Ciro Sanches Zibordi sem censura! O polêmico pastor, que teve seus livros rasgados em público, fala com exclusividade à reportagem da Aliança
[O título e a chamada acima foram inseridos pelos editores da excelente revista-catálogo Aliança, que entrevistou este escritor na edição número 7, de abril de 2009. Confira a íntegra da entrevista abaixo.]
“Em uma madrugada de 1993, Ciro Sanches Zibordi perde o sono e resolve escrever um texto sobre evangelismo. Nessa época, ele já lecionava em um Seminário Teológico, em São Paulo. No dia seguinte, em uma reunião de líderes, recebeu a revelação: “Você, irmão, que ganhou de Deus esse talento para escrever, mande o artigo para o jornal Mensageiro da Paz”. E foi isso mesmo que ele fez! Mal sabia que o futuro lhe reservava grandes surpresas.
Depois disso, tornou-se escritor, conferencista e pastor na Assembleia de Deus de Cordovil, na cidade do Rio de Janeiro. Atualmente é articulista dos periódicos da Editora CPAD e da Revista Eclésia. Em um dos seus feitos mais marcantes, escreveu Erros que os Pregadores Devem Evitar. A obra faz uma análise dos chavões, “versículos novos” e outros trejeitos presentes em diversas pregações, e é complementada por Mais Erros que os Pregadores Devem Evitar e Evangelhos que Paulo Jamais Pregaria, que formam uma trilogia de sucesso. Em um bate-papo franco, aberto e contestador, Zibordi fala sobre a repercussão de sua obra e comenta algumas questões polêmicas da atualidade no meio cristão.
Como se deu o início do seu ministério? Comecei a pregar o evangelho aos 18 anos. E escrevo desde os 23. Nasci em um lar evangélico, em 1970, mas o evangelho só nasceu em mim quando eu tinha quase 17 anos. Mas quanto à minha trajetória como escritor, falarei mais adiante, pois estou ansioso para responder à próxima pergunta...
Por que razões o senhor afirma que é contra manifestações como cair no poder, unção do riso, unção dos quatro seres ou unção da lagartixa? Primeiramente, vamos às definições. O chamado cair no poder ocorre quando um pregador joga o paletó, sopra, empurra, berra ao microfone, e as pessoas caem ao chão, pensando estar cheias do Espírito Santo. Na unção do riso, o pregador começa a rir. O povo, sugestionado, faz a mesma coisas e todos riem sem parar. Quanto à unção dos quatro seres, no momento da adoração, as pessoas caem ao chão, rugem e batem os braços. Defendem isso usando como referenciais os quatros seres viventes mencionados no último livro do Novo Testamento. A unção da lagartixa é uma manifestação similar às mencionadas e faz com que o agraciado fique grudado, colado na parede, com braços e pernas abertos, como se fosse uma lagartixa.
Sou contra essas manifestações porque elas são extrabíblicas e antibíblicas. Tenho constatado que há muitos cristãos envolvidos com esses moveres, que se chocam com os princípios contidos em 1 Coríntios 14. Porque não edificam (v.12), contrapõem-se ao uso da razão (vv.15,20,32), levam os incrédulos a pensar que os crentes estão loucos (v.23), bem como promovem desordem generalizada (vv.26-28,40). A pessoa mais ungida que o mundo já conheceu, Jesus Cristo (Atos 10.38; Lucas 4.18), não andava por aí dando gargalhadas e derrubando pessoas. Muitos pensam que ser espiritual é viver sem limites e, a cada dia, tornam-se mais e mais místicos.
Na sua opinião, o misticismo está invadindo as igrejas? Há uns quinze anos, as igrejas, de modo geral, eram mais voltadas para a Palavra de Deus. Hoje, o povo não se satisfaz mais com uma mensagem bíblica ungida. O pregador tem que fazer chover fogo líquido do céu. Veja como estão se proliferando os cultos de libertação, as noites da vitória e as campanhas disto e daquilo! O pior é que os místicos usam versículos bíblicos em abono às novas unções que não param de surgir. Quem abraça o misticismo, na verdade, afasta-se da Bíblia e demonstra ser interesseiro. Só vai ao templo para receber bênçãos, como se Deus fosse o Papai Noel. Mas eu não posso falar muito sobre isso. Os místicos costumam ser indóceis.
O senhor já foi chamado até de “canalha”. É possível encarar situações como essas sem perder a postura cristã? É possível. Quando ocorrem reações mais exaltadas, respondo com mansidão e temor (1 Pedro 3.15), mas com algumas pitadas de ironia, como fez Paulo diante dos falsos apóstolos de seu tempo, chamando-os de “excelentes apóstolos” (2 Coríntios 11.5). Quanto ao pastor que me xingou de canalha (por eu ter questionado alguns dos seus desvios da Palavra de Deus em meu livro Evangelhos que Paulo Jamais Pregaria), de certa forma ele tem sido um grande propagador do ministério que Deus me outorgou. Ele já rasgou os meus livros diante de multidões em várias partes do Brasil, despertando a curiosidade das pessoas. Muitas delas passaram a me conhecer e adquiriram os meus livros depois de vê-los furiosamente dilacerados pelo tal “pastor”.
Erros que os Pregadores Devem Evitar aborda modismos do meio evangélico. Qual foi o motivo que o levou a escrevê-lo? Sou, por graça de Deus, pregador e fui professor de Hermenêutica e Exegese durante 10 anos. E sou também muito observador. Mas escrevi o livro por motivação divina. Em 2004, minha filhinha Júlia estava na UTI, e o Senhor me deu paz e inspiração em meio às lutas. Em uma semana escrevi esse livro, que em 2005 foi a obra mais vendida da CPAD, mesmo tendo sido lançada em abril daquele ano. Graça a Deus, Erros que os Pregadores Devem Evitar, Mais Erros que os Pregadores Devem Evitar (uma continuação) e Evangelhos que Paulo Jamais Pregaria formam uma trilogia que sempre figura entre os best-sellers da editora.
Qual é a sua opinião com relação às hierarquias e estruturas de poder nas igrejas evangélicas dos dias atuais? Pergunta difícil. Uma coisa que precisa ser erradicada é o nepotismo ministerial, pois a chamada é um ato soberano do Senhor (Marcos 3.13,14). Parente de pastor só deve ser um ministro se verdadeiramente for chamado por Deus (Hebreus 5.4). É o Senhor Jesus quem escolhe. A igreja apenas reconhece a escolha divina e invoca as bênçãos de Deus sobre o ministro consagrado (At 13.1-4). Os pastores de hoje deveriam se espelhar nos líderes das igrejas de Atos dos Apóstolos, e não nos atos de líderes de igrejas de apóstolos, os quais legislam em causa própria, legitimando práticas não avalizadas pela Bíblia.
Em seus livros e palestras, nota-se o bom humor. Esse é o meio de encarar questões polêmicas de forma mais descontraída? Nas pregações sou mais sisudo. Quase não descontraio, a menos que flua naturalmente. Nas palestras, é mais fácil usar esse recurso. Mas não gosto de contar piadas. Prefiro os fatos anedóticos que resultem em aplicações para a vida cristã. Nos textos, em meu valho mais do bom humor. Costumo começar os meus livros com uma narrativa fictícia, mediante a qual ponho o leitor em contato com o conteúdo a ser abordado e procuro desarmar os seus ânimos. Mas nem todos têm senso de humor, infelizmente.”
O irmão Josedilson dos Santos Silva me enviou uma pergunta para ser respondida no meu blog Pastor Ciro Responde. Mas, em razão de sua relevância, preferi respondê-la aqui, haja vista ser este blog mais conhecido do que outro.
O irmão Josedilson disse:
“Prezado pastor Ciro, a paz do Senhor! Recentemente em minha cidade foi realizado um culto festivo... O preletor da festa em determinado momento da mensagem mencionou o volta de Jesus e perguntou: “Quem espera a volta de Jesus? Quem tem certeza de que Ele vai voltar?” Muitos levantaram as mãos. Depois, o pregador perguntou: “Quem tem promessas de Deus?” Com alegria, muitos levantaram as mãos. Então, o pregador, batendo no púlpito, bradou: “Então, Jesus não vai voltar enquanto as promessas não se cumpriiiiiiiirem em sua vida!” Afinal, Jesus volta ou não volta?”
Lembro-me de que, na minha juventude pós-adolescente, encontrei-me, em um ônibus, com um amigo que afastara-se da igreja. Convidei-o para ir ao culto, e ele me respondeu: “Estou muito ocupado, estudando, trabalhando e também me divertindo bastante”. Então, eu lhe disse: “Mas, o Senhor Jesus em breve voltará”. Ao que ele me respondeu, para minha surpresa: “Olha, Jesus já demorou quase dois mil anos para voltar. Talvez Ele demore ainda outros dois mil”, dando uma gargalhada.
É impressionante como a Palavra de Deus tem se cumprido em nossos dias! O apóstolo Pedro asseverou que haveria escarnecedores nos últimos dias (2 Pe 3.3,4), e muitos estão pensando que esses zombeteiros são apenas as pessoas mundanas. Infelizmente, temos visto até “pastores” e “pregadores” de renome desdenhando do Arrebatamento da Igreja ou levando os crentes a priorizarem a vida neste mundo.
