terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

O culto pentecostal de acordo com 1 Coríntios 14




Pessoas sinceras me perguntam, nessa época de confusão doutrinária que antecede o Arrebatamento da Igreja, sobre o “cair no Espírito” e a “unção do riso”. Elas desejam aprender a cada dia a sã doutrina. Questionam, não para tentar pôr este expoente em apuros, mas porque querem ter um posicionamento definido, seguro, sobre o assunto.
O motivo da dúvida desses irmãos é compreensível, pois, quando estudamos sobre o avivamento de Azusa Street, em Los Angeles (1906), e acerca do início da Assembléia de Deus no Brasil (1911), são comuns as menções a momentos em que irmãos caíam sob o poder de Deus ou riam sem parar. Mas uma coisa é cair por não suportar a glória de Deus, e outra é ser lançado ao chão por um show-man. Uma coisa é alegrar-se na presença do Senhor, e outra é dar vazão a todo e qualquer tipo de manifestações, e ainda atribuí-las erroneamente ao Espírito Santo.
Ademais, as experiências relacionadas com o Movimento Pentecostal, ainda que envolvam santos como William Seymour e Gunnar Vingren, não devem ser supervalorizadas, a ponto de as equipararmos às incontestáveis verdades da Bíblia (Gl 1.6; 1 Co 4.6; 15.1,2). Respeito esses pioneiros do pentecostalismo clássico, porém, ao escrever este artigo, minha fonte — primária, inquestionável, primacial, infalível, inerrante — de autoridade continua sendo a Palavra de Deus.
A Bíblia Sagrada é um livro de princípios, e estes devem ser considerados antes de qualquer análise de manifestações, independentemente das pessoas nelas envolvidas. E há vários princípios relacionados com o culto genuinamente pentecostal em 1 Coríntios 14.

O que diz a Palavra do Senhor em 1 Coríntios 14?

Primeiro: O propósito principal da manifestação multiforme do Espírito em um culto coletivo é a edificação do povo de Deus (vv.4,5,12). Risos intermináveis e supostas quedas de poder edificam em quê?
Segundo: A faculdade do intelecto não pode ser desprezada no culto em que o Espírito Santo age (vv.15,20). Ninguém genuinamente usado pelo Espírito deixa de raciocinar normalmente, em um culto coletivo a Deus. Isso, claro, segundo a Palavra do Senhor.
Terceiro: Um culto a Deus não deve levar os incrédulos a pensarem que os crentes estão loucos (v.23). O que pensam os não-crentes que assistem a "cultos" disponíveis no YouTube, nos quais vemos pessoas caindo ao chão, rindo sem parar, rosnando, latindo, mugindo, rugindo, uivando e rolando umas sobre as outras?
Quarto: O culto coletivo deve ter ordem e decência; tudo deve ocorrer a seu tempo: louvor, exposição da Palavra, manifestações do Espírito (vv.26-28,40). Um culto que não tem ordem nem decência é dirigido pelo Espírito?
Quinto: No culto genuinamente pentecostal deve haver julgamento, discernimento, a fim de se evitar falsificações (v.29). Leia também 1 Coríntios 2.15 e 1 João 4.1.
Sexto: Haja vista o espírito do profeta estar sujeito ao próprio profeta, como vimos acima, é inadmissível que aconteçam manifestações consideradas do Espírito Santo em que pessoas fiquem fora de si (v.32).
Sétimo: O Deus que se manifesta no culto coletivo não é Deus de confusão, senão de paz (v.33). Quando um show-man derruba pessoas carentes de uma bênção ou os seus supostos opositores com golpes de seu "paletó mágico", além da confusão que se instala no “culto”, tal atitude não é nada pacificadora. E quem recebe a glória, indutivamente, é o próprio show-man.
Oitavo: Se alguém cuida ser profeta ou espiritual, deve reconhecer os mandamentos do Senhor (v.37). O leitor está disposto a submeter-se aos mandamentos do Senhor? Ou é um daqueles que, irresponsavelmente, dizem: “Não podemos pôr Deus em uma caixinha. Ele sempre faz coisa nova”. Mas, então, para que serve a Bíblia, para nada? Não é ela a nossa fonte máxima de autoridade? Perderam as Escrituras a primazia? Não são mais a nossa regra de fé, de prática e de vida? Gálatas 1.8 perdeu a validade?
Diante desses princípios, não há como considerar o “cair no Espírito” e a “unção do riso” como manifestações genuinamente do Espírito Santo!
Não nos enganemos. O verdadeiro avivamento só ocorre quando há submissão à Palavra de Deus e ao Deus da Palavra.

