sábado, 28 de fevereiro de 2009

Um Pastor-modelo, um modelo de Pastor

Áudio:
Um Pastor-modelo, um modelo de Pastor

Estou em casa neste fim de semana. Não viajei; amanhã, em minha igreja, é Ceia do Senhor. E estou aproveitando o sábado para preparar uma apostila para uma escola bíblica. À tarde, pretendo passear com a família e, à noite, iremos ao shopping, se Deus quiser. Confesso que não pretendia “postar” hoje, mas não posso me calar ante a inversão de valores que presenciei há pouco.

Quando não viajo no fim de semana, o que tem sido raro, costumo assistir aos programas evangélicos do sábado, na TV. E o que me levou a escrever este artigo foi a propaganda de um pastor assembleiano e sua igreja, mediante a qual ambos são apresentados como grandes paradigmas. “Uma igreja modelo, um modelo de igreja” é a chamada. Em seguida, enquanto imagens da igreja e seu pastor aparecem ao fundo, o locutor pergunta: “Você conhece um pastor que se preocupa com as suas ovelhas?” Meu Deus, como os fundamentos se transtornaram!

No Mensageiro da Paz número 1.483, de dezembro de 2008 (p.18), eu já havia abordado este assunto, posto que vira o tal slogan em uma grande feira de produtos evangélicos, em São Paulo: “Não bastassem os programas ‘evangélicos’ em que pessoas testemunham: ‘Depois que eu conheci a igreja tal, a minha vida mudou’, agora muitas denominações disputam para ver qual é a mais atraente. ‘Igreja tal: aqui o milagre acontece’ ou ‘Uma igreja modelo, um modelo de igreja’ são alguns dos slogans adotados por líderes que perderam a visão do Reino de Deus”.

Mas o que mais me incomodou, ao ver a aludida propaganda, foi a ênfase exagerada dada ao líder da igreja, apresentado como o pastor-modelo, enquanto o Senhor Jesus sequer foi mencionado. Não posso ficar calado nem deixar de escrever; o Senhor não dá sua glória a outrem (Is 42.8).

O Pastor-modelo continua sendo Jesus Cristo! Ele é o que ama as suas ovelhas, a ponto de ter dado a sua vida por elas (Jo 10.11,17,18; 15.12; Rm 5.8; 1 Pe 1.18,19). E os pastores que o seguem sabem que, na obra de Deus, é o pastor quem deve “dar a vida” pelo rebanho, e não o inverso (Ez 34.1-6; 2 Co 12.15). Sim, Ele é o Pastor-modelo e deseja aumentar o seu rebanho (Jo 10.16). Jesus vai adiante de suas ovelhas (Jo 10.4; Sl 85.13; Lc 9.23) e as alimenta (Jo 10.9; Sl 23.1,2). Ele as conhece, é conhecido por elas (Jo 10.14; Ez 34.15,16) e as protege (Jo 10.27,28).

Que os pastores da nossa geração aprendam a ser mansos e humildes de coração (Mt 11.29), dando toda glória ao Bom Pastor, Jesus Cristo! Ele, sim, é um Pastor-modelo, um modelo de Pastor!

Ciro Sanches Zibordi

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Eleições da CGADB: já escolhi o meu Candidato


A Assembleia de Deus brasileira assemelha-se à igreja de Corinto, que será objeto de estudo no próximo trimestre de Lições Bíblicas da CPAD. Ela é uma igreja vigorosa e conta com líderes e expoentes de renome, como Paulo, Apolo e Timóteo (1 Co 3.5,6; 4.17); nenhum dom lhe falta (1 Co 1.7); o poder multiforme do Espírito Santo no meio dela é manifesto (1 Co 12.4-11). Glória a Deus! Mas essa denominação quase-centenária também tem os seus problemas.

Na Assembleia de Deus brasileira, como na
igreja de Corinto, há crentes carnais (1 Co 3.3), maus costumes (1 Co 11.20-22), falsos obreiros (2 Co 11), tolerância a pecados graves (1 Co 5-6), dissensões (1 Co 11.17-19), mau uso dos dons espirituais (1 Co 14) e crentes com espírito faccioso (1 Co 3.4,5).

Tenho visto, no meio assembleiano, muito partidarismo. “Eu sou da missão. Eu sou de Madureira. Eu sou do Belém. Eu sou do Belenzinho. Eu sou do Norte. Eu sou do Sudeste. Eu sou de fulano. Eu sou de beltrano” — dizem alguns, com orgulho. Não há problema algum em termos preferências, mas não nos esqueçamos do que disse Paulo aos coríntios: “Portanto, ninguém se glorie nos homens; porque tudo é vosso; seja Paulo, seja Apolo, seja Cefas... tudo é vosso, e vós de Cristo, e Cristo de Deus” (1 Co 3.21-23). E, foi pensando nesta passagem bíblica, que resolvi dizer a todos qual é o meu Candidato...

Mas, antes de eu fazer tão importante revelação (que poderá, inclusive, ajudar os indecisos a fazerem uma boa escolha), pergunto: Você sabe o que significa “candidato”? Esta palavra está atrelada, em seu étimo, ao termo “cândido”, que denota brancura, pureza, sinceridade, inocência. Isso porque, na Roma Antiga, os candidatos a cargos eletivos vestiam-se de toga branca
que simbolizava honestidade e idoneidade, bem como possibilitava a identificação deles entre os demais cidadãos romanos.

Em Cantares 5.10, a Noiva diz do Noivo: “O meu amado é cândido e rubicundo; ele traz a bandeira entre dez mil”. Já descobriu qual é o meu Candidato? É aquEle que é cândido, imaculado e incontaminado (1 Pe 1.18,19), vestido de vestes brancas salpicadas de sangue (Ap 19.13). Sim, o meu Candidato é Jesus Cristo. E o meu desejo — parafraseando Paulo — é que, após as eleições da CGADB, ninguém se glorie nos homens; porque tudo é nosso. Seja Belenzinho, seja Belém; seja CGADB é você, seja CGADB para todos, tudo é nosso; e nós de Cristo, e Cristo de Deus.

Que o Candidato eleito seja o Senhor Jesus Cristo, e que as Assembleias de Deus do Brasil não sejam deste ou daquele, mas dEle.

Ciro Sanches Zibordi

Maus-tratos podem alterar os genes


Li ontem uma notícia, em vários jornais, que me chamou a atenção. Cientistas canadenses descobriram que a pessoa que sofre abusos durante a infância pode ficar vulnerável a doenças mentais e suicídio.

Segundo o estudo, publicado na revista especializada Nature Neuroscience, análises de tecido do cérebro de adultos que se suicidaram revelaram mudanças genéticas fundamentais entre os que tinham sofrido abusos quando criança.

Isso corrobora o resultado de pesquisas anteriores, de que abusos durante a infância estão associados a uma reação mais intensa em situação de estresse. Não se sabe exatamente como fatores externos interagem com os genes e contribuem para a depressão e outros problemas mentais na fase adulta. Mas, em resumo, a equipe de pesquisadores da Universidade McGill, de Montreal, Canadá — ao examinar o gene para o receptor glicocorticoide, que ajuda a controlar a resposta ao estresse —, encontrou alterações químicas que reduziram a atividade desse gene.

Se os maus-tratos na infância podem fazer alguns genes se reprogramarem, isso também pode explicar porque algumas pessoas adquirem certos comportamentos, como a homossexualidade. Nós, cristãos, que prezamos a heterossexualidade, temos a convicção de que ninguém nasce homossexual, haja vista Deus ter criado e formado apenas macho e fêmea (Mt 19.4,5; Gn 2.7,22) e condenar, em sua Palavra, o relacionamento entre pessoas do mesmo sexo (Rm 1.26-28; 1 Tm 1.8-10).

O estudo confirma, por conseguinte, a tese de que o comportamento homossexual é adquirido, podendo decorrer de abusos sofridos na infância, agressões verbais, pedofilia, adultério dos pais, influência de colegas, tentação, desequilíbrios hormonais, literatura erótica ou pornográfica, influência da mídia e também reprogramação genética desencadeada por maus-tratos na infância.

Ciro Sanches Zibordi

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Os mais variados tipos de pregador e seus públicos-alvo (2)


Um dos leitores do primeiro artigo desta série fez menção de outro tipo de pregador não constante da relação original. Disse ele: “Faltou o pregador recalcado. Ele faz sua agenda falando mal dos outros pregadores; suas mensagens estão pautadas em ofender outros ministros, sem respeitar os estilos e as formas variadas de Deus agir. Duvida e questiona o ministério de todos, mas ele é o ungido. O recalcado fala dos que cobram para pregar, mas ele também tem um preço; fala mal do pregadores itinerantes, mas também tem os seus DVDs e livrinhos para vender na saída dos cultos. Vamos orar para que o Eterno nos abençoe e tenha muita misericórdia da nossa geração. Ainda bem que hipocrisia não tem cheiro”.