Nesses últimos dias predomina entre os evangélicos o pragmatismo, o imediatismo, o materialismo e o egotismo (que é mais que egoísmo). A mentalidade do eu-quero-ser-abençoado-agora-e-isso-é-mais-importante-para-mim é prevalecente nos grandes eventos. Falações e canções (e não pregações e hinos) giram em torno de prosperidade, vitória aqui e agora. Os pregadores mais famosos da atualidade (salvo exceção) não têm mais compromisso com o Deus da Palavra e com a Palavra de Deus e, por isso, conquistam as massas com bordões que massageiam o ego dos incautos.
O que fez o pregador (pregador?) citado pelo irmão Josedilson? Deu ao povo o que o ele desejava ouvir, e não o que precisava ouvir. Ao dizer que o Senhor Jesus só voltará depois de cumprir todas as promessas individuais (qual crente não acredita que tem promessas de Deus?), Ele tirou dos ouvintes o peso da responsabilidade de vigiar em todo tempo, haja vista a iminência do Arrebatamento da Igreja (Mt 24.42-44; 25.1-13; Lc 21.36).
Assim como o bordão “Crente que tem promessa não morre” — analisado neste blog e em meu livro Mais Erros que os Pregadores Devem Eviar —, o novo chavão (variação do outro) também não resiste a uma exegese bíblica. Isso porque nenhum crente admite não ter promessas para esta vida. Apesar disso, a cada dia, há servos do Senhor partindo deste mundo... Aliás, na eternidade há cantores e pregadores que diziam que não morreriam enquanto todas as promessas não se cumprissem!
Quando se fala em promessa, é preciso considerar a sua origem, a sua modalidade, a sua especificidade, bem como a sua condicionalidade. Ademais, nenhuma promessa individual relativa a esta vida na Terra anula a maior e mais esperada de todas as promessas, “a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo” (Tt 1.13).
O crente que se preza não vive pensando, de modo egoísta, em promessas para esta vida, as quais devem ser valorizadas, mas não priorizadas. Somos peregrinos e forasteiros (Hb 11.13; 1 Pe 2.11). Estamos hospedados neste mundo. A nossa cidade está nos Céus, donde esperamos o Senhor Jesus Cristo (Fp 3.20,21).
Portanto, cumpra-se ou não as suas promessas individuais, prezado internauta, o Senhor Jesus voltará! E isso acontecerá a qualquer momento. Confiemos, pois, na última e mais importante promessa (e profecia) para a Igreja, registrada na Bíblia: “Certamente, cedo venho”. E o crente fiel não responde a esta promessa de modo interesseiro (“Não vem não, Senhor! Primeiro cumpra todas as promessas em minha vida”). Não! A resposta do cristão que ama a vinda de Jesus é: “Amém! Ora, vem, Senhor Jesus!” (Ap 22.20).
Assim começa o Salmo 20: “O SENHOR te ouça no dia da angústia; o nome do Deus de Jacó te proteja” (v.1). Não vemos aqui propriamente um hino de louvor a Deus, mas uma mensagem para o rei. Mesmo assim, a grandeza do Senhor é o que mais se destaca nesse salmo.
No Salmo 37, a letra da composição também é um estímulo para o justo: “Não te indignes por causa dos malfeitores, nem tenhas inveja dos que praticam a iniquidade. Porque cedo serão ceifados como a erva e murcharão como a verdura” (vv.1,2). No entanto, nota-se, nos quarenta versículos desse salmo, que a ênfase recai na Ajuda do Alto para os servos do Senhor.
A Harpa Cristã — hinário oficial das Assembleias de Deus, editado pela CPAD —, a despeito de não ser perfeita, segue o estilo contido nos Salmos. A maioria das suas composições é de louvor a Deus, mas também possui hinos com mensagens inspirativas para os servos de Deus. Assim começa, por exemplo, o hino 4: “Não desanimes, Deus proverá; Deus velará por ti; sob suas asas te acolherá; Deus velará por ti”.
Não é de hoje que existem hinos cuja letra é uma mensagem animadora, confortante para o crente, em vez de conterem palavras de louvor dirigidas diretamente a Deus. A despeito disso, boa parte dos Salmos bíblicos começam com ordens expressas, como “Louvai” e “Cantai”. Se tomarmos como base esse livro veterotestamentário, a maioria dos nossos hinos deveria ser de enaltecimento ao nome do Senhor, posto que apenas uma pequena parte dos Salmos é de composições com mensagens de exortação, de estímulo para o justo.
Bem, como vimos, não há problema algum em uma parte dos hinos evangélicos conterem mensagens inspirativas, em que se menciona o cuidado de Deus para com os seus servos fiéis. Mas o que é preocupante é o fato de, hoje, a maioria (quase todas) das composições evangélicas não pertencer à modalidade louvor e adoração. Além disso, é preciso fazer uma distinção entre os hinos inspirativos e as canções de autoajuda ou que contêm sentimento de vingança. Estas, aliás, apesar de serem as que fazem mais sucesso no meio evangélico, não podem sequer ser consideradas hinos cristocêntricos, e sim canções antropocêntricas, posto que a sua ênfase recai nas necessidades e na vitória do ser humano, em detrimento da grandeza de Deus e da obra redentora.
Já citei aqui o caso do hit Faz um milagre em mim — que enfatiza mais as supostas virtudes de Zaqueu (como subir em um sicômoro para chamar a atenção de Jesus, intenção esta que não consta da Bíblia) —, o qual é um sucesso no meio evangélico, mas não pode ser considerado um hino de louvor a Deus, tampouco uma mensagem que enfatiza a grandeza do Senhor, primacialmente.
O mesmo ocorre com a canção Sabor de Mel, cujos vídeos no YouTube já atingem a casa dos milhões. Ela até começa bem, mencionando o agir de Deus na vida do crente fiel. Entretanto, ao longo da composição, não se vê menção clara e prioritária aos atributos do Senhor. Pelo contrário, o que se sobressai são bordões de autoajuda e que contêm sentimento de vingança.
É claro que há também erros de construção frasal na aludida canção, mas não vou mencionar isso para que os leitores não se desviem do foco. Observe como o sentimento de vingança se evidencia neste trecho: “Quem te viu passar na prova e não te ajudou, quando ver você na benção vão se arrepender; vai estar entre a platéia, e você no palco...” Esse tipo de sentimento, que leva o cristão a querer mostrar aos outros que ele é vencedor, e os seus inimigos derrotados, não combina com a vida cristã. Seria bom que todos os compositores lessem as palavras de Jesus registradas em Mateus 5-7.
Ainda sobre o hit Sabor de Mel, o refrão, à luz do contexto da composição, dá a ideia de que o crente está, como um jogador de futebol que conquista um campeonato, comemorando de modo provocativo, como que alfinetando os derrotados: “Mas minha vitória hoje tem sabor de mel, tem sabor de mel, tem sabor de mel. A minha vitória hoje tem sabor de mel”. Ou seja, é como se o servo de Deus tivesse a necessidade de mostrar a todos que ele venceu, e os seus inimigos perderam. Isso, definitivamente, não combina com a vida cristã.
Que Deus cuida do justo não há dúvidas. Mas não cabe a nós a vingança nem o sentimento de vingança. Em Romanos 12.19,20 está escrito: “Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira [de Deus], porque está escrito: Minha é a vingança; eu recompensarei, diz o SENHOR. Portanto, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas de fogo sobre a sua cabeça”.
No início do mês eu lancei uma campanha para comprar o meu primeiro avião, mas até agora não recebi nada! Eu havia pedido que cem mil internautas depositassem em minha conta bancária a pequena quantia de US$ 30,00, haja vista o jatinho mais barato — segundo as minhas pesquisas — custar cerca de US$ 3 milhões. E não recebi nenhum depósito...
Bem, resolvi mudar a estratégia. O renomado Dr. Mike Murdock, como eu já disse em outra postagem, serviu-me de inspiração para o lançamento desta campanha, posto que recentemente conseguiu o feito de, em uma única reunião, convencer 120 pessoas a contribuírem com R$ 10 mil, cada uma, para a aquisição de uma aeronave para o “apóstolo” brasileiro Renê Terra Nova.
Creio que nada consegui até o momento porque não adotei a estratérgia proposta pelo milionário Mike Murdock, considerado o homem mais sábio do mundo. Por isso, informo a todos que mudarei a minha estratégia e farei como Murdock, com uma pequena adaptação. Ele convocou 120 pessoas para contribuírem com R$ 10 mil cada. Eu peço, humildemente, que 120 mil internautas contribuam com apenas R$ 10,00.
Lembre-se de que você estará “semeando”, e a sua “semeadura” é para a compra de uma aeronave. O que isso significa? Que virá muita colheita no âmbito aeroespacial sobre a sua vida! Calma, calma... Não cairá nenhum avião sobre a sua cabeça, mas prepare-se para viajar pelo mundo... Aliás, eu “profetizo” agora que os primeiros 12 internautas a fazerem o depósito viajarão, dentro de 12 dias, 12 meses ou 12 anos, para uma das 12 cidades mais famosas do mundo! Eu vejo agora muitos viajando para Paris, Londres, Nova York... Envie, portanto, a sua contribuição de amor ainda hoje. Semeie, semeie, semeeeeie! E ouse sonhar! Amanhã, é você quem poderá estar fazendo uma campanha para comprar o seu jatinho, e eu terei prazer em colaborar. Em breve, todos nós, em vez de levarmos a preciosa semente, a Palavra de Deus, andando e chorando (Sl 126.6), levaremos a “semente da prosperidade” por todo o mundo, voando e sorrindo...
