terça-feira, 29 de julho de 2008

Questões loucas


Um dos capítulos mais enriquecedores das epístolas pastorais é 2 Timóteo 2, haja vista apresentar os trabalhadores do Senhor em sete poses: filho (v.1), soldado (v.3), atleta (vv.4,5), lavrador (v.6), obreiro (v.15), vaso (vv.20,21) e servo. Quanto a este retrato, a Palavra de Deus diz: “E rejeita as questões loucas e sem instrução, sabendo que produzem contendas. E ao servo do Senhor não convém contender, mas, sim, ser manso para com todos, apto para ensinar, sofredor; instruindo com mansidão aos que resistem...” (vv.23-25).

Gosto de apresentar neste espaço verdades contundentes, que às vezes irritam certos irmãos. Mas evito debater com eles. Por quê? Porque a minha intenção, com os meus modestos artigos, é ajudar as pessoas que desejam crescer na graça e conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo (2 Pe 3.18). Humildemente, reconheço que tenho segurança no que tenho ensinado. E, quando exponho a Palavra de Deus — visto que não estou defendendo a “minha verdade” —, faço isso de maneira convicta e direta.

Isso não quer dizer que eu seja o dono da verdade. Não. A verdade está na Bíblia (Jo 17.17). E, se eu apenas reproduzo a verdade de maneira mais acessível, não posso ter dúvidas. Mas esse meu modo de escrever tem levado alguns a pensarem que sou presunçoso ou coisa parecida. Quando Jesus andou na terra, uns diziam que Ele era beberrão, outros que expulsava demônios por Belzebu... E o Pai bradava desde os Céus: “Este é o meu Filho amado”. Isso mostra que sempre as pessoas terão pensamentos diferentes acerca de alguém, não é mesmo?


Bem, já deu para notar que eu não costumo publicar comentários de pessoas que me desafiam para debates. Fujo disso. E olha que, modéstia à parte, se dependesse da minha natureza (tenho sangue italiano correndo em minhas veias), eu pagaria para participar de um debate!


Às vezes, quando me sobra tempo, gosto de navegar pela blogosfera cristã. E tenho visto o meu nome em vários blogues. Graças a Deus, na maioria deles há menções honrosas ao Blog do Ciro. Louvo a Deus por isso. Mas certos blogueiros e internautas também se valem de seus espaços para refutarem as minhas posições. Esses se dividem em, pelo menos, três categorias: os que argumentam de maneira respeitosa e elegante, aos quais sinceramente parabenizo; os que inutilmente me desafiam; e os que, de maneira carnal, me ofendem.


Certo blogueiro “cristão”, conhecido na blogosfera por suas “elogiosas” e “edificantes” postagens anônimas (ou ANÔNIMAS, visto que ele gosta de escrever em caixa-alta, às vezes), criou até um espaço pelo qual promete ir a campo para levantar os meus desvios e denegrir a minha imagem. Muito “nobre” o seu ideal! Outros, em suas comunidades preferidas, citam o meu nome com freqüência, desdenhosamente, talvez na esperança de que eu, um dia, valorize as suas “brilhantes” argumentações. Ora, se eles têm convicção do que abraçaram como verdade, para que tanta auto-afirmação?


Em resumo, se alguém pensa que vou desperdiçar o meu precioso tempo em debates inúteis ou questões loucas, desista. Saiba que sou capaz de fazer hora-extra para responder a perguntas de pessoas sinceras que desejam aprender a sã doutrina. E elas sempre serão bem-vindas em meu blogue, ainda que jamais venham a concordar com as minhas posições. Quanto aos debatedores profissionais, promotores de discussões inúteis, e aos maldizentes e zombeteiros de plantão, cujo prazer resume-se a “cutucar onça com vara curta”, podem “tirar o cavalo da chuva”. Este espaço para mim é literalmente sagrado.


Em Cristo,

Ciro Sanches Zibordi

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Revista Enfoque: Dançar ou não dançar?

Caros irmãos, a revista Enfoque deste mês publicou uma matéria pela qual apresenta diferentes posições (inclusive a minha) acerca da dança. Resolvi inserir aqui parte da matéria, contida no site da revista, a fim de que os leitores opinem à vontade sobre o assunto. Quanto à minha posição sobre a dança, além do trecho do livro Evangelhos que Paulo Jamais Pregaria (citado na matéria), há vários artigos escritos por mim mesmo na seção Música & Louvor, neste blog.

Revista Enfoque Gospel, Ano 7, julho de 2008
EDIÇÃO 84

DEBATE
: EVANGÉLICOS E A DANÇA
Pode ou não pode?
Diane Duque

Atire a primeira pedra quem nunca se balançou ao ouvir aquela música que faz as batidas ecoarem dentro do coração e pensou: “Me segura, Jesus”. Mas será que é pecado sentir vontade de dançar ou é natural ter este desejo?

No dicionário, a explicação para dançar é: “movimentar o corpo em certo ritmo geralmente seguido de música. Ir de um lado para outro, balançar”. Já os profissionais da dança a definem como uma forma de expressão artística coordenada, onde se expressam todos os seus sentimentos, emoções, alegrias e outros, através dos movimentos.

Para explicar essa vontade de balançar o corpo ao ouvir uma música, o pastor Ciro Sanches Zibordi escreveu, entre outras coisas, no livro Evangelhos que Paulo Jamais Pregaria (CPAD), que existem três maneiras de se ouvir uma música. Primeiro pode ser através do corpo, pois quem ouve com o corpo se deixa dominar pelo “embalo” da música. A segunda opção é com a emoção e, dessa forma, a pessoa permite que a música comande seus sentimentos e emoções. E a terceira é ouvir uma canção com o intelecto. Segundo o autor, essa é a forma mais correta, pois sendo assim, o ouvinte consegue discernir a música. E isso só é possível quando não se prioriza o ritmo. O culto a Deus deve ser espiritual e ao mesmo tempo racional, como diz a Bíblia.

O músico Sandro Domingues, que faz parte da banda da cantora e pastora Ludmila Ferber há nove anos, mesmo não sendo tão teórico quanto Zibordi, entende o que ele explica e corrobora, dizendo que não tem desejo de dançar ao ouvir uma música: “Normalmente, não tenho vontade de me mexer por inteiro. Quando ouço uma melodia, seja ela qual for, acompanho o ritmo com a mão, batendo numa mesa involuntariamente, e depois percebo que estou acompanhando na marcação do ritmo, sem prestar atenção na música ou em quem está cantando. Acho que isso só acontece por eu estar muito ligado à música”, explica o tecladista, que, segundo as explicações do pastor Ciro, ouve a música de forma intelectual.

Zibordi explica ainda que a música é formada por três elementos: a melodia, que é definida como uma sucessão ascendente e descendente de sons a intervalos e alturas variáveis, formando um fraseado; é adornada pela harmonia e acentuada pelo ritmo, embora possa ser compreendida isoladamente. A harmonia é uma combinação de sons simultâneos, emitidos no mesmo instante, tendo como base a tonalidade e como princípio gerador a estrutura do acorde. E o ritmo, uma sucessão regular de tempos fortes e fracos cuja função é estruturar uma obra musical.


O pastor e escritor Ciro Sanches Zibordi explica que há três maneiras de se ouvir uma música: com o corpo, com a emoção e com o intelecto

Em sua análise, esses três elementos, intrínsecos na música, se relacionam com o homem, que também é tripartido: espírito, alma e corpo. “Assim, o estilo musical apropriado para o cântico de adoração é o que tem como essência a melodia, pois é ela que se relaciona com o espírito. Há estilos carregados de agressividade e barulho, que apenas balançam o corpo, e não o coração, porque são rítmicos ao extremo, isto é, priorizam o ritmo, e não a melodia, que se relaciona com o espírito, a harmonia com a alma e o ritmo com o corpo. De acordo com 1 Tessalonicenses 5.23, Deus nos santifica a partir do espírito. Meditemos no que Paulo, inspirado pelo Espírito, disse aos gálatas: ‘Sois vós tão insensatos que, tendo começado pelo Espírito, acabeis agora pela carne?’ (Gl 3.3)”, alfineta o pastor.

