sábado, 31 de maio de 2008

Kenneth Hagin negou a teologia da prosperidade antes de morrer?

Amados irmãos, a minha amiga Tamar Soares de Souza, de São Paulo, enviou-me um texto — traduzido por ela mesma do inglês — em que Kenneth Hagin, momentos antes de morrer, se mostra frustrado quanto aos resultados de sua mensagem triunfalista e contesta a teologia da prosperidade, além de outros desvios da Palavra de Deus.
O artigo abaixo, entre aspas, foi originalmente publicado em http://charismamag.com, na coluna do editor Lee Grady (Fire in My Bones). Quanto ao livro O Toque de Midas (The Midas Touch), também mencionado no texto, está disponível no Kenneth Hagin Ministries, em http://www.rhema.org, e já foi traduzido para a língua portuguesa.

O aviso esquecido de Kenneth Hagin

Antes de morrer, em 2003, o reverenciado pai do movimento Palavra da Fé corrigiu seus filhos espirituais por terem ido longe demais com a sua mensagem de prosperidade.
O pregador Kenneth Hagin é considerado o pai do que é conhecido como evangelho da prosperidade. Com jeito de americano típico e autodidata, papai Hagin fundou um movimento em Tulsa, Oklahoma (EUA), que inclui uma faculdade bíblica e vários pregadores famosos. Todos eles ensinam que os crentes que ofertam generosamente devem esperar recompensas financeiras deste lado do céu.

Nota do editor deste blog: dentre os seguidores famosos de Hagin, destacam-se Kenneth Copeland, Oral Roberts, Morris Cerullo e Benny Hinn.

Hagin ensinou que Deus não é glorificado pela pobreza e que pregadores não devem ser pobres. Porém, antes de morrer, em 2003, e deixar o Centro de Treinamento Bíblico Rhema nas mãos de seu filho Kenneth Hagin Junior, ele reuniu muitos dos seus colegas em Tulsa para exortá-los por terem distorcido a sua mensagem. Ele não estava contente com o fato de que muitos de seus seguidores estavam manipulando a Bíblia para dar suporte ao que considerava ganância e arrogante indulgência.
Aqueles que estavam próximos à Hagin dizem que ele estava fortemente empenhado em corrigir esses abusos antes de sua morte. De fato, ele escreveu um livro brutalmente honesto com o objetivo de demonstrar suas preocupações. O livro, O Toque de Midas, foi publicado em 2003. Um ano após a infame reunião em Tulsa.

O Toque de Midas

Aqui estão algumas considerações que Hagin fez no livro O Toque de Midas.

Prosperidade financeira não é um sinal da benção de Deus. Hagin escreveu: “Se prosperidade somente fosse um sinal de espiritualidade, então traficantes de drogas e chefões do crime seriam gigantes espirituais. Prosperidade material pode estar relacionada com as bênçãos de Deus ou pode ser totalmente desconectada das bênçãos de Deus”.
As pessoas jamais devem ofertar com a intenção de receber. Hagin criticou aqueles que “tentam tornar a oferta em uma espécie de máquina de vendas celestial”. Ele denunciou os interesseiros, principalmente aqueles que ofertam carros para obter carros novos ou ofertam ternos para obter ternos novos. Ele escreveu: “Não existe fómula espiritural para semear um Ford e colher um Mercedes.”
Não é bíblico “dar nome à semente” em uma oferta. Hagin estava estupefato com essa prática que foi popularizada nas conferências de fé na década de oitenta. Os pregadores do movimento algumas vezes dizem aos ofertantes que, quando eles dão uma oferta, devem exigir um benefício específico como retorno. Hagin rejeitou essa idéia e disse que “focar no que você irá receber corrompe a verdadeira natureza da nossa atitude de ofertar”.
O “retorno de cem para um” não é um conceito bíblico. Hagin fez as contas e chegou à conclusão de que se essa noção bizarra fosse verdadeira, “nós teríamos crentes por aí não somente com bilhões, mas trilhões ou quadrilhões em dinheiro!” Ele rejeitou o popular ensinamento de que o crente deve exigir uma taxa de retorno específica sobre o valor da oferta.
Não se deve confiar em pregadores que dizem ter uma unção que cancela dívidas. Hagin estava perplexo com ministros que prometem “cancelamento de dívidas sobrenatural” para aqueles que dão uma quantia em oferta. Ele escreveu em O Toque de Midas: “Que eu saiba, não existe nada na Escritura que valide esse tipo de prática. Eu suspeito de que isso seja simplesmente um esquema para levantar dinheiro para o pregador, e no fim das contas pode se tornar perigoso e destrutivo para todos os envolvidos”.
(Muitos televangelistas americanos — e também brasileiros — usam esse falso argumento. Normalmente, eles insistem que o cancelamento miraculoso dos débitos somente acontecerá se a pessoa “ofertar agora mesmo”, como se a unção para esse milagre evaporasse imediatamente depois do programa. Esse recurso manipulador mais parece bruxaria do que crença cristã.)

Hagin condenou outras esquisitices

Ele condenou certas esquisitices usadas para iludir platéias e fazê-las esvaziar suas carteiras. Ele ficou indignado quando um pregador disse no rádio que levaria os pedidos de oração para a tumba vazia de Jesus em Jerusalém e oraria por eles lá, se o os pedidos estivessem acompanhados de uma oferta especial de amor. “O que o pregador do rádio realmente queria era que mais pessoas enviassem ofertas”, disse.
Hagin também escreveu aos seus seguidores: “Superenfatizar ou aumentar o que a Bíblia ensina invariavelmente causa mais danos do que benefícios”. Ora, se o homem que foi pioneiro no “moderno conceito de prosperidade bíblica” deu esse recado aos seguidores de seu próprio movimento, não faz sentido para eles executarem seus ensinamentos anteriores...

Amados irmãos, diante do exposto, seria bom que todos os amantes da teologia da prosperidade, os fãs incondicionais do papai Hagin e os seguidores de pregadores que prometem “mundos e fundos” (como depósito celestial em conta bancária e cancelamento de dívidas de cartão de crédito, etc.) refletissem.
Até que ponto vale a pena seguir a um falso evangelho, contrário à Palavra de Deus e contestado pelo seu principal mentor? Fica aqui o alerta a todos os animadores de auditório que se valem de frases de efeito, promessas triunfalistas, como as mencionadas por Hagin, a fim de “arrancarem” dinheiro do povo de Deus. Meditem em Mateus 7.21-23. Acordem! Ainda há tempo!

Respeitosamente,

Ciro Sanches Zibordi

sexta-feira, 30 de maio de 2008

A verdadeira Assembléia de Deus

A Igreja Evangélica Assembléia de Deus, pioneira do Movimento Pentecostal no Brasil, completará em breve 100 anos.
Como assembleiano, sinto-me honrado em pertencer a essa instituição histórica que já teve em suas fileiras homens como Gunnar Vingren, Daniel Berg, Samuel Nyström, Orlando Boyer, José Amaro da Silva, Eurico Bergstén, Nels Nelson, Cícero Canuto de Lima, Paulo Leivas Macalão, Alcebíades Vasconcelos, Estevam Ângelo de Souza, Bernard Johnson, Lawrence Olson, Lewi Petrus, João Batista da Slva, José Leôncio da Silva, Rodrigo Santana, Isaac Martins, Valdir Nunes Bícego e tantos outros.
Graças a Deus, ela ainda conta com homens piedosos, como Antonio Gilberto da Silva, Alfredo Reikdal, José Pimentel de Carvalho, Raimundo João de Santana, José Antonio dos Santos, Anselmo Silvestre, José Apolônio da Silva e outros pastores mais jovens, fiéis à Palavra do Senhor.
Às vésperas de seu centenário, no entanto, a Assembléia de Deus vem sofrendo na mão de alguns líderes, pregadores e cantores que não têm compromisso com a sã doutrina, os quais dão lugar a preferências pessoais, pontos de vista dissociados das Escrituras, experiências "transcendentais" e modismos injustificáveis. Tudo isso para atraírem multidões incautas e aumentarem receitas de igrejas ou patrimônios pessoais, ignorando textos como Mateus 7.13-23; 24.12; João 6.60-69; 2 Coríntios 2.17; 2 Timóteo 4.1-5; 1 Timóteo 6.9,10.