Prezados fãs de cantores-ídolos e de compositores “evangélicos” que cedem suas músicas para grupos de forró e de pagode, vocês ainda não aprenderam a discernir entre o bem e o mal (Is 5.20; Hb 5.12-14). Infelizmente, vocês ainda não sabem o que é louvar a Deus de verdade, cantando louvores (Sl 149.1), com letra e música consagrados ao Senhor Jesus.
Atentem para o hino de louvor abaixo. A letra é biblicocêntrica. O estilo musical empregado é apropriado para o louvor meditativo. As palavras fluem em louvor e adoração intensos, diante do Alto e Sublime que habita na eternidade, e tocam o nosso coração verdadeiramente. Aleluia!
Confesso — e o Senhor sabe que não minto — que choro na presença dEle quando ouço e canto essa linda e inspirada composição, baseada em Isaías 57.15, adorando o Senhor em espírito e em verdade.
Como a grande maioria dos visitantes deste blog vem do Google, do Orkut, do Twitter, etc., eu gostaria de mandar um alô para o pessoal das comunidades, que me visitam com frequência.
Agradeço aos amados (e também amargos) internautas pela “audiência”. E gostaria de lhes dizer que acompanho, quando posso, alguns debates, em algumas comunidades.
Sei que há crentes sinceros nas comunidades, mas também há muitos desocupados de plantão, que se escondem atrás do anonimato para verberar contra os seus desafetos. Percebo que alguns cristãos (cristãos?) que não fazem jus a este título estão incomodados com quem defende a verdade das Escrituras. Eles se aproveitam para, covarde e anonimamente (haja vista se valerem de perfis falsos), fazer desafios aos editores de blogs. Por quê?
Há, inclusive, um “amável” internauta, caros irmãos, que se esconde atrás de uma figura de um dos sete anões da Branca de Neve (ou melhor, se escondia, pois depois da primeira publicação desta postagem, ele passou a camuflar-se de outro modo). Seria o seu nome verdadeiro? Sinceramente, a pessoas com essas características faço questão de não responder. Elas não merecem crédito, posto que agem do mesmo modo que o Inimigo de nossas almas, disfarçadamente. O Diabo, o pai da mentira (Jo 8.44), nunca diz que é ele (diferentemente do nosso Deus, que diz “Eu sou o Senhor”), mas camufla-se (2 Co 11; 2 Pe 2), enganando os incautos e atacando a quem ama a Palavra de Deus.
Que Deus abençoe a todos os internautas de todas as comunidades do Orkut que visitam este blog com o desejo de aprender comigo, reciprocamente (pois eu também aprendo com vocês), a Palavra de Deus, nesses tempos trabalhosos. Mas tenham cuidado com pessoas mal-intencionadas, desocupadas (a linguagem que usam as denunciam), que não querem andar segundo os mandamentos e princípios da Palavra de Deus (1 Co 5.11; 2 Ts 3.6).
Este assunto está rendendo, hein! Mas resolvi insistir um pouco mais com esta análise porque vejo muitos irmãos enganados quanto ao que é louvor e evangelho verdadeiros. Publico abaixo o comentário do meu amigo Leandro Dias, de São Paulo (da comunidade Cristão Pentecostal Decente, no Orkut), acompanhado de dois vídeos que mostram como a canção em análise tem sido usada para propósitos mundanos, para profanação, e não proclamação, do evangelho de Cristo.
A despeito de os vídeos falarem por si mesmos, mostrando que o hit “evangélico” do momento está sendo cantado (e dançado) por um grupo de pagode e outro de forró (este formado por dançarinas sumariamente vestidas), o irmão Leandro acrescenta:
“O que vocês acham da venda da música “Como Zaqueu, eu quero subir o mais alto que eu puder...” para bandas e artistas não-crentes? Isso não seria o mesmo que vender para o Diabo, debochando do louvor? Se o mundo canta, podemos ainda considerar um louvor? As trevas têm comunhão com a luz? Muito estranho... E a canção está tocando em primeiro lugar em uma rádio famosa (e mundana) de São Paulo, e até nos bares! Meu Deus! O camarada simplesmente levanta a tampa do carro no bar, dança, fuma e bebe... Muito estranho mesmo. Vejam do que falo nos vídeos abaixo”.
Como diz a Palavra de Deus, em Isaías 5.20: “Ai dos que ao mal chamam bem”.
Um descortês internauta, em uma concorrida comunidade do Orkut que usa o nome da Assembleia de Deus, fez uma “análize” da minha modesta e despretensiosa análise sobre a canção “Faz um milagre em mim”, obrigando-me a escrever este complemento. É claro que o tal tem todo o direito de “analizar” a minha análise, mas isso me autoriza a reanalisar a composição citada, levando em conta os argumentos da aludida “análize”.
Disposto a ridicularizar este autor, o mal-educado internauta começa a sua abordagem de modo “convincente”: “vamos analizar”. E, depois de citar a primeira parte do artigo que eu escrevi, ele afirma: “nossa! que erro heim (sic), prefiro eu muito mais ser como zaqueu (sic) naquela hora do que ser um acusador que se axa (sic) dono da verade (sic), naquele dia zaqueu (sic) fez muito mais do que muito crente faria”.
Nota-se que o indelicado “analizta”, a despeito de se “axar” entendido, não sabe muito bem do que está falando, pois um verdadeiro seguidor de Jesus não diria “nossa”, e sim “nosso”. Hein?! É isso mesmo? Sim, pois servimos ao “nosso Senhor”, ao “nosso Deus”, e não à “nossa...”
Por que Zaqueu teria feito muito mais do que um crente, como afirmou o “analizta”? Pode um perdido ter um atitude melhor do que a de um servo de Deus verdadeiro? Ora, segundo Malaquias 3.18, Salmos 1, etc., há uma clara diferença entre o justo e o ímpio, entre o que serve a Deus e o que não o serve.
Ao contestar a minha argumentação de que Zaqueu não subiu na figueira porque estava desejoso de ter comunhão com Jesus, mas porque estava curioso para vê-lo, o “analizta” verberou: “errado!!! isso é mentira!!!! tenho uma tradução aki que diz que ele DESEJAVA ver Jesus na biblia on line diz que ele PROCURAVA VER então não é verade pois varia de tradução mas eesa conclusão verdadeiramente pode ser tirada no versículo 8 quando expontaneamente zaqueu diz que irá restituir aqueles a quem ele prejudicou!!!! zaqueu procurava Jesus e Jesus a zaqueu, não foi uma simples curiosidade” (usarei apenas um sic para cada citação, a partir de agora, a fim de que as citações não fiquem com o dobro do tamanho original).
Sinceramente, é triste ver uma pessoa que sequer se interessa pela sua língua materna tentando nos convencer de que conhece o sentido original da passagem de Lucas 19.1-10. Como se vê, o “analizta” cita versões do que ele chama de “biblia”, mas desconhece que a ideia contida no original é sim de mera curiosidade por parte de Zaqueu. Literalmente, o texto diz: “procurava ver quem é Jesus”, o que indica curiosidade. O mencionado chefe dos publicanos não estava sedento por salvação. Ele estava movido por curiosidade pura mesmo.
Mas o indelicado “analizta” prossegue, cheio de razão: “se zaqueu não tivesse a mesma sede do salmista ele iria se desfazer dos seua bens, pense comigo será que zaqueu ficou rico como era depois de volver todo aquele dinheiro se é que sobrou??? se zaqueu não tivesse essa sede Jesus não diria: 9 E disse-lhe Jesus: Hoje veio a salvação a esta casa, pois também este é filho de Abraão.!!! (...) o subir tambem foi bom pq como ele iria ver Jesus?? o esforço conta e muito” (sic).
O Senhor dotou o ser humano de livre-arbítrio, mas, no que tange à salvação, a iniciativa é sempre de Deus (Jo 6.37). O pecador está morto em delitos e pecados (Ef 2.1ss). Uma pessoa morta é incapaz de desejar a salvação, a ponto de subir em uma árvore para chamar a atenção do Salvador. Foi o Senhor quem o viu e o chamou para si. E a atitude de Zaqueu que merece destaque, repito, foi a de ter descido depressa do sicômoro, ao atentar para o chamamento do Senhor, posto que muitos pecadores têm rejeitado tal chamada pessoal para a salvação (Mt 13.1-8; At 17.30-34).
Procurando responder à pergunta “O adorador, salvo, transformado, precisa subir para chamar a atenção de Jesus?”, o “analizta” empolga-se: “aí eu repondo perguntando: o adorador, precisa lavar os pés de Jesus com perfume???mt26 5-8” (sic). Adorar, do ponto de vista bíblico, é exatamente prostrar-se, humilhar-se, quebrantar-se, como fez a adoradora citada (cf. Ne 8.6; 2 Cr 20; Sl 95, etc.). Isso não significa fazer alguma coisa para chamar a atenção de Deus. Adorar tem muito mais que ver com disposição do coração do que com manifestações corporais, gestos, danças, esforços, sacrifícios, etc.
Querendo mais uma vez aparentar convicção, o “analizta” verbera: “axo que atitude de destaque não é nenhuma destas, é o arrependimento!!!aff tem muito preconceito com essa musica aki nesse estudo!!!!(lembrando: eu não gosto muito dessa musica)!!!” (sic).