Já Mário Persona, pastor e estrategista de comunicação e marketing, que tem um blog onde responde freqüentemente a diversos questionamentos do que o crente pode ou não fazer, recebeu recentemente a pergunta de um internauta: “É pecado crente dançar?”. Com muita cautela, ele não responde nem que sim nem que não, porém pondera que o mais importante antes de saber se irá queimar no fogo do inferno caso decida dançar, é primeiro entender o que significa ser um evangélico. “Será que o crente é alguém que se filia a uma denominação evangélica, põe uma Bíblia debaixo do braço e uma gravata no pescoço, ou, se for mulher, não corta o cabelo e não raspa a perna? Algumas pessoas pensam que ser crente é adotar tais costumes”. Persona especifica sobre a dança: “Você acredita que irá glorificar a Cristo fazendo isso? Seria interessante avaliar o ambiente onde pretende fazê-lo e ponderar se é um lugar adequado para um cristão. Lembre-se de que o que o cristão deve ter sempre em mente não são pensamentos do tipo: ‘O que posso fazer para agradar os meus desejos?’, mas sim ‘O que posso fazer para agradar ao Senhor?’”, leva à reflexão Persona.


“Normalmente, não tenho vontade de me mexer por inteiro. Quando ouço uma melodia, acompanho o ritmo com a mão, batendo numa mesa involuntariamente”, diz o músico Sandro Domingues

A DANÇA COMO MINISTÉRIO

Enquanto alguns crentes se questionam se dançar é pecado, existe quem faça isso como forma de adorar a Deus. Para Isabel Coimbra, professora na área de dança da Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional da Universidade Fluminense (MG) e coordenadora dos trabalhos com dança do Ministério de Louvor Diante do Trono, o ponto chave sobre o ministério de dança é primeiramente a forma pela qual se entende a dança.

Em seu conceito, a dança é uma organização de movimentos técnico-corporais, que podem ser acompanhados de música ou não, carregados de emoção, intencionalidade e de valores históricos-socioculturais, o que a integra no universo da arte. A dança, nessa perspectiva, é uma forma de linguagem, trazendo nas suas inúmeras expressões e estilos, sentidos e significados atrelados à subjetividade característica dos movimentos e dos gestos do bailarino ou da bailarina em um espaço e tempo determinados, sem esquecer que, sem unção, a dança é só dança.

“No âmbito da Igreja, a unção é muito importante de ser trabalhada para que os ministros de dança possam ficar mais conectados com o Espírito Santo de Deus sem perder a racionalidade que a Palavra nos ensina nos cultos e em qualquer oportunidade de ministração.” Por isso, Isabel se preocupa não só com o conhecimento e o aprendizado de técnicas, mas com um discipulado constante voltado para a formação de um verdadeiro ministro da Palavra como um vaso de honra, restaurado, curado, liberto e integrado na obra de Deus.

Consciente de que há uma polêmica sobre não constar na Bíblia o ministério da dança, ela defende e explica que algumas igrejas, por razões administrativas ou de organograma, nomeiam o conjunto de grupos de dança, música e teatro como ministério. Na sua opinião, não há problema algum nisso, mas ressalta que é preciso um discipulado sério corpo-a-corpo, aliado ao ensino de conhecimento e técnicas específicas para não correr o risco de uma supervalorização do artístico na igreja.


Isabel Coimbra lembra que o ponto chave sobre o ministério de dança é primeiramente a forma pela qual se entende esta manifestação artística

Mas ainda há grande preconceito com o ministério da dança em específico. “Penso que isso é cultural e a Palavra nos ensina que os frutos mostram quem é a árvore. O que quebra 'preconceitos' humanos ou diabólicos é o Espírito Santo de Deus e depois os frutos que as pessoas e o grupo de dança dão. Lembrando que os frutos que realmente interessam são os testemunhos de uma vida cristã santificada a cada dia. Pessoas santas e ungidas produzirão entre seus frutos bons, danças santas e ungidas! Quando isso acontece, as resistências vão caindo e, em vez de opositores, vamos ganhando intercessores!' Isabel desabafa e afirma que sabe o que está dizendo porque aprendeu na própria pele, mas hoje colhe os frutos como uma das líderes do Mudança: Cia. de Dança e Artes Cênicas da Igreja Batista da Lagoinha em Belo Horizonte.

domingo, 27 de julho de 2008

O que C.H. Spurgeon diria hoje? E o que falariam dele?




O pregador inglês Charles Haddon Spurgeon nasceu em 19 de junho de 1834 e começou a pregar em 1850. Ele, que tem sido considerado o príncipe dos pregadores, pregou o evangelho de Cristo e combateu heresias e modismos de seu tempo até 1892, quando partiu para a eternidade. As citações abaixo deixam-nos com a impressão de que ele se referia aos trabalhosos dias em que vivemos...

"A apatia está em toda parte. Ninguém se preocupa em verificar se o que está sendo pregado é verdadeiro ou falso. Um sermão é um sermão, não importa o assunto; só que, quanto mais curto, melhor" ("Preface", The Sword and the Trowel [1888, volume completo], p.iii). Meu Deus, se naquela época as coisas já estavam assim, o que Spurgeon diria hoje?!

"Haveria Jesus de ascender ao trono por meio da cruz, enquanto nós esperamos ser conduzidos para lá nos ombros das multidões, em meio a aplausos? (...) se você não estiver disposto a carregar a cruz de Cristo, volte à sua fazenda ou ao seu negócio e tire deles o máximo que puder, mas permita-me sussurrar em seus ouvidos: 'Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?'" ("Holding Fast the Faith", The Metropolitan Tabernacle Pulpit, vol.34 [Londes, Passmore and Alabaster, 1888], p.78). Este sermão foi pregado em 5 de fevereiro de 1888, quando Spurgeon estava sendo censurado por defender o evangelho. O que ele falaria hoje das pregações antropocêntricas?

"Estão as igrejas vivenciando uma condição saudável ao terem apenas uma reunião de oração por semana e serem poucos que a freqüentam?" ("Another Word Concerning the Down-Grade", The Sword and the Trowel [agosto, 1887], pp.397,398). Infelizmente, o chamado "louvorzão" tem substituído o período de oração, em nossos cultos. Spurgeon ainda fala!

"O fato é que muitos gostariam de unir igreja e palco, baralho e oração, danças e ordenanças. Se nos encontramos incapazes de frear essa enxurrada, pordemos, ao menos, prevenir os homens quanto à sua existência e suplicar que fujam dela. Quando a antiga fé desaparece e o entusiasmo pelo evangelho é extinto, não é surpresa que as pessoas busquem outras coisas que lhe tragam satisfação. Na falta de pão, se alimentam de cinzas; rejeitando o caminho do Senhor, seguem avidamente pelo caminho da tolice" ("Another Word Concerning the Down-Grade", The Sword and the Trowel [agosto, 1887], p.398). Spurgeon disse isso em 1887 mesmo?!

"Não há dúvidas de que todo tipo de entretenimento, que manifesta grande semelhança com peças teatrais, tem sido permitido em lugares de culto, e está, no momento, em alta estima. Podem essas coisas promover a santidade ou nos ajudar na comunhão com Deus? Poderiam os homens, ao se retirarem de tais eventos, implorar a Deus em favor da salvação dos pecadores e da santificação dos crentes?" ("Restoration of Truth and Revival", The Sword and the Trowel [dezembro, 1887], p.606). Hoje, os seguidores da "nova onda" revoltam-se contra os que defendem o evangelho de Cristo. Mas o que diriam eles de Spurgeon?