Concordo em parte com o leitor, que também é pastor e pregador. De fato, há esse tipo de pseudopregador, o recalcado. Mas é preciso considerar também o seguinte:

Primeiro: um “pregador” que ofende ministros e supostamente faz sua agenda falando mal dos outros está desviado. E é
lamentável que igrejas convidem desviados para ministrar em seus eventos. Portanto, eu não chamaria um “pregador” com as mencionadas características apenas de recalcado, mas de falso pregador, desviado, fraudulento, que não tem compromisso com o Deus da Palavra e com a Palavra de Deus.

Segundo: é preciso saber distinguir entre estilo de pregador e abuso de animador. Estilo é algo próprio de uma pessoa: sua maneira de falar, de gesticular... Mas isso nada tem que ver com manipulação de auditório. Muitos pregadores que não suportam críticas aos seus erros, por exemplo, sequer leram os meus livros e saem por aí dizendo que eu não respeito os estilos dos pregadores. Eu os respeito, sim. Mas o
estilo animador de auditórios” não tem apoio das Escrituras. Pregação significa expor a Palavra de Deus, com ousadia, graça, sabedoria do alto, etc. Mas o que vemos hoje é abuso, manipulação, ofensas indiretas (e às vezes diretas) a quem não aceita ser manipulado.

Terceiro: Deus age das mais variadas maneiras, pois a sua manifestação é multiforme (1 Co 12.4-11). Entretanto, há muitas aberrações que estão sendo praticadas no meio do povo de Deus com a desculpa de que não podemos julgar o suposto agir de Deus. Ora, nada está acima da Palavra do Senhor (Gl 1.8; 1 Co 4.6). Ela sim é pura, perfeita, mas pregações, profecias e manifestações devem ser julgadas, provadas, examinadas segundo a reta justiça. Isso é bíblico, gostem ou não os
“pregadores” que desejam viver acima do bem e do mal (1 Jo 4.1; Jo 7.24; 2 Co 11; 1 Pe 4.13).

Quarto: duvidar de ministérios e questioná-los não é pecado, pois o livre exame é bíblico (At 17.11; 1 Ts 5.21). Mas considerar-se “o ungido” é iniquidade. E essa característica também está relacionada com os animadores de auditório e milagreiros, que não aceitam críticas construtivas. Inseguros, eles reagem de maneira desproporcional, ofendendo, menoscabando e se julgando “os ungidos”... Realmente, como disse o leitor, ainda bem que a hipocrisia não tem cheiro.

Quinto: eu duvido sim e questiono muitas pregações e práticas da atualidade, porque a Palavra de Deus me dá essa liberdade (1 Ts 5.21), mas respeito as pessoas. As minhas considerações são, às vezes, irônicas, bem-humoradas, provocativas, porém sempre são feitas em tese. E, se alguém se sente ofendido com críticas em tese, está demonstrando total insegurança quanto à sua chamada.
Afinal, quem tem chamada de Deus sabe em quem tem crido, diferentemente dos manipuladores de plateia...

Sexto: os pregadores recalcados realmente, quando podem (pois são poucos os pastores desavisados que lhes dão oportunidade de falar), agridem as pessoas. Concordo com o leitor. Mas os pregadores e ensinadores zelosos combatem os erros cometidos por obreiros, à semelhança do Senhor Jesus e do apóstolo Paulo, que não toleravam os desvios na esfera ministerial (Ap 2;3; 2 Co 11; Tt 1; Fp 3.18).

Sétimo: os pregadores zelosos (1 Tm 4.16), ao contrário dos recalcados e dos animadores de auditório, não precisam pedir (alguns até imploram) nem se oferecer para pregar:
“Convide-me para fazer uma campanha em sua igreja”. Não, os pregadores zelosos, compromissados com o Deus da Palavra e com a Palavra de Deus, são convidados por líderes igualmente zelosos. Sim, os pregadores que têm convicção da sua chamada esperam no Senhor, pois é Ele quem chama (Mc 3.13), capacita (Jo 15.16) e abre portas grandes e eficazes para a pregação do evangelho (1 Co 16.9).

Oitavo: nos meus livros e também neste blog questiono quem estipula cachês altíssimos, abusivos, para pregar (pregar?), porque isso é antibíblico. Daniel não aceitou os presentes do rei antes de interpretar o que fora escrito na parede, mas os aceitou depois (Dn 5). Em outras palavras, fazendo aqui uma aplicação: ele não cobrou cachê para ser um instrumento de Deus, mas aceitou uma oferta por fazer a obra de Deus.

Nono: precisamos ser coerentes e verdadeiros, e não coniventes com o erro. O nosso compromisso é com Deus, e não com os homens (Ez 2; At 7; 1 Co 11.23). É Ele quem aprova ou reprova o nosso ministério, mas quem fica irritado com as críticas aos erros do pregador — e não à pessoa do pregador — é porque está inseguro quanto à sua chamada, repito.

Concluo citando o que diz a Palavra de Deus em 2 Coríntios 10.12-18: “Porque não ousamos classificar-nos com alguns que se louvam a si mesmos; mas esses que se medem a si mesmos e se comparam consigo mesmos estão sem entendimento... Porque não é aprovado que a si mesmo se louva, mas, sim, aquele a quem o Senhor louva”.

Com amor e respeito a todos os pregadores do evangelho (como eu também o sou, segundo a graça de Deus),

Ciro Sanches Zibordi

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Como escrever e publicar um livro (1)


Muitas são as perguntas que recebo sobre como escrever e publicar um livro. E isso me estimulou a iniciar esta série, a fim de compartilhar as minhas experiências como escritor e editor.

Eu costumo iniciar uma obra literária pela escolha do título
— mas isso só é possível a partir do momento em que o assunto a ser desenvolvido, de certa forma, está dentro do meu coração, como que fazendo parte da minha vida diária ou do ministério que Deus me outorgou.

Escolher o título para uma obra literária é como dar nome a uma pessoa, com a diferença de que os nomes costumam ser escolhidos a partir de um repertório existente. O título de um livro tem de ser inventado pelo autor e precisa refletir o conteúdo da obra.

Ao escolher um título para um livro, o autor está fazendo uma promessa ao leitor. E, se este gostar da promessa, pagará para ver o seu cumprimento. O título é mais importante do que parece! E precisa transmitir uma clara ideia do que é a obra, a fim de que mal-entendidos sejam evitados.

Quando o autor dá um título à sua obra, está agindo como um publicitário. Ele deve ter em mente a reação que o editor, o livreiro e o leitor terão, ao lerem o nome do livro. Eu gosto de títulos um tanto longos, autoexplicativos. Mas sem exageros! A meu primeiro livro dei o título Perguntas Intrigantes que os Jovens Costumam Fazer. É longo, mas não longuíssimo. E gera curiosidade. Que perguntas intrigantes são essas? O mesmo se dá com Erros — e Mais Errosque os Pregadores Devem Evitar e Evangelhos que Paulo Jamais Pregaria.

Você sabia que o primeiro livro impresso no Brasil tinha um título com 264 caracteres? Relação da Entrada que fez o Excelentíssimo, e Reverendíssimo Senhor D. Fr. Antonio do Desterro Malheyro, Bispo do Rio de Janeiro, em o primeiro dia dente presente Anno de 1747, havendo sido seis Annos Bispo dp Reyno de Angola, donde por nomiação de sua Majestade, e Bulla Pontificia, foy promovido para esta Diocesi. Um título excessivamente longo e exageradamente explicativo torna a leitura da obra quase que desnecessária.

Meu único livro com título curto é Adolescentes S/A, o qual mantive por duas razões. Primeiro: ele possui um subtítulo explicativo: “Coisas que rapazes e moças precisam saber”. Segundo: o elemento “S/A” tem papel instigante. Em resumo, os títulos não precisam ser necessariamente muito curtos ou muito longos, mas precisamente claros, instigantes e/ou autoexplicativos.

Um cuidado a ser tomado é com as esquisitices. Um título esquisito pode ser um sinal de que o conteúdo é mais esquisito ainda. Mas o emprego no título de uma palavra nova, desconhecida, emblemática, pode ficar para sempre associada ao autor que a inventou ou lhe deu visibilidade.

Como surge um título?
Uma obra surge a partir de um título quando já está no coração do autor. Mas, às vezes, o título vem mesmo antes da obra, como aconteceu com O Evangelho Segundo Jesus Cristo, de José Saramago. Este premiado autor ia passando na rua quando pensou ter lido o título do seu futuro livro em uma manchete de jornal. As palavras eram parecidas, mas eram outras. Mesmo assim, o que Saramago pensou ter lido ficou martelando em sua mente até se tornar o título de seu best-seller.

Às vezes, o nome de uma obra
pode ser mudado na última hora. Você sabia que a trilogia O Tempo e o Vento, de Érico Veríssimo, ia se chamar O Vento e o Tempo? Isso também aconteceu comigo. Meu livro Perguntas Intrigantes que os Jovens Costumam Fazer teve o seu título mudado um dia antes de ser entregue ao editor, depois de uma conversa que tive com o diretor executivo da CPAD, o irmão Ronaldo Rodrigues de Souza.

