glorificação (Rm 13.11).

O pastor Luiz Fernando disse:

Interessante é afirmarmos que a salvação é pela graça de Deus e mesmo assim pode-se perdê-la. Se é pela graça, é um favor que recebo sem merecê-lo; logo não posso descartá-lo ao meu bel-prazer. O que aconteceria com uma pessoa salva que resolvesse negar Cristo na eternidade? Quando o homem possui a faculdade de rejeitar o que Deus fez na cruz, torna Deus um ser impotente para cumprir seus propósitos.

Creio que o texto de Judas 24 nos diz que Deus é poderoso para nos guardar de tropeçar e poderoso para nos apresentar ante sua glória imaculados e jubilosos. Interessante é que o texto nos diz que o principio de preservar o crente até o final é de Deus, e não do homem. Um equívoco laborado é pensar que já que sou salvo posso fazer o que quiser, como pecar à vontade, pois, sou predestinado. Quem é salvo pela graça de Deus, recebe a natureza divina e essa natureza clama por santidade e não por pecado. O salvo pela graça caminha é para santidade e não para a corrupção do pecado.

Assim sendo, acredito que uma vez sendo salvo por Deus, Deus me concede graça para perseverar até aquele dia. É bom ler com atenção o texto de 1 Pedro 1.3-9. O versículo 5 nos diz especificamente que somos guardados pelo poder de Deus, mediante a fé, para a salvação que está preparada para se revelar no último dia. O poder de Deus capacita nossa fé para que possamos perseverar. Realmente tudo é Dele, por meio Dele e para Ele, conforme Romanos 11.36

Minha resposta:

Caro pastor Luiz Fernando,

Indubitavelmente, a salvação é pela graça, segundo a Bíblia (cf. toda a Epístola de Romanos). Por outro lado, é simplismo pensar que uma vez salvo, ainda que pela graça, salvo para sempre. Pela sua graça, Deus dá o que não merecemos, mas Ele só me deu a salvação porque eu a quis receber. Deus mesmo me capacitou para aceitá-la; deu-me a fé (Ef 2.8,9) e a possibiliade de arrependimento (At 11.18; Rm 2.4), a fim de que eu receba livremente a salvação.

A graça de Deus não exclui a minha escolha. Se qualquer salvo escolher “naufragar na fé” (1 Tm 1.19,20), ou apostatar (1 Tm 4.1), ou desviar-se, como fez Judas (At 1.25; 2 Pe 2.1,20-22), com certeza abrirá mão da preciosa salvação pela graça. Ninguém resolverá negar a Cristo na eternidade, pois estaremos em outra dimensão, glorificados (Rm 13.11; Fp 3.13,14). Estaremos libertos da presença do pecado, e não apenas de seu poder.

Não devemos permitir que a lógica humana nos impeça de pensar biblicamente (1 Co 2.14,15) e de considerar todo o desdobramento da doutrina da salvação, que abrange passado, presente e futuro. O homem possui, sim, a livre-vontade e pode rejeitar a obra de Cristo realizada na cruz. Por isso, Deus amou o mundo de tal maneira, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna (Jo 3.16). Deus é poderoso para nos guardar de tropeçar, desde que permaneçamos em Cristo (Jo 10.27,28).

O que o irmão entende por apostasia? Trata-se do abandono consciente da salvação — ou seja, é mais que heresia. Somente o crente, salvo, pode apostatar! O ímpio não tem do que se desviar, conscientemente, mas o salvo tem (1 Tm 4.1). Pode ser um equívoco pensar que uma vez salvo posso fazer o que quiser, mas é exatamente isso que fazem alguns dos que se apegam à máxima “Uma vez salvo, salvo para sempre”.

Deus sempre quis que todos se salvassem (1 Tm 2.4) e não tiraria a salvação de ninguém, posto que é misericordioso. Reitero que Ele não tirou de Esaú o direito à primogenitura. Mas Esaú a perdeu! Por quê? Porque foi profano. O próprio Inferno foi preparado para o Diabo e seus anjos (Mt 25.41), numa prova de que Deus não deseja que os seres humanos vão para lá, porém muitos homens irão para o Lago de Fogo (Ap 20.21.8; 22.15). E não irão para lá por não terem sido alcançados pela graça de Deus, e sim porque serão “julgados cada um segundo as suas obras” (Ap 20.13).