Bem, por meio dessa “análize” da minha análise, o “analizta”, que afirma não gostar muito da aludida canção — imagine se gostasse! — , assevera que o arrependimento de Zaqueu antecedeu à chamada pessoal para a salvação! Quer dizer, então, que uma pessoa, por vontade própria, pode sentir o seu pecado e desejar ser salva, sem o convencimento e a chamada do Espírito? Não é isso que está escrito em Apocalipse 22.17 e João 16.8-11. Não há, pois, preconceito quanto a essa canção que muitos já não aguentam mais ouvir. A Palavra de Deus tem de ser a nossa fonte primária de autoridade. E vejo que muitos estão valorizando muito mais o que “axam” certo.
Mas, ao final de sua “análize”, o tal internauta desdenha, recebendo, em seguida, o apoio de vários colegas, quase todos igualmente mal-educados: “foi uma piada??? eita ele condenou a composição!!! vou tomar cuidado pra ele não me condenar tb!!! (...) conheço muitos crentes que tem Deus em seus corações mas a sua casa esta completamente cheia de problemas!!! (...) outra coisa quem disse que a musica é só para que tem os Espírito Santo??? pelo contrario!!! (...) poxa, soberba aki é boia!!! eu prefiro ser esse pecador igual zaqueu!!! (...) eu realmente detestei esse estudo é preconceituoso e farizaico!!!! prefiro ser um zaqueu da vida do que um caifás!!!” (sic).
É evidente que, ao dizer “Entra na minha casa”, o compositor e aqueles que entoam a canção em análise, estão falando de si. Quando o salmista, por exemplo, disse: “A minha alma tem sede de Deus”, ele estava falando de si ou de outros? Por mais que um crente em Jesus esteja fraco, espiritualmente, o Senhor não está do lado de fora, a menos que aquele abandone o Senhor e considere-se satisfeito longe dEle (Ap 3.18-20). Em outras palavras, um adorador que se preza não precisa pedir para o Senhor entrar em sua casa, em sua vida, etc., a menos que tenha perdido a comunhão com Ele, de fato (Sl 51).
Bem, penso que o “analizta” e seus apoiadores não precisam concordar com a minha modesta análise, mas, à semelhança de Zaqueu, precisam descer, humilhando-se ante o que dizem as Escrituras. Eles acham que eu me considero o dono da verdade e afirmam que detestaram o que chamam de “estudo preconceituoso e ‘farizaico’”... Serão eles os donos da verdade?
Neste Pastor Ciro Entrevista converso com o pastor e escritor Marcelo de Oliveira, que também é o editor do blog A supremacia das Escrituras.
Blog do Ciro: Como foi a sua conversão, e desde quando o irmão prega a Palavra de Deus? Marcelo de Oliveira: Pastor Ciro, permita-me glorificar a Deus por esta nobre oportunidade. Louvo ao Eterno por sua vida e profícuo ministério. Tive o privilégio de nascer num lar cristão. Meu vovô José Antonio de Oliveira (in memoriam) e minha mamãe Jaci de Oliveira, desde cedo levaram-me à igreja. Aos 8 anos, entreguei minha vida a Cristo, o Senhor. Lembro-me daquela noite marcante em que o pastor Joel Barbosa pregou sobre um a cruz de Cristo. Na hora do convite fui à frente com a convicção de um adulto. Chorava copiosamente. Entendi, naquela noite, que a graça é o amor que paga um preço. Cristo pagou o preço. Sua morte foi vicária, triunfante, relevante. Deus me chamou ainda criança para o ministério da Palavra. Em todos os domingos eu ia com meu saudoso vovô à EBD da Igreja Batista Boas Novas. Meu interesse pelas Escrituras crescia a cada dia. Lia a Bíblia com avidez. Desde a tenra idade, comecei a decorar as Escrituras. Preguei pela primeira vez quando tinha apenas 11 anos. Aos 13, dava aula na EBD para os adolescentes. Amo a exposição da Palavra e tenho dedicado minha vida a expor as Escrituras.
Blog do Ciro: O irmão é autor de um comentário sobre o livro de Cantares de Salomão. O que o levou a escrever sobre esse assunto? Marcelo de Oliveira: Interessante pergunta. Escrevi com o propósito de despertar nos biblistas, estudiosos e amantes das Escrituras o desejo de estudar e se aprofundar nesse livro tão lindo, poético e, ao mesmo tempo, desprezado, ao longo da história da Igreja. O rabino Akiva, um dos maiores da história de Israel, certa vez disse: “O Cântico dos Cânticos é uma canção tão sublime para nós os judeus, que nós consideramos este livro como “kadosh Bi kadoshim” (santo dos santos). O rei Salomão compôs o Cântico dos Cânticos em forma de alegoria, como um diálogo “apaixonado” entre o Noivo (o Eterno) e sua amada noiva (Israel). Nesse livro desenvolvo uma leitura alegórica, tipológica que despertará nos leitores o desejo de conhecer mais e mais o aludido livro das Escrituras.
Blog do Ciro: Eu já conheço o seu livro e o estou lendo, mas diga aos leitores deste blog quais são o título e o público-alvo de sua obra. Marcelo de Oliveira: O título da obra é: Os Produtos do Mercador, baseado em Cantares 3.6, pelo qual tento despertar a curiosidade dos leitores com três perguntas essenciais: Quem é este mercador? Quais os seus produtos? E o que estes representam para a vida daqueles que o “compram”?
Blog do Ciro: Muito bom. Falando ainda de seu trabalho como escritor, em seu blog percebe-se que os seus textos são bastante exegéticos. Como começou essa sua paixão pela fiel interpretação bíblica. Fale também um pouco sobre a necessidade da matéria exegese. Marcelo de Oliveira: Tenho procurado dar uma singela contribuição para o resgate da séria exposição bíblica. Longe de ser uma tarefa apenas dos eruditos, a exegese deve ser uma matéria estudada por todos os cristãos, principalmente para os pregadores e ensinadores. A exegese é fundamental na exposição bíblica. Temos visto muitas aberrações, mentiras, verdadeiras eisegeses (que, ao contrário da exegese, denota impor ao texto nossas ideias) em alguns púlpitos. Os pregadores torcem a Bíblia e a usam para satisfazer seus egos, seus desejos, seus projetos pessoais.
Blog do Ciro: Por que há tão poucos exegetas? Marcelo de Oliveira: A exegese é ciência e arte. É ciência baseada em certos princípios hermenêuticos necessários para interpretar corretamente o significado do texto bíblico. É arte porque envolve a hábil aplicação de princípios hermenêuticos. A exegese é algo para toda vida, tarefa de constante interação entre o texto bíblico e sua exposição apropriada. Portanto, temos poucos exegetas porque fazer exege exige dedicação. E. Haller disse: “Ninguém precisa temer a exegese, a não ser o preguiçoso ou o negligente”.
Blog do Ciro: Essa frase realmente dá uma ideia do que é o labor exegético. Mas falemos agora da exposição, propriamente dita. O irmão como pregador do evangelho tem conhecido grandes expoentes, verdadeiros referenciais. Considerando esses dois fatores, cite pelo menos três qualidades que um pregador deve possuir. Marcelo de Oliveira: Deus tem me dado a honra e o privilégio de desfrutar da amizade de expoentes como Russel Shedd, Hernandes Dias Lopes, Luis Sayão... E eu não poderia deixar de citar sua distinta pessoa. Precisamos de pregadores piedosos. Uma das áreas mais importantes da pregação é a vida do pregador. O que precisamos desesperadamente nesses últimos dias não é apenas de pregadores eruditos, mas sobretudo de pregadores piedosos. A vida do pregador fala mais alto que os seus sermões. Um ministro do evangelho sem piedade é um desastre. Infelizmente, a santidade que muitos pregadores proclamam é cancelada pela impiedade de suas vidas. A única maneira de viver uma vida pura é guardar o coração puro através da meditação da Palavra (Sl 119.9). Precisamos de pregadores que oram. A oração precisa ser prioridade na vida do pregador. A profundidade de um ministério é medida não pelo sucesso diante dos homens, mas pela intimidade com Deus. Antes de falar aos homens, o pregador precisa viver diante de Deus. A oração é o oxigênio do ministério. A oração traz poder e refrigério à pregação; ela tem mais poder para tocar os corações do que milhares de palavras eloquentes. Não basta ser um eco, é preciso ser uma voz. Não basta pregar, precisamos ser boca de Deus (Jr 15.19). Pregação sem oração não provoca impacto. Sermão sem oração é sermão morto. Não adianta ter a luz na mente (erudição) e não ter fogo no coração (unção). O pregador também tem que ter fome pela Palavra de Deus. É impossível ser um pregador bíblico eficaz sem uma profunda dedicação aos estudos. O pregador deve ser um estudioso. Spurgeon disse: “Aquele que cessa de aprender tem deixado de ensinar”.