Ciro Sanches Zibordi

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

PASTOR CIRO RESPONDE em DVD e CD

Esta série já teve, neste blog e no YouTube, milhares de visualizações!

Em breve, se Deus quiser, será lançado o DVD/CD Pastor Ciro Responde com respostas inéditas.

- Crente que tem promessa não morre?
- Quando Jesus morreu houve festa no inferno?
- Por que Jesus foi ao Hades pregar aos espíritos em prisão?
- O que significa a palavra "inferno"?
- Quais são as diferenças entre Hades, Tártaro e Geena?
- Por que Deus plantaria sonhos nos corações?
- O "cair no Espírito", a "unção do riso" e outros modismos não têm mesmo apoio bíblico?
- Existem falsos milagres no meio do povo de Deus? Por que o Senhor permitiria isso?

Informo que o CD terá o mesmo áudio do DVD.

Ciro Sanches Zibordi

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Uma longa palavra sobre os pré-adolescentes

Já se foi o tempo em que, nas igrejas, havia apenas dois grupos: os adultos e as crianças. Ninguém falava em jovens, tampouco em adolescentes. Líderes e professores — por falta de informação — agiam como se os infantes, na véspera de completarem quinze anos, dormissem crianças, para acordarem, no dia seguinte, adultos.
Com o passar do tempo, a juventude foi “descoberta” — não existia formalmente. E, quando todos pensavam que tinham descoberto a América, alguém “encontrou” os adolescentes! A bem da verdade, já estava escrito na Bíblia havia muito tempo: “... a adolescência e a juventude são vaidade”, Ec 11.10.
Neste artigo, ao discorrer sobre os pré-adolescentes, também chamados de tweens, daremos ênfase à necessidade de a ED ser dinâmica em seus métodos pedagógicos, bem como estar atenta às mudanças do mundo. Há duas décadas, as crianças ingressavam na escola aos sete anos. E, quando chegavam aos quinze, eram consideradas jovens. Não havia, formalmente, a transição denominada adolescência, que inicia com a puberdade.
O fenômeno do momento é a rapidez com que as crianças conseguem interagir com os mais velhos. Elas estão cada vez mais adolescentes. O fato de começarem a freqüentar a escola, em geral, antes dos dois anos contribui para a aceleração de seu desenvolvimento. Aos seis, já sabem ler, escrever e usar o computador!

Quem são os tweens?