A "NOVA GERAÇÃO"

Muitos líderes da chamada "nova geração", sem visão espiritual e discernimento (Ap 3.17-19; Is 5.20; 1 Co 2.15), não convidam mais para os seus congressos pregadores e ensinadores que expõem a Palavra de Deus nem cantores que de fato louvam a Deus. Preferem animadores de auditório, super-pregadores e cantores famosos, celebridades que fazem muitas exigências. Por quê? Porque os astros do mundo gospel conseguem juntar mais gente e, conseqüentemente, arrecadar boas ofertas... No final, todos ficam satisfeitos com os resultados (principalmente, financeiros). Menos o Senhor Jesus.
Infelizmente, em muitos congressos, pregadores (pregadores?) famosos se valem de técnicas de manipulação de massa para conseguirem o seu intento: conquistar o público, para depois "arrancar" dele a maior quantia em dinheiro vivo, cheques (muitos sem fundo, que geralmente ficam na igreja) e bens, como relógios, alianças, etc., que também costumam ficar na igreja... Técnicas como mandar o povo juntar as mãos, para as separarem apenas depois da ordem de super-pregadores (exibicionistas), têm sido usadas para supostamente demonstrar o poder de Deus. Mas isso nada tem que ver com o evangelho. É produto da auto-sugestão.
Outra estratégia usada por super-pregadores é derrubar pessoas e "anestesiá-las", a fim de que recebam uma "cirurgia celestial". Quando vários irmãos incautos estão deitados no chão, o "pregador" brada: "Agora vou tirar a anestesia por alguns instantes". Isso basta para várias pessoas começarem a gritar, deixando a platéia bastante eufórica. Sabe como se chama isso? Hipnose!
Nosso tempo tem sido marcado por imitações, más inovações (pois existem as boas), misticismos e falsificações dentro das igrejas (At 20.27-30; 2 Pe 2.1,2; 1 Tm 6.3,4).
Mas a Assembléia de Deus cresceu no Brasil seguindo ao modelo bíblico (2 Tm 1.13; Hb 8.5), e não a opiniões de homens, que passam (1 Pe 1.24,25).
Os pioneiros do Movimento Pentecostal foram fiéis à Palavra do Senhor e puseram o fundamento (1 Co 3.10). Cabe a nós, que cremos na operação multiforme do Espírito Santo (1 Co 12.4-11), saber como devemos edificar.

O MODELO DO VERDADEIRO PENTECOSTES

O modelo para nós, hoje, está no livro de Atos dos Apóstolos (ou melhor, Atos do Espírito Santo), especialmente no capítulo 2. Ali encontramos as características do verdadeiro Pentecostes, que gera crentes e igrejas genuinamente pentecostais. As aberrações que vemos em nossos dias se devem ao distanciamento do modelo bíblico-apostólico, as quais são praticadas por movimentos ditos pentecostais, que são, na verdade, neopentecostais ou neoliberais.
Em Atos 2.1-4, vemos que todos estavam reunidos. A palavra “todos” é inclusiva, o que denota unidade no Espírito Santo. Não havia lugar para discordâncias, contendas, divergências pessoais em torno das coisas de Deus; todos estavam ali, juntos, reunidos. Será que havia naquela igreja espaço para disputas desleais por posição, cargo, etc., como vemos em nossos dias, principalmente em convenções de ministros?
No dia de Pentecostes, veio do Céu um som como de um vento (At 2.2). O que está ocorrendo atualmente nas igrejas vem mesmo do Céu? Reflitamos sobre a origem daquilo que ouvimos, vemos e sentimos (At 17.11). O verdadeiro revestimento de poder do Espírito vem do Alto (Lc 24.49; At 11.15). A Palavra de Deus nos alerta quanto a “outro espírito” (2Co 11.4), isto é, espíritos que se passam pelo verdadeiro Espírito de Deus (1 Jo 4.1).
O som que veio do Alto era como de um vento. Não houve vento natural de fato, e sim algo semelhante a seus efeitos. O que isso representa? O vento tem as seguintes características: impulsiona; separa (Sl 1.4 e Mt 3.12); movimenta; fertiliza (Cl 4.16; Jo 3.5,8); limpa; não tem cor (favoritismo, individualismo, discriminação); move-se continuamente (cf. Ec 1.6 e Gn 1.2); espalha perfume; suaviza no calor; vivifica (Ez 37.8-10). Mas devemos ter cuidado com os ventos que não provêm do Espírito de Deus (Mt 7.25; Ef 4.14).
Línguas como que de fogo também foram repartidas (At 2.3). O verdadeiro Pentecostes tem algo para se ouvir, para se ver e para se repartir, mas “do Céu”. Textos como Atos 2.4; 10.44-46 e 11.15 evidenciam que as línguas estranhas são o sinal físico inicial do batismo com o Espírito Santo. Elas são apresentadas, também, como um dos dons espirituais (1 Co 12.10,30). É isso que evidencia o batismo no Espírito, e não “quedas de poder” ou risos intermináveis.
As línguas foram “como que de fogo”. O que isso significa? O fogo tem as seguintes características: alastra-se; comunica-se; purifica; ilumina; aquece. A Assembléia de Deus, bem como toda e qualquer igreja que deseja caminhar sob poder do Espírito, precisa desse fogo do Céu!
Diante da manifestação do Espírito de Deus no dia de Pentecostes, muitos zombaram, dizendo: “Estão cheios de mosto” (At 2.13). Esses escarnecedores não eram pessoas ímpias, e sim religiosas. Hoje não acontece a mesma coisa? Há muitos zombadores e críticos religiosos. A Palavra de Deus afirma que, no último tempo, haveria escarnecedores (Jd v. 18).
No entanto, Pedro, cheio do Espírito Santo, pôs-se em pé e, além de dar uma resposta aos zombeteiros, pregou a Palavra de Deus (At 2.14-15). O verdadeiro Movimento Pentecostal é formado por crentes cheios do Espírito, que ficam de pé para pregar o evangelho, e não por aqueles que, dando lugar às suas emoções ou seguindo a modismos, caem ao chão para usufruir de “novas unções”...
Em muitos púlpitos (ou palcos?) não há mais espaço para a Palavra de Deus. O tempo é ocupado por excesso de música, peças teatrais, coreografias... A Assembléia de Deus precisa olhar para os pioneiros e se lembrar do temor que eles possuíam, do amor à Palavra e à oração, do desejo de evangelizar...
Só assim o capítulo 29 de Atos do Espírito Santo continuará sendo escrito por essa igreja e outras, fiéis à Palavra do Senhor.

Ciro Sanches Zibordi

quinta-feira, 29 de maio de 2008

STF aprovou pesquisas com células-tronco embrionárias. E agora?


Ontem e hoje, os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) se reuniram para definir o indefinível, cientificamente: em que momento começa a vida. Não conseguiram, é claro, estabelecer exatamente a origem da vida humana. Mas, ao final, chegaram ao consenso de que os embriões, nos primeiros dias, não têm status de "pessoa". E, por isso, decidiram que as pesquisas com células-tronco embrionárias não são inconstitucionais.
O STF aprovou, sem restrições, a continuidade das aludidas pesquisas no País. Mas o presidente do Supremo, Gilmar Mendes, o último a apresentar sua decisão e votar a favor das pesquisas, disse que há necessidade de uma análise por parte do comitê ligado ao Ministério da Saúde.
Eles julgaram uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) contrária às pesquisas, em direito à vida. Depois de um debate acalorado sobre a interpretação dos votos e as restrições sugeridas pelos ministros, o presidente encerrou a sessão, anunciando um placar de seis votos pela improcedência da ação. Mas houve cinco votos com ressalvas, em maior ou menor grau, às pesquisas.
As ressalvas feitas pelos cinco ministros (de um total de onze) estimularão, com certeza, um debate no Congresso, haja vista ser a questão em apreço extremamente sensível, relacionada com a vida e com a dignidade humana. Para muitos, a decisão do STF foi uma vitória da vida, atendendo à expectativa de milhares de pacientes que têm esperança de cura para as suas doenças. Segundo eles, as pesquisas de células-tronco trarão respostas para doenças que não têm tratamento hoje.
Mas, o que a Bíblia diz a respeito? Em Salmos 11.3, está escrito: "... os fundamentos se transtornam. Que pode fazer o justo?" Como os crentes em Jesus Cristo, através da bancada evangélica, em Brasília, devem se posiocionar quanto a esse assunto? Em primeiro lugar, todos nós devemos ter um conhecimento mínimo acerca das células-tronco, à luz da Palavra de Deus e da ciência. E é esse o objetivo dessa postagem: informar o povo de Deus sobre o assunto, ainda que de maneira sucinta.

O que são células-tronco?