Em Cristo,

Ciro Sanches Zibordi

sábado, 26 de julho de 2008

Crente que tem promessa não morre?


Por onde tenho passado, irmãos me perguntam: “Pastor Ciro, crente que tem promessa morre ou não morre?” Esta pergunta é mais complexa e intrigante do que aparenta ser, posto que é preciso, a fim de respondê-la, verificar-se a fonte, a condicionalidade e a maneira como a promessa poderá ser cumprida, caso seja mesmo uma promessa da parte de Deus.

Há pouco tempo, em uma grande escola bíblica, mandaram-me essa pergunta por escrito, e eu a respondi com outra: “Quantos aqui têm promessas de Deus?” E todos levantaram as mãos... Nesse caso, antes de qualquer consideração, afirmei: “Então, nenhum de nós morrerá, até à Vinda de Jesus, haja vista todos nós termos promessas?!”, deixando todos ainda mais curiosos...

Ora, é preciso considerar que para Cristo vivemos e para Ele também morreremos, caso o Arrebatamento não aconteça logo (Rm 14.8-10). Basta lermos Hebreus 11 para entendermos que nem todas as promessas que os heróis da fé (mencionados ali) abraçaram se cumpriram em suas vidas (vv.13,39). Em Atos 13.32, está escrito: “E nós vos anunciamos que a promessa que foi feita aos pais, Deus cumpriu a nós, seus filhos, ressuscitando a Jesus”. Observe que a promessa foi dirigida a uns, no passado, e cumprida na vida de outros, que viveram muito tempo depois.

Qual é a nossa maior promessa? É a de que moraremos com Cristo, na glória (Fp 3.20,21; Tt 2.11-14). Mas, infelizmente, o bordão em apreço tem levado alguns crentes a se esquecerem das “coisas de cima” (Cl 3.1,2), impedindo-os de viverem como se o Arrebatamento da Igreja fosse acontecer a qualquer momento (1 Co 15.51,52).

As promessas que recebemos por meio de profecia não devem ser abraçadas cegamente, como se fossem a garantia de que jamais morreremos enquanto elas não se cumprirem. É claro que as verdadeiras promessas de Deus se cumprem, mas muitas delas são condicionais, como a do dia de Pentecostes (Lc 24.49; At 1-2). Se aqueles crentes não tivessem ficado em oração, em Jerusalém, não teriam recebido a promesa (2 Cr 7.14,15; Is 1.18-20; Dt 28).

Segundo a Palavra de Deus, é possível sim morrer antes do tempo (Ec 7.17). Essa história de que há um “destino” para cada um, e que “só quando chegar a hora a pessoa morre” não tem base bíblica. O fato de termos muitas promessas não garante que não morreremos até aos seus cumprimentos. Esse chavão é perigoso, pois anda de mãos dadas com outros clichês perigosos, como: “Quem não vem pelo amor vem pela dor” ou “Uma vez salvo, salvo para sempre”.

Ciro Sanches Zibordi

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Depois de salvo, alguém pode ter o nome riscado do livro da vida?


Segundo a Bíblia, no Juízo Final, os mortos serão julgados de acordo com as coisas escritas nos livros, isto é, segundo as suas obras (Ap 20.12). E aquele cujo nome não constar do livro da vida será lançado no Lago de Fogo (Ap 20.15). Isso significa que o Senhor tem o registro de tudo o que fazemos (Sl 139.16; Ml 3.16; Sl 56.8; Mc 4.22).
Quanto aos livros abertos no último grande julgamento, o pastor Antonio Gilberto afirmou, em sua primorosa obra O Calendário da Profecia, editada pela CPAD:
Alguns desses livros devem ser:
O livro da consciência (Rm 2.15; 9.1).
O livro da natureza (Jó 12.7-9; Sl 19.1-4; Rm 1.20).
O livro da Lei (Rm 2.12). Ora, a Lei revela o pecado (Rm 3.20).
O livro do Evangelho (Jo 12.48; Rm 2.16).
O livro da nossa memória (Lc 16.25: “Filho, lembra-te...”; Mc 9.44 — aí deve ser uma alusão ao remorso constante no Inferno). (Ver o contexto: vv.44-48 e Jeremias 17.1.)
O livro dos atos dos homens (Ml 3.16; Mc 12.36; Lc 12.7; Ap 20.12).
O livro da vida (Sl 69.28; Dn 12.1; Lc 10.20; Fp 4.3; Ap 20.12).
A presença do livro da vida nessa ocasião é certamente para provar aos céticos que estão sendo julgados que seus nomes não se encontram nele. (Ler o incidente de Mateus 7.22,23.)


Quando um nome é inserido no livro da vida?

O que é o livro da vida? É o registro de todos os salvos, de todas as épocas (Dn 12.1; Ap 13.8; 21.27). Alguns teólogos têm afirmado que Deus inseriu nesse livro apenas os nomes de supostos eleitos antes da fundação do mundo e contestam a oração que alguns pregadores fazem pelos pecadores arrependidos: “Pai, em nome de Jesus, escreva os seus nomes no livro da vida”. É importante observar que, em Apocalipse 17.8, está escrito que os nomes estão relacionados no livro da vida desde a, e não antes da fundação do mundo.
Há uma enorme diferença entre antes da e desde a. No grego, o termo apo significa “a partir de”. Segue-se que a expressão “desde a fundação do mundo” denota que os nomes dos salvos vêm sendo inseridos no livro da vida desde que o homem foi colocado na Terra fundada, criada por Deus (Gn 1), e não que haja uma lista previamente pronta antes que o mundo viesse a existir. A expressão em apreço foi empregada também em Apocalipse 13.8 para denotar que todos os cordeiros mortos desde o princípio apontavam para o sacrifício expiatório do Cordeiro de Deus (Is 53; Jo 1.29). Isto é, os sacrifícios de animais realizados antes de Cristo tipificam a sua definitiva obra redentora.
Uma pessoa só pode ter o registro do nome em cartório depois de seu nascimento; ninguém é registrado antes disso. Da mesma forma, o nome de uma pessoa salva só passa a constar do livro da vida após o seu novo nascimento. Afinal, “aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus” (Jo 3.3). Não existe listagem prévia dos eleitos, como pensam certos teólogos. Na medida em que os indivíduos crêem em Cristo e o confessam como Senhor (Rm 10.9,10), eles são inscritos no rol de membros da Igreja dos primogênitos, a Universal Assembléia (At 2.47, ARA; Hb 12.23).

É possível ter o nome riscado do livro da vida?

De acordo com a Palavra de Deus, existe a possibilidade de pessoas salvas, que não perseverarem até ao fim, terem os seus nomes riscados do livro da vida do Cordeiro (Ap 3.5). Em Êxodo 32.32,33 vemos essa verdade na intercessão de Moisés pelo povo: “Agora, pois, perdoa o seu pecado; se não, risca-me, peço-te, do teu livro, que tens escrito. Então, disse o Senhor a Moisés: Aquele que pecar contra mim, a este riscarei eu do meu livro”.
Serão riscados os que permanecerem desviados do Senhor e em pecado (cf. Ap 3.3-5; 21.27). Em Lucas 10.20, Jesus disse aos discípulos da missão dos setenta, provavelmente distintos dos doze (“outros setenta”, v.1): “alegrai-vos, antes, por estar o vosso nome escrito nos céus”. Judas, porém, um dos discípulos do Senhor, desviou-se do Caminho. Por isso, o apóstolo Pedro afirmou: “[Judas] foi contado conosco e alcançou sorte neste ministério... se desviou, para ir para o seu próprio lugar” (At 1.17,25).
Alguns, ainda, afirmam que Deus relacionou toda a humanidade no livro da vida e só risca quem não recebe a Cristo como Salvador. Não obstante, a promessa “de maneira nenhuma riscarei o seu nome do livro da vida” (Ap 3.5) é dirigida aos salvos que vencerem, e não aos pecadores que se converterem. Estes, conquanto tenham os seus nomes arrolados no Céu ao receberem a Cristo, precisam perseverar até ao fim (Mt 24.13).
Em Filipenses 4.3, o apóstolo Paulo mencionou cooperadores “cujos nomes estão no livro da vida”, porém antes ele asseverara: “estai sempre firmes no Senhor, amados” (v.1). Não foi por acaso que os pastores das sete igrejas da Ásia ouviram do Senhor a mensagem: “Quem vencer” (Ap 2 e 3). A manutenção do nome de alguém no livro da vida está condicionada à sua vitória até ao fim (Ap 3.5). Somos filhos de Deus hoje (Jo 1.11,12), mas devemos atentar para o que diz Apocalipse 21.7: “Quem vencer herdará todas as coisas, e eu serei seu Deus, e ele será meu filho”.