Há alguns anos, psicólogos constataram que entre a infância e a adolescência existe — ou começou a existir — uma fase transitória. Ou seja, toda criança, antes de chegar à juventude, passa não somente pela adolescência, mas também pela pré-adolescência. E se engana quem pensa que esta é apenas o finalzinho da infância ou o início da puberdade. Os tweens de fato existem e são uma geração altamente consumidora formada por filhos únicos ou que possuem no máximo um irmão.
O vocábulo tween é a forma reduzida do inglês between, cujo significado é “no meio de”. Tal redução deve-se à similaridade gráfica com teen (adolescente); só que o termo em apreço aplica-se à transição de criança para criança crescida, a qual pensa que já é adolescente.
Tweens são crianças crescidas: têm, em média, entre sete e doze anos. Não são adolescentes, biologicamente, porque, nesse período, em geral, sequer entraram na puberdade. No entanto, consomem artigos como tênis, celulares, Internet etc. Seus pais — principalmente quando não têm uma boa situação financeira — consideram-nas abusadas, sem limites, precoces; e ficam revoltados com o seu potencial de consumo.
Suas características marcantes são: sentimento de independência e vontade de consumir produtos do mundo adolescente. E o mercado sabe explorar bem isso. Um exemplo é a revista Atrevidinha, voltada para a geração tween feminina. Ela tem conquistado meninas crescidas, que, na adolescência, se tornarão leitoras de Atrevida. O problema é que, com isso, as crianças recebem informações antecipadas sobre assuntos com os quais não precisariam se preocupar agora, como namoro, sexualidade etc.
A convivência dos adultos com os pré-adolescentes não costuma ser tranqüila, uma vez que são crianças, mas com a “rebeldia” dos adolescentes. A linguagem deles às vezes espanta. Eles são inteligentes, rápidos de raciocínio. E suas brincadeiras não são nada infantis. Mas lembre-se: esses pré-adolescentes ainda são crianças! E é preciso ter muito tato e paciência ao lidar com eles.
Embora infantes, os tweens se consideram adolescentes. Gostam de ser desafiados, falam como gente grande, formam “panelinhas” e são especialistas em computador. Biologicamente, são crianças, mas não podemos ignorar os seus hábitos adolescentes, mesmo que sejam frutos de mera imitação. E, se tais atitudes fazem parte da fase em que vivem, os professores de ED têm de saber como cativá-los.

A importância da família

Tudo ficaria mais fácil para os educadores, se os alunos pré-adolescentes fossem orientados pelos pais, em casa. Aliás, isso propiciaria um caminho de mão dupla, ótimo para os dois lados. E os pais, nessa relação de reciprocidade com a ED, seriam os principais beneficiados. A criança que é ensinada em casa aprenderá mais na igreja, e isso produzirá uma melhor aprendizagem em casa; e assim por diante, numa escalada cíclica.
Entretanto, muitos pais transferem a responsabilidade de educar para os professores de ED. Esquecem-se de que é função deles instruir as crianças no caminho em que devem andar (Pv 22.6). E foi o próprio Deus quem estabeleceu esse processo: “E estas palavras que hoje te ordeno estarão no teu coração; e as intimarás a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te e levantando-te”, Dt 6.6-7.
O psiquiatra Içami Tiba escreveu: “A herança genética está nos cromossomos. Mas desde o nascimento a criança absorve o modo de viver, o como somos, da família”.(1) Cabe aos pais combater desde cedo as influências às quais seus filhos são expostos diariamente. Os professores de ED também farão isso, porém a responsabilidade maior é dos genitores. Esta verdade é enfatizada em Provérbios, que apresenta o coração como uma tábua em que os filhos escrevem a instrução do pai e a doutrina mãe (1.8; 3.1-3 e 7.1-3).
Erram os pais — e também os professores — que encaram como algo normal uma menina ser vaidosa como uma adolescente. Esse fenômeno é fruto da sociedade, influenciada pelo consumismo e pela preocupação excessiva com o corpo e a imagem. Nota-se, no mundo, que a infância, uma etapa fundamental no processo de desenvolvimento humano, tem sofrido grandes modificações.
Em meu livro para adolescentes, o Adolescentes S/A, discorro sobre as principais influências filosóficas dessa fase, como o imediatismo, o consumismo, o hedonismo, o narcisismo, o relativismo e o erotismo.(2) Os tweens têm grande dificuldade para entender as respostas “não” e “espere”, além de transformarem objetos supérfluos em essenciais. É função dos pais saber dialogar e negociar com eles. Içami Tiba também alerta: “A falta do não e o exagero do sim impedem a criança de desenvolver valores relacionais”.(3)
Outra característica dos tweens é procurar ter as suas próprias regras. Por isso, os pais devem convencê-los, com muito tato e compreensão, de que não podem fazer o que querem nem sair sozinhos à noite. Se eles não forem instruídos nesse período de adolescência antecipada, na fase teen será muito mais difícil. E, se os pais não os educarem agora, lamentarão amanhã.
Em razão dessas influências que mencionamos, os tweens não têm interesse por programas próprios para suas idades; seus hábitos são dos mais velhos. Para eles, a roupa e o comportamento teen os transformam em adolescentes, mesmo que não estejam de fato nessa fase. Isso é um perigo! Devido à alimentação e aos avanços tecnológicos, as meninas estão menstruando mais cedo, e o processo de entrada na adolescência é acelerado.
No mundo, prevalece a filosofia “Se algo dá prazer, então faça”. E os tweens desejam namorar — ou melhor, “ficar” —, mas não têm idade para isso; querem passar a noite em claro, no computador, participar de programas noturnos etc. Içami Tiba aconselha: “Há situações com as quais os pais podem arcar, como o consumismo, mas em termos de comportamentos é preciso muito cuidado, pois o corpo pode não estar ainda preparado para os programas que o tween quer fazer”.(4)
A mídia tem contribuído sobremaneira para que as crianças apresentem comportamentos precoces, como a erotização. É papel dos pais opor-se a essa perigosa influência, respeitando cada etapa do desenvolvimento de seu filho. Conquanto seja uma tendência, tratar um infante como adolescente é prejudicial biológica e emocionalmente para sua formação.