Hoje, depois de eu ter escrito alguns livros, por graça de Deus, prefiro escolher primeiro o título, a fim de, a partir dele, escrever a obra. Isso também vale para os artigos. Primeiro, penso em um título para um assunto que eu gostaria de desenvolver. E, feita a escolha do título, escrevo, reescrevo, melhoro ou refaço o título, reviso tudo de novo, etc.

Finalmente, para nós, autores cristãos, o que eu considero importante quanto ao título é encarar um livro como uma mensagem recebida do Senhor. E uma boa mensagem, biblicamente fundamentada, se não tiver um bom título, não prenderá, desde o início, a atenção do público
o que numa obra literária é fundamental. Um sermão mal intulado poderá ser ouvido até o fim. Mas, quem lerá um livro com um título pouco atraente?

Por enquanto é isso. Depois, se Deus quiser, darei continuidade a esta série.

Ciro Sanches Zibordi

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Rumo a Vitória!

Na década de 1960, depois das vaias que recebeu num festival de música, o cantor Sérgio Ricardo despedaçou o próprio violão na plateia. Sabe qual foi a manchete do extinto jornal paulistano Notícias Populares? Violada em pleno auditório.

Não é de hoje que os jornalistas e profissionais de marketing usam trocadilhos. Lembro-me de uma matéria publicada há muito tempo na revista IstoÉ que mencionava uma quadrilha de torturadores. A reportagem dizia que o grupo acariciava as suas vítimas, fazendo um trocadilho com o nome do grupo: “Trio Ternura”.

Recentemente, ao noticiar o afastamento do ator Fábio Assunção de uma novela, a fim de fazer tratamento para dependentes de cocaína, o tabloide carioca Meia Hora publicou: Fábio Assunção dá um tempo na carreira. (Para quem não sabe, “carreira” é uma palavra que também se aplica à fileira de pó aspirada por usuários de cocaína.) Já o também carioca O Dia noticiou a entrega do cargo de Fidel Castro ao seu irmão desta forma: Fidel chama o Raúl. Detalhe: junto da manchete foi inserida uma foto em que Fidel aparentava estar embriagado, querendo vomitar. Ou seja, “chamar o Raúl”, além de simular uma convocação, alude à onomatopeia que descreve as náuses sentidas pelos bêbados...

Quando a saltadora Maureen Maggi ganhou o ouro olímpico, em Pequim, em agosto de 2008, o jornal Meia Hora não titubeou em associar o nome da atleta a uma famosa marca de caldos: Maggi não dá sopa para as rivais e voa para o ouro. Com se vê, esses jogos de linguagem implícitos são uma grande ferramenta linguística, uma estratégia, para dar humor a uma informação sem apelar ao sensacionalismo.

Apesar de tornar o texto mais leve, atraindo a atenção do leitor, o trocadilho, a ambiguidade, o jogo de palavras e a ironia podem gerar certo prejuízo para quem os emprega, pois nem todos os leitores conseguem captá-los. Às vezes, por terem pouco ou quase nenhum senso de humor ou por serem apressados. Aqui mesmo, neste blog, já tive dificuldades com leitores que não conseguem interpretar certos jogos de linguagem. Por isso, às vezes sou obrigado a usar recursos um pouco chamativos, como o negrito.

Em abril deste ano, haverá em Vitória, no Espírito Santo, a maior AGO (Assembleia Geral Ordinária) da CGADB (Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil). E tenho notado que as assessorias dos candidatos e seus admiradores, com muita criatividade, estão usando os aludidos recursos de linguagem, empregando slogans como: O Espírito Santo não pode ficar de fora; Vamos à Vitória!; A Vitória é nossa!; Rumo a Vitória! e outros.

Sinceramente, eu estou orando pela Vitória do Espírito Santo. Que prevaleça entre os
convencionais assembleianos o mesmo sentimento da primeira AGO da Igreja de Cristo, realizada em Jerusalém: “... pareceu bem ao Espírito Santo e a nós...” (At 15.28).

Ciro Sanches Zibordi

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

A covardia dos blogueiros caluniadores que se escondem atrás do anonimato

Existe na chamada blogosfera cristã uma prática pecaminosa, anticristã, criminosa e leviana de anônimos manterem blogs pelos quais verberam livremente contra pessoas e instituições. Essa postura reprovável é comum também no Orkut, que permite perfis anônimos, usados para criar comunidades e participar de outras, com uma única finalidade: denegrir a imagem de alguém. O pior é que esses falsários se apresentam como cristãos, e alguns irmãos, por falta de conhecimento e discernimento, vêm dando crédito a eles...

Há pouco tempo, um conhecido blogueiro “cristão” (que mantém um blog em seu nome e participa de outros) criou um blog denominado O X da Questão, pelo qual, sem se identificar, me atacava covardemente. Por ser muito descuidado, o falsário acabou se revelando...

Depois de ter sido desmarcarado, o editor do referido blog, que prometia levantar detalhes comprometedores da minha vida, teve de abandonar a sua
“nobre” atividade. Que falta de temor a Deus! Pois, se a calúnia em si já é crime e pecado (Mt 7.1,2), sob o animato ela se agrava. Bem, quando isso ocorreu, eu consegui juntar provas contra o descuidado maldizente, mas resolvi não divulgar o seu nome na blogosfera cristã nem tomar outras medidas cabíveis, haja vista não ter eu o mínimo interesse de expor pessoas, por mais malévolas que sejam.

Mas eu quero aproveitar a oportunidade para dizer que o desocupado que se dá ao trabalho de criar um blog com perfil anônimo para verberar contra alguém, além de estar com a consciência cauterizada, ignora que é possível descobrir a sua identidade. No exemplo citado, o blogueiro falsário “se entregou”, porém há outras maneiras de se descobrir a autoria do blog.

Há meios de se chegar à origem das informações (falo com conhecimento de causa), e
uma pessoa ofendida pode procurar um advogado e processar o ofensor. A Constituição Federal (art. 5o., IV e V) assegura a liberdade de manifestação do pensamento, mas veda o anonimato. Caso, durante a manifestação do pensamento, se cause dano material, moral ou à imagem, assegura-se o direito de resposta, proporcional ao agravo, além de indenização.

Infelizmente, há algum tempo surgiu na blogosfera cristã dois outros blogs com editores anônimos, o CGADB News (que já saiu do ar) e o CGADB pra Mim. O dono do primeiro, escondendo-se atrás do anonimato, apresentava notícias sobre as eleições da CGADB e denúncias que denigrem a imagem dos candidatos à presidência, principalmente a de um deles, deixando transparecer a sua parcialidade, a despeito da descrição contida no extinto blog: “Blog independente (e não oficial) de notícias da CGADB”. O segundo, que ainda está ativo, infelizmente, debocha de um dos candidatos...

Não vejo problemas quanto ao fato de alguém apoiar a um dos candidatos à presidência da CGADB (Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil). Isso é um direito que lhe assiste. Mas valer-se do anonimato para caluniar ou dizer todo o tipo de impropérios à vontade, disseminando discórdia na blogosfera cristã, como que jogando sujeira no ventilador, é um pecado que não ficará impune diante do Deus justo e santo.

Quem é do Senhor Jesus verdadeiramente não aceita esse tipo de postura
covarde, anticristã e criminosa. Mas o juízo divino não tardará para aqueles que não se arrependerem. A Palavra de Deus alerta: “E não há criatura alguma encoberta diante dele [Deus]; antes, todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos daquele com quem temos de tratar” (Hb 4.13). E ainda: “Horrenda coisa é cair na mão do Deus vivo” (Hb 10.31).

Veja também:
Google é condenado a pagar R$ 20 mil por danos morais

Em Cristo,

Ciro Sanches Zibordi

Capriche em sua autoapresentação

Gosto de ler Max Gehringer (foto), escritor, conferencista, cartunista e comentarista de TV. Ele, que teve uma longa carreira como executivo, dá sugestões interessantes para quem deseja fazer um bom currículo: “Esta é uma máxima para você nunca mais esquecer: currículo não é autobiografia. Não adianta escrever e encher páginas e mais páginas para tentar impressionar quem vai ler. Em um currículo, tamanho não é documento. Conteúdo é” (Emprego de A a Z, Editora Globo, p. 64).

Gehringer afirma que, num currículo, ao dizer quem somos, devemos eliminar o óbvio. Por exemplo, para que dizer “Ciro Sanches Zibordi, brasileiro, 38 anos, 1 filha”? Como estamos no Brasil, supõe-se que somos brasileiros. Outras informações irrelevantes: endereço completo, posto que ninguém é entrevistado em casa (cidade e estado são o bastante. Por exemplo: Niterói, RJ); pretensão salarial (isso deve ser discutido na entrevista), etc.

