sexta-feira, 28 de setembro de 2007

As nações clamam! Urgente!

Amados irmãos, a paz do Senhor!
Peço que orem por mim e pelo Congresso de Missões e Evangelismo que será realizado na Assembléia de Deus em Curitiba-PR, de 29/9 a 7/10. Estarei cooperando neste evento nos dias 29,30/9 e 1/10.
Que o Senhor salve muitas vidas e fale poderosamente aos nossos corações, a fim de que sejamos edificados e despertados mais e mais.
Em Cristo,
Ciro Sanches Zibordi

O internauta opina (3)


Olá, pastor Ciro!
A Paz do Senhor!
Li o Diário do Pioneiro (editado pela CPAD), e todas as manifestações sobrenaturais foram realmente sobrenaturais, e não forjadas. Não foram exaltadas nem anunciadas, e muito menos viraram marca registrada de Gunnar Vingren.
As manifestações eram oriundas do poder de Deus, e não o contrário. Hoje as "manifestações da moda" passam a ser marcas registradas ou "grifes espirituais" de seus próprios profetas.
Manifestações genuínas produzidas pelo poder de Deus não se tornam mais famosas do que o próprio evangelho, não deixam Cristo de lado, nem ofuscam o trabalhar do Espírito Santo na vida daqueles que o recebem, produzindo frutos verdadeiros na vida do crente!
Recentemente, ouvi vários pastores que participaram de um desses pseudo-avivamentos da última hora — aqui mesmo no Brasil — confessarem que faziam suas "manifestações sobrenaturais" na frente da igreja para agradar o "chefe" (palavras deles mesmos). Quando perguntei-lhes por que agiam assim, me disseram que entravam na do "chefe" ou seriam demitidos.
Acontece que, enquanto produziam suas "palhaçadas espirituais", o povo era enganado e ia ao delírio, julgando ser obra de Deus.
Não falo de coisas que me contaram. Conheço de quem estou falando; estive na frente de combate nesses episódios ocorridos há três anos em uma grande Igreja de nossa convenção.
Tenho inclusive alguns depoimentos gravados, e muitos pastores sérios ainda estão se recuperando do baque. Tudo se acabou como a água que entra no ralo. A Igreja e Ministério estão fora da CGADB e lidam hoje somente com as seqüelas. Onde está o avivamento nisso? Sou nascido em lar e igreja pentecostais, mas isso não é avivamento nem aqui, nem em Jerusalém e nem na China!
Perdoe-me o ímpeto! É simplesmente lamentável!
Continue, pastor Ciro!

Pr. Carlos Roberto Silva
http://pointrhema.blogspot.com
Vice-presidente da Assembléia de Deus de Cubatão; vice-presidente executivo da COMADESPE (Convenção dos Ministros das Assembléias de Deus no Estado de São Paulo e Outros); vice-presidente da UNIPEC (União dos Pastores Evangélicos de Cubatão), membro do Conselho de Doutrina da CGADB — Convenção Geral das Assembléias de Deus no Brasil.

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Você conhece o pregador José dos Clichês?


Era um culto de domingo, em uma grande e tradicional igreja evangélica. O templo estava lotado, e tudo transcorria normalmente, após a oração de abertura, que terminou com o primeiro “amém” da noite.
Havia muitas pessoas não-crentes para ouvir a exposição da Palavra de Deus. No púlpito, os obreiros folheavam a Bíblia, esperando ter uma oportunidade para falar. E isso poderia acontecer, uma vez que o pastor pregara no domingo anterior e não costumava avisar com antecedência o pregador do próximo culto.
Após o momento de cânticos, com todos os conjuntos musicais, e a leitura da Bíblia Sagrada, o pastor anunciou:
— Vamos fazer uma oração e, em seguida, ouviremos uma saudação pelo pastor José dos Clichês, que hoje deixou a sua congregação, e gostaríamos de ouvi-lo transmitir uma rápida palavra.
O dirigente do culto começou a orar, e José, assentado na galeria por ter chegado tarde à reunião, lembrou-se de uma pregação que ouvira sobre o texto de 1 Pedro 3.15, cujo tema foi: “Estai sempre preparados”.
Terminada a oração com mais um “amém”, José se levantou calmamente e dirigiu-se ao púlpito, sem saber o que falaria, pois, mesmo sendo um ministro, não tinha nenhuma mensagem preparada...
A fim de ganhar tempo, fez questão de cumprimentar os vinte obreiros que ali estavam, um por um... Ajustou, então, lentamente, o pedestal do microfone e começou a falar:
— Saldo os irmãos com a paz do Senhor e os amigos com uma boa noite de salvação! Amém?
Como poucos irmãos responderam, ele reclamou:
— Parece que esse “amém” foi para mim. Saldo os irmãos com a paz do Senhor! Amééém?
— Amééééééééém... — o público respondeu.
— É motivo de grande alegria estar aqui neste lugar, pois anjos, arcanjos, querubins e serafins estão aqui, nesta noite. Amém, irmãos?
Ao som de um desconfiado “amém”, José continuou:
— O povo de Deus é um povo alegre! Olhe para o seu irmão e diga: “Eu profetizo unção de alegria sobre a sua vida!” — isso fez com que todos se movimentassem, se cumprimentassem e conversassem em voz alta durante alguns minutos...
Depois desse momento de — digamos — “descontração”, José continuou:
— Desejo, antes de proferir a poderosa e magnânima mensagem que já está em meu coração, cantar um hino para Jesus. Minha voz não está boa, mas vou cantar para Jesus!
Pedindo aos músicos uma nota, começou a cantar de forma desafinada a canção Jesus Tomou as Chaves do Diabo. Alguns irmãos sorriam, outros olhavam para o relógio, e a maioria cochichava:
— Que desafinado — todos, na verdade, sabiam que ele, por não conhecer música, pedira um tom muito alto. Pior que isso: estava cantando fora do tom pedido. Mesmo assim, não se intimidou e cantou o “hino” duas vezes!
Os obreiros do púlpito permaneciam de cabeça baixa, olhando para a Bíblia, enquanto o pastor da igreja — que parecia antever o que aconteceria — pronunciava em tom baixo um pejorativo “amém”. Quando ele pensava que nada pior poderia acontecer...
— Irmãos — disse José dos Clichês. — Esse hino é maravilhoso e me faz lembrar do tempo em que eu era um pecador, e a poderosa mão de Deus me alcançou... E quantas pessoas estão sofrendo, no pecado... Glória a Deus! Aleluia! Como disse o apóstolo Pedro, em Hebreus: “Horrenda coisa é cair na mão do Deus vivo”...
Não percebendo que havia aplicado o versículo de modo contraditório e citado a fonte erroneamente, ainda acrescentou:
— E essa mão vai tocá-lo nesta noite! Se você crê, levante a mão direita e comece a liberar a sua fé! Você é vencedor! Declare isso!
Apesar de gritar e pular, a ponto de suar e quase perder a voz, percebeu que não houve o “retorno” que esperava... O povo não estava tão impressionado com as suas palavras e atitudes. Assim, resolveu fazer uma oração:
— Fiquemos em pé! Vamos fazer uma oração de conquista! Vamos tomar tudo o que o Diabo nos roubou! Comece a liberar a sua fé! Determine agora a sua vitória! Exija que o Diabo deixe a sua vida!
Quando a estranha oração já durava vários minutos, e alguns irmãos já estavam sentados, ele concluiu:
— Em o nome de Jesus, eu determino que haja vitória para o seu povo e profetizo que todos recebam a bênção agoooooooooora! Diabo, eu exijo: Pegue tudo o que é seu e saia, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.
A essa altura, todos pensavam que ele terminaria a sua “rápida” saudação. Mas, folheando a Bíblia de um lado para o outro, prosseguiu:
— Bem, irmãos, para não ficar somente em minhas palavras, quero deixar um versículo para a meditação de todos. Desejo ler uma passagem conhecida, pois o salmista disse que a Palavra de Deus se renova a cada manhã...
Após alguns segundos de procura, voltou-se para os obreiros do púlpito e perguntou:
— Irmãos, quero deixar para a igreja aquele versículo que diz: “Quem não vem pelo amor, vem pela dor”. Onde está mesmo? Acredito que esteja em Eclesiástico...
— Irmão José, é Eclesiastes — manifestou-se um dos obreiros, em tom baixo.
Nesse instante, enquanto alguns irmãos riam de cabeça baixa, José continuava a procurar o versículo... Ele já havia consultado a concordância resumida que havia em sua Bíblia, mas...
Faltavam apenas vinte minutos para o término do culto, e o horário da pregação já estava atrasado em quase meia hora. Para complicar mais a situação, o pastor havia convidado Antonio das Revelações, um famoso pregador da Igreja do Evangelho Antropocêntrico, que chegara poucos minutos depois do início da “saudação”...
Antes que o pastor, um homem muito paciente, puxasse o paletó do irmão José, ele tomou uma atitude: fechou a Bíblia de forma brusca e, um tanto trêmulo, abriu-a de novo, lentamente, mantendo os olhos fechados e um dedo sobre uma passagem.
— Irmãos, eu resolvi tirar uma palavra, e caiu aqui em Salmos 32.9. E o Senhor vai falar com você agora, pois o nome de Deus é Já! Quem achou, diga “amém”. Quem não achou, diga “misericórdia”.
Ao ouvir um fraco “amém”, ele firmemente procedeu a leitura:
— “Não sejais como o cavalo, nem como a mula, que não têm entendimento, cuja boca precisa de cabresto e freio, para que se não atirem a ti”.
Lido o texto, o dirigente do culto, que mantinha um olho na Bíblia e outro no relógio da parede, não suportando a sucessão de atitudes inconvenientes, disse em alto e bom tom:
— Amém, pastor José. Agora é a hora da Palavra! Vamos ouvir a pregação!
José olhou para o pastor e, entendendo que dissera aquelas palavras em sinal de aprovação, para que ele continuasse falando e iniciasse, de fato, a pregação, respondeu, com ar de soberba:
— Esse versículo é muito profundo, e eu poderia ficar aqui falando muito tempo... Só não vou fazer isso porque o pastor me deu a oportunidade para apenas uma saudação. E eu quero ser fiel ao meu pastor. No entanto, gostaria de fazer só mais uma coisa... Olhem para mim!
Nesse instante, houve um momento de expectativa...
— Lemos um versículo que mostra o poder das palavras. Olhe para o seu irmão e diga: “Aprenda a usar o poder de suas palavras, pois com elas você pode produzir bênção e maldição”.
Boa parte do povo estava um tanto impaciente, haja vista a expectativa de ouvir o pregador convidado, e acabou não seguindo as ordens de José.
— Parece que os irmãos estão um tanto desanimados... Repreenda esse espírito de desânimo! Amém?
Sem ouvir sequer um irmão dizendo “amém”, José preferiu não insistir e, finalmente, concluiu:
— Eu agradeço a oportunidade, e que o Espírito Santo fale melhor em cada coração.
Como faltavam poucos minutos para terminar o culto, e o grupo de coreografia ainda pediria para se apresentar antes da mensagem — mais quinze minutos! —, a saudação, propriamente dita, ficaria a cargo do pregador convidado...
No entanto, este ainda falaria por mais cinqüenta minutos, pedindo que o povo respondesse a mais alguns “améns”... Antes de pregar sobre os seus assuntos preferidos, a prosperidade, os direitos do crente e os demônios, pediu a todos que olhassem para o irmão ao lado e dissessem:
— Eu te abençôo agora! E profetizo prosperidade sobre a tua vida!
O público acabou se animando um pouco com essa sessão de “profecias”, mas cansou-se logo, pois, a cada frase de efeito que o pregador empregava, dizia:
— Diga isso para o seu irmão...
De fato, ele parecia ser um homem de fé, pois relatou inúmeros encontros que teve com Jesus e os apóstolos, no céu, e com o Diabo, no inferno. Ele aproveitou para oferecer o livro As Revelações do Céu e do Inferno que Paulo Não Teve Coragem de Escrever, lançado pela editora Fé na Fé.
— Irmãos, eu recebi este livro quando visitei o céu pela primeira vez e conversei com o apóstolo Paulo. Ele me disse que não teve coragem de escrever em suas epístolas tudo o que viu, mas que me autorizava a divulgar essa mensagem para a Igreja dos últimos dias. Neste livro, estão revelados muitos mistérios que não se encontram na Bíblia...
Após a longa e polêmica pregação, o pastor — cheio de dúvidas quanto a tudo o que ouviu — impetrou a bênção apostólica e encerrou a reunião com o último “amém”!
Há um versículo que parece definir bem o que foram as pregações do José dos Clichês e Antônio das Revelações: “O princípio das palavras de sua boca é a estultícia, e o fim da sua boca um desvario péssimo” (Ec 10.13).

Ciro Sanches Zibordi

Texto extraído do livro Erros que os Pregadores Devem Evitar, editado CPAD

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

O internauta opina (2)

IRMÃO CIRO, GRAÇA E PAZ!

Tenho experimentado em minha vida o texto: "E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará." (João 8:32)

Após longos anos preso a religiosidade, servindo ao SENHOR apenas pelas palavras e interpretações de homens, nem sempre comprometidos com a OBRA DE DEUS, no ano passado me libertei.

O SENHOR começou a trabalhar em minha vida, através da comunhão com um grupo de irmãos aqui em minha cidade. Pude perceber o quanto desconhecia o SENHOR, mesmo "crente" há anos, conhecendo as escrituras, não sabia nada sobre amar e compartilhar. Com esses irmãos pude sentir o que realmente é o amor de DEUS derramado, pude participar da verdadeira Koinonia.

Desde então, me vi em uma missão, levar este amor até meus familiares mais próximos, meu irmão, irmã e cunhados que também serviam ao SENHOR da mesma forma que eu, cheios de intenções mas sem muita razão.

Cometi alguns excessos, querendo combater as heresias e desvios de um jeito autoritário, não levando em conta: "Não por força nem por violência, mas sim pelo meu Espírito, diz o SENHOR dos Exércitos."(Zacarias 4:6)

Depois de algumas tentativas frustradas e dolorosas, sendo chamado de rebelde, herege, optei pelo silêncio e oração, falando apenas quando era indagado (aí eu falava muito, rs).

Inspirado pelos textos deste blog, os quais envio sempre a minha lista de amigos, deixei o tempo passar e pra GLÓRIA DAQUELE que é, sempre foi e sempre será, a semente lançada começou a germinar.

Primeiro foi meu irmão, sempre tão religioso em defender a "placa", denominação, depois minha irmã e cunhado, antes inundados na tradição religiosa.

Eles foram alcançados pela REVELAÇÃO DO SENHOR, eles VIRAM O SENHOR e olharam para o que viviam e constataram que aquilo não era servir a DEUS e sim servir a homens.

Eles frequentavam um igreja na qual o pastor disse em púpito que não pregaria sobre a volta do SENHOR pois está boa a vida aqui na terra. Além das críticas dirigidas aos membros feitas nas pregações.

Enfim, eles não saiam de lá pois achavam que se saíssem estariam olhando para trás, largando o arado.

Sem mágoa, com muito temor eles pediram o desligamento ao dito pastor, que não os abençoou, e agora caminham com irmãos que primam pela PALAVRA DE DEUS, QUE VIVEM O AMOR e esperam a volta do SENHOR!

Por isso relato estes fatos para que você, irmão Ciro, perceba com sua mensagem, seu ministério de palavras tem alcançado pessoas neste país.

Que DEUS o abençoe, o ilumine e revele cada vez mais JESUS CRISTO, pois é isso que importa.

O resto, como disse Paulo: "E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas estas coisas, e as considero como lixo, para que possa ganhar a Cristo," (Filipenses 3 : 8)

Graça e muita Paz!

Luis Carlos
Joinville/SC

domingo, 23 de setembro de 2007

Bênção ou maldição de Toronto?


Graças a Deus, não estamos sozinhos nesse nosso combate contra heresias e modismos da atualidade! O jornal Mensageiro da Paz (órgão oficial das Assembléias de Deus no Brasil), cujo fundador é o apóstolo Gunnar Vingren, apresenta neste mês uma matéria de duas páginas sobre a carta do pastor Paul Gowdy (ex-líder da Igreja do Aeroporto de Toronto) sobre as aberrações que chamam de manifestações do Espírito, a qual já foi publicada neste blog. Eis um trecho da matéria do Mensageiro da Paz número 1.468:

"O pastor canadense Paul Gowdy, um dos antigos líderes da Toronto Airport Christian Fellowship (Comunhão Cristã do Aeroporto de Toronto), mais conhecida como "Igreja do Aeroporto", que disseminou alguns dos mais populares modismos perniciosos que infestaram o meio evangélico nos últimos anos, como "dente de ouro", "unção do cai-cai", "unção do riso", etc., denunciou recentemente e arrependido a farsa dessas heresias e o que realmente aconteceu por trás da promoção desse falso avivamento. Inicialmente, a denúncia foi publicada só para um pequeno círculo de evangélicos, mas aos poucos começou a ser divulgada em grande escala nos EUA, especialmente a partir de fevereiro. Blogs e sites foram os grandes popularizadores do texto."

Ciro Sanches Zibordi

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Bienal do Livro

Estarei hoje na Bienal do Livro, no Rio de Janeiro, no stand da CPAD, e gostaria de ter um contato mais próximo com os meus leitores. Compareça!

Um grande abraço!

Ciro Sanches Zibordi

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Jefté ofereceu a sua filha em holocausto?




Em Juízes 11, a Palavra de Deus apresenta a história de Jeftá (ou Jefté), juiz corajoso e temente a Deus que levou o povo israelita a uma grande vitória sobre os seus inimigos. Antes da peleja com os filhos de Amom, Jeftá fez um voto de sacrificar em holocausto — “... oferta queimada por inteiro” (Dicionário Vine, CPAD, p. 203) — ao Senhor aquilo (ou “quem”, ARA) que lhe saísse ao encontro, quando retornasse vitorioso.
Para sua surpresa, sua própria filha o recepcionou com alegria, deixando-o extremamente frustrado. É aqui que começa o problema teológico, gerando uma verdadeira “guerra santa” entre os teólogos. Afinal, Jeftá ofereceu ou não a sua filha em holocausto?
São muitas as conjeturas teológicas sobre essa passagem, mas as principais são duas: Jeftá conhecia a lei que proibia o sacrifício humano (cf. Lv 18.21; Dt 12.31) e, por isso, não sacrificou sua filha. Ele teria entregado a jovem ao serviço Senhor, tal como o foi Samuel (cf. 1 Sm 1.24).
A moça, portanto, teria sido oferecida em sacrifício vivo, devendo permanecer virgem até à morte, conforme se infere de Juízes 11.37-39. Mas tudo isso é suposição! Nada disso está escrito na narrativa bíblica.

O que, de fato, dizem as Escrituras? É preciso ler com atenção:

1) “E Jeftá votou um voto ao Senhor, e disse: Se totalmente deres os filhos de Amom na minha mão, aquilo [ou aquele] que, saindo da porta de minha casa, me sair ao encontro (...) isso será do Senhor, e o oferecerei em holocausto” (Jz 11.30,31). Qual foi o voto de Jeftá? “... oferecerei em holocausto”.
2) “Vindo, pois, Jeftá a Mizpá (...) eis que a sua filha lhe saiu ao encontro (...) E aconteceu que, quando a viu, rasgou os seus vestidos, e disse: Ah! filha minha, muito me abateste (...) porque eu abri a minha boca ao Senhor, e não tornarei atrás” (Jz 11.34,35). Jeftá estava disposto a voltar atrás no que votara? Não! Disse: “... não tornarei atrás”.
3) “E ela disse: Pai meu, abriste tu a tua boca ao Senhor; faze de mim como saiu da tua boca...” (Jz 11.36). A filha de Jeftá estava disposta a ser oferecida em holocausto? Sim: “... faze de mim como saiu da tua boca”.
4
) “Disse mais ela a seu pai: Faça-se-me isto: deixa-me por dois meses que vá, e desça pelos montes, e chore a minha virgindade (...) então foi-se ela com as suas companheiras, e chorou a sua virgindade pelos montes” (Jz 11.37,38). Por que a moça choraria tanto tempo, se não acreditasse que o voto seria cumprido do modo como fora feito?
5) “E sucedeu que, ao fim de dois meses, tornou ela para seu pai, o qual cumpriu nela o seu voto que tinha votado; e ela não conheceu varão...” (Jz 11.39). Que voto Jeftá cumpriu? “... o voto que tinha votado”. Ou seja, oferta inteiramente queimada.
6) “... E daqui veio o costume em Israel, que as filhas de Israel iam de ano em ano a lamentar a filha de Jeftá, o gileadita, por quatro dias no ano” (Jz 11.39,40). O cumprimento do voto de Jeftá causou grande comoção entre as jovens israelitas, a ponto de levá-las a lamentar o episódio quatro vezes no ano... Por que lamentariam tanto, se a moça não tivesse morrido?
Essa passagem fica ainda mais compreensível na versão Almeida Revista e Atualizada (ARA): “Daqui veio o costume em Israel, de as filhas de Israel saírem por quatro dias de ano em ano cantar em memória da filha de Jefté, o gileadita”. Você já viu alguém cantar em memória de quem está vivo?
Portanto, a polêmica em torno dessa passagem é teológica, e não bíblica. A Bíblia é categórica quanto a esse assunto. Porém, algo que deve ficar muito claro é que Deus jamais aceitaria sacrifícios humanos. Jeftá ofereceu a sua filha em holocausto porque ele quis, e não porque o Senhor o aceitasse como condição para abençoar o seu povo.

Ciro Sanches Zibordi
Para saber mais, leia
Erros que os Pregadores Devem Evitar, editado pela CPAD, de minha modesta autoria.

terça-feira, 18 de setembro de 2007

O internauta opina (1)


A partir de hoje publicarei com destaque alguns comentários dos leitores deste blog. A irmã Márcia, com muita clareza, escreveu-me acerca dos artigos sobre o "cai-cai" e a "bênção de Toronto". E por isso o seu comentário inaugura esta série O internauta opina:

"Amado Ciro, Graça e Paz!!
Gostei muito de ler o que, tenho certeza, foi o Espírito Santo que o levou a escrever. Tudo o que você relatou é a prática adotada por muitas igrejas aqui no Brasil também. Eu também fui criada na Igreja Presbiteriana e, apesar de ter uma visão mais ampla da ação do Espírito Santo, eu nunca vi com paz no coração esses tipos de manifestações que você mencionou, justamente por ser diferente do que a nossa regra de fé e prática nos revela.
Eu sempre cri que o Espírito Santo levanta, vivifica; e tenho dificuldade hoje de entender que esse mesmo Espírito Santo joga as pessoas ao chão e em alguns casos as fazem rastejar... Eu tenho me dedicado a estudar o satanismo, e a ação de Satanás nos dias de hoje é uma coisa que aprendi; e é notório que uma de suas metas (porque o fim está chegando) é causar confusão, divisão e descrédito das igrejas de Deus. Infelizmente ele tem conseguido.
Alguns perguntam: "Mas, e Deus permite isso?" Claro. Jesus já havia nos alertado que deveríamos vigiar e manter as nossas "lâmpadas" cheias do óleo, porque viria o tempo em que necessitaríamos de usar este óleo. Ele disse que muitos diriam: "Eis o Cristo aqui; não, Ele está ali..." Mas deveríamos estar atentos ao engano e a mentira.
Faço coro com você; façamos comparação com a Palavra tudo aquilo que hoje é manifestado em nome de Deus, pois Satanás viria e veio se possível até para enganar os escolhidos... Hoje só se prega sobre prosperidade, bênçãos, poder, unção, etc., mas se esquecem que para termos acesso a isso é necessário primeiramente ARREPENDIMENTO, e sobre isso ninguém quer falar, pois é melhor manter o corpo, as idéias, os conceitos do velho homem...
Muitos se esquecem de que a Palavra diz que não se pode colocar vinho novo em odres velhos... E devemos transformar este século pela renovação das nossas mentes, mas pelo Espírito Santo de Deus, e não por doutrinas humanas que pregam "outra palavra". A nossa Palavra diz que qualquer coisa que passar daquilo que está escrito seja ANÁTEMA.

Um grande abraço.

Fique na Paz do Senhor.

Márcia"

sábado, 15 de setembro de 2007

Podem todos profetizar ao mesmo tempo, e quando querem?


A verdadeira profecia ocorre quando o Espírito Santo usa os seus servos para edificar, exortar e consolar a igreja (1Co 14.3). Ele fala como e quando quer (1Co 12.11), e não no momento em que alguém resolve proferir palavras de ordem. Aliás, como num culto nem todos são profetas (1Co 12.29), devem falar apenas dois ou três, enquanto os demais julgam (1Co 14.29). Para quem não sabe, a profecia pode ter três origens: divina, humana ou demoníaca (1Jo 4.1; Dt 18.21-22 e 1Tm 4.1).
Mas o que temos visto acontecer hoje em muitos cultos é puro mecanicismo e banalização do verbo “profetizar”. Os crentes têm sido motivados a usar o poder de suas palavras, como se elas fossem mágicas. Acreditam que qualquer declaração de fé é uma profecia para abençoar pessoas, famílias, empresas e até times de futebol!
Se algumas celebridades evangélicas estivessem com a razão, nenhum crente teria problema. Como num passe de mágica, todos profetizariam bênçãos uns aos outros, a qualquer hora, e Deus teria de sair cumprindo cada predição, inclusive as mais absurdas, como aquela de que a seleção brasileira seria campeã mundial na Alemanha!
Um texto muito usado por irmãos mal-orientados é Tiago 3.10, que de modo algum respalda esse modismo de profetizar a qualquer hora, sem que o Senhor mande, o que é muito perigoso (Ez 13.1-3). Tiago, na passagem citada, condena a maledicência e nos incentiva a usar a língua para bendizer a Deus. Basta ler o contexto para entender isso (Tg 3.1-9). Não há ênfase ao suposto poder abençoador das palavras humanas.
Muitos gostam de citar a visão do vale dos ossos secos, em que Ezequiel profetizou, e os ossos reviveram. No entanto, o profeta, conforme se lhe deu ordem (Ez 37.7), disse: “Ossos secos, ouvi a palavra do Senhor” (v4). O poder para vivificar os ossos, pois, não estava em suas palavras, e sim na Palavra que recebera de Deus.
Outros citam o fato de Elias ter profetizado que não choveria durante três anos e seis meses (1Rs 17.1). Porém, a ousadia do profeta diante do rei Acabe se deu em decorrência do que está registrado em Tiago 5.17: “Elias era homem sujeito às mesmas paixões que nós e, orando, pediu que não chovesse...” O que ele profetizou havia recebido do Senhor, em oração.
É comum, em grandes eventos, ouvirmos celebridades evangélicas dizendo: “Eu profetizo que esta cidade é de Jesus”. Contudo, se não houver compromisso com a Palavra de Deus, teremos vários fãs de Cristo — e não seguidores — profetizando isso e aquilo, enquanto as coisas continuarão exatamente como estão.
Quantos já não “abençoaram” o Brasil, profetizando por conta própria que esse país é do Senhor Jesus?! (Ah, se as coisas fossem tão fáceis como esses “profetas” pensam que são!) Apesar disso, a nossa nação continua cheia de violência, imoralidade, corrupção... O que pode mudar o mundo é a evangelização e a intercessão (Mc 16.15-18 e 1Tm 2.1-3). Mas, em vez de pregar o evangelho, muitos já foram convencidos de que basta profetizar bênçãos sobre a nação...
Muitos hoje não querem examinar as Escrituras. Preferem seguir aos modismos de alguns célebres pregadores e cantores. Não embarque nessa canoa furada. Não siga o exemplo deles, por mais famosos que sejam! Permita que a Palavra de Deus guie a sua vida (Sl 119.105).

Ciro Sanches Zibordi

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

A vitória de Cristo foi na cruz ou no Inferno?


Apresento-lhes algumas considerações acerca da famosa canção “A Vitória da Cruz”, com o objetivo de esclarecer, orientar o povo de Deus, especialmente os jovens.

1) O título da canção está correto à luz da Bíblia Sagrada. Mas a letra depõe contra o próprio título. Por quê? Porque enfatiza que a vitória da cruz não foi na cruz (!!!), e sim no Inferno, onde Cristo teria aberto as nossas cadeias e nos resgatado. À luz da Palavra de Deus, a vitória de Cristo foi mesmo alcançada NA CRUZ! Embora a obra da redenção esteja apoiada no tripé “nascimento, morte e ressurreição”, a crucificação de Jesus é seu ponto alto. Afinal, foi na cruz que o Senhor bradou: “Está consumado” (Jo 19.30). NA CRUZ Jesus venceu Satanás, como se lê claramente em duas passagens neotestamentárias:

“Visto, pois, que os filhos têm participação comum de carne e sangue, destes também ele, igualmente, participou, para que, POR SUA MORTE, destruísse aquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo” (Hebreus 2.14).

“E, despojando os principados e as potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles NA CRUZ” (Colossenses 2.15).

2) Para quem não sabe, o Diabo NUNCA esteve no Inferno! Ele é o príncipe das potestades do ar; o seu trono está nas regiões celestiais (Ef 2.2; 6.12; Gl 1.8). Como, pois, ele pôde ouvir os passos fortes que abalaram o Inferno? Como Jesus teria acabado com a sua comemoração?

3) Biblicamente, é errado afirmar que os demônios se alegraram ou fizeram festa com a morte de Cristo, pois foi exatamente na sua morte sacrificial que eles foram derrotados, como vimos nas passagens acima. O Inimigo tentou matar Jesus ANTES de Ele chegar à cruz (Lucas 4.28-30). Satanás induziu Pedro (por influência, e não por possessão) a fazer Jesus desistir da idéia de morrer na cruz, mas Ele o repreendeu: “Para trás de mim, Satanás” (Mateus 16.22,23). Quando Jesus já estava na cruz, o Inimigo tentou frustradamente convencê-lo a descer de lá (cf. Mateus 27.40,42). Por que o Diabo faria festa pela verdadeiramente VITÓRIA DA CRUZ?

4) Não houve festa nenhuma no Inferno envolvendo o Diabo e seus agentes! O Inimigo foi derrotado e exposto ao desprezo NA CRUZ, na morte de Cristo! Embora o plano redentor de Deus, para nós, tenha se concretizado na ressurreição de Cristo, pois sem ela seria vã a nossa fé (1 Coríntios 15.17-20), a ênfase desse plano é a vitória da cruz. Por isso, a mensagem da cruz é tão poderosa (1 Coríntios 1.18).

5) Apesar de estar derrotado por antecipação e aguardando o cumprimento de sua sentença (João 16.8-11), o Diabo ainda não foi esmagado, como diz a canção! Esmagamento significa derrota total, e isso ainda não aconteceu! Em Romanos 16.20, está escrito: “E o Deus da paz EM BREVE ESMAGARÁ DEBAIXO DE VOSSOS PÉS A SATANÁS”. Isso diz respeito ao futuro (1 Co 6.3; Ap 20.9,10).

6) O Diabo nunca teve chaves! Pelo menos, as Escrituras não mencionam que ele, em algum momento, tenha possuído a chave do Inferno. Jesus apenas disse: “... eis que estou vivo pelos séculos dos séculos, e tenho as chaves da morte e do inferno” (Apocalipse 1.18). Por conseguinte, não podemos afirmar que Cristo tomou as chaves do Diabo!

7) Portanto, Jesus não nos resgatou no Inferno! Ele não abriu as nossas cadeias no Inferno! Não! O título da canção em apreço deveria ser A VITÓRIA DO INFERNO. Mas foi com o sangue da cruz que Cristo resgatou a humanidade (1 Pedro 1.18,19), comprando-nos para Deus, como se lê em Apocalipse 5.9: “... Digno és... porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação”. Ele, portanto, pagou o preço do resgate a Deus, e não ao Diabo!
Respeitosamente,

Ciro Sanches Zibordi

Você é frio, quente ou morno?

No mundo, as pessoas são geralmente classificadas conforme a sua classe social: alta, média ou baixa. Tal critério leva em conta apenas o lado material e não revela o verdadeiro valor de cada indivíduo. Deus valoriza o aspecto espiritual e apresenta, em sua Palavra, uma outra maneira de classificar as pessoas, independentemente de suas situações social e financeira.
De acordo com 1 Coríntios 2.14—3.3 e Apocalipse 3.15,16, os seres humanos estão enquadrados em três distintas categorias: (1) o homem natural (ou frio); (2) o homem espiritual (ou quente); e (3) o homem carnal (ou morno).

O HOMEM NATURAL OU "FRIO"

É aquele que vive sob a perspectiva meramente natural. Ele não conhece o poder sobrenatural de Deus pelo fato de ainda não ter recebido a Jesus Cristo como Salvador e Senhor de sua vida. Em decorrência disso, também não compreende as coisas do Espírito de Deus (1 Co 2.14), pois está em um estado chamado de “tempo da ignorância” (At 17.30).
Aquele que vive sob a perspectiva natural não tem o Consolador, que é dado àqueles que obedecem a Deus (At 5.32). Nesse caso, ele é chamado de frio pelo fato de não sentir o calor do Espírito de Deus em seu coração. A salvação, que é confirmada pelo selo do Espírito em nós (Ef 1.13,14), traz o fogo, a luz (2 Co 4.4; Mt 4.16; 1 Pe 2.9), e quem não a possui, espiritualmente está frio e apagado.
O homem natural também é dominado pela natureza adâmica (Ef 2.1-3) e comete com naturalidade as obras da carne, não tendo controle sobre as suas paixões (Rm 7.19,20). Por essa razão, Judas, irmão do Senhor, ao escrever sobre esta primeira categoria, disse: “... dizem mal do que não sabem; e, naquilo que naturalmente conhecem, como animais irracionais se corrompem” (Jd v.10).

O HOMEM ESPIRITUAL OU "QUENTE"

A segunda classe apresentada nas páginas sagradas é o homem espiritual, que já nasceu de novo e está experimentando a regeneração pelo poder transformador da Palavra de Deus (Jo 3.3; 2 Co 5.17). O homem espiritual é chamado de “novo homem”, pois já se despojou do “velho homem”, que se corrompe, para se renovar no seu próprio espírito (Ef 4.22-24).
O espiritual é aquele que tem prazer em cultivar o seu espírito. Mas, o que é o espírito? Ao formar o homem, Deus o dotou de três partes: espírito, alma e corpo (1 Ts 5.23). O Senhor deu ao ser humano o corpo, isto é, o invólucro composto dos sentidos visão, audição, olfato, paladar e tato. Deu-lhe, também, a alma, onde está a personalidade de cada indivíduo, formada pelas faculdades intelecto, sentimento e vontade. E dotou-o, finalmente, do espírito, que não deve ser confundido com a alma (Hb 4.12). Trata-se de um canal exclusivo de comunhão com Deus (Jo 4.23,24).
Quem é espiritual, adora a Deus no seu espírito, pois só se pode adorar ao Senhor de verdade se for pelo espírito. As palavras que saem dos lábios devem partir do coração, que, nesse caso, é sinônimo de espírito (Is 29.14). Por isso, o rei e salmista Davi disse: “Preparado está o meu coração, ó Deus, preparado está o meu coração; cantarei, e salmodiarei” (Sl 57.7). A adoração autêntica parte do espírito.
Ademais, o homem espiritual possui duas importantes características. Ele é chamado de quente, pois é morada do Espírito Santo (1 Co 3.16), o qual tem no fogo um de seus mais relevantes símbolos (Mt 3.11; At 2.1-4). O crente “quente” também crê na Palavra, que é apresentada como um fogo (Jr 23.29; Sl 39.3; 45.1; Lc 24.13-32). A sua outra característica alude ao domínio que o espiritual exerce sobre a sua natureza carnal (Gl 5.19-21), sobrepujando-a, não pela sua própria força, mas pelo fruto do Espírito que nele habita (Gl 5.22).

O HOMEM CARNAL OU "MORNO"

Enquanto os homens natural e espiritual formam um perfeito contraste, o carnal é uma espécie de média, isto é, como se somasse as duas categorias apresentadas e as dividisse por dois. Em outras palavras, o carnal não é nenhuma nem outra coisa. É, portanto, a pior classe, sendo chamado de “morno”. Foi por isso que Jesus disse: “Vomitar-te-ei da minha boca”.
Qual a diferença entre o natural e o carnal? Os dois não cometem as mesmas obras da carne? Na verdade, a diferença não está no praticar as mesmas coisas, mas sim no estado daquele que as pratica. Como vimos, o natural comete pecados, mas age com naturalidade. Já o carnal é aquela pessoa que já conhece a verdade e, por conseguinte, não age por ignorância, naturalmente. Seus pecados são conscientes, verdadeiras iniqüidades.
O “morno”, espiritualmente, não é o “frio” que está ficando “quente”, mas é o que, estando “quente”, começa a sofrer um processo de esfriamento. Por isso, Jesus o chamou de desgraçado, miserável, pobre, cego e nu. O homem natural também está nessa situação, mas ainda está no “tempo da ignorância”. Por isso, Jesus disse para o pastor da igreja de Laodicéia que seria melhor ser “frio”, pois este, por incrível que pareça, está mais próximo da regeneração espiritual.
Embora conheça a verdade, o carnal é aquela pessoa que escolhe viver no pecado e ser dominada pelas obras da carne (Cl 3.5). Daí a dificuldade de esta obter forças para retomar o caminho da salvação. Que Deus nos ajude, a fim de não regredirmos espiritualmente, a ponto de nos tornarmos “mornos”, carnais, insensíveis à voz do Espírito de Cristo.

A QUAL CATEGORIA VOCÊ PERTENCE?

Por que Jesus disse ao pastor de Laodicéia: "Tomara foras frio ou quente!", em Apocalipse 3.15? Isso significa que ser “frio” é algo positivo, assim como “quente” o é? Não! Jesus só disse isso para enfatizar que o Senhor não tolera coração dividido, postura dúbia (Tg 4.8; 1 Rs 18.21). A postura de um servo de Deus deve ser convicta: "Sim, sim; não, não". Nesse caso, o morno é mesmo pior do que o frio.
Você é um homem espiritual, “quente”? Glória a Deus! Continue cultivando o seu espírito, alimentando-o com a Palavra da verdade. Mas, se pertence à categoria dos homens naturais, “frios”, saiba que “... Deus, não tendo em conta os tempos da ignorância... quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade” (At 17.30; 1 Tm 2.4).
Se você é um crente carnal, “morno”, a mensagem que Jesus lhe entrega agora é a mesma que dirigiu aos laodicenses: “Eu repreendo e castigo a todos quantos amo; sê, pois, zeloso, e arrepende-te. Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo” (Ap 3.19,20).

Ciro Sanches Zibordi

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Jesus foi derrotado na cruz?


Realmente, muitos escritores, cantores e pregadores têm propagado essa invencionice! Dizem que Jesus, após ter sido derrotado na cruz, os demônios começaram a festejar no inferno... O Senhor, então, chegou, com seus passos fortes que fizeram o Inferno tremer, e pôs fim à festa, tomando as chaves do Diabo e esmagando-o...
Mas o que diz a Palavra do Senhor sobre isso?
A Palavra de Deus afirma apenas que Jesus tem as chaves da morte e do do Hades (Ap 1.18), e não que estas foram tomadas de Satanás. Deus sempre teve o domínio sobre todas as coisas. As pessoas que morreram antes e depois da ressurreição de Jesus ficaram aos cuidados do Senhor (Ec 12.7), pois é Ele quem “... pode fazer perecer no inferno [geena, no grego] a alma e o corpo” (Mt 10.28). E, neste lugar, o Diabo também será lançado (Ap 20.10).
Quando não se observa o que está escrito na Bíblia Sagrada, criam-se várias fantasias acerca do Hades e da pregação de Jesus aos espíritos em prisão, depois de sua morte redentora (1 Pe 3.19). É com tristeza que vemos em nossas livrarias obras que pretendem tratar das “divinas revelações do inferno”, mas que nada têm de divinas, tampouco honram a revelação das Escrituras! Erram ao descrever o local com detalhes extrabíblicos (Ap 22.18).
Há “hinos” que apresentam a obra de Cristo na cruz como uma derrota, dando a entender que a vitória mesmo só aconteceu no Inferno. As letras de algumas canções dizem que o Inimigo e seus emissários faziam uma grande festa — motivada pela “derrota” do Senhor Jesus no madeiro —, quando Ele, de repente, invadiu o inferno e acabou com a diversão dos demônios, tomando as chaves das mãos de Satanás!
De acordo com a Palavra de Deus, essa festa nunca aconteceu! Primeiro, porque Cristo venceu as potestades do mal na cruz: “tendo [Jesus] cancelado o escrito de dívida, que era contra nós (...) e, despojando os principados e as potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz” (Cl 2.14,15, ARA). Não havia, pois, motivo algum para a realização daquele banquete! Ademais, o trono satânico nunca foi no inferno, e sim nas regiões celestiais (Ef 2.2; 6.12).
Os principais responsáveis pela difusão desse pensamento antibíblico são alguns pregadores — ou melhor, animadores de auditório. Já ouvi várias mensagens fantasiosas. Em uma delas, o expoente disse que Jó — lá no Hades! — acotovelou o Diabo e lhe disse: “Tá vendo, Satanás? Eu não te disse que o meu Redentor vive?” Isso seria cômico, se não fosse trágico. E, infelizmente, o povo se empolga com esse tipo de recurso.
Mas, como explicar o que está escrito em Hebreus 2.14? Neste texto, a Palavra de Deus afirma que Satanás — então detentor do poder (ou império) da morte — foi destruído por Jesus. Esta passagem, paradoxalmente, é a preferida dos que defendem a transferência do lugar da redenção para o inferno. Ora, neste versículo, nota-se com clareza que a obra redentora foi realizada por Cristo ao morrer na cruz por nossos pecados: “... para que, por sua morte, destruísse aquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo” (ARA).
É um erro pensar, com base nesta passagem, que, depois do pecado de Adão, o Diabo passou a controlar todas as coisas, inclusive a morte e o inferno. Ele se valia da força do pecado para colaborar com a morte e a condenação da humanidade, o que não significa possuir as chaves, isto é, o domínio total. Em Romanos 6.23, está escrito que o salário do pecado é a morte. Embora a missão tríplice do Inimigo seja roubar, matar e destruir, ele nunca teve o poder de matar o homem diretamente, no sentido de afastá-lo de Deus (Is 59.2).
A morte decorre do pecado: “... por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte...” (Rm 5.12). E, antes da vitória do Rei dos reis na cruz (1 Pe 2.24), a morte reinou (Rm 5.14), dando ao Diabo o status de imperador da morte. Mas não era ele, de forma direta, quem detinha o poder de matar, e sim o pecado (Rm 7.11). O Inimigo, por conseguinte, se aproveitava da situação pecaminosa do homem.
Em resumo, Jesus tem as chaves da morte e do Hades porque venceu o pecado (Jo 1.29; Gl 2.20). E, como conseqüência, derrotou também o Diabo e a morte (1 Jo 3.5,8; 1 Co 15.55), alcançando a nossa eterna redenção (Ap 5.8). Glória ao Cordeiro!

Ciro Sanches Zibordi

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Como é a igreja evangélica do novo milênio?


Neste novo milênio, que teve início em 2001, a situação da igreja evangélica brasileira tem sido considerada a melhor de sua história. Com a garantia constitucional de liberdade de culto, os cristãos, não mais vistos como fanáticos, se expressam livremente e conquistam espaços importantes.
Esse progresso causa inveja às religiões instaladas no País, e alguns líderes mais entusiásticos proclamam: “Ainda no início deste milênio, o Brasil será predominantemente evangélico”.
Conquanto seja um privilégio viver em um país repleto de cristãos, poucos líderes, em meio à euforia, percebem o número crescente de evangélicos que constam das estatísticas, mas nunca viveram um cristianismo genuinamente bíblico. Hoje, ser cristão, para muitos, é ter privilégios e direitos; é ser senhor, e não servo; é encarar a obediência como uma virtude descartável.
Os avanços da tecnologia trouxeram benefícios à igreja hodierna. Em contrapartida, algumas inovações estão se instalando em nosso meio, merecendo uma análise cuidadosa.
Tenho pensado na situação de nossas igrejas deste início de milênio, uma vez que, com o progresso numérico, cresce também o número de evangélicos apenas nominais.
É claro que há exceções, mas quais são as características da igreja do novo milênio?

1) Uma igreja voltada só para o jovem

Bem, antes que alguém comece a verberar contra este articulista, esclareço que não sou contra a juventude. Primeiro, porque ainda me considero jovem, com os meus 37 aninhos... Segundo, já escrevi um livro para adolescentes, Adolescentes S/A, e outro para jovens, Perguntas Intrigantes que os Jovens Costumam Fazer, ambos editados pela CPAD.
Na década de 1960, o roqueiro Pete Townshend disse: “Espero morrer antes de ficar velho”. Lamentavelmente, esse sentimento parece estar renascendo no meio evangélico. Sabemos que é necessário atrair os jovens e adolescentes para o caminho do Senhor. Mas, e os velhos? Eles também são almas preciosas para Deus.
Um jovem cristão declarou a um jornal: “Era frustrante fazer som na praça e ver pessoas parando que não eram da minha idade. Eu queria que parasse o roqueiro, o cara cabeludo, um cara como eu. Só que ele não parava”. Ora, o Evangelho deve ser pregado a todos, pois não podemos fazer acepção de pessoas (Tg 2.1,9). Ademais, os jovens não podem se esquecer de que, no futuro, eles serão idosos (Ec 12.1).

2) Uma igreja revolucionária

Hoje em dia, a palavra “revolução” faz muito sucesso. Músicas do tipo “revolução está no nome de Deus” são cantadas pela juventude. Revolução, no entanto, denota, antes de tudo, sublevação, revolta e insubmissão. Sempre associada a lutas ou guerras (cf. Lc 21.9, ARA), consiste em mudança rápida e radical. Como a conversão é uma mudança gradual, progressiva (1 Pe 2.1,2; 2 Co 3.18), o uso da palavra “revolução” no meio cristão se torna impróprio.
Há mais de dez anos, fiquei preocupado com a seguinte notícia:
“Está surgindo no país uma versão moderna, mais liberal e classe média do crente tradicional (...); esse novo evangélico é da pesada (...); prefere louvar a Deus em ritmo de rock ou jazz (...). De jeans e camiseta, seus pastores comandam shows de rock religioso ao estilo Chacrinha...” (Veja, 21/4/93).
Infelizmente, o modelo revolucionário deste novo milênio (que imita padrões mundanos) incorporou-se de tal modo a tantas igrejas tradicionais, que muitos me considerarão um extraterrestre por ainda me preocupar com isso. Mas não vejo mesmo apoio para esse modelo nas páginas sagradas (cf. Gl 5.22; Mt 5.1-11).

3) Uma igreja “contextualizada”

Muitos líderes têm pregado que devemos nos contextualizar. “O mundo mudou”, dizem. “Devemos adaptar a mensagem do Evangelho à presente realidade. Temos de ser parecidos com as pessoas do mundo, se quisermos alcançá-las para Cristo”. Este argumento é baseado na interpretação forçada de 1 Coríntios 9.22, um vez que, para evoluir em algumas áreas, não precisamos gerar “aberturas” doutrinárias (Mt 7.13,14).
Na verdade, quanto mais os cristãos se igualarem aos incrédulos, tanto mais será difícil a evangelização. Não havendo identidade, o crente se torna imperceptível (Mt 5.13-16; Fp 2.5), passando de influente para influenciado. Comunicar o Evangelho da forma como as pessoas desejam ouvi-lo não resultará em nada. Mas transmiti-lo da maneira como elas precisam ouvi-lo as levará à compunção (At 2.37,38).

4) Uma igreja formada por fãs

Seguir a Jesus não é só deter o nome de cristão (Lc 9.23). Ser cristão é ser um praticante dos ensinamentos de Cristo. Achá-lo “o maior barato”, pôr adesivos no vidro do carro do tipo “Propriedade Exclusiva do Senhor Jesus” ou usar camisetas com mensagens que trazem o seu nome, sem, no entanto, praticar integralmente os seus ensinamentos, é apenas ser um fã. Aliás, o nome de Jesus se tornou um grande negócio e vem sendo banalizado (cf. Êx 20.7), aparecendo em anéis, presilhas, prendedores de gravata, bonés, chaveiros, etc.
Quando Jesus chamou seus discípulos, disse: “Segue-me” (Mt 8.22; Lc 5.27; 9.59; Jo 1.43), pois Ele não queria ter fãs. Mesmo assim, muitos o seguiam por admiração ou interesse. Sabiam que ele podia transformar água em vinho (Jo 2.1-12), fazer paralíticos andar (Jo 5.1-15) e multiplicar pães (Jo 6.1-15). Mas, depois de ouvirem o seu “duro discurso”, descobriram o que significava segui-lo e o abandonaram (Jo 6.22-71). E você, é apenas um fã de Jesus? Ou tem andado como Ele andou (1 Jo 2.6)?

5) Uma igreja conformada com o mundo

O porte modesto (1 Tm 2.9) está dando lugar a cabelos eriçados, cabeças rapadas, colares, lenços amarrados na cabeça, camisetas com a estampa da “banda” preferida, míni-saias, correntes, braceletes, brincos, anéis... Um repórter de TV referiu-se a um culto dito evangélico da seguinte forma, enquanto o cinegrafista mostrava jovens vestidos exoticamente:
“Você pensa que essa multidão veio assistir um show dos Guns’n’Roses? Não, eles vão participar de um culto evangélico!”
Infelizmente, muitos líderes estão conformados com isso, dizendo: “A tendência é essa mesma. Não adianta reprimir”. Mas a Bíblia diz que o salvo deve se vestir e se portar de maneira decente e modesta (1 Pe 3.3). Por essa razão, nunca devemos nos conformar com este mundo (Rm 12.1,2), mas resistir à pressão que o secularismo, ou melhor, o mundanismo exerce sobre a igreja (Tg 4.4-8).

6) Uma igreja despreocupada com a linguagem

Eis algumas frases proferidas por jovens da atualidade: “Jesus é dez”, “Vamos fazer um louvorzão pra JC”. Nota-se que o uso de gírias e palavras chulas já se tornou normal, e poucos ensinadores têm coragem de combater esse mal. Faz-se pouco caso da Bíblia, que nos ensina a ter uma “Linguagem sã e irrepreensível, para que o adversário se envergonhe, não tendo nenhum mal que dizer de nós” (Tt 2.8).
Em Efésios 4.29, há uma importante advertência: “Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe [imoral, obscena, vil], mas só a que for boa para promover a edificação...” Isaías, quando se converteu, foi purificado pelo Senhor e não pronunciou mais palavras torpes (Is 6.1-8). Diante disso, os palavrões, as “piadinhas” e as gírias devem ser banidos do vocabulário cristão (Cl 3.8-10).

7) Uma igreja liberal

A frase “É proibido proibir”, empregada em 1968 por jovens hippies, que lutavam por liberação sexual e uso de drogas, vem sendo repetida por muitos pregadores! É verdade que Paulo reprovou proibições inúteis, provenientes da mente humana (Cl 2.20-22), mas não podemos negar que o Novo Testamento está repleto de sérias proibições (Rm 13.9; 1 Co 6.10; Tg 5.12; Gl 5.17-21), para as quais devemos atentar.

8) Uma igreja movida a shows

Há mais de dez anos, também li, com espanto:
“... os evangélicos da pesada são um fenômeno recente e caracterizam-se pela liberalização dos hábitos, pelo uso do rock e do funk, pelas roupas coloridas e pelo marketing agressivo para conquistar a juventude” (Veja, 08/6/94).
De lá para cá, músicas pesadas entraram com facilidade em nossos templos. Algumas canções ditas cristãs sequer mencionam o nome de Jesus, e outras, não bastasse isso, possuem letras do tipo “quero sentir você me tocar”, reforçadas por melodias voluptuosas.
Com a ascensão da chamada música gospel, o exibicionismo entrou em cena. Nossos púlpitos viraram palcos, e os cantores passaram a ser vistos como astros. Alguns chegam a trocar de roupa várias vezes em suas apresentações. Muitos cobram cachês e agem como os cantores mundanos (de fato, o são, segundo Mateus 7.20), dançando e até rebolando. Tudo isso ocorre com a permissão de líderes que se esqueceram de que o púlpito, um lugar sagrado, deve ser ocupado por pessoas consagradas.
Unamo-nos, pois, em prol de uma igreja cheia do Espírito, avivada, perseverante na doutrina e mantenedora dos princípios verdadeiramente cristãos. Ou será que preferimos os padrões apresentados?

Ciro Sanches Zibordi

sábado, 8 de setembro de 2007

A síndrome do papagaio (1)


Você já percebeu como as pessoas gostam de repetir o que os outros falam? Não vou lhe dizer que essa prática seja imprópria, mas é bom analisar o que se ouve, para evitar situações constrangedoras... Na famosa igreja de Beréia, os cristãos recebiam de bom grado as pregações. Mas não as consideravam verdades bíblicas antes de confrontá-las com as Escrituras (At 17:11).
Essa síndrome do papagaio se verifica nos diversos versículos “novos” que alguns animadores de auditório insistem em repetir. Ouviram alguém, um dia, pronunciar uma dessas frases e começaram a citá-las como verdade, sem, antes, conferir a sua autenticidade bíblica. Há alguns anos, tive o cuidado de reunir, com a ajuda de meus alunos do seminário teológico, várias “pérolas” que muitos repetem pensando ser versículos bíblicos...
Você está “curioso” para conhecê-las? Quer saber se tem empregado alguma?
“Quem não vem pelo amor, vem pela dor”. É verdade que muitas pessoas, depois de passar por uma dolorosa experiência, entendem a vontade de Deus (Dn 4:30-37; At 9). Entretanto, isso não é uma regra. Existem pessoas que nem mesmo pela dor se arrependem. Por isso, a Palavra de Deus alerta: “O homem que muitas vezes repreendido endurece a cerviz, será quebrantado de repente sem que haja cura” (Pv 29:1).
“Não cai uma folha de uma árvore sem a vontade de Deus”. Todas essas frases tidas como bíblicas são analisadas em meu livro Erros que os Pregadores Devem Evitar, que está em sua 12a. edição. E a frase em apreço, ainda que seja uma das mais citadas no meio evangélico como parte integrante das Escrituras, não se coaduna com elas. A Palavra de Deus mostra claramente que Deus é o Controlador da natureza. Em Isaías 40:12-31, vemos como tem o Universo em sua mão e faz o que lhe apraz. Apesar disso, a frase em questão não é um versículo bíblico!

“O cair é do homem, mas o levantar é de Deus”. É comum o uso dessa frase para animar irmãos que fracassam na fé. Quem a usa, tenta demonstrar que a pessoa caída não precisa se preocupar. Deus a levantará em tempo oportuno. Entretanto, se o homem não tomar uma posição, levantando-se, tal como o filho pródigo, Deus não o socorrerá (Lc 15:17-24). O texto de Tiago 4:8 mostra que o primeiro passo deve ser dado pelo homem. A Bíblia não diz: “Quando Deus se chegar a ti, chega-te para ele”. O homem precisa querer, desejar se chegar a Deus. Em toda a Escritura, observa-se que Deus convida o homem a se levantar, pois o cair é do homem, e o levantar também é do homem (Pv 24:16; Ef 5:14)!
“A voz do povo é a voz de Deus”. Ouvi um animador de auditórios citando essa frase antibíblica e extrabíblica, oriunda do latim vox populi, vox Dei, como se fosse bíblica! Quando Jesus andou na terra, a opinião do povo a seu respeito era variada. Uns o consideravam pecador (Jo 9:16) ou endemoninhado (Mt 12:24), e outros criam que era um profeta (Mt 16:13,14). Enquanto isso, a voz de Deus ecoava: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo” (Mt 3:17). Seria a voz do povo a voz do Senhor?
“Água mole em pedra dura tanto bate até que fura”. Esse provérbio popular alude à persistência. Conquanto não apareça nas páginas sagradas, realça o princípio da perseverança na oração (Mt 7:7,8; Lc 18:1-8). Isso, porém, não nos autoriza a citar a frase como se fosse um versículo inspirado da Palavra de Deus. Trata-se de um bom pensamento, mas extrabíblico!
“Até 1000 irá; de 2000 não passará”. Essa frase já virou história... Muitos “profetas da última hora” a usaram para alertar acerca da iminente volta de Cristo, antes ou durante o ano 2000. Mas o que a Bíblia realmente diz acerca da vinda de Jesus? As palavras de Cristo quanto ao Arrebatamento da Igreja são mais do que claras: “... daquele dia e hora ninguém sabe...” (Mt 24:36). Leia também Atos 1:7, I Tessalonissenses 5:1 e II Pedro 3:8.
“Deus cegou os entendimentos dos incrédulos”. Ouvi um animador de auditórios dizendo isso... Mas, foi Deus quem cegou o entendimento dos incrédulos?! A Bíblia diz: “... o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus” (II Co 4:4). Esse “deus” é o diabo, e não o Deus verdadeiro que ilumina os que estão em trevas (Jo 8:12; I Jo 1:7).
“Diga-me com quem tu andas, e eu te direi quem és”. Quantos já usaram essa frase! Alguém já chegou a dizer acerca dela: “Não está na Bíblia? Então deveria estar!” Bem, a Bíblia apresenta versículos parecidos, que podem ser usados em lugar da frase em questão: “O homem violento persuade o seu companheiro, e guia-o por caminho não bom” (Pv 16:29); “Não entres na vereda dos ímpios, nem andes pelo caminho dos maus. Evita-o, não passes por ele; desvia-te dele e passa de largo” (Pv 4:13,14).
“É dando que se recebe”. Essa conhecida frase é extrabíblica, mas não chega a ser antibíblica, pois confirma as palavras de Jesus em Lucas 6:38. Não deve, porém, ser usada como um versículo bíblico inspirado. O pregador só deve dizer “a Bíblia diz” quando for citar uma passagem das páginas sagradas.

(continua...)

Ciro Sanches Zibordi

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Erros que os Pregadores Devem Evitar

O livro Erros que os Pregadores Devem Evitar tem sido, para a glória de Deus, um sucesso editorial. Lançado em abril de 2005, firmou-se como um referencial para muitos pregadores do evangelho.
Em 2005, foi a obra mais vendida da CPAD, entre todos os seus títulos. Ela já está na 12a. edição e sempre aparece nas listas dos mais vendidos do portal
www.cpad.com.br. Em agosto, ficou em segundo lugar, abaixo apenas do lançamento Minha Primeira Bíblia.
Aproveito essa oportunidade para dizer que este livro não foi escrito com a pretensão de se tornar um best-seller, e sim para atender a um impulso proveniente do Espírito Santo.
Apesar de eu me valer do bom humor e de um pouco de ironia, a obra foi escrita em um momento de tribulação. Na época, minha filhinha, recém-nascida, estava numa unidade de tratamento intensivo, onde permaneceu durante 36 dias.
Por incrível que pareça, em meio a todo aquele sofrimento, eu senti uma paz muito grande em meu coração, e a inspiração para escrever o livro veio em seguida. Em uma semana, reuni minhas notas, digitando-as conforme a seqüência que me veio à mente.
Há trechos do livro em que tive a nítida impressão de que o Senhor Jesus estava ditando as palavras ou indicando onde estavam as passagens bíblicas que deviam ser explicadas...
Louvo a Deus, pois não imaginava que este livro alcançaria resultados tão positivos. Reconheço que foi o Senhor quem me ajudou a prepará-lo, e numa hora de muita tribulação. Sei, ainda, que ele surgiu em um momento de extrema necessidade, em que a pregação cristocêntrica está se tornando uma raridade em nossos púlpitos, dando lugar a palestras motivacionais e a espetáculos em que o nome do Senhor Jesus não é glorificado.
Em tempo, a pessoa da foto da capa não sou eu, como muitos pensam...

Glória seja dada ao maravilhoso nome de Jesus!

Ciro Sanches Zibordi

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Apóstolo Paulo continua fazendo sucesso!


Tenho noticiado neste blog o sucesso que o apóstolo Paulo vem fazendo em nossos dias, com a obra Evangelhos que Paulo Jamais Pregaria...
Depois de quase ganhar o Prêmio Areté de Literatura (ficando entre dois autores renomados); de ter sido mencionado na revista Eclésia; e de fazer (e continuar fazendo) sucesso em Portugal, o livro que traz o nome do apóstolo Paulo continua no ranking dos mais vendidos da CPAD.
O ranking da CPAD dos livros nacionais do mês de agosto ficou assim:

2o.) Erros que os Pregadores Devem Evitar, de Ciro Zibordi.
5o.) Só para Meninas, de Eveline Ventura.
6o.) Heróis da , de Orlando Boyer.
8o.) Evangelhos que Paulo Jamais Pregaria.
Glória ao nome de Jesus!

Confira também:
http://www.cpad.com.br

Ciro Sanches Zibordi

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Calvinismo, arminianismo ou a Bíblia? (4)


Uma das questões que geram mais debates entre calvinistas e arminianos gira em torno da graça de Deus para a salvação do ser humano. Seria ela irresistível? Teria o pecador como resisti-la?
Para os predestinalistas, posto que todos os "eleitos" já foram designados de antemão, a graça para eles é irresistível; não lhes pertence decidir se a receberão ou não. Quanto aos outros, já estão condenados antes da fundação do mundo. Mas o
arminianismo contesta isso, embora valendo-se de alguns argumentos extremistas, supervalorizando a cooperação humana, e quase que invalidando e neutralizando a graça de Deus.
Nesta quarta parte, consideraremos, de maneira sucinta e objetiva, o que a Palavra de Deus diz sobre a ação graciosa do Espírito Santo ao convencer o pecador do pecado, da justiça e do juízo (Jo 16.8-11).
Segundo a Bíblia, não existe graça irresistível, pois o homem pode, sim, recusar-se a aceitar o chamamento do Senhor (Hb 3.12; 12.25; At 7.51; 13.46). As Escrituras afirmam que Deus está conosco enquanto estivermos com Ele; se o deixarmos, também nos deixará (2 Cr 15.2). Em Hebreus 3.15, está escrito: “Enquanto se diz: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o vosso coração, como na provocação”.
Mas ai daqueles que resistem à graça. Não serão condenados por estarem predestinados ao Inferno. Antes, serão lançados no Lago de Fogo por resistirem ao Espírito da graça: “De quanto maior castigo cuidais vós será julgado merecedor aquele que pisar o Filho de Deus, e tiver por profano o sangue do testamento, com que foi santificado, e fizer agravo ao Espírito da graça?” (Hb 10.29).
Os seguidores do calvinismo extremista se apegam a passagens isoladas, como João 6.37,44 e 10.29, para afirmar que apenas alguns eleitos são encaminhados pelo Pai a Jesus. Na verdade, tais passagens mostram, à luz do contexto, que até para aceitar a chamada para a salvação, o ser humano precisa de capacitação divina. É Deus quem concede a fé quando o pecador ouve a Palavra (Rm 10.17); e é Ele quem dá a possibilidade de arrependimento (At 11.18). A salvação é pela graça de Deus (Ef 2.8,9).
Não há méritos humanos na salvação. Ninguém pode se gloriar: “Eu sou salvo porque tive fé” ou “Sou regenerado porque eu me arrependi”. Deus pôs na alma humana três faculdades: sentimento, intelecto e vontade. Por elas o homem pode ouvir a mensagem do evangelho, sentir suas misérias e crer para a salvação (Rm 10.9,10; Lc 15.17-19). Em outras palavras, Deus indica o caminho (Jo 14.6) e provê os meios de o homem entrar por esse caminho. E cada indivíduo, de posse desses meios, escolhe entre a vida e a morte (Mt 7.13,14).
No próximo artigo desta série discorreremos sobre a pergunta "Uma vez salvo, salvo para sempre?"

(continua...)

Ciro Sanches Zibordi

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Respostas aos meus leitores (1)






Bem, amigos, após um fim de semana abençoado, em que o Senhor me deu a oportunidade de ministrar a sua Palavra na Assembléia de Deus liderada pelo amado pastor José Alves, em Paranaguá, no Paraná, deparei-me com vários comentários neste blog.
É claro que não tenho tempo para dar atenção a todos neste momento, porém responderei — ainda que de modo sucinto e objetivo — a algumas perguntas e críticas.

Dentes de ouro

O internauta Alisson “gostaria de saber se as manifestações de dente de ouro, pó de ouro, óleo que escorre das mãos são manifestações do Espírito de Deus”. Ele também sugere que está “magoado” por eu não ter respondido ao seu último comentário... Bem, meu caro, eu não lhe respondi por ter percebido que o irmão sequer se deu ao trabalho de ler os textos que tratam dos assuntos que o deixam com dúvidas.
Portanto, a minha resposta para o irmão é simples: Se desejar, navegue um pouco mais através deste blog e encontrará textos bíblicos que o farão entender que a Bíblia é a nossa regra de fé, de prática e de vida, em tudo o que pensamos, sentimos ou fazemos. Embora creiamos na multiforme operação do Espírito, a Palavra de Deus está acima de qualquer manifestação sobrenatural (Gl 1.8; Dt 13.1-4; Jo 10.40,41).

Os fãs apaixonados ainda estão bravos

Fãs apaixonados continuam escrevendo comentários enormes para dizer que, se o grupo tal não fosse aprovado por Deus, não conseguiria reunir milhões de pessoas em seus shows. Infelizmente, os fãs são assim: não querem andar segundo a Palavra do Senhor. Pensam que, pelo fato de haver inúmeras pessoas seguindo a um grupo, este é aprovado por Deus. Não se esqueçam de que, num só dia, uma grande multidão abandonou Jesus, após terem ouvido a verdade (Jo 6.60-69).
Por favor, não comparem os shows, em que canções compostas para Satanás são cantadas — fazendo do Inimigo o protagonista dessas festas —, bem como danças e coreografias similares às dos grupos mundanos são apresentadas, com o que aconteceu no dia de Pentecostes. Naquele dia, todos estavam reunidos em oração, obedecendo à Palavra do Senhor Jesus (Lc 24.49; At 1.8), quando o verdadeiro poder do alto foi derramado (At 2.1-4).
Quanto aos internautas que idolatram “show-mans”, observo que são incapazes de usar a sua capacidade de argumentação para defender o evangelho de Cristo. Não se convencem de que Deus não se agrada da soberba, do comportamento dos “show-mans”, dos que agem como astros, não dando a Jesus a glória que lhe pertence. Esses fãs não querem aceitar que a Palavra de Deus é contrária aos que não pregam a Cristo, preferindo falar de si mesmos...
Se vocês, “fã-náticos” de plantão, desejam mesmo andar segundo a verdade, e não conforme o que pensam ser verdadeiro, leiam as referências bíblicas que tenho citado neste blog. Não estou dizendo para me seguirem, como se eu fosse o dono da verdade. Leiam a Palavra de Deus! Ela é a verdade, aceitem vocês ou não. Caso não queiram aceitá-la, continuem defendendo as heresias em apreço até àquele grande Dia (Mt 7.21-23). A escolha é de vocês.

Internauta continua dançando

A internauta Bia — pseudônimo de alguém que se passa por uma jovem muda — diz que eu melhorei em meus textos, enquanto que ela melhorou em sua dança... Ela (Ela?) diz que as minhas interpretações sobre a dança são duras. Agradeço-lhe pelo elogio, mas receio que duro esteja o seu coração para entender que a dança nunca fez parte da liturgia neotestamentária, e que a Palavra de Deus não oferece nenhuma base para a sua introdução no culto ao Senhor.
Com “muita convicção”, ela (ela?) afirma que “louva a Deus com o corpo”. Ora, todas as coisas nos são lícitas, não é mesmo? Siga em frente! Mas não se esqueça de que a Bíblia é a Palavra de Deus, e de que, se você estiver agindo por impulso, por desejo de dançar (ou de defendê-la), ainda que tenha certeza disso, não estará agradando a Deus. Sabia que os homens-bomba fazem o que fazem com muita fé e convicção? A escolha é sua. Sou apenas alguém que emite opiniões baseadas na Bíblia. Nada mais que isso.
Ah, você também diz que, ao ler os meus textos, chegou à conclusão de que eu não tive a oportunidade de ampliar os meus horizontes, de ver outras culturas e de conhecer mais do que um idioma, além de não conhecer mais do que uma versão das Escrituras... Bem, pense o que quiser. O que eu sou e o que eu sei não importam diante das inerrantes e incontestáveis verdades bíblicas, não é mesmo?
Não preciso aqui dizer que sou uma pessoa “viajada”, que conheço isso e aquilo, que falo este ou aquele idioma... Isso não me torna melhor do que ninguém. Por isso, você pode me desqualificar ou zombar de mim, Bia (Bia?), se quiser, mas não se esqueça de que das verdades das Escrituras jamais poderá fugir...

Sinceramente,

Ciro Sanches Zibordi