Necessidade de adequação

Diante do exposto, o quê fazer? Temos de nos adaptar à nova realidade, o que não significa, em hipótese alguma, conformismo. A adequação se dá no campo educacional, e não no dos princípios. Temos de estar preparados o suficiente para conversar com os tweens na linguagem deles, pois só assim conseguiremos convencê-los a não se conformarem com o mundo (Rm 12.2), fugindo dos maus desejos da mocidade (2Tm 2.22).
Se os professores de ED ignorarem esse novo segmento, dificilmente terão sucesso em suas aulas. Os mais antigos, principalmente, devem se reciclar, uma vez que o comportamento de um aluno de dez anos, hoje, nem de longe se parece com o de uma criança com a mesma idade há duas décadas. Como as perguntas dos tweens possuem uma certa dose de abstração e complexidade, requer-se dos educadores uma preparação de aula que considere esse aspecto.
Em resumo, o caminho para a boa formação de nossas crianças é a educação, em casa e na ED. “Todas as grandes alterações comportamentais começam pequeninas até ficarem evidentes e prejudiciais. Corrigir o que já se modificou é muito mais difícil do que mudar o que está se alterando”.(5)

Ciro Sanches Zibordi
Artigo publicado originalmente na revista Ensinador Cristão, editada pela CPAD


Notas:
1 TIBA, Içami. Quem Ama, Educa!, p. 29.
2 ZIBORDI, Ciro Sanches. Adolescentes S/A.
3 TIBA, Içami. Anjos Caídos, p. 298.
4 TIBA, Içami. Adolescentes: Quem Ama, Educa!, p. 39.
5 Idem, p. 174.

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Deus batiza animais ou aves e os usa em profecia?