O referido consultor mostra quais são as informações realmente importantes: CPF (pois a empresa saberá se o candidato não tem problemas no Serasa ou no SPC); idade (pois, se a empresa já decidiu que não quer contratar alguém acima ou abaixo de determinada idade, é melhor que o candidato nem seja chamado); telefone; vaga procurada; listagem das empresas em que trabalhou, a partir da mais recente; idiomas. “Inglês fluente significa que o candidato é capaz de manter conversação. Inglês básico quer dizer que precisa tomar longo fôlego antes de cada frase até achar a palavra correta. Noções de inglês não quer dizer nada”, afirma Gehringer (idem, p.66).

Bem, creio que as dicas do Gehringer são muito boas para quem pretende melhorar o seu currículo. Mas tenho também algumas sugestões para quem deseja caprichar na descrição do que é capaz de fazer, a ponto de impressionar as pessoas. E essas dicas valem não apenas para quem pleiteia uma vaga em uma empresa, mas também para a pessoa que almeja receber convites para ministrar em grandes congressos... Por exemplo, se você tem habilidades para tirar cópias, como se descreverá? Boy do xerox? É claro que não! Estufe o peito e diga: “Eu sou um Especialista em Marketing Impresso”. E, se for um faxineiro? Apresente-se como Supervisor Geral de Bem-Estar, Higiene e Saúde.

Viu como é fácil impressionar as pessoas, valorizando-se diante delas? Veja mais exemplos:

Ajudante de pedreiro — Segundo Auxiliar de Serviços de Engenharia Civil.
Ascensorista — Distribuidor Interno de Recursos Humanos.
Babá — Assistente Educacional Infantil.
Barbeiro — Engenheiro Capilar.
Crente que canta no início do culto, ainda que de forma desafinada — Ministro de Louvor.
Crente que já pregou pelo menos no Paraguai — Conferencista Internacional.
Frentista — Especialista em Logística de Energia Combustível.
Gandula — Coordenador de Fluxo de Artigos Esportivos.
Garçom — Especialista em Logística de Alimentos.
Gari — Técnico Saneador de Vias Públicas.
Ladrão — Técnico em Captação e Redistribuição de Renda.
Motoboy — Especialista Avançado em Logística de Documentos.
Motorista de ônibus — Distribuidor de Recursos Humanos.
Motorista de táxi — Distribuidor de Recursos Humanos VIP.
Office-boy — Especialista em Logística de Documentos.
Peão de obra — Auxiliar de Serviços de Engenharia Civil.
Pessoa que limpa o banheiro — Diretor de Fluxos e Saneamento de Áreas.
Porteiro — Oficial Coordenador de Movimentação Interna.
Vidente — Consultor de Assuntos Gerais e Não Específicos.
Vigia — Oficial Coordenador de Movimentação Noturna.

Anteciosamente,

Ciro Sanches Zibordi
Diretor Executivo de Weblog Network

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Vc sabe pq a net tem influenciado tto a grafia qto a fala?


Qdo
eu comecei usar essa ótima ferramenta de compartilhamento de ideias, naum havia mtos escritores, pastores e cristãos em geral q possuíam um blog, e alguns até o preteriam, priorizando os sites. Mas tdo mudou. Há cada dia me espanto com o surgimento de novos blogs na gde rede. Axo isso mto bom. E vc?

Com a popularização da net — estima-se q o número de internautas brasileiros chegue a 40 milhões, segundo balanço realizado pelo Ibope/NetRatings em novembro/2008, praticamente o dobro de usuários de 2007 —, várias palavras e expressões têm surgido, influenciando a nossa língua portuguesa. Alguns exemplos dessa influência: googlar (fazer uma pesquisa no Google), orkutcídio (excluir o próprio perfil do Orkut),
postar, deletar, printar...

Muitos veem no internetês (expressão grafolinguística criada na net pelos adolescentes na última década) um grande mal, um perigo, capaz de corromper a forma padrão do idioma, tornando o patrimônio da língua uma gde sala de bate-papo. Mas precisamos encarar a influência da net com equilíbrio, pois ela tb propicia o surgimento de novas palavras. Só é preciso ter cuidado com os exageros, q realmente são prejudiciais, principalmente para as pessoas sem uma boa formação educacional, q naum conseguem separar a linguagem coloquial da formal.

Eu sou bastante “quadrado”, pois naum gosto de usar o internetês nem em conversas no MSN (se bem q uso pouco essa ferramenta). Naum consigo substituir falou por flw, beleza por blz, etc. É claro q os jovens e adolescentes, principalmente, usam esse tipo de linguagem pq se acostumaram a naum colocar acentos nas palavras, o q consideram trabalhoso na hora de tc (digitar), já q é preciso apertar uma tecla a mais! Isso é ou naum preguiça? Em parte, sim, mas o internetês, às vezes, é prático (naum em um blog, é claro), haja vista a economia de caracteres, sem causar prejuízo à mensagem.

A cada dia, me convenço de q o internetês é coisa de adolescente, q tb aprecia gírias e outras efemeridades. Mas, como eu considero q o aprendizado força a pessoa a ser diferente, estimulo-os a se comunicarem da forma mais simples possível, porém correta, sem uso abusivo do internetês, vlw?

Abs, amigo! Xau, t+, bjs...

CSZ

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Frases selecionadas da VEJA desta semana (1)

“Desde o advento do YouTube, dar um passo em falso é quase mortal” (Cultura). Isso vale para um famoso telepregador assembleiano que hoje apoia as heresias que condenou veementemente no passado e para uma certa “apóstola” gedozista, que diz não ter marcado a volta de Jesus para um sábado de 2007. Vídeos no YouTube têm comprometido a ambos.

“O excesso de excesso de exposição dos adolescentes em sites de relacionamentos é, sim, motivo de preocupação. A agenda trancada a chave do passado deu lugar a trocas de mensagens apaixonadas ou comentários sobre a vida própria e a alheia para todo mundo ler” (Anna Paula Buchalla, matéria de capa). Até os não-crentes reconhecem o lado perigoso da Internet. Mas, no meio evangélico, há pais frouxos e adolescentes rebeldes que ainda não observam o princípio bíblico de que todas as coisas são lícitas, mas nem todas convêm (1 Co 6.12).

“Quase tudo era vendido em festas rave, uma prova definitiva de que esses eventos são a principal razão da existência do tráfico de drogas sintéticas” (Ronaldo França). O que é triste é saber que há imitações dessas festas rave no meio evangélico... Mas a Palavra de Deus assevera: “Abstende-vos de toda a aparência do mal” (1 Ts 5.22). Deus condena, em sua Palavra, o pecado e o que parece pecado.

“O único elemento novo, e com poder para romper o impasse entre Israel e os palestinos, chama-se Barack Obama. Até agora, infelizmente, o presidente americano não deixou claro quais são os seus planos para o Oriente Médio — se é que os tem” (Gabriela Carelli). E já há escatólogos especuladores dizendo que Obama é o Anticristo. Bem, se o Arrebatamento da Igreja tivesse acontecido num sábado de 2007, o mundo já estaria no segundo ano da Grande Tribulação, tendo Obama como imperador mundial... Será que a
“apóstola” errou os cálculos?

“A paz no Oriente Médio está mais perto do que antes porque Israel bombardeou Gaza e desbaratou o Hamas” (Diogo Mainardi). Este colunista é bastante polêmico, mas a sua afirmação é paradoxalmente verdadeira.

“Escatológico, esclareço aos mais esclarecidos, é uma palavra contrônima, pois tem dois significados totalmente opostos. Num se refere a coisas nobres, imponentes, metafísicas — ressurreição, fim do mundo, volta do Cristo, terceiro mandato do Lula. Noutro se refere a fezes, podridões físicas e morais. Resumindo, escatológico é uma palavra esquizofrênica” (Millôr). Ainda bem que a maioria dos evangélicos só conhece o primeiro sentido da aludida palavra.

“Uma pesquisa realizada algum tempo atrás revelou que o bicho que os brasileiros achavam mais parecido com os políticos era o rato — um duro golpe para os ratos, animais que já têm sérios problemas de imagem junto à opinião pública e realmente não precisavam de mais essa” (J.R. Guzzo). Essa frase também pode ser aplicada à política eclesiástica, infelizmente.

“A conclusão é que poucos fatores prejudicam tanto o aprendizado no Brasil quanto o desvio e o mau uso dos recursos reservados às escolas” (Camila Pereira). Como diz a Palavra de Deus, em 1 Timóteo 6.10, o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males.

“Crente não bebe, não fuma, mas come que é uma misericórdia! Muita gente fica gorda depois que se converte” (Sarah Sheeva). Esta moça é bastante excêntrica, por conta de sua formação, acredito. E afirmou muitas coisas contraditórias na entrevista que concedeu à VEJA desta semana. Mas o que ela afirmou na frase mencionada é incontestável, admitamos. Examinemos tudo e retenhamos somente o que é bom (1 Ts 5.21).