Blog do Ciro: Não há dúvidas de que a piedade está em falta em nossos dias. Valoriza-se mais o carisma do que o caráter; dá-se mais valor à eloquência do que à espiritualidade. Mas, falando em estudo da Palavra, qual é a sua visão acerca do estudo teológico. Ele realmente é importante para um expoente piedoso? Marcelo de Oliveira: Sem dúvidas. O pregador jamais manterá o interesse do seu povo se ele pregar somente da plenitude do seu coração e do vazio da sua cabeça. A Bíblia é o grande e inesgotável reservatório da verdade cristã, uma imensa e infindável mina de ouro. Além da Bíblia, todo o pregador deve ser um sério estudante de teologia enquanto viver. Deve também estudar biografias, apologética, história, bem como outros tipos de leitura. A mensagem de muitos púlpitos tem sido banal e comum. Vivemos em um tempo de pregação pobre, aguada e mal-preparada. O pregador que se preza deve ser um estudante durante toda a sua vida. Foi o próprio Deus quem prometeu dar pastores à sua Igreja que apascentem o rebanho com sabedoria e conhecimento (Jr 3.15).
Blog do Ciro: Por falta de vida piedosa e pouco interesse pelo estudo mais detido da Palavra de Deus temos visto muitos desvios no âmbito da pregação. Fale um pouco sobre isso. Marcelo de Oliveira: A pregação contemporânea tem se caracterizado por antropocentrismo, auto-ajuda e ênfase à perniciosa teologia da prosperidade. Muitos pregadores têm distorcido a Palavra de Deus. Outros ainda têm mercadejado as Escrituras. Estão pregando doutrinas de homens, filosofias humanas, sonhos e visões de seus próprios corações. Há muito misticismo nas pregações. Pregam o que dá certo, e não o que é certo. Pregam para agradar, e não para desafiar. Pregam cura e prosperidade, e não santidade. Pregam sobre os direitos dos homens, e não sobre a soberania divina. Outros querem fazer do púlpito um espetáculo. Há morte na panela. Somente a Palavra pura, sem mistura, pode curar os feridos, enganados e decepcionados com a igreja atual. Deixo um alerta aos pastores: Não convidem para as suas igrejas (festas, congressos, etc) mercenários, show-men, homens preocupados em fazer movimento, receber um exagerado cachê e dar espetáculo. Convidem os expoentes bíblicos, aqueles que têm compromisso sério em pregar a Cristo, a beleza de Cristo, os ensinos de Cristo, a cruz de Cristo.
Blog do Ciro: Para concluir esta enriquecedora entrevista, haja vista o seu tríplice enfoque (editorial, hermenêutico e homilético), deixe uma palavra aos escritores (inclusive editores de blogs), intérpretes da Bíblia e pregadores. Marcelo de Oliveira: Minha palavra aos editores de blogs é que aproveitem as vantagens do mundo virtual para fazerem o nome de Jesus Cristo conhecido. Que utilizem o blog como uma ferramenta evangelística para ganhar as almas perdidas, edificar a igreja e promover a glória de Deus. Ao escreverem os textos, que o façam com temor e tremor, sabendo que Deus conhece nossos corações, e os motivos pelos quais estamos escrevendo. Escrevemos para a glória dEle? Ou escrevemos para nos gloriar? Aos exegetas, que tratem a Bíblia com a máxima seriedade, sabendo que receberão maior julgamento (Tg 3.1). Que ensinem a igreja do Senhor a andar no caminho da santidade, da justiça e da piedade. Rejeitem as filosofias humanas, o liberalismo teológico, as falácias humanas, e expliquem o texto dando-lhe o verdadeiro sentido em que foi escrito. Não coloquem suas ideias. A Bíblia tem voz própria. Devemos nos submeter a sua autoridade. Finalmente, aos pregadores, que voltem a pregar a cruz de Cristo. Chega de tantas mentiras, invencionices e meninices. Voltem a expor as Escrituras. Preguem como se fosse a última oportunidade da vida. Honrem a sublime vocação de serem embaixadores celestiais. Somos ministros da reconciliação, e não da confusão. Concluo com duas pérolas: “Se eu pudesse me tornar rei ou imperador hoje, eu não desistiria do meu ofício como pregador” (Martinho Lutero). “Pregação é a manifestação da Palavra encarnada, a partir da Palavra escrita, mediante a palavra falada” (Bernard Manning).
Blog do Ciro: Amém. Que Deus abençoe grandemente o seu ministério.
É comum recorrer-se à simbologia com o intuito de afirmar que a Igreja não enfrentará o tempo de angústia, a Grande Tribulação. Afirma-se que Enoque foi arrebatado antes do dilúvio; que as águas do Mar Vermelho só caíram sobre os egípcios depois que Israel passou; que Elias subiu num redemoinho antes do cativeiro; que a Igreja é a luz do mundo (e, quando for tirada, se instalará um período de trevas); que ela é também coluna e firmeza da verdade (e, ao ser arrebatada, o mundo desabará), etc. No entanto, tais exemplos apenas ilustram e reforçam uma verdade que está revelada claramente nas páginas sagradas.
Os teólogos pós-tribulacionistas e mesotribulacionistas têm as suas razões pessoais para não crer no rapto dos salvos antes da Grande Tribulação. Contudo, é bom não irmos além do que está escrito (1 Co 4.6) nem nos movermos facilmente de nossas convicções quanto ao nosso livramento da ira futura, por ocasião da vinda de Jesus (2 Ts 2.2-9). Os primeiros afirmam que Jesus virá após a Grande Tribulação, enquanto os mesotribulacionistas asseveram que o Advento de Cristo se dará no meio desse tempo de angústia.
A escola de interpretação que honra as Escrituras é o pré-tribulacionismo, pois não há dúvidas de que a Igreja será arrebatada antes da Grande Tribulação (1 Ts 1.10). Jesus disse: “Vigiai, pois, a todo tempo, orando, para que possais escapar de todas estas coisas que têm de suceder e estar em pé na presença do Filho do homem” (Lc 21.36, ARA). Note: escapar, e não participar, atravessar.
Em Apocalipse 3.10, Jesus fez uma promessa à igreja de Filadélfia: “Como guardaste a palavra da minha paciência, também eu te guardarei da hora da tentação que há de vir sobre todo o mundo, para tentar os que habitam na terra”. Esta mensagem é apenas para uma igreja local? Não! Haja vista o que está escrito nos versículos 13 e 22 do mesmo capítulo: “Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas”.
Conquanto a igreja de Filadélfia estivesse passando por tribulações, naqueles dias, os seus santos membros não passaram pela “hora da tentação que há de vir sobre todo o mundo” — todos os mortos em Cristo têm a garantia de que não passarão pela Grande Tribulação, uma vez que ressuscitarão e serão tirados da Terra antes dela.
Todas as mensagens de Jesus registradas em Apocalipse às igrejas da Ásia possuem mandamentos e exemplos para nós, hoje, quanto à manutenção do amor e da fidelidade (2.4,10), às falsas profecias (2.20-22), ao perigo de Jesus estar do lado de fora (3.20), etc. Nesse caso, a promessa de livramento da hora da tentação em apreço é extensiva a todos os salvos — “há de vir sobre todo o mundo” —, assim como o que está registrado no versículo 11: “Eis que venho sem demora; guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa”.
Antes de o Cordeiro de Deus desatar o primeiro selo, dando início a uma série de juízos contra a Terra (Ap 6), João viu os 24 anciãos diante de Deus, no Céu (Ap 4-5). E estes representam a totalidade da Igreja: as doze tribos de Israel e os doze apóstolos de Cristo. Isso prova que, desde o início da Grande Tribulação, na Terra, os salvos já estarão no Céu. Glória ao Cordeiro, pois estaremos com Ele nesse período de trevas e aflições.
Em Apocalipse 13.15, está escrito que serão mortos todos os que não adorarem a imagem do Anticristo. Se este fará guerra aos santos, a fim de vencê-los (v.4), quantos destes seriam arrebatados durante ou depois do período tribulacionista? Os tais santos mortos pela Besta são os mártires da Grande Tribulação, e não a Igreja, que já terá sido arrebatada.
A Palavra de Deus diz que a Noiva de Cristo estará no Céu durante esse período, e que voltará com Ele, por ocasião da Revelação (segunda etapa da Segunda Vinda de Jesus), a fim de pôr termo ao império do mal: “vindas são as bodas do Cordeiro, e já a sua esposa se aprontou. E foi-lhe dado que se vestisse de linho fino, puro e resplandecente; porque o linho fino são as justiças dos santos. (...) E seguiam-no os exércitos que há no céu em cavalos brancos e vestidos de linho fino, branco e puro” (Ap 19.7-14).
Em suas cartas aos tessalonicenses, a ênfase de Paulo é o Arrebatamento. Ao mencionar este glorioso evento pela primeira vez, ele deixou claro que Jesus nos livrará da ira vindoura (1 Ts 1.10). E isso é confirmado ainda na primeira epístola: “quando disserem: Há paz e segurança, então, lhes sobrevirá repentina destruição (...) e de modo nenhum escaparão. Mas vós, irmãos, já não estais em trevas, para que aquele Dia vos surpreenda como um ladrão” (5.3,4).
Observe, no texto acima: são os que estão em trevas que não escaparão da destruição. Os filhos da luz (1 Ts 5.5) já terão sido arrebatados (4.16-18). Por isso, mais adiante, Paulo reafirma o que dissera no primeiro capítulo (v.10): “Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para a aquisição da salvação, por nosso Senhor Jesus Cristo” (5.9).