Quem é salvo pela graça de Deus é participante da natureza divina quanto aos atributos comunicáveis da deidade (2 Pe 1.4-9), e essa natureza clama por santidade, e não por pecado (Gl 5.22; Cl 3.1-17). Sem dúvidas! Mas isso é apenas o aspecto posicional da nossa salvação.

Há uma luta dentro de nós: a natureza carnal se levanta contra a espiritual (Gl 5.16-21). Quem prevalecerá? Dependerá de quem a prevalecência do homem regenerado? É preciso levar-se em conta os aspectos progressivo (no presente) e perfectivo (no futuro). Fomos salvos, estamos salvos e devemos permanecer salvos! Isso à luz da Bíblia (1 Co 15.1,2; Ap 3.11 [aqui não se trata de galardão, pois o verbo “ter” está no presente]; Mt 24.13; Ap 3.5, etc.).

O salvo pela graça caminha para glorficação (Ef 4.11-15), e não para a corrupção do pecado. Mas o salvo não é um robô programado para progredir por conta própria, a cada dia! Ele precisa crescer na graça e conhecimento (2 Pe 3.18), e isso depende de sua cooperação (Fp 2.12). Paulo foi chamado desde o ventre de sua mãe, mas não foi desobediente à visão celestial (At 26.19). A Bíblia diz para nos achegar-nos a Deus (Tg 4.8; 1 Pe 2.4). Ele faz a sua parte, porém temos de fazer a nossa (Ez 24.13).

Deus nos concede graça para perseverarmos até aquele grande Dia. No entanto, o Senhor Jesus nos manda vigiarmos para continuarmos em pé (Lc 21.36). E a Palavra de Deus menciona pessoas que cairão e irão para o Inferno (Mt 7.21-23). O irmão citou 1 Pedro, mas é preciso ler também as partes em que esse apóstolo fala da vigilância, em sua primeira carta. Além disso, ele próprio a quem Deus usou para nos alertar quanto ao perigo de voltarmos às corrupções do mundo (2 Pe 2.20-22).

Portanto, a salvação é pela graça, sem dúvidas. Mas precisamos atentar para textos como 1 Coríntios 15.1,2: “Também vos notifico, irmãos, o evangelho que já vos tenho anunciado; o qual também recebestes, e no qual também permaneceis, pelo qual sois salvos se o retiverdes tal como vo-lo tenho anunciado; se não é que crestes em vão”.

Em Cristo,

Ciro Sanches Zibordi

Frases comentadas para expoentes da Palavra de Deus (1)


“Os provérbios são sempre chavões até você experimentar a verdade contida neles”
Aldous Huxley

Isso no caso de provérbios que realmente contenham verdades. Caso contrário, serão apenas chavões, clichês, frases ditas mecanicamente. Há diversos bordões no meio evangélico que não apresentam verdades bíblicas. Ao contrário, depõem contra a Palavra de Deus.

Chavões antibíblicos: “Pentecostal que não faz barulho tem defeito de fabricação” (há pentecostais que não gostam de barulho, principalmente se for o da carne); “Crente que tem promessa não morre” (somos peregrinos e forasteiros; precisamos estar preparados para partir a qualquer momento); “A nossa voz é a voz de Deus” (desde quando?); “Quem não vem pelo amor vem pela dor” (muitos são repreendidos, sofrem, mas preferem seguir a seus próprios caminhos [Pv 29.1]); “Uma vez salvo, salvo para sempre” (O Senhor não tira a salvação de ninguém, mas alguém pode rejeitá-la e perdê-la; Deus não tirou o direito à primogenitura de Esaú, porém este, por ser profano, o perdeu), etc.