“Por influência da religião, fui ‘acordar’ e conhecer Darwin apenas no colegial. Hoje, analiso e vejo que é muito triste privar uma criança do conhecimento de um mundo tão fascinante como o de Darwin, muito mais fascinante que as histórias da Bíblia — que não fornecem respostas lógicas para o desenvolvimento da vida no planeta” (leitor Eduardo Diaz). Como diz a própria Bíblia, “... o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente” (1 Co 2.14).

Ciro Sanches Zibordi

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Pastor Ciro Entrevista (3)

Nesta edição do Pastor Ciro Entrevista tenho a honra de receber em meu blog alguém muito especial: o meu leitor. Como seria impossível fazer perguntas específicas a cada internauta que visita este espaço, deixo os meus leitores à vontade, instigando-os a escreverem o que estão pensando.

Blog do Ciro:

Caro leitor,
eu duvido de que você tenha coragem de escrever aqui, agora, o que você está pensando!

(Aproveito para lembrar-lhe das seguintes palavras, pronunciadas pelo Senhor Jesus: “O homem bom tira boas coisas do seu bom tesouro, e o homem mau do mau tesouro tira coisas más. Mas eu vos digo que toda a palavra ociosa que os homens disserem hão de dar conta no dia do juízo”, Mt 12.35,36. E ainda: “... da abundância do seu coração fala a boca”, Lc 6.45).


Leitor:

...

sábado, 14 de fevereiro de 2009

É bom viver de “sonhos”, mas...


Na minha casa todos gostam de “sonho”. Minha filhinha, que completou 5 aninhos no dia 9, lambuzou-se nesta manhã com um “sonho” enooorme... Ela aprecia o que tem recheio de doce de leite, mas o seu preferido é o tradicional, recheado com aquele creme amarelo. Hum... Uma delícia! Papai e mamãe não resistiram à tentação e fizeram companhia à pequena Júlia...

Saindo um pouco da área gastronômica, mas falando ainda da minha família, gostaria de dizer que a minha esposa vive de “sonhos”... Ela “sonha” com apartamento novo, carro novo, móveis novos, cortina nova... Graças a Deus que ela não “sonha” com marido novo!

Ah, como é bom “sonhar”... Eu também vivo “sonhando”. Mas aprendi que nem sempre os nossos “sonhos” estão de acordo com a vontade de Deus — observe que estou empregando a palavra entre aspas porque me refiro a projetos, aspirações, desejos, planos, ambições, e não a sonhos de verdade, os oníricos, que ocorrem quando dormimos.

O que está escrito em Provérbios 16.1 e 19.21? “Do homem são as preparações do coração, mas do Senhor a resposta da boca”. “Muitos propósitos há no coração do homem, mas o conselho do Senhor permanecerá”. Em outras palavras, do ser humano são os “sonhos”, mas é o Senhor quem deve dirigir a nossa vida.

Temos visto, em nossos dias — por conta da influência de palestrantes e livros de auto-ajuda —, líderes, pregadores, cantores e crentes em geral confundindo os seus “sonhos” com a vontade de Deus, como se os projetos e aspirações fossem implantados dentro de cada um de nós. Pregadores e compositores têm dito ao povo: “Ouse sonhar, pois você não morrerá antes que os sonhos de Deus se cumpram” ou “Os sonhos de Deus jamais vão morrer”. No entanto, essas afirmações não resistem às verdades da Palavra de Deus.

José — tido como o grande modelo de “sonhador” — nunca “sonhou” que seria o governador do Egito! A bem da verdade, Deus lhe mostrou, mediante sonhos (sonhos, mesmo!), que o colocaria em um lugar de destaque, e isso se cumpriu (Gn 37-50). Davi “sonhou” que levantaria o templo, mas seu projeto não estava de acordo com a “resposta da boca” nem com o “conselho do Senhor” (2 Sm 7). Paulo “sonhou” que evangelizaria a Ásia e a Bitínia, porém, a despeito de seus planos serem bons, “... o Espírito de Jesus não lho permitiu” (At 16.6,7).

Viver de “sonhos” é bom e não é pecado ter aspirações. Mas o melhor mesmo é buscar a Deus e pedir a Ele que dirija a nossa vida em tudo. E, se confiarmos no Senhor (Sl 37.4-7), não precisaremos ser “sonhadores”, nem ter “sonhos ousados”, tampouco nos preocuparmos com a “morte dos nossos sonhos”. Afinal, “... sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados por seu decreto” (Rm 8.28).

Ciro Sanches Zibordi

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Saudação aos meus amados leitores (1)


Amados irmãos, tenho recebido inúmeros e-mails diariamente contendo elogios, palavras de incentivo, críticas, convites para ministrar a Palavra de Deus em eventos e principalmente perguntas. Boa parte destes e-mails é de leitores de meus livros, aos quais não tenho podido atender de maneira individual ou particular em sua totalidade. Algumas perguntas de interesse geral eu respondi mediante artigos publicados, quer neste blog, quer em Pastor Ciro Responde, mas muitas têm ficado sem resposta...

Para que não fique a impressão de que estou ignorando os e-mails dos meus amados ledores, publicarei, a partir deste mês, os nomes de cada leitor que ainda não recebeu uma resposta específica da minha parte. Começarei com o mês em curso, apresentando uma lista parcial. É claro que é trabalhoso montar uma relação com os nomes de quem me escreveu, mas responder a cada e-mail, por enquanto, é uma missão impossível!

Portanto, com a intenção de demonstrar que tenho apreço pelo meu público ledor, desejo que o Senhor Jesus derrame as suas preciosas bênçãos sobre a vida de todos os leitores dos meus livros e blogs que me enviaram e-mails em fevereiro/2009 (primeira quinzena):

Alex Sandro, Aline Thomas, Amós Oliveira, Ana Cecília da Paixão, Ana Paula da Cunha, Ayslene Silva, Caio Flávio Pereira, Carlos Eduardo, Cassio Nascimento, Cleuci Rosa, Clivandy Cavalcanti, Deyse, Dione Castro da Silva, Douglas França, Edeildo Prudêncio de Oliveira, Edmar Rosa Gomes Filho, Elisa Lopes Fernandes, Erick Julião, Fábio da Silva, Fábio M. Morales, Fábio Pinheiro, Felipe C. Lima, Heitor M.S., Helen Cristina Tobias, Hélio Marques, Jeremias Areas, Joel Belon, Júnior Leandro, L.F. Bruschi, Leandro Dias, Leonardo Batista de Araújo, Levi Rebouças de Souza, Lucivaldo de Paula, Luís Paulo Silva, Marcos Alexandre, Marivan, Moacir Rodrigues de Sousa, Násser Alves Bragança, Osiel Cavalcante, Osvaldo Santana, Paulo Poltronieri, Rafael Gomes, Rafael Vieira Silveira, Ranieri Akamine, Robson Calado de Farias, Rodrigo Furtado Rodrigues, Rodrigo Moreira Lima, Rosaumir Sobreira, Roselle Valente, Sergiano Reis da Conceição, Simone (psicóloga), Tamar Soares de Souza, Tiago Ferreira, Tigana Roccelly, Vandernilson Correa, Vitor Rodrigues Nunes, Wallace T. da Silva, Walmison Godói, Wéverton Campos e Zeriky de Souza.

Em Cristo,

Ciro Sanches Zibordi

Você é adepto do ismismo?


Há uma tendência de identificar tudo com o sufixo “ismo”. Tenho visto, na grande rede, muitos acadêmicos (e academicistas) inventando “ismos” para descrever certos comportamentos, sem observar que já existem vocábulos relacionados aos tais comportamentos. Fiquei pensando se essa tendência de se criar novos “ismos” não poderia fazer surgir um outro “ismo”: o ismismo (termo que ainda não consta dos dicionários).

O sufixo “ismo” (gr. -ismós,oû) designa: doutrina, sistema, teoria, tendência, corrente, etc. Ele identifica movimentos sociais, ideológicos, políticos, opinativos, religiosos e personativos, através dos nomes próprios representativos, ou de nomes locativos de origem, etc. Citarei abaixo alguns “ismos” e grifarei aqueles que todo estudioso da Bíblia e da teologia deveria conhecer (se bem que é importante conhecer a todos, ainda que de modo nocional).

Você sabe o que é ablativismo? E absintismo, absolutismo, abstracionismo, academicismo, actinomorfismo, adventismo, aeromodelismo, aforismo, africanismo, alarmismo, alcoolismo, alpinismo, altruísmo, amadorismo, anabatismo, analfabetismo, anarquismo, anglicismo, antagonismo, antipapismo, antropocentrismo, apriorismo, arabismo, aristofanismo, aristotelismo, arminianismo, artificialismo, aspermatismo, astigmatismo, ativismo, atletismo, atomismo, autodidatismo, autometamorfismo, automobilismo, automorfismo, autoritarismo, etc.? Ufa!