Temos ouvido, nesses últimos dias, testemunhos para lá de estranhos, como um que, há algum tempo, virou motivo de zombaria na Internet, pelo qual certo pregador afirma que galinhas, em um galinheiro, teriam sido “batizadas com o Espírito Santo”. Uma delas, inclusive, teria falado em línguas angelicais, sendo interpretada por um galo!
Eu creio (e a Palavra de Deus mostra que isso é possível) que animais podem falar, caso Deus queira. Mas a afirmação de que todo um galinheiro foi batizado com o Espírito Santo, e que uma galinha teria falado em línguas estranhas, sendo interpretada por um galo, não encontra apoio nas páginas sagradas.
Eu não publico este artigo para zombar de quem afirma isso, pois o meu objetivo não é expor pessoas, e sim orientar o povo de Deus. Mas é óbvio que esse “testemunho” é antibíblico e beira à blasfêmia.
Muitos têm argumentado: “Deus não usou a boca de uma jumenta? Por que não pode usar galinhas? Não podemos pôr Deus dentro de uma caixinha”. Oh, sim, porém, nas circunstâncias que envolviam o mercenário Balaão, não havia ninguém, de fato, para ser usado por Deus. Foi uma exceção à regra. Não vemos depois daquele episódio Deus usando outros animais para transmitir mensagens com voz humana. Ah, e não nos esqueçamos de que o Diabo também usou a boca de uma serpente, no primeiro caso em que um animal falou (Gn 3.1).
Deixando um pouco de lado o episódio do galinheiro, muitos irmãos me perguntam se Deus usou mesmo a boca de uma jumenta. É claro que sim, mas não como se ela fosse um profeta de Deus, que diz “Assim diz o Senhor”. Sabemos que jumentas não falam; não raciocinam como homens, pois não foram dotadas da mesma capacidade humana para falar. Como teria aquela jumenta raciocinado e repreendido o profeta, que a espancava?
Foi Deus mesmo quem abriu a boca da jumenta. E foi somente depois de Balaão ter reconhecido o seu erro, ao ouvir as palavras do animal, que Deus abriu os seus olhos! “Que te fiz eu, que me espancaste estas três vezes? (...) Porventura, não sou a tua jumenta, em que cavalgaste desde o tempo que eu fui tua até hoje? Costumei eu alguma vez fazer assim contigo? E ele respondeu: Não. Então, o Senhor abriu os olhos a Balaão...” (Nm 22.28-31). O profeta só viu o anjo depois de ter ouvido a repreensão da jumenta!
É, pois, um equívoco pensar que Deus apenas abriu a boca do animal, que, por conta própria, raciocinou, articulou bem as sílabas e impediu a loucura do profeta! Deus abriu a boca da jumenta e lhe deu palavras inteligíveis, como se fosse uma pessoa falando, a fim de repreender Balaão (2 Pe 2.16). Isso foi um milagre, uma ação divina sobrenatural! Não houve mensagem profética, do tipo “Assim diz o Senhor”, mas, quanto ao fato de Deus ter usado a jumenta, não há dúvidas.
Bem, voltando ao episódio da galinha que teria falado em línguas angelicais, sendo interpretada por um galo, em um galinheiro repleto de aves “batizadas com o Espírito Santo”, afirmo que, como servos do Senhor, não devemos interpretar a Bíblia à luz das nossas experiências, e sim estas à luz da Palavra de Deus. Esse “testemunho“ é aberrante, antibíblico e blasfemo.
Não há nenhum caso similar no Novo Testamento. Mas os defensores de "testemunhos" como esse recorrem a passagens bíblicas isoladas, fora do contexto, dizendo ter a "unção da loucura de Deus", fazendo uma interpretação forçada de 1 Coríntios 1.25, que não menciona a loucura de Deus de modo literal. Ali a ênfase recai sobre a grandeza da sabedoria de Deus em comparação com a limitada sabedoria humana (cf. 1 Co 2.1-10). Tanto que o versículo menciona também a "fraqueza de Deus". Por que os milagreiros da atualidade não pregam sobre a "unção da fraqueza de Deus"?
Outra passagem preferida dos milagreiros é João 14.12. Fenômenos para lá de exóticos ocorrem, gerando confusão, todos acompanhados de heresias verbalizadas. Isso sem falar do fato de que os tais milagreiros verberam contra veteranos homens de Deus, chamando-os de "velharada". No entanto, quando estudamos, à luz da língua original, a expressão "coisas maiores", vemos que Jesus enfatizou quantidade, e não qualidade das obras. As "obras maiores" que a igreja deve fazer hoje são as mesmas mencionadas em Marcos 16.15-20, e não sinais exóticos, estranhos, esquisitos, que só geram confusão e divisão.
Nos cultos da igreja de Beréia, os crentes recebiam de bom grado as pregações, mas as examinavam à luz das Escrituras (At 17.11). Imagine se um pregador, naqueles dias, dissesse que Jesus batiza galinhas com o Espírito Santo! Com certeza, considerariam tal afirmação blasfema, haja vista distorcer o propósito do revestimento de poder, dado exclusivamente às pessoas salvas, obedientes ao Senhor (At 2.39,38; 5.32).
Fica para nós uma lição: qualquer experiência, por mais extraordinária e “fenomenal” que seja, se não tiver apoio claro e inquestionável da Palavra de Deus ou gerar confusão doutrinária, deve ser rejeitada. Não é por acaso que as Escrituras nos mandam provar se os espíritos são de Deus (1 Jo 4.1). Afinal, quem é espiritual discerne, julga, prova bem tudo (1 Co 2.15).