As células, de maneira geral, são as unidades estruturais e funcionais dos organismos vivos. Uma célula representa a menor porção de matéria viva dotada da capacidade de auto-duplicação independente. Depois da fecundação, o ovo se divide em duas partes, de duas em quatro, de quatro em oito e assim sucessivamente até atingir a fase de algumas centenas de células com o poder de se diferenciarem em qualquer tecido.
No entanto, em determinado momento, “elas recebem uma ordem”, e umas se diferenciam em fígado, outras em ossos, sangue ou músculo, etc. Daí em diante, todas as suas descendentes, de acordo com essa mesma ordem, continuarão diferenciadas: a célula do fígado só vai dar origem a células do fígado; a do sangue, só a células do sangue...
As células-tronco são células mestras, capazes de se multiplicarem e se diferenciarem nos mais variados tecidos do corpo humano (sangue, ossos, nervos, músculos, etc.). No momento da fecundação, como já vimos, começam as primeiras divisões celulares e surgem as células-tronco, que dão origem a todos os tecidos do corpo. Estas células existem até quando o embrião atinge 32 a 64 células.
Células-tronco adultas são encontradas em vários tecidos humanos, em pequenas quantidades, no cordão umbilical, na placenta e na medula óssea. As células-tronco embrionárias — cobiçadas por terem múltipla capacidade de diferenciação — são obtidas a partir de um óvulo fecundado (geralmente, descartado em uma clínica de fertilidade), e precisam ser colhidas até a divisão em 64 células, o que leva no máximo cinco dias.

O que a ciência diz sobre as células-tronco embrionárias?

Os cientistas, em sua maioria, dizem que, se for constatada a morte cerebral de alguém, pode-se — se a família estiver de acordo — retirar dele o coração e outros órgãos para transplantá-los numa pessoa que precise. A sociedade não só aceita esse ato da medicina como o considera louvável. Qual é o princípio que orienta tal procedimento? A ausência de funcionamento do sistema nervoso. Esse princípio, segundo a ciência, deveria se aplicar à manipulação de embriões, uma vez que não existe neles o menor esboço de sistema nervoso central.
Os pesquisadores também afirmam que não tem lógica considerar que um óvulo fecundado por um espermatozóide num tubo de ensaio, depois de três ou quatro divisões, é uma vida com o mesmo direito de uma criança na cadeira de rodas, sentindo-se cada vez mais incapacitada.
Numa matéria publicada em 5/11/2007, em O Estado de São Paulo, há a seguinte declaração da diretora do Centro de Estudos do Genoma Humano da Universidade de São Paulo (USP), Mayana Zatz:
"Há uma diferença muito grande entre uma célula viva e um ser humano. Cada célula do corpo está viva. Um coração a ser transplantado está vivo, mas isso não quer dizer que seja um ser humano. A possibilidade de um embrião gerar células não quer dizer que vá gerar um ser humano".

O que a Palavra de Deus diz sobre isso?

De acordo com a Bíblia, que está acima de qualquer ciência, o ser humano não se restringe à matéria. O "homem interior" (espírito+alma) é mais importante do que o homem exterior, isto é o seu corpo (Zc 12.1; 1 Ts 5.23), como lemos em Jeremias 1.5:
"Antes que eu te formasse no ventre, eu te conheci; e, antes que saísses da madre, te santifiquei e às nações te dei por profeta".
O ser humano é criado, formado e feito, nesta ordem; ou seja, antes da sua formação já é conhecido pelo Criador (Is 43.7; Gn 1.27; 2.7,22). Para Deus, o corpo informe, mesmo sem o funcionamento do sistema nervoso, já é considerado um ser humano. Leia com atenção Salmos 139.13-16.
Por conseguinte, ainda que os ministros do STF tenham outro entendimento, dissociado do que dizem as Escrituras (nossa regra de fé, de prática e de vida), e haja um grande clamor pelo emprego de células-tronco embrionárias em pesquisas pró-vida, os embriões são pessoas inocentes e indefesas (Êx 23.7).
É claro que essa questão envolve outros aspectos. Sugiro a todos que se aprofundem no assunto, analisando todas as implicações das mencionadas pesquisas. Mas uma coisa é certa: não podemos aceitar como verdadeiro tudo o que a ciência diz (1 Tm 6.20; 2 Co 4.4). Para os salvos em Cristo a Palavra de Deus é a fonte primacial de autoridade (2 Tm 3.16,17).

Ciro Sanches Zibordi

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Igrejas “evangélicas” que não pregam o evangelho

Atenção! Atenção! Você pode estar sendo enganado! Na atualidade, há três igrejas conhecidas como evangélicas que, apesar de terem Deus no nome, não pregam o verdadeiro evangelho. Elas “arrastam” multidões. Pessoas se acotovelam para ouvir os seus pregadores, mas...
Por favor, não me pergunte quais são os nomes delas! Isso é apenas um alerta, um aviso a pessoas que, ingenuamente, freqüentam igrejas ditas evangélicas que propagam “outro evangelho”, e não o evangelho de Cristo (1 Co 15.1,2; 2 Co 11.3,4. Gl 1.6-12; 1 Tm 6.3,4).
Refiro-me a três grandes igrejas, cujos templos estão sempre lotados. A maior delas ainda não conquistou outros planetas — haja vista não existir vida fora da Terra —, mas a sua meta é crescer em nível universal. A segunda maior também está em boa parte do globo terrestre; trata-se já de uma igreja internacional. E a terceira também não deixa por menos. Conquanto menor do que as outras, já pode ser considerada mundial.
Estou falando de três líderes carismáticos, telepregadores muito bem-sucedidos em seus negócios. Quem lê entenda. Os dois primeiros fundaram a primeira igreja. O segundo e o terceiro saíram da primeira. O mais rico (está entre os mais ricos do País!) tem um reino à sua disposição. O segundo mais rico é um missionário, quer dizer, um milionário cheio de graça, que prega, canta, conta piadas... E o terceiro vem suando bastante (a ponto de os fiéis recolherem o seu suor!) para demonstrar que a sua igreja tem muito poder. São três os objetivos deles: dinheiro, dinheiro e dinheiro. Por esta razão, pregam o tempo todo sobre isso.
Essas igrejas aparecem na mídia todos os dias e têm muitos seguidores — você pode ser um deles! —, mas não pregam, como já disse, o verdadeiro evangelho. A primeira prega o evangelho da prosperidade. A segunda, o evangelho triunfalista. E a terceira, o evangelho empirista.
Os auditórios dessas igrejas, em geral, são formados por três tipos de pessoas, nessa ordem: interesseiras que freqüentam cultos apenas para se tornarem empresárias ou saírem de uma crise financeira; interesseiras que só vão aos cultos para receberem curas, bens materiais ou soluções de problemas; e interesseiras que freqüentam os cultos apenas para receberem milagres.
Bem, a primeira igreja contraria o que diz a Bíblia acerca do Reino de Deus: “... não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo” (Rm 14.17), ao enfatizar apenas e tão-somente que o crente deve ser próspero nesta vida. Deus faz prósperos os seus filhos (Sl 1; 23; 37), mas um crente que só pensa em dinheiro e bens materiais está longe de agradar ao Senhor Jesus (Mt 6.19-21; 1 Tm 6.9,20; Ef 5.5).
A segunda igreja não valoriza a graça do Senhor Jesus, posto que promove um culto antropocêntrico, centrado nas necessidades humanas. As pessoas não freqüentam os cultos primeiramente para adorar ao Senhor, e sim para receberem bênçãos, como se Deus fosse aquele bom velhinho do Pólo Norte... Deus abençoa o seu povo, mas o nosso culto deve ser cristocêntrico, isto é, em adoração e louvor a Cristo (1 Co 1.22,23; 2.1-5). A oração modelo não começa com “O pão nosso de cada dia nos dá hoje”, e sim: “Pai nosso que está nos céus, santificado seja o teu nome” (Mt 6.9).
Finalmente, a terceira igreja apresenta um culto aos milagres. Tudo gira em torno de sinais, prodígios, curas... Há problema nisso? Claro que sim! O Senhor Jesus, quando andou na terra, ficou o tempo todo curando os enfermos e fazendo milagres? Não! Ele ensinava, pregava e curava, nessa proporção (Mt 4.23; 11.1). Ele ensinou mais que pregou; e pregou mais que curou. Além disso, pregar o evangelho não é pregar milagres, pois estes são o efeito da pregação do evangelho (Mc 16.15-20). Por isso, na hierarquização que Deus estabeleceu para os dons do Espírito, milagres e curas aparecem depois de apóstolos, profetas e doutores (1 Co 12.28).
Diante do exposto, qual é a igreja que tem abrangência universal, mas só prega a teologia da prosperidade, não fazendo jus à definição bíblica de Reino de Deus?
Qual é o nome da igreja cujo líder, cheio de graça, é conhecido em âmbito internacional?
E que igreja é essa cujo dirigente mundial faz da pregação de milagres o seu carro-chefe, deixando de pregar o evangelho pleno, composto de promessas, mandamentos e princípios?
Bem, saber essas respostas não é tão importante. O que vale a pena mesmo é não seguir a falsos mestres que se dizem bispos, missionários e apóstolos (2 Tm 4.1-5), e sim ao Bom Pastor, o nosso Senhor Jesus Cristo (Jo 10.11,27,28).