Sabe o que representam os “ismos” da letra b, como banditismo, behaviorismo, biotropismo, bipartidarismo, bolchevismo, botulismo, brasileirismo, budismo, etc.? E os da letra c, como cacografismo, calvinismo, canibalismo, capitalismo, casuísmo, catolicismo, caudilhismo, cavalheirismo, charadismo, charlatanismo, chauvinismo, ciclismo, cinismo, classicismo, coletivismo, colonialismo, comensalismo, companheirismo, comunismo, conceitualismo, concretismo, conformismo, congruísmo, construtivismo, corporativismo, criacionismo, cristianismo, cromatismo, cubismo, curandeirismo e outros?

Haja “ismo”! Sabe o que representam estes “ismos”, iniciados com as letras d e e: dadaísmo, deísmo, derrotismo, despotismo, diletantismo, dimorfismo, egocentrismo, egoísmo, egotismo, electrogalvanismo, eletromagnetismo, empirismo, empreguismo, enciclopedismo, epicurismo, equilibrismo, erotismo, escapismo, escravismo, esnobismo, esoterismo, espiritismo, estrabismo, estrangeirismo, estrelismo, eufemismo, evangelicalismo, evangelismo, evolucionismo, existencialismo, expansionismo, expressionismo, extremismo, etc.?

Que tal verificar a definição de cada um dos “ismos” das letras f, g, h, i, j, l e m, como fanatismo, fascismo, fatalismo, favoritismo, feminismo, fetichismo, feudalismo, formalismo, franquismo, funcionalismo, futurismo, galicismo, germanismo, getulismo, gongorismo, grecismo, gregarismo, halterofilismo, hebetismo, hedonismo, helenismo, heroísmo, hibridismo, homossexualismo, humanismo, iatismo, igualitarismo, iluminismo, ilusionismo, imediatismo, imperialismo, inatismo, indianismo, individualismo, islamismo, isomorfismo, italianismo, jornalismo, judaísmo, latinismo, liberalismo, lusismo, lusitanismo, machismo, magnetismo, malabarismo, maneirismo, marxismo, masoquismo, materialismo, mecanicismo, mecanismo, mercantilismo, metamagnetismo, microssismo, militarismo, misticismo, modismo, monoteísmo, montanhismo, montanismo, mundanismo, mutismo, etc.?

E os “ismos” das letras n, p e q, como nacionalismo, nanismo, narcisismo, nazismo, neocolonialismo, neologismo, neopentecostalismo, nepotismo, nervosismo, nomadismo, nudismo, ocultismo, onanismo, oportunismo, otimismo, paganismo, paisagismo, paludismo, panteísmo, papismo, paralelismo, pára-quedismo, parasitismo, parlamentarismo, patriotismo, pedagogismo, pentecostalismo, peristaltismo, peronismo, pessimismo, platonismo, pluralismo, populismo, positivismo, pós-modernismo, preciosismo, presidencialismo, profissionalismo, protecionismo, protestantismo, psicologismo, psiquismo, puritanismo, puxa-saquismo, quixotismo e outros?

Bem, a lista de “ismos” é muita longa... Mas ainda gostaria de citar alguns “ismos” das letras r, s, t, u, v, x, e z: racionalismo, raquitismo, realismo, reformismo, regionalismo, relativismo, reumatismo, rotacismo, sadismo, satanismo, saudosismo, sectarismo, secularismo, sentimentalismo, silabismo, silogismo, simbolismo, sincretismo, sionismo, socialismo, sonambulismo, tabagismo, tecnicismo, teísmo, totalitarismo, traumatismo, triunfalismo, tropicalismo, truísmo, ufanismo, umbandismo, unicismo, vandalismo, virtuosismo, vocalismo, xenofobismo, zen-budismo...

Bem, é claro que há outros
“ismos”, não mencionados neste artigo. Mas, se o leitor não quiser ser mais um ismista — pessoa que tem a tendência de inventar “ismos” —, confira antes os dicionários e enciclopédias. Afinal, são tantos e tantos “ismos”...

Ciro Sanches Zibordi

Em meio à tragédia do voo 3407, uma linda história de amor


Às vésperas do Valentines Day (Dia dos Namorados norte-americano), uma tragédia abalou os Estados Unidos, na noite de 12 de fevereiro (ontem). Um avião da Continental Airlines (voo 3407) que saiu de Newark (Nova Jersey) para Buffalo, em Nova York, caiu em uma área residencial de Clarence Center, no subúrbio da cidade. Todos os 48 ocupantes da aeronave e uma pessoa em solo morreram.

Mas uma notícia me chamou a atenção. Beverly Eckert (foto), que havia perdido o marido no ataque terrorista contra o World Trade Center, no dia 11 de setembro de 2001, estava no voo. A viúva viajava para Buffalo, cidade natal do marido falecido, Sean Rooney, a fim de lembrar o aniversário dele (
58 anos). Durante o fim de semana, Beverly também participaria de uma premiação na escola Canisius High School, criada por ela em homenagem a Rooney.

Depois da morte do marido, Beverly continuou morando na mesma casa, em Stamford, Connecticut. Os dois começaram a namorar na adolescência, segundo o jornal Bufallo News. Ela era uma das representantes da organização Voices of Sept. 11, criada para defender as famílias dos mortos nos atentados terroristas de 2001. Sua irmã, Sue Bourque, declarou: “Sabemos que ela estava naquele avião e que agora está com o marido”.

Muitos poderão dizer: “Pobre mulher. Morreu presa ao seu passado”. De fato, a despeito da dor que sofremos ao perder um ente querido, devemos avançar, posto que a vida continua. Mas eu consigo ver algo inspirativo nesse triste caso de Beverly. Ela amava tanto o seu marido, desde a adolescência, que a lembrança dele serviu-lhe de incentivo, de
mola propulsorapara nobres ideais e projetos.

Beverly Eckert verdadeiramente amou Sean Rooney até a morte. Uma linda história de amor.

Ciro Sanches Zibordi

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Seu blog está fazendo sucesso? Cuidado!

Acabei de ler uma ótima reportagem da jornalista Juliana Carpanez, do Globo.com, sobre comentários ofensivos e ameaçadores inseridos em blogs. Ela menciona o episódio envolvendo o dono do terceiro blog mais lido do mundo — Michael Arrington, co-fundador do TechCrunch —, que, depois de três anos escrevendo sobre novas empresas e serviços de tecnologia, desistiu de fazer isso em razão de ter sofrido agressões verbais e físicas. Ele justificou-se: “Escrevemos sobre tecnologia e empreendedorismo. São coisas importantes, mas não tão importantes para nos fazerem temer pela nossa segurança e a de nossas famílias”.

Segundo a reportagem, o fato de alguém desistir da blogosfera depois de tornar-se muito conhecido indica que a pressão para quem está lá em cima não é pouca. E, como mostra o desabafo de Arrington, há muitos que não economizam na agressividade e apelam até para ameaças quando discordam do blogueiro. Bem, eu já recebi inúmeros comentários maldosos, inclusive de blogueiros que se consideram cristãos. Basta ler a postagem Descuido fatal, na seção O internauta opina, e os comentários de alguns “santos”, no artigo Benny Hinn é um profeta de Deus?

Juliana Carpanez apurou que o blogueiro Arrington se tornou alvo de empresas iniciantes que não recebem a atenção desejada, além de jornalistas e blogueiros concorrentes que acusam o TechCrunch “das coisas mais ridículas”. “Responder a essas acusações não vale nosso tempo: sempre achei que nosso trabalho e integridade iriam dar a resposta para tudo isso. Mas conforme crescemos e conquistamos mais sucesso, os ataques também cresceram”, revelou Arrington.

A matéria também menciona blogueiros brasileiros, como o autor de novelas Aguinaldo Silva, que desabafa: “Dou aqui o meu melhor. Procuro não apenas agradar a quem me lê, mas dar informações, provocar debates, fazer pensar (...). E o meu modo de pensar, limpo e cristalino, está exposto aqui. Em troca dessa exposição, dessa sinceridade toda, o que recebo? (...) Agressões as mais deslavadas, e o que é pior: de pessoas que nem sequer existem! Pois em geral, todos os que entram aqui com propósitos deletérios tratam antes de resguardar com o maior cuidado suas identidades: são todas falsas.”

Mas, e quando isso acontece na chamada blogosfera cristã? Eu digo “chamada” porque uma parte dela é pseudocristã, formada por
“cristãos” que precisam de Cristo, que não amam a Palavra de Deus, desrespeitam lideranças constituídas por Deus e se valem do anonimato e de identidades falsas para xingar, ameaçar e ridicularizar. Infelizmente há também blogs falsos na grande rede. Há pouco tempo, um conhecido blogueiro “cristão” criou um blog, denominado “O X da questão”, pelo qual verberava contra este escritor sem identificar-se. Qual foi o seu descuido fatal? Valeu-se do mesmo estilo empregado em seu blog não-anônimo...