Ciro Sanches Zibordi

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Respostas aos alunos da 46a. EBO em Curitiba-PR


Amados internautas, nos dias 3 a 10 de fevereiro deste ano estive ministrando em Curitiba-PR sobre os dons espirituais, na 46a. Escola Bíblica de Obreiros da Assembléia de Deus, igreja presidida pelo pastor José Pimentel de Carvalho, a qual tem como vice-presidente o pastor Wagner Tadeu dos Santos Gaby.
Durante as minhas aulas recebi várias perguntas, e algumas eu não pude responder. Prometi aos alunos que daria algumas respostas por meio deste blog. Pensei em gravar um pequeno vídeo, mas nem todos têm acesso ao YouTube ou outras ferramentas de áudio/vídeo.

Vamos às perguntas selecionadas:

1. Pastor, o ministério profético não terminou em João Batista? Como o senhor explica isso? O senhor disse que o ministério profético é dado a quem o Espírito quer dar, mas o próprio Senhor Jesus disse que os profetas profetizaram até João (Mt 11.13).
Resposta: Em Mateus 11.13 o Senhor Jesus referiu-se ao ministério profético do Antigo Testamento, que durou mesmo até João Batista. Apesar de este aparecer nos tempos do Novo Testamento, ele teve um ministério como o de Elias, dos tempos do Antigo Testamento. Jesus quis dizer que a antiga aliança mosaica, pela qual veio a lei, cessou nos dias do profeta João Batista. Afinal, como lemos em João 1.17: “... a lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo”.
O ministério profético dos tempos veterotestamentários é bem diferente do dos dias de hoje. Aquele fazia do profeta uma espécie de mediador, que devia inclusive ser consultado. Mas, em nossos dias, há dois tipos de profeta: o que tem o dom ministerial de profeta (Ef 4.11), que é um pregador da Palavra de Deus, e o crente em Jesus que é usado esporadicamente com o dom de profecia durante o culto (1 Co 14.29,32). O primeiro depende de chamada divina, que é soberana (Mc 3.13); e o segundo é para todos os que com zelo buscam os dons do Espírito Santo (1 Co 14.1).

2. Por que em Atos dos Apóstolos só se batiza em nome de Jesus?
Resposta:
O batismo em nome de Jesus não significa que os apóstolos abandonaram a fórmula contida em Mateus 28.19. A ênfase ali recaía sobre a autoridade que há nome de Jesus. Nesse caso, cantavam em nome de Jesus; pregavam em nome de Jesus; expulsavam demônios em nome de Jesus; batizavam em nome de Jesus... Contudo, a fórmula trinitária deixada pelo próprio Senhor Jesus permanece válida.
Que Deus nos guarde de embarcarmos na "canoa furada" do unicismo, que nega a cristalina, pura, claríssima doutrina da Trindade. Quem nega esta doutrina, nega outras igualmente fundamentais a ela associadas. Aliás, os unicistas de plantão gostam de mandar relações enormes de versículos isolados, na tentativa de provar que Deus-Pai, Deus-Filho e Deus-Espírito são uma mesma Pessoa, e não três Pessoas que formam um único Deus. Há até certos “pastores” que dizem ter “a voz da verdade” verberando na TV contra a doutrina da Trindade. Eles ironizam, zombam... Mas o Justo Juiz os espera naquele grande Dia (Mt 7.21-23), caso não se arrependam.
Repito: a Trindade é uma doutrina bíblica claríssima (Lc 1.35; 10.21; Mt 28.19; 3.13-17; João 3.34,35; 14.16; 15.26; 16.8-11; At 2.32,33; 7.55; Rm 5.1-5; 2 Co 13.13; 1 Co 12.4-6; Ef 2.18; Ap 2.4-6; 3.5,6, etc.). De todas essas enfáticas passagens, destaco dois fatos: Estêvão, cheio do Deus-Espírito, viu o Deus-Filho à direita do Deus-Pai (At 7.55). Em João 14.16, o Deus-Filho disse que o Deus-Pai enviaria "outro" (gr. allon) Consolador, isto é, o Deus-Espírito.