Na defesa do evangelho,

Ciro Sanches Zibordi

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Pastor brasileiro residente nos Estados Unidos faz alerta sobre Benny Hinn

Saudações, pastor Ciro!

Quero dar-lhe outras informações sobre o pastor Benny Hinn. Recentemente, num de seus programas na rede de televisão TBN, transmitido para todos os Estados Unidos, ele afirmou que o Senhor Jesus Cristo tem se encarnado para pregar o evangelho nos países muçulmanos em razão da impossibilidade de serem enviados missionários.
A cada semana, ele apresenta mais e mais heresias. Espero que o seu blog venha abrir os olhos do povo de Deus aí no Brasil, desmascarando as incenações e heresias dos que tentam mascarar a pureza do evangelho a nós ensinado pelo nosso Senhor Jesus Cristo.
Gostaria também de dizer que fui aluno do saudoso Valdir Bícego, ainda quando ele era o pastor no bairro da Vila Guarani, em São Paulo-SP.

Pastor Josué
Para saber mais sobre Benny Hinn, acesse:
http://cirozibordi.blogspot.com/2007/04/benny-hinn-um-profeta-de-deus.html

segunda-feira, 12 de maio de 2008

O que a Bíblia diz (ou não diz) sobre o chamado ministério pastoral feminino


Nesses últimos dias, há um tipo de exegese (ou melhor, eisegese) pela qual se procura a todo custo encontrar apoio bíblico para o que já está em vigor. É como se pudéssemos oficializar, biblicamente, o usual, o que, na prática, já existe. Por exemplo: há danças em várias igrejas; então, encontremos referências bíblicas que as autorizem. Já existem “pastoras” em várias denominações; achemos também passagens em apoio ao “ministério feminino”.
Ora, quem tem a Bíblia como a sua fonte primária de autoridade, como a sua regra de fé, de prática e de vida, não deve viver à mercê da falaciosa exegese (exegese?) mencionada. Por isso, resolvi escrever este artigo, não para agradar ou desagradar alguém. Como disse Monteiro Lobato, "Há dois modos de escrever. Um, é escrever com a idéia de não desagradar ou chocar alguém (...) Outro modo é dizer desassombradamente o que pensa, dê onde der, haja o que houver: cadeia, forca, exílio" (Carta a João Palma Neto, São Paulo, 24/1/1948).
Estariam os homens impedindo as mulheres de exercer o ministério pastoral? Essa questão tem gerado polêmica e dividido opiniões. Mas eu quero mostrar, de maneira isenta — apesar de eu ser homem —, o que a Bíblia diz. Peço às irmãs que acreditem em mim, pois não tenho intenção alguma de agradá-las ou irritá-las. Este artigo é uma exegese bíblica, imparcial, de quem deseja andar segundo a vontade de Deus, e não conforme o que homens e mulheres convencionam.
Antes de discorrer sobre o “ministério pastoral feminino”, e para ser imparcial, devo mostrar o que as Escrituras dizem sobre o relacionamento entre homem e mulher.

O QUE A BÍBLIA DIZ SOBRE A SUBMISSÃO

Muitos homens devem reconsiderar a sua opinião acerca das mulheres, que, ao longo dos séculos, vêm sendo discriminadas, principalmente no meio religioso. Vejo que a atitude inconveniente de alguns homens tem como resposta uma postura hostil por parte das mulheres, gerando a chamada “guerra dos sexos”. Por que muitas mulheres cristãs estremecem ante o ensinamento bíblico da submissão? Porque muitos maridos são autoritários e se consideram superiores a elas, não respeitando a sua sensibilidade.
No cristianismo genuíno, não há espaço para machismo e feminismo, movimentos extremados que não reconhecem a verdadeira posição do homem e da mulher na sociedade. O primeiro considera a mulher inferior, enquanto o outro trata o homem como um demônio. No Corpo de Cristo, há lugar para ambos os sexos, desde que reconheçam, à luz das Escrituras, a sua posição.
Paulo compara a submissão da mulher à sujeição de Jesus a Deus Pai (1 Co 11.3). Tanto o Deus Filho quanto o Deus Pai pertencem à Trindade, sendo iguais em poder (Mt 28.19; Jo 10.30). Todavia, Cristo, por amor ao Pai, submete-se voluntariamente, recebendo dEle toda a honra (Fp 2.5-11). Além disso, Paulo ensina: “... assim como a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo sujeitas a seus maridos” (Ef 5.24). E Cristo não obriga ninguém a obedecê-lo (Lc 9.23; Tg 4.8).

O QUE A BÍBLIA DIZ SOBRE AS DIFERENÇAS

Segundo a Bíblia, a relação entre homem e mulher deve ser, antes de tudo, de respeito mútuo (1 Co 7.3-5). Deus formou Eva a partir de uma das costelas de Adão (Gn 2.18-22) para demonstrar que a mulher não deve estar nem à frente nem atrás, mas ao lado do homem, como ajudadora. E ser ajudadora não é ser inferior, pois o próprio Deus é o nosso Ajudador (Hb 13.5,6).
Na Palavra de Deus não há espaço para o falacioso igualitarismo feminista, porém a Bíblia também não diz que a mulher é inferior ao homem. Ela é o “vaso mais fraco” (1 Pe 3.7). Quer dizer, mais frágil, mais sensível e, por isso, deve ser amada e honrada pelo marido (Ef 5.25-29). O princípio que deve prevalecer é o da prioridade, e não o da superioridade (1 Tm 2.13).
Deus não faz acepção de pessoas (At 10.34). Por que, então, alguns homens se consideram superiores? Deus fez a mulher diferente do homem para que ambos se completem, no lar, na sociedade e no serviço do Senhor. Nesse caso, existem tarefas que o homem desempenha melhor, enquanto há atividades em que o talento feminino se sobressai. E isso também deve acontecer nas igrejas.

O QUE A BÍBLIA DIZ (OU NÃO DIZ) SOBRE A ORDENAÇÃO

Há ou não respaldo bíblico para a ordenação de mulheres? Reitero que nada tenho contra as mulheres, mas peço às minhas amadas leitoras que não fiquem bravas comigo. Afinal, como eu já disse, a minha fonte primacial é a Bíblia. Se fosse o meu raciocínio a minha fonte máxima de autoridade, com certeza afirmaria, sem medo de errar, que as mulheres têm todo o direito de reivindicarem a ordenação pastoral. Mas, quem sou eu ante a infalível e inerrante Palavra de Deus?
1) Na Bíblia, a única pastora mencionada é Raquel, uma pastora de ovelhas (Gn 29.9). E o termo “bispa”, em voga na atualidade, sequer existe. Foi uma certa “episcopisa” que, ao lado de seu marido “apóstolo”, o popularizou.
2) Muitos têm dito que as mulheres sequer eram citadas nas genealogias, pois entre os judeus elas eram desprezadas. Isso em parte é verdadeiro. Contudo, esse argumento não é válido para o que está escrito na Lei, pois foi Deus quem entregou todos os preceitos da Lei a Moisés. Seria Deus machista?
3) Os defensores da ordenação feminina citam como exemplo a valorosa cooperadora de Paulo e esposa de Áqüila, Priscila (At 18.26). Mas tudo não passa de conjectura, haja vista não haver nenhuma referência que confirme o seu apostolado.
4) Também citam Júnias, que — pelo que tudo indica — era um cooperador de Paulo (Rm 16.7). Mesmo que fosse mulher, o texto não afirma, categoricamente, que se tratava de alguém que exercesse o ministério pastoral ou apostólico.
5) Na igreja primitiva, as mulheres se ocupavam da oração (At 1.14) e do serviço assistencial (At 9.36-42; Rm 16.1,2). E algumas se notabilizaram como fiéis cooperadoras do apóstolo Paulo, como Febe, a mencionada Priscila, Trifena, Trifosa, etc. (Rm 16), além de Lídia, a vendedora de púrpura (At 16.14). Não há nenhuma referência a mulheres exercendo atividades pastorais.
6) Alguns teólogos feministas — de maneira precipitada e infeliz — afirmam que Paulo era machista, contrário às mulheres, em razão de sua formação. Isso não resiste a uma exegese, pois nenhum machista aconselharia os homens a amarem a sua própria mulher, como em Efésios 5.25. Nenhum machista citaria tantas mulheres, como em Romanos 16. Paulo, como imitador de Cristo (1 Co 11.1), tratou as mulheres da mesma maneira que o Senhor. E, quem dentre nós, tem autoridade para dizer que Jesus era machista?
7) Se Paulo era machista, o que dizer de Jesus, que escolheu doze homens para compor o ministério da igreja nascente, de acordo com Mateus 10.2-4? Ele teria se enganado? Ou o Mestre tinha algum vínculo com fariseus, saduceus, escribas ou quaisquer grupos machistas de sua época?
8) Na escolha dos primeiros diáconos, que poderiam vir a ser ministros, caso tivessem chamada de Deus para tal e servissem bem ao ministério (Hb 5.4; 1 Tm 3.13), os apóstolos disseram: “Escolhei, pois, irmãos, dentre vós, sete varões...” (At 6.3).
9) No primeiro concílio, em 52 d.C., os rumos da igreja foram traçados por homens (At 15).
10) Em Apocalipse 2 e 3, são mencionados os pastores das igrejas da Ásia.
Como se vê, apesar de toda a polêmica em torno desse assunto, a Bíblia é clara. Embora as mulheres tenham importante papel ao longo das páginas do Novo Testamento, aparecendo na linhagem e no ministério de Cristo (Mt 1.3,5,6,16; Lc 8.1-3), Deus conferiu aos homens, em regra geral, o exercício da liderança eclesiástica (Ef 4.8-11).