Em Cristo,

Ciro Sanches Zibordi

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Não toqueis nos meus ungidos


A frase bíblica “Não toqueis nos meus ungidos” (Sl 105.15) tem sido empregada para os mais variados fins. Maus obreiros e falsos profetas se valem dela para ameaçar seus críticos; crentes mal-orientados usam-na para defender certos “ungidos”; e outros ainda a empregam para reforçar a idéia de que não cabe aos servos de Deus julgar ou criticar heresias e práticas antibíblicas.

Quando examinamos o contexto da frase acima, vemos que ela está longe de ser uma regra geral. Uma leitura atenta do Salmo 105 não nos deixa em dúvida: os ungidos mencionados são os patriarcas Abraão, Isaque, Jacó (Israel) e José (vv.9-17). Ademais, o título “ungido do Senhor” refere-se tipicamente, no Antigo Testamento, aos reis de Israel (1 Rs 12.3-5; 24.6-10; 26.9-23; Sl 20.6; Lm 4.20) e aos patriarcas, em geral (1 Cr 16.15-22).

Conquanto a frase não encerre um princípio geral, podemos, por analogia, afirmar que Deus, na atualidade, protege os seus ungidos assim como cuidou dos seus servos mencionados no Salmo 105. Mesmo assim, não devemos presumir que todas as pessoas que se dizem ungidas de fato o sejam. Lembre-se do que o Senhor Jesus disse acerca dos “ungidos”: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! Entrará no Reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus” (Mt 7.21).

É claro que a Bíblia apóia e esposa o pensamento de que o Senhor cuida dos seus servos e os protege (1 Pe 5.7; Sl 34.7). Mas isso se aplica aos que verdadeiramente são ungidos, e não aos que parecem, pensam ou dizem sê-lo (Mt 23.25-28; Ap 3.1; 2.20-22). Afinal, “O Senhor conhece os que são seus, e qualquer que profere o nome de Cristo aparte-se da iniqüidade” (2 Tm 2.19).

Quando Paulo andou na terra, havia muitos “ungidos” ou que aparentavam ter a unção de Deus (2 Co 11.1-15; Tt 1.1-16). O imitador de Cristo nunca se impressionou com a aparência deles (Cl 2.18,23). Por isso, afirmou: “E, quanto àqueles que pareciam ser alguma coisa (quais tenham sido noutro tempo, não se me dá; Deus não aceita a aparência do homem), esses, digo, que pareciam ser alguma coisa, nada me comunicaram” (Gl 2.6).

Aparência, popularidade, eloqüência, títulos, status, anos de ministério... Nada disso denota que alguém esteja sob a unção de Deus e imune à contestação à luz da Palavra de Deus. Muitos enganadores, ao serem questionados quanto às suas pregações e práticas antibíblicas, têm citado a frase em análise, além do episódio em que Davi não quis tocar no desviado rei Saul, que fora ungido pelo Senhor (1 Sm 24.1-6). Mas a atitude de Davi não denota que ele tenha aprovado as más obras daquele monarca.

Se alguém, à semelhança de Saul, foi um dia ungido por Deus, não cabe a nós matá-lo espiritualmente, condená-lo ao Inferno. Entretanto, isso não significa que devamos silenciar ou concordar com todos os seus desvios do evangelho (Fp 1.16; Tt 1.10,11). O próprio Jônatas reconheceu que seu pai turbara a terra; e, por essa razão, descumpriu, acertadamente, as suas ordens (1 Sm 14.24-29).

O texto de Salmos 105.15 em nenhum sentido proíbe o juízo de valor, o questionamento, o exame, a crítica, a análise bíblica de ensinamentos e práticas de líderes, pregadores, milagreiros, cantores, etc. Até porque o sentido de “toqueis” e “maltrateis” é exclusivamente quanto à inflição de dano físico.

É curioso como certos “ungidos”, ao mesmo tempo que citam o aludido bordão em sua defesa — quando as suas práticas e pregações são questionadas —, partem para o ataque, fazendo todo tipo de ameaças. O show-man Benny Hinn, por exemplo, verberou: “Vocês estão me atacando no rádio todas as noites — vocês pagarão e suas crianças também. Ouçam isto dos lábios dum servo de Deus. Vocês estão em perigo. Arrependam-se! Ou o Deus Altíssimo moverá sua mão. Não toqueis nos meus ungidos...” (citado em Cristianismo em Crise, CPAD, p.376).

Quem são os verdadeiros ungidos, os quais, mesmo não se valendo da frase citada, têm de fato a proteção divina, até que cumpram a sua vontade? São os representantes de Deus que, tendo recebido a unção do Santo (1 Jo 2.20-27), preservam a pureza de caráter e a sã doutrina (Tt 1.7-9; 2.7,8; 2 Co 4.2; 1 Tm 6.3,4). Quem não passa no teste bíblico do caráter e da doutrina está, sim, sujeito a críticas e questionamentos (1 Tm 4.12,16).

Infelizmente, muitos líderes, pregadores, cantores e crentes em geral, considerando-se ungidos ou profetas, escondem-se atrás do bordão em análise e cometem todo tipo de pecado, além de torcerem a Palavra de Deus. Caso não se arrependam, serão réus naquele grande Dia! Os seus fabulosos currículos — “profetizamos”, “expulsamos”, “fizemos” — não os livrarão do juízo (Mt 7.21-23).

Portanto, que jamais aceitemos passivamente as heresias de perdição propagadas por pseudo-ungidos, que insistem em permanecer no erro (At 20.29; 2 Pe 2.1; 1 Tm 1.3,4; 4.16; 2 Tm 1.13,14; Tt 1.9; 2.1). Mas respeitemos os verdadeiros ungidos (Hb 13.17), que amam o Senhor e sua Santa Palavra, os quais são dádivas à sua Igreja (Ef 4.11-16).


Quanto aos que, diante do exposto, preferirem continuar dizendo — presunçosamente e sem nenhuma reflexão — “Não toqueis nos meus ungidos”, dedico-lhes outro enunciado bíblico: “Não ultrapasseis o que está escrito” (1 Co 4.6, ARA). Caso queiram aplicar a si mesmos a primeira frase, que cumpram antes a segunda!


Ciro Sanches Zibordi

domingo, 20 de julho de 2008

Dizer “não” à homofobia e à homossexualidade, ao mesmo tempo, não é uma contradição!