3. Por que a CPAD (Casa Publicadora das Assembléias de Deus) vende CDs de grupos unicistas?
Resposta: A CPAD como editora sempre teve um compromisso com a sã doutrina. Mas é preciso ter-se em mente que a CPAD também possui uma rede de lojas, as quais comercializam produtos considerados evangélicos. Se as lojas evangélicas fossem vender só o que é biblicamente ortodoxo, não sobraria quase nada para vender! Pense na diversidade da igreja evangélica, ou considerada evangélica. Lamentavelmente, vivemos numa época de muitos modismos e heresias (2 Tm 4.1-5; 2 Pe 2.1,2).
Quem trabalha na área comercial, geralmente atende aos clientes segundo às suas necessidades e solicitações. Daí a diversidade de produtos, para todos os gostos. No entanto, se a igreja evangélica brasileira fosse ensinada segundo a Bíblia, os crentes não mais buscariam CDs e livros de grupos e autores sem compromisso com as Escrituras. E os tais, por conseqüência, desapareceriam das prateleiras...

4. É bíblico pessoas serem arrebatadas em cultos, até mesmo nos púlpitos, precisando ser levadas para casa carregadas?
Resposta: O “arrebatamento” coletivo e os “arrebatamentos” individuais que vêm ocorrendo em nossos dias — mediante os quais certos “ungidos” visitam a Sala das Escrituras, a Sala dos Tempos, a Biblioteca Celestial, e falam com Paulo, Maria, etc. — não têm nenhuma base nas Escrituras. Os casos excepcionais de Paulo (2 Co 12) e João (Ap 1) não oferecem embasamento para as práticas aberrantes que ocorrem em nossos dias. O modelo do culto genuinamente pentecostal está em 1 Coríntios 12 a 14. A Bíblia, por conseguinte, não apóia os tais “arrebatamentos” e outras práticas exóticas hodiernas, como "transferência de unção", "avivamento extravagante", etc.

Em Cristo,

Ciro Sanches Zibordi

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Em breve: "Pastor Ciro responde" em DVD e CD



Estou desejoso de produzir, em breve, o DVD e o CD Pastor Ciro responde, nos quais são respondidas, à luz da Palavra de Deus, as seguintes perguntas, consideradas polêmicas:

- Quando Jesus morreu houve festa no inferno?
- Por que Jesus foi ao Hades pregar aos espíritos em prisão?
- Crente que tem promessa não morre?
- Por que Deus plantaria sonhos nos corações?
- O "cair no Espírito", a "unção do riso" e outros modismos não têm mesmo apoio bíblico?
- Existem falsos milagres no meio do povo de Deus? Por que o Senhor permitiria isso?

Ore por esse projeto.

Ciro Sanches Zibordi

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Pastor Ciro responde (5): "O que é o Hades, o Tártaro e o Inferno? São nomes de um mesmo lugar?"

O que é o Hades? E o Tártaro? O que é o Inferno? Ele já foi inaugurado? O que é o Paraíso? O que é o Geena? É o mesmo que Lago de Fogo? Para onde vão as almas dos salvos e as dos perdidos? Jesus foi pregar no Hades ou no Tártaro, e com que objetivo? Essas e outras perguntas são respondidas neste Pastor Ciro responde.