UMA PALAVRA ÀS IRMÃS EM CRISTO

Amadas irmãs, peço-lhes que não fiquem bravas comigo. Talvez, se eu fosse uma mulher, as irmãs aceitariam melhor o que tenho exposto. Mas quero lhes dizer que as irmãs podem e devem pregar o evangelho, orar pelos enfermos e desempenhar todas as tarefas de um seguidor de Jesus (Mc 16.15-18), pois também são cooperadoras de Deus (1 Co 3.9).
O que lhes é vedado, não por mim, mas pela Palavra de Deus, é o desempenho de funções reservadas aos ministros. Por exemplo, só os ministros podem ungir os enfermos (Tg 5.14; Mc 6.13). Nem os homens, se não pertencerem ao ministério, podem fazer isso! Nesse caso, as mulheres também não devem ungir, a menos que queiram agir por conta própria, e não segundo os preceitos bíblicos.
Por outro lado, muitos obreiros — por falta de conhecimento ou amadurecimento — as impedem de testemunhar, valendo-se erroneamente do texto de 1 Coríntios 14.34,35. Aqui, Paulo com certeza não se opôs à pregação feita por mulheres, visto que no capítulo 11 ele mesmo disse que as mulheres podem profetizar na casa de Deus. Certamente, o apóstolo se referiu ao falatório ou a um tipo de participação no culto que implicasse ascendência das mulheres sobre os ministros do Senhor, o que infelizmente aconteceu na igreja de Tiatira (Ap 2.20-22).
Outro texto que tem sido usado de modo errado para impedir as irmãs de ministrarem em escolas dominicais, conferências, estudos, etc., é 1 Timóteo 2.12. Mas o apóstolo Paulo, claramente — à luz dos contextos imediato e remoto —, alude a um tipo de participação feminina que resulte em enfraquecimento da autoridade masculina, quer no lar, quer na casa de Deus, o que fere os conceitos bíblicos já expostos neste artigo.
Finalmente, reconheço, queridas irmãs, que há exceções, como mulheres que estão no campo missionário. Mas não devemos transformar as exceções em regras, como tem ocorrido em igrejas cujas esposas de pastores são declaradas, automaticamente, pastoras. Quando fazemos valer a nossa própria vontade ou a de outras pessoas à nossa volta, e não a vontade de Deus, corremos o risco de enquadramento no que o Senhor Jesus disse em Mateus 7.21-23.

Respeitosamente,

Ciro Sanches Zibordi

domingo, 11 de maio de 2008

Mais de 150.000 acessos, para a glória de Deus!

Caros internautas, foi necessário mais de um ano para chegarmos a 100.000 acessos. Isso ocorreu no dia 25 de fevereiro de 2008 (nosso weblog foi criado em 13 de janeiro de 2007, mas só começou a ser divulgado em meados de maio de 2007). Agora, para a glória do Senhor Jesus, em menos de três meses chegamos à expressiva marca de 150.000 acessos! Glória a Deus!
Divulgo isso não para me gloriar, pois Deus não prioriza a quantidade, mas Ele a valoriza. Quando o resultado numérico decorre da exposição da verdade, é sim motivo de louvor a Deus! Quanto às mensagens anônimas, irônicas e em caixa alta que recebi, dizendo que os números são forjados mediante a tecla F5, basta observar o número médio de internautas on line... Além disso, se alguém tiver alguma dúvida, experimente teclar F5 150.000 vezes!
A equipe formada por Ciro, Sanches e Zibordi agradece a todos que acessam diariamente este espaço! Que Deus os abençoe mais e mais!

sábado, 10 de maio de 2008

"Estou cheio da fúria do Senhor"

Alguns “fã-náticos” me acusam de ter inveja de seus cantores e pregadores-ídolos, como já disse em meu livro Mais Erros que os Pregadores Devem Evitar. Eles também afirmam que eu estou cheio de ódio... Sabe que eles, de certa forma, têm razão?! Mas não pense que eu tenho ódio de pessoas que seguem a heresias e modismos. A foto acima é para ilustrar o quanto estou tranqüilo ao escrever este artigo. Que tal um cafezinho, a fim de conversarmos calmamente sobre os desvios da Palavra de Deus?
Sabe, não odeio mesmo os super-pregadores e cantores-ídolos da atualidade, e sim as heresias e modismos injustificáveis que eles têm propagado por meio de suas canções e falações, influenciando e modificando o que chamamos de culto. Por isso, estou cheio de juízo para verberar acerca do que contraria a vontade de Deus, assim como o profeta Miquéias (Mq 3.8). Quer saber do que eu tenho "ódio"?
Tenho “ódio” das cantorias intermináveis, haja vista estas tirarem, nos cultos, o tempo destinado à exposição da Palavra de Deus, o que contraria a Bíblia (1 Co 14.26). Por graça de Deus, tenho sido convidado para pregar desde os meus dezoito anos, e em alguns lugares fico com a impressão de que, se pudessem, excluiriam a pregação do programa... Entretanto, em seu ministério, Jesus pregou e ensinou muito mais do que cantou, sabia?

Tenho “ódio” de shows e toda a sua parafernália, que ajuntam milhares de pessoas, levam-nas ao delírio, mas também as afastam da Palavra de Deus, da manifestação genuína dos dons espirituais, da reverência, da verdadeira adoração em espírito e em verdade, etc.
"Ah, mas muitas pessoas vão à frente", alguém dirá. Oh, sim, é verdade, porém não há base bíblica para justificar erros valendo-se de supostos acertos. Já pensou se alguém passasse a noite toda com uma chamada "mulher de vida fácil" (na realidade, de vida difícil), e depois dissesse: "O importante é que eu a evangelizei"?
Tenho "ódio" desse novo estilo de vida "cristão", propagado por uma "geração de adoradores-fãs”, capazes de citar letras de canções e chavões de animadores de auditório decor e salteado... Esses "adoradores", infelizmente, desconhecem o ABC da Bíblia, isto é, o básico das doutrinas bíblicas. Afirmam, quando alguém os questiona: "Eu acho isso; eu acho aquilo". Nenhum deles se posiciona com base na Palavra de Deus (1 Pe 3.15).
Tenho “ódio” de canções e falações antropocêntricas, que levam o crente a supervalorizar o poder de suas "declarações de fé", esquecendo-se de depender inteiramente do Senhor e submeter-se a Ele como servo. Essa geração de "sonhadores apaixonados" não faz outra coisa a não ser "profetizar" isso e aquilo, na hora em que bem entendem... "Somos boca de Deus na Terra", dizem. Mas a verdadeira autoridade têm aqueles que valorizam a Palavra de Deus, e não as suas palavras mágicas (Hb 4.12; Tg 5.17).
Tenho “ódio” dessa superfluidade que impera no meio evangélico, a qual tem levado muitos crentes a valorizarem o que não tem valor, e desprezarem o que verdadeiramente é precioso. Muitos jovens, que podiam passar a noite orando e estudando a Palavra de Deus, divertem-se em baladas gospel... Isso graças ao relativismo e às efemeridades que aprendem de seus cantores-ídolos e pregadores frouxos, que não amam as Escrituras.
Pergunte aos “fã-náticos” de plantão se eles sabem de fato o que é salvação, graça, misericórdia, vida cristã, evangelização, fazer discípulos, santificação, fruto do Espírito, dons espirituais, renúncia, culto racional, reverência, etc. Pergunte a eles se sabem o que é o Arrebatamento da Igreja, e o que acontecerá nesse grande Dia. Será que sabem diferençar o Tribunal de Cristo do Trono Branco? Sabem o que será a Grande Tribulação? Lêem eles a Bíblia Sagrada e oram diariamente?!
Tenho “ódio” do pecado e dos embaraços, que tão de perto nos rodeiam (Hb 12.1,2), pois, como diz a Palavra de Deus, devemos combater contra o pecado, resistindo-o até ao sangue (Hb 12.4).
Mas não tenho ódio de nenhuma pessoa! Não odeio nem o Diabo! Por quê? Ora, se eu odiá-lo, estarei me igualando a ele!
Eu aborreço, sim, as obras de Satanás. Por isso, sigo a Cristo e me sujeito a Ele (Tg 4.7), sendo fiel ao que a Palavra do Senhor diz em 1 João 3.8: “Quem comete pecado é do diabo, porque o diabo peca desde o princípio. Para isto o Filho de Deus se manifestou: para desfazer as obras do diabo”.
Portanto, você que vive chamando o Inimigo para a briga e provocando-o com palavras ofensivas saiba que a única maneira de vencê-lo de verdade é não cometendo pecados (Tg 1.14,15). Caso contrário, serão inúteis os seus xingamentos! Satanás rirá de você, a despeito de berrar ofensas contra ele. A menos que você tenha uma vida de santificação e submissão ao Senhor Jesus Cristo e sua Palavra (Hb 12.1-14; Tg 4.7,8; Mt 4.1-11), jamais vencerá o príncipe das trevas!

