quarta-feira, 7 de maio de 2008

Você sabe qual é a diferença entre culto cristocêntrico e antropocêntrico? (1)


Porque dele, e por ele, e para ele são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém!
Romanos 11.36

A própria definição de culto pressupõe que devemos nos reunir para adorar a Deus, louvá-lo, cantar louvores ao seu nome, humilhando-nos e nos convertendo diante dEle, e o Senhor, em decorrência disso, nos abençoa. Mas, como estão os chamados cultos hoje? Qual é a primeira pergunta que o dirigente do culto (culto?) faz a todos? “Quantos aqui vieram buscar a sua bênção?” Ora, o nosso propósito principal é buscar a nossa bênção, ou adorar a Deus na beleza de sua santidade?
Bem, nesta série proponho uma reflexão acerca dos nossos cultos. O meu desejo é que você, prezado internauta, ao ler esses artigos reflita se os seus cultos individual e coletivo (em sua igreja) são cristocêntricos, isto é, têm o Senhor Jesus como o centro de tudo, ou antropocêntricos (gr. anthropos = homem), voltados aos interesses do ser humano.

COMO TÊM SIDO OS “CULTOS” HOJE? O G-12 É MESMO UM BOM MODELO PARA NÓS?

Nesses últimos dias, em que muitos cultos transformaram-se em reuniões para agradar, elogiar e “abençoar” o ser humano, além de melhorar a sua auto-estima, as mensagens cristocêntricas tendem a perder o sentido. Tornam-se cada vez mais raros os mensageiros da cruz de Cristo.
Para muitos crentes, como já vimos em outras postagens, Deus é uma espécie de “Papai Noel”, que entra nos templos com um grande saco de presentes nas costas e começa a distribuí-los aos que têm fé. Os anjos podem ser comparados aos elfos — pequenos auxiliares do “bom velhinho”, que o ajudam a distribuir “brinquedos” para os “meninos”.
Esse evangelho antropocêntrico — do grego anthropos, “homem” — que vem sendo propagado por algumas igrejas e pregadores que se distanciam a cada dia das Escrituras tem a sua origem no antropocentrismo, doutrina filosófica pela qual se afirma que o ser humano é o centro do Universo, a referência máxima e absoluta de valores, o protagonista, o centro das atenções. No meio evangélico, tal filosofia tem sido adaptada e respaldada por passagens bíblicas isoladas.
Segundo esse evangelho triunfalista, Jesus teria sido apenas um grande homem que venceu pela fé, e não o verdadeiro Deus encarnado (cf. Jo 1.14). Os propagadores desse “outro evangelho” defendem uma deificação do homem, ensinamento que enfatiza — ainda que de modo tácito — o rebaixamento de Deus e a desvalorização da obra expiatória de Cristo.

O G-12 É TREMENDO?

Muitas igrejas têm adotado a “visão celular”, também chamada de Movimento G-12, embora nem todas sigam a numerologia ou a mística associada ao número doze (doze apóstolos, doze tribos, etc.), preferindo adotar grupos celulares de dez, quatorze ou até quinze membros. Tal estratégia vem sendo apresentada, sem nenhuma modéstia, como o mais eficaz meio de conquistar almas perdidas.
Os defensores do G-12 — principais propagadores do evangelho antropocêntrico — afirmam que imitam a igreja primitiva. Para eles, essa estratégia é uma revolução, uma quebra de paradigmas e, ao mesmo tempo, um retorno aos princípios da igreja de Atos dos Apóstolos. Não se trata, pois, de mais um programa; é, modéstia à parte, o programa da igreja.
Alguns líderes, principalmente os de jovens, afirmam que não seguem padrões éticos, dogmáticos, eclesiásticos de pessoas maduras na fé, experientes ou tradicionalmente respeitáveis. Preferem valorizar as “ministrações específicas” em pré-encontros, encontros, pós-encontros, encontros de líderes, etc. Ninguém está autorizado a descrever o que acontece nessas reuniões secretas. Mas todos concordam: “É tremendo”.
As igrejas em células têm os seus próprios cursos e conteúdos pedagógicos. Não investem na Escola Dominical; consideram-na ultrapassada, uma instituição falida. Dizem, sem nenhuma cerimônia, que as igrejas tradicionais ou conservadoras seguem padrões arcaicos e “comem pão amanhecido, seco e duro”. Desprezam e reprovam a liturgia tradicional das igrejas que não seguem o modelo celular.
Na prática, embora não admitam, os propagadores dessa “visão” têm oferecido aos crentes vários atrativos do mundo, mas dentro de um contexto “evangélico”. Sua estratégia principal é a “contextualização”. Tudo é feito para agradar as pessoas, uma vez que o objetivo é o crescimento numérico, e não a formação de crentes segundo a Palavra de Deus. Prevalecem doutrinas triunfalistas, como a confissão positiva, a maldição hereditária e a teologia da prosperidade.
Tudo gira em torno das células, reuniões realizadas somente em casas de pessoas evangélicas. Há cultos no templo, mas nenhuma reunião é mais importante que as células, definidas como “a essência da vida da igreja”. Nessas reuniões, ocorre a chamada “oração profética”, recheada com palavras de ordem ao Diabo: “ordenamos”, “quebramos”, “maniatamos”, etc. Há também espaço para manifestações estranhas, como o “cair no poder” — até as crianças caem.

(continua...)

Ciro Sanches Zibordi
Para saber mais, leia Evangelhos que Paulo Jamais Pregaria, de nossa autoria

8 comentários:

Anônimo disse...

A paz do Senhor!

Depois de ler o que o senhor escreveu, estava analisando que, com ou sem G-12, a mensagem cristocêntrica, em muitas igrejas, só é lembrada, pregada, no culto de Santa Ceia. Nesse culto realizado em memorial a Jesus, à Sua morte que foi voluntária; vicária(1Pe 3:18); sacrificial(1Co 5:7); propiciatória(1Jo 4:10); redentora(Mt 20:28); substitutiva(1Pe 2:24); reconciliatória(2Co 5:18,19) e expiatória(Sl 51:9) é realmente enfatizada. Jesus fez tudo isso por nós!!! E quantas vezes ouvimos isso nas pregações? Raramente, infelizmente...

Bem, mas pelo menos UMA vez ao mês, Cristo é lembrado, reverenciado, nas pregações. E é o culto onde observo que há maior reverência e honra a Deus. Mas bom seria se fosse assim em todos os cultos, pois há MUITO para aprender, ensinar e pregar sobre a Vida e Obra de Jesus!!!

O seu texto está muito elucidativo e serve como um alerta a nós. Na paz de Cristo, Quédia.

Ciro Sanches Zibordi disse...

É verdade, irmã Quédia! A cada dia, os cultos se tornam mais e mais antropocêntricos, e isso devido a muitos fatores que ainda mencionarei nesta série.

Que a irmã continue sendo essa gaúcha cristã (risos) compromissada com a verdade.

Em Cristo,

CSZ

Francivaldo Jacinto disse...

Prezado Pr. Ciro,
Realmente está cada vez mais difícil, são raras as pregações cristocêntricas em nossas igrejas. Os visitantes que recebemos em nossas igrejas geralmente já vêm preparados para animar o público. Segue o mesmo padrão: Fazer com que os irmãos dêem gloria até o término do culto e agradar o pastor local para garantir um novo convite. Sentem-se realizados somente se a igreja permanecer dando glória do inicio ao fim da sua (pregação). Suas mensagens são tiradas do cântaro e não da fonte. Entregam uma Xerox e muitos recebem. Pois eles insistem RECEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEBA!
francivaldojacinto.blogspot.com

Juber Donizete Gonçalves disse...

Prezado Pr. Ciro,

O seu post, foi muito pertinente ao momento atual. As pregações e os hinos, infelizmente são mais antropocêntrica hoje. A propósito, li seu livro Os evangelhos que Paulo jamais pregaria e achei muito bom.

Graça e Paz sobre sua vida,

Pr. Juber Donizete Gonçalves
www.juberdonizete.blogspot.com

pedrof disse...

Tenho observado em igrejas, sobretudo nas pentecostais a introdução de imagens de bichos poderosos como o leão e a águia nos púlpitos ou nas fachadas dos templos. Esta prática além de remontar antigos costumes pagãos, expressa uma preferência por figuras de poder, uma das características do clto antopocêntrico. A iconografia cristã evangélica que antes se percebia em ícones inocentes como um peixinho, uma pombinha, ou mesmo uma linda paisagem no batistério atrás do púlpito, agora é represenada por enormes bichos e também por figuras da antiga e ineficaz aliança, como por exemplo, a arca do concerto.
Em resumo deixamos os ídolos com formas humnas do catoliismo romano e agora retrocedemos à zoolatria dos pagãos. Arghhh....

Anônimo disse...

ola a paz do senhor pastor esse artigo do senhor fala muito o que está acontecendo a qui na congregação onde eu congrego, pois aqui o pastor veio da mundial e trouce os costumes de la para cá, sendo a igreja assembleia de Deus. aprendemos a adorar jesus agora querem que nos a predemos a viver śo pesando nas bençãos de jesus, ainda querem trazer doutrinas la do meio neopentencostal para cá, desde já grato.

Anônimo disse...

Sobre a questão de ter o Senhor Jesus como centro de do que se estuda no Antigo Testamento (de fato assim deve ser). Convido você, responsável pelo Blog e seus leitores, a ler o Blog: A NECESSÁRIA TEOLOGIA CRISTOCÊNTRICA DO ANTIGO TESTAMENTO, endereço ─ www.esdraseneemias.blogspot.com
Atenciosamente JORGE VIDAL

Anônimo disse...

Primeiro quero agradecer-lhe Pastor Ciro,por seu blog que,com certeza, tem como objetivo "abrir os olhos" do povo de Deus.E depois deste artigo,me sinto mais feliz ainda e louvo à Deus pela minha igreja,que é uma igreja pequena,com mais ou menos 50 membros,e que tem menos de 1 ano,mas vem crescendo a cada dia,pois o nosso foco é evangelizar e bem,conhecendo muito bem as escrituras.Por isso,tenho lido muito seus artigos.Sou batizada à mais de dez anos e só agora encontrei uma igreja onde é pregado o amor de Cristo e a verdade da Bíblia e não do homem.Nosso apascentador é Evangelista,prega e evangeliza com toda ousadia e sem medo de falar a verdade(tanto que,nossa igreja foi formada por um grupo de jovens católicos).Enfim,acho que a sua visão e a dele sobre a Bíblia e as coisas espirituais são muito parecidas.Agradeço à Deus pela sua vida e a do meu querido Evangelista Marcos,e oro pra que tenham muitos outros ministrantes que realmente tenham amor pela obra e o evangelho de Cristo e que preguem o amor e o sacrifício dele.À Paz do Senhor!