Há alguns dias, o colunista André Petry, da revista Veja, fez uma exposição sobre o fato de os evangélicos estarem muito preocupados com a aprovação da lei que pune a homofobia com prisão. Se de fato o tal projeto de lei dissesse respeito apenas à homofobia (como definida acima), seria anormal haver essa preocupação por parte dos evangélicos. Mas o problema é que o termo “homofobia” vem sendo aplicado de maneira forçada por aqueles que desconhecem ou rejeitam os princípios e mandamentos da Bíblia.
Creio que o senhor Petry, apesar de inteligente, equivoca-se ao acreditar que o projeto de lei em apreço não é prejudicial aos evangélicos. Ele também não acerta ao ignorar que, a despeito de sermos contrários à prática homossexual — posto que a Palavra de Deus a define como pecaminosa —, também não somos favoráveis à discriminação e à perseguição aos homossexuais. E isso não é uma contradição, como veremos.
A discriminação ocorre quando um indivíduo, uma família ou uma instituição se voltam contra pessoas ou grupos, a ponto de quererem matá-los, feri-los ou, no mínimo, humilhá-los e ridicularizá-los, tudo por conta de estes pensarem ou agirem de modo diferente daqueles. E nenhum evangélico fiel à Palavra de Deus agiria dessa forma, haja vista saber que a Bíblia condena expressamente a discriminação, a acepção de pessoas (Tg 2.9).
Ser evangélico e homófobo é um jugo desigual, pois nenhum cristão que se preza é capaz de adotar práticas homofóbicas. Por quê? Porque a homofobia, como definida pela psiquiatria, é uma aversão mórbida aos homossexuais. Se há algum evangélico que diz odiar alguma pessoa que pense diferente dele, a ponto de querer humilhá-la, matá-la ou fazer-lhe mal, esse ainda não entendeu o que é ser um servo do Senhor. E sequer pode ser chamado de cristão.
O senhor André Petry afirmou: “Os evangélicos e aliados dizem que proibir a discriminação contra gays fere a liberdade de expressão e religião. Dizem que padres e pastores, na prática de sua crença, não poderão mais criticar a homossexualidade como pecado infecto e, se o fizerem, vão parar no xadrez. É uma interpretação tão grosseira da lei que é difícil crer que seja de boa-fé” (Veja, 2 de julho de 2008, p.98).
Se a lei em processo de aprovação só proibisse a discriminação aos homossexuais, não haveria problemas. Mas, se a lei considerar a crítica à prática homossexual e a não realização de casamentos de pessoas do mesmo sexo como discriminação, de fato haverá perseguição aos cristãos, ainda que eles não sejam homófobos. Hoje, a maioria das igrejas evangélicas só faz casamentos de pessoas que pertençam ao seu rol de membros. E só fazem parte desse rol quem segue a doutrina esposada pela Bíblia.
Mas o senhor Petry também asseverou: “Uma coisa é ser contra o casamento gay, por razões de qualquer natureza. Outra coisa é humilhar os gays, apontá-los como filhos do demônio, doentes ou tarados” (idem). Veja como o assunto é complexo. A Bíblia, que é a nossa regra de fé, de prática e de viver, classifica todas as pessoas que não servem a Deus de “filhos do Diabo” (1 Jo 3.10). Para Deus não há meio-termo. Só existem os que estão do lado de dentro e os que estão do lado de fora (Mt 13.11; Jo 1.11,12). E afirmar isso, em uma pregação, não é para um evangélico, de modo nenhum, discriminatório, posto que tal assertiva é corroborada pela Bíblia.
Para os evangélicos, odiar um homossexual é pecado. Mas fazer um casamento de pessoas do mesmo sexo também é pecado! Por quê? Porque a Bíblia condena a prática homossexual: “Não erreis (...) nem os efeminados, nem os sodomitas (...) herdarão o Reino de Deus” (1 Co 6.10). E ainda: “... deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, varão com varão, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a recompensa que convinha ao seu erro” (Rm 1.27). Segue-se que, se os evangélicos têm como principal fonte de autoridade os princípios e mandamentos da Bíblia, fazer um casamento de pessoas que estão em pecado, biblicamente, é também incorrer em erro.
Não temos dúvidas quanto à anormalidade da prática homossexual, haja vista o Senhor Jesus ter enfatizado que no princípio Deus criou apenas homem e mulher (Mt 19.4-6). Biblicamente, ninguém é homossexual de nascimento, pois, se houvesse a possibilidade de pessoas nascerem em tal estado, Deus jamais condenaria a prática homossexual. E, desde os tempos do Antigo Testamento, esse comportamento tem sido contundentemente reprovado pelo Senhor (Lv 18.22; 20.13).
Não creio que o senhor André Petry esteja contra os evangélicos. Mas, ao que me parece, a sua opinião evidencia o seu desconhecimento dos princípios e mandamentos da Palavra de Deus. Afinal, quem somos nós para proibir os homossexuais de fazerem o que bem entendem? O próprio Deus respeita a livre-vontade humana! E nós, como pessoas respeitosas, não devemos dizer que os homossexuais são doentes, monstros, vândalos, etc. Não obstante, quanto ao fato de a prática homossexual ser pecaminosa, tratando-se de uma doença espiritual, disso não temos dúvidas.
Se o senhor Petry ler a Bíblia sem preconceito, descobrirá que ela condena vários pecados, levando os evangélicos a se posicionarem contra eles, ainda que o governo, a mídia ou a sociedade os incentive de alguma forma. Por exemplo, a embriaguez, o julgamento calunioso, o adultério e a mentira são pecados contra Deus (Gl 5.21; Ef 5.18; Mt 7.1,2; Ap 21.8). A reação dos evangélicos ao tal projeto de lei ocorre porque eles querem continuar tendo a liberdade de pregar, respeitosamente, contra o que a Bíblia classifica como pecado. E a prática homossexual, como vimos, é pecaminosa, à luz das Escrituras.
Não sou favorável ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, mas também não sou contra à livre expressão do pensamento. Nesse caso, os casais de homens e de mulheres que desejam se casar, que casem em instituições favoráveis a esse tipo de união antibíblica. Afinal, querer, usando a força de uma lei, obrigar igrejas contrárias à prática homossexual a fazerem tais casamentos trata-se de um abuso, um desrespeito a quem pensa diferente.
Diante do exposto, o que eu sugiro? A lei em apreço — se é que ela é necessária — pode até ser aprovada, mas precisa de uma revisão. É necessário que ela descreva com clareza que a discriminação aos homossexuais implica zombar deles, ridicularizá-los, maltratá-los, humilhá-los, etc. Ademais, não deve considerar homofóbicas a pregação contra o pecado da homossexualidade e a negação de casamento, por parte das igrejas evangélicas, a pessoas do mesmo sexo, como demonstramos.

Respeitosamente,

Ciro Sanches Zibordi

sábado, 12 de julho de 2008

Crer na predestinação e no livre-arbítrio não é um contra-senso (1)

Na Palavra de Deus temos tanto a predestinação divina como a livre-escolha humana, em relação à salvação; mas não uma predestinação em que uns são destinados à vida eterna, e outros, à perdição eterna. A Palavra de Deus também não apresenta uma livre-escolha humana, como se a salvação dependesse de obras, esforços e méritos humanos.
Os extremos nesse assunto são maléficos, propalando ensinos que a Bíblia não contém. A ênfase inconseqüente à soberania de Deus no tocante à salvação leva a pessoa a crer que a sua conduta e procedimento nada têm com a sua salvação. Por outro lado, a ênfase inconseqüente à livre-vontade (livre-arbítrio) do homem conduz ao engano de uma salvação dependente de obras, conduta e obediência humanas.