Com amor,

Ciro Sanches Zibordi

quinta-feira, 8 de maio de 2008

O tempo de dançar chegou?

Prezados internautas, após um longo período estou retomando a série Análise bíblica de "canções evangélicas", que — como todos já sabem — dá muito pano para manga e irrita alguns fãs de determinados grupos e cantores. Reitero que não escrevo para agradar ou atacar pessoas, e sim para expor a verdade à luz da Bíblia. Neste artigo, analisarei, atendendo a pedidos, cada parte da canção "Ele vem", também conhecida como "Incendeia".

"O tempo de cantar chegou; o tempo de dançar chegou; o tempo de cantar chegou..."

Para o servo do Senhor, sempre é tempo de cantar louvores. Mas estamos num tempo em que devemos também chorar, clamar, buscar mais a Deus... À luz da Palavra do Senhor, é também tempo de evangelizar, de guardar o que temos recebido do Senhor, de vigiar.
Concordo que cantar — quando de fato cantamos louvores — seja importante, porém não é a nossa prioridade. As últimas palavras de Jesus antes de ser assunto ao céu foram mandamentos e orientações quanto à evangelização do mundo (Mt 28.19; Mc 16.15; At 1.8). Por isso, preferiria: "O tempo de evangelizar chegou".

"O tempo de dançar chegou"

Bem, para mim nunca foi e nunca será tempo de dançar. Mas tenho de ser convincente em minhas explicações, uma vez que os amantes da dança (que já devem ser maioria) ficarão muito bravos comigo...
Por que o tempo de dançar não chegou e nunca chegará, pelo menos para quem deseja andar segundo as Escrituras? Por várias razões.
1) Ao longo da História, a dança nunca esteve presente na liturgia das igrejas cristãs. É claro que uma ou outra pessoa falava em “dança no Espírito”, e outras até cantavam, sem dançar, o famoso corinho “Se o Espírito de Deus se move em mim, eu danço como Davi”. Por que agora esse assunto tão controvertido deve ser tratado como natural? Por que a dança é agora tão essencial para um culto de louvor a Deus?
2) A Palavra de Deus diz que há diversidade de ministérios (1 Co 12.5), mas não nos esqueçamos de que isso alude à maneira multiforme de o Espírito Santo atuar. Essa menção de modo algum apóia todo e qualquer ministério inventado por pessoas que querem fazer prevalecer as suas preferências pessoais. Na Bíblia não há apoio ao chamado ministério da dança.
3) Os defensores da dança citam Miriã e Davi, mas as suas atitudes e ações, conquanto não tenham sido reprovadas por Deus, deram-se fora do culto coletivo a Deus. Foram atos patrióticos, pelos quais extravasaram a sua alegria. Daí o próprio Davi, ao organizar o culto, juntamente com Asafe, não ter feito nenhuma menção à dança, estabelecendo apenas cantores e músicos (1 Cr 25.1).
4) Não há base bíblica para se introduzir danças no culto, tampouco chamá-las de ministério, como muitas igrejas estão fazendo. Há até exceções, como as coreografias infantis e adolescentes, feitas de maneira esporádica ou em ocasiões especiais. Mas as exceções não devem se transformar em regra, gerando modismos injustificáveis.
5) Não existe sequer um versículo nos mandando ou nos autorizando a dançar na casa de Deus! No Novo Testamento não há nenhum incentivo à sua introdução no culto.
6) Os dois únicos textos que poderiam — supostamente — ser usados como incentivo à dança estão nos Salmos 149 e 150, no Antigo Testamento. Mas não são passagens que falam propriamente da dança no culto da igreja do Senhor.
Alguns exegetas até discutem se o termo original traduzido em algumas versões em português para “dança”, nos textos mencionados, significa flauta ou harpa. Entretanto, mesmo aceitando-se que os Salmos 149 e 150 aludem à dança entre os hebreus — o que não seria nenhuma novidade (Jz 11.34; Ec 3.4; Lm 5.15) —, eles nada têm que ver, diretamente, com o culto do Novo Testamento.
A mensagem da Bíblia se dirige a três povos: judeus, gentios e igreja (1 Co 10.32). E nem sempre um mandamento pode ser considerado “universal”, isto é, para todos. Se aplicarmos a nós o que dizem os tais Salmos, na íntegra, teremos de louvar a Deus com uma espada na mão e tomar vingança das nações, literalmente! “Estejam na sua garganta os altos louvores de Deus e espada de dois fios, nas suas mãos, para tomarem vingança das nações e darem repreensões aos povos, para prenderem os seus reis com cadeias e os seus nobres, com grilhões de ferro” (Sl 149.6-8).
Alguém dirá: “Ora, tudo isso pode ser aplicado de maneira figurada”. É mesmo? Então por que a dança deve ser aplicada de modo literal? Por que empunhar uma espada e tomar vingança das nações é figurado, e dançar não?! Por que não consideramos, então, que devemos dançar espiritualmente, e não com o corpo? É mais fácil priorizar preferências pessoais, para depois encontrar na Bíblia versículos isolados em apoio a invencionices?
7) Muitos têm citado 1 Coríntios 6.20 como apoio à dança no culto. Dizem que devemos glorificar a Deus com o corpo. Sabe o que é isso? Torcer a Palavra de Deus, fazendo-a dizer o que não diz. A simples leitura do contexto da passagem é suficiente para demonstrar que ela nada fala acerca da dança. Glorificar a Deus com o corpo significa não pecar contra o Senhor por meio do corpo (vv.18-20)!
9) A dança no culto também não é uma questão cultural, como muitos pensam. Não é porque o brasileiro tem samba no pé que deve sambar na casa de Deus. Isso seria secularizarismo ou dessacralização, à luz de Romanos 12.1,2; Tiago 4.4; 1 João 2.15-17.
10) Nas Escrituras não há — repito — nenhuma passagem que apóie a dança no culto neotestamentário. “Ah, mas eu quero dançar, gosto de fazer isso e tenho certeza de que Deus a receberá”, alguém poderá argumentar. Ora, quem quiser, que dance e assuma a responsabilidade diante de Deus. Mas não diga que o culto precisa de danças para agradar ao Senhor. As nossas reuniões sobreviveram sem danças durante muito tempo.
11) Em várias igrejas, as danças só vêm sendo incorporadas ao culto porque lhes falta o principal: salmo, doutrina, revelação, língua e interpretação (1 Co 14.26). Um culto não pode sobreviver sem a genuína manifestação do Espírito, a Palavra de Deus e os verdadeiros louvores. Sem dança, ele subsiste — sempre subsistiu, ao longo da História.
12) Se nos conscientizarmos de que o culto é para Deus, e não para agradar pessoas; e se nos convencermos de que a maneira de Deus falar, no culto, não é por meio de danças, e sim pela Palavra, tudo ficará mais fácil, não é mesmo?

"E Ele vem, e Ele vem saltando pelos montes" (2 vezes)

Quem vem? Ah, sei... linguagem figurada. Cantares de Salomão? Sei... É... de fato, é um livro rico em figuras de linguagem... Algo errado? Não, não. Afinal, o que vale é o estilo dançante, não é mesmo? O que é gostoso nessa canção é batida, o ritmo... Bem, em resumo: essa canção balança o corpo, mas não balança o coração. Prefiro seguir ao exemplo do salmista (Sl 57.7).

"E seus cabelos e seus cabelos são brancos como a neve (2 vezes); e nos seus olhos e nos seus olhos há fogo; incendeia Senhor a sua noiva; i
ncendeia Senhor a sua igreja; incendeia Senhor a sua casa; vem me incendiar!"