A passagem de 2 Tessalonicenses 2.6-8 é de difícil interpretação, e não convém fazer especulações sobre o que não está revelado claramente. Mas vemos nela a reiteração de que a Igreja não estará sob o domínio do Anticristo: “E, agora, vós sabeis o que o detém, para que a seu próprio tempo seja manifestado. Porque já o mistério da injustiça opera; somente há um que, agora, resiste até que do meio seja tirado; e, então, será revelado o iníquo, a quem o Senhor desfará pelo assopro da sua boca e aniquilará pelo esplendor da sua vinda”.
Se o mistério da injustiça opera, por que o Iníquo ainda não se manifestou? O que o detém? Quem o resiste? Quem será tirado da Terra, para que ele tenha total liberdade até à esplendorosa vinda de Cristo? A única revelação que temos, retratada pelo próprio apóstolo Paulo, é que o povo de Deus será tirado da Terra, no aparecimento de Jesus Cristo (Tt 2.13,14; 1 Ts 4.17). E, se é depois disso que será revelado o Anticristo, então estamos diante de mais uma prova de que a Igreja não passará pela Grande Tribulação!
Não faz muito tempo que uma famosa intérprete do chamado mundo gospel, num “ato profético”, andou como um animal quadrúpede em cima de um palco, como se fosse uma leoa. A mesma cantora e seu grupo, em um mega-show, no Rio de Janeiro, apresentou um deprimente espetáculo em que um rapaz representou o Diabo, enquanto ela o pisava “profeticamente” (quer dizer, pisava supostamente o Inimigo), acompanhada de dançarinos que poderiam, sem exagero, fazer parte dos shows da Madonna, da Britney Spears ou da Beyoncé.
Há alguns anos, seguidores de um grupo “evangélico” resolveram, também num “ato profético” ao extremo, escalar e ungir o Dedo de Deus, na Região Serrana do Rio de Janeiro. Segundo eles, esse pico é um chamariz da presença de Deus. Além disso, bem próximo dele há outro que, de tão parecido, chega a se confundir com ele — a Agulha do Diabo, que também precisaria ser ungida. Com isso, declararam “profeticamente” que o Estado fluminense pertence ao Senhor e que toda ação diabólica foi quebrada!
Melhorou alguma coisa no Rio de Janeiro depois desses ousados “atos proféticos”? Do jeito que o Diabo foi supostamente pisoteado e humilhado, diante de milhares de pessoas, no mínimo ele estaria fora de combate, mas o Inimigo continua bastante atuante, não só em territórios fluminenses, como em todo o mundo. E quanto às unções do Dedo de Deus e da Garganta do Diabo, que resultado trouxeram?
Como é triste ver igrejas ditas evangélicas voltadas ao misticismo... Infelizmente, a moda do “ato profético”, que começou entre os adeptos do G12, em que prevalece um pseudopentecostalismo, já conquistou pastores da Assembleia de Deus. Um dia desses, assistindo a um programa assembleiano que vai ao ar no sábado pela manhã, fiquei pasmo. Vários “atos proféticos” foram apresentados com a maior naturalidade, como se fizessem parte da liturgia pentecostal...
O que está acontecendo com a quase-centenária Assembleia de Deus, que sempre valorizou o estudo da Palavra de Deus, a oração e a evangelização? É necessário mesmo que sejam adotadas práticas místicas para o recebimento das bênçãos do Senhor? A adoração pura e simples, o louvor e a intercessão perderam a eficácia? E a pregação expositiva ungida, não funciona mais? É preciso mesmo que empreguemos no culto toda essa parafernália mística do falacioso movimento gedozista?
Certo “pregador” assembleiano — não me pergunte o nome dele — anda dizendo por aí que, ao ter chegado a uma cidade, e percebendo que havia uma nuvem negra sobre ela, resolveu, num “ato profético”, percorrer a cidade inteira de carro, rua por rua, derramando azeite por onde passasse! Já pensou se a moda “pega”, e alguém queira ungir cidades como Nova York, Londres, Rio de Janeiro e São Paulo?! Haja azeite!
Recentemente, fui convidado para ministrar a Palavra em uma Assembleia de Deus — não me pergunte onde —, mas acabei não pregando. Quer saber por quê? Era domingo de eleições, e o pastor resolveu fazer um “ato profético”. Enrolou-se na bandeira do Brasil, “profetizou” vitória sobre a nossa nação, ungiu a bandeira e depois pediu para todos os presentes, um a um, “profetizarem” bênçãos para o Brasil, representado pela bandeira estendida.
Resultado: como o tal ato durou mais de uma hora, não houve exposição da Palavra de Deus nem manifestação do Espírito Santo (1 Co 14.26), e o Diabo, com certeza, ficou muito feliz. Ocorreu também uso indevido da unção, pois à igreja neotestamentária, nesse tempo da Graça, a única unção com óleo (literalmente, falando) que se aplica é a que se ministra no momento da oração pelos enfermos (Mc 6.13; Tg 5.14).
Meu Deus, quanta invencionice no meio do teu povo! Onde vamos parar?! O evangelho de Cristo é simples (2 Co 11.3,4). Temos de orar e jejuar, amar e estudar a Palavra de Deus, bem como sair das quatro paredes, levando a mensagem da cruz ao mundo perdido (1 Co 1.18,22,23; 2.1-5). Digamos “não” aos “atos proféticos”, que só servem para afastar o povo de Deus da Palavra e da simplicidade do evangelho, gerando falsa espiritualidade e pseudo-avivamento.
Há 61 anos, estabeleceu-se o Estado de Israel. A existência do povo israelita é um fenômeno singular, racionalmente incompreensível, uma prova da existência de Deus. Séculos vêm e vão, povos florescem, alcançam seu apogeu, envelhecem e desaparecem. Mas Israel, ao longo de quase seis mil anos, não foi atingido pela lei da mortalidade dos povos.
Em 70 d.C., Jerusalém foi destruída pelos romanos, e, a partir de então, os judeus (sem território próprio) passaram a sofrer terríveis perseguições. Na Idade Média, foram queimados aos milhares em praça pública pela Igreja Romana, sob o domínio do inquisitor Torquemada. Durante a II Guerra Mundial (1939-1945), mais de seis milhões deles foram brutalmente assassinados. Essa perseguição durou até 1948. A partir desse ano, Israel vem colecionando muitas vitórias, tornando-se uma grande potência mundial. Sua tecnologia e seu modelo de administração são exportados para todo o mundo.
Logo após a proclamação do Estado de Israel, em 14 de maio de 1948, os exércitos de Egito, Jordânia, Síria, Líbano e Iraque invadiram o país, dando início à Guerra da Independência. Recém-formadas e pobremente equipadas, as Forças de Defesa de Israel (FDI) conquistaram uma expressiva vitória depois de quinze meses de combate.
Os israelenses, então, concentraram seus esforços na construção do seu Estado. David Ben Gurion foi eleito primeiro-ministro, e Jaim Neizmann, presidente. Em 1949, Israel se tornou o 59o. membro das Nações Unidas, o que aumentou a fúria de seus inimigos, os quais até hoje insistem em não reconhecer a legitimidade do Estado de Israel.
Em 1956, sofrendo ameaças de Egito, Síria e Jordânia, Israel tomou a Faixa de Gaza e a Península do Sinai. Nesse mesmo ano, de comum acordo com a ONU, começou a devolver as terras conquistadas. Essa atitude lhe proporcionou algumas vantagens, como: a liberdade para navegar no Golfo de Eliat e a permissão para importar petróleo do Golfo Pérsico.
Quando a paz parecia consolidada, irrompeu, em 1967, a Guerra dos Seis Dias. O Egito novamente, deslocando um grande número de tropas para o deserto do Sinai, ordenou que as forças de manutenção de paz da ONU se retirassem da área. Entretanto, mesmo com a ajuda militar de Jordânia e Síria, os egípcios sofreram outra humilhante derrota.
Invocando o seu direito de defesa, Israel desencadeou um ataque preventivo contra o Egito, no sul, seguido por um contra-ataque à Jordânia, no leste. Expulsou, ainda, as forças sírias entrincheiradas no Planalto de Golan, ao norte. E, em apenas seis dias, Israel conquistou a Judéia, a Samaria, Gaza, a Península do Sinai e o Planalto de Golan.
Em 1973, depois de anos de relativa calma, ocorreu a Guerra de Yom Kipur (Dia da Expiação, dia mais sagrado do calendário judaico). Egito e Síria atacaram Israel, dessa vez de surpresa. O exército egípcio atravessou o Canal de Suez, e as tropas sírias invadiram o Planalto de Golan. Em três semanas, Israel repeliu os ataques de forma milagrosa.
Havia, nas Colinas de Golan, 180 tanques israelenses para enfrentar 1.400 tanques sírios! No Canal de Suez, havia quinhentos israelenses para enfrentar 80.000 egípcios! Mesmo assim, em dois dias, Israel mobilizou seus reservistas e conseguiu fazer retroceder seus adversários, penetrando no território inimigo. Não fosse a intervenção da ONU, o Egito teria uma derrota arrasadora.
Depois dessa guerra, a economia israelense cresceu expressivamente. Os investimentos estrangeiros aumentaram, e, em 1975, Israel se tornou membro associado do Mercado Comum Europeu. Ademais, o turismo se tornou uma das principais fontes de renda do país.
Hoje, não há guerras. Mas há conflitos e uma permanente ameaça: os palestinos (povos árabes que formavam a população nativa da Palestina antes de 1948). Estes, depois de serem expulsos da Jordânia, em 1970, perpetraram repetidas ações terroristas contra as cidades e colônias agrícolas israelenses, causando danos físicos e materiais.