“Aquele que fala sem pensar assemelha-se ao caçador que dispara sem apontar”
Montesquieu

Deve-se, pois, ter em mente a reação dos mais diversos tipos de público-alvo e prever os seus questionamentos e reações, ao expor uma verdade. No caso da exposição da Palavra de Deus, é preciso, sobretudo, agradar a Deus. E, para que isso aconteça, a aceitação ou rejeição por parte dos ouvintes tornam-se secundários (Tt 2.1; Ez cap.2).

Tenho tido o cuidado de, ao pregar ou escrever, expor apenas verdades que tenho como sustentar à luz das Escrituras. Quando eu digo, por exemplo, que a atitude de Zaqueu que merece destaque, em sua salvação, foi o ter descido do sicômoro, atendendo ao chamamento de Jesus — e não o ter subido, apenas para ver quem era Jesus —, faço isso por convicção de que a Palavra de Deus realmente corrobora tal argumentação (Lc 19.1-10).

“Toda a minha vida olhei para as palavras como se as estivesse a ver pela primeira vez”
Ernest Hemingway

Assim devemos olhar também para o texto bíblico. A Palavra de Deus é viva e eficaz (Hb 4.12). As verdades apresentadas em João 3.16 e Mateus 11.28 não podem ser consideradas menos enfáticas que as contidas em passagens raramente lidas e citadas. Por isso, ao ler um versículo muito conhecido ou fazer menção dele, faça isso com inteira convicção de que a Bíblia é a Palavra de Deus.

Em Cristo,

Ciro Sanches Zibordi

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Os dois lados do Santo Sudário


Milhões de pessoas, em todo o mundo, gostariam de ver de perto a maior relíquia do romanismo: um pedaço de pano chamado de Santo Sudário. Entre manchas envelhecidas de sangue, de água e de tecido queimado, percebe-se, com algum esforço, a imagem de um homem barbudo e despido. Para muitos fiéis católicos, não há dúvida: é a imagem do corpo de Jesus, que, segundo a Bíblia, foi envolto em lençóis (Jo 20.1-7).

Há vinte anos, exames atestaram que o lençol era uma fraude. Para muitos cientistas, o pano não tem a mais remota chance de ser da época de Cristo. Ou alguém o produziu querendo fazer crer que era o sudário verdadeiro, ou ele foi usado num funeral da Idade Média, e tudo não passa de uma grande coincidência. Constatou-se, finalmente, que a imagem fora criada na Idade Média a partir de pinturas bem trabalhadas.

Entretanto, estudiosos de diversas áreas têm reaberto a polêmica em torno da autenticidade do sudário. Apesar de, na Idade Média, as crucificações já serem coisa do passado, seria praticamente impossível que um pintor conseguisse produzir uma imagem tão clara de um homem crucificado. O tecido possui várias camadas de fibras e apenas a mais superficial delas apresenta outra tonalidade, criando o desenho. Como o pintor conseguiria tal proeza?


Em 1898, o fotógrafo profissional italiano Secondo Pia, ao retratar a relíquia, levou um susto: no negativo, surgia a imagem nítida do corpo que, no pano, aparece embaçado. Foi esse efeito do negativo que fascinou tanto os estudiosos céticos quanto os crédulos. Todos, admirados, passaram a admitir que, se o pano for uma fraude, trata-se da mais enigmática e mais bem elaborada da História.

Diversos tipos de análise foram favoráveis à autenticidade da mortalha. Mas o teste do carbono 14 confirmou que o tecido data de um período compreendido entre 1290 e 1390, não podendo ser de Cristo. Esse teste — realizado com base na quantidade de átomos radioativos de carbono impregnada em um objeto de origem orgânica — é conclusivo. Ou melhor, quase conclusivo, pois outros detalhes precisam ser considerados.


Em 1503, o sudário foi fervido em óleo. O objetivo era provar sua autenticidade: se a imagem não sumisse, ela seria “santa”. E ela não sumiu. Em 1532, em um incêndio, o pano foi atingido por labaredas que lhe deixaram marcas. Para físicos da Universidade de Harvard (EUA), o calor teria afetado a precisão do teste do carbono 14. Eles usaram a técnica em panos antigos, antes e depois de chamuscá-los, percebendo diferenças de até 600 anos nos resultados.