Meu Deus! Que "viagem"... O Noivo do livro de Cantares, que estava saltando pelos montes, reaparece como descrito em Apocalipse 1... O que é isso?
O que dizer de uma canção “evangélica” cuja letra diz “Incendeia, Senhor, a sua noiva.../ Ele vem, ele vem saltando pelos montes.../ Seus cabelos, seus cabelos são brancos como a neve”? Ora, não podemos nos valer da aplicação do poder de Deus como fogo para dizer que Ele incendeia a sua noiva... A Bíblia emprega a linguagem figurada, porém tudo tem limite. Que Deus é esse, que, além de incendiar a Igreja, vem saltando pelos montes?
Bem, resumindo: essa canção, tão cantada por evangélicos, possui um ritmo arrastado e uma batida repetitiva, o que produz um “clima” de descontração, e não de louvor a Deus! Precisamos decidir: O que vamos fazer no templo, louvar a Deus ou buscar entretenimento? Com toda a franqueza, quem quiser diversão, deve procurá-la em outros lugares, pois o templo é lugar de oração, louvor e ensino da Palavra (At 2.42-47; 5.21).

Respeitosamente,

Ciro Sanches Zibordi

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Você sabe qual é a diferença entre culto cristocêntrico e antropocêntrico? (1)


Porque dele, e por ele, e para ele são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém!
Romanos 11.36

A própria definição de culto pressupõe que devemos nos reunir para adorar a Deus, louvá-lo, cantar louvores ao seu nome, humilhando-nos e nos convertendo diante dEle, e o Senhor, em decorrência disso, nos abençoa. Mas, como estão os chamados cultos hoje? Qual é a primeira pergunta que o dirigente do culto (culto?) faz a todos? “Quantos aqui vieram buscar a sua bênção?” Ora, o nosso propósito principal é buscar a nossa bênção, ou adorar a Deus na beleza de sua santidade?
Bem, nesta série proponho uma reflexão acerca dos nossos cultos. O meu desejo é que você, prezado internauta, ao ler esses artigos reflita se os seus cultos individual e coletivo (em sua igreja) são cristocêntricos, isto é, têm o Senhor Jesus como o centro de tudo, ou antropocêntricos (gr. anthropos = homem), voltados aos interesses do ser humano.

COMO TÊM SIDO OS “CULTOS” HOJE? O G-12 É MESMO UM BOM MODELO PARA NÓS?

Nesses últimos dias, em que muitos cultos transformaram-se em reuniões para agradar, elogiar e “abençoar” o ser humano, além de melhorar a sua auto-estima, as mensagens cristocêntricas tendem a perder o sentido. Tornam-se cada vez mais raros os mensageiros da cruz de Cristo.
Para muitos crentes, como já vimos em outras postagens, Deus é uma espécie de “Papai Noel”, que entra nos templos com um grande saco de presentes nas costas e começa a distribuí-los aos que têm fé. Os anjos podem ser comparados aos elfos — pequenos auxiliares do “bom velhinho”, que o ajudam a distribuir “brinquedos” para os “meninos”.
Esse evangelho antropocêntrico — do grego anthropos, “homem” — que vem sendo propagado por algumas igrejas e pregadores que se distanciam a cada dia das Escrituras tem a sua origem no antropocentrismo, doutrina filosófica pela qual se afirma que o ser humano é o centro do Universo, a referência máxima e absoluta de valores, o protagonista, o centro das atenções. No meio evangélico, tal filosofia tem sido adaptada e respaldada por passagens bíblicas isoladas.
Segundo esse evangelho triunfalista, Jesus teria sido apenas um grande homem que venceu pela fé, e não o verdadeiro Deus encarnado (cf. Jo 1.14). Os propagadores desse “outro evangelho” defendem uma deificação do homem, ensinamento que enfatiza — ainda que de modo tácito — o rebaixamento de Deus e a desvalorização da obra expiatória de Cristo.

O G-12 É TREMENDO?

Muitas igrejas têm adotado a “visão celular”, também chamada de Movimento G-12, embora nem todas sigam a numerologia ou a mística associada ao número doze (doze apóstolos, doze tribos, etc.), preferindo adotar grupos celulares de dez, quatorze ou até quinze membros. Tal estratégia vem sendo apresentada, sem nenhuma modéstia, como o mais eficaz meio de conquistar almas perdidas.
Os defensores do G-12 — principais propagadores do evangelho antropocêntrico — afirmam que imitam a igreja primitiva. Para eles, essa estratégia é uma revolução, uma quebra de paradigmas e, ao mesmo tempo, um retorno aos princípios da igreja de Atos dos Apóstolos. Não se trata, pois, de mais um programa; é, modéstia à parte, o programa da igreja.
Alguns líderes, principalmente os de jovens, afirmam que não seguem padrões éticos, dogmáticos, eclesiásticos de pessoas maduras na fé, experientes ou tradicionalmente respeitáveis. Preferem valorizar as “ministrações específicas” em pré-encontros, encontros, pós-encontros, encontros de líderes, etc. Ninguém está autorizado a descrever o que acontece nessas reuniões secretas. Mas todos concordam: “É tremendo”.
As igrejas em células têm os seus próprios cursos e conteúdos pedagógicos. Não investem na Escola Dominical; consideram-na ultrapassada, uma instituição falida. Dizem, sem nenhuma cerimônia, que as igrejas tradicionais ou conservadoras seguem padrões arcaicos e “comem pão amanhecido, seco e duro”. Desprezam e reprovam a liturgia tradicional das igrejas que não seguem o modelo celular.
Na prática, embora não admitam, os propagadores dessa “visão” têm oferecido aos crentes vários atrativos do mundo, mas dentro de um contexto “evangélico”. Sua estratégia principal é a “contextualização”. Tudo é feito para agradar as pessoas, uma vez que o objetivo é o crescimento numérico, e não a formação de crentes segundo a Palavra de Deus. Prevalecem doutrinas triunfalistas, como a confissão positiva, a maldição hereditária e a teologia da prosperidade.
Tudo gira em torno das células, reuniões realizadas somente em casas de pessoas evangélicas. Há cultos no templo, mas nenhuma reunião é mais importante que as células, definidas como “a essência da vida da igreja”. Nessas reuniões, ocorre a chamada “oração profética”, recheada com palavras de ordem ao Diabo: “ordenamos”, “quebramos”, “maniatamos”, etc. Há também espaço para manifestações estranhas, como o “cair no poder” — até as crianças caem.

(continua...)

Ciro Sanches Zibordi
Para saber mais, leia Evangelhos que Paulo Jamais Pregaria, de nossa autoria

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Santificação: um tema esquecido em tempos de extravagâncias (3)

Nesses tempos de extravagâncias, boa parte do povo de Deus não está nem um pouco preocupada com a santificação. Os cultos não são mais para adoração e louvor do Senhor, e sim uma reunião de interesseiros querendo receber bênçãos. É claro que Deus abençoa o seu povo, por sua graça, mas o propósito de um culto a Deus, por definição, é adorá-lo na beleza de sua santidade. Por isso, continuo discorrendo sobre a necessidade de nos santificarmos. E tomo agora como base 2 Crônicas 7.14,15.

Por que devemos nos santificar?

Deus ouve as nossas orações.
Quando buscamos a santificação, prevalecemos em oração. O Senhor diz: “... então eu ouvirei dos céus...” A palavra “então”, na Língua Portuguesa, é um advérbio utilizado com algumas finalidades. Uma delas é enfatizar uma reação desencadeada por uma ação anterior. Ou seja, para Deus ouvir é preciso, de acordo com o texto supracitado, se humilhar, orar, buscar a face do Senhor e se converter, atitudes que denotam santificação.
O Senhor nos perdoa. O Senhor também prometeu: “... então eu (...) perdoarei os seus pecados...” Note que Deus, antes de tudo, perdoa. Ele não diz: “sararei a sua terra e perdoarei os seus pecados”. Não! Primeiro, ele perdoa, pois, sem perdão, nenhuma bênção tem sentido. E somente a santificação possibilita o perdão de Deus, o qual resulta em renovação, pois passamos a ter a certeza de que o Senhor está ao nosso lado.
Deus faz maravilhas em nosso meio. O versículo 15 do texto em apreço mostra que a santificação franqueia o caminho para recebermos tanto as bênçãos espirituais como as materiais. Depois da santificação, os olhos e os ouvidos do Senhor ficam atentos, e as necessidades dos servos de Deus vão sendo supridas. Todas as petições passam a ser ouvidas e respondidas. É bem verdade que nem sempre Deus fala “sim”, como muitos pensam. Às vezes, ele fala “não” ou “espere”. Mas, quando nos santificamos, ele sempre responde (Jr 29.13; 33.3).
Como se percebe, a santificação só nos traz benefícios. Primeiro, ela nos faz desfrutar de comunhão com o Senhor, o que em si já é indizivelmente maravilhoso. Além disso, a quem se santifica, orando, se humilhando e, sobretudo, se convertendo de seus maus caminhos, nenhuma bênção de Deus lhe escapará! Glória a Deus!