O perigo da prevalência do raciocínio humano

Somos salvos não por aquilo que fazemos ou deixamos de fazer para Deus, mas pelo que Jesus já fez por nós, uma vez para sempre. Há muitos tendo a salvação dependente de suas obras, obediência, conduta, santidade, etc. Não é de admirar que os tais caiam e não se levantem, e que quando pequem duvidem da sua salvação.
Conquanto pareça incoerente e irreconciliável que algo predestinado por Deus admita livre-escolha ou livre-vontade, não é porque não entendemos algo, ou entendemo-lo apenas em parte, que deixa ele de existir.
No caso da predestinação e da livre-escolha, no tocante à salvação, a tendência humana é rejeitar uma ou outra. Entretanto, um exame atento e livre de preconceito da Palavra de Deus mostra que, através da obra redentora de Jesus, Deus destinou de antemão (predestinou) todos os homens à salvação: “quem quiser, tome de graça da água da vida” (Ap 22.17; Is 45.22; 55.1; Mt 11.28,29; 2 Co 6.2; 1 Tm 2.4). De acordo com João 12.32, todos podem ser atraídos a Cristo. Mas não são todos que seguem a Cristo.
Os predestinalistas — seguidores de João Calvino — dizem que o homem, decaído como está, no seu estado de depravação total, é incapaz de fazer livre-escolha concernente a sua salvação, pois está incapacitado espiritualmente para isso. Segundo essa teoria, Deus elegeu uns para a salvação, comunicando-lhes também a fé. Os demais, não-escolhidos, estão perdidos. Isso equivale a dizer que Cristo morreu apenas pelos “escolhidos”.
Do raciocínio acima decorre outro: que a graça de Deus é irresistível, isto é, não pode ser recusada por aqueles a quem Deus escolhe salvar. Segundo o predestinalismo, a salvação é um decreto divino, e a conversão é simplesmente o início da execução desse decreto. O termo “decreto” é extraído de textos como Romanos 8.28.
Afirmam também os predestinalistas que a vida eterna em Cristo é um dom de Deus, e que uma vez recebida não pode ser jamais perdida em conseqüência de qualquer ato ou determinação da vontade humana. E que se, de fato, o crente nasceu de novo, está eternamente salvo. Caso venha a desviar-se, comprometerá, sim, o seu galardão, mas jamais perderá a sua salvação, nem cairá em apostasia. É como alguém que, estando a bordo de um avião, navio ou trem, escorrega e cai, porém continua a bordo.
Dizem que o crente salvo “está escondido com Cristo em Deus” (Cl 3.3), e que o Inimigo jamais o achará, nem jamais o arrebatará dessa posição. Em abono dessa predestinação fatalista, os predestinalistas citam textos como João 6.37; 10.28,29; Romanos 8.28-30; Efésios 1.4,5; 2 Tessalonicenses 2.13; Eclesiastes 3.14; Filipenses 1.6; 1 Pedro 1.2; e Apocalipse 17.8 — mas sem interpretá-los à luz de seus respectivos contextos imediato e remoto.
Proceder como acima exposto é adaptar a Bíblia ao raciocínio humano; ou seja, ao modo humano de pensar, como se a Palavra de Deus dependesse de argumentos humanos. Mas ela não afirma que Cristo morreu apenas pelos eleitos. Ele morreu por todos (1 Tm 2.4,6; 1 Jo 2.2; 2 Pe 3.9; At 2.21; 10.43; Tt 2.11; Hb 2.9; Jo 3.15,16; 2 Co 5.14; Ap 22.17). O falso ensino de que o Senhor teria morrido apenas pelos eleitos pode conduzir a um desinteresse pela evangelização, haja vista Deus já ter escolhido os perdidos que vão para o inferno.

A irrefutabilidade do livre-arbítrio

Qualquer pessoa que crê em Jesus torna-se um dos escolhidos de Deus, pois somos eleitos em Cristo (Ef 1.4). Em Mateus 22.1-14, vemos que todos os convidados foram “chamados”; porém “escolhidos” foram os que aceitaram o convite do rei. No versículo 14, a expressão “muitos são chamados, mas poucos escolhidos” revela, portanto, que das multidões que ouvem o evangelho apenas uma pequena parte crê em Cristo e o segue.
Deus elegeu a si um povo chamado Igreja, e não indivíduos, isoladamente. Somos predestinados porque somos parte da Igreja de Deus; não somos parte da Igreja porque fomos antes, individualmente, predestinados. Se, na Igreja, como Corpo de Cristo, alguém individualmente se desvia, e não volta, a eleição da Igreja não se altera.
De igual modo foi a eleição de Israel. O Senhor elegeu aquele povo para si; não indivíduos de per si. É tanto que milhares de israelitas se desviaram, porém a eleição de Israel, como povo, prosseguiu.
A livre-escolha do homem é uma realidade inconteste. A Bíblia acentua a cada passo a responsabilidade do homem no tocante à sua salvação. Deus oferece a salvação e, mediante o seu Espírito, convence o pecador do seu pecado, da justiça e do juízo. O homem aceita a salvação ou rejeita-a (Is 1.19,20; Js 24.15; Dt 30.19; Jo 1.11,12; 3.15,16,19; Ap 22.17; Lc 13.34; At 7.51; 1 Rs 18.21; 1 Tm 4.1; 2 Cr 15.2; Mc 16.16; Hb 2.3; 3.12; 12.25).
Não existe graça irresistível. O homem através dos tempos tem resistido a Deus, por suas incredulidade e rebeldia (At 7.51; 1 Ts 5.19; Pv 1.23-30; Mt 23.37; 2 Pe 2.21; Hb 6.6,7; Tg 5.19). A ação do Espírito Santo no pecador, para que se salve, é persuasiva, e não compulsória (2 Co 5.11).

Em Cristo,

Ciro Sanches Zibordi

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Seja obediente às doutrinas da Palavra de Deus, mesmo que você as não entenda

Desde os tempos dos apóstolos existem indoutos e inconstantes que torcem as Escrituras para a sua própria perdição (2 Co 2.17; 2 Pe 2.1-3). E o que nos chama a atenção é que muitos falsificam a sã doutrina em razão de não entenderem certos pontos difíceis (2 Pe 3.16).
Qual tem sido a sua postura ante os pontos da Bíblia que você julga difíceis? Lembre-se de que a Bíblia é a Palavra de Deus sempre, entendamos ou não a sua mensagem.


Você não entende a Trindade? Mas ela é bíblica!

Você pode até não entender a doutrina da Trindade, mas isso não lhe dá o direito de abraçar o falacioso unicismo e sair por aí cantando, pregando e escrevendo contra uma doutrina cristalina e incontestável da Palavra de Deus. Afinal, a fé deve preceder a razão, principalmente em assuntos que transcendam o nosso entendimento (1 Co 2.14,15).
“Ah, isso é questão de interpretação” — alguém dirá. Mas eu lhe pergunto: Onde e com quem você aprendeu que Deus não é trino e que, sendo uma única Pessoa, ora manifesta-se como Pai, ora como Filho, ora como o Espírito Santo? Por que não crê no que a Bíblia diz claramente? O Senhor Jesus não disse, em Mateus 28.19, que o batismo em águas deve ser ministrado em nome da Trindade? As Escrituras não lhe são suficientemente claras quando mencionam a bênção apostólica, em 2 Coríntios 13.13, pela qual o Filho, o Pai e o Espírito Santo (nessa ordem) são apresentados como três Pessoas distintas?
Não me diga que você usará a lógica humana e simplista para dizer que o termo “trindade” não está na Bíblia! É óbvio que não está, assim como as palavras “onisciente” e “onipresente”. Contudo, Deus é onisciente, onipresente e trino, segundo a inerrante Palavra de Deus. Por que negar a Trindade? O próprio Senhor Jesus, o Deus Filho — a quem você diz honrar — se referiu ao Pai celestial diversas vezes (Mt 7.21; 11.25; Jo 14.16). Ele mesmo pediu ao Pai que enviasse outro (gr. allos) Consolador! Outro porque todas as três Pessoas da Trindade são consoladoras.
Por que Estevão viu o Senhor Jesus à direita de Deus, se não existe Trindade? Em Atos 5, vemos que Ananias não mentiu aos homens, e sim a Deus (v.4). E as suas palavras de engano foram proferidas ao Espírito Santo (v.3). Nesse caso, o texto, além de mostrar, de modo direto, que o Espírito Santo é Deus, enfatiza indiretamente que Ele é uma Pessoa. Por quê? Porque ninguém mente a uma coisa ou força impessoal, não é mesmo?
Diante do exposto, o cristão que nega a doutrina da Trindade, por mais fervoroso e piedoso que aparente ser (Mt 7.15), rejeita a Palavra de Deus (Gn 1.1,26; Dt 6.4; At 7.55; Rm 5.1-5; 1 Co 12.4-6), o Senhor Jesus e o Espírito Santo (Mt 3.13-17). Que tipo de cristão é esse?

Você não entende o batismo com o Espírito Santo? Mas ele é bíblico!

Sei que vários irmãos cessacionistas zombarão do que escrevi, mas talvez alguns abram mão de suas posições pessoais, a fim de aceitarem a multiformidade da obra do Espírito Santo (1 Co 12.4-11). A Palavra de Deus apresenta claramente tanto o batismo do Espírito, que diz respeito à inserção do novo crente no Corpo de Cristo (1 Co 12.13), como o batismo com o Espírito, um revestimento de poder para quem já é salvo (Lc 24.49; At 2.1ss).
Qual é a finalidade desse revestimento de poder? Em Atos 1.8, o Senhor Jesus responde — eu disse: “o Senhor Jesus responde” — a essa pergunta: “... recebereis a virtude do Espírito Santo... e ser-me-eis testemunhas...” Por que rececemos o dunamis, o poder dinâmico do Espírito? Para sermos melhores testemunhas de Cristo! Portanto, caros cessacionistas, o batismo com o (ou no) Espírito Santo não é para ser salvo. Não o confunda com o selo ou batismo do Espírito (Ef 1.13,14). Não é porque você não entende a multifacetada obra do Espírito, que ela não seja real. Ademais, a Palavra de Deus não nos autoriza a desprezar as profecias, tampouco a apagar o fogo do Espírito (1 Ts 5.18-20).

Você não entende o livre-arbítrio? Mas ele é bíblico!

Certos irmãos predestinalistas têm zombado de quem crê na doutrina bíblica do livre-arbítrio. E o que eles mais gostam de fazer é ridicularizar os seus irmãos que crêem de maneira diferente, taxando-os, desdenhosamente, de arminianos. Alguns chegam ao ponto de crer mais em Calvino do que no Senhor Jesus! Ora, o certo é examinarmos tudo e retermos somente o bem (1 Ts 5.21).
Entenda você ou não, o livre-arbítrio é uma verdade bíblicocêntrica e cristalina. E foi Deus quem dotou o ser humano da livre-vontade (Gn 3). Mesmo depois da Queda, e os efeitos deletérios advindos dela, o ser humano continuou com esse atributo (Dt 30.19; Is 1.18,19). E a condição hoje para a salvação em Cristo é — mediante o livre-arbítrio — arrepender-se e crer no evangelho (Jo 3.16,36; Mc 16.16; At 3.19; Rm 10.9,10; Ap 22.17). Não é o fato de você não entender certos pontos difíceis da Bíblia que os invalidam ou lhe dá a liberdade para seguir à sua lógica.
É óbvio que não desprezo os teólogos e suas ponderações. Até porque sou um grande apreciador do labor teológico. Mas precisamos de menos teólogos e filósofos, e de mais amantes da Palavra de Deus, os quais sabem que interpretar a Bíblia nada mais é do que, mediante à iluminação do Espírito Santo (1 Co 2.9,10), extrair dela as verdades reveladas (Dt 29.19; Rm 8.18; Ap 22.18,19). Esse é, inclusive, o sentido do termo “exegese”.
Portanto, caro irmão, seja humilde para reconhecer o seu equívoco interpretativo. Esqueça-se desses “rótulos” que muitos hoje apreciam, pelos quais promovem debates inúteis, como: “Trinitário ou unicista?”, “Cessacionista ou continuacionista?”, “Arminiano ou calvinista?” Siga a Bíblia! Ame a Palavra de Deus! Prefira ser um cristão (1 Pe 4.16) que ama as Escrituras, mesmo que não consiga entender claramente certos pontos difíceis contidos nela (At 17.10,11; 1 Co 4.6).
Amém? Nem todos podem dizer “amém”...

Ciro Sanches Zibordi

domingo, 6 de julho de 2008

sábado, 5 de julho de 2008

Calvinismo, arminianismo ou a Bíblia? (5)


Na quinta parte desta série discorro sobre a segurança da salvação e examino o emblemático bordão “Uma vez salvo, salvo para sempre”.
Os que se apegam ao ultra-arminianismo entendem que a salvação é perdida por qualquer motivo, enquanto os hiper-calvinistas crêem na impossibilidade da perda de salvação. Ambos estão errados, à luz da Bíblia.
Esclareço que não sou arminiano, tampouco inimigo de Calvino. Uma das estratégias dos predestinalistas é dizer logo, apressadamente, acerca de quem se opõe às suas idéias: “Fulano é arminiano”, na tentativa de tirar dele a autoridade. Mas o que exponho neste artigo é o que está escrito na Bíblia. E o meu desejo é que todos reflitam à luz da Palavra de Deus, em vez de pensarem que eu quero convencê-los da “minha verdade”.
Bem, a despeito de não perdermos a nossa convição de vida eterna por qualquer motivo, a permanência consciente no pecado pode sim levar-nos à perda da salvação (Pv 29.1; Hb 10.29), uma vez que a segurança dela depende de nossa cooperação (1 Tm 4.16).
Está escrito na Bíblia: “Também vos notifico, irmãos, o evangelho que já vos tenho anunciado, o qual também recebestes e no qual também permaneceis; pelo qual também sois salvos, se o retiverdes tal como vo-lo tenho anunciado, se é que não crestes em vão” (1 Co 15.1,2). Observe como a manutenção da nossa certeza da salvação está condicionada à obediência ao evangelho verdadeiro (2 Co 11.3,4; Gl 1.8).
Em Mateus 23.37, Jesus disse: “Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te são enviados! Quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e tu não quiseste!” Note que o Senhor Jesus quis ajuntar os filhos de Jerusalém, porém eles não quiseram que Ele assim o fizesse. Isso não é uma evidência de que o Senhor respeita a livre-vontade humana?
Como já vimos nesta série, nenhuma pessoa foi destinada de antemão à condenação (Is 50.2; Ez 18.32). A Bíblia menciona a possibilidade de alguém negar o Senhor que os resgatou (2 Pe 2.1) e perder a salvação: “Porquanto se, depois de terem escapado das corrupções do mundo, pelo conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo, forem outra vez envolvidos nelas e vencidos, tornou-se-lhes o último estado pior do que o primeiro” (v.20).
Isso significa que as pessoas resgatadas, isto é, compradas, purificadas pelo sangue de Jesus, justificadas, regeneradas, santificadas e libertas, se não guardarem o que têm recebido do Senhor, serão condenadas! Veja: “... melhor lhes fora não conhecerem o caminho da justiça, do que, conhecendo-o, desviarem-se do santo mandamento que lhes fora dado” (2 Pe 2.21). Se tais pessoas nunca foram salvas de fato, como isso pode ser dito acerca delas? Como seriam culpadas do seu desvio, se desde o iníncio estavam destinadas à perdição, como afirmam os predestinalistas?
Aos que se desviam da verdade o Senhor dá tempo para que se arrependam (Ap 2.20,21). Alguns salvos em Cristo, resgatados, infelizmente têm apostatado da fé, “... dando ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios” (1 Tm 4.1). E não pense que esse texto se refere aos ímpios. Não! Pois eles não têm de que apostatar! Segue-se que os eleitos podem perder a salvação se não permanecerem em Cristo!
Não é isso que vemos, ao estudar sobre as igrejas da Ásia? Os conselhos para aquelas igrejas abrangeram dois aspectos: arrependimento e manutenção da posição em Cristo. A ordem “Arrepende-te” foi transmitida à maioria (Ap 2.5,16; 3.3,19). Para as outras, o Senhor disse que deveriam guardar, reter, conservar o que tinham, até à morte, para que não perdessem a coroa (Ap 2.10,25; 3.11). O crente que se acomoda, pensando estar salvo para sempre, está iludido e dormindo espiritualmente.
O pastor da igreja em Sardes estava morto — e não sabia! — e precisava tomar uma posição diante do Senhor (Ap 3.1). Conquanto o Senhor Jesus tenha feito a sua parte, ao nos resgatar, temos de operar ou desenvolver a nossa salvação (Fp 2.12; Ef 2.10; Hb 6.9). Em 2 Timóteo 2.10, está escrito: “... tudo sofro por amor dos escolhidos, para que também alcancem a salvação que está em Cristo Jesus com glória eterna”.
Quando Paulo navegava como prisioneiro para a Itália, houve uma grande tempestade no mar (At 27.18-20). Deus, então, enviou um anjo para dizer-lhe que todos escapariam vivos. E Paulo transmitiu a mensagem aos que estavam no navio, estabelecendo uma condição: permanecer na embarcação (vv. 22-31). Conclusão: “E assim aconteceu que todos chegaram à terra, a salvo” (v. 44).
Da mesma forma, quando o pecado entrou no mundo, todos os homens foram nivelados ao estado de pecadores (Rm 3.23; 5.12). Deus podia ter posto fim ao “projeto homem”, porém já tinha um plano redentor: “... encerrou a todos debaixo da desobediência, para com todos usar de misericórdia” (Rm 11.32). Ele colocou à disposição de toda a humanidade o “navio da salvação”. Quem entrar nesse navio e permanecer nele até ao fim chegará ao “porto da salvação” (Hb 3.6).
Quem quiser pode “navegar” em outras “embarcações” ou “canoas furadas”. Contudo, é melhor permanecer no “navio da salvação”, em Cristo, pois a segurança da salvação é para quem nEle permanecer (Jo 10.28). Ninguém pode arrebatar, raptar, o crente da mão de Jesus, a menos que o próprio crente negue a sua fé, seguindo a falsos doutores (2 Tm 4.1-5).
Confiar cegamente na segurança da salvação é agir como as pessoas que embarcaram no Titanic. Achavam que o navio jamais afundaria... Que engano! Em 2 Coríntios 1.13, está escrito: “Porque nenhumas outras coisas vos escrevemos, senão as que já sabeis ou também reconheceis; e espero que também até ao fim as reconhecereis”. Vigiemos, pois, para que não soframos um “naufrágio na fé” (1 Tm 1.19). Atentemos para a advertência da Palavra de Deus, que diz: “Aquele, pois, que cuida estar em pé, olhe não caia” (1 Co 10.12).
Fomos transportados das trevas para a luz; e da morte para a vida (1 Pe 2.9; Jo 5.24). Contudo, se negarmos o Senhor, Ele também nos negará (2 Tm 2.12; Mt 10.32,33). Os nossos nomes estão registrados no livro da vida, mas isso não autentica a máxima predestinalista: “Uma vez salvo, salvo para sempre”. A Palavra de Deus afirma: “O que vencer será vestido de vestes brancas, e de maneira nenhuma riscarei o seu nome do livro da vida...” (Ap 3.5). Ou seja, Jesus não riscará o nome de quem vencer!

Ciro Sanches Zibordi

terça-feira, 1 de julho de 2008

O internauta opina (13)

Amados irmãos, neste Intenauta opina publico a crítica do irmão Lindomar, de Manaus-AM, acompanhada de minha resposta.

Lindomar disse:

eu concordo com o pastor ciro em muitos pontos e descodo em outros eu estou lendo os seu livros (erros que os pregadores devem evitar) custa 31 reais mas tudo bem ei lendo vi que o irmão é contra o retete e eu queri aqui dizer que eu fui alcansado num culto desses mas isso não vem ao caso e no livro voce fala do Benny him mas a biblia diz que se conhece a arvore pelos frutos certo pastor? porem aqui no brasil em manaus mas pessoas corriam pea aceitar jesus isso ta errado também pastor ciro? e eu também vi um video seu no "youtube" e vi o irmão aplicar um erro que no meu ver foi forte pra é critico de pregador na mesagem tu diz que no capitulo 1 de gensis v 27 Deus disse façamos o homem a nossa imagem e etc... e na verdade foi no versiculo 26 há isso foi uma falha que um critico não pode cometer e eu vou terminar de ler o seu livro! Deus abençoe!

Minha resposta:

Prezado Lindomar,

Em primeiro lugar, a paz do Senhor!

Sinto-me honrado em saber que o irmão concorda com muitos pontos constantes de meu livro MAIS Erros que os Pregadores Devem Evitar. Mas não me tenha mal por este conselho: procure escrever melhor, a fim de que transmita com mais clareza as suas idéias. Isso é um conselho, sem nenhuma ironia.

Não vejo problemas em o irmão discordar de alguns pontos constantes da aludida obra. Afinal, se eu fosse escrever para agradar a todos os leitores, o que seriam de meus textos? Teria de mudar de opinião constantemente, a fim de agradar a “gregos e troianos”, não é mesmo?

Sempre escrevi para comunicar o que tenho como verdade recebida da parte do Senhor por meio de sua Santa Palavra. Nunca escrevi para agradar os leitores, por mais que os respeite, desejando que o maior número de pessoas se interessem pelas minhas modestas obras.

O irmão lamentou por ter pago R$ 31,00 no livro? Bem, o preço de tabela da CPAD é mais alto: R$ 31,90. Por outro lado, o irmão podia tê-lo adquirido por um preço menor... Ademais, podia tê-lo recebido em casa! Mas agora é tarde...

Concordo com o irmão: conhece-se a árvore pelos frutos. Isso é bíblico, à luz de Mateus 7.15-23 e outras passagens correlatas. O Senhor Jesus não disse “Pelos seus milagres os conhecereis
”, mas sim “Pelos seus frutos os conhecereis” (Mt 7.15). Entretanto, o irmão, ao que me parece, está se apoiando em supostos milagres, e não no que o Mestre ensinou. Atente para os frutos do referido super-pregador, e não para os seus “milagres”.

Eu afirmei em MAIS Erros que os Pregadores Devem Evitar, e reitero neste comentário, que, se um pregador (por mais famoso que seja) afirmar, de modo blasfemo, que Satanás invadiu o corpo do Senhor Jesus na cruz (entre outras heresias), ele não produz bons frutos. Ou produz? Reflita à luz da Palavra de Deus.

Quanto ao meu erro de citação bíblica (citar Gênesis 1.27 em vez de 1.26), creio que o irmão o mencionou depois procurar exaustivamente um erro doutrinário relevante, tão grave quanto aos cometidos pelo super-pregador que admira. E, pelo que vejo, não encontrou! Por isso, o irmão supervalorizou um erro que todos nós cometemos. Quem nunca errou a citação de uma referência bíblica? Não é esse tipo de falácia que questiono em minhas obras, e sim as relevantes, que depõem contra a Palavra de Deus.

Não sou crítico de pregadores, e sim dos erros que eles devem evitar. Não sei se o irmão me entende. Mas nada tenho contra os pregadores, apesar de eu ter citado dois deles por nome (apenas dois: Benny Hinn e Kenneth Hagin). O meu objetivo é levar o povo de Deus e até os próprios pregadores (eu sou um deles, pela graça de Deus) a seguirem à Palavra do Senhor, adotando-a, verdadeiramente, como a sua regra de fé, de prática e vida, como a sua fonte primacial de autoridade.

Desejo, de todo o meu coração, que o irmão leia a minha modesta obra até ao fim e extraia dela o que lhe for útil (1 Ts 5.21).

Deus o abençoe!

Respeitosamente,

Ciro Sanches Zibordi