Se o sudário for uma fraude, é uma fraude genial, minuciosamente calculada. As chagas das mãos estão na altura dos pulsos, entre oito ossos em que estaria o ponto capaz de, trespassado por um cravo, sustentar o peso do corpo pendurado na cruz. Esse detalhe anatômico, segundo os entendidos, não era conhecido no século XIII.
O químico norte-americano Alan Adler conseguiu provar que o tecido contém moléculas que o organismo despeja quando passa várias horas em estresse extremo. Há também substâncias secretadas nos coágulos das feridas que são invisíveis, as quais só foram descobertas no século passado. Como alguém, sem saber da sua existência, poderia colocá-las no pano?

É muito improvável que a mortalha tenha envolvido o corpo de Jesus. Mas, ultimamente, alguns elementos têm levado os pesquisadores a esse pensamento. Estudos demonstraram que a pessoa envolvida pelo pano tinha 1,83 metro de altura e 81 quilos. A coroa de espinhos era na forma de capacete. Nas costas, há marcas dos 39 golpes de chicote que os soldados tinham de aplicar, conforme a lei romana. Só um gênio conseguiria forjar tudo isso no período medieval.

A riqueza de detalhes do sudário fica mais desnorteante quando se vê a reconstituição da imagem em forma tridimensional, feita por computador. A impressão que se tem é que ela foi produzida por meio de uma forte radiação emanada do corpo. Assim, tudo leva a crer que o tecido teria envolvido o corpo de uma pessoa morta em decorrência de uma crucificação.

Na verdade, os fatos apresentados demonstram que há razões fortes para crer na autenticidade do Santo Sudário. Mas isso não quer dizer que ele tenha envolvido, necessariamente, o corpo de Cristo. As crucificações na época em que Jesus andou na terra eram muito comuns.

Portanto, o sudário tem dois lados. Se o lençol for verdareiramente o que envolvera a Jesus, constitui-se na mais importante prova da veracidade da narrativa bíblica de João 19.40: “Tomaram pois o corpo de Jesus e o envolveram em lençóis com as especiarias, como os judeus costumam fazer, na preparação para o sepulcro”. Ao mesmo tempo, pode levar pessoas a idolatrar o pedaço de pano...

Ciro Sanches Zibordi

terça-feira, 14 de julho de 2009

Kenneth Hagin e o Nome de Jesus (parte 3)


O famoso pregador triunfalista Oral Roberts afirmou: “Nenhuma pessoa viva hoje tem a mesma compreensão do poder no Nome de Jesus quanto o irmão Hagin” (O Nome de Jesus, Editorial Graça, quarta capa). Seria essa declaração verdadeira?

Bem, já analisei segundo a Bíblia o prefácio e nove capítulos do livro supracitado. E, pelo que tudo indica, Roberts está muito equivocado. Vamos à análise dos capítulos 10 e 11.

Capítulo 10 — O Nome e os Batismos

Nesse capítulo, Hagin faz uma distinção clara entre três tipos de batismo: “(1) o batismo que nos congrega ao corpo de Cristo por ocasião do novo nascimento; (2) o batismo na água; (3) o batismo no Espírito Santo” (p.59). E faz também a seguinte afirmação, na mesma página: “Paulo escreveu as duas Epístolas — Efésios e Hebreus”. Conquanto não seja possível determinarmos, com precisão, a autoria de Hebreus, o que Hagin disse não chega a ser uma heresia.

No geral, não há nada comprometedor na interpretação que Hagin faz da doutrina dos batismos (Hb 6.2), a despeito de ele, ao tratar do batismo em águas, narrar uma estranha experiência que teve ao visitar supostamente o Inferno, depois de ter morrido...