A jornalista ouviu a opinião de Erick Itakura, pesquisador do Núcleo de Pesquisa da Psicologia em Informática da Pontifícia Universidade Católica (PUC), que classifica a agressão na blogosfera como um tipo de ciberbullying — termo que alude a um comportamento agressivo e repetitivo adotado contra alguém no universo virtual, mesmo sem motivação aparente. “O blogueiro exerce o direito dele de liberdade de expressão. Mas muitos leitores se incomodam e acabam querendo impor outras verdades (...) A agressão mostra que, de alguma forma, as informações tocaram a pessoa e ela não soube lidar com isso. Às vezes é mais fácil o leitor enxergar um defeito no blogueiro, que se expõe, do que nele mesmo”, afirmou o especialista.

Rosana Hermann, também citada na matéria, passou por uma situação parecida com a relatada pelo co-fundador do TechCrunch. Ela chegou a fechar um blog e sair do país com a família, depois de receber uma ameaça no estilo “sei onde seus filhos estudam”. Em outra ocasião, pagou um advogado e conseguiu quebrar na Justiça o sigilo de um leitor definido por ela como “o clássico covarde na vida real, que se torna o bam-bam-bam atrevido sob o manto do anonimato”. Mas acabou desistindo do processo, ao descobrir que o maldizente de plantão era um administrador de empresas desempregado, separado, de 42 anos, que morava com os pais. Ele justificou os meses de perseguição à blogueira dizendo que queria ser como ela...

Outro especialista ouvido pela jornalista Carpanez foi o advogado Marcel Leonardi, especializado em direito digital. Ele não vê problemas quando as críticas feitas em um blog são dirigidas ao conteúdo postado, e não à pessoa. No entanto, quando o leitor passa a ofender o blogueiro pessoalmente e vice-versa, podem-se cogitar os crimes de calúnia, injúria ou difamação. Leonardi aconselha a não apagar o comentário injurioso, pois a informação preservada permite descobrir, com auxílio da Justiça, o endereço IP de quem publicou o texto. Assim, é possível identificar o responsável pela ofensa e tomar as medidas cabíveis.

Também ouvido pela reportagem, o jornalista Vitor Birner diz ser diariamente agredido nos comentários postados em seu blog, uma página para fãs de futebol: “Há várias formas de agressão. O leitor mente a meu respeito, diz que falei o que não falei, fiz o que não fiz, penso o que não penso. E eu aprovo os comentários na gigantesca maioria das vezes, por achar que as pessoas devem mostrar quem são”. À luz da Bíblia, as palavras de fato exteriorizam o que alguém é (Mt 12.34,35; 15.11).

A matéria menciona, finalmente, a blogueira Ana Paula Barbi, a Polly, que, em seu blog, não permite nenhum tipo de comentário. Ela afirma, no entanto, que a falta de espaço para comentários não impede que pessoas dispostas a agredir mandem e-mails com endereços falsos. Barbi afirmou: “Grande parte desse recalque vem de uma vontade enorme de ser igual a nós. A pessoa queria muito ter um blog legal, mas não consegue e então apela para a agressão”.

Parabenizo a jornalista Juliana Carpanez pela esclarecedora reportagem. E que nós, blogueiros cristãos, sejamos de fato seguidores de Cristo. Afinal, “Aquele que diz que está nele também deve andar como ele andou... Aquele que diz que está na luz e aborrece a seu irmão até agora está em trevas” (1 Jo 2.6-9).

Ciro Sanches Zibordi

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Devolvam o nosso bom e velho trema

Dizem que o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, em vigor desde 1 de janeiro de 2009, restringe-se à língua escrita. Mas isso não é 100% verdade. Inevitavelmente, a nova grafia afetará a língua falada, e algumas mudanças ortográficas alterarão a pronúncia das palavras, a médio prazo, principalmente por conta da abolição — que considero injustificável — do bom e velho trema.

Para que servia o trema? Substantivo masculino, o trema era, até o ano passado, um sinal muito útil, posto sobre a letra u para indicar que ela devia ser pronunciada nos grupos gue, gui, que, qui. Ah, não aguento de saudades do trema! Perco a tranquilidade só de pensar que as palavras em negrito neste artigo com o tempo poderão ser lidas sem a pronúncia do u. Não seria melhor escrever logo “trankilo”, já que a letra k agora faz parte do nosso alfabeto?

A bem da verdade, antes de o aludido Acordo Ortográfico entrar em vigor, palavras sem trema, como “distinguir”, já eram pronunciadas como se tivessem o tal sinal. Mas com outras palavras, grafadas com trema, acontecia o inverso. São os casos de vocábulos pouco usuais, como iniquidade, quinquagésimo, etc. A tendência é que agora, sem o trema, aumente o número de pessoas que pronunciam palavras de forma errada.

Estou me adaptando à nova grafia. Não estou fazendo oposição ao Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. Mas gostaria muito de arguir os legisladores que aprovaram o Decreto Legislativo número 54, de 18 de abril de 1995 (certamente há linguistas entre eles
), quanto à abolição do trema, pois tenho certeza de que, antes de eu completar cinquenta anos, várias palavras já estarão sendo pronunciadas, por algumas (ou muitas?) pessoas, sem o u, inclusive as usadas com relativa frequencia, como linguiça e bilíngue...

Sinceramente, não me conformo com o sequestro do trema! Devolvam-nos, por favor! Ele pode não fazer falta aos outros países lusófonos: Portugal, Angola, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e Timor Leste. Mas nós, brasileiros, temos um forte vínculo sentimental com o bom e velho trema!

Sim, o trema faz muita falta, prezados reformadores da Língua Portuguesa. E os senhores, se tivessem pensado nas consequências, evitariam esse quiproquó. Espero que esse meu apelo seja eloquente e os faça reconhecer que delinquiram, ferindo nosso vernáculo e deixando-o ensanguentado.

Creio que daqui a, no máximo, dois quinquênios, muitos já terão abandonado a pronúncia da letra u. Mas eu, como brasileiro, não desisto nunca e continuarei protestando. Quem sabe na próxima reforma ortográfica — que deverá ocorrer entre o quinquagésimo e o quingentésimo ano deste milênio — os senhores nos devolvam o bom e velho trema...

Ciro Sanches Zibordi

domingo, 8 de fevereiro de 2009

O que são as “obras maiores” de João 14.12

Em João 14.12 está escrito: “Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço e as fará maiores do que estas, porque eu vou para meu Pai”. Este versículo é o preferido dos super-pregadores milagreiros e ilusionistas, que se valem da ênfase “obras maiores” para avalizar os seus truques, trapaças, experiências exóticas e antibíblicas, além de fenômenos “extraordinários” que não resistem ao teste da Palavra de Deus (cf. Dt 13.1-4; 2 Ts 2.9; Mt 7.21-23).

Neste artigo faço uma análise exegética de João 14.12, pela qual — fazendo jus ao objetivo da exegese — procuro extrair da aludida passagem o verdadeiro sentido da frase “também fará as obras que eu faço, e as fará maiores do que estas”. Também aproveito o ensejo para responder aos diversos leitores que me enviaram e-mails pedindo explicações sobre o mencionado versículo. Espero que não se decepcionem com esta análise contundente, mas imparcial e, sobretudo, bíblica.

1) O termo grego meizõn, traduzido por “maiores”, no texto em apreço, literalmente é “coisas maiores”. Já o vocábulo “obras” (gr. ergon) significa: “trabalho”, “ação”, “ato” (VINE. W.E., Dicionário Vine, CPAD, pp.764,827), e não “milagres”, estritamente.

2) É claro que a obra da Igreja de Cristo envolve curas e milagres, como consequência da pregação do evangelho (Mc 16.15-20), mas o termo ergon alude a trabalho ou empreendimento, em sentido amplo (Jo 5.21; Rm 15.18; At 5.38). Daí a versão bíblica inglesa King James (KJV) empregar o vocábulo works, denotando que o termo original diz respeito a trabalho, obras, empreendimento, e não a milagres.

3) Qual foi a obra, o trabalho, de Jesus, ao andar na terra? O texto de Mateus 4.23 responde a essa pergunta:
“E percorria Jesus toda a Galiléia, ensinando nas suas sinagogas, e pregando o evangelho do Reino, e curando todas as enfermidades e moléstias entre o povo”. Outra passagem que enfatiza a obra do Senhor é Atos 10.38: “como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com virtude; o qual andou fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com ele”.

4) O Senhor Jesus asseverou que o trabalho ou o empreendimento da sua Igreja, representada em João 14 por seus primeiros discípulos, seria maior do que o seu. Mas, em que sentido? “As obras que os discípulos farão depois da partida de Jesus serão maiores do que as de Jesus, não em seu valor intrínseco, ou em sua glória, mas no objetivo. Os discípulos farão obras de Deus numa escala mais ampla, enquanto levam a mensagem da vida eterna ao mundo todo, tanto a gentios como a judeus” (MICHAELS, J. Ramsey, Novo Comentário Bíblico Contemporâneo de João, Editora Vida, p.277).