Esse breve relato das vitórias de Israel evoca uma pergunta: “De onde vem a força do povo judeu?” A verdade é que Deus impôs sua mão em primeiro lugar a esse povo. Dali o Senhor queria começar, para prosseguir até à recondução de todos os povos à sua comunhão de paz (Êx 19.5,6). Ao chamar Abraão, pai do povo israelita, Deus lhe disse: “... em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gn 12.3).
Israel não foi fiel ao Senhor, trazendo sobre si duras conseqüências (Rm 11). Mas a Palavra de Deus diz que “o endurecimento veio em parte sobre Israel, até que a plenitude dos gentios haja entrado” (Rm 11.25). A julgar pelo florescimento dessa nação, nesses 61 anos, o tempo da plenitude gentílica está chegando. E tudo isso evoca a última oração da Bíblia: “Ora vem, Senhor Jesus” (Ap 22.20).
Um dos dons constantes da multifacetada manifestação do Espírito Santo na Igreja (1 Co 12.4-11), principalmente no culto coletivo a Deus, é a variedade de línguas, as quais precisam ser interpretadas de modo sobrenatural mediante outro dom, o de interpretação das línguas (1 Co 12.10; 14.13,27).
Muitos antipentecostais têm zombado das línguas estranhas em razão de haver, de fato, falsificação desse dom em ajuntamentos ditos pentecostais. Mas o Espírito Santo fala, sim, de modo sobrenatural à Igreja por meio de línguas desconhecidas. Daí a Palavra de Deus dizer, em 1 Coríntios 14.26: “Que fareis, pois, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação”.
Por graça do Senhor, eu tenho recebido dEle algumas mensagens em línguas, principalmente no fim das pregações. Às vezes, o Espírito Santo me dá a interpretação, mas nem sempre isso ocorre. E, nesse caso, sigo a orientação das Escrituras: “Mas, se não houver intérprete, esteja calado na igreja e fale consigo mesmo e com Deus” (1 Co 14.28).
Cheguei há pouco da Escola Bíblica de Obreiros da Assembleia de Deus do Rio de Janeiro (no bairro de Benfica), igreja presidida pelo amado pastor Temóteo Ramos de Oliveira. No fim da minha exposição bíblica, no período da tarde, recebi do Espírito algumas palavras proféticas em variedade de línguas. Como o Senhor não me deu a interpretação, calei-me depois de algum tempo. Mas uma irmã chamada Regina, com lágrimas nos olhos, me procurou e disse: “Pastor, eu sou tão pequena, porém tudo o que o senhor falou em línguas eu entendi perfeitamente”.
Eis a interpretação que o Espírito deu àquela humilde e sincera serva do Senhor, a qual eu publico aqui para que, como está escrito em 1 Coríntios 14.12, haja edificação da Igreja do Senhor: “Igreja, Igreja minha, eu sou o Senhor, o teu Deus, que falo contigo. Não mude o fundamento, o qual eu, o Senhor de Israel, já tenho colocado. Assim diz o Senhor, Igreja minha”.
Eu acabara de discorrer sobre a necessidade de pregarmos mensagens expositivas acerca da obra de Cristo (1 Co 1.18,22,23; 2.1-5), não aceitando as pregações da moda, que giram em torno de “sonhos de Deus”, “gravidez espiritual”, vitória financeira e outras efemeridades. Aleluia!
Não mudemos, pois, o fundamento! Continuemos a pregar a Jesus Cristo, quer ouçam, quer deixem de ouvir.
Desde os 18 anos eu venho, por graça de Deus, pregando o evangelho e ensinando a Palavra do Senhor em escolas bíblicas, congressos, eventos ao ar livre, seminários, rádios, etc. Recebi, da parte do Senhor, um ministério que envolve itinerância. Mas eu nunca aceitei o título de itinerante. Por quê? Porque este está manchado, maculado, desprestigiado. Não pelos homens de Deus que levam a preciosa semente andando e chorando (Sl 126.6), e sim pelos animadores de auditório que mercadejam a Palavra de Deus (2 Co 2.17).
Não existe na Palavra de Deus o ministério de itinerante! Quando lemos passagens como 1 Coríntios 12.28 e Efésios 4.11, vemos que os ministérios principais da igreja neotestamentária são os de apóstolos (ministério, e não título!), profetas (pregadores chamados por Deus para falar principalmente à igreja), evangelistas (pregadores chamados pelo Senhor para falar principalmente aos perdidos), pastores (guias, líderes do povo de Deus) e mestres (ensinadores da sã doutrina).
Paulo era um itinerante? Nos moldes de hoje, não! Ele era um pregador, apóstolo e mestre (1 Tm 2.7) verdadeiramente chamado por Deus (Rm 1.1). É claro que o seu tríplice ministério era exercido, em grande parte, de modo itinerante, haja vista as suas viagens missionárias (At 13-28). Mas procure encontrar nesse apóstolo as características que os super-pregadores itinerantes possuem. Veja se ele era arrogante; observe se ele só falava de dinheiro; se era ilusionista, milagreiro, soberbo... Caso Paulo vivesse hoje, certamente escreveria um texto similar ao de 2 Coríntios 11, endereçando-o aos “excelentes pregadores itinerantes”.
Nada tenho contra a itinerância, haja vista ter eu um ministério que possui essa característica. Além disso, não tinham também Bernard Johnson e Eurico Bergstén ministérios que envolviam itinerância? Sim. Mas, pregavam eles sobre os “sonhos de Deus”? Discorriam sobre a “gravidez espiritual”? Eram eles malabaristas e animadores de auditório? Derrubavam pessoas com sopros ou golpes de paletó? Enganavam as pessoas necessitadas com truques de quinta categoria, como “extrair objetos” delas? Não! A mensagem preferida deles era a cruz de Cristo!
E o que dizer de outros expoentes, como Valdir Nunes Bícego (in memoriam), Antonio Gilberto, Elienai Cabral e Wagner Gaby, bem como o famoso evangelista (evangelista, mesmo!) Billy Graham? Não são esses pregadores e mestres cujos ministérios envolvem itinerância? Sim. Mas que ninguém queira compará-los com os super-pregadores itinerantes, imitadores do show-man Benny Hinn, e não do Senhor Jesus Cristo (1 Jo 2.6).
Jovens pregadores: sigam a bons referenciais! Não bebam em fontes escuras e turvas. Não imitem os super-pregadores malabaristas, milagreiros, manipuladores de auditório e avarentos, os quais apresentam pregações (pregações?) interativas, espalhafatosas, humorísticas, na base do grito. Sigam ao exemplo de homens humildes e sujeitos a Cristo, como Paulo (1 Co 11.1), expoente que amava a Palavra de Deus e o Deus da Palavra, propagando com ousadia a mensagem da cruz (1 Co 1.18-23; 2.1-5).
Que não consideremos a itinerância uma profissão, como muitos têm feito, mas que valorizemos os pregadores e ensinadores cujos ministérios envolvem itinerância. Esses, sim, são dignos de respeito, pois — a despeito de precisarem de dinheiro para manutenção de sua família e serem bem conhecidos por todos — não têm eles como motivação principal o dinheiro e a fama (1 Tm 6.20), e sim o amor e a fidelidade a Deus (Rm 1.9), à sua Palavra (1 Co 15.3,4), ao ministério que Ele lhes outorgou (2 Tm 4.7,8) e às pessoas que recebem as suas mensagens (Fp 1.21-24).
Escrever sobre a santificação não é uma tarefa muito fácil, da mesma forma que é difícil pregar sobre ela. Aprendi que quatro coisas acontecem quando se fala acerca da santificação: (1) Ouvimos poucas glórias a Deus; (2) os crentes artificiais ficam inquietos; (3) os fiéis dizem: “Fala, Senhor, que o teu servo ouve”; (4) e os demônios ficam apavorados.
No caso da mensagem escrita, as reações são um pouco diferentes, em razão de haver a possibilidade de o leitor se esquivar da leitura, o que, no caso da pregação, não é tão simples de se fazer. Um crente artificial, não compromissado com a sã doutrina, não vai querer sequer começar a ler um artigo sobre a santificação. Por outro lado, um fiel não só o lerá, como também o divulgará, fazendo com que esta mensagem seja propagada entre os desapercebidos. E é isso que me anima a escrever este artigo!
A santificação é um dos temas menos pregados nas igrejas, nesses tempos pós-modernos, não obstante a relevância que as Escrituras lhe atribuem. Sem ela, ninguém entrará no Céu: “Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hb 12.14). Esta é a condição sine qua non, na verdade, para se ver a Deus, tanto nesta vida quanto no futuro (1 Jo 3.1-3).
Nos tempos veterotestamentários, a condição para se receber as bênçãos do Senhor era a santificação (Lv 11.44). Não foi o que Deus exigiu do povo quando da travessia do Jordão? Disse Josué: “Santificai-vos, porque amanhã fará o Senhor maravilhas no meio de vós” (Js 3.5). Mais tarde, por ocasião da inauguração do Templo, em Jerusalém, Salomão orou a Deus, e ouviu dEle esta resposta: “Se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, e perdorarei os seus pecados, e sararei a sua terra” (2 Cr 7.14).