Capítulo 11 — O Nome de Jesus em nosso Dia-a-dia

O capítulo 11 é um dos mais controversos e perigosos, pois incute na mente dos incautos a ideia triunfalista de que temos direitos e privilégios. O que há de errado com isso? O perigo está em valorizarmos muito mais o vaso de barro do que o tesouro que está dentro dele (2 Co 4.7). Muitos podem discordar e bater no peito: “Eu tenho direitos”. Mas eu prefiro confiar no que está escrito em 2 Coríntios 12.9: “A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza”.

Lembro-me de que, quando Jeosafá foi ameaçado por amonitas e moabitas, ele não disse: “Agora esses miseráveis vão provar da minha força” ou “Com quem eles pensam que estão mexendo? Eu tenho a marca da promessa”. Nada disso! Ele e o povo reconheceram a sua pequenez e a grandeza de Deus: “... tu és Dominador sobre todos os reinos das gentes, e na tua mão há força e poder, e não há quem te possa resistir... Ah! Deus nosso, porventura não nos julgarás? Porque em nós não há força perante esta grande multidão que vem contra nós, e não sabemos nós o que faremos; porém os nossos olhos estão postos em ti” (2 Cr 20.6-12).

Para os triunfalistas — discípulos de Hagin —, Jeosafá fez uma tremenda de uma confissão negativa, ao reconhecer a sua insignificância ante o grande poderio bélico dos inimigos. Contudo, quando o crente bate no peito e diz: “Eu tenho...”, “Eu sou...” ou “Eu determino...”, está correndo grande perigo. A Palavra de Deus diz: “Humilhai-vos, pois, debaixo da potente mão de Deus, para que a seu tempo vos exalte” (1 Pe 5.6).

No capítulo em apreço, Hagin ensina os crentes a reclamarem os seus direitos e assevera: “A palavra ‘pedir’ também significa ‘exigir’” (p.69). Se o leitor não sabia, foi com Hagin que eu tal missionário aprendeu a
“determinar”.

Torcendo o que disse o Senhor Jesus em todas as passagens sobre a petição, como João 14.13, Hagin não tem o menor constrangimento em afirmar que as traduções que empregam o verbo “pedir” estão erradas. Ele cita as palavras de um professor de grego, cujo nome omite: “Irmão Hagin, nunca pensei nisto antes de você o ressaltar, mas o grego diz literalmente: ‘Tudo quanto exigirdes como vossos direitos e privilégios, eu o farei” (pp.68,69).

Segundo Hagin, citando também a Concordância de Strong, quando Jesus usou o verbo “pedir”, queria dizer “exigir”. Pior: Hagin assevera, indiretamente, que exige do Diabo, e não de Deus! Como justificar esse pensamento à luz de João 15.16? Jesus disse: “... a fim de que tudo quanto em meu nome pedirdes ao Pai ele vos conceda” (Jo 15.16).

O “trunfo”, digamos, de Hagin é afirmar que recebeu essa nova e contraditória doutrina por revelação. Contudo, não há como sustentar, mesmo com muito esforço, a tese de que “pedir” é o mesmo que “exigir” ou “determinar”. Quanto a Strong, ele assevera apenas que um dos significados que o verbo grego aiteõ pode apresentar, de acordo com o contexto, é “exigir”, “reclamar”, mas isso não significa que devemos riscar de nossas Bíblias a palavra “pedir”, substituindo-a por “exigir” ou “determinar”. Fazer isso é pedir para ser enquadrado em Apocalipse 22.18,19.

W. E. Vine escreveu: “O verbo aiteõ [pedir] sugere na maioria das vezes a atitude de um suplicante, a petição daquele que está em posição inferior àquele a quem a petição é feita; por exemplo, no caso de homens ‘pedindo’ algo a Deus (Mt 7.7)...” (Dicionário Vine, CPAD, p.860).

Bem, vou parar por aqui. Não imaginava que o capítulo 11 renderia tanto! Depois, permitindo o Senhor, darei sequência a essa análise.

Em Cristo,

Ciro Sanches Zibordi

Paulo hoje seria considerado um grande fofoqueiro!