5) Segue-se que: “As obras ‘maiores’ incluem tanto a conversão de pessoas a Cristo, como a operação de milagres. Este fato é demonstrado nas narrativas de Atos (At 2.41,43; 4.33; 5.12), e na declaração de Jesus em Mc 16.17,18... As obras dos discípulos serão ‘maiores’ em número e em alcance” (Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD, p.1601).

6) Benny C. Aker — professor do Assemblie of God Theological Seminary, em Springfield, Missouri, Estados Unidos —, referindo-se às tais “obras maiores”, afirmou que elas: “Dizem respeito à quantidade em lugar de qualidade. Jesus fez estas ‘obras’, mas seus seguidores ao longo dos séculos trarão milhões de mais obras para o Pai. É o que eles fazem enquanto aguardam a vinda de Jesus” (Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento, CPAD, p.581).

7) Diante do exposto,
a passagem em análise não abona fenômenos estranhos, experiências exóticas, invencionices, modismos, sandices, truques, práticas hipnóticas e recursos outros empregados por super-pregadores milagreiros e ilusionistas do nosso tempo. Fiquemos com a Palavra de Deus, haja o que houver (1 Co 4.6; Gl 1.8; 2 Co 11.3,4).

Ciro Sanches Zibordi

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Extra, extra! Pastor Ciro Sanches Zibordi é contra “milagres”!


Minha vida é um milagre. Nasci em 16 de março de 1970, depois de minha mãe ter tido um sério problema de fibroma, e os médicos garantirem a ela que nunca mais poderia ter filhos. Na minha adolescência escapei da morte várias vezes. Estive sob a mira de revólveres. Convivi com homicidas. Não cheguei a me drogar, mas andava com drogados e até com traficantes. Certa vez, quando eu já estava na igreja, o carro que eu dirigia pegou fogo, e eu fui socorrido por dois misteriosos homens, que apagaram o incêndio e desapareceram, sem que eu pudesse lhes agradecer.

Minha conversão foi um milagre. Nasci num lar cristão, mas o evangelho nasceu em mim quando eu tinha 15 anos, na Assembleia de Deus da Vila Míriam, em São Paulo. Comecei a frequentar essa igreja por milagre, pois à época eu era um jovem rebelde, desviado, e acabei indo ao templo por causa do casamento do meu irmão, o pastor Renato Zibordi. A partir de então, eu — que nunca tinha ido a um culto da Assembleia de Deus — senti-me atraído por belas jovens que havia ali. Porém, tudo mudou a partir do momento em que o Espírito Santo fez morada em minha vida.

Meu casamento, em 1991, foi um milagre. E, por isso, a mocidade da minha igreja cantou, durante a cerimônia, um hino que fez muitos desconhecedores de minha vida torcerem o nariz ou até zombarem. O hino dizia: “Um milagre, Senhor, um milagre eu sou...” Sim, pois, no dia em que casei com Luciana Gomes da Silva, eu não tinha uma casa para morar. (Quer dizer, tinha.) Confiei inteiramente numa promessa que recebera do Senhor, poucos dias antes da cerimônia: “Não adianta procurar casa, pois você não a encontrará, mas eu já preparei uma morada para você”. Cri nesta promessa divina e, no último minuto da festa, à meia-noite, descobrimos onde iríamos morar. Quem sabe um dia eu apresente, neste espaço, maiores detalhes de como isso ocorreu... Talvez eu grave um CD! Risos...

Minha vida pós-casamento tem sido um milagre, a começar pela lua-de-mel, quando eu e Luciana sobrevivemos a uma tempestade em alto mar. Também fiquei desempregado durante cinco meses, logo após o casamento, mas nada faltou. Vimos com os nossos olhos alimentos serem milagrosamente multiplicados. Orações foram respondidas antes que terminássemos de orar...

Minha chamada ministerial foi um milagre, pois, depois de ter ouvido o saudoso pregador Valdir Bícego, em um congresso, a mensagem pregada entrou sobrenaturalmente em meu coração palavra por palavra, letra por letra, a ponto de eu poder reproduzi-la. Deus me levou a imitar esse homem de Deus, a fim de que eu assimilasse o máximo possível do que ele recebera do Senhor.

Minha chamada para escrever foi um milagre. Comecei a escrever em 1993. Como presbítero, dirigia um ponto de pregação e era professor de seminário, em São Paulo. Numa noite, perdi o sono e senti-me impulsionado a escrever um texto sobre a evangelização. Dias depois, ao participar de um culto na Assembleia de Deus da Lapa, em São Paulo, o pastor Valdir Bícego profetizou, apontando em minha direção: “Você, irmão, que recebeu de Deus essa chamada, esse dom de Deus para escrever, mande o artigo para o Mensageiro da Paz”. No dia seguinte, enviei o texto para a CPAD e assim iniciei a minha carreira como escritor e articulista.

Meus livros são milagres, especialmente Erros que os Pregadores Devem Evitar, a obra mais vendida da CPAD em 2005. Ela foi escrita em 2004, em uma única semana, quando minha filhinha estava na UTI. Em meio àquela tribulação, senti a paz de Deus que excede todo o entendimento e comecei a escrever.

Minha filha é um milagre. Quando minha esposa fez a primeira ultrassonografia, o médico marcou o nascimento da criança para o dia 16 de março de 2004 — dia do meu aniversário. Depois de algum tempo, Júlia parou de crescer e teve de conhecer o mundo em 9 de fevereiro de 2004 (segunda-feira ela faz 5 anos!). Foram 36 dias de luta na UTI, mas exatamente no dia 16 de março de 2004 a minha princesa recebeu alta. Descobri que Deus também nos dá presente de aniversário!

Prego o evangelho pelo Brasil e em outros países e já vi Deus fazer milagres, como curas instantâneas e aberturas de portas nas mais diversas áreas. Quando eu era pastor de uma pequena congregação, em São Paulo, orei, juntamente com a igreja, por um jovem que fora atingido com vários tiros, inclusive na cabeça. E, mesmo diante da certeza dos médicos de que o jovem morreria ou vegetaria, ele se tornou um pregador do evangelho!

Neste blog há uma seção sobre milagres, que menciona casos como o de um garoto de Foz do Iguaçu, Paraná, que, recentemente, sobreviveu sem sequelas depois de ter levado um tido de grosso calibre na cabeça.

Bem, apesar de tudo o que escrevi, eu sou contra “milagres”. E também sou contra os milagreiros da atualidade, posto que são avarentos, antiéticos, interesseiros, propagadores de heresias, além de verberarem desrespeitosamente contra pastores, em suas espalhafatosas performances. Sou contra os “milagres” feitos por esses enganadores, posto que a Palavra de Deus nos alerta quanto a eles (Dt 13.1-4; 2 Co 11).

Sou contra “milagres” pelos quais os milagreiros simulam retirar objetos das pessoas, valendo-se de truques de quinta categoria. Eles esfregam óleo sobre o corpo dos enfermos e expõem objetos supostamente retirados dos “agraciados”. Sou contra certos fenômenos, tidos como grandes sinais da parte de Deus, mas que são, na verdade, uma amostra do que o Falso Profeta fará na terra, após o Arrebatamento da Igreja (2 Ts 2.9-11; 1 Jo 2.18; Mt 24.24; Ap 13.11-18).

Sou contra o “milagre” do “depósito em conta bancária”. Afinal, como o “agraciado” se justificará perante à Receita Federal? Todos nós sabemos que dinheiro em conta corrente sem origem devidamente comprovada é ilícito. Teria Deus prazer em nos tornar infratores da lei? Claro que não, pois Ele nos abençoa sem acrescentar dores (Pv 10.22).

Também sou contra outros “milagres extraordinários” propagados por super-pregadores, posto que fenômenos idênticos estão ocorrendo entre muçulmanos, hindus, espíritas de várias ramificações e católicos romanos. Tais “milagres”, tidos como divinos, não são a evidência de que o Senhor está aprovando a obra de alguém (Mt 7.21-23). Sim, sou contra quem se vale da pregação de milagres para buscar fama e glória. João Batista foi honrado por Jesus, não por fazer milagres, mas por dizer toda a verdade (Mt 11.11; Jo 10.41).

Sou contra os “milagres” tidos como obras maiores do que as realizadas por Jesus, pois em João 14.12 as obras maiores se referem à quantidade das obras, e não à qualidade delas. Jesus fez grandes obras, e seus seguidores, posto que já estão há muito tempo na terra, trarão milhões de obras para o Pai. As obras são maiores, não em seu valor intrínseco, ou em sua glória, mas no objetivo: sobretudo, milhões de almas salvas (Jo 10.16; 11.52; 12.32). É isso que é fazer “obras maiores do que as de Jesus”, e não os “milagres” (coisas exóticas) que têm confundido o povo de Deus.

Diante do exposto, que todos saibam, de uma vez por todas, que o pastor Ciro Sanches Zibordi — cuja vida é um milagre — é, sim, contra “milagres”.

Ciro Sanches Zibordi