No Novo Testamento vemos que a condição para que as promessas do Senhor sejam confirmadas em nossa vida continua sendo a mesma: “Porque esta é a vontade de Deus, a vossa santificação: que vos abstenhais da prostituição, que cada um de vós saiba possuir o seu vaso em santificação e honra (...). Porque Deus não nos chamou Deus para a imundícia, mas para a santificação” (1 Ts 4.3,4,7). E Paulo, na mesma carta, assevera que a santificação envolve o espírito, a alma e o corpo, nessa ordem (5.23).
Antes de saber mais detalhadamente acerca da santificação, precisamos entender o que ela não é.
Santificação não é ter apenas aparência de piedade
Muitos pensam que ser santo é ter apenas uma aparência de piedade. Vestem-se de modo simplório, de propósito, e não por que não tenham condições de se vestir melhor. Falam baixinho, ficam com o semblante descaído... Outros preferem adotar porte e postura extremados, preocupando-se demasiadamente com medidas. Afirmam que o diâmetro da barra da calça, a largura da gravada e do cinto, bem como a espessura do salto do sapato devem ter “tantos” centímetros... Seria isso uma demonstração de vida santa?
Em Colossenses 2.20-22, o apóstolo Paulo afirmou que devemos nos precaver quanto aos que ensinam doutrinas de homens, fundamentadas em ensinamentos extremados, como: “... não toques, não proves, não manuseies”. Em Eclesiastes 7.16,17, está escrito: “Não sejas demasiadamente justo, nem demasiadamente sábio; por que te destruirias a ti mesmo? Não sejas demasiadamente ímpio, nem sejas tolo; por que morrerias antes do teu tempo?”
Santificação não é fanatismo
Há crentes que, quando o assunto é a santificação, partem mesmo para o fanatismo. Certo irmão afirmou que, na vinda de Cristo, os crentes que estiverem tomando banho não serão arrebatados! Por quê? Simplesmente, porque estarão nus! Houve um tempo também em que não se podia usar perfume, pois diziam os que se consideravam santos: “Nós já temos o perfume de Cristo”.
Ora, a nudez condenada por Deus é a que leva à imoralidade, relacionada com a lascívia e com a pornografia. O Senhor também condena a nudez espiritual, isto é, o desprovimento da graça de Deus, ocasionado pela arrogância e pela cega confiança nos recursos humanos, como aconteceu com o pastor da igreja de Laodicéia (Ap 3.17,18). Quanto ao perfume (bom cheiro) de Cristo, o ensino de Paulo é no sentido espiritual (2 Co 2.14-17).
E o televisor? É claro que não aprovamos as programações imorais e tendenciosas que nele são apresentadas. Contudo, trata-se de um aparelho como os demais, como é o computador, o rádio, etc. Alías, falando em rádio, no tempo em que não havia televisor, quem era o vilão? O rádio! Diziam alguns “santos”: “O rádio é a caixa do diabo!” Mas o tempo passou, o mundo evoluiu, e ficou demonstrado que o extremismo não foi o melhor caminho para tratar do tema em foco.
Santificação não é isolamento
A santificação também não é isolamento. Ouvi, certa vez, uma irmã dizendo que, quando ela se consagra, as pessoas não conseguem nem olhar para ela, tamanha a sua santidade! Creio que não andou nessa terra uma pessoa mais santa do que Jesus. E, onde o encontravam, frequentemente? No meio de pecadores (Lc 5.27-32). Ele participou das bodas de Caná da Galiléia, demonstrando ser sociável (Jo 2.1-11).
Assentar-se na roda dos escarnecedores não é se afastar deles, e, sim, tomar parte em suas prevaricações (Sl 1.1; Is 6.1-8). Como luz do mundo (Mt 5.14-16), que deve brilhar em meio às trevas (Fp 2.15), não podemos nos isolar da sociedade, mas influenciá-la com o bom cheiro de Cristo.
Há, também, em nossos dias, um grupo de pessoas que pensa que santificação é maltratar o corpo, subjugá-lo com sacrifícios exagerados. Mas Deus não se agrada disso (1 Sm 15.22; Ec 5.1). Ele quer obediência aos seus preceitos; é isso que denota santificação verdadeira. Viver uma vida de santificação também não implica viver sem tentação (Mt 4.1-11) nem estar imune ao pecado (1 Co 10.12). Significa, antes, ter poder para dominar o pecado (Rm 6.14).
Bem, vimos o que não é a santificação. Em outro artigo discorrerei, se Deus quiser, sobre o que é a santificação.
Estou em São Paulo (capital) e, na última terça-feira, visitei, juntamente com o amado pastor e escritor Marcelo de Oliveira (foto), a Rádio Musical (105.7 FM), localizada na nobre região da Avenida Paulista, a fim de participamos do programa “Crescendo na Fé”, que vai ao ar diariamente das 12h às 13h.
No mesmo dia, tivemos o privilégio de estar com o doutor Russel Shedd (foto) em um evento teológico realizado no centro paulistano, onde o respeitado expoente das Escrituras apresentou uma maravilhosa exegese de Gálatas 5.
Hoje (dia 7), ao meio-dia, eu e o pastor Marcelo Oliveira estaremos novamente juntos no mesmo programa para respondermos, segundo a graça de Deus, às perguntas dos ouvintes.
O dinâmico e eletrizante programa “Crescendo na Fé” é brilhantemente comandado pelo pastor Sezar Cavalcante, que, nos primeiros minutos, atende os ouvintes ao vivo, repassando as suas perguntas aos convidados que compõem a mesa. Em seguida, estes expoentes respondem, de modo objetivo, às perguntas por escrito que não param de chegar, fazendo uma hora passar “voando”...
Portanto, convido a todos a ouvirem o aludido programa, a partir das 12h. Quem estiver fora de São Paulo, poderá participar através do site: http://faculdadebetesda.com.br.
Também conhecida como a síndrome da maritaca, a unção do microfone funciona, mais ou menos, assim: a cantora está sentada quietinha observando tudo. De repente, o dirigente do culto anuncia: “Vamos agora ouvir a irmã Gritalda Berros”, e ela dirige-se ao púlpito, segura o microfone e, com presença de palco, brada: “Aleluuuuuuiaaaaa... O povo que gosta de barulho já chegou?”, e assim inicia a sua performance debaixo de muita unção, mas não a do Santo (1 Jo 2.20), e sim a do microfone.
O cantor ou o pregador que se apresentam sob a unção do microfone assemelham-se muito à maritaca, uma ave da família do papagaio cuja característica marcante é o grito estridente. E eu posso falar sobre isso com conhecimento de causa. Pela graça de Deus, tenho, desde 1991, um ministério que envolve itinerância. Conheço muitos pregadores e cantores que são verdadeiramente servos do Senhor. Mas conheço outros que... misericórdia!
Há uma famosa cantora (famosíssima), conhecida por seus estridentes gritos, que não dá um aleluia durante o culto, mas, ao microfone, sua perfomance impressiona a muitos. A mim não comunica nada, pois dá sempre os mesmos pulos, os mesmos berros, fala as mesmas línguas estranhas... Interessante que, fora do templo, ela age como uma celebridade hollywoodiana. Já ficamos hospedados no mesmo hotel, e, no café da manhã, ela, de nariz em pé, simplesmente fingiu que não me viu.
Será que as celebridades evangélicas se esqueceram de que antes de serem cantores e pregadores precisam ser crentes em Jesus Cristo, servos de Deus? Até quando vocês pensam que sobreviverão à base da unção do microfone? Vocês pensam que podem enganar o Espírito Santo? O povo, em geral (a manipulável massa), não consegue perceber o quão distantes vocês estão do Senhor Jesus, pois está encantado, deslumbrado, quase hipnotizado, porém vocês sabem que, há muito tempo, não sentem mais a unção do Espírito... Até quando se esconderão atrás do sucesso, da popularidade, como se isso fosse o mais importante?
Em grandes eventos, vemos pregadores (pregadores?) cujas mensagens não têm conteúdo bíblico algum. Vivem à base da unção do microfone e de mensagens do tipo olhe-para-o-seu-irmão-e-diga-isso-e-aquilo. E ainda são piores do que os cantores, pois, quando os irmãos (principalmente obreiros do púlpito) não tomam parte em seus desvarios e delírios carnais, ficam bravos e começam a ofendê-los indiretamente.
Busquem a Deus, pregadores atingidos pela síndrome da maritaca, que vivem à base de berros e malabarismos. Vocês pensam que podem enganar o Senhor Jesus? Orem mais, leiam o Santo Livro, jejuem e entreguem ao povo faminto pão quente, e não essa mensagem enlatada, performática. Ela pode ser interativa, divertida e envolvente, mas não atinge a divisão da alma e do espírito (Hb 4.12).
Eu também sou pentecostal! Eu também costumo elevar a minha voz quando prego e sinto que a graça de Deus está sobre mim. Eu também dou brados de glórias a Deus, no momento certo. Não estou falando contra as características marcantes dos pregadores assembleianos. Mas eu tenho orado a Deus para não ter um ministério à base da unção do microfone. Não quero ser crente apenas em cima do púlpito ou com o microfone à mão.
Que não nos conformemos em viver de carisma, fama, popularidade, livros, CDs, DVDs... Não! Deus nos chamou, e a sua unção está à nossa disposição. Sejamos crentes de verdade, ungidos, e não atores, que confundem púlpito com palco, culto com espetáculo, e assim por diante.