Segundo a Bíblia, não há dúvidas de que devemos julgar, provar, examinar, investigar, questionar, analisar, discernir, denunciar o erro, principalmente nesses últimos dias, em que pregadores e cantores ditos evangélicos propagam vários desvios do evangelho de Cristo (1 Co 2.15; 1 Ts 5.21, ARA). E não podemos confundir isso com fofoca!

O julgamento que cabe a nós é um exame perspicaz de todas as coisas sobre o valor delas, realizado pelo crente espiritual, temente a Deus e hábil nas Escrituras. Jesus condenou o julgamento no sentido de caluniar, assumindo-se o papel de um injusto juiz: “Não julgueis, para que não sejais julgados” (Mt 7.1). Aqui pode ser enquadrada a fofoca. Entretanto, Ele também asseverou que temos de nos acautelar dos falsos profetas e apresentou critérios pelos quais podemos julgá-los pelos seus frutos, isto é, discernir as suas ações, prová-las, examiná-las (Mt 7.15-23; Jo 7.24).

Todas e quaisquer palavras — pregadas ou cantadas — precisam ser examinadas. E o que estiver errado deve ser denunciado. Isso não é fofoca! A única coisa que dispensa qualquer comentário é a Palavra de Deus, pois é perfeita (Sl 19.7), provada (Sl 18.30), refinada (2 Sm 22.31) e muito pura (Sl 119.140; Pv 30.5). Não devemos desprezar nada do que ouvimos, vemos e sentimos. Porém, cabe a nós provar, examinar se tudo provém do Senhor (At 17.11b; Hb 13.9). Afinal, não devemos confundir pregações com falações, nem hinos com canções.

Qualquer escritor que, hoje, combata o erro não tem sido visto com bons olhos pelos fãs de cantores e pregadores. No entanto, o apóstolo Paulo asseverou, inspirado por Deus, que convém imitá-lo, assim como imitava a Cristo (1 Co 11.1). Como o doutor dos gentios lidava com os enganadores que havia no meio do povo de Deus? Ele não se omitia quando via os crentes fazendo coisas erradas. Antes, reagia: “Mas, quando vi que não andavam bem e direitamente conforme a verdade do evangelho, disse a Pedro na presença de todos: Se tu, sendo judeu, vive como os gentios e não como judeu, por que obrigas os gentios a viverem como judeus?” (Gl 2.14).

Às vezes, Paulo se valia da ironia para levar os enganadores e enganados a uma reflexão: “Já estais fartos! Já estais ricos! Sem nós reinais! E prouvera Deus reinásseis para que também nós reinemos convosco!” (1 Co 4.8). Ele era enérgico, quando necessário, e até usava expressões que muitos hoje considerariam ofensivas. “Ó insensatos gálatas! quem vos fascinou para não obedecerdes à verdade, a vós, perante os olhos de quem Jesus Cristo foi já representado como crucificado?” (Gl 3.1).

Engana-se quem pensa que Paulo ficaria hoje “em cima do muro” e nada diria aos que propagam doutrinas falsificadas por meio de pregações atraentes e canções de sucesso, temendo ser tachado de fofoqueiro ou coisa parecida. Ele fazia duras acusações sem mencionar nomes: “Porque muitos há, dos quais muitas vezes vos disse e agora também digo, chorando, que são inimigos da cruz de Cristo” (Fp 3.18), porém era possível saber de quem estava falando (Tt 1.10-12). E, quando necessário, em circunstâncias extremas, citava nomes (2 Tm 4.10,14).

Finalmente, Paulo — que, com certeza, seria chamado de fofoqueiro, se vivesse em nossos dias — também disse: “E, quanto àqueles que pareciam ser alguma coisa (quais tenham sido noutro tempo, não se me dá; Deus não aceita a aparência do homem), esses, digo, que pareciam ser alguma coisa, nada me comunicaram” (Gl 2.6). Da mesma forma, o salvo em Cristo não é obrigado a dizer “amém” para as heresias, os modismos e o estrelismo dos cantores-ídolos e super-pregadores da atualidade.

Ciro Sanches Zibordi