Do que devemos nos separar?

Grosso modo, devemos nos separar do mundo, como a Palavra de Deus nos orienta em diversas passagens (1 Jo 2.15-15; Tg 4.4; Jo 15.19). Infelizmente, o mundo está tão religioso, e as igrejas tão mundanas, que quase se confundem. Às vezes, não dá para saber onde termina um e começa outro. Por isso, Paulo asseverou: “E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”, Rm 12.2.
Para se entender melhor essa separação do mundo pecaminoso, é preciso desdobrá-lo em três segmentos:
Prazeres mundanos.
De fato, o mundo está repleto de prazeres efêmeros, mas, à semelhança de Moisés, devemos recusá-los: “Pela fé, Moisés (...) recusou ser chamado filho da filha de Faraó, escolhendo antes ser maltratado com o povo de Deus do que por um pouco de tempo ter o gozo do pecado; tendo por maiores riquezas o vitupério de Cristo do que os tesouros do Egito; porque tinha em vista a recompensa”, Hb 11.24-26.
Alianças mundanas. Paulo ensinou que não devemos estar presos a jugos desiguais com os infiéis (2 Co 6.14-18). No Antigo Testamento, a Lei já previa isso, no plano material, preceituando que o boi não poderia lavrar com o jumento (Dt 22.10). Há crentes que dão a desculpa de que se envolvem neste tipo de aliança com a intenção de ajudar o próximo. Todavia, não é preciso cair em um poço para salvar alguém. Basta jogar a corda.
Companheiros mundanos. Alguém dirá: “Como posso me afastar dos companheiros mundanos, se eles me procuram?” Ora, não é preciso se preocupar com isso. Basta ter uma vida espiritual ativa, que eles se afastarão. Afinal, como disse Paulo: “... que comunhão tem a luz com as trevas?”, 2 Co 6.14.

O que é consagração?

Santificação tem um fim: a consagração, pois ninguém se separa do mundo à toa. Ter uma vida consagrada implica, pelo menos, três disposições:
Considerar Jesus Senhor.
Vivemos uma época em que muitos têm recebido Jesus apenas como Salvador. Mas, ele é Senhor (Fp 3.20,21; Mt 6.24)! O nome mais completo dele, no Novo Testamento, é “Senhor Jesus Cristo”. E considerá-lo Senhor significa deixá-lo ocupar tudo, além de amá-lo sobre todas as coisas.
Renúncia total. Quem quer ter uma vida consagrada precisa renunciar todas as coisas (Lc 9.23). Mas, o que é renunciar? No que diz respeito às coisas pecaminosas, é abandono. Mas, no que concerne às coisas lícitas, é relegá-las a um segundo plano. Quando Deus exigiu de Abraão o seu filho único, este não o abandonou, pois cria que Deus o poderia ressuscitar dos mortos (Gn 22; Hb 11.17,18). Ele o entregou a Deus, numa demonstração de que o seu amor ao Senhor estava acima de tudo e todos.
Pôr tudo no altar. Sim, Deus quer que coloquemos tudo no altar! O nosso “eu”, os nossos entes queridos (1 Sm 2.29; Mt 10.37), os nossos talentos, o nosso tempo, o nosso dinheiro. Tudo mesmo (Sl 103.1,2; 1 Ts 5.23)! Será que estamos dispostos a isso? Deus quer que façamos um contrato com ele. Só que um contrato diferente, o qual assinamos e deixamos o Espírito Santo escrever os termos.
Estamos, realmente, dispostos a isso? Ou os nossos interesses falam mais alto?

Ciro Sanches Zibordi

domingo, 4 de maio de 2008

Paulo era machista, preconceituoso, inimigo das mulheres ou coisa parecida?


É comum, hoje em dia, líderes, pregadores e teólogos verberarem contra o apóstolo Paulo. Dizem que nem tudo o que ele disse pode ser recebido como verdade vinda do alto, pois ele era fariseu, preconceituoso, influenciado pelo judaísmo, etc. Alguns afirmam até que o imitador de Cristo era contra a ordenação de mulheres ao ministério em razão de ser machista.
De fato, Paulo não é o fundamento do cristianismo, como ele mesmo admitiu: “... ninguém pode pôr outro fundamento, além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo” (1 Co 3.11), mas é falta de bom senso desprezar a excelência de seu apostolado. Somente pessoas insensíveis, céticas, amantes de sua própria “verdade”, e não da revelada pelo Senhor em sua Palavra, podem ter uma atitude de desprezo às doutrinas de Deus sistematizadas pelo apóstolo Paulo.
Estaria Paulo errado quanto à justificação pela fé e tantas outras doutrinas fundamentais do cristianismo? Teria tirado de sua própria mente mistérios tão gloriosos? E quanto a outros assuntos, como os dons espirituais, a Ceia do Senhor e a ordem no culto? Tudo isso é questionável? O que pode e o que não pode ser questionado?
Movimentos como o feminismo e o pró-homossexualismo atacam a pessoa de Paulo, tachando-o de machista e preconceituoso. Na verdade, não querem aceitar o que Palavra de Deus diz nem encarar a realidade de seus pecados. Não adianta nada desqualificar o apóstolo — fazer isso significa opor-se ao próprio Deus, que o chamou para pregar o verdadeiro evangelho (Gl 1.15).
Não pense que estou fazendo uma defesa da teologia paulina, como se Paulo fosse apenas mais um dos muitos teólogos que andaram na terra. Não! Estou defendendo o evangelho, que o imitador de Cristo proclamou com autoridade incontestável. Mas chego à conclusão de que muitos inimigos de Paulo são, na verdade, inimigos da verdade do evangelho! E, se pudessem, arrancariam algumas páginas da Bíblia, como se, com isso, conseguissem alterar ou anular o que Deus determinou!
Nesses últimos dias, o evangelho teologicocêntrico conquistou o coração de muitos, que preferem desprezar parte do conteúdo das Escrituras, valorizando mais o que teólogos disseram. Sim, nesse tempo pós-moderno, em que a razão é priorizada, prevalece para muitos um evangelho filosófico, fundamentado na lógica humana.
No entanto, embora Paulo tenha usado expressões como “nosso evangelho” e “meu evangelho” (Rm 2.16; 2 Co 4.3; 2 Ts 2.14; 2 Tm 2.8), isso não denota que a sua mensagem era diferente da pregada por Jesus. Ele mesmo se empenhou em afirmar que há somente um evangelho (Gl 1.6-11). O pronome possessivo sugere apenas a sua identificação com a tarefa que lhe foi dada: pregador, apóstolo e doutor do evangelho (2 Tm 1.11). Ele pregava o que recebera diretamente do Senhor (1 Co 11.23; 15.1-4).
Ninguém tem autoridade para questionar a posição de Paulo como o maior pensador da história do cristianismo. E é preciso reconhecer que nenhum dos grandes movimentos do pensamento cristão se desenvolveu sem uma base nas epístolas paulinas. Por outro lado, Satanás, de modo sutil, tem usado o fato de Paulo ter sido um teólogo para levar os desavisados a contestar a inspiração plena da Bíblia.
Como se dá isso? Falsos exegetas e teólogos têm afirmado que existem várias teologias, e todas possuem o seu valor: a de Paulo, a de Pedro, a de João, a de Agostinho, a de Calvino, etc. Com isso, as Escrituras inspiradas por Deus são equiparadas a escritos desprovidos da especial inspiração divina — gr. theopneustos (2 Tm 3.16).
Tais hermeneutas, desprezando a unidade e a inerrância da Palavra de Deus, afirmam que os apóstolos apresentaram diferentes e contraditórias teologias: “Esse ponto doutrinário de Tiago não se coaduna com a teologia paulina”. Pura lógica humana!
Estudemos, pois, os teólogos, mas não para sermos guiados pela teologia! Firmar-se em uma teologia paulina, pedrina ou joanina seria apenas seguir a uma ideologia em detrimento de outras. Ora, seguindo ao exemplo de Paulo, devemos considerar toda a Bíblia a nossa fonte primária de autoridade (2 Tm 3.16; Rm 15.4). Ou não cremos mais na inspiração plenária das Escrituras? Tem a lógica humana tanto valor como fonte de autoridade, a ponto de questionarmos o que Paulo recebeu de Deus por revelação?

Ciro Sanches Zibordi
Para saber mais sobre o assunto, leia Evangelhos que Paulo Jamais Pregaria, editado